Independência ou morte

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Que horas ela volta?: Com medo de Jéssica

Há quem ache Jéssica arrogante e há quem ache maravilhosa. Dependendo do que você acha da Jéssica fica claro em quem você vota.

cartaz que horas ela volta

Conhecendo a servidão da mãe como empregada doméstica

Conhecendo a servidão da mãe como empregada doméstica

servidão

Na piscina de uso exclusivo dos patões da mãe

Na piscina de uso exclusivo dos patões da mãe

patrão

O patrão da mãe todo prestativo e generoso

O patrão da mãe todo prestativo e generoso

Sem teto, moradora de favela em São Paulo

Sem teto, moradora de favela em São Paulo

por Léa Maria Aarão Reis

O filme de Anna Muylaert mobiliza e provoca furor. Até a semana passada, 250 mil espectadores assistiram a saga da doméstica Val e da sua filha Jéssica. Oitenta mil deles apenas num fim de semana. Isto faz Que Horas Ela Volta? aprumar-se para chegar perto da bilheteria dos blockbusters americanos feitos de boçalidade e de músculos. Escolhido para representar o Brasil na competição de Oscar de melhor filme estrangeiro da edição de 2016, sua carreira reafirma o trabalho da cineasta paulista como autora de bons filmes: o premiado Durval Discos, É proibido fumar, Chamada a cobrar e, sobretudo, como corroteirista do excelente O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburguer.

Qual a explicação para o sucesso, para a explosão do filme da Anna – nos festivais estrangeiros e nas principais cidades do país -, além da narrativa relatada com talento, e de contar com a experiente atriz Regina Casé fazendo com brilho e garra a empregada doméstica nordestina que trabalha para a alta classe média paulistana? Uma personagem emblemática, mas tão ‘banal’ e pouco original?

Simples: com habilidade, Anna toca num nervo infeccionado, até então camuflado, da classe média brasileira. Seu filme expõe e escancara a hierarquização feroz das classes no Brasil dentro da intimidade dos grupos familiares. Uma situação inspirada na sua própria experiência, quando, em certa época, ela precisou contratar uma babá para ajudá-la a cuidar dos filhos então pequenos. Sem esse suporte não poderia continuar trabalhando por um bom tempo. Esta é a origem do roteiro que criou.

Da figura da babá, resquício da escravatura, à empregada doméstica modelo nacional, um outro entulho largado no caminho pela escravidão no país, foi um pequeno passo para expandir o argumento. Sem o trabalho das outras milhares de Vals existentes neste país, sejam elas babás, diaristas ou moradoras em um quarto infecto, na casa dos patrões, a família burguesa brasileira emperra e não funciona. A dependência dos patrões é absoluta – até para o mínimo gesto de levantar da cadeira e ir à geladeira para se servir de um copo de água. É isto que Anna mostra serenamente, com simplicidade. E a dependência estampada no espelho que é a telona deixa a plateia burguesa nervosa.

Não surpreende que algumas mulheres, nas sessões de cinemas de zonas ditas nobres das grandes cidades, cheguem a se levantar, revoltadas, para ir embora, como já ocorreu, no meio da exibição.

Mas Muylaert vai além e introduz outro elemento definitivamente perturbador na história: a filha Jéssica, que, pequena, foi deixada pela mãe no Nordeste quando Val parte para trabalhar e sobreviver como doméstica em São Paulo. Agora, já mocinha, Jéssica chega para prestar vestibular para a faculdade de Arquitetura (escândalo!) na capital paulista e é hospedada na opulenta casa dos patrões, no quartinho minúsculo e abafado onde vive sua mãe. “Uma casa meio modernista!”, se deslumbra a futura arquiteta quando percorre a mansão. Ao chegar, a menina “subverte todas as regras”, como observa a cineasta.

Acaba instalada no confortável quarto de hóspedes para desespero da patroa, mergulha na piscina na companhia do filho da casa, também ele um vestibulando, e, a transgressão mais grave: come o sorvete da marca fina e cara, mas destinada aos patrões. O sorvete barato é reservado aos empregados.

Camila Márdila, de 26 anos, vinda de Tabatinga, na periferia de Brasília, é a jovem atriz que defende bem o personagem da filha de Val neste que é o seu segundo filme.

Com a a introdução – ou intromissão – no universo burguês, Jéssica desequilibra a ‘harmonia’ da casa, expõe o nervo podre disfarçado e estabelece uma nova equação familiar como ocorre no célebre filme Teorema, de Pier Paolo Pasolini. “Na cabeça dela,” acrescenta Muylaert, “aquelas regras não significam nada. Mas há quem ache Jéssica arrogante e há quem ache maravilhosa. Dependendo do que você acha da Jéssica fica claro em quem você vota.”

Bingo para Muylaert. Jéssica representa o Brasil novo que começou a ser parido há 12 anos por um governo progressista. Jéssica é a mudança, é o país em que porteiro embarca no avião e senta ao lado da madama no aeroporto. E madama agora é obrigada a cumprir a PEC 72 em vias de entrar em vigor na sua integralidade, e pagar direitos trabalhistas às mulheres que nunca mais serão semiescravas.

Jéssica é o Brasil que, obsessivamente, mesmo sem ainda plena consciência do fato, procura dirimir as diferenças de classe para se tornar um lugar mais igualitário, menos injusto e hipócrita. Mais do que raiva, ódio e menosprezo, os que se encontram instalados no topo da pirâmide sentem é medo de Jéssica. Ela é o ‘anjo’ do Teorema, de Pasolini, que vem anunciar os tempos e os arranjos novos. Um alerta para o início do fim da era da submissão.

O recado do Que Horas ela Volta? é singelo e firme apesar do seu final entreaberto: para a frente nada será como antes. Aconteça o que tiver que suceder, convém lembrar-se do clichê que, no caso, aqui cai como uma luva. A pasta de dentes que saiu do tubo nunca mais caberá dentro dele.

