PORTUGAL Manifestação de Apoio ao Povo Grego – OXI, OXI, OXI!

Manifestação de solidariedade em Lisboa

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A manifestação de apoio ao povo grego juntou este sábado mais de mil pessoas. O cortejo partiu do Príncipe Real para o Largo Jean Monnet, onde se encontra a representação da UE em Portugal. “O combate que hoje se vive é pela própria Democracia e pela Europa e nós escolhemos a solidariedade com o povo grego e a Europa dos povos e não a da dívida e dos mercados”, diz o texto que convocou a manifestação. A porta-voz do Bloco, Catarina Martins, e o líder parlamentar Pedro Filipe Soares também marcaram presença nesta ação de solidariedade em Lisboa. Veja

Fotos de Paulete Matos

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A abdicação da democracia

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Os gregos estão a ser punidos por terem tido um atrevimento intolerável: acreditaram na possibilidade de combinar Europa e democracia.

 Artsenal

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por José Soeiro

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“A inflexibilidade negocial de Bruxelas, e os sucessivos “diktats” de Berlim, mostram que a U.E. passou a ser ‘uma ditadura sobre democracias’. (…) É difícil de acreditar que em todas as reuniões de Bruxelas o resultado tenha sempre sido de 18-1. Onde estão os moderados? Onde os membros da Internacional Socialista? Onde os poucos Democratas Cristãos que ainda restam?

As palavras são de Freitas do Amaral, numa sessão realizada ontem à noite. E assinalam uma perplexidade que é cada vez mais ampla. Se há coisa que ficou clara nos últimos dias foi que as instituições europeias nunca procuraram verdadeiramente nenhum acordo para a Grécia. O que está em causa não é encontrar uma solução que seja aceitável por ambas as partes. Do que se trata é de procurar substituir um Governo eleito que teve a ousadia de desafiar a atual doxa europeia. O valor do desacordo inultrapassável, dizem-nos, é de 600 milhões de euros. Ou seja, uma migalha no orçamento europeu (uma migalha, até, para o orçamento português). Não é pois por coisa tão pouca que não se alcança um acordo. É uma razão política mais profunda: Berlim e Bruxelas não toleram que haja um governo que tem outras soluções. Por isso entraram em campanha – usando todas as armas e em força.

Em primeiro lugar, a chantagem financeira. A decisão do Banco Central Europeu de fechar a torneira e de pôr em causa a liquidez dos bancos, obrigando ao controlo da fuga de capital e às limitações nos multibancos, é uma medida puramente política. Nunca essa decisão foi tomada relativamente à Irlanda e a Portugal. Por uma razão simples: eram governos “amigos”. O objetivo é por isso criar um clima de medo para condicionar o referendo. O que torna explícito que as instituições europeias se tornaram facilitadores dos governos de direita e mecanismos de embargo a qualquer projeto alternativo.

Em segundo lugar, a comoção seletiva. O que dizer do coro de comentadores e responsáveis políticos que se mostram condoídos com o facto de os gregos só poderem levantar 60 euros por dia nas caixas multibanco (ou seja, 1.800 euros por mês em dinheiro de bolso, porque todas as operações e pagamentos multibanco se mantêm) quando, ao mesmo tempo, defendem que é obrigatório cortar as pensões que já foram reduzidas em 62%? A comoção pública é assim um biombo da hipocrisia: onde estava ela, afinal, quando os gregos faziam fila para a sopa dos pobres ou para as clínicas solidárias improvisadas, depois de os planos de austeridade terem condenados milhares à pobreza e terem expulsado 3 milhões do acesso a cuidados de saúde?

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Vários prémios Nobel da economia, como Stiglitz e Krugman, têm explicado que a proposta das instituições é inaceitável precisamente porque vai prolongar a miséria e por isso apelam ao não no referendo

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Em terceiro lugar, a distorção. Nas televisões, sucedem-se reportagens sobre a miséria na Grécia, que sugerem que esse é o “país” criado pelo Syriza, cujo governo tem meia dúzia de meses. Curioso não apresentarem essa miséria como o resultado de anos de austeridade, ou seja, da aplicação da receita na qual as instituições insistem agora e que o Governo grego procura evitar. Vários prémios Nobel da economia, como Stiglitz e Krugman, têm explicado que a proposta das instituições é inaceitável precisamente porque vai prolongar a miséria e por isso apelam ao não no referendo. Krugman classificou mesmo o comportamento dos governos e credores como “um ato de loucura monstruosa”.

