Independência ou morte

Posts tagged ‘Minas Gerais’

Não é pra todo mundo. Mineiro paga um mil e 260 reais para beijar pé de guru

BRA^MG_EDM guru

Sentado em uma poltrona dourada, ao redor de arranjos florais e com os pés descansados em uma almofada decorada com pétalas de flores, Sri Prem Baba Maharaj promete: “O silêncio e o amor podem realizar milagres”.

Depois de lançar seu livro Amar e ser livre – As bases de uma nova sociedade, em 23 de junho, Belo Horizonte, o mestre espiritual promoveu o retiro do silêncio entre os dias 25, 26, 27 em uma das pousadas mais charmosas da Serra do Cipó, Santana do Riacho.

As vagas oferecidas para o evento foram preenchidas rapidamente. Para participar, era preciso desembolsar R$ 800 para a equipe do guru, e R$ 460 de hospedagem, ou seja, R$ 1.260. “Ofereço vários tipos de trabalhos gratuitos. Mas, em um retiro como esse, há despesas operacionais que vão desde a alimentação, equipe e estadias”, esclareceu.

Murilo Mendes, Orfeu de Lélia Coelho Frota: Todos curvados constroem/ Sua próprias algemas.

LAMENTAÇÃO
por Murilo Mendes

.

Nenhum homem tem mais saída:
Antes de nós o dilúvio.
Durante, o tédio no caos,
Depois, o épico escuro.
A esperança desespera,
Os olhos não são para ver
Nem os ouvidos para ouvir.

O diálogo virou monólogo,
Meio-dia é meia-noite.
Todos curvados constroem
Sua próprias algemas.
O longo ai das criaturas
Sobe para o céu
Forrado de espadas.

Murilo Mendes, pintura de Guignard

Murilo Mendes, pintura de Guignard

ORFEU
por Lélia Coelho Frota

.

(trechos)

Não o encontraremos mais, com Saudade,
na ópera de Pequim.
Volantim Murilo
sustenta nosso mínimo fôlego de parentes
da mesma fala.
Em tua homenagem
prendo no cabelo
o agrafe da poesia.
Para te encontrar
levaremos flores
nos pés e nos cabelos.
Vem-nos esperar
na chegada estelar.
Correremos
relva adentro
sairemos pelo centro
nos pratos suspensos do tempo.

Esperamos rever-te breve
para que enfim se trave
o convívio solstício
do nosso estar em Alfa.

Tardiamente chegado
à defenestração da minha cela terrestre
é só agora que ponho a mão no coração do teu verso
e penso, Murilo,
como um grande silo
bíblico
de palavras de trigo
germinando, germinando

Entre uma cruz e uma estrela
ladeando Murilo e Mendes
ele decola,
convergiu.
Morte e nascimento se confundem
na sua ausência eléctrica
compacta como a massa de um quasar.
FUIT HIC

Para nós deixou gravada a sua marca
mineira, e vai na dianteira
movido a clavicembalos prestíssimos.
Percebe o código estelar
do aridíssimo caminho dos amores
que mapeou de arcanos.
Baco mineiro,
Murilo vai sem deixar sua Ariadne,
a palavra das coisas que viveu.
Não perderemos o bipbip
da tua, como disseste, telepessoa.
Sentimos pena
da nossa pequena voz para alcançar-te.
Nossa promessa inscrevemos, em teu rumor
de grande astro que se move com amor:
não esquecer.

O Natal de Belo Horizonte na poesia de Cristina Moreno de Castro

A jornalista Cristina Moreno de Castro escreveu na sua página no Facebook:

“Eu amo Natal!!!!!
Já organizei todas as gavetas e armários da casa, já separei dois sacões imensos de roupas e sapatos para doar e já comprei todas as lembrancinhas que adoro distribuir! Que venha o Papai Noel.

 

cris2

Tuuuuudo arrumadim! Só no Natal mesmo! Até os sapatos”.

Este amor está nos versos da poetisa Cristina Moreno de Castro.