Da necessidade de conhecer a cultura africana para combater o preconceito e o racismo

racismo

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(Escrito por uma criança Angolana)

Quando nasci, era preto.
Quando cresci, era preto.
Quando pego sol, fico preto.
Quando sinto frio, continuo preto.
Quando estou assustado, também fico preto.
Quando estou doente, preto.
E, quando eu morrer, continuarei preto!
E tu, cara branco?
Quando nasce, é rosa.
Quando cresce, é branco.
Quando pega sol, fica vermelho.
Quando sente frio, fica roxo.
Quando se assusta, fica amarelo.
Quando está doente, fica verde.
Quando morrer, ficará cinzento.
E vem me chamar de homem de cor?

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Seleta da poeta Cláudia Gonçalves

A discriminação é uma violação aos direitos humanos e não pode seguir impune

fim disciminação

 

A ONU comemora neste 1º de março o Dia da Discriminação Zero. O Secretário-Geral Ban Ki-moon afirmou que a data é a chance de celebrar a diversidade e rejeitar qualquer tipo de preconceito. Ele disse ainda que a discriminação é uma violação aos direitos humanos e que esta não pode seguir impune, pois todos têm o direito de viver com respeito e dignidade.

O Diretor executivo do Programa Conjunto sobre HIV/Aids (Unaids), que lidera a campanha Zero Discriminação, Michel Sidibé lembrou que o compromisso de tornar o mundo livre de estigma e discriminação não é uma opção, mas um dever e destacou que a discriminação provoca preconceito, limita as chances de milhões de pessoas e pode causar abusos e violência.

Sidibé lembrou da importância das denúncias, do apoio às pessoas discriminadas e da promoção dos benefícios da diversidade para se vencer a discriminação. Segundo a Unaids, quase 80 países têm leis criminalizando o homossexualismo. A agência também informou que no mundo mais de 10% das mulheres e 23% dos homens que sofrem de algum tipo de deficiência não buscam assistência de saúde, porque foram maltratados na primeira visita ao médico.

“A homo-lesbo-transfobia é uma realidade que limita os direitos e a liberdade, viola a dignidade, ataca a integridade física e provoca mortes em todo o mundo. Não enfrentar essa questão e não falar claramente sobre ela é aceitar que ela continue a fazer vítimas diárias”, afirmou o coordenador do Sistema ONU no Brasil, Jorge Chediek.

“O direito do trabalho é um direito de vanguarda que incorpora uma série de elementos normativos progressistas. É um elemento de transformação social, que influencia positivamente o ambiente de trabalho. A questão dos trabalhadores LGBT precisa ser tratada e regulamentada”, declarou o presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous.

De acordo com a coordenadora da organização Criola, Lúcia Xavier, sob o ponto de vista da questão racial e de outras dimensões da vida humana, “atuar contra a discriminação não é só agir em termos individuais contra processos discriminatórios, mas fortalecer os mecanismos para que a sociedade seja mais democrática, que cumpra com os direitos humanos, que tenha serviços mais adequados e com qualidade de vida”, disse.

Para Lúcia, dias como este são importantes para que o assunto seja discutido. “Não é só a discriminação em si. Ela produz mortes. Além disso, damos visibilidade à produção e ao patrimônio de diversos grupos, como a população negra, LGBT e povos indígenas”, explicou Lúcia.

Para a agência da ONU, no Brasil os descendentes africanos têm mais chances de desemprego que os brancos. Os salários dos negros representam menos da metade que os dos brancos. Nos Estados Unidos, 64% dos trabalhadores disseram ter visto ou sido vítima de discriminação pela idade. No Reino Unido, aproximadamente 70% dos trabalhadores que ganham salário mínimo são mulheres.

 

Violência sexual, castigos físicos e preconceito nas magníficas festas da Faculdade de Medicina da USP

Aprendizado sexual em vários tons cinzas

Aprendizado sexual em vários tons cinzas

 

Muitas das garotas têm menos de 20 anos. A maior parte delas é branca, de família de classe A ou B. Estão felizes por realizar um sonho. Apreensivas pelos desafios que enfrentarão nos anos seguintes. Assustadas com o novo ambiente e os rostos desconhecidos.

São reunidas em círculo. Em volta, outro círculo, de garotos igualmente brancos, igualmente nascidos em famílias ricas ou de classe média alta. Mas são mais velhos. Intimidadores. Ordenam que todas gritem “bu”. Elas obedecem:

– Bu! Bu! Bu! Bu! Bu! Bu!

Um coro alto de vozes masculinas, a dos garotos em volta das garotas, abafa as vozes femininas e ressoa pelo ambiente:

Buceta! Buceta! Buceta eu como a seco! No cu eu passo cuspe! Medicina é só na USP!

É assim que calouras da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) são recepcionadas em seu primeiro dia dessa nova fase da vida. Todos os anos. É uma das muitas tradições da faculdade de ciências médicas considerada a melhor do país. “De elite.” Para as mulheres, no entanto, grande parte dessas tradições se traduz em opressão permanente, que traz como consequência extrema casos graves de abusos sexuais, incluindo estupros, no interior do ambiente universitário. Casos sobre os quais recai um pesado manto de silêncio que impede que se tome providências a respeito. Leia mais aqui. Texto de Tatiana Merlino, Igor Ojeda. Fotos de Caio Palazzo e Rafael Bonifácio

FantasiasBosque

Das festas que acontecem na FMUSP, a “Carecas no Bosque” e a “Fantasias no Bosque” são as que criam o ambiente mais “propício” para abusos. A começar pelos cartazes de divulgação, quase sempre com destaque a mulheres cheias de curvas, trajes mínimos e olhares provocantes. Os preços dos convites são diferenciados. Em geral, mulheres pagam quase a metade do que os homens. “Todo o marketing é baseado no fato de que lá haverá muitas mulheres e que vai ter sexo à vontade. A USP inteira sabe que tanto a ‘Carecas’ quanto a ‘Fantasias’ são para isso, para ir lá e transar”.

Os estudantes de medicina são adeptos do poliamor. Pegam garotos e garotas. Quando estupram um fera macho, os veteranos chamam de empurrada.

