E se a professora humilhar a aluna?

O assédio moral de professores contra alunos é um fenómeno ausente do debate público. O bullying de professores a alunos tem ainda a agravante de fazer passar por “legítimo” aos olhos dos restantes alunos e alunas os comportamento de discriminação e assédio.

 

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por Bruno Góis

Insultos, ataques ao caráter, críticas injustas ou exageradas ao trabalho, humilhação perante a turma, não transmitir atempadamente informações úteis à realização de determinada tarefa, há várias formas mais subtis ou mais explícitas de assédio moral professor(a) versus aluno/a. Classe, género, etnia, orientação sexual, necessidades educativas especiais podem ser características que agravam a desvantagem das crianças e jovens vítimas de agressão por quem está investido de autoridade sobre elas no contexto escolar.

O assédio moral de professores contra alunos é um fenómeno ausente do debate público. A nível internacional, encontra-se já uma vasta literatura sobre bullying “entre estudantes”, de “diretores contra professores”, de “professores contra professores”, de “estudantes contra professores”. Contudo o assédio moral “professor(a) contra estudante” tem merecido menos atenção e encontra outras dificuldades1.

O bullying de professores a alunos tem ainda a agravante de fazer passar por “legítimo” aos olhos dos restantes alunos e alunas os comportamento de discriminação e assédio. Precisamente porque é exercido por uma figura de autoridade e porque, para o bem e para o mal, professores e professoras servem muitas vezes de ‘modelo’ na construção da identidade dos e das jovens e no desenvolvimento da sua personalidade.

Com estas observações não ignoro a já referida situação inversa: o assédio moral de alunos contra os professores. Todas essas situações devem ser combatidas. E por isso creio que o caminho é o combate geral contra a violência em contexto escolar em todos os seus vetores. Criar consciência preventiva na comunidade escolar, punição clara e por processos transparentes de todos os agressores, e meios de defesa para todas as vítimas.

Estou intransigentemente comprometido com a luta dos professores pela Escola Pública, num momento em que Governo atrás de Governo maltratam aquela classe profissional e aquele serviço público. Mas essa luta não me impede de chamar a atenção para um fenómeno que raramente é combatido, nem na via legal, nem na luta social.

Estudantes, professores, auxiliares, ou outros profissionais escolares, estejam no papel de vítimas ou agressores, devem contar com o nosso combate sem tréguas à violência em contexto escolar. In O Ribatejo/ Portugal

 

Nota

1 “Teachers who bully students: the parents’ perspectives”; “Teachers who bully students: patterns and policy implications”; “When the bully is the teacher”.

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Violência sexual, castigos físicos e preconceito nas magníficas festas da Faculdade de Medicina da USP

Aprendizado sexual em vários tons cinzas

Aprendizado sexual em vários tons cinzas

 

Muitas das garotas têm menos de 20 anos. A maior parte delas é branca, de família de classe A ou B. Estão felizes por realizar um sonho. Apreensivas pelos desafios que enfrentarão nos anos seguintes. Assustadas com o novo ambiente e os rostos desconhecidos.

São reunidas em círculo. Em volta, outro círculo, de garotos igualmente brancos, igualmente nascidos em famílias ricas ou de classe média alta. Mas são mais velhos. Intimidadores. Ordenam que todas gritem “bu”. Elas obedecem:

– Bu! Bu! Bu! Bu! Bu! Bu!

Um coro alto de vozes masculinas, a dos garotos em volta das garotas, abafa as vozes femininas e ressoa pelo ambiente:

Buceta! Buceta! Buceta eu como a seco! No cu eu passo cuspe! Medicina é só na USP!

É assim que calouras da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) são recepcionadas em seu primeiro dia dessa nova fase da vida. Todos os anos. É uma das muitas tradições da faculdade de ciências médicas considerada a melhor do país. “De elite.” Para as mulheres, no entanto, grande parte dessas tradições se traduz em opressão permanente, que traz como consequência extrema casos graves de abusos sexuais, incluindo estupros, no interior do ambiente universitário. Casos sobre os quais recai um pesado manto de silêncio que impede que se tome providências a respeito. Leia mais aqui. Texto de Tatiana Merlino, Igor Ojeda. Fotos de Caio Palazzo e Rafael Bonifácio

FantasiasBosque

Das festas que acontecem na FMUSP, a “Carecas no Bosque” e a “Fantasias no Bosque” são as que criam o ambiente mais “propício” para abusos. A começar pelos cartazes de divulgação, quase sempre com destaque a mulheres cheias de curvas, trajes mínimos e olhares provocantes. Os preços dos convites são diferenciados. Em geral, mulheres pagam quase a metade do que os homens. “Todo o marketing é baseado no fato de que lá haverá muitas mulheres e que vai ter sexo à vontade. A USP inteira sabe que tanto a ‘Carecas’ quanto a ‘Fantasias’ são para isso, para ir lá e transar”.