Por último, a manipulação. Continua a dizer-se que os gregos “já receberam muito dinheiro” da Europa e que não quiseram é fazer reformas. Não vale a pena perder demasiado tempo a argumentar. Um gráfico da TVI, a partir de dados do Financial Times, tem desmentido essa narrativa enganadora: dos 240 mil milhões recebidos pela Grécia, só 10% foi dinheiro disponível para o Governo grego. 90% foi para ajudas aos bancos e para pagar juros à Alemanha e à França.

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Dos 240 mil milhões recebidos pela Grécia, só 10% foi dinheiro disponível para o Governo grego. 90% foi para ajudas aos bancos e para pagar juros à Alemanha e à França

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Quando, em 1957, foi debatido o tratado de Roma que criava o mercado comum europeu, o socialista francês Mendès-France (primeiro-ministro nos anos 50), dizia na Assembleia Nacional: “a abdicação da nossa democracia pode ser conseguida de duas formas. Pelo recurso a uma nova ditadura interna pela concentração de todos os poderes num homem providencial, ou pela delegação desses poderes a uma autoridade externa, a qual, em nome da técnica, exercerá na realidade o poder político. Porque em nome de uma economia saudável facilmente irá impor uma política orçamental, social e finalmente uma ‘política’ no sentido mais abrangente do termo, nacional e internacional”.

Na verdade, é isso que se está a passar. Há um ultimato financeiro para derrotar qualquer vislumbre democrático. Os gregos estão a ser punidos por terem tido um atrevimento intolerável: acreditaram na possibilidade de combinar Europa e democracia.

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Eusébio

Portugal

Portugal

Eusébio da Silva Ferreira – maior expoente de todos os tempos da Seleção de Futebol de Portugal – morreu às 4h30 de 5 de janeiro de 2014, em Lisboa, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Ele já apresentava sinais de saúde debilitada desde que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em junho de 2012.

O Pantera Negra, como era conhecido no mundo futebol, teve carreira profissional quase toda no clube Benfica, de Lisboa, e na seleção portuguesa. Foi eleito o melhor jogador do mundo em 1965, quando ganhou a Bola de Ouro, e escolhido Bota de Ouro em 1968 e em 1973.

Na Copa do Mundo de Futebol de 1966, na Inglaterra, foi considerado o melhor jogador da competição, quando marcou nove gols, levando o time de Portugal ao terceiro lugar da Copa.

Eusébio nasceu em 25 de janeiro de 1942, na cidade de São Lourenço Marques (atual Maputo), em Moçambique, na África – ex-colônia portuguesa.

Nada será como dantes

por Rui Bebiano

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Foram grandes as expectativas criadas em Portugal com a vitória do Syriza nas eleições do passado Janeiro. A direita no governo, apoiada por uma maioria dos órgãos de comunicação transformada em caixa-de-ressonância, rapidamente desenhou os piores cenários, considerando-a um erro de avaliação da parte dos gregos – obviamente entendidos como crianças grandes, politicamente menorizadas –, e antevendo, como consequência, o incumprimento do pagamento da dívida, tal como a saída da Grécia do euro ou mesmo da União Europeia. Ao mesmo tempo, um sobressalto transversal foi partilhado pela quase totalidade da esquerda e do centro-esquerda, traduzido numa visível simpatia pelo novo governo de Atenas e por alguns dos seus protagonistas, bem como num apoio expresso ou tácito às suas escolhas.

Foi assim que alguns militantes e dirigentes do Partido Socialista, bem como muitos dos seus simpatizantes e presumíveis votantes, exultaram publicamente com aquela vitória, embora, como era de esperar, desde o início outros a temessem ou rejeitassem de forma liminar. Foi assim que o PCP, sem apoiar expressamente o Syriza, se eximiu de o criticar, ao contrário daquilo que, como é sabido, tem feito o KKE, o Partido Comunista da Grécia, que o combate por lhe atribuir um papel de mera «muleta do capitalismo». Foi assim também que a nossa «esquerda da esquerda» apoiou incondicionalmente a experiência grega, assumindo como suas as suas escolhas, por muito que algumas delas, em particular aquelas que têm privilegiado os fatores de unidade e de moderação, sejam estranhas a muitas das suas opções políticas internas.

Aquilo que ninguém nesta área política fez foi, porém, prever a forte possibilidade da experiência grega falhar, suscitando uma onda de choque capaz de mergulhar no desânimo e de deixar sem um vislumbre de saída otimista, quem, por um exercício de vontade, numa primeira fase participou dessa exaltação quase unanimista. À hora a que escrevo ninguém poderá, é um facto, salvo se enveredar por um inútil exercício de adivinhação, traçar o desfecho desta etapa dramática da história da Grécia. Mas uma coisa é certa: todos, cá e lá, estamos a experimentar um banho de realismo, uma vez que poucas coisas aconteceram como o previsto. Um banho cujos efeitos na nossa perceção da coisa pública – e da relação da esquerda com a conquista e o exercício do poder na Europa de hoje – se encontra ainda por avaliar.

