PARA ONDE VAI PROFESSOR


por Talis Andrade

Para onde vai o velho professor
que gastou tanto giz
tanto cuspe de uma fonte que secou
Para onde vai o velho professor
se não é deste mar
se não sabe na web navegar

Neste mundo sem lápis
sem papel
Neste mundo em que se baixa
um pacote de cursos da internet
Neste mundo que não é preciso
nenhum comprometimento que
os jovens possuem mais amigos
nos sítios de relacionamentos
do que na sala de aula
em que nos corredores da escola
reina o jogo de empurra
o bulismo as turras
e no pátio de recreio
os estupros as curras
para onde vai o velho professor

OS GENÉSIOS, POR NINA RIZZI

O Genésio é meu aluno da pós. Deve ter uns 60 e tantos anos.

E o Genésio chegou atrasado na aula porque tava fazendo hemodiálise.

E mesmo cansado, com sede, picado, dolorido e atrasado foi à aula ontem, um sábado ardido da cidade-solar.

E o Genésio me levou este presente: “Feliz Dia dos Pais, professora!”

nina rizzi

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Um salve pra todos os Genésios que lutam dia-a-dia pra ser o que querem, pra ser o melhor que podem; que são pais, que podiam ser, que queriam ser, que virão a ser.

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Francisco: “Eu vivo em Roma e no inverno faz frio. Aconteceu muito próximo ao Vaticano, um idoso que morreu de frio. Isso não foi notícia nos jornais diários: um pobre que morre de fome e frio. Contudo se todas as bolsas econômicas caem um ou três pontos é um desastre mundial”

Papa fala sobre o papel fundamental da educação à cidadania 

Em seu terceiro dia de visita à América Latina, Papa Francisco encontrou-se com membros de escolas e universidades

por Letícia Barbosa

Na tarde desta terça-feira, o Papa Francisco encontrou-se com alunos e professores representantes do mundo estudantil e universitário na Pontifícia Universidade Católica de Quito, no Equador.

Ao chegar no local, o Sumo Pontífice foi recebido por uma multidão que o aguardava. Como de costume, o Pontífice abençoou e cumprimentou os presentes.

O encontro teve início com a saudação do bispo da cidade de Loja, monsenhor Alfredo José Espinoza Mateus, seguido do testemunho de uma jovem e da saudação de uma professora e o Reitor da Universidade, sendo encerrado com uma oração e troca de presentes.

Papa discursando ao mundo estudantil e universitário

Papa discursando ao mundo estudantil e universitário

Em seu discurso, o Santo Padre convidou os educadores a desenvolver um espírito “crítico, livre, capaz de cuidar do mundo atual”. Ainda questionou se o grau universitário tem sido visto não só como ascensão social ou econômica, mas como sinal de maior responsabilidade perante os problemas da sociedade atual diante do cuidado com os necessitados e o meio ambiente.

“Os nossos centros educativos são uma sementeira, uma possibilidade, terra fértil que devemos cuidar, estimular e proteger. Terra fértil, sedenta de vida”, frisou o Papa.

Durante a reflexão, o Santo Padre abriu mão do discurso para enfatizar e chamar a atenção ao que tem sido valorizado e prezado pela sociedade.

“Eu vivo em Roma e no inverno faz frio. Aconteceu muito próximo ao Vaticano, um idoso que morreu de frio. Isso não foi notícia nos jornais diários: um pobre que morre de fome e frio. Contudo se todas as bolsas econômicas caem um ou dos três pontos é um desastre mundial. Pergunto: onde está seu irmão? Peço a todos que façam essa pergunta, onde está seu irmão?”, afirmou Francisco.

Ao dirigir-se aos jovens, o Santo Padre questionou-os ao falar que o tempo para os estudos não é somente um direito, mas um privilégio.

“As comunidades educativas têm um papel fundamental, essencial na construção da cidadania e da cultura. Como Universidade, como centros educativos, como professores e estudantes, a vida desafia-vos a responder a esta pergunta: Para que precisa de nós esta terra? Onde está o teu irmão?”, disse o Sucessor de Pedro.

Amor entre professor e estudante adolescente

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As conversas na internet entre uma estudante de 17 anos e um professor de 41 anos foram descobertas pelo pai da adolescente ao vasculhar seu computador e levadas à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A filha confessou ao pai que mantinha um relacionamento amoroso com o professor há 4 meses.

Ao Jornal A Tribuna, o delegado da DPCA Lorenzo Pazolini informou que o pai da adolescente apresentou as conversas impressas e fez uma denúncia.