Os estudantes de medicina são adeptos do poliamor. Pegam garotos e garotas. Quando estupram um fera macho, os veteranos chamam de empurrada.

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Homofobia e suicídio de crianças e adolescentes

gay bandeiro feminino

Toda semana lemos notícias de LGBTs, muitos deles/delas crianças e adolescentes, cometendo suicídio por não aguentarem mais serem rejeitados pela família, humilhados na escola e no trabalho.

Não existem estatísticas. O suicídio no Brasil é tabu.

Os pais deviam informar como forma de confissão, e pedido de perdão pós-morte. De alerta a outros pais. De denúncia. A maioria dos suicídios foram provocados pelo bulismo na escola, pelo stalking no trabalho, pela violência nas ruas dos homofóbicos.

Temos campanhas realizadas pelo fundamentalismo religioso e o fanatismo político, sendo os principais líderes os pastores Silas Malafaia, Marco Feliciano, padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, militar Jair Bolsonaro e até candidatos asquerosos a presidente do Brasil.

A pregação da Santa Inquisição de pastores e padres tem origem no judaísmo (Velho Testamento). No cristianismo (Novo Testamento) apenas  existe uma frase de São Paulo, em uma carta cuja autenticidade não pode ser comprovada. Jesus jamais tocou nesse tema.

O “raivoso” discurso de Bolsonaro é exclusivamente nazista, machista e eleitoreiro.

Não existe no Velho Testamento nenhuma referência ao amor lésbico. Venho divulgando esta verdade. E fica o desafio para qualquer teólogo provar o contrário

Não existe no Velho Testamento nenhuma referência ao amor lésbico. Venho divulgando esta verdade. Renovo o desafio para qualquer teólogo provar o contrário

 

Em um estudo realizado por Fernando Silva Teixeira Filho
e Carina Alexandra Rondini Marretto (Faculdade de Ciências e Letras da UNESP-Assis), realizado em maio de 2008 em uma Escola do Ensino Médio de uma cidade do interior do Oeste paulista. A amostra que compôs o estudo corresponde a 108 adolescentes, de ambos os sexos, entre 14 e 20 anos cursando as três séries do Ensino Médio. “Observamos que os/as jovens da amostra incorporaram o discurso preventivista pelo menos durante as primeiras relações sexuais com o sexo oposto. Suas crenças sobre as sexualidades não-heterossexuais revelaram-se homofóbicas e segregatórias. Encontramos que 25.0% da amostra já pensou em se matar e dentre estes 40% já tentou, havendo maior concentração entre as jovens. Acreditamos estar diante de um grande desafio para as políticas públicas de Educação e Saúde, respectivamente, no sentido de garantir o acesso e pleno direito de expressão das homossexualidades no espaço escolar, bem como lidarem de modo preventivo em relação à Saúde Mental dos/das jovens que freqüentam a escola”.

De 2002 a 2012 houve um crescimento de 40% da taxa de suicídio entre crianças e pré-adolescentes com idade entre 10 e 14 anos. Na faixa etária de 15 a 19 anos, o aumento foi de 33,5%.

Transcrevo trechos de uma reportagem de Maria Fernanda Ziegler e Ocimara Balmant: “Ao contrário do adulto, que normalmente planeja a ação, o adolescente age no impulso. São comportamentos suicidas para fugir de determinada situação que vez ou outra acabam mesmo em morte’, afirma a psiquiatra Maria Fernanda Fávaro, que atua em um Pronto Socorro de psiquiatria em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. Aos cuidados de Maria Fernanda, são encaminhadas as crianças e os adolescentes que chegaram feridas ao hospital após tentarem se matar.

Ao serem perguntados sobre o motivo de terem se mutilado com lâmina de barbear, se ferido com materiais pontiagudos, cortado o pulso ou ingerido mais de duas dezenas de comprimidos, a resposta é rápida, e vaga. ‘A maioria diz que a vida não tem sentido, que sentem um vazio enorme. Muitos têm quadros associados à depressão’, afirma Maria Fernanda. O cenário é tão recorrente, diz a psiquiatra, que há sites, blogs e páginas de rede social que ensinam as melhores técnicas e ferramentas para que a criança tire a própria vida”. Leia mais.