A dimensão do recuo do Syriza, tal como a das fraturas que por esse motivo este irá inevitavelmente conhecer, é ainda desconhecida. Como o é a capacidade do povo grego para conservar nas circunstâncias presentes o seu capital de esperança. Mas uma coisa é segura: uma vez mais está a ficar provado que não é possível moldar o curso da história apenas por um exercício de vontade ou com recurso a gestos de bravura. O que força sempre a procurar novas vias para reduzir os danos e evitar o pior, agregando forças de forma aberta e criativa com base no que é prioritário para a vida das pessoas e dos Estados. Governar a direito, essencialmente a régua e esquadro e na rejeição da democracia, tentaram-no Hitler ou Estaline, com os resultados que se conhecem. Só ao procurar consensos, unindo o que houver a unir, se poderá conhecer o modo de evitá-lo. Neste domínio o Syriza tem sido exemplar. Pelo menos até agora.

Aprendamos a dançar sem medo

por Tiago Mota Saraiva

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109 mil soldados para uma população de 10 milhões de habitantes. 10 militares por mil habitantes. É o país com o rácio mais alto da Europa (França tem 3,5, Espanha 2,5, Portugal 3,1). Nos últimos dez anos, 4% do PIB foi gasto na defesa, o dobro do que a NATO, sempre empenhada em pressionar aumentos orçamentais nesta área, recomenda. Dos países da NATO, somente os EUA gastam mais em percentagem do PIB. Neste mesmo tempo histórico, este país importou equipamento militar no valor de 12 mil milhões de euros. Entre 2005 e 2009 foi o quinto maior importador de armas do mundo. Nas suas fileiras conta com 1620 blindados, mais do que Alemanha, França e Itália juntas.

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Este país é a Grécia e estes números foram revelados esta semana pelo “Público” espanhol. Mas há mais um dado particularmente relevante. Grande parte da despesa grega em armamento foi realizada com a Alemanha e França, 4 mil milhões e 3 mil milhões, respectivamente. Segundo o “Guardian”, em 2012, as vendas de armamento para a Grécia representavam 15% do total de exportações alemãs nestas áreas. Yorgos Papandréu, assessor do primeiro-ministro grego entre 2009 e 2011, declarou que ninguém lhes dizia para comprar armas, mas que a UE ficava sempre mais solícita se o fizessem.

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O actual braço-de-ferro entre os donos disto tudo e a Grécia não é apenas decisivo para o povo grego. Se a Grécia claudica e aceita o acordo que a pretende vergar e castigar por ameaçar levantar a cabeça, perdemos todos. Se o povo grego rejeitar o acordo, abre-se uma frente que terá de ter correspondência, em Portugal, muito além dos ineficazes manifestos de militante solidariedade. Depois da Grécia, estamos na linha da frente deste plano de extorsão e empobrecimento. Passará por todos nós a decisão de continuar de cabeça baixa à espera dos novos cortes nas pensões/ordenados e aumentos do IVA, ou ganhar coragem e perder o medo.
Não há saídas fáceis. Todos os caminhos de fuga estão armadilhados, mas quanto mais nos deixarmos afundar neste buraco, mais dura será a saída.

(publicado ontem no jornal i)

[Apenas a Polícia Militar de São Paulo, um dos maiores exército do mundo, possui um efetivo de cem mil soldados]

 

Paralíticos Gregos vs Donas de Casa da HSBC

por Rui Curado Silva

 

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Ouvimos José Rodrigues dos Santos a fazer eco das vozes que apontam como principal problema da crise grega exemplos como o dos falsos paralíticos. O argumento cola bem quando se quer atiçar pobres contra pobres, mas a verdade é que o subsídio atribuído aos falsos paralíticos que enganavam fisco grego não se compara nem de perto nem de longe com o roubo gigantesco das “donas de casa” da HSBC. Dona de casa era uma das profissões virtuais declaradas por clientes do HSBC que na verdade eram industriais, artistas, jornalistas, princesas, traficantes de armas ou de droga. É esta diferença de campeonatos entre os paralíticos e as donas de casa que ajuda a compreender melhor a crise grega. As contas “especiais” (contas artilhadas para fugir ao fisco) do HSBC relacionadas com a Grécia ascendem a mais de 2,3 mil milhões de euros (~2,6 mil milhões de dólares). Por exemplo, um dos apanhados, o grego Lavrentis Lavrentiadis tinha sete contas no HSBC com ligações a outras contas bancárias (paraísos fiscais) onde detinha 4,6 milhões de dólares. O senhor Lavrentiadis não era paralítico, mas em 2012 foi acusado de fraude, lavagem de dinheiro, participação em associação criminosa e de emprestar a si próprio, cerca de 600 milhões de euros, através de um banco do seu próprio grupo. Esteve 18 meses em prisão preventiva e vai ser julgado em março deste ano.
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Em Portugal, as denuncias de fraude favoritas dos ultraliberais são os beneficiários do rendimento de inserção, os desempregados e pessoas de baixa. São eles que destroem o estado, são eles que desmotivam a sociedade, não querem trabalhar, fomentam preguiça, etc. Ora, em média o rendimento de inserção é da ordem dos 90€ mensais. Só o montante total das contas especiais da HSBC relacionadas com Portugal ascendem a cerca de 850 milhões de euros, ou seja cerca de três vezes o orçamento de estado para o rendimento de inserção. E convém sublinhar que a fraude das contas especiais do HSBC é apenas uma pequena parte da fraude fiscal relativa a esse anos.
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A grande preocupação dos ultraliberais são as migalhas, porque o bolo já é deles.