“Os dois foram ouvidos separadamente e ambos afirmaram que tinham um relacionamento sem compromisso. Eles apenas ficaram e foram ao motel somente uma vez, mas não consumaram o ato sexual”, contou o delegado.

O professor vai responder pelos crimes de trocar mensagens com sexo explícito, por armazenar mensagens e imagens de sexo explícito com menor de idade e por incitar a produção das imagens. A pena pode chegar a até 12 anos de prisão, caso seja condenado.

Uma condenação exagerada para um país com 500 mil crianças prostitutas. E no mais, as telenovelas brasileiras apresentam atores juvenis simulando sexo, e 14 anos a idade de consentimento, “maioridade sexual”, conforme o novo artigo 217-A do código penal, modificado pela lei nº 12.015/2009, artigo 3º.

O artigo 217-A do Código Penal define como “estupro de vulnerável” o ato de “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos, com pena de reclusão de 8 a 15 anos, independentemente de ter havido violência real. Ou seja, se um menor de 14 anos praticar algum ato sexual, presume-se legalmente a violência sexual, ainda que tenha realizado o ato por livre e espontânea vontade.

No caso específico do sexo decorrente de “assédio sexual” praticado por superior hierárquico, mesmo se houver o consentimento, a idade mínima legal para o sexo será de 18 anos, conforme o novo § 2º do artigo 216-A do Código Penal, introduzido pela lei nº 12.015/2009. Neste caso, o crime de assédio se caracteriza pela existência de “constrangimento” para “obter vantagem ou favorecimento sexual”, praticado em virtude da “condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função” (art. 216-A).4 Possíveis exemplos incluem o assédio praticado na relação professor-aluno, médico-paciente, psicólogo-paciente, chefe-subordinado, etc.

Sexo entre professor e aluna de 17 anos, via internet? Não vejo nenhuma santa inocência se estudante de universidade ou ex-aluna.

Sei que uma aluna “brilhante, estudiosa, com uma reputação de inteligência e perspicácia” bem que pede e merece o amor de um professor que procura “desfazer preconceitos e encorajar o pensamento livre”.

Que o amor sergipano termine cantado pelos poetas e longe das soturnas figuras policiais

Por fim, nos casos específicos de prostituição, exploração sexual e tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, a idade mínima também é de 18 anos, conforme artigos 218-B (favorecimento da prostituição); 218-B, I (cliente de prostituição); 227 (mediação para lascívia); 230, § 1º (rufianismo); 231, § 2º, I (tráfico internacional para exploração sexual); e 231-A, § 2º, I (tráfico interno para exploração sexual); todos do Código Penal5 ; assim como artigo 244-A do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) (exploração da prostituição).

Papa Francisco: “A falta ou a perda do trabalho, ou a sua forte precariedade, incidem de forma muito pesada sobre a vida familiar”

papa casa terra trabalhador emprego

Cidade do Vaticano, 3 jun 2015 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje para as situações que colocam as famílias em vulnerabilidade, denunciando a guerra, “mãe de todas as pobrezas”, e os sistemas económicos que geram miséria.

“Efetivamente, a miséria social atinge a família e por vezes a destrói. A falta ou a perda do trabalho, ou a sua forte precariedade, incidem de forma muito pesada sobre a vida famíliar, colocando duramente à prova as relações”, denunciou, durante a audiência semanal que decorreu no Vaticano.

Francisco defendeu que os cristãos devem estar “cada vez mais perto das famílias que a pobreza coloca à prova”, sublinhando que todos os presentes na Praça de São Pedro conhecem situações de pessoas atingidas pelo desemprego.

Na Praça de São Pedro, denunciou as condições de vida nos bairros desfavorecidos, que causam “ainda mais dificuldades” às famílias, com impacto na “habitação e transporte” e “redução dos serviços sociais, saúde e educação”.

Derrubar os muros

Segundo Francisco, para além dos fatores materiais as famílias são também afetadas por “pseudomodelos” que os meios de comunicação social divulgam, baseados no consumismo e no culto da aparência, que acabam por “quebrar os laços familiares”.

Neste contexto, a Igreja frisou que “deve ser pobre para ser fecunda”, com uma “simplicidade voluntária” nas suas instituições e no estilo de vida dos seus membros para “derrubar todos os muros de separação, principalmente dos pobres”.

“É quase um milagre que no meio de tanta pobreza as famílias continuem a ser formadas, mantendo inclusive relações humanas tão especiais. Devíamos ajoelhar-nos aos pés dessas famílias que são uma verdadeira escola de humanidade, que salva a sociedade da barbárie”, desenvolveu, pedindo uma “nova ética civil” para regulamentar as relações sociais.