 

cartaz 1

pai filho

Assédio Moral – Não Seja Mais Uma Vítima. Nova diretora de RH de universidade de Jaboatão chegou do Ceará (s)em Piedade

Vou citar os nomes da torturadora e da universidade. Aguardem.

Dentro do departamento de relações humanas são quebrados, pelo assédio moral, pelo stalking, pelas ameaças físicas, os códigos de ética profissional dos psicólogos, dos RH e dos professores.

O que é mais grave, além do constrangimento dos avisos verbais de demissão sem justa causa, a vítima vem sofrendo a advertência de que terá seu nome colocado na lista negra do desemprego eterno.

Tal lista negra existia nos tempo de chumbo da ditadura civil-militar, instalada no primeiro de abril de 1964. É um absurdo, uma afronta à democracia, aos direitos humanos, que persista.

 

assediomoral

Não Seja Mais Uma Vítima

por Karla Júlia Marcelino (*)

Há momentos que palavras e gestos de incentivo podem fazer a grande difierença em nossas vidas.No ambiente de trabalho, normalmente lidamos com limitações, cobranças, críticas, dificilmente alguém nos estende a mão, sobretudo quando estamos algo fragilizados.

A prática do Assédio Moral é mais comum do que se supõe, ela torna-se sutil, através de comentários indevidos, brincadeiras que tem por objetivo denegrir a imagem profissional ou a trajetória que o funcionário vem percorrendo. Atitudes irõnicas que refletem o descaso ou mesmo falta de atenção durante um certo período de tempo, tornando-se sitemáticas, são caracteríticas do Assédio Moral.

A intenção é denegrir o profissional, isso é motivado por um sentimento de “inveja” de insuportabilidade em conviver com os talentos que normalmente o assediador não possui.

O assédio moral ocorre entre colegas de trabalho, de subordinado para a chefia ou da chefia para o subordinado. Normalmente o assediador não escolhe o seu alvo por um acaso, a vítima destaca-se por algum talento ou habilidade que ele próprio não possui.

A seguir listaremos algumas denominações de Assédio Moral:

. harcèlement moral (assédio moral), na França;
• bullying (tiranizar), na Inglaterra;
• mobbing (molestar), nos Estados Unidos e na Suécia;
• murahachibu, ijime (ostracismo social), no Japão;
• psicoterror laboral, acoso moral (psicoterror laboral,
assédio moral), na Espanha.

Heinz Leymann, médico alemão e pesquisador na área de psicologia no trabalho, que em 1984 efetuou

o primeiro estudo sobre o assunto, quando identificou o fenômeno e o nominou “mobbing”, o descreve da seguinte maneira:

• “assédio moral é a deliberada degradação das condições de trabalho através do estabelecimento de comunicações não éticas (abusivas) que se caracterizam pela repetição por longo tempo de duração de um comportamento hostil que um superior ou colega (s) desenvolve (m) contra um indivíduo que apresenta, como reação, um quadro de miséria física, psicológica e social duradoura”.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2003) descreve o assédio moral como o comportamento de alguém, para rebaixar uma ou mais pessoas, através de meios vingativos, cruéis, maliciosos ou humilhantes. São críticas repetitivas e desqualificações, isolando-o do contato com o grupo e difundindo falsas informações sobre ele .

CARACTERÍSTICAS DO ASSÉDIO MORAL:

a) A intensidade da violência psicológica. É necessário que intenção de ocasionar um dano psíquico ou moral ao empregado para marginalizá-lo no seu ambiente de trabalho.
b) O prolongamento no tempo, pois episódio esporádico não o caracteriza, mister o caráter permanente dos atos capazes de produzir o objetivo.
c) A intenção de ocasionar um dano psíquico ou moral ao empregado para marginalizá-lo no seu ambiente de trabalho.
d) A conversão, em patologia, em enfermidade que pressupõe diagnóstico clínico, dos danos psíquicos.

e) A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares.

f) Humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do Servidor de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental.

Em Pernambuco, foi regulamentada a Lei 13.314 (15.10.2007) – Lei de Assédio Moral, abrangendo os 3 poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

• Art. 2o.Considera-se prática de assédio moral, no âmbito da administração pública, toda ação repetitiva ou sistematizada praticada por agente e servidor de qualquer nível que, abusando da autoridade inerente às suas funções,venha causar danos à integridade psíquica ou física e à autoestima do servidor, prejudicando também o serviço público prestado e a própria carreira do servidor público.