 

Cristina

Rituais

Chuvisca de leve em princípio.
Às vezes, chega a parar:
é indiferente.
Fortalece vez por outra,
tempo carregado
ar úmido
clima sempre úmido
mas às vezes fecha demais;
é tempestade.
Enchentes, dilúvio, granizo.
Vontade de parar essa chuva de vez.
E, do nada, ela volta a serenar.
Não se sabe quanto tempo: é garoa.
As plantas agradecem
as nuvens deixam um clima natalino
o coração está leve.
Água e brisa
me embalam carinhosamente
e geram frutos.

 

Sobre tombos e joelhos

Hoje levei um tombo
Um tombo no meio da rua
Caí meu corpo no meu joelho
Que, quando velha, terá quebrado.

Não quebrei nada, nem a cabeça.
Mas o tombo me fez pensar na vida.
Repensar o joelho.
Que deixei lá, no meio da rua.

Carro não me pegou desta vez
Quem sabe um dia.
Então pensei em repensar na vida
E ver se estou vivendo bem vivida.

(Meu joelho fez que não)

O barulhinho da chuva e o natal que me espia
Me fazem sempre lembrar da criança
Que não me deixa nas horas difíceis.
O tombo me deu um susto:

Andei criança, tombei mulher
Hoje sou velha e sem joelho
Vendo a vida passar de fininho
E, entre tombos, trancos e barrancos,
Exigir de mim uma atitude.

Apesar do joelho cansado,
Quero levar mais tombos
Se repensar na vida.
Afinal, é a saúde que mais sofre quando se quer ser feliz.

(Ouço atentamente: o primeiro passarinho do dia já começou a pia-cantar)

 

Cartas

Caligrafias diversas
Erros de Português inocentes
Corrigidos pela criança.
Parentes de longe
Ainda amigos
dizem que nos amam
em inglês.
Professoras exageram no talento
responsáveis que são do ideal.
Convites de aniversários
prometem balões e bombons
Não dizem o aniversariante.
Irmã-madrinha diz a frase
Filosofia de vida aos onze.
Papai-mamãe ressalta virtude,
Me amam até hoje.
Irmão, sempre longe,
Faz piadas e sorri palavras gentis.
Irmã não gosta de escrever
Mas escreve muito seu manifesto.
Feliz Natal! Feliz Aniversário!
Editoras mandam cartas
que enchiam de esperança.
Amigos – os primeiros –
clamam passagem do tempo
Registram carinhos
Que não mais são.
O grande, maior de todos
Coloca defeito na capa
Mas comove elogios nos versos.
Boa sorte! Apareça!
Cartãozinho de natal anunciaria
Concurso de cartas de amigas.
Cafonas, forçadas ou sinceras.
De qualquer forma, amigas.
Viagem traz tecnologias
com abreviaturas e cortes rápidos.
Traz sumiço (amigos?).
Na volta, cartazes lindos
Esbarram fronteira da língua
Latidos que dizem mais que memória.
De lá, longe, não mais parentes.
Amigas que sumiram cedo demais.
Carta com fita engraçada bordando
Carta feliz-vitória.
Carta de despedida que não durou.
Pessoas especiais, lembranças, sentidas.
Cartas com vozes, sons, imagens.
Lembranças de raiva e alegria
Passado
Passado a limpo;
ou rascunhos.
Detalhes que reavivam saudades
há muito acomodadas
Flashes de notícias que, juntas,
compuseram o jornal da minha vida.
Pessoas marcadas pela letra
Numa memória insaciável.
Preciso cartas de consolo
Ou melhor, recordação.
Reafirmando que também sou lembrada.
Por letras ou células
Em outros jornais.

 

Olhar de fotógrafo

Andando rápido. Caminho longo.
Trinta minutos em quatro quilômetros.
Cidade no centro é pura fotografia.
Mulher ranzinza com bebê ao colo.
Nenhum sentimento, bela foto.
Prédios correndo rápido, carros lentos.
Na linda avenida com postes altos.
Sol de rachar, camelôs, vinis, barato.
Chego ao destino, mil vidas depois.
Puro pensamento.
Mais tarde, caminho de volta é sem compromisso.
Livros e teatros, bares e livros.
Maletta cheio de boemia precoce.
Ainda é cedo e hoje é terça-feira.
Mas todos querem festa, querem descansar.
A hora mágica surge, espontaneamente
– como sempre.
E contrasta luzes da Praça
da Liberdade.
Estou livre, e feliz e cheia de vida.
Correria o triplo, se preciso fosse
e se não me privassem do meu pensamento.
Natal, tão longe, baixou seu clima no meu peito.
Misto de saudade e fé, desejo e necessidade.
Quero presentear a todos.
E viver natal como se fosse sempre.
Enquanto isso, três crianças devoram um cachorro-quente
um para cada.
E isso é felicidade.
– Que prédio alto! E acenam para o porteiro-pai.
E isso é minha felicidade.
Livre, estourando toda em mim.
Como as praças, e as casas velhas e os rostos enrugados
felizes de minhas fotografias.