O Brasil festeja: Fernando Tordo está residindo no Recife

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Está no Brasil Fernando Tordo, que escolheu a cidade do Recife para residir. Que seja bem-vindo. É uma presença que enobrece Pernambuco.

In Wikipédia: Fernando Travassos Tordo é um cantor e compositor português. Compôs algumas das músicas mais emblemáticas do cancioneiro da língua portuguesa com o poeta José Carlos Ary dos Santos entre elas “Tourada”, “Estrela da Tarde”, “Lisboa Menina e Moça”, “Cavalo à Solta”, “Balada para os Nossos Filhos” e “O Amigo que eu canto”. Os seus temas são cantados por intérpretes como Carlos do Carmo, Mariza, Carminho, Amor Electro, Simone de Oliveira entre outros. Venceu também o Festival RTP da Canção em 1973 com “Tourada” e em 1977 com “Portugal no Coração”. É considerado uma figura tutelar da música Portuguesa pela extensão e originalidade da sua obra.

Tordo começou a cantar aos 16 anos, passou pelos Deltons e pelos Sheiks, em 1968, na sua parte final. onde substituiu Carlos Mendes. Participou no Festival RTP da Canção de 1969 onde interpretou o tema “Cantiga”. Nesse mesmo festival conheceu o poeta Ary dos Santos. Foi um dos vencedores do Prémio Casa da Imprensa como cançonetista e compositor (“pela riqueza harmónica, melódica e rítmica dos trabalhos gravados em disco”).

Em cerca de 38 anos de carreira, Tordo editou 28 discos, fez milhares de espectáculos, manteve-se fiel a um estilo e conseguiu sucessos que perduram.

Alguns dos seus temas mais conhecidos são “O café” (Tordo/Ary dos Santos), “Tourada” (Tordo/Ary dos Santos), “Cavalo à solta” (Tordo/Ary dos Santos), “Balada para nossos filhos” (Tordo/Ary dos Santos), “Estrela da tarde” (Tordo/Ary dos Santos), “Novo fado alegre” (Tordo/Ary dos Santos), “Adeus Tristeza” (Tordo), “O rato roeu a rolha” (Tordo), “Açores a cores” ” (Tordo), “O dia do mar” (Tordo), “O meu bairro” (Tordo), “Cinema Paraíso” (Tordo), “Chegam palavras” (Tordo), O homem do jazz” (Tordo) e “Em Timor” (Tordo/João Balula Cid). Leia mais

 

CARTA AO FILHO JOÃO TORDO

O cantor português Fernando Tordo, que está morando no Recife, escreveu carta  ao filho, também famoso, o escritor João Tordo

 

João Tordo

João Tordo

 

CARTA AO FILHO

por Fernando Tordo

Magoaram-te. Não a mim, cinquenta anos de tudo e mais alguma coisa. Magoaram-te porque achas estranho que se diga de um tipo, que para mais conheces bem, o que algumas pessoas disseram e continuarão a dizer.

Perante a tua carta que a Eugénia e teu irmão Francisco Maria me encaminharam, o que é fica? Tentação de devolver os insultos com o vernáculo que bem me conheces e és admirador? Não. O que fica, meu querido filho, é a tua carta.

Tenho tanto que fazer, aqui. Por todos vocês. (Grande fotografia que a tua irmã Joana me mandou) ela e os meus netos, aqueles sorrisos.

Não entristeças, João. Temos dado o melhor de nós e isso não admite gentinha; só aceita dignidade e respeito por vidas que se dedicaram e dedicam não porque têm talento, mas sim porque têm aquele mistério revelado de poderem escrever uma carta como a tua.

Beijo do teu pai fernando.