Com efeito, é «quase um milagre que, até na pobreza, a família continue a formar-se». Uma realidade que «irrita os planejadores do bem-estar», os quais «consideram os vínculos familiares uma variável secundária». Na realidade, comentou o Papa, «deveríamos ajoelhar-nos diante destas famílias, que são uma verdadeira escola de humanidade que salva as sociedades da barbárie». Por isso, exortou os responsáveis da vida pública a fim de que reorganizem «o vínculo social a partir da luta à espiral perversa entre família e pobreza».

Economia familiar

De facto, a economia actual «especializou-se na fruição do bem-estar individual, mas pratica largamente a exploração dos vínculos familiares», sem que «o imenso trabalho da família» seja «quotado nos balanços». Não obstante isto, prosseguiu o Pontífice, «a formação interior da pessoa e a circulação social dos afectos têm o seu pilar exactamente aqui».

Depois de ter analisado as consequências sociais da miséria sobre as famílias, o Papa chamou em causa a Igreja. E afirmou que, para ser pobre deve praticar «uma simplicidade voluntária – nas suas instituições, no estilo de vida dos seus membros – para abater qualquer muro de separação».

Francisco alertou mais uma vez para as políticas económicas que são contrárias à família cujo trabalho “imenso” não é “contabilizado nos balanços, nem reconhecido”.

Nova ética

“É quase um milagre que, em meio à tanta pobreza, famílias continuem sendo formadas, mantendo inclusive relações humanas tão especiais. Deveríamos nos ajoelhar diante destas famílias que são uma verdadeira escola de humanidade que salva a sociedade da barbárie”, considerou Francisco, pedindo aos responsáveis pela vida pública “uma nova ética civil” para regulamentar as relações sociais.

Prosseguindo a catequese, o Papa denunciou a contradição entre as políticas econômicas e a família. “O trabalho da família é imenso e não é contabilizado nos balanços… nem reconhecido” disse, completando que “a formação interior das pessoas e a circulação social dos afetos têm justamente ali seu alicerce. Se ele for derrubado, tudo cai”.

Não só de pão…

“E não é só questão de pão! Falamos de trabalho, de instrução, de saúde. Quando vemos imagens de crianças desnutridas e doentes em tantos lugares do mundo nós nos comovemos muito. E o mesmo acontece ao vermos o olhar de crianças carentes de tudo, quando mostram com orgulho seu lápis e caderno, admirando com amor seu professor ou professora!… As crianças sabem que o homem não vive só de pão; as crianças querem amor!”.

Francisco lembrou que nós cristãos devemos estar sempre mais próximos das famílias que vivem na pobreza. “A miséria social atinge a família e por vezes a destrói. A falta ou a perda do trabalho, ou sua precariedade, incidem fortemente na vida familiar, colocando relacionamentos à dura prova”, advertiu.

O desabafo de duas alunas de uma escola em greve

Elas saíram em passeata para protestar pelo descaso do governo de São Paulo. E aqui explicam por que apoiam o movimento

Ana (à esq) e Gabriela: ‘Os alunos também estão na luta’

Ana (à esq) e Gabriela: ‘Os alunos também estão na luta’

Ana Caroline Yukorvic, de 16 anos, estuda na Escola Estadual Professor Manuel Ciridião Buarque há um ano e seis meses. Cursa o 2º ano do ensino médio.

Gabriela de Oliveira Gregório, de 17, está na mesma escola há dois anos e seis meses, no último ano do ensino médio.

Desde o dia 13 de março estão sem aulas. Podiam estar criticando a paralisação que pressiona o governo tucano de Geraldo Alckmin, a perda de conteúdo, o prejuízo que terão nas suas formações.

Em vez disso, publicaram um texto de apoio aos professores da rede estadual paulista. Relatam a tragédia a que são obrigadas a conviver dentro dos muros das escolas. Professores de sociologia dando aula de física, mais de 3.000 salas fechadas, falta de materiais, uma situação que vem ocorrendo no Estado mais rico do país.

Apoio à greve dos professores

Por Ana Caroline Yukorvic e Gabriela Gregório

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Na penúltima semana de maio, os alunos da Escola Estadual Professor Manuel Ciridião Buarque organizaram dois atos a favor da greve dos professores. O intuito não é apenas indicar o apoio, mas mostrar a população do estado de São Paulo que a greve existe sim! Nossa luta vai muito além do que a mídia mostra.