 

Bocejo

Após longos sete meses
– chove.
E chove e chove e chove
Cheiro sonoro
Barulhinho molhado
Frescor prateado:
uma alegria me invade.
A chuva canta pra mim,
me descansa, me nina
nananeném.
A chuva é um blues delicado
ilustrado nas sombras de vela
e na paz brilhante do mundo.
Os trovões, imponentes,
calam a rua.
E as gotas nos embalam
Triquiquiando nos vidros.
O céu laranja desaba
curtocircuitando em raios
Enquanto a lua boceja
a preguiça dos homens.

E eu me delicio
Me alivio de uma alma seca
e petrificada de sete meses
que desabrocha para a sina
do amanhã natalino ainda.

 

Belo Horizonte na poesia e fotografia de Cristina Moreno de Castro

belo 1

belo 10

belo 9

belo 2

belo 11

belo 12

 

Mineirices

Hoje neguei minha condição de estranha
Recolhi-me no estereótipo do Estado:
Um cheiro de pão de queijo me perseguia
Meu pensamento era só massa polvilhada.
Além disso, tranquei os dentes (raiva?)
Emudecida, desconfiada, cismada.
Típica Belôrizonte do tempo da tuberculose.
Parei de falar para refletir na vida.
Filosófica, depressiva, romântica.
Típica Lagoa idealizada.
Matutei, como diz o outro.
Cabocla, negra, cafuza.
Confusamente outra.
Ou acordo amanhã estranha
(inquieta, feliz, tagarela)
e volto a fazê-los rir
– escondendo tristeza de nascimento.
Ou estou transmutada mineira
Até que me agüentem e eu sustente.
Por quanto tempo, não sei.

 

belo 3

belo 6

 

Olhar de fotógrafo

Andando rápido. Caminho longo.
Trinta minutos em quatro quilômetros.
Cidade no centro é pura fotografia.
Mulher ranzinza com bebê ao colo.
Nenhum sentimento, bela foto.
Prédios correndo rápido, carros lentos.
Na linda avenida com postes altos.
Sol de rachar, camelôs, vinis, barato.
Chego ao destino, mil vidas depois.
Puro pensamento.
Mais tarde, caminho de volta é sem compromisso.
Livros e teatros, bares e livros.
Maletta cheio de boemia precoce.
Ainda é cedo e hoje é terça-feira.
Mas todos querem festa, querem descansar.
A hora mágica surge, espontaneamente
– como sempre.
E contrasta luzes da Praça
da Liberdade.
Estou livre, e feliz e cheia de vida.
Correria o triplo, se preciso fosse
e se não me privassem do meu pensamento.
Natal, tão longe, baixou seu clima no meu peito.
Misto de saudade e fé, desejo e necessidade.
Quero presentear a todos.
E viver natal como se fosse sempre.
Enquanto isso, três crianças devoram um cachorro-quente
um para cada.
E isso é felicidade.
– Que prédio alto! E acenam para o porteiro-pai.
E isso é minha felicidade.
Livre, estourando toda em mim.
Como as praças, e as casas velhas e os rostos enrugados
felizes de minhas fotografias.

