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O prémio Pritzker 2012 foi atribuído a uma obra que “abre novos horizontes ao mesmo tempo que ressoa com o lugar e a memória” – foi com estas palavras que o júri daquele que é considerado o Nobel da arquitectura justificou ontem a escolha este ano do arquitecto chinês Wang Shu.

Jovem, com apenas 48 anos, e com obra construída unicamente na China, Wang Shu – que fundou com a sua mulher, Lu Wenyu, o atelier Amateur Architecture Studio – é um arquitecto relativamente pouco conhecido fora do seu país.

“É bastante inesperado”, comenta Ricardo Carvalho, crítico de arquitectura do PÚBLICO. Mas, lembra, “também Eduardo Souto de Moura [o arquitecto português que recebeu o Pritzker de 2011] era conhecido apenas num certo meio, entre arquitectos, e Wang Shu tem um pouco o mesmo perfil. São prémios a falar de uma outra visão sobre o mundo, de uma qualidade local e não necessariamente que sirva a qualquer lugar.”

Trata-se de um prémio que “tem claramente a ver com o momento chinês”, e que é, ao mesmo tempo, “uma crítica a esse momento”. Isto porque, quando se olha para a obra de Wang Shu, percebe-se claramente que “no contexto chinês ela é muito diferente da espectacularidade e do kitsch” de muito do que se tem construído naquele país, “é muito mais arcaica, com a ambição de ser perene”.

O júri do Pritzker – presidido por lorde Palumbo e que integrava, entre outros, o arquitecto chileno Alejandro Aravena, o chinês Yung Ho Chang, a britânica Zaha Hadid, Pritzker de 2004, e o australiano Glenn Murcutt, Pritzker 2002 – assume isso mesmo: “O facto de ter sido escolhido um arquitecto chinês supõe um importante passo no reconhecimento do papel que a China vai desempenhar no desenvolvimento dos ideais arquitectónicos. Além disso, o êxito do urbanismo chinês nas próximas décadas será importante não só para a China mas para o mundo inteiro.”

Aravena di-lo claramente: “Há questões significativas ligadas ao recente processo de urbanização na China – se deve ser ancorado na tradição ou se deve olhar para o futuro. Como em qualquer grande arquitectura, o trabalho de Wang Shu consegue transcender esse debate produzindo arquitectura que é intemporal, profundamente enraizada no seu contexto e no entanto universal.” E Yung Ho Chang reforça a mesma ideia ao afirmar que a obra de Wang “mostra que a arquitectura na China é mais do que a produção em massa da banalidade que responde ao mercado e de reproduções do exótico.”

Para se conhecer a arquitectura de Wang Shu é necessário ir à China e, sobretudo, à região de Hangzhou, onde está a maioria dos trabalhos – entre os mais conhecidos conta-se o Museu Histórico de Ningbo, um edifício em pedra, com pequenas aberturas rasgadas de forma incerta, e uma estrutura “quebrada” em vários pontos. É um edifício com “uma dupla condição”, descreve Ricardo Carvalho. “Tem formas perfeitas mas ao mesmo tempo parece quase inacabado.”

Trabalho artesanal

Autor dos pavilhões da China na Expo de Xangai e na Bienal de Veneza de 2006, Wang Shu fez vários edifícios públicos, entre os quais o Campus Xiangshan da Academia Chinesa de Arte, mas também as delicadas casas sobre água conhecidas como Five Scattered Houses, em Ningbo.

Wang Shu tem uma relação muito próxima com o trabalho dos artesãos. Nascido em 1963 em Urumqi, na província de Xinjiang, filho de um músico e carpinteiro amador e de uma professora, parecia destinado a ser artista plástico ou escritor. Mas os pais aconselharam-no a estudar ciências ou engenharia e ele optou por uma via intermédia – a arquitectura. Depois de se formar, foi trabalhar, no início dos anos 90, com artesãos e construtores para aprender tudo sobre técnicas de construção, sobretudo na recuperação de casas antigas.

“Escolhi o trabalho artesanal e o espírito amador em vez do sistema”, disse. “Eu desenho uma casa em vez de um edifício. Um dos problemas da arquitectura profissional é pensar demasiado no edifício. Uma casa, que é mais próxima da vida simples e quotidiana, é mais fundamental do que a arquitectura.”

