Troféu de escravidão contemporânea

Trabalho Escravo Terceirizado? ‘Não-Era-Comigo!’

por Rodrigo Trindade de Souza[1]

Recentemente, houve mais um flagrante de trabalho escravo em confecção paulista contratada por marca de roupas chiques. Dessa vez, cinco bolivianos foram resgatados. Ali, todos – incluindo menina de 14 anos – trabalhavam mais de 12 horas diárias e viviam em condições degradantes, “situação famélica”, resumiu um dos fiscais.

As “estórias” já são antigas, se repetem e não têm nada de bonito. Costumam ser pequenas empresas terceirizadas que chamam homens e mulheres de baixa instrução e praticam diversas ilegalidades para poder oferecer preços menores.

Mas há outra reincidência – a da justificativa. Em nota, a contratante afirmou que “a empresa cumpre regularmente todas as normas do ordenamento jurídico “. Ou seja, é culpa da terceirizada, não via, não fiscalizava, “não-era-comigo”.

A desculpa também não é nova. Podia citar Pilatus, mas pulemos vinte séculos. Em Nuremberg, os nazistas falaram coisas parecidas: matança industrial de gente não era bem o meu setor, nunca perguntei sobre os vagões, “não-era-comigo”. Nos atuais processos de corrupção, donos de empreiteiras adoram dizer que eram gerentes irresponsáveis os molhadores de mãos, “não-era-comigo”.

É contigo, sim.

Terceirização inconsequente não é necessidade irresistível de quem se dispõe à sofrida tarefa de ser empresário. Terceirizar é opção administrativa semilegalizada que, essencialmente, serve para melhorar rentabilidade. Muito bem querer aumentar o lucro, mas pensemos em meios mais saudáveis.

Serviço terceirizado paga salários inferiores, produz muito mais acidentes, inclusive com óbitos, e gera imensidão de processos trabalhistas. Isso sem falar no troféu de escravidão contemporânea.

Hora de assumir o risco de ter dedinhos decepados e infâncias reduzidas como itens das etiquetas. Também aceite precarização de direitos, abarrotamento do Judiciário e amplo inadimplemento de dívidas trabalhistas no objeto social. Isso tudo, sem falar no troféu da exploração de escravos contemporâneos.

Apenas não diga “não-era-comigo”.

____________________________
[1] Professor e Presidente da AMATRA IV – Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 4ª Região.

Dia Mundial do Orgasmo, Festa de Rico

No Dia Mundial do Orgasmo, dia 3l de julho, comemorado sexta-feira última, pelas elites, marajás e Marias Candelária, o portal da Editora Degustar transcreveu:

“O orgasmo é o momento de maior prazer sexual que uma pessoa tem durante o sexo, ou ainda durante a masturbação. Ele pode ser experimentado tanto por mulheres como também por homens, e dura apenas alguns segundos.

Algumas redes de sex shops da Inglaterra criaram informalmente o Dia Mundial do Orgasmo. Estes estabelecimentos realizaram pesquisas com o público, onde foi revelado que 80% das mulheres inglesas não atingem o clímax durante o sexo.

O Dia Mundial do Orgasmo é comemorado em 31 de julho em diversos países. No Brasil, por exemplo, 30% das mulheres confessaram não ter orgasmos, 35% que têm alguma dificuldade de sentir desejo e 21%, que sentem dor na relação sexual. Claro que esses não são números isolados. A mesma mulher pode manifestar os três sintomas simultaneamente e isso perfaz 49%, mas aproveitando a data comemorativa, pensar na intimidade e suas potencialidades para a busca do prazer pode ser uma boa pedida.”

(Fonte: Dra. Carmita Abdo é médica, professora de psiquiatria e coordenadora geral do ProSex, Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo)

orgasmo

O orgasmo depende de tempo. O trabalhador brasileiro, terceirizado, não tem tempo para descanso, lazer, para cuidar das crias. Trabalha oito, dez horas por dia. Gasta horas preso dentro de um ônibus para ir trabalhar e voltar para a casa miserável, que reside no cu do mundo.

A famosa rapidinha, uma vez por semana, ou a cada mês, não faz ninguém feliz. Trepa bem quem tem tempo, dinheiro e saúde.
Uma deputada constituinte governista no Equador propôs que o direito das mulheres à felicidade sexual seja garantido pela lei do país. A questão não é criar uma lei do orgasmo.

