E se a professora humilhar a aluna?

O assédio moral de professores contra alunos é um fenómeno ausente do debate público. O bullying de professores a alunos tem ainda a agravante de fazer passar por “legítimo” aos olhos dos restantes alunos e alunas os comportamento de discriminação e assédio.

 

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por Bruno Góis

Insultos, ataques ao caráter, críticas injustas ou exageradas ao trabalho, humilhação perante a turma, não transmitir atempadamente informações úteis à realização de determinada tarefa, há várias formas mais subtis ou mais explícitas de assédio moral professor(a) versus aluno/a. Classe, género, etnia, orientação sexual, necessidades educativas especiais podem ser características que agravam a desvantagem das crianças e jovens vítimas de agressão por quem está investido de autoridade sobre elas no contexto escolar.

O assédio moral de professores contra alunos é um fenómeno ausente do debate público. A nível internacional, encontra-se já uma vasta literatura sobre bullying “entre estudantes”, de “diretores contra professores”, de “professores contra professores”, de “estudantes contra professores”. Contudo o assédio moral “professor(a) contra estudante” tem merecido menos atenção e encontra outras dificuldades1.

O bullying de professores a alunos tem ainda a agravante de fazer passar por “legítimo” aos olhos dos restantes alunos e alunas os comportamento de discriminação e assédio. Precisamente porque é exercido por uma figura de autoridade e porque, para o bem e para o mal, professores e professoras servem muitas vezes de ‘modelo’ na construção da identidade dos e das jovens e no desenvolvimento da sua personalidade.

Com estas observações não ignoro a já referida situação inversa: o assédio moral de alunos contra os professores. Todas essas situações devem ser combatidas. E por isso creio que o caminho é o combate geral contra a violência em contexto escolar em todos os seus vetores. Criar consciência preventiva na comunidade escolar, punição clara e por processos transparentes de todos os agressores, e meios de defesa para todas as vítimas.

Estou intransigentemente comprometido com a luta dos professores pela Escola Pública, num momento em que Governo atrás de Governo maltratam aquela classe profissional e aquele serviço público. Mas essa luta não me impede de chamar a atenção para um fenómeno que raramente é combatido, nem na via legal, nem na luta social.

Estudantes, professores, auxiliares, ou outros profissionais escolares, estejam no papel de vítimas ou agressores, devem contar com o nosso combate sem tréguas à violência em contexto escolar. In O Ribatejo/ Portugal

 

Nota

1 “Teachers who bully students: the parents’ perspectives”; “Teachers who bully students: patterns and policy implications”; “When the bully is the teacher”.

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Entre as 500 melhores universidades do mundo, o Brasil tem apenas seis

ensino educação

Sete universidades públicas dos Estados Unidos  estão classificadas entre as 25 mais importantes do mundo. Uma conquista que quebra o tabu de que o melhor ensino se encontra nas universidades particulares.

São a Universidade de California em Berkeley (4), a Universidade de California em Los Angeles (12), a Universidade de Washington (13), a Universidade de California em San Diego (14), a Universidad de California em San Francisco (18), a Universidad de Michigan em Ann Arbor (22) e a Universidade de Wisconsin en Madison (24).

No top das 500 melhores universidades do mundo, temos apenas seis brasileiras.

 

As 20 melhores:

Estados Unidos 16

Reino Unido 3

Suiça 1

Entre as 100 melhores, nenhuma brasileira.

Entre as 200 melhores, o Brasil apenas uma

Entre as 300 melhores, o Brasil continua com apenas uma.

Entre as 400 melhores, o Brasil tem cinco.

Entre as 500 melhores, o Brasil passa a ter seis:

* Universidade de São Paulo 

* Universidade Federal de Minas Gerais 

* Universidade Federal do Rio de Janeiro 

* UNESP

* Universidade de Campinas

* Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 
ensino qualidade escola professor governo

BRA^BA_COR educação prefeito ladrão

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Por que Aécio perdeu em Minas?