Thomaz Babibi

Thomaz Babibi

A provinciana Natal, no início do século 20, não passava de um pequeno e irregular aglomerado urbano com pouco mais de 20 mil habitantes espalhados entre Rocas/Ribeira, Cidade Alta e Petrópolis. Os bondes estavam começando a circular pela cidade, e as rotas aéreas dominadas por dirigíveis e, posteriormente por hidroaviões, só viriam a se consolidar na década seguinte – nos idos anos 1920. E é dentro desse contexto que desembarca na capital potiguar, aos 22 anos, o italiano Thomaz Babini (1885-1949).

“Thomaz Babini conheceu e se encantou com Natal, onde morou por mais de 30 anos”, disse o professor e pesquisador Cláudio Galvão. “Constituiu família por aqui, e isso acabou segurando ele na cidade”, acredita Galvão. O pesquisador considera Babini um multiplicador de talentos: “Foi o único professor de violoncelo do RN durante todo o tempo que viveu em Natal, e formou muitos nomes que hoje estão entre os principais expoentes da música clássica deste instrumento.”

Thomaz Babini trabalhou como professor na Escola de Música do Teatro Carlos Gomes (Alberto Maranhão) e na Escola Doméstica. Também ensinava nas casas das famílias tradicionais da época, período que o piano era presença fácil entre a mobília das residências dos mais abastados.

Leia reportagem de Yuno Silva

Talis Andrade: Minha mãe estudou na Escola Doméstica. Não sei se foi aluna de Babibi. Do pai, Nestor Marinho, que foi deputado estadual, ganhou o presente de um piano alemão.

De (Norma) Celícia, a eterna lembrança: tocar piano e ler seus prazeres preferidos.

O nome Celícia foi indicação do tio, padre Bianor Aranha, considerado um dos principais oradores do Brasil.

Nome que detestava. “Lembra cilício“.

Padre Bianor escandalizou Natal em uma procissão. A do Desterro ou do Encontro. Que a Igreja Católica realiza com as imagens do Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores.  Uma herança portuguesa do século XVI, para refazer e refletir os passos de Cristo rumo ao Calvário.

- Quem é esta mulher vestida de branco no meio da multidão? – indagou padre Bianor, apontando para o andor com a imagem de Maria, mãe de Jesus.

O PIANO

Uma natureza morta
e o avô
pendurados quadros
na parede da sala
em que ficava o piano
Escura sala
retiro da minha mãe
que tocava de ouvido
valsas e tangos

Me deixava levar
pelo encantamento
as mãos da minha mãe deslizando
sobre o teclado de marfim -
pássaros correndo
por um campo de neve

Algumas vezes
minha mãe
permanecia sentada
sem tocar

Nunca percebi
se notava
a minha presença
Estava sempre
de costas para mim

O silêncio doía
Como eu poderia perceber
se chorava
Como poderia perceber
se permanecia
de costas para mim


Talis Andrade, in Cavalos da Miragem, p. 108, ed. Livro Rápido, 208

Escuela Mateo Reyes

Escuela Mateo Reyes

Gran polémica se ha desatado en Campeche, Mexico, luego de que cinco niños de sexto grado de primaria del municipio de Calkiní, se videograbaron sosteniendo relaciones sexuales entre sí, en un salón de clases de la escuela primaria Mateo Reyes. Los estudiantes que no rebasan los 12 años de edad aprovecharon el recreo para grabar el video-porno dentro del aula.

Los hechos quedaron al descubierto luego de que la madre de uno de los estudiantes lo sorprendió viendo el material en su celular, en la grabación aparecen tres de los menores sosteniendo relaciones sexuales mientras uno más observa y otro graba la escena, tras concluir la grabación los jovencitos intercambiaron el material en sus celulares.

La madre del niño refiere que identificó a uno de los niños, por lo que acudió a buscar a la progenitora de esté para reclamarle, la mujer a su vez se puso furiosa y acudió con el maestro y director del plantel escolar para reclamarles su falta de atención hacia sus alumnos.

Posteriormente, acudió ante la Procuraduría General de Justicia del Estado de Campeche a presentar una denuncia para que se investigue el origen del video, quienes participaron y quién o quiénes ordenaron a los menores sostener relaciones sexuales y grabar la escena.

Sergio Rosado Rodríguez, secretario particular del Procurador de Justicia de Campeche, Renato Sales Heredia, explicó a medios locales que el expediente fue integrado en la agencia especializada en justicia para adolescentes.