Com o rasga da CLT, o trabalhador brasileiro tem vida de escravo.
Nas senzalas existia o negro reprodutor. O trabalho dele era fazer menino. Não pegava no pesado. Pegava sim as meninas virgens prontas para procriar. O tempo dele era maneiro

Escreve Walter Passos: “O reprodutor, sempre um escravizado forte e de boa saúde era tratado diferentemente da escravaria. Não realizava trabalho pesado, era bem alimentado e dispunha de muitas horas para o descanso. Era o mais cobiçado e valioso”.

reprodutor

– Você não sentia pena das escravas?
João olha-me como se eu fosse alguém tão distante da escravidão, que não consegue entender o mundo das senzalas.
– Por que ia sentir? Nos tava lá para isso, para reproduzir. O fazendeiro precisava de negrinho pra levar na feira.

– O barão de Guaraciaba deixava descendentes dele serem vendidos em feiras?
– Não fui reprodutor na fazenda do meu avô. Saí de lá com dezessete anos: meu pai me deu pra dom Pedro II e fui morar em Petrópolis. Quando tinha 23 anos, dom Pedro II me presenteou ao barão do Rio Branco. Fui morar na Fazenda dos Correia, do barão do Rio Branco, também em Petrópolis. Foi lá que comecei o trabalho de reprodutor.

– Você disse que as escravas ficavam trancadas com você durante um mês. E depois?
– Depois que tavam enxertadas, iam trabalhar: umas na roça, outras na cozinha, em qualquer serviço.

– E você?
– O fazendeiro me mandava tomar um pouco de ar. Eles era branco, mas era bom.

J. M. Rugendas, Escravos numa fazenda

J. M. Rugendas, Escravos numa fazenda

O salário mínimo do Brasil do ano 2015 trabalha mais que um escravo antes da Lei dos Sexagenários (1885)?

O escravo era uma peça cara, cujo desgaste, doença ou morte custava caro para o dono.

Quanto vale, para o patronato, um trabalhador hoje?

Quem tinha mais tempo livre para o amor, o trabalhador escravo ou o trabalhador terceirizado?

La moral del esclavo

por Juan Rivera

Matteo Bertelli

Matteo Bertelli

Hoy la Troika ha dado una lección de Historia. El FMI recuperó la figura de la esclavitud por deudas vigente en la Antigua Grecia. El Banco Central, por aquello de estar pilotado por Mario Draghi, la ha adornado y matiza que se parecerá más al nexum romano. Ángela Merkel, menos clásica y de mentalidad teutona, se ha inspirado directamente en la historia contemporánea germana. Al conseguir la claudicación ha regalado a los negociadores helenos una fotografía en blanco y negro. La del campo de concentración de Auschwitz con la reja del Arbeit macht frei (“el trabajo libera” ) en primer plano. No en balde ha contribuido de manera destacada a convertir Grecia en un espacio socioeconómico cada día más parecido al ghetto de Varsovia.

A los griegos los han dejado pasear por el corralito, el chiquero, a cambio de que se comportasen como sumisas y espectrales almas en pena. En el momento que se creyeron libres y dueños de su destino con el “ No” del referéndum, conocieron la furia del amo y han sido tratados como esclavos cimarrones. Los han azotado sin misericordia delante de la casa señorial de la plantación, con los kapos babeando mientras ejecutan los designios del dueño y los díscolos alineados en la explanada, obligados a contemplar un castigo que los disuada de intentar aventuras similares.

El poder real, el financiero, ha sido inflexible. Con la excusa del “dura lex, sed lex”. Si hubiesen estado vigentes los autos de fe, habrían rematado la mañana con una pira y quemado vivo a Varoufakis.

El Sistema, mientras se limpiaba el culo con la voluntad popular, ha sembrado la sociedad griega de violencia, miseria y terror. Eso tiene un nombre en la Historia que es Fascismo. Y sólo una manera de combatirlo: la Resistencia. Ojalá desempolven la dignidad de Manolis Glezos y Santas Apostolos cuando (abril del 41) con todas las condiciones adversas y ante un enemigo en la cumbre de su poder totalitario, fueron capaces de quitar la bandera de ocupación nazi que ondeaba en la Acrópolis.

Y nosotros desde España, además de apoyarlos, empecemos a poner al axioma que nos envuelve “ todo el poder para los Mercados sin rostro”, las caras y nombres de los anuladores de los Derechos Humanos. Para impedir que la sociedad que nos diseñan se convierta en la de los siervos de la gleba.

Con lo que le han hecho a Grecia los pueblos del Sur ya saben el futuro que les espera. En él no caben acuerdos entre iguales, sólo rendiciones incondicionales e imposición del “diktat”. La espiral es demoníaca, a cada cesión se le suma una nueva exigencia hasta conseguir que cada inclinación vaya acompañada de un arrodillamiento.