Foto Antonio Cruz/ ABr

Foto Antonio Cruz/ ABr

Mineiros explicam motivos para derrota de Aécio no estado; PSDB não investe nem o mínimo constitucional em saúde e educação

por Joana Tavares
Belo Horizonte (MG)

 

Com mais de 400 mil votos de diferença, Aécio Neves perdeu no primeiro turno em Minas Gerais, estado que governou por dois mandatos, até ir para o Senado. Dívidas bilionárias e redução do investimento em saúde e educação explicam a forte rejeição dos conterrâneos a Aécio.

“A população mineira sabe o que enfrenta. Por mais que os grandes meios de comunicação do estado sempre tentaram esconder os problemas, esses 12 anos de choque de gestão geraram um grande desgaste porque as políticas não são para a maioria da população”, analisa Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas (CUT/MG).

A campanha do senador Aécio Neves utiliza o “choque de gestão” como um bom exemplo de política econômica para aumentar investimento em áreas essenciais, como saúde e educação. Porém, não foi o que aconteceu nos oito anos em governou o estado. Economistas destacam que o modelo de “choque de gestão” significou um aumento da dívida. Atualmente, Minas Gerais deve R$ 79 bilhões. É o segundo estado mais endividado do país. Além disso, sindicalistas e especialistas destacam que os governos do PSDB em Minas deixaram de investir o mínimo constitucional em saúde e educação.

“Um exemplo dessa falta de investimento é o Termo de Ajustamento de Gestão [TAG], que permite um escalonamento no cumprimento da Constituição”, afirma o deputado estadual Rogério Correia, vice-líder do bloco de oposição na Assembleia Legislativa, o Minas sem Censura. Ele se refere ao acordo assinado em maio de 2012 com o Tribunal de Contas do Estado, que permitiu que o governo fosse aumentando seu investimento ano a ano até chegar à norma dos 25% para a educação e 12% para a saúde.

*Com informações de Thaíne Belisse e Luiz Carlos Azenha

 

ICMS DA LUZ É O MAIS CARO DO PAÍS

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O alto preço da conta de luz em Minas Gerais motivou dezenas de organizações sociais a fazer um plebiscito popular em 2013. Mais de 600 mil pessoas em todo o estado votaram pela redução da cobrança de ICMS na conta de luz, a mais alta do país. Os eletricitários do estado denunciam que o imposto alto não repercute em melhorias na rede e nas condições de trabalho, com grande aumento de contratação de terceirizados. Por outro lado, os lucros da Cemig são repassados quase integralmente aos acionistas. Na véspera do primeiro turno, um montante de R$ 604 milhões foi adiantado, de um total de R$ 3,3 bilhões.

 

MENOS CPI QUE NA DITADURA

Lucas Nine

Lucas Nine

O deputado Rogério Correia denuncia que o Aécio exercia controle em todas as áreas do Estado: na Justiça, no Tribunal de Contas, na imprensa e na própria Assembleia. “A Assembleia Legislativa de Minas teve menos CPIs durante o governo tucano do que durante o regime militar”, exemplifica.Uma das investigações que não foram aprovadas pelos parlamentares da base do PSDB foi em relação a um aeroporto no pequeno município de Claudio, que custou R$13,9 milhões e não tem uso público. O caso ganhou repercussão nacional depois de denúncia na imprensa, mas ainda não foi investigado. A CPI também pedia a investigação da construção de uma pista de pouso em Montezuma, que também não é aberta ao público. A família materna de Aécio tem uma fazenda em Claudio e a paterna na pequena cidade do norte de Minas.

 

MG NÃO PAGA PISO AOS PROFESSORES

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 Além de não investir na educação, a gestão do PSDB acumula uma extensa lista de denúncias no setor da educação. “Fizemos uma das maiores greves do país em 2011, com 112 dias, com a reivindicação do piso salarial. O governo assinou o acordo de que pagaria o piso e dois meses depois rompeu o acordo, aprovando outra forma de remuneração”, denuncia Beatriz Cerqueira, que também é coordenadora geral do SindUTE/MG. Além disso, o plano de carreira dos professores foi congelado.Outro grave problema que atinge os professores no estado é uma lei sancionada por Aécio em 2007 que permitia a contratação de 100 mil professores sem concurso. A Lei 100 foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julho deste ano e os educadores correm risco de demissão, sem acesso ao FGTS e aposentadoria.