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Estudio Crítico del Discurso: endo y exo definiciones religiosas y libertad de expresión. Reacciones xenófobas al asesinato masivo de Charlie Hebdo

por Ígor Rodríguez Iglesias

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En Francia, Le Pen y su Frente Nacional; en el Reino Unido, Farage y su Ukip; o en Alemania, Pegida y su AfD. Son tres ejemplos, entre muchos, porque durante estos días hemos atendido estupefactos a una oleada de discursos particulares visibles a través de las redes sociales donde ciudadanos de a pie exponían su parecer, compartiendo todo tipo de elementos gráficos, normalmente contra el Islam y también contra las personas de origen árabe. Enseguida se pudieron ver algunos enlaces de opiniones anteriores en el tiempo, como aquellas palabras del escritor español A. Pérez-Reverte diciendo “es la Guerra Santa, idiotas” –porque se lo dijo un amigo de cervezas- y “seremos todos decapitados”.

Los periódicos, las radios y las televisiones hicieron lo propio. En un momento en el que más que nunca prima la inmediatez (antes era la radio la que tenía el margen de error por la rapidez al informar), se antepone publicar literalmente ‘lo que sea’ antes que información veraz y contrastada. No es el fin aquí analizar el hilo de las publicaciones en función de los citados acontecimientos, por lo que no nos detendremos en tal cuestión, interesante, por otra parte. A las informaciones les sucedían o les iban acompañando las opiniones: tanto de los colaboradores de las secciones de Opinión como de los propios lectores.

Si alguna vez alguien quiso tener a su alcance un corpus de discursos racistas actualizado al instante, está de enhorabuena: los comentarios de los sitios web son una fuente de riqueza textual en relación a ese contenido.

A tales comentarios se acompañaban ilustraciones de los dibujantes de los periódicos y otros medios gráficos, que, al igual que los enlaces de noticias, eran compartidos por los usuarios de las redes sociales.

Los lingüistas que nos dedicamos a estudiar los discursos sabemos que todo lo dicho, lo escrito o lo representado gráficamente comporta un orden social, una ideología. Ese día y el siguiente fluyeron ideologías de la desigualdad, promulgándose el racismo, la discriminación religiosa y la xenofobia, focalizándose hacia los musulmanes y árabes. Ni que decir tiene que muchos de los discursos observados asimilaban musulmán y árabe y, con ellos, fundamentalismo y terrorismo.

Comenzó a fluir un discurso de la endo o autodefinición y de la exodefinición.

En el ejemplo de Pérez Reverte, cuyas palabras no correspondían a estos días, pero sí eran compartidas, comentadas y asumidas al hilo de los sucedido en la revista Charlie Hebdo y otras ubicaciones parisinas, se puede observar esta definición de un grupo (nosotros, los romanos, literalmente) frente a ellos (los no romanos).

Este artículo de ABC, del 9 de enero, de Ignacio Camacho presenta esta dicotomía simplista (europeos vs. bárbaros) en estos términos: “Esta civilización, la occidental, la democrática, es con todos sus defectos mejor que las demás […] una sociedad abierta, culta, desarrollada, cívica, a veces fútil pero no tan estúpida como para dejarse destruir en nombre de su propia trivialidad”. Es decir, se presenta a todo aquello que no es Europa y europeo como cerrado, inculto, subdesarrollado, incívico y trivial. Este etnocentrismo no oculta la radicalidad de este pensamiento eurocéntrico y de su postura, que “significa negarse a comulgar con las verdades declaradas del relativismo”, que, como se infiere, es presentado como negativo frente a un positivo eurocentrismo.

Las críticas al relativismo y la exaltación del eurocentrismo frente a las otras formas (desvalorizadas, deslegitimadas) también forman parte del aparataje discursivo de otro opinador de ABC, el locutor de Onda Cero Carlos Herrera, que el mismo día, 9 de enero, escribía esto:

“Occidente, en su permanente reinvención del relativismo, da muestras a diario de su insoportable complejo de pecado original, de una permanente expiación de culpas alimentadas por su propia factoría histórica; sin percatarse de que, mediante ese perverso mecanismo, acabará sucumbiendo al desmontaje milimétrico de valores irrenunciables que han caracterizado su progreso. Cuando ese sistema se desmenuce, otros lo acabarán ocupando y lo harán con normas ajenas a todo lo que la única civilización presentable ha conseguido”.

Esta “única civilización presentable” es colocada frente a “otros […] con normas ajenas” y se explicita ideológicamente para el autor que es “funesto [el] multiculturalismo”. Para Herrera existen “perfectos cómplices”: “los que desde Occidente alimentan a diario esta absurda conciencia de culpabilidad”, “la izquierda europea, esa cosa tan amorfa en plena descomposición descontrolada”. Y todo, en su opinión, con un fin: “la búsqueda de nuevos proletarios”, que, según el autor, vendrían a ser los islamistas, a quienes, según Carlos Herrera, esa izquierda europea vería como “una nueva forma de protesta social”, algo incomprensible para el locutor de Onda Cero y articulista de ABC, ya que de este modo estarían “defendiendo culturas extraordinariamente ajenas a sus utopías revolucionarias y desatendiendo la propia, la que le ha hecho llegar hasta aquí en mucho mejores condiciones que sus supuestos protegidos”.

Esta última frase es reveladora de una estrategia de condescendencia, que refleja la relación de fuerza de clases y sólo se emite desde la dominante: Herrera le concede a esas “utopías revolucionarias” logros, incluyéndolas en el resto del endogrupo.

Se cita a Serafín Fanjul, especialista en filología semítica y se le legitima por ello, por sus conocimientos históricos y textuales de la cultura árabe, que nada tiene que ver per se con el terrorismo y los fundamentalismos. Siendo otra firma habitual en los últimos años de ABC, Fanjul ha criticado con ironía el multiculturalismo y ensalzado, por ejemplo, una propuesta, entonces desde la oposición, de Mariano Rajoy (PP): el “contrato para la integración”, que, “amén de moderado y sensato, puede tomarse como un medio de facilitar la estancia de los forasteros en España y la relación fluida y distendida con nosotros, algo más que deseable”, escribía en aquel periódico el 1 de marzo de 2008. Son las ideologías dicotómicas y exodefinidoras: nosotros y los otros, los problemáticos.