A vítima do terror psicológico no trabalho não é o empregado desidioso, negligente. Ao contrário, os pesquisadores encontraram como vítimas justamente os empregados com um senso de responsabilidade quase patológico, são ingênuas no sentido de que acreditam nos outros e naquilo que fazem, são geralmente pessoas bem-educadas e possuidoras de valiosas qualidades profissionais e morais.

As Ouvidorias públicas são um excelente canal através do qual o servidor poderá recorrer denunciando práticas de Assédio Moral. Elas não tem o papel de apurar, mas sim de encaminhar as denúncias para que sejam devidamente apuradas pela área competente do Órgão. Existe ainda muito medo por parte do servidor em realizar denúncias tão graves, sobretudo quando não se tem como comprovar essas práticas abusivas. Toda denúncia ao ser formalizada numa Ouvidoria pública, precisa ser devidamente apurada, motivo pelo qual torna-se necessário distinguir o que é o que não é Assédio Moral.

A Ouvidoria Geral do Estado publicou uma cartilha sobre Assédio Moral, a qual está disponível de forma eletrônica no seu site http://www.ouvidoria.pe.gov.br e no Portal da Transparência.

Um dos estudos mais completos sobre os impactos provocados pelo dano moral à saúde do trabalhador foi realizado pela Margarida Maria Silveira Barreto e sintetizada sob a forma da tede de mestrado “Violência, Saúde e Trabalho: uma Jornada de Humilhação”, defendida em 2000, na Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC/São Paulo). Seu trabalho de pesquisa avaliou a saúde de 2.072 pessoas entrevistadas (1.311 homens e 761 mulheres) que, em seus localis de trabalho, eram submetidos a relações opressivas.

 

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Síndrome de Burnout

Síndrome de Burnout

Hernia Cervical

Hernia Cervical

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Depressão

Depressão

O assédio moral no trabalho é um abuso e não pode ser confundido com decisões legítimas que dizem respeito à organização do trabalho, como transferências e mudanças de função, no caso de estarem de acordo com o contrato de trabalho. Da mesma maneira, críticas construtivas e avaliações sobre o trabalho executado, contanto que sejam explicitadas, e não utilizadas com um propósito de represália, não constituem assédio, sendo natural que todo trabalho apresente um grau de imposição e dependência (HIRIGOYEN, 2002, p.34 e 35).

(*) Karla Júlia Marcelino
Ouvidora Geral do Estado de Pernambuco
Secretaria da Controladoria Geral do Estado

ONU: uma em cada dez jovens foi vítima de violência sexual

estupro violência mulher

Cerca de 120 milhões de mulheres jovens em todo o mundo, o equivalente a uma em cada dez, foram vítimas de estupro ou violação até os 20 anos, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira(5) pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre violência contra crianças, baseado em dados de 190 países.

O estudo global sobre a violência contra crianças do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), chamado Escondido à Vista (Hidden in plain sight), mostra também que um quinto das vítimas de homicídio é formado por crianças ou adolescentes com menos de 20 anos e essa é a principal causa de morte em rapazes e jovens com idade entre 10 e 19 anos nos países da América Latina, incluindo a Venezuela, a Colômbia, o Panamá e o Brasil.

“Esses são fatos desconfortáveis, nenhum governo ou pai vai querer vê-los”, disse o diretor executivo da instituição, Anthony Lake. “Mas se não enfrentarmos a realidade que cada estatística representa – a vida de uma criança que tem direito à segurança, a uma infância protegida e que foi violada – nunca deixaremos de pensar que a violência contra as crianças é normal e permissível. E não é”, acrescentou.

Outro tipo de abuso é o bullying, que afeta uma em cada três crianças com idade entre 13 e 15 anos.

O estudo revela ainda que 17% dos jovens em 58 países foram vítimas de punições físicas severas e de forma repetida.

Como prevenção da violência contra crianças, o levantamento recomenda que se fomente o apoio aos pais e às crianças com competências para a vida, uma mudança de atitudes e comportamentos, o fortalecimento do sistema judicial e uma consciencialização para a violência e os custos humanos e socioeconômicos que ela acarreta.

O levantamento também aponta que uma em cada três adolescentes casadas sofreu alguma violência emocional, física ou sexual por parte de seus maridos.