Nós, alunos, precisamos alardear que estamos frequentando a escola para assistir cerca de duas aulas e que inclusive há escolas que estão paralisadas por conta dos professores grevistas.

Vemos que é no mínimo curioso o governo do estado de São Paulo implantar um projeto que diz auxiliar o professor em graduação apenas durante o período de greve. É muito útil para esconder a atual situação colocar professores que ainda não concluíram seus cursos numa sala de aula. Afinal, se o seu filho está na escola durante o período completo, ele deve estar tendo aula. “Se o governador afirma não haver greve e meu filho está na escola o dia todo, eu posso confiar na informação.”

Estamos sendo oprimidos e pressionados pela direção escolar, ameaçados com informações incertas e irreais relacionadas à reposição das aulas e o conteúdo das mesmas. A gestão não sente vergonha em confundir e em assediar os alunos para que eles sejam impossibilitados de agir contra. Jogam em nossas gargantas professores auxiliares e substitutos e dizem que estamos perdendo conteúdo e ficando com falta, uma vez que tais aulas não serão repostas.

Não concordamos! Vemos que é inaceitável um professor de sociologia “dar aula” de Física. Vemos também que o simples ato de marcar presença numa sala de aula não é o mesmo que lecionar. Não entendemos como aula de Física um texto qualquer retirado de um livro que nem sequer se relaciona com o conteúdo apresentado no início do bimestre. Não aceitamos a aula de um professor que não se dá o trabalho de seguir nosso conteúdo e ainda remove nossas chances de recuperá-lo depois, além de retirar o pagamento de seu colega que está lutando por direitos que o abrangem.

Os direitos de professores e alunos estão diretamente interligados. Uma sala lotada não afeta apenas o professor. Defendemos a reabertura das 3.000 salas de aula fechadas por ordem do governo Alckmin e a redistribuição dentro da escola para que as salas contenham no máximo trinta alunos. Como cerca de quarenta e cinco alunos conseguem prestar atenção no conteúdo apresentado por um professor? Alunos da rede pública crescem ouvindo as seguintes frases: ‘Gente, faz silêncio aí atrás. Vocês são quarenta e eu sou apenas um. Não posso contra vocês.’ Nada disso é novidade para nós. Não é raro o professor estar concentrado explicando o conteúdo e ser interrompido pela maioria da sala de aula pedindo para ligar o ventilador num dia de verão, e o professor tentar explicar o porquê não pode. Não é raro um aluno estar passando mal neste mesmo dia por conta do calor, precisar de água e não a encontrar na escola. E quando encontra, ela vem suja, com barro. Não é raro um aluno pedir para ir ao banheiro e não encontrar papel higiênico, porta nas cabines, água e sabonete. Não é raro o professor se encontrar falando com as paredes.

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Se nessas situações já é difícil se concentrar, adicione alunos correndo pelos corredores atrás de carteiras e se revoltando por não ter onde se sentar. Adicione professores se atrasando cerca de dez minutos por estarem procurando por materiais essenciais como giz, e tendo que procurar um jeito de explicar aos alunos que aquela prova que havia sido marcada para três semanas atrás e que não havia sido aplicada pela falta de tinta na impressora ou alguma situação similar terá que ser feita à mão porque a impressora quebrou e o mesmo está sem condições de imprimir com o seu próprio dinheiro. O dinheiro utilizado para esse tipo de recurso não vem do governo. Se a escola o quiser, deve promover eventos para arrecadar a verba e deixar para a direção administrar.

Defendemos a valorização da hora-atividade. É inaceitável ver um senador tal como José Serra falar que a hora atividade, que é uma aula de planejamento e de correção de provas e atividades, é uma hora não trabalhada. É um absurdo o professor ganhar tão pouco para dar aula em no mínimo dois períodos, dormir o mínimo e perder seu final de semana avaliando seus alunos para ganhar cerca de 5% de seu salário por isso. Valor este que muito provavelmente será revertido na escola para poder aplicar as provas do bimestre seguinte.

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E como um ser humano consegue se manter de pé por cerca de doze horas sem se alimentar corretamente? O governo espera que no estado de São Paulo seja possível fazer uma refeição com R$ 8 e apenas se o seu salário for baixo o suficiente, caso contrário nem a isso você tem direito. Além disso, existem escolas que proíbem o professor de se alimentar dentro de suas instalações, isto, é claro, quando possuem alimento. Com a terceirização as escolas perderam vários funcionários, que foram remanejados em descaso, e por dias abriram sem funcionários para sequer fazer comida.