 

belo 13

 

Hipocrisia Religiosa

Ó deus, perdoai os meus Pecados,
Prometo que farei o sacrifício
De não comer bife com fritas hoje:
Comerei bacalhau com batata assada
– ou, talvez, atum.
Livrai-me do pecado da Gula e
celebrarei com muito gosto sua
Ressurreição
deliciando-me com os simbólicos ovos
de chocolate.
Prometo acender velas nas procissões
e não ir a festas hoje,
mas amanhã levantarei uma taça de vinho
na zona boêmia da cidade.
Este sacrifício, ó senhor,
farei de bom grado em um dia por ano.
Se, é claro, me concederes a graça
de ir ao Céu quando chegar meu dia.
Após teres perdoado meus raros pecados.
(amém)

 

belo 5

 

Flashes da minha memória

“Fui ali. Volto já”.
Era o que me ordenava o poema.
No entanto, fui apenas “caminhar”.
Gorro na cabeça, máquina em punho.
Percorri lembranças várias, da infância,
dos choros juvenis e ombro amigo,
das festanças universitárias,
dos carros bem estacionados.
Comecei pela rua que é toda brilhante no pôr-do-sol
cheguei à rua que sempre tem o céu azul.
Capturei um ipê-amarelo, majestoso e prisioneiro.
Cheguei ao topo dos carros.
Muitas fotos sem flash.
Uma rua me deu pânico.
Casa pobre, tosca.
Penafiel.
Soluços rebentaram, acumulados que estavam há
oito anos
Ou oito horas.
No clímax, o clímax de Beagá
e o Sol mais laranja e redondo e baixo
que já vi se pôr

 

Lua cheia

Hoje todos os casais da cidade
saíram às ruas.
E me espiavam, de mãos dadas.
Abraçavam apertado e cochichavam,
olhando para mim.
Todos os olhares eram para mim.
Todos estavam apaixonados
– e me olhavam.
E eu fui encolhendo e apequenando
e tornei-me miúda com tantos olhares
de tantos casais de mãos dadas e abraço apertado.
E tornei-me sozinha.
E o único olhar que eu queria olhava pra lua.
Por sinal, cheia – belíssima.

 

cris 1

cris 2

cris jornalista

Cristina Moreno de Castro fotógrafa, poeta e jornalista, brindando os prêmios de hoje e do futuro

Cristina Moreno de Castro fotógrafa, poeta e jornalista, brindando os prêmios de hoje e do futuro

Crece el rechazo a Aécio Neves

indignados ditadura comissão verdade

por Juan Manuel Karg
Tiempo Argentino
Si bien hay que ser cauteloso a la hora de dar cuenta de las novedades en las encuestas en Brasil –a raíz de lo acontecido en la primera vuelta– es conveniente también analizar la trama fina de lo que dicen estos números, para así poder analizar lo que vino sucediendo en la campaña, de cara a la recta final. Así, bajo un escenario de “empate técnico” que describe la consultora Datafolha en su última medición –situando a Aécio con un 51% y a Dilma con el 49%, pero con un 2% de error técnico, lo cual diluye la distancia previa–, hay un dato que no se puede dejar desapercibido: el rechazo al candidato del PSDB ha crecido del 34% al 38%, tras la decisión del PT de confrontar abiertamente con su candidatura.

Hay un elemento más para marcar, y así comprender mejor qué significan estos números: este crecimiento del rechazo aparece luego del apoyo de Marina Silva a Neves, algo que, imaginaban los asesores del candidato ‘tucano’, debería haber significado un “despegue” en las encuestas. ¿Qué ocurrió en el medio? La campaña del PT orientó sus últimos spots televisivos y radiales a mostrar la política económica del PSDB durante el gobierno de Cardoso –remarcando el aumento del desempleo y la ausencia de políticas sociales extendidas–. También decidió confrontar un argumento de Neves, quien afirma haber dejado la gobernación de Minas Gerais con un 92% de aceptación: “¿Cómo, con esos números, el PSDB no ganó la elección allí, donde triunfó Fernando Pimentel del PT?” Ambos elementos –la crítica a la política económica de Cardoso y la mala elección del PSDB en Minas– iban a ser importantes en el tramo final de la campaña de cara al balotaje.