 

RÉU EM PROCESSO

3ª foto

Aécio chegou a ser réu em um processo que denunciava o desvio de R$ 3,5 bilhões da área da saúde de 2003 a 2008. O processo foi arquivado pelo procurador-geral de Justiça, indicado por Aécio. O procurador alegou que não caberia ao Ministério Público entrar com esse tipo de ação. Segundo a promotora Josely Pontes Ramos, que entrou com o processo, o governador Anastasia também utilizou dessa prática e o rombo na saúde pode ser bem maior.

 

“CHOQUE DE GESTÃO” E AUMENTO DA DÍVIDA

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Baseado em dados da Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, Fabrício Augusto de Oliveira, economista da Escola de Governo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, destaca que, no ano passado, o estado teve déficits em todos os conceitos: orçamentário, nominal e primário. Ele chama a atenção para o déficit primário, de R$86 milhões, que não acontecia desde 1999. De acordo com o economista, esse número é preocupante, pois significa que o governo não está sendo capaz nem de pagar seus gastos básicos.

“Além de não dispor de recursos para pagar um centavo dos encargos da dívida, o governo ainda se vê obrigado a recorrer a novos empréstimos para honrar suas despesas primárias”, afirma. Ele também destaca o déficit nominal de R$8,9 bilhões, que compromete 20% da receita líquida do Estado. Diante desse desequilíbrio orçamentário, a dívida consolidada líquida só aumenta, tendo saltado de R$ 70,4 bilhões em 2012 para R$ 79,7 bilhões em 2013.

 

Sete regiões de Minas preferem Dilma

MAIORIA Das dez macrorregiões mineiras, a presidente conquistou sete

mapa

No primeiro turno, 43,48% dos eleitores mineiros votaram pela continuidade da presidenta Dilma Rousseff (PT) no governo federal. A candidata à reeleição obteve maioria dos votos em sete de dez macrorregiões do estado: Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Triângulo, Norte, Alto Paranaíba, Vale do Jequitinhonha e Noroeste. A região Norte foi a que deu maior vantagem para a presidente, com 66,09%, contra 23,21% de Aécio. O candidato tucano saiu do primeiro turno com minoria no estado que governou durante oito anos: 39,75% dos votos. As regiões Central, Sul e Centro-Oeste tiveram preferência pelo candidato tucano.

 

Municípios centrais por região

mapa 2

Fonte: Brasil de Fato

É HORA DO POVO PENSAR

por Talis Andrade

livro pássaro

Ora poesia lírica
ora poesia épica
do Grande Rio
do Sul

Ora um canto suave
ora um canto áspero
– flor e espinho

Que lhe fere o coração
ver os filhos da rua
saber que existem meninas
que ficam nuas por um pedaço de pão

Ora Sandra ora
aos Santos ora
doutro poeta a oração

Oh! bendito o que semeia
livros à mão cheia
e manda o povo pensar

e manda o povo pensar

“No hay odio que en el extremo no se transforme en farsa”

En El reglamento, el escritor Pablo Farrés pone en acto el genérico reglamento como un dispositivo legal que en cualquiera de sus variantes jerarquiza, ordena, regula y evalúa el funcionamiento institucional y quiénes son dignos o indignos de habitarlo, de manera tal que dictar una ley o la imposibilidad de hacerlo representan las dos caras de la misma disciplina, del mismo terror.

por Pablo E. Chacón/ Télam

O regulamento

El libro, publicado por la editorial Letra Viva, está centrado al interior de una escuela donde un posible reglamento pondría cierto orden a la sucesión de transgresiones que en rigor representan a un universo mucho más amplio.

Farrés nació en septiembre de 1974; vive en La Matanza, estudió filosofía y publicó El punto idiota, Literatura argentina y El desmadre.
Esta es la conversación que sostuvo con Télam.