É inadmissível ver nossos representantes tratando nossa educação com tanto descaso. Pela valorização de nossos mestres, por direitos humanos e por uma escola pública digna de todos: os alunos também estão na luta.

Alunos da escola Professor Manuel Ciridião Buarque protestam em favor dos professores em greve — Foto: Victor Cosi

Alunos da escola Professor Manuel Ciridião Buarque protestam em favor dos professores em greve — Foto: Victor Cosi

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E se a professora humilhar a aluna?

O assédio moral de professores contra alunos é um fenómeno ausente do debate público. O bullying de professores a alunos tem ainda a agravante de fazer passar por “legítimo” aos olhos dos restantes alunos e alunas os comportamento de discriminação e assédio.

 

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por Bruno Góis

Insultos, ataques ao caráter, críticas injustas ou exageradas ao trabalho, humilhação perante a turma, não transmitir atempadamente informações úteis à realização de determinada tarefa, há várias formas mais subtis ou mais explícitas de assédio moral professor(a) versus aluno/a. Classe, género, etnia, orientação sexual, necessidades educativas especiais podem ser características que agravam a desvantagem das crianças e jovens vítimas de agressão por quem está investido de autoridade sobre elas no contexto escolar.

O assédio moral de professores contra alunos é um fenómeno ausente do debate público. A nível internacional, encontra-se já uma vasta literatura sobre bullying “entre estudantes”, de “diretores contra professores”, de “professores contra professores”, de “estudantes contra professores”. Contudo o assédio moral “professor(a) contra estudante” tem merecido menos atenção e encontra outras dificuldades1.

O bullying de professores a alunos tem ainda a agravante de fazer passar por “legítimo” aos olhos dos restantes alunos e alunas os comportamento de discriminação e assédio. Precisamente porque é exercido por uma figura de autoridade e porque, para o bem e para o mal, professores e professoras servem muitas vezes de ‘modelo’ na construção da identidade dos e das jovens e no desenvolvimento da sua personalidade.

Com estas observações não ignoro a já referida situação inversa: o assédio moral de alunos contra os professores. Todas essas situações devem ser combatidas. E por isso creio que o caminho é o combate geral contra a violência em contexto escolar em todos os seus vetores. Criar consciência preventiva na comunidade escolar, punição clara e por processos transparentes de todos os agressores, e meios de defesa para todas as vítimas.

Estou intransigentemente comprometido com a luta dos professores pela Escola Pública, num momento em que Governo atrás de Governo maltratam aquela classe profissional e aquele serviço público. Mas essa luta não me impede de chamar a atenção para um fenómeno que raramente é combatido, nem na via legal, nem na luta social.

Estudantes, professores, auxiliares, ou outros profissionais escolares, estejam no papel de vítimas ou agressores, devem contar com o nosso combate sem tréguas à violência em contexto escolar. In O Ribatejo/ Portugal

 

Nota

1 “Teachers who bully students: the parents’ perspectives”; “Teachers who bully students: patterns and policy implications”; “When the bully is the teacher”.

Por que Aécio perdeu em Minas?

Foto Antonio Cruz/ ABr

Foto Antonio Cruz/ ABr

Mineiros explicam motivos para derrota de Aécio no estado; PSDB não investe nem o mínimo constitucional em saúde e educação

por Joana Tavares
Belo Horizonte (MG)

 

Com mais de 400 mil votos de diferença, Aécio Neves perdeu no primeiro turno em Minas Gerais, estado que governou por dois mandatos, até ir para o Senado. Dívidas bilionárias e redução do investimento em saúde e educação explicam a forte rejeição dos conterrâneos a Aécio.

“A população mineira sabe o que enfrenta. Por mais que os grandes meios de comunicação do estado sempre tentaram esconder os problemas, esses 12 anos de choque de gestão geraram um grande desgaste porque as políticas não são para a maioria da população”, analisa Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas (CUT/MG).

A campanha do senador Aécio Neves utiliza o “choque de gestão” como um bom exemplo de política econômica para aumentar investimento em áreas essenciais, como saúde e educação. Porém, não foi o que aconteceu nos oito anos em governou o estado. Economistas destacam que o modelo de “choque de gestão” significou um aumento da dívida. Atualmente, Minas Gerais deve R$ 79 bilhões. É o segundo estado mais endividado do país. Além disso, sindicalistas e especialistas destacam que os governos do PSDB em Minas deixaram de investir o mínimo constitucional em saúde e educação.