 

justiça comissão da verdade

Adicionalmente, Aécio también sumó el apoyo del Club Militar de Brasil, que busca poner fin a la Comisión de la Verdad creada durante el gobierno de Rousseff. En una carta pública, estos oficiales de reserva atribuyen a Neves “una esperanza concreta de poner fin a la era petista”, y así dar vuelta “una página negra” en la historia del país, tal como describen a las administraciones de Lula y Dilma durante los últimos doce años. Esta rara conjunción de apoyos simultáneos a Neves, tanto por centro –Marina– como por derecha –Club Militar–, también pueden aportar un elemento de desconcierto en los posibles votantes de Neves. Por ejemplo: ¿podría, alguien que ha pregonado un voto por “la nueva política” en la primera vuelta compartir opción de votos con un grupo de oficiales que buscan poner fin a la investigación de lo sucedido en la dictadura brasileña? Parece difícil compatibilizar ambas opciones, algo que el comando de campaña de Aécio comienza a visibilizar.

En la previa a la primera vuelta, el “factor Lula” fue clave para consolidar a Rousseff en el primer lugar, con una distancia no menor –ocho millones de votos–. Lula, como ya se dijo repetidamente, se puso “la campaña al hombro”. Y también podría ser el factor clave ahora, visto y considerando los masivos actos que el ex presidente brasileño realizó esta semana en el norte y nordeste del país, buscando consolidar allí el enorme piso de votos que el PT obtuvo el 5 de octubre –cuando obtuvo un promedio de casi el 60% en dichos estados”.

La ventaja de Dilma es que, mientras ella hizo escala en San Pablo esta semana, Lula se movió hacia el norte del país. Así, lograron influencia en ambos lugares, complementándose. Neves debe ocupar ambos perfiles –prensa y actos públicos– en soledad, ya que Fernando Henrique Cardoso, por la forma en que concluyó su deshilachado gobierno pero también por su edad, no puede ocupar el papel que sí ocupa el ex metalúrgico.

La semana que se abre, con dos debates televisivos más, será de definiciones no sólo para Brasil, sino para el conjunto de los países de América Latina. En siete días más se pondrán en juego, cabeza a cabeza, dos opciones de dirigir los destinos del gigante latinoamericano. El creciente rechazo a Neves que muestra el sondeo más reciente de Datafolha ilustra que buena parte de la sociedad brasileña no está dispuesta a poner en juego las conquistas políticas, sociales y económicas logradas en los últimos doce años.

 

indignados comição da verdade

Por que Aécio perdeu em Minas?

Foto Antonio Cruz/ ABr

Foto Antonio Cruz/ ABr

Mineiros explicam motivos para derrota de Aécio no estado; PSDB não investe nem o mínimo constitucional em saúde e educação

por Joana Tavares
Belo Horizonte (MG)

 

Com mais de 400 mil votos de diferença, Aécio Neves perdeu no primeiro turno em Minas Gerais, estado que governou por dois mandatos, até ir para o Senado. Dívidas bilionárias e redução do investimento em saúde e educação explicam a forte rejeição dos conterrâneos a Aécio.

“A população mineira sabe o que enfrenta. Por mais que os grandes meios de comunicação do estado sempre tentaram esconder os problemas, esses 12 anos de choque de gestão geraram um grande desgaste porque as políticas não são para a maioria da população”, analisa Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas (CUT/MG).

A campanha do senador Aécio Neves utiliza o “choque de gestão” como um bom exemplo de política econômica para aumentar investimento em áreas essenciais, como saúde e educação. Porém, não foi o que aconteceu nos oito anos em governou o estado. Economistas destacam que o modelo de “choque de gestão” significou um aumento da dívida. Atualmente, Minas Gerais deve R$ 79 bilhões. É o segundo estado mais endividado do país. Além disso, sindicalistas e especialistas destacam que os governos do PSDB em Minas deixaram de investir o mínimo constitucional em saúde e educação.

“Um exemplo dessa falta de investimento é o Termo de Ajustamento de Gestão [TAG], que permite um escalonamento no cumprimento da Constituição”, afirma o deputado estadual Rogério Correia, vice-líder do bloco de oposição na Assembleia Legislativa, o Minas sem Censura. Ele se refere ao acordo assinado em maio de 2012 com o Tribunal de Contas do Estado, que permitiu que o governo fosse aumentando seu investimento ano a ano até chegar à norma dos 25% para a educação e 12% para a saúde.