“Con fecha 4 de mayo, del año en curso, la agencia inició el expediente A/CH/2923/JA/2012 por ciertos hechos, en los cuales se llevan a cabo las investigaciones correspondientes, aplicando los derechos del niño y los protocolos de protección a los menores”.

En tanto que el Secretario de Educación en Campeche, Francisco Ortiz Betancourt, confirmó la existencia del video y ordenó a su vez una exhaustiva investigación al interior del plantel para deslindar responsabilidades.

Este hecho vuelve a poner de nueva cuenta el fenómeno denominado “sexting”: anglicismo utilizado para referirse al envío de contenidos eróticos o pornográficos por medio de teléfonos celulares o vía internet a través de computadoras.

Según la ASI –organización civil mexicana dedicada a proporcionar orientación a alumnos y maestros acerca de los peligros a los que se exponen a través de Internet y dispositivos móviles el sexting es sumamente popular sobre todo entre adolescentes de 12 a 16 años.

El 90 por ciento suelen ser mujeres que aceptan por grabadas por amigos y/o parejas en poses eróticas o bien sosteniendo relaciones sexuales.

La organización, estadounidense ConnectSafely, expone como principales razones para ceder a ser grabado: un romance juvenil, coqueteo, lucimiento, impulsividad, presión de los amigos, venganza, intimidación y chantaje…

Vídeo:No es la primera vez que los menores graban videos de contenido sexual

Video: Opinan Sobre Video Pornográfico Protagonizado por Alumnos

Dolce Rima, Paula Brieba e Julieta Viñas

Dolce Rima, Paula Brieba e Julieta Viñas

El dúo Dolce Rima está integrado por dos músicos valencianas cuyos caminos se cruzaron en la ciudad de Sevilla, atraídas ambas por la agitación cultural de la considerada capital de la Música Antigua en España, al encontrarse allí maestros internacionalmente reconocidos y una gran oferta de actividades (cursos, festivales, conciertos, etc) dedicadas a la interpretación de la música antigua con criterios historicistas.

Interesadas especialmente por la conjunción poética y musical, su repertorio se centra en el Renacimiento español de los vihuelistas y en el Seicento italiano, haciendo por tanto un doble acercamiento (literario y musical) a la cultura de los siglos XVI y XVII.

Han asistido a cursos y a clases de perfeccionamiento con Lambert Climent, José Hernández, Adriana Fernández, Andrea Büchel, Eduardo Egüez, J. M. Nieto, Alonso Salas, Ariel Abramovich, José Miguel Moreno, Juan Carlos Rivera, Gabriel Garrido y Claudine Ansermet, entre otros.

Han ofrecido conciertos en las provincias de Sevilla, Huelva, Córdoba, Toledo y Valencia, destacando la velada musical en el Patio del Círculo de la Amistad de Cabra (Córdoba), el Concierto realizado en el Centro Instructivo Musical de Benimaclet (Valencia) dentro del ciclo de conciertos programados con motivo de la celebración de su Centenario, la actuación en la apertura del primer Parador- Museo Nacional, en Oropesa (Toledo), y el Concierto de Navidad 2010 en el Palacio del Maqués de Dos Aguas (Valencia).

Entre sus trabajos, destaca la selección e interpretación de la música para la banda sonora del cortometraje Ánima, de la realizadora cubana Bebé Pérez, en cuyo estreno en la SGAE de Valencia ofreció un concierto.

El dúo musical Dolce Rima interpreta “Che si puo fare” de Bárbara Strozzi.

Escute 

Julieta Viñas

Este duo continua inédito no Brasil. Eis a Beleza reclamada, requerida, desejada. Por quem ama a Arte. A doce Música. O doce Canto. A Dulce Rima.