Fonte: Portal Fórum com informações de Agência Brasil e Opera Mundi

 

Escravas sexuais na escola, na igreja, no trabalho, no lar

Sofia Mamalinga

Sofia Mamalinga

 

No início da Missa pela Paz e a Reconciliação, nesta segunda-feira, 18, na Coréia, o Papa Francisco ajoelhou-se e cumprimentou sete mulheres que, quando crianças, foram forçadas à escravidão sexual pelos militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Duzentas mil escravas sexuais. Um escândalo internacional, um crime de guerra condenado.

No Brasil, temos 250 mil escravas sexuais infantis, oficialmente, sendo para ONGs 500 mil, e nenhuma autoridade cristã, católica ou evangélica, aparece para condenar. Entre as jovens, que recebem o salário mínimo, o sexo faz parte do emprego, uma atividade cobrada notadamente das empregadas domésticas, comerciárias, garçonetes, técnicas de enfermagem e outras profissões da baixa classe social.

São crimes encobertos o assédio e a violação sexual na classe média e na classe alta, praticados nos palácios e palacetes, nas universidades, no judiciário, no executivo, no legislativo, nas estatais privatizadas, com milhares de estrangeiros assumindo cargos executivos, trazendo de seus países o preconceito de que a brasileira é sinônimo de prostituta como já registram vários dicionários, esquecidos que a escravidão e a submissão femininas fazem parte da história da humanidade, das discriminações religiosas e sociais. Do patriarcalismo. Do sistema de castas. Da divisão de classes. Do colonialismo. Da globalização. Do mercantilismo sexual.  Notadamente nos tempos de guerra e de crise econômica.

A jornalista Cristina Moreno de Castro quebra os tabus do bulismo, dos assédios, estupros e curras nas faculdades brasileiras.  

Igor Kolgarev

Igor Kolgarev

Tras la noticia de la presunta violación colectiva a una joven en la feria de Málaga en la mañana del 18 de agosto, las críticas a estas recomendaciones que culpabilizan a la víctima volvieron a arreciar. La polémica fue azuzada por el comentario en la cuenta de Twitter de la Unión Federal de Policía en el que equiparaba el sufrimiento de víctima y victimarios. A esto se añadieron las desafortunadas palabras del alcalde de la ciudad, Francisco De la Torre, en las que relativizaba los hechos afirmando que “hay más de mil [violaciones] al año en España”.

Entonces, ¿qué hacer?

Asociaciones feministas, diputadas socialistas y perfiles de redes sociales han criticado que los consejos presentados por el organismo gubernamental deposita toda la responsabilidad de la violación en la posible víctima. Consecuentemente, la culpa en caso de producirse la agresión sexual sería de aquélla por haberse expuesto a una situación de peligro. Según los últimos datos disponibles, en 2009 se produjeron en España más de 6.500 delitos conocidos de abuso, acoso y agresión sexual. ¿Qué se puede hacer para prevenirlos y reducir su número?

Diversos estudios realizados en Estados Unidos afirman que “tener amigos que defienden la violencia contra las mujeres es un grave factor de riesgo para cometer una agresión sexual”. La hipótesis apunta a que la oposición por parte del grupo de iguales, especialmente entre adolescentes y jóvenes, a estas actitudes puede ser el mejor antídoto contra estos delitos.

La clave es acabar con la cultura de la violación, un término anglosajón cuyo uso empieza a extenderse en castellano. Con él se alude a la normalización social de las agresiones sexuales bajo formas aparentemente inocuas como chistes o imágenes publicitarias. Son parte de esta cultura la culpabilización de la víctima por considerar que algo en su actitud (ropa, mirada, embriaguez…) ha “provocado” la agresión sexual o que un “no” a veces significa un “sí”.

Tanto los asesinatos de mujeres por el mero hecho de serlo como todas las formas de violencia sexual (violación, abuso, acoso, tráfico…) son la punta del iceberg de una sociedad patriarcal. Para ponerle fin no se puede generar una cultura que proclama el miedo y la paranoia como forma de vida de las mujeres mientras normaliza las agresiones sexuales. Los resultados de este tipo de educación saltan a la vista.

NÃO ME ESTUPRE, Vinod Tripathi

NÃO ME ESTUPRE, Vinod Tripathi

 

Estupros de universitárias

Existe uma onda de estupros de universitárias que os jornais informam como sequestros. Acontece dentro e fora do campus. As vítimas raramente denunciam. Primeiro porque a impunidade impera, principalmente quando o criminoso é um estudante, um policial.