Hoy Platón hubiese cambiado el escenario de su “mito de la caverna”. Lo situaría en lo que representa Bruselas en el mundo de las ideas capitalistas. Nos tienen en la oscuridad, aherrojados y cocidos en nuestra propia angustia. Por ellos provocada. La única manera de salir del círculo, de las sombras es plantear la salida del euro .

Lo contrario es correr tras una vana ilusión con final feliz de Hollywood (inexistente por tanto) en el que cuando estamos al borde del precipicio, agarrados a la rama a punto de romperse, el amo bueno, mientras nos tiende la mano para auparnos, nos acaricia y sonríe.

En la realidad ese escenario no existe. Por ello, de corazón, estoy con las personas que en estos momentos gritan en la plaza Sintagma: “Vámonos de esta Europa”.

Contra a escravidão moderna

No mesmo dia que a Câmara dos Deputados votava a terceirização, o Papa Francisco assinava uma mensagem contra a escravidão moderna, tal como a direita projeta para o Brasil com o rasga da CLT, e a legalização do emprego direto, precário e servil.

Mensagem aos budistas por ocasião da festa de Vesakh 

South Korea Daily Life

«Budistas e cristãos: juntos para contrastar a escravidão moderna» é o título da mensagem que o Pontifício conselho para o diálogo inter-religioso enviou aos budistas por ocasião da festa de Vesakh.

«Como budistas e cristãos, solícitos no respeito pela vida humana – está escrito na mensagem – devemos colaborar juntos para que se ponha fim a esta chaga”.

O Papa Francisco convida-nos a superar a indiferença e a ignorância e a garantir «socorro às vítimas, a sua reabilitação sob o perfil psicológico e formativo e a sua reintegração na sociedade”.

“Rezemos a fim de que a vossa celebração do Vesakh, que compreende também um esforço particular para levar felicidade a quem é menos afortunado no meio de nós, possa ser um momento de aprofundamento sobre as modalidades de colaboração entre nós para que já não haja escravos mas irmãos e irmãs que vivem na fraternidade, bondade e compaixão por todos».

“Na crueldade da tua paixão, Senhor, vemos a crueldade dos nossos corações e das nossas ações. No teu sentimento de abandono, vemos todos os abandonados pelos familiares, pela sociedade, dos que estão privados de atenção e da solidariedade”

metro_quito. semana santa quito

 

Ao concluir a Via-Sacra desta Sexta-feira Santa, no Coliseu de Roma, perante milhares de pessoas, Francisco falou das “traições diárias” dos crentes à mensagem de Jesus.

“Na crueldade da tua paixão, Senhor, vemos a crueldade dos nossos corações e das nossas ações. No teu sentimento de abandono, vemos todos os abandonados pelos familiares, pela sociedade, dos que estão privados de atenção e da solidariedade”, referiu.

Para Francisco, a “negligência e indiferença” da sociedade estão na origem de muitos homens e mulheres “abandonados ao longo da estrada”

“Imprime no nosso coração sentimentos de fé, esperança, caridade, de perdão pelos nossos pecados”, rezou.

Neste contexto, o Papa argentino desejou que a conversão das “palavras” se transforme “em vida e obras”.

As tentações da corrupção e do mundanismo

Francisco pediu ainda que Jesus reforce a “esperança” das pessoas para que estas não esmoreçam com as “tentações do mundo” nem se deixem “enganar pela corrupção e mundanidade”.

O Papa denunciou o “silêncio cúmplice” dos que assistem com indiferença ao massacre de cristãos “perseguidos, decapitados e crucificados” por causa da sua fé.

Ao longo das 14 estações a cruz foi transportada, entre outras pessoas, por uma família numerosa; um casal italiano que adotou dois irmãos no Brasil; duas irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Siena, no Iraque; católicos da Síria, Nigéria, Egito e a China.

As reflexões que recordaram os cristãos perseguidos e a escravatura moderna foram escritas por D. Renato Corti, bispo emérito de Novara, Itália, a pedido do Papa.

O trabalho que se torna escravidão

“Há homens e mulheres que são presos, condenados ou até mesmo trucidados, só porque são crentes ou comprometidos em prol da justiça e da paz. Não se envergonham da vossa cruz. São, para nós, admiráveis exemplos a imitar”, referiu o texto apresentado durante a celebração.

Na evocação da prisão, julgamento e condenação à morte de Jesus rezou-se pelo “direito fundamental à liberdade religiosa” lembrando “situações terríveis” da humanidade de hoje, como: “O tráfico de seres humanos, a condição das crianças-soldado, o trabalho que se torna escravidão, as crianças e os adolescentes despojados de si mesmos, feridos na sua intimidade, barbaramente profanados”.