Esta construcción discursiva, con este determinado componente ideológico, llega a su máximo apogeo, ya adelantado por Reverte: “es la Guerra Santa, idiotas”. Camacho, el 8 de enero, ha publicado en ABC que, efectivamente, en su opinión, sin lugar a dudas, “hay una guerra y la podemos perder porque nosotros dudamos y ellos no”. Puede parecer al lector, hasta ahora, que hayamos forzado esta dicotomía en los discursos de estos articulistas de opinión del periódico conservador español. Ni mucho menos: el propio Ignacio Camacho define el endogrupo y el exogrupo desde su particular punto de vista:

“Nosotros: los europeos, los occidentales, los partidarios religiosos o laicos de organizarnos en democracia y vivir en libertad. Ellos: los integristas islámicos, los fanáticos del Corán y su yihad que crecen y se multiplican en las sociedades libres aprovechando su flexibilidad multicultural”.

No obstante, en este “ellos” queda excluida la mayor parte de la población de los países donde una considerable parte de la población se dice practicante del Islam, países puestos en entredicho. Se excluye también a las comunidades y grupos de extranjeros y -en España, Francia, etc.- procedentes de países árabes ­­–un 20% del total musulmán aproximadamente- y sus descendientes, que, obviamente no son extranjeros y que están plenamente integrados en las sociedades europeas, con independencia del dios al que recen. Es clave esa demonización del multiculturalismo, que, curiosamente, estos autores hacen definidor de aquellas sociedades que presentan ante sus lectores (consumidores de ideología), paradójicamente, como cerradas. Por su parte, la democracia y libertad europeas son presentadas como contrapuestas al multiculturalismo en estas particulares visiones.

El discurso de Camacho no solo polariza los grupos en europeos/yihadistas, sino que habla de multiplicación, lo que implica que hay personas que de no ser “integristas islámicos” pasan a serlo. ¿Quiénes son: los llamados moderados, los cómplices de los que habla Herrera? Se enciende el foco de la sospecha sobre los musulmanes en general: incluso el especialista (Serafín Fanjul) no lo tiene claro: “Si existen mulsumanes moderados, que aparezcan” (ABC, 19 de septiembre de 2006). Para ser justos, Pérez-Reverte sí habla de ellos: “Se trata también de proteger al Islam normal, moderado, pacífico” (XL Semanal, 28 de septiembre de 2014).

La dicotomía se propagó rápido tras el asesinato masivo de París en las redes sociales a través de viñetas como ésta, en la que se presenta a un musulmán como un asesino al volante:

volante

La pregunta es, ¿cuántos mulsulmanes que conducen sus vehículos por las carreteras españolas o francesas han arremetido contra los peatones en un acto de asesinato masivo? Alguien dirá que lo hizo uno (!) en Canadá hace tres meses y para el imaginario discursivo de Herrera y compañía podría ser una cifra pertinente. En rigor, obviamente, no lo es.

Ese imaginario no se corta a la hora de ensalzar su dicotomía, con referencias históricas, como esta de Puebla en ABC, donde se puede ver a Rodrigo Díaz de Vivar, el Cid, a caballo, a luchar contra ¿“300 moros”?

mouro medo

Todo acompañado de multitud de comentarios xenófobos, racistas y acusadores a diestro y siniestro.

Algunos ya hablaron de “Tercera Guerra Mundial”, idea que sostiene Pérez-Reverte, acompañada de un “idiotas” para los que discrepan.

Muchos quisieron ver a un “islamista” en el autor de los envíos de paquetes “sospechosos” a redacciones periodísticas de Madrid el mismo día del suceso parisino. Luego se supo que el individuo autor de tales envíos no tiene nada que ver con el Islam y no es árabe ni extranjero: es español, como el Cid (nota: en rigor, el Cid no era español, sino castellano). Incluso, muchos recordaron cómo apenas una semana antes un hombre con enfermedad mental sembró el caos en Atocha, en Madrid, al decir que tenía una bomba encima. Resulta que era de origen magrebí, donde, al parecer, no puede haber personas con problemas psiquiátricos.

En medio de este maremágnum opinador, los servicios de información de agencias de noticias tan importantes como Europa Press y todos los periódicos volvieron a amplificar y dar cobertura mediática a los tuits y entradas de Facebook de un actor español: Guillermo Toledo. ¿Por qué sucede esto? La pregunta no es baladí y sería interesante un análisis del discurso específico de cómo se construye la imagen negativa de una persona por parte de los medios. Algún hecho socialmente relevante ha tenido que haber protagonizado el actor para despertar tanto interés, normalmente negativo. Y, efectivamente, el hecho ‘relevante’ –está claro que no es un hecho trascendente- es haberse posicionado a favor del Sáhara, Palestina, Cuba y la Venezuela bolivariana. Se le acusa de salidas de tono, pero, al final y al cabo, lo hace en sus cuentas personales y no es el representante de ningún colectivo. En lo que nos ocupa, es interesante no ya la evocación de la imagen de Guillermo Toledo en esta viñeta, al que se le llama el “arma más destructiva” de España, sino la presentación de terroristas diciendo “Alá es grande”.

Alá é grande

En este contexto se produjeron gestos discursivos (palabras) a favor de la libertad de expresión, con la reproducción de algunas viñetas que los musulmanes (no los terroristas, sino los musulmanes en general) consideran ofensivas, dadas sus creencias. Se reproducían algunas portadas de Charlie Hebdo, como ésta:

charlie

Un pequeño experimento, por llamarlo de algún modo, realizamos en las redes sociales con la inclusión de imágenes ofensivas para los católicos y que formaron parte de una exposición que se vio atacada y fue denunciada por el PP.

cristo

Estos días se ha recordado otros ataques y amenazas a Leo Bassi, que también ha usado el humor para la crítica, esta vez contra el catolicismo. Parece que la gracia deja de tener gracia cuando se ve aludido el endogrupo. De hecho, algunas personas nos manifestaron lo ofensivo que eran esas imágenes para ellas. En estos casos, primaba para estas personas su derecho al respeto a su creencia religiosa sobre el derecho a la expresión (artística). En el caso de la representación de Mahoma, ¿se reconoce ese derecho?