T: El reglamento ¿es anterior o posterior a El desmadre? En cualquier caso, ¿cuál es el punto que podría conectar a ambas novelas?
F: Estas dos novelas las fui escribiendo juntas, con algunas otras tonterías que quedaron en el camino. Me resulta difícil escribir una sola cosa, básicamente porque siento que nada por sí sólo vale la pena. Siempre me gustó la idea de que no se escriben libros sino obras. La obra implica una continuidad pero hecha de discontinuidades. Frente a esta idea aparece el argumento de libros que valen por sí mismos, o escritores que escribieron un sólo libro. Me parece muy bien, pero no veo contradicción: un libro también puede ser toda la obra. Igual insisto con lo anterior, me parece que hay cierto fetichismo del libro, ciertos golpes de efecto que se concentran en un solo libro, y que lo presentan como un producto más que una producción. Hay autores de los que no me importa si escribieron un libro bueno o malo sino la persistencia en el producir. Cerebros y sensibilidades que funcionan como máquinas de producir lenguajes y narraciones. Y respecto a lo que tienen en común: las une el malentendido. El desmadre fue escrita desde el amor y leída desde el odio; en cambio, El reglamento fue escrita desde el odio y leída desde el amor.

T: El genérico novela, ¿corresponde estrictamente a lo que hacés?
F: Yo creo que son novelas, pero novelas significa casi cualquier cosa. En el fondo, la definición de géneros es algo ajeno a la literatura, por lo que poco importa qué es lo que se está leyendo.

T: Por ejemplo, ¿qué representa El reglamento si es que representa algo?
F: El libro trata del director de una secundaria que imposibilitado de escribir el reglamento de su escuela le escribe una carta al ministro de educación del Régimen. ¿Cómo se cuenta la imposibilidad de la ley?, ¿con qué ley se escribe que la ley es imposible?, esas son las preguntas con las que la narración trabaja. (Walter) Benjamin, (Carl) Schmitt, (Giorgio) Agamben, (Jacques) Derrida y otros más trabajaron mucho sobre esto. Problematizan la relación entre la ley y la vida tomando como paradigma más o menos explicito los campos de concentración. Pero, no sé, me parece que perdieron algo más prosaico pero no menos aterrador. No hay escuela, por más modernosa y canchera que sea, que no defina, decida y separe, una vida buena de una mala, una vida digna de ser vivida y una indigna de ser vivida. La educación trabaja con eso todo el tiempo, desde las evaluaciones hasta la circulación de la palabra. Pero eso debe formularse y se formula en reglamentos. Y porque son aterradores, los reglamentos terminan resultando muy graciosos -es difícil leer de otro modo el terror.

T: El reglamento como un imperativo categórico que produce efectos, pero que destroza a la debilidad. ¿Podría pensarse como un sistema de poder transgresor, supuestamente antijerárquico pero obligatorio sin serlo?
F: Me preguntas por la transgresión y me parece que esa es la cuestión más importante. Parto de la base de que no hay transgresión posible, ni estética ni política. Y eso no significa ningún nihilismo, sino todo lo contrario. La transgresión y la ley responden a una misma lógica. Se llaman, se penetran y se confunden en una misma cosa. El problema de la ley no es la transgresión sino la ausencia de toda transgresión. Eso es lo que trabaja el libro. La ausencia de transgresión pone a la ley ante su propia inutilidad. La borra pero no transgrediéndola sino cumpliéndola de modo radical. En un régimen político en el que se cumpliera de forma absoluta con la ley no habría ley. Sin un mínimo asesinato, el mandamiento no matarás sería letra muerta. Sería lo mismo que la constitución diga que desde ahora en adelante es obligatorio que los árboles florezcan en primavera. ¿Para qué se impone el florecimiento si ya está dado más allá de la ley escrita? Pero ese es el sueño de todo régimen político, que la ley sea la vida que la misma política define. En las escuelas se cumple de modo casi total. Ahí es donde aparece el sueño político a pleno. En definitiva las escuelas nacieron para decidir sobre los detalles que hacen que una vida sea digna de ser vivida. Incluso en el abandono: cuando la escuela abandona al alumno le está diciendo esa es tu condición, esa será tu ley. Pero claro está, si la ley que legitima la existencia de una política se vuelve inútil, entonces la ley se transforma en literatura. Son las dos caras de la moneda: la política sueña que la ley se haga vida; la literatura sueña transformarse en la palabra muerta de una ley inútil. Uno elige de qué lado está.