Contacto

Paula Brieba del Rincón
+34 626 501 284

Julieta Viñas Arjona
+34 651 802 589

email
info@dolcerima.com

El disfraz

por Sandra Santos

el disfraz testimonio
de hablas no grabadas
actas no leídas

el disfraz vistiendo
una percha que escondía
un clavo oxidado

el disfraz en luto una sentencia
muda

lo general
poco a poco
olvidando todo

el disfraz y el agujero de la bala
en la solapa de la muerte

Sandra Santos

tradução: Leo Lobos

Notas, comentarios, reflexiones del traductor

Por Leo Lobos

La diversidad de las lenguas, lejos de ser un castigo como supone el mito de Babel, está presente para que nosotros podamos atravesar la prueba de lo extranjero. La teoría y la práctica se desafían y complementan de allí que la reflexión sobre la traducción sea inseparable de la experiencia de traducir. La presente selección de poesía brasileña contemporánea de la escritora Sandra Santos, se presenta entonces como la posibilidad de descubrir, de encuentro y rencuentro con el Brasil de nuestros días. He buscado sentido por sentido, chicle por sabor por ejemplo, no letra por letra, significación al ser pronunciado en castellano un sonido portugués. Sandra Santos nos muestra parte de este inmenso mar orgánico y viviente de lo escrito en Brasil. Aquellos navegantes que solemos frecuentarle nos descubrimos sorprendidos y maravillados ante el tamaño de los dominios de la lengua activa del portugués brasileño. La poesía de Sandra Santos es arte, y es esta la visión que debe perdurar, la provechosa sensación de estar frente a una legitima expresión de vida y de lenguaje. Eso que antiguamente se llamaba poesía.

Leo Lobos nasceu em Santiago, Chile . Poeta, ensaísta,tradutor, artista visual. Laureado UNESCO – Aschberg de Literatura 2002. Publicou: Cartas de más abajo (1992) + poesía (1995), ángeles eléctricos (1997), Camino a Copa de Oro (1998) , Perdidos en La Habana y otros poemas (1999), Cielos (2000), Nueva York en un poeta (2001), Turbosílabas (2003), Devagar (2004), Un sin nombre (2005), Nieve (2006), Vía regia (2007) y No permitas que el paisaje este triste (2007). Tem sido traduzido em língua inglesa, portuguesa, holandesa, francesa e alemã. Realizou inúmeras exposições individuais e coletivas. Suas pinturas, ilustrações, poemas visuais e desenhos fazem parte de coleções particulares na França, Brasil, México, Estados Unidos e Chile.

En el marco de la Feria Internacional del Libro Universitario (FILU) 2012 de la Universidad Veracruzana, se presentó la colección “Cuartel de Invierno” de la Editorial de esta casa de estudios, que busca rendir homenaje al poeta Ramón Rodríguez, en el foro al aire libre de la Casa del Lago UV.
En la presentación de esta colección dedicada a libros de poesía y sobre poesía, que toma su nombre de uno de los títulos emblemáticos de Ramón Rodríguez, estuvieron presentes el propio homenajeado.

Rafael Antúnezprecisó que Ramón Rodríguez es autor de una obra que se reduce a siete títulos, publicados en un espacio de 50 años. “El hecho de que todos sus libros se editaron en Veracruz, y de que Ramón sea dueño de la más rara cualidad que un escritor puede tener: una verdadera aversión por cualquier tipo de publicidad, hicieron que no fuera conocido más que por un pequeño pero ferviente círculo lector”.

“El poeta es un músico de la palabra”: Ramón Rodríguez

por Xóchitl Partida Salcido

Hacerle una entrevista a Ramón Rodríguez es fácil y no. Fácil porque es generoso y amable. Muchas veces te da la razón con un: “como usted bien apunta”; y difícil porque no sabes si te dice eso por su generosidad, o para darte por tu lado. De cualquier forma, durante la charla uno se ríe mucho y la disfruta porque el poeta sigue el camino del humor, se relaja y se divierte mientras contesta las preguntas.

En el prólogo a La navaja de Ocam, poemario de Ramón Rodríguez (Córdoba, Ver. 1928) editado por el IVEC en 1998, Esther Hernández Palacios dice:

Ramón no es un poeta paisajista, su discurso poético es el paisaje. En su rítmico fluir utiliza, sin temor, es decir, con absoluta libertad todos aquellos recursos que encuentra a su paso, siempre y cuando le permitan conseguir su principal objetivo: acceder a la música. Sonido y sentido discurren a veces linealmente, otras marcando un alterado cauce; que tan pronto se yergue y se transforma en creciente huracán, o un alterado sereno, al ritmo de una ronda o una pavana.