Uma simples medida evitaria a maioria dos estupros e da violência nas cidades: iluminação. As cidades estão cada vez mais escuras, depois das privatizações. Apesar do povo pagar o imposto de iluminação pública cobrado pelas prefeituras (pasmem!), via companhias de eletricidade, ex-estatais.

Imagem que ilustrou a notícia de um estupro ou curra praticada por universitários na Universidade Federal de Juiz de Fora

Imagem que ilustrou a notícia de um estupro ou curra praticada por universitários na Universidade Federal de Juiz de Fora

 

O nojo do gozo que não participei – Sobre estupro e outras formas de machismo

Por Hanna Thuin, estudante de Direito da Universidade de Brasília, publicado em Revista Vírus Planetário

A história que segue é suja, densa – tão densa quanto o último respingo dela. A história que segue é dantesca:  retrato de um pesadelo acalorado pelo inferno. É uma história que nada posso barganhar para esquecer; história que nada pude fazer para deter. É uma história-memória sem cortes ou censuras – a linguagem é crua e dura. Inadequada para quem com a verdade da realidade não pode ter. Não leia se este último papel cabe em você.

Saía da aula. Tarde. Estacionamento parcamente iluminado. Transeuntes inexistentes. Tudo era sombra – à exceção da Lua cheia: seria ela a única a testemunhar.

Seiscentos metros; sessenta passos: foi essa a distância percorrida antes que aquelas mãos segurassem firme meu ombro. Segundos. Minha bolsa no chão. A chave do carro perdida na grama próxima. Eu não conseguia gritar, mexer, fugir. Desespero. Enquanto uma mão rasgava minha blusa, a outra expunha o pau duro para fora da calça. Quis vomitar.

“Vadiazinha. Piranha. Vou te comer sua patricinha. Fica quietinha. Se abrir a boca, te mato”

Sob o bafo dessas palavras, despertei. Reagi, tentei escapar. A força dele era o dobro: eu quis ter voz para morrer.

“Papai aqui vai te mostrar como se faz. Te foder toda. Te mostrar o que é um homem de verdade”.
Subjugou-me pela testosterona dobrada: forçou-me os joelhos ao concreto; forçou-me a boca ao pau ereto. Segurava-me pelos cabelos. Ia e voltava, com força, a cintura no meu rosto. Aquele chicote estalando na minha garganta. Os pelos do escroto roçando nos meus lábios.
Uma.
Duas.
Três.
Quatro.
Perdi as contas de quantas vezes sufoquei; de quantos tapas deferiu-me com aquelas mãos de monstro pelos desmaios que meu nojo ensaiou. Incansável. Só parou quando da minha voz saiu o vômito. Vômito que conheceu mais minha pele que o chão. Vômito que não interrompeu o animal; vômito que não o comoveu; vômito que não o impediu.

“Sua porca. Escrota. Tá com nojinho? Agora vai ver o que é bom”

Arrancou minha saia. Jogou-me ao chão. Minhas bochechas esfoladas no asfalto. O corpo pesado daquele homem me esmagando. Aquelas mesmas mãos monstruosas forçando caminho entre as minhas pernas; aquele mesmo pau duro a me violar.Ao sangue do meu rosto arranhado, da minha boca cortada, juntava-se o sangue do meu sexo machucado. Escorria a resposta das minhas entranhas; traduzia em cor a dor que eu não conseguia gritar. O bafo daquele homem estranho, sua respiração descontrolada aos pés do meu ouvido. Aquela coisa asquerosa entrando e saindo de mim:
entrando
e
saindo;
entrando
e
saindo. Sob o meu pranto silencioso, o rosto desfigurado de tantas idas e vindas da pele naquele recorte duro de piche- o ritmo dos arranhões conduzidos pelo pau insaciável de um estranho. Além do choro, o sangue; além do sangue, o gozo. O gozo dele. Aquele sêmen todo a adoecer minhas partes; aquela porra a descer pelas minhas pernas: líquido branco, denso: morte.
Liberou seu peso sobre mim. Recolheu o pau murcho à braguilha fechada.

“A princesinha tá toda fodidinha. Já quer mais, né, putinha? Delícia”

Dispensou um último tapa forte na minha coxa – foi embora caminhando. Minhas mãos desceram à virilha; manchei-as com aquela mistura de branco com vermelho: jamais unir-se-ão em rosa.
Não sei quanto tempo larguei-me ali. De pernas abertas. De roupa rasgada. De olhar perdido. Quando me encontraram, já era tarde. Tarde na hora do relógio, tarde na hora impossível de se evitar: ninguém mais poderia me salvar, minha vida acabara ali.