T: ¿Puede ser la literatura una especie de máquina, de dique contra el poder, contra la memoria impuesta, contra una forma de entender al mundo si damos crédito a aquello de que la experiencia del mundo es la experiencia con el lenguaje?
F: Yo quería escribir un libro a partir del odio, de un odio desmesurado. Pero en el medio me encontré con algo que cuido para mí mismo como si fuese una revelación: no hay odio que en el extremo no se transforme en farsa. El odio que llega a su propio extremo sólo encuentra su propia aniquilación, ni siquiera es mi propio odio, es el odio de nadie y para nadie. Si hay conciencia del odio es porque todavía no hay verdadero odio. Tengo que desaparecer yo para que el odio exista como tal, es decir, como pura y muda intensidad condenada a su aniquilación. Entonces, sólo queda la farsa del odio: hay que sostenerlo actuándolo, impedir que encuentre su límite último, invertir en el teatro montado, hacer de payaso para el otro y para uno mismo. Lo mismo ocurre con el dolor. Sólo payasadas. Pero claro, el teatro y la farsa del odio y el dolor están buenísimos: se llaman literatura. Esto no es ajeno a la novela sino central. Más bien es aquello mismo a lo que lo condenan al narrador, y que yo sólo me apropio. Porque ¿qué es lo que le da fuerza a la palabra de la ley, qué mueve a escribir un Reglamento -así, con mayúsculas, un Reglamento escolar, un Reglamento político, un Reglamento literario, o un Reglamento de vida-, sino el odio a la vida? Pero como decía antes, la mayoría de las veces sólo se trata de la farsa del odio. A eso llaman política, pero por eso también es posible la literatura.

Uma universitária famosa pelos filmetes lésbicos

 Faz pornôs para pagar curso na

Universidade Duke

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Publicou Bol: Uma estudante de 18 anos virou a caloura mais popular da Universidade Duke, nos Estados Unidos, após descobrirem que ela fazia filmes pornográficos para pagar a faculdade.

Ao perceber que seus pais não conseguiriam pagar todos os custos sozinhos, Belle Knox (nome artístico) precisou encontrar outros meios para se manter. Em entrevista ao New York Daily News, disse que não fez um empréstimo para não deixar dívidas para seus pais. Procurou financiamento pelo governo, mas não era apta a nenhum dos programas. Empregos estudantis típicos, como o de garçonete, não pagavam o suficiente.

“Trabalhei como garçonete durante um ano enquanto fazia o ensino médio. O trabalho não só interferiu no meu desempenho escolar –eu mal dormia e não conseguia fazer meus deveres–, mas também ganhava apenas US$ 400 por mês descontados os impostos. Eu me sentia degradada e mal tratada. Meu chefe era horrível comigo”, contou Knox, em entrevista ao jornal da universidade, The Chronicle.

“Para ser honesta, me sentia mais degradada recebendo um salário mínimo, sendo mal paga em um trabalho de serviçal do que fazendo pornografia”, disse.

Em entrevista à rede de televisão norte-americana CNN, Knox disse que recebe cerca de US$ 1.200 dólares por gravação.

Revista Época: A história da jovem Miriam Weeks, de 18 anos, de Spokane, Washington, poderia ter sido semelhante a de tantos outros americanos. Exceto pelo fato de ela ter escolhido uma forma mais rápida (e lucrativa) de fazer dinheiro: a pornografia.