Yo, como no soy especialista en poesía, sólo diré que el descubrimiento de la obra de Ramón Rodríguez es para mí una alegría: la de encontrar un lenguaje poético fresco, ingenioso. Leer algún poema de Rodríguez fue la pausa agradable en un agitado día de trabajo. Mi oído disfrutó porque su poesía suena, y mi alma gozó porque a partir de los materiales más triviales y cotidianos como un perro o un gato, el poeta ejecuta la quimera del lenguaje y los convierte en poesía.


Imagem: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press

Cinco décadas de criação de Daniel Santiago estão em exposição individual em três pisos do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – Mamam, de hoje a 8 de julho. Sua longa carreira artística inclui performances, fotos das performances, vídeos experimentais e obras estáticas, entre elas relíquias artísticas que nem ele mesmo se lembrava.

Do que é que eu tenho medo? é o título da mostra, que tem curadoria de Cristiana Tejo e Zanna Gilbert.

Nos anos 1970, ele formou a dupla Bruscky (Paulo) e Santiago, que agitava o país com intervenções ousadas e contestadoras, como Vacina contra o tédio, em formato de atestados contra a monotonia distribuidos nas ruas.

Hoje, na abertura, a artista Marie Carangi reproduz uma intervenção encenada pelo próprio Daniel há algumas décadas.Ela estará pendurada por uma corda segurando a faixa O Brasil é o meu abismo.

A sessão audiovisual conta com O velho Hemingway e o mar do Recife, filmado por Tião, que faz alusão à obra O velho e o mar, de Ernest Hemingway, e que tem o próprio Daniel como ator.

SERVIÇO
De que é que eu tenho medo?
Exposição de Daniel Santiago.
Quando: Abertura hoje (das 19h às 22h). Em cartaz até 8 de julho
Onde: Mamam (Rua da Aurora, 265, Boa Vista, Recife).

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Para honra minha e eterna gratidão, Daniel Santiago e Paulo Bruscky ilustraram meus primeiros livros de poesia. O livro “Poemas”, a capa
é de Bruscky

De Ivan Junqueira

E se eu disser
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E se eu disser que te amo – assim, de cara,
sem mais delonga ou tímidos rodeios,
sem nem saber se a confissão te enfara
ou se te apraz o emprego de tais meios?
E se eu disser que sonho com teus seios,
teu ventre, tuas coxas, tua clara
maneira de sorrir, os lábios cheios
da luz que escorre de uma estrela rara?
E se eu disser que à noite não consigo
sequer adormecer porque me agarro
à imagem que de ti em vão persigo?
Pois eis que o digo, amor. E logo esbarro
em tua ausência – essa lâmina exata
que me penetra e fere e sangra e mata.
.
Ilustração Leonor Fini, Los Grilletes

Entrevista de Ivan Junqueira: a ordem secreta da poesia

 

- Qualquer poeta autêntico, por menor que seja, sempre cria uma linguagem, ainda que não a transgrida, ou melhor, não transgrida o sistema da língua.

- A crítica literária, pelo menos como a entendo, é uma forma de criação paralela. Se não o for, não será crítica, mas simples exercício de vivissecção cadavérica. É nesse sentido que a crítica universitária se resume amiúde num desastre e, não raro, em pedantaria erudita.

- É nesse sentido que endosso um crítico como Wilson Martins quando investe contra o sucesso literário de escritores como Jorge Amado ou o alcance filosófico de “pensadores” como Alceu Amoroso Lima, dois monstruosos equívocos de nossa literatura. Serve assim a crítica para despertar no leitor o interesse por essa ou aquela obra, mas nunca para induzi-lo a partilhar da opinião do crítico.

- É bom lembrar aqui que fomos colonizados por europeus, ainda que da pior espécie, e que nossas raízes, como de resto as de toda a América Latina, são europeias: portuguesas, espanholas, francesas, holandesas, alemãs, inglesas. E foram essas tradições, essas ideias e esses valores que nos geraram, nos criaram, nos enriqueceram, até sermos o que hoje somos. O que herdamos no âmbito cultural não nos veio dos guaranis nem dos africanos, mas dos europeus, a começar pela língua, que é portuguesa, e não sem razão toda a América Hispânica fala uma única língua, o castelhano. Caso contrário, nós, brasileiros, estaríamos falando tupi-guarani (como chegou a pretender Oswald de Andrade, aliás) ou qualquer dialeto nagô. Nossos valores culturais são também europeus (e, mais remotamente, latinos), como europeus, em suas trágicas origens, foram também nossos costumes calcados na transigência e na tolerância. E europeia é, ainda, a religião que prevalece no país. Não pretendo aqui negar a influência da cultura negra, mas o fato é que ela se restringe a áreas diminutas de nosso território intelectual. Quanto à influência indígena, praticamente inexiste. Incluir o candomblé como “notável fonte de êxtases” é desconhecer a alma da sociedade brasileira.