Dos procedimentos que se seguiram- o IML, os infinitos exames, as tonalidades e prescrições de cada caixa de remédio-, apenas participei do banho. Esfreguei minha pele com tanta fúria, com tanto nojo, como se a carne daquele homem não fosse se desprender nunca da minha – como se ele ainda estivesse ali. Não terminei enquanto outras nuances minhas, além da dor, tornaram-se expostas. Aquela noite me tornou uma pessoa quebrada: deixou a memória no corpo; usurpou a (c)alma.

Os únicos momentos em que eu recobrava a vida, para logo perdê-la, afloravam ao longo do sono. O chão áspero, o pau duro, o nojo, o sangue, o gozo dele escorrendo pelas minhas pernas. Como se todo dia eu precisasse morrer um pouco mais. E morria. Pesadelos sem rosto – assumiam um novo a cada abrir de olhos. Todos se tornaram, assim, possíveis estupradores: o porteiro, os amigos, os vizinhos, meus irmãos. Enxergava em todos eles a mesma repulsa. Ninguém escapava ao meu medo; o medo não poupava sequer os Santos.

Em algum ponto, porém, estar morta tornou-se insustentável. Não havia o que fazer quanto ao meu homicídio – não acharam um nome a punir pelo estupro. A minha morte, contudo, desenrolava-se em outra: mamãe. A culpa, tão injusta em escolher suas vítimas, a atingiu, a adoeceu. Não foi por mim, portanto, que voltei – foi por ela. E, ao voltar, percebi que não só por ela eu deveria renascer, mas por todas. Por todas as mulheres. Por todas as mulheres que tiveram seus corpos violados e suas almas furtadas, mutiladas, assassinadas.

Por todas as mulheres estupradas ao percorrer o caminho entre a L2 e a UnB. Por todas as mulheres estupradas ao pegar uma van de Copacabana para a Lapa. Por todas as mulheres estupradas após serem intencionalmente drogadas por seus colegas de trabalho. Por todas as mulheres enganadas por seus ídolos e, por eles, estupradas coletivamente. Por todas as mulheres forçadas a transar com seus companheirxs- porque isso também é estupro. Por todas as meninas abusadas por familiares ou pessoas próximas. Por todas as mulheres e meninas que se calaram por medo, que não denunciaram, que se sentiram culpadas porque assim, desde sempre, foram ensinadas pela sociedade. Por todas as que não conseguiram carregar o peso dessa memória e encontraram, no suicídio, a única possibilidade de redenção. Por todas as mulheres que não renasceram; por todas as que sobreviveram; por todas as que, como eu, de alguma maneira, hão de sobreviver (e renascer).

Sobre as nuances do machismo

O estupro é um dos filhos bastardos do machismo. Bastardo porque deste herda os traços, mas não o reconhecimento. O machismo é a raiz podre que germina em solo Argiloso; é o início do espinho que emerge na Terra Roxa; é o calvário que se instala no Calcário. O machismo está em toda parte. Enraizado. Reproduzindo livremente seus podres frutos e alimentando, com eles, tradições e poderes apodrecidos. O machismo veste muitas cores, muitas modas, muitos nomes. O machismo é a nossa crítica à saia curta e ao decote; o machismo é a nossa repulsa à puta e concomitante glorificação do conceito menina-santa-songa-monga. O machismo é a crucificação do aborto travestido de religião; é , também, a proibição da ordenação da mulher. O machismo é árvore de muitos galhos.

O machismo não me deixa jogar bola, porque futebol é coisa de homem; não me deixa conduzir um carro, porque mulher no volante é barbeira; não me deixa ser a capa de um jornal de finanças, sorridente e bem sucedida, porque esse papel milenarmente cabe, tão somente, ao homem (branco). O machismo não deixa que eu me expresse, que eu marche pelos meus direitos, que eu exponha meu corpo como eu quiser.

O machismo não deixa que eu escolha minha foda, a minha companheira no lugar de companheiro – se quero ou não ter filhos. O machismo não me deixa ser mãe solteira. O machismo não deixa que ela ganhe mais que ele ou que ele cuide da casa e auxilie-a nas responsabilidades domésticas. O machismo não deixa que a mulher seja o que é: forte. Ele tenta o tempo todo submetê-la à obediência, à submissão, à resignação.