De família de classe média baixa, Miriam foi aprovada no curso de Direito da prestigiada Universidade Duke, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Para pagar a anuidade de US$ 60 mil (o equivalente a R$ 138,5 mil), a caloura decidiu fazer da webcam de seu alojamento sua fonte de renda. Criou um nome artístico: Belle, em alusão à personagem Bela, do filme de desenho animado da Disney “A Bela e a Fera”, e Knox, em homenagem à Amanda Knox, jovem americana acusada de matar uma colega de quarto durante um jogo sexual enquanto fazia intercâmbio na Itália. “Amanda Knox sempre me fascinou. Ela parece uma garota muita interessante e inteligente.” Belle Knox começou, então,  a gravar imagens nuas e enviá-las a sites de pornografia. Por cada vídeo, consegue receber, em média, US$ 1,2 mil (o equivalente a R$ 2,7 mil).

No começo de 2014, após o recesso de final de ano, Belle foi descoberta por um colega de classe. Percebeu que estaria em apuros quando recebeu uma solicitação de amizade do garoto em seu perfil de “Belle Knox”, e não no de Miriam. “Naquela hora, meu coração parou. Morri de medo”. O garoto então prometeu que guardaria segredo. Semanas depois, começou a chantageá-la. Belle não cedeu. De troco, ele revelou sua verdadeira “identidade” a todo o campus. Choveram críticas e xingamentos contra Belle, dizendo que ela era uma vergonha para a Universidade Duke. Seus amigos também se afastaram.  Ela e seus familiares chegaram a receber até ameaças de morte. Na internet, surgiram campanhas nas redes sociais pedindo que fosse expulsa da faculdade. “Diziam que meu nariz era maior que meus seios e que eu merecia ser estuprada.”

Belle não se intimidou e decidiu ir a público contar sua história. Deu entrevista a um site de notícias sobre a vida no campus da universidade e escreveu um artigo no blog XOJane.com, explicando suas motivações. A repercussão foi tamanha, que o jornalista Piers Morgan, da rede americana de televisão CNN, a convidou para conversar ao vivo com ele. Com voz delicada, aparência frágil e infantil, ela disse que não tem vergonha de seu “bico”. “Nós somos muito reprimidas em nossa sociedade. Em casa, dizem que não devemos exibir nosso corpo, fazer sexo.” (…) “Desde os cinco anos, minha mãe dizia que se eu um dia me masturbasse, minha vagina cairia. E eu acreditava naquilo.”  (…) E quer saber? Ter autonomia sexual é algo incrivelmente libertador”. Ao jornalista, ela também disse que acredita que a maioria daqueles que a criticam são os mesmos que entram na internet para assistir a suas perfomances. “É muita hipocrisia. A sociedade que me consome me condena”, ela disse.

Determinada a seguir a faculdade até o fim, Belle Knox  diz que não teme que o escândalo atrapalhe sua carreira (cuja área de atuação também não foi revelada). “Eu é que não vou querer trabalhar para uma empresa que recrimine a sexualidade feminina”. “Por que uma mulher não pode ser, ao mesmo tempo, bonita, inteligente e gostar de fazer sexo?” Belle, que está no primeiro ano da faculdade, não pretende abandonar sua lucrativa fonte de renda. Pensa também, no futuro, em se tornar ativista em defesa das estrelas pornô. “Sei que a partir de agora minha vida nunca mais será a mesma. Pelo menos estou lutando em defesa de outras profissionais da pornografia que passam pelas mesmas humilhações que eu, todos os dias.”

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Este o preço da privatização do ensino. Da elitização do do acesso educacional pelo capitalismo. Assim entenda porque os estudantes do Chile promoveram em 2013 oito meses de greve pelo ensino gratuito. E no Brasil, inclusive negros ricos condenam o sistema de cotas.

Filmetes:

Lágrimas de Pierrô

por Gustavo Krause

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Quarta-feira de cinzas é um dia triste. Devia amanhecer sempre sob chuva torrencial para lavar corpos e almas que se entregaram aos apelos mundanos do carnaval. É dia de ressaca orgânica da viagem ao êxtase da fantasia e, na tradição cristã, é o momento de elevação espiritual porque simboliza a fragilidade da vida. Assim, cessada a chuva, seria celebrado o encontro do sol interior com o sol da natureza.