“Um exemplo dessa falta de investimento é o Termo de Ajustamento de Gestão [TAG], que permite um escalonamento no cumprimento da Constituição”, afirma o deputado estadual Rogério Correia, vice-líder do bloco de oposição na Assembleia Legislativa, o Minas sem Censura. Ele se refere ao acordo assinado em maio de 2012 com o Tribunal de Contas do Estado, que permitiu que o governo fosse aumentando seu investimento ano a ano até chegar à norma dos 25% para a educação e 12% para a saúde.

*Com informações de Thaíne Belisse e Luiz Carlos Azenha

 

ICMS DA LUZ É O MAIS CARO DO PAÍS

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O alto preço da conta de luz em Minas Gerais motivou dezenas de organizações sociais a fazer um plebiscito popular em 2013. Mais de 600 mil pessoas em todo o estado votaram pela redução da cobrança de ICMS na conta de luz, a mais alta do país. Os eletricitários do estado denunciam que o imposto alto não repercute em melhorias na rede e nas condições de trabalho, com grande aumento de contratação de terceirizados. Por outro lado, os lucros da Cemig são repassados quase integralmente aos acionistas. Na véspera do primeiro turno, um montante de R$ 604 milhões foi adiantado, de um total de R$ 3,3 bilhões.

 

MENOS CPI QUE NA DITADURA

Lucas Nine

Lucas Nine

O deputado Rogério Correia denuncia que o Aécio exercia controle em todas as áreas do Estado: na Justiça, no Tribunal de Contas, na imprensa e na própria Assembleia. “A Assembleia Legislativa de Minas teve menos CPIs durante o governo tucano do que durante o regime militar”, exemplifica.Uma das investigações que não foram aprovadas pelos parlamentares da base do PSDB foi em relação a um aeroporto no pequeno município de Claudio, que custou R$13,9 milhões e não tem uso público. O caso ganhou repercussão nacional depois de denúncia na imprensa, mas ainda não foi investigado. A CPI também pedia a investigação da construção de uma pista de pouso em Montezuma, que também não é aberta ao público. A família materna de Aécio tem uma fazenda em Claudio e a paterna na pequena cidade do norte de Minas.

 

MG NÃO PAGA PISO AOS PROFESSORES

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 Além de não investir na educação, a gestão do PSDB acumula uma extensa lista de denúncias no setor da educação. “Fizemos uma das maiores greves do país em 2011, com 112 dias, com a reivindicação do piso salarial. O governo assinou o acordo de que pagaria o piso e dois meses depois rompeu o acordo, aprovando outra forma de remuneração”, denuncia Beatriz Cerqueira, que também é coordenadora geral do SindUTE/MG. Além disso, o plano de carreira dos professores foi congelado.Outro grave problema que atinge os professores no estado é uma lei sancionada por Aécio em 2007 que permitia a contratação de 100 mil professores sem concurso. A Lei 100 foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julho deste ano e os educadores correm risco de demissão, sem acesso ao FGTS e aposentadoria.

 

RÉU EM PROCESSO

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Aécio chegou a ser réu em um processo que denunciava o desvio de R$ 3,5 bilhões da área da saúde de 2003 a 2008. O processo foi arquivado pelo procurador-geral de Justiça, indicado por Aécio. O procurador alegou que não caberia ao Ministério Público entrar com esse tipo de ação. Segundo a promotora Josely Pontes Ramos, que entrou com o processo, o governador Anastasia também utilizou dessa prática e o rombo na saúde pode ser bem maior.

 

“CHOQUE DE GESTÃO” E AUMENTO DA DÍVIDA

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Baseado em dados da Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, Fabrício Augusto de Oliveira, economista da Escola de Governo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, destaca que, no ano passado, o estado teve déficits em todos os conceitos: orçamentário, nominal e primário. Ele chama a atenção para o déficit primário, de R$86 milhões, que não acontecia desde 1999. De acordo com o economista, esse número é preocupante, pois significa que o governo não está sendo capaz nem de pagar seus gastos básicos.

“Além de não dispor de recursos para pagar um centavo dos encargos da dívida, o governo ainda se vê obrigado a recorrer a novos empréstimos para honrar suas despesas primárias”, afirma. Ele também destaca o déficit nominal de R$8,9 bilhões, que compromete 20% da receita líquida do Estado. Diante desse desequilíbrio orçamentário, a dívida consolidada líquida só aumenta, tendo saltado de R$ 70,4 bilhões em 2012 para R$ 79,7 bilhões em 2013.