Es preciso puntualizar que la mayor parte de los musulmanes no encienden hogueras con estas cuestiones (1.000 millones son muchos). Tras varios días de polarizaciones e incitaciones a la venganza –o, directamente, apología de la misma, por parte del propio ABC-, este periódico se hizo eco de las declaraciones del presidente de la Asociación de Jóvenes Musulmanes de Madrid, Mohamed Said Alilech, que casi han pasado desapercibidas, pero en donde se puede leer las palabras de éste representante de la citada asociación: “Ellos no son el islam, son terroristas. Mahoma es el profeta de la paz”, “repulsa total y contundente [al] cruel atentado” o “Las bases del islam no predican la violencia. Todo lo contrario. Los extremismos y la radicalización, por desgracia, existen en todas las ideologías, religiones y colectivos. Los que actúan de forma violenta en nombre del islam, malinterpretan los textos sagrados” (ABC, 11 de enero). El periódico tardó cinco jornadas en recoger estas declaraciones y tonos similares, que no fluyen con la misma fuerza en la red (de hecho, las hemos tenido que buscar a conciencia). El daño ya estaba hecho. ¿Queriendo o sin querer?

La apología de la venganza, de la violencia, en definitiva, la encontramos en la propia portada de este periódico conservador del día anterior, 10 de enero: “Francia venga a sus muertos”. El silencio de las asociaciones de prensa es indignante, no así el de periodistas que particularmente han llamado la atención sobre estos asuntos.

abc

La Asociación Cultura Crítica UAM, en su perfil de Twittwer (@aculturacritica), puso de relieve el 8 de enero las tendencias en Twitter de los hashtags en Francia y España: con una reacción mucho más xenófoba y discriminatoria en este segundo país que aquel en el que se produjeron los hechos.

uam

En diversas ciudades españolas estos días han surgido pintadas, como las de las ilustraciones: clic en imagen 1 e imagen 2.

islam-stop

Otras se pueden ver en este enlace de Diásporas Magazine

Estas palabras que escribo sólo pretenden ser un llamado a la responsabilidad de las llamadas élites simbólicas, de los que están en uso de la palabra con proyección colectiva (periodistas, profesores, políticos, escritores, etc.). Me temo que a los autores señalados (Herrera, Camacho, Fanjul) poco se le podrá pedir, pero sí es preciso que personas con los conocimientos suficientes o con, al menos, la intuición de que ese no es modo de proceder alcen la voz contra estas formas de injusticia: la de unos discursos que alimentan el odio, que polarizan, que se sitúan en una posición en la que pretenden hablar por todos (los europeos) y sólo están sirviendo a sus propios intereses de grupo social (clases dominantes), no a la humanidad misma y el deber y derecho que tienen los pueblos de entenderse, cooperar y convivir.

 

Ígor Rodríguez Iglesias es investigador de la Universidad de Huelva y la Universidad Autónoma de Madrid. Área: Lingüística, Estudios del Discurso.

Creó el primer grupo de bisexuales de la Argentina

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con la frente alta

Tras encumbrarla como una de sus máximas referentes, la militancia lésbica de los ’90 le dio la espalda, cuando se puso en pareja con un activista gay. Creó entonces el primer grupo de bisexuales de la Argentina y se fue del país poco después. La ley de matrimonio igualitario la trajo de regreso: volvió para casarse con su novia india. Alejandra Sardá, la revulsiva que contra su propia conveniencia rompió la crisálida del activismo L, cuenta lo que hizo y lo que sigue haciendo, veinte años después.

Imagen Sebastián Freire

Imagen Sebastián Freire

 

por Paula Jiménez España


Alejandra Sardá, ex integrante de Lesbianas a la vista y activista estrella de los ’90, tiene el pelo completamente blanco. Cuando vivió en Holanda –en parte por trabajo, en parte para convivir con Rádica, que quiere decir Luna, su novia india– descubrió esa belleza poco frecuente en la Argentina: rostros de mujeres todavía jóvenes iluminados por el plata de sus canas. Y decidió dejar de teñirse. Hace pocos años volvió a Buenos Aires y esta tarde, con su cabellera blanca, espera sentada en el café La Paz a que hagamos la entrevista. Tiene el gesto juvenil de entonces, la sonrisa inalterable y, como entonces, su hablar es claro, se entiende el porqué de su inolvidable paso por la militancia. Las cosas han cambiado –cuenta– pero no tanto: se puede decir que pese a haberse apartado del activismo Sardá no abandonó nunca el paño. Desde hace largo tiempo es coordinadora del Programa de fondos de mujeres de la financiadora Mama Cash –una entidad que subvenciona a grupos feministas o de derechos de las mujeres de todo el mundo– y previo a esto fue asesora de una iniciativa de AWID (Asociación para los derechos de la mujer y el desarrollo) que profundizó en el cruce entre fundamentalismo religioso y derechos, principalmente los sexuales.

¿Cómo definirías el fundamentalismo religioso?

–Es la instrumentación de una religión para adquirir o preservar poder político, que es poder económico. Toda religión tiene una parte espiritual, totalmente válida para quien la siente así, y tiene sus expresiones revolucionarias que van en contra del status quo, y que son brutalmente reprimidas. Y están también las expresiones que se acomodan a los poderes fácticos, son profundamente instrumentales y terminan siendo fundamentalistas. Tenés el fundamentalismo católico, evangelista, musulmán, judío, budista, de cualquier religión.

Y todas intervienen en la cuestión de la sexualidad. ¿De qué manera?