*Com informações de Thaíne Belisse e Luiz Carlos Azenha

 

ICMS DA LUZ É O MAIS CARO DO PAÍS

foto_1

O alto preço da conta de luz em Minas Gerais motivou dezenas de organizações sociais a fazer um plebiscito popular em 2013. Mais de 600 mil pessoas em todo o estado votaram pela redução da cobrança de ICMS na conta de luz, a mais alta do país. Os eletricitários do estado denunciam que o imposto alto não repercute em melhorias na rede e nas condições de trabalho, com grande aumento de contratação de terceirizados. Por outro lado, os lucros da Cemig são repassados quase integralmente aos acionistas. Na véspera do primeiro turno, um montante de R$ 604 milhões foi adiantado, de um total de R$ 3,3 bilhões.

 

MENOS CPI QUE NA DITADURA

Lucas Nine

Lucas Nine

O deputado Rogério Correia denuncia que o Aécio exercia controle em todas as áreas do Estado: na Justiça, no Tribunal de Contas, na imprensa e na própria Assembleia. “A Assembleia Legislativa de Minas teve menos CPIs durante o governo tucano do que durante o regime militar”, exemplifica.Uma das investigações que não foram aprovadas pelos parlamentares da base do PSDB foi em relação a um aeroporto no pequeno município de Claudio, que custou R$13,9 milhões e não tem uso público. O caso ganhou repercussão nacional depois de denúncia na imprensa, mas ainda não foi investigado. A CPI também pedia a investigação da construção de uma pista de pouso em Montezuma, que também não é aberta ao público. A família materna de Aécio tem uma fazenda em Claudio e a paterna na pequena cidade do norte de Minas.

 

MG NÃO PAGA PISO AOS PROFESSORES

4 foto professores

 Além de não investir na educação, a gestão do PSDB acumula uma extensa lista de denúncias no setor da educação. “Fizemos uma das maiores greves do país em 2011, com 112 dias, com a reivindicação do piso salarial. O governo assinou o acordo de que pagaria o piso e dois meses depois rompeu o acordo, aprovando outra forma de remuneração”, denuncia Beatriz Cerqueira, que também é coordenadora geral do SindUTE/MG. Além disso, o plano de carreira dos professores foi congelado.Outro grave problema que atinge os professores no estado é uma lei sancionada por Aécio em 2007 que permitia a contratação de 100 mil professores sem concurso. A Lei 100 foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julho deste ano e os educadores correm risco de demissão, sem acesso ao FGTS e aposentadoria.

 

RÉU EM PROCESSO

3ª foto

Aécio chegou a ser réu em um processo que denunciava o desvio de R$ 3,5 bilhões da área da saúde de 2003 a 2008. O processo foi arquivado pelo procurador-geral de Justiça, indicado por Aécio. O procurador alegou que não caberia ao Ministério Público entrar com esse tipo de ação. Segundo a promotora Josely Pontes Ramos, que entrou com o processo, o governador Anastasia também utilizou dessa prática e o rombo na saúde pode ser bem maior.

 

“CHOQUE DE GESTÃO” E AUMENTO DA DÍVIDA

choque

Baseado em dados da Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, Fabrício Augusto de Oliveira, economista da Escola de Governo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, destaca que, no ano passado, o estado teve déficits em todos os conceitos: orçamentário, nominal e primário. Ele chama a atenção para o déficit primário, de R$86 milhões, que não acontecia desde 1999. De acordo com o economista, esse número é preocupante, pois significa que o governo não está sendo capaz nem de pagar seus gastos básicos.

“Além de não dispor de recursos para pagar um centavo dos encargos da dívida, o governo ainda se vê obrigado a recorrer a novos empréstimos para honrar suas despesas primárias”, afirma. Ele também destaca o déficit nominal de R$8,9 bilhões, que compromete 20% da receita líquida do Estado. Diante desse desequilíbrio orçamentário, a dívida consolidada líquida só aumenta, tendo saltado de R$ 70,4 bilhões em 2012 para R$ 79,7 bilhões em 2013.