Como não brinco o carnaval na terça-feira gorda (acredite quem quiser), começo a quarta de cinzas, bem cedo, com os pensamentos em caminhada pelo Parque da Jaqueira. Este ano, na entrada que fica do lado da Av. Rui Barbosa, dei de cara com um resto de carnaval: o pierrô encolhido no banco da praça, abraçando as próprias pernas que davam sustentação à cabeça.

Ele chorava copiosamente. O primeiro impulso foi respeitar a solidão da tristeza; o segundo impulso foi consolar aquela alma penada que, supus, estava de coração partido por causa de uma colombina. Aquela lágrima desenhada no rosto triste do pierrô, cristalizada como um pingente, se transformara numa catarata de sentimentos incontidos.

Cedi à convicção de que o pierrô, personagem herdado da commedia dell´arte do teatro popular italiano, sofria da cornice universal da traição amorosa. No entanto, estranhei as cores da fantasia: o preto e o branco deram lugar ao verde/amarelo.

Pierrô e Colombina, por Antonio Gomide

Pierrô e Colombina, por Antonio Gomide

Fui direto ao ponto: – Por que tanto choro e tanto sofrimento, amigo pierrô? Você já sabia o fim do enredo: arlequim se aproveitaria de sua ingenuidade, de sua crença na bondade humana, e a colombina já era. – Não choro por colombina – balbuciou, sem levantar a cabeça, e entre soluços, completou – choro pela pátria amada, Brasil.

Surpresa! Refeito, argumentei que contivesse aquela angústia contagiante. – O Brasil, florão da América, é hoje uma das dez maiores economias do mundo; moeda estável; 40 milhões de brasileiros incorporados ao mercado de consumo; as instituições democráticas funcionando livremente e…

Senti que ele não queria ouvir e desatou a falar. – Choro pela impunidade. A sabedoria popular tem razão: nada como dias atrás de outros e um Toffoli no meio. E o que dizer da teoria da chavasca que desquadrilha a quadrilha e abre alas para o bloco dos sujos passar? Tem mais: o cara que tem cara de artista de cinema mudo, contracenando, em terreno lodoso, com outro canastrão que mais parece galã de novela mexicana, liquidam a esperança do “Moleiro de Sans-Souci” segundo a qual “ainda existem juízes em Berlim”.

Tentei contra-argumentar, mas o pierrô não interrompeu a catarse. – Que economia? A do pibinho? Atrás dos emergentes, do Chile, do Peru, da Colômbia? O Brasil do 85º lugar no IDH? O Brasil da segunda pior distribuição de renda em ranking da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)? O Brasil de baixíssima produtividade que compromete a capacidade de competir no mercado globalizado? O Brasil cujo Estado monstruoso nós carregamos nas costas e nos devolve ineficiência generalizada na prestação de serviços? O Brasil da infraestrutura estrangulada? Da contabilidade maquiada? Das contas externas desequilibradas?

O Pierrô fez uma pausa para respirar, aí aproveitei. – Houve grandes avanços: a redução de taxa de mortalidade infantil, o aumento da expectativa de vida, universalização do ensino… Fui interrompido abruptamente. – Choro pelos 50 mil mortos por homicídio doloso todo ano e, por favor, não me venha falar em educação: segundo o Relatório de Capital Humano do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa o 88º lugar entre 122 países e, na qualidade do ensino de matemática e ciência, tem o 15º pior desempenho do mundo. Na avaliação do relatório PISA, entre 65 países, o Brasil obteve o 55º lugar em leitura, 58º em matemática e 59º em ciências. Sem falar no silencioso e perverso analfabetismo funcional: muita gente sabe ler, chega a ter diploma, mas não entende o que lê.

Concluí: seria inútil o esforço para aliviar a dor patriótica do Pierrô. Sugeri uma saída amigável e poética: – Vamos “tomar vermute com amendoim” como receitava Noel Rosa em “Pierrô Apaixonado” para “romper a esfera dos astros”, proposta de Manuel Bandeira em “A Canção das Lágrimas de Pierrot”. Ele aceitou. – Seu nome? – Apenas, pierrô .

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Publicado por blogflaviochaves