- Oswald, como Mário de Andrade – mas este, além de conhecimento artístico e talento polimórfico, tinha dignidade literária -, foi antes um animador, um “palhaço da burguesia”, como ele próprio se chamou, um bufão bem nutrido e endinheirado que a história, à qual ele e os demais modernistas jamais deram a menor importância, haverá de reduzir às proporções que lhe cabem.

- O transplante da estrutura ideogramática da escrita chinesa para a nossa língua é o mesmo que pretender implantar o chifre de um rinoceronte na testa de uma girafa. Os concretistas incidem nessa tolice de contrariar – ou mesmo assassinar – a índole da língua, de uma língua que, queiramos ou não, só é nossa por ser portuguesa. O “make it new” da poesia concreta não o faz nem novo nem velho simplesmente porque não faz nada: promove apenas um tumulto babélico no qual se confundem e se atropelam recursos que são específicos de outras técnicas artísticas.

- O Surrealismo, por recorrer às realidades e manifestações oníricas que subjazem no inconsciente, foi e será sempre uma poderosa vertente do pensamento poético, pois suas imagens pertencem a uma linguagem metalógica, ou seja, à linguagem que é própria da poesia. O que não se pode é deixar que esse fluxo tenha comando autônomo, como acontece na escrita automática, e aqui voltamos àquela sábia observação de Huidobro. O que diferencia basicamente o Surrealismo francês daquele que se irradiou pela América Latina é que este último não foi programático, e chego mesmo a arriscar aqui que, em suas origens, ele se confunde às vezes com o realismo fantástico, que é fenômeno literário tipicamente latino-americano.

- Até mesmo um poeta engajado como Pablo Neruda – esse grande mau poeta, como dele diz Juan Ramón Jiménez -, foi, em certo sentido, profundamente surrealista, como o foram alguns outros. É que esses poetas, além do influxo que receberam da literatura francesa que então se escrevia, tiveram um contato muito forte com a literatura de sua própria língua, em particular com a poesia de García Lorca, que, digam o que disserem, jamais renunciou inteiramente às suas fontes surrealistas. E digo, enfim e afinal: enquanto houver incursão ao subconsciente no afã de decifrar os abismos da alma humana, haverá sempre, não um programa, mas uma prática surrealista que se confunde com a busca das raízes da própria vida.

(Transcrevi fragmentos). Entrevista concedida a Floriano Martins. Leia 

A crise aguça o engenho e um empresário espanhol encontrou na prostituição uma oportunidade de negócio. Brandon Morales criou um curso profissional de prostituição em Valência, Espanha, com garantia de emprego. Já tem 95 inscritos.

A última proposta de formação, nascida no seio da crise em Valência, está envolta em polémica. “Trabalha já. Curso de profissional de prostituição”, dizem as centenas de panfletos distribuídos nos últimos dias por toda a cidade espanhola.

O programa reúne disciplinas teóricas e práticas e tem uma duração de oito dias consecutivos. Nele, aborda-se a história da prostituição (considerada a mais antiga profissão do mundo), a legislação atual e uma breve análise económica dessa indústria em Espanha.

Quanto a competências, os candidatos poderão estudar as posições sexuais básicas e noções do Kamasutra, bem como dicas sobre o prazer sexual dos espanhóis. A formação inclui também a utilização de vibradores e outros brinquedos sexuais. O custo das aulas, destinadas aos futuros profissionais do sexo, é de 100 euros.

O organizador do curso é Brandon Morales, que diz exercer esta profissão há oito anos e que tem dois bordéis na cidade.

Para Brandom, as aulas não só são valiosas para aperfeiçoar a prática sexual. “Os alunos vão acabar por aprender a valorizar-se mais, porque às vezes acabam por ter relações sexuais com alguém com quem nunca se imaginariam”, disse o prostituto ao programa informativo espanhol “LaSexta”. (Jornal de Notícias, Portugal)

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