 

Sete regiões de Minas preferem Dilma

MAIORIA Das dez macrorregiões mineiras, a presidente conquistou sete

mapa

No primeiro turno, 43,48% dos eleitores mineiros votaram pela continuidade da presidenta Dilma Rousseff (PT) no governo federal. A candidata à reeleição obteve maioria dos votos em sete de dez macrorregiões do estado: Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Triângulo, Norte, Alto Paranaíba, Vale do Jequitinhonha e Noroeste. A região Norte foi a que deu maior vantagem para a presidente, com 66,09%, contra 23,21% de Aécio. O candidato tucano saiu do primeiro turno com minoria no estado que governou durante oito anos: 39,75% dos votos. As regiões Central, Sul e Centro-Oeste tiveram preferência pelo candidato tucano.

 

Municípios centrais por região

mapa 2

Fonte: Brasil de Fato

El triunfo de Aécio representaría el regreso del neoliberalismo

El candidato tiene el apoyo de gran parte de los empresarios paulistas

indignados ajuda empresarios

 

 

por Juan Manuel Karg
Tiempo Argentino

 

Aécio Neves es el nieto, por vía materna (su apellido paterno es Da Cunha), de Tancredo Neves, histórico líder de Minas Gerais que llegó a ganar la presidencia de Brasil, pero murió antes de poder acceder al cargo, en marzo de 1985. Aécio, nacido en 1960, estuvo involucrado en aquella campaña como colaborador: a partir de ese momento soñó con “vengar” el esquivo destino familiar y llegar a Planalto. Primero, gobernó Minas, y luego ganó la interna del Partido de la Social Democracia Brasileña (PSDB) para ser candidato presidencial, desplazando a históricos como José Serra y Geraldo Alckmin.

Si bien Neves realizó una destacada primera vuelta en la parte centro-sur del país, y en especial en San Pablo, el candidato perdió su bastión, Minas Gerais, a manos de Fernando Pimentel del Partido de los Trabajadores, que será el nuevo gobernador del estado.

Incluso en dicho estado, la votación presidencial fue encabezada por Dilma Rousseff, que igualmente estuvo lejos de alcanzar la muy alta votación que sí realizó en el norte del país, con resultados que de haberse generalizado le hubieran permitido un triunfo en primera vuelta –Piauí 70%, Maranhão 69%, Ceará 68%, Bahia 61%, Paraíba 55%, Sergipe y Amazonas 54%, Pará 53%.

Neves tiene el visto bueno de gran parte de los empresarios paulistas, ciudad donde concentrará su “poder de fuego” de cara al 26 de octubre: espera desde allí poder proyectar una elección aún mejor que la hecha, intentando asimismo reducir la brecha que Rousseff le sacó en los estados del norte y nordeste del país, buscando emparejar un balotaje que, en las últimas tres oportunidades, fue adverso para el PSDB.

El asesor económico más importante de Aécio es nada menos que Armínio Fraga, reconocido economista ortodoxo de Brasil, recordado por haber sido presidente del Banco Central durante la presidencia de Fernando Henrique Cardoso, en el apogeo neoliberal del vecino país.

Fraga es la punta de lanza de un equipo que Neves considera de gran nivel, puntal de su candidatura: “Nadie tiene nuestro equipo económico”, se enorgulleció durante un evento con empresarios en abril pasado, para luego anunciar que “nuestro equipo le dará confianza al mercado”. A juzgar por los números del índice Bovespa de ayer, la “confianza” del mercado ya reposa sobre el ex gobernador de Minas.

Además, según anuncia Folha de Sao Paulo, los denominados “donantes privados” que apoyaron la candidatura de Marina Silva, podrán ahora ser aportantes de la campaña de Neves hacia la segunda vuelta, logrando que el “tucano” pueda desplegarse mejor en aquellos estados donde ha triunfado más holgadamente el PT. La reforma política que busca impulsar el PT en un próximo período de gobierno también se relaciona con esto, a punto de poder ofrecer en el futuro una mayor regulación a este tipo de maniobras con fondos privados en elecciones públicas.

Paciente durante una campaña que esquivó meses darle luces de protagonismo, ahora Neves pasará a tener la responsabilidad de concentrar el voto duro conservador en oposición al PT, y el anhelo de grandes grupos empresarios que buscan un Estado que se involucre menos en la economía. ¿Podrá capitalizar dos tercios de los votos de Marina Silva, tal como aspiran sus más optimistas asesores? Las próximas semanas serán claves para analizar esa variable.