–Lo que se busca es poder político y económico, y uno de los elementos centrales es controlar la reproducción, porque la reproducción es la población. Entonces el sometimiento de las mujeres y la condena social a las minorías no reproductivas –olvidémonos por un momento de las maternidades alternativas y la reproducción asistida, pensemos con un esquema más tradicional– es lo que a esta gente le interesa. Quien decide quiénes se reproducen quiere que la mayoría “sana”, étnica o religiosa, se reproduzca para dominar el territorio y que la minoría “no sana” no lo haga. Para eso necesitás mujeres convencidas de que reproducirse es un deber, o sometidas para que no puedan legal y socialmente –por eso las leyes de aborto– tener proyectos que anulen o limiten su reproducción.

Pero el tema de las maternidades lésbicas, al menos en Occidente, se les escapa como posibilidad de control…

–Eso es para ellos de un nivel de aberración tal que directamente esa gente no tiene que existir. No vamos a discutir si se pueden reproducir o no: se tienen que curar. Casi todos estos fundamentalismos tienen dispositivos de “cura” de la homosexualidad. Las famosas clínicas en América latina están dirigidas por grupos religiosos. Donde esto ha saltado a la luz, en Ecuador, en Perú, en Brasil, siempre hay un grupo religioso ligado con ello. Hace muchos años se hizo un tribunal de derechos humanos en Lima sobre el tema de las clínicas en Ecuador.

¿Cómo ves el tema en Argentina, en relación con la elección del papa Francisco?

–Mi sensación es que en los últimos años se ha logrado un consenso social, sobre todo en el tema lesbianas, gays y bisexuales; la cuestión trans es otra cosa. Consenso al que no le afecta demasiado el Papa o el no Papa. Por supuesto que me van a decir: el crimen de Pepa Gaitán. Claro que sí. Nada es absoluto, toda sociedad tiene bolsones de violencia y los va a tener siempre. Pero la ventaja de ser una señora grande es que no puedo negar los cambios. Soy de la gente que marchaba y alrededor había un vacío. Ahora los partidos políticos tienen su idea de la diversidad sexual, una puede pensar que hacen teatro, pero por lo menos hacen teatro. Yo me casé con una chica, voy de lo más macro a lo más mínimo…

 

De criminales a señoras casadas

¿Tu pareja es de la India, no?

–Sí. Y estoy muy agradecida por la ley de matrimonio. Vivía en Holanda en 2010 y no sé si acá se habló de las parejas con doble nacionalidad, pero para nosotras fue la posibilidad de volver a la Argentina. En la India somos criminales, acá señoras casadas. Con Rádica vivíamos en Holanda por mi trabajo y porque nos quedaba en el medio. En Argentina, cada vez que me venía a ver no se podía quedar más de 45 días, y con muchos requisitos. Con la ley pudimos volver. El día que nos casamos había una parejita hétero en el registro, también casándose, y nos abrazamos los cuatro. Creo que la ley fue posible porque durante años mucha gente hizo un trabajo de hormiga para generar este nivel de convivencia social. En Argentina se montó por un desarrollo social y eso no puede cambiar por más que el Papa llegue a donde llegó.

¿Dónde conociste a Rádica?

–En una conferencia internacional, en Italia. Yo estaba con alguien, pero ¿viste cuando marcás a alguien y te decís: no por ahora? Trabajaba con un grupo de la India que se llamaba CREA y siempre me fijaba a ver si estaba Rádica en la lista de invitadxs, hasta que coincidimos por fin. Ella estaba en otra cosa cuando nos conocimos, tenía una relación complicada y no quería dos quilombos. Me vio y dijo: sólo puedo con uno. Pero esa segunda vez yo ya no era un quilombo y ella resolvió su situación rápido. Tuve varias experiencias alternativas y diversas de relaciones y llegó un momento que dije: no puedo. Es maravillosa la teoría, la sigo apoyando, admiro a la gente que lo logra, pero…

¿Estás hablando del poliamor?

–Sí. Yo lo hice mal, lastimando gente y perdiendo gente muy valiosa. Decidí en un momento que no tengo la capacidad. No vivo lo mío como una maravilla; es lo que cada una puede. Me parece válida la opción de no hacerlo si no se puede. Durante años tuvimos una relación a larga distancia, de la mitad del mundo a la otra. Lo que nos ayudó es que nos encontramos con más de cuarenta años ambas y muchas cosas vividas, algunas hermosas y otras no. Y nos preguntamos profundamente: ¿justifica esto que hagamos tremendo quilombo y tragedia?

¡Parece que sí! ¿Vos viviste también en la India?

–Pasé seis meses allá y todos los años voy porque para mí es mi segundo país. Tengo amigas maravillosas y la familia de Rádica es una rara avis. El papá y la mamá son de dos religiones diferentes –que eso es una cosa muy revolucionaria– y el de ellos fue un matrimonio por amor, hace más de cincuenta años. Allá se suelen arreglar los matrimonios. Ellos son gente con una mentalidad no estándar y a mí me tratan como a una hija. La India ya tuvo sus primeras marchas del Orgullo. Yo estuve en la primera, en Delhi, y éramos pocas personas. Había feministas aliadas y gente del VIH. Allá hay una ley que penaliza la sodomía y se aplica mezclada con una cuestión de clase, como acá los edictos policiales; es una ley anacrónica que jamás se va a aplicar a una persona de clase media, pero es un instrumento de la policía para proceder contra las personas trans, sobre todo contra las trabajadoras sexuales. Crimen y castigo

¿Vos por qué te alejaste del activismo Glttb?

–Sinceramente la cuestión de los niveles de agresión pudo conmigo y con mucha gente. Llega un momento en que es muy fuerte esto de destruirnos no sólo a nivel político sino también personal. Es un activismo personal, no estás defendiendo los bosques sino cosas de tu propia vida. Y no soy una pobre víctima. He dañado a mucha gente también, es una dinámica de relacionamiento. No sé si esto continúa pasando. Lo he hecho y me lo han hecho a mí. Tiene que ver con el verticalismo, con la desesperación, con la marginación, con la intolerancia.