 

Sete regiões de Minas preferem Dilma

MAIORIA Das dez macrorregiões mineiras, a presidente conquistou sete

mapa

No primeiro turno, 43,48% dos eleitores mineiros votaram pela continuidade da presidenta Dilma Rousseff (PT) no governo federal. A candidata à reeleição obteve maioria dos votos em sete de dez macrorregiões do estado: Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Triângulo, Norte, Alto Paranaíba, Vale do Jequitinhonha e Noroeste. A região Norte foi a que deu maior vantagem para a presidente, com 66,09%, contra 23,21% de Aécio. O candidato tucano saiu do primeiro turno com minoria no estado que governou durante oito anos: 39,75% dos votos. As regiões Central, Sul e Centro-Oeste tiveram preferência pelo candidato tucano.

 

Municípios centrais por região

mapa 2

Fonte: Brasil de Fato

Quando as meninas odeiam as meninas. Bullyng entre universitárias

bulismo

Sempre existe espaço para falar do amor entre meninas. A imprensa esquece a inveja, o preconceito, o ciúme, o ódio nas relações femininas. Por exemplo, existe bulismo entre as universitárias brasileiras? Desconheço qualquer pesquisa.

Publicou El Clarín:

Aumento de bullying preocupa argentinos

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por Gabriela Grosskopf Antunes

O bullying vem deixando vítimas no país. Um em cada quatro argentinos, diz a imprensa local, conhece ou já foi vítima de alguma espécie de violência escolar. A Argentina já é considerada o país com maior índice de bullying da região.

O tema é comum no continente. ONGs e entidades internacionais afirmam que pelo menos 70% dos alunos da América Latina já sofreram algum tipo de bullying. E segundo estudo realizado pela Unesco entre os anos de 2009 a 2011, a Argentina é o país com os mais altos números de bullying entre os 15 países latino americanos que participaram do estudo.

Um em cada quatro argentinos, diz a imprensa local, conhece ou já foi vítima de alguma espécie de violência escolar. De acordo com a consultora TNS Gallup, 87% dos argentinos estão preocupados com o tema. O sofrimento silencioso de 40% dessas vítimas, como reporta a equipe do Anti Bullying Argentina (ABA), pode terminar mal.

Foi o caso de Naira Ayelén Cofreces, de 17 anos, morta em abril último como decorrência de espancamento por três colegas, na província de Buenos Aires.

Bullying termina em morte

O caso de Naira assustou graças à banalidade do crime. Familiares e amigos especulam que Naira pode ter apanhado pelo simples fato de ser amiga de uma colega que vinha sofrendo com bullying.

“Foi um desses casos em que o bullying mostrou sua cara mais trágica”, lamentou explica a psicóloga da Universidade Católica Argentina (UCA) e parte da equipe da entidade Anti Bullying Argentina, Lucrecia Morgan.

Pouco dias depois, em La Plata, cidade natal da Presidente Cristina Kirchner, uma jovem de 18 anos foi atacada porque “era linda”. Sobreviveu com o nariz quebrado.

“É preocupante porque é cada vez maior o número de denúncias e também a violência entre os alunos”, destacou o presidente da ONG Bullying sem Fronteiras Javier Miglino.

O jornal Uno publica hoje:

Sorpresa por casos de bullying en estudiantes universitarias

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por Mariana Gil

Aunque es difícil de creer que el bullying se manifieste entre estudiantes del ámbito universitario, en Mendoza las agresiones psicológicas son frecuentes sobre todo entre las mujeres. Sin embargo, aun así es en la única provincia del país donde los hombres no sufren este tipo de violencia y la resolución de los conflictos es más simple. De todos modos, es una de las regiones donde los alumnos demandan más ayuda. Las carreras en las que predominan los casos de maltrato son Ingeniería, Economía, Derecho e incluso, Psicología, entre otras. Así lo revela el informe del estudio nacional que realizó la ONG Bullying sin Fronteras.
En las universidades públicas, el fenómeno de burlas, injurias, discriminación, aislamiento y humillaciones, entre otras manifestaciones, es por cuestiones políticas; mientras que en las privadas, el acoso tiene relación con la condición económica de la víctima.
Lo que llama la atención sobre los datos que arrojó la muestra de los estudiantes de entre 18 y 23 años de nuestra provincia es que “fue el único lugar del país donde no existe bullying entre hombres, que se da sólo entre mujeres. Es decir: en Mendoza el compañerismo en el segmento masculino es más fuerte, hay respeto y no proliferan las broncas”, detalló Javier Miglino, titular de la organización.
El estudio nacional indica que en promedio 4 de cada 10 alumnos de casas de altos estudios padeció bullying y que en muchos casos deriva en una sensible baja en el rendimiento académico o directamente, en el abandono de la carrera universitaria por la continua presión de sus compañeras.
“Cada distrito se destaca por algo distinto y en Mendoza se reveló que son los varones quienes defienden a las chicas a quienes consideran víctimas”, comentó el abogado Miglino, quien al mismo tiempo, dijo que no es posible develar las preguntas del estudio.
Fueron encuestados 2.000 alumnos de 24 universidades privadas y 43 públicas de la Argentina, algunas de ellas de Buenos Aires, Rosario, Córdoba, Mendoza, entre otras, y en estas regiones, el método de consulta fue a través de redes sociales como Twitter, Facebook y por correo electrónico. De allí surgió que el 99% de quienes padecieron bullying lo sufrieron a nivel psicológico, ya que es poco probable que sea físico porque es un delito penal en este rango etario.
El testimonio de Miglino es el siguiente: “Los chicos nos piden ayuda y tenemos una propuesta para que en las universidades inserten dentro de alguna materia, charlas con especialistas sobre bullying”.
A la vez, el profesional explicó que toman las denuncias de cada damnificado y en primer orden, hacen el reclamo a cada establecimiento educativo, luego al Ministerio de Educación, y en tercer lugar, a la fiscalía del Poder Judicial.
Bullying sin Fronteras ya planea visitar Mendoza, Misiones, Formosa, Chaco y Neuquén, las provincias donde han recibido más pedidos de ayuda.
Otro dato que salió a la luz es que el 5% de los estudiantes universitarios sufren el bullying por parte los profesores con frases como “pierden tiempo”, “¿para que están acá, están haciendo perder plata al Estado?”, “no sé qué va a pasar cuando salgan de acá”, “ustedes no tienen nivel”, y otras. “Estas son palabras muy fuertes, son como una especie de bomba atómica, y hay quienes hasta quieren dejar la carrera”, aseguró el especialista.
El estudio nació de la preocupación de padres, alumnos, directivos de universidades públicas y privadas, y Bullying sin Fronteras abordó la conflictividad del acoso estudiantil en el ámbito universitario.

 

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“Hay que ser prudentes antes de calificar los casos”

Adriana Hunau, psicóloga y coordinadora del Servicio de Apoyo al Estudiante y Orientación Vocacional de la UNCuyo, reconoció el fenómeno, pero opina: “Hay que tener cierta prudencia porque las diferencias de ideologías no siempre desencadenan situaciones de bullying. Los enfrentamientos por cuestiones ideológicas se dan al igual que en el contexto social y no siempre merecen ser llamados como casos de bullying. Puede haber episodios aislados y hay que ser prudentes antes de calificar los casos”.
Nancy Caballero, psicopedagoga y psicóloga, concuerda en que existen situaciones de agresión frente la mirada diversa de las cosas: “Esto debería ser inconcebible que suceda en el seno de las universidades, como también la intolerancia a nivel político, que se observa hasta en carreras con orientación técnica, aunque no me animo a denominarlos como casos de bullying, pero sí de violencia”.
La especialista también reconoció que es más común entre las mujeres la violencia psicológica y que los temas de las discusiones son difíciles de mediar.
En tanto, los hombres son más simples a la hora de la resolución de los conflictos. Otro dato que destacó Caballero es que desde hace unos años “las diferencias se dirimen desde un lugar de intransigencia. No podemos naturalizar esto que llama la atención y es grave, cuando una persona del ámbito de estudio no puede usar la palabra sin agredir al otro es porque se ha perdido la inteligencia emocional”.

O HOMEM COM QUEM NINGUÉM SE PREOCUPA

por Talis Andrade

br_extra-professor-jornalista

A vida uma encenação

farsa que represento

sem a mínima vocação –

o reprisado enredo

de escapar ileso

.

A vergonha o medo

me vejam

driblando a fome

me julguem

pelos (ul)trajes

.

a bata

de professor

suja de giz

.

o lavado terno

a gravata

em que se enforca

o funcionário público

.

o engomado terno

passado a ferro

das entrevistas

solenidades e festas

dos jornalistas

.

“O trabalho enobrece”

– a frase gravada na porteira

dos campos de concentração

.

Se Hitler estava certo

o trabalho liberta

enriquece e engrandece

.

Que aluno lembra o nome de um professor

Quem memoriza o rosto de um servidor

no birô de uma repartição

Quem realmente se preocupa o ancião

termine nas filas dos bancos

para receber o mínimo salário piso

O ancião inciso arraste a aposentadoria

como uma humilhante penitência

O ancião espere a morte

nas filas dos hospitais

quem realmente se preocupa

nazismo 2

campo 3

campodeconcentracao2