O machismo, contudo, sabe ser generoso – abre “exceções”. O machismo permite objetificar o corpo da mulher para que seja essa a imagem impulsionadora das vendas de carros e de cervejas. Permite ao marido ser convocado em propagandas toscas de rádio a bancar o consumismo clichê feminino – resume a mulher ao crédito. Permite e reforça a exigência das curvas sempre exatas, da roupa comportada, das unhas feitas, do cabelo liso e escovado. Permite que o cavalheirismo seja visto como gentileza dele e o sexo como obrigação servil dela. Permite que ele faça da infidelidade um estilo de vida e do pênis um instrumento de reconhecimento e poder. O machismo permite que a apologia ao estupro em uma recepção de vestibular seja vista como um caso isolado de “dois babacas” dessintonizados com o curso e não como um problema institucional que ultrapassa os muros da Universidade- o espaço acadêmico hodiernamente (e infelizmente) ainda reproduz, sem a necessária reflexão, os ecos e ensinamentos que vêm de antes, que vieram e vêm lá de fora. O machismo permite que a hipocrisia se diga moral e, em um cuspe, agrida as mulheres que marcham por um necessário despertar; permite, inclusive, normatizar o estupro, assegurando, àquele líquido branco, a hospedagem no útero, sem questionar a existência de um prévio aceite: se ela disse sim ou se disse não, para o machismo, tanto faz.

Engana-se quem pensa ser o machismo opressor apenas do feminino. Senhor feudal, pai, filho e herdeiro das tradições e do conservadorismo, o machismo é poder corrupto e mecanismo de exclusão que se pretende perpétuo. É em nome dele e por ele que se prega e legitima o homem branco como “the choosed one” para dominar a tudo e a todos.

É em nome dele e por ele que se máscara o fundamentalismo de democracia e a intolerância de religião. É ele quem dilata as nossas glotes e permite um indigesto Feliciano ter sido Presidente da Comissão de Direitos Humanos. É ele que impede o Ministério da Saúde de veicular uma campanha em que afirma que prostituta também é gente e é gente feliz. É ele quem veta um kit que prega o respeito e a compreensão da sexualidade que escapa aos padrões normativos, mas permite e incentiva, com recursos públicos, a distribuição de uma cartilha que não contente em veicular a homofobia, relativiza o estupro, personificando o gozo do estuprador em uma vida a ser protegida. É ele que condena as rupturas, que agride àquela que se insurge contra o sistema, que demoniza quem ataca seus símbolos.

É em nome dele e não de Deus que se pratica o racismo, a homofobia, o feminicídio, a opressão de classes. É ele quem cerceia com normas, padrões e pecados intransigentes o próprio existir dos sujeitos.

Não sejamos ingênuos nem tenhamos piedade com quem nunca nos poupou. Não se combate o machismo com afagos na cabeça e conversas baixas. Não se combate o machismo com a manutenção dos símbolos nem com o silêncio de quem a tudo assiste inerte e, assim, consente. Não se combate o machismo marchando em fila indiana e batendo continência para a hipocrisia. É preciso peito. Esteja ele nu ou pintado – a coragem de impô-lo traduz-se na ausência de panos, sem temer o pudor do moralismo alheio. Não existe paz sob a regência do medo. Não existe democracia quando a metade do povo, dita ironicamente de minoria – cracia-, é feita de demo indialogável e invisibilizado pelas bandeiras monocromáticas do branco classe média hétero “religioso”. É muito fácil criar pecados e interpretar de maneira viciada o calçado do Outro, difícil é dispor-se à alteridade de enxergá-lo para além dos estigmas e da herança dos frutos podres que desde cedo nos são dados como alimento e como instrução.

Que o senso comum, a homofobia, o racismo, o feminicídio, a opressão de classes, a xenofobia, que todos esses rostos do machismo se tornem, a cada dia mais, os verdadeiros outsiders. Sejam eles os deslocados, os excluídos, os eliminados. Que a gente desperte os sentidos e a vontade para entender e enfrentar o verdadeiro inimigo e seu exército de formas, linguagens, poderes, pessoas. Que a nossa revolução comece em nós mas em nós não termine e não se contenha; que se expanda, que invada a rua, o comércio; que barulhe os ouvidos até que seja verdadeiramente escutada, sentida, pensada.

Há muito para fazer: há um tanto de dureza e concreto para demolir. Os caminhos, contudo, estão aí, abertos. Há um incômodo com potência para ser mudança. Há gente muito boa na rua pronta para o novo. Que a gente não perca o embalo e nem a coragem e, se por ventura, faltar o norte, que a gente tenha o gosto do nojo na memória: aquele líquido branco banhado de sangue e de pranto – gozo egoísta, monstruoso.