Eras activista lesbiana y empezaste a salir con un activista gay. Esto fue un problema para vos por la inflexibilidad de las organizaciones de los años ’90, ¿verdad?

–De las organizaciones y de las personas. Además tiene que ver con otra dinámica de nuestro movimiento, que es la cuestión de las figuras que ocupan un lugar de referente. Yo terminé huyendo de eso. Que te pongan en ese lugar es devastador, porque tu vida te deja de pertenecer. Hubo gente que por ese episodio me decía: no te puedo mirar porque vos eras un referente para mí. Yo pensaba: ¿y qué culpa tengo? Hoy en día la gente moriría de risa. Una cosa que me fascina de lxs jóvenes es la posibilidad de no definirse, esto de la fluidez del deseo. Lo más gracioso es que cuando a mí me pasó llevaba años fuera del closet y nadie podía decirme, como me decían, que no me animaba a asumirme como lesbiana. ¡Es ridículo! En ese momento la única gente que no se asustó fue la gente trans, porque imaginate que con las cosas que les pasan en la vida por lo que menos se preocupan es por quién se acuesta con quién. Hay cosas más serias que eso.

A partir de ahí abriste el primer grupo de bisexuales que hubo en el país…

–Sí. En aquella época nosotras no teníamos noción del poder de los medios. Le pasó a Ilse con las lesbianas y a mí con la cuestión bisexual. Fui a un programa de televisión a hablar y di el teléfono de mi casa. Yo era psicóloga y no paraba de sonar el ring, me acuerdo de cómo me miraban mis pacientes. Se armó un grupo, la cosa se abrió y después hubo otra gente que lo retomó, y hoy es un tema que no asusta a nadie, por suerte. Y para mí es una bendición. Yo milité para que las cosas por las que militaba desaparecieran. Que nadie se asuste porque alguien sea bisexual me parece un logro del activismo, no un logro mío sino de mucha gente, incluso de la gente joven que ni siquiera se pone el cartel de bisexual, que me parece mejor todavía. A mí, en cambio, me tocó la prehistoria, donde era todo un escándalo.

Al poco tiempo te fuiste del país, ¿verdad?

–En ese momento me cayó del cielo una oferta para trabajar en una ONG internacional y sentí que si hacía de mi activismo mi trabajo iba a estar protegida, porque en un trabajo una no pone tanto la piel. Y esto me llevó años entenderlo. Antes el activismo era lo que se hacía a la noche y los fines de semana, con el alma. Y como era el amor y la pasión y la vida, te mataba. En cambio, en el laburo los mecanismos eran más racionales y también había reglas de juego. Si a mí una jefa me insultaba, como yo era una empleada, las leyes laborales me defendían; en cambio, en los grupos de lesbianas, no tenía nada. Hay gente que se ha ocupado de investigar –y esto también es muy interesante– cómo el poder informal puede llegar a ser mucho más despótico que el formal.

 

Activismo de ayer y de hoy

 

Antes mencionaste, respecto de la Argentina, que la cuestión trans es otra cosa. ¿A qué te referías exactamente?

–La ley que tenemos es maravillosa, pero está treinta años por delante de nuestra sociedad. Las aberraciones que la gente dice de las personas trans… Siempre hubo una cuestión de clase en el activismo trans que no la hay con el resto del activismo. Yo misma en mi época sabía que era una persona “potable” y usé conscientemente esto para hacer visibles los temas que nos importaban.

¿Ser potable significa ser blanca, de clase media, profesional..?

–Por supuesto. Ahora hay espacio para una diversidad de voces, de cuerpos, de todo. Pero en algún momento tenía sentido estratégico que hubiera gente “potable” porque había que abrir puertas y no quiere decir que una fuera mejor. Claro que cuando tenés esa condición de “potabilidad” es importante que te cuides de no obstruir otras voces. Porque hay un momento en que esas voces tienen que dar un paso al costado y compartir el espacio con las otras.

¿Y cómo ves el activismo actualmente?

–A mí me gustaría estudiar la relación entre el activismo y el Estado. Yo he escuchado gente de mi época decir con una concepción cavernícola: ahora ya no hay activismo, lo único que hay son empleados del Gobierno. Si decís eso estás descalificando lo que hace la gente ahora que está militando en condiciones completamente distintas de las nuestras. Para mí está pasando una cosa más compleja e interesante.

¿Y qué dirías que está pasando?

–Entre otras cosas, hay subsidios que vienen del Estado y es algo que hace veinte años era impensable. Es cierto también que hay mucha gente que, como el Estado encarna banderas de su lucha activista, siente que puede llevarla adelante siendo parte del Estado, esto es algo nuevo para el movimiento lgttb. Nosotros cuando empezamos teníamos a Menem, no había alternativa más que enfrentarlo. Yo a este gobierno no lo enfrentaría. Entonces me intriga y me gustaría saber cómo se reformula esto. Las instancias de negociación son otras. A mí lo que me alarmaría sería si eso que me parece en principio positivo –unir la lucha de sector a una lucha más amplia– implicara restricciones para el colectivo glttbi. Como persona rasa no tengo esa información. Ojalá no pase. Durante mucho tiempo he sido parte de esa gente que defendió en espacios regionales la inclusión de lxs activistas de Cuba porque para muchas organizaciones no podían formar parte por ser consideradxs funcionarixs del Gobierno. Todo el mundo está subvencionado por algo, salvo un colectivo anarquista que está subvencionado por la gente que compra sus fanzines. Lo que hay son grados de dependencia y todo depende de quién te subvenciona y qué te exige. Y además como ahora trabajo en sector de financiamiento, de esto sé algo.

¿Son muchas las organizaciones de lesbianas que reciben financiamiento de Mama Cash?

–Tenemos limitaciones porque nosotras damos financiamiento en todo el mundo. Las lesbianas son prioridad y también los grupos trans, incluidos los hombres trans. Esto para un fondo feminista ha sido una lucha. Es una de las cosas que a mí me endilgan. Me consideran un arma del capitalismo para desfinanciar el movimiento lésbico y darle todo el dinero al Ostram. Por supuesto que no, que jamás me he ocupado de esto. Primero no tengo ese poder, segundo, que tampoco lo haría. Pero sí es cierto que una de las primeras cosas que me interesaron trabajar en esta área fue concientizar a las financiadoras feministas para empezar a separar feminismo de “mujerismo” y que entendieran que apoyar a los movimientos que cuestionaban la concepción binaria de género era parte de nuestra agenda. Con muchxs compañerxs, como Lohana Berkins y Mauro Cabral, trabajamos mucho con los fondos de mujeres que hoy en día financian personas trans y con las financiadoras de derechos humanos y progresistas.

¿Cómo han influido los avances en materia de género para las políticas financiadoras?

–El mundo de hoy es complejo, ya no podemos seguir hablando de “apoyamos a las mujeres”. Si apoyamos a las mujeres podemos llegar a apoyar a las que están contra el aborto. Tenemos una agenda feminista, de género y derechos humanos. Hay que cuantificar todo mucho. Porque agenda de género también es cualquiera. Ya no alcanza con decir mujeres, o género. Es muy interesante, las cosas ya no son tan lineales.

Eleitores de Aécio Neves citam beleza de Letícia Weber como justificativa de voto

beleza

Portal Ig = As eleições dominaram as redes sociais e os chamados memes, que ganharam fama pelas inteligentes sátiras com o dia a dia e trejeitos dos candidatos, viraram plataformas para o discurso do ódio no entorno da disputa presidencial. A última e triste campanha de milhares na internet defende o voto por “gente linda no poder”, usando o casal Aécio Neves, candidato do PSDB, e a possível primeira-dama e ex-modelo Letícia Weber como acessório de beleza ao Palácio do Planalto.

“Chega de feiura! Queremos gente linda no Planalto”, defende a postagem de Handel Araujo, que exibe em seu perfil do Facebook centenas de memes do tipo. Publicada no dia 3 de outubro, dois dias antes do primeiro turno das eleições, o post recebeu 3.327 compartilhamentos e ganhou aplausos de outros eleitores, que comemoravam “uma primeira-dama à altura do Brasil”.

Em outras situações, eleitores exaltam ainda o lado “conquistador” de Aécio, chamado de “herói nacional” pelo seu histórico de relacionamentos amorosos com belas mulheres da televisão brasileira, como a atriz Ana Paula Arósio, a modelo Gisele Bündchen e a ex-miss Brasil Natália Guimarães. “Se a nossa presidente é feia que dá até pena, o provável rival dela nas eleições deste ano já passou o rodo em dez beldades de dar inveja até em artistas globais”, defende o usuário como argumento de voto. Muitos encerram suas discussões nas redes apostando em eleger o candidato que teria uma vida sexual ativa, pois “quem transa governa melhor”.

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A Intolerância nas redes

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As eleições 2014 ficaram marcadas pelas participações das redes sociais, que muitas vezes chocaram pelo seu conteúdo de ódio, provocando até possíveis processos na Justiça contra crime de xenofobia e racismo. É o caso da onda de manifestações contra nordestinos e eleitores do PT, classificados como “pobres menos informados” pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso logo após os resultados do primeiro turno, que definiu a disputa pela Presidência entre Aécio e Dilma.

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OS FEIOS NORDESTINOS BOAS-VIDAS

OS FEIOS NORDESTINOS BOAS-VIDAS

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O comentário aumentou a disputa partidária dentro do País, criou um cenário “nós contra eles” e incentivou o ódio ao PT, gerando um surto de mensagens preconceituosas contra nordestinos, nortistas, negros e beneficiários dos programas sociais do governo federal. Uma das manifestações mais polêmicas foi a comunidade “Dignidade Médica”, hospedada no Facebook, que pregou um “holocausto contra nordestinos”. O grupo foi revelado pelo iG e reúne quase 100 mil usuários que se declaram da classe médica brasileira.

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Na mesma semana, a Procuradoria Geral da República (PGR) abriu uma frente de investigação e recebeu 85 denúncias de atos de preconceito contra nordestinos pela internet. As acusações são analisadas pela Procuradoria da República do Distrito Federal (PRDF), que pode instaurar um procedimento investigatório. Autores de posts discriminatórios estão passíveis de responder pelo crime de racismo. O delito é previsto no art. 20 da Lei 7.716/89 e pode render a pena de dois a cinco anos, mais multa. Além do racismo, internautas podem ser autuados em crimes de incitação pública à prática de ato criminoso, com pena de prisão de 3 a 6 meses, mais multa.
“Preconceito está entranhado na sociedade”

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Em entrevista ao iG, a psicóloga Luciana Ruffo, especialista do Núcleo de Pesquisas e Psicologia em Informática da PUC-SP, avaliou o comportamento do brasileiro nas redes sociais após os ataques aos nordestinos. Para ela, a interação online encoraja e valida opiniões como uma espécie de palanque na internet. A fantasia do anonimato, a desinformação de que poderá responder criminalmente pelo conteúdo com o rastreio do IP (endereço eletrônico) e a certeza de impunidade estimulam o compartilhamento de opiniões preconceituosas e racistas. “As pessoas se sentem mais corajosas para falar grandes absurdos”, disse na ocasião.

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Luciana aponta ainda que os preconceitos diários estão longe de ser exclusivos das redes sociais ou mesmo do período eleitoral. “Comentários preconceituosos ocorrem diariamente, é algo entranhado na sociedade e acontece em grupos de pessoas que compartilham a mesma ideia. Mas quando cai na web, outros tomam consciência e gera uma repercussão enorme”, analisa a psicóloga, que classifica as denúncias como consequência positiva da convivência entre diferentes classes sociais.
Heltron Xavier · Médico Anestesiologista na empresa Skopia Clínica
E quem é que gosta de gente feia gente? Ora, processem os jornais, as empresas de marketing, as recepcionistas, as agencias de modelos e todo o mais. Faz parte da figura pública, faz parte do ser humano gostar e admirar a beleza. Agora é proibido gostar mais de mulheres bonitas?

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