 

Hora de paz de Auta de Souza

HORA DE PAZ
por Auta de Souza

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Como é feliz a hora do descanso!
Quando sinto os meus olhos, manso e manso,
Morrendo para a luz…
Todas as dores da Saudade esqueço,
Junto as mãos sobre o seio e adormeço
Sorrindo para a Cruz…

 

AUTADESOUZA

 

RÉQUIEM PARA OS NEGROS DE ALMA BRANCA
por Talis Andrade

.

Os martelos cantavam
sobre os yunques sonâmbulos
sobre os yankees bêbados
nas barracas de cerveja
da praia de Ponta Negra

Os martelos cantavam
dissonante escala
Cravados sons
a penetrar a carne
Cravados sons
a penetrar a tampa do caixão
de Auta de Souza
a virgem negra

Ao compasso dos martelos
os negros catavam nuvens brancas
nos campos de algodão

 

Antipetismo e ódio de classe

A partir das figuras do escravo e do dependente, formou-se entre nós uma massa a quem se nega o estatuto de “gente”

 

negro criança racismo

por Maria Eduarda Mota Rocha/ El País/ Espanha

 

Bastou o resultado do primeiro turno das eleições ser divulgado e, mais uma vez, os insultos aos “nordestinos miseráveis analfabetos” eleitores de Dilma Rousseff pipocaram nas redes sociais. Enquanto isso, na grande imprensa, FHC reproduzia o preconceito em sua versão mais douta e sutil, associando o voto ao PT aos “menos informados” que, por “coincidência”, são os mais pobres.

Na raiz do problema, uma velha tradição brasileira: a ausência de um arcabouço moral universalizado capaz de impor como dever o respeito a todos os seres humanos, em sua dignidade fundamental. Os “nordestinos miseráveis analfabetos” são a versão mais recente do que Jessé Souza chamou de “ralé brasileira”. Ele mostra como, a partir das figuras do escravo e do dependente, formou-se entre nós uma massa a quem se nega o estatuto de “gente”.

No caso em questão, a dignidade desses tipos sociais é duplamente negada. Primeiro, contesta-se o seu direito à manifestação mais superficial de cidadania que é o voto. Eleitores tão desinformados não deveriam votar, está implícito. Mas esta primeira recusa está fundamentada em outra, muito mais profunda, que é a do direito ao reconhecimento social já mencionado.

Ao fim e ao cabo, o que está em jogo é a grita contra a quebra do monopólio de recursos vitais para a reprodução das elites e para a manutenção do tipo obsceno de desigualdade que existe entre nós. Afinal, os governos petistas empreenderam uma política de valorização do salário mínimo e de distribuição de renda, o que fez cair a desigualdade econômica de modo contínuo, embora em ritmo mais lento nos últimos anos. A PEC das domésticas veio colocar mais lenha na fogueira porque, ao regular este tipo de trabalho, atacou o mais claro resquício da escravidão no país, uma relação que não tinha sequer uma jornada estabelecida.

Mas foi sobretudo a democratização do acesso à universidade que feriu os brios das elites nacionais, porque afetou diretamente um dos mecanismos mais importantes para a sua reprodução: o acesso exclusivo ao ensino superior. As novas universidades, a política de cotas, a expansão das vagas convergiram para fazer muitas famílias verem um de seus membros chegar pela primeira vez a este nível de escolaridade.

Para piorar a situação dos preconceituosos, já partir de 2006 as políticas inclusivas do Governo provocaram uma mudança da base eleitoral do PT, das classes médias mais escolarizadas para as classes populares, como mostrou André Singer. Eles acertam quando identificam a composição social do voto petista. Mas seu preconceito não os deixa ver que os pobres tem boas razões para isso, mesmo que o Governo tenha deixado intocados tantos outros monopólios, como o da própria mídia que agora o ataca, e que tenha se paralisado no último mandato em áreas tão importantes como a política cultural.

A corrupção é a cortina de fumaça para muitos – mas não para todos – dos que repudiam o PT neste momento. A trajetória do partido faz os escândalos que o envolvem soarem mais fétidos do que os demais, porque ele começou a conquista do poder pelo legislativo, chamando para si a função de fiscal do executivo, desde a redemocratização. Agora, a pecha de “paladino da ética” é usada contra ele. Mas, todos sabemos (mesmo que a grande mídia e os eleitores do PSDB façam questão de esquecer) que a relação viciada entre o legislativo e o executivo é constitutiva da política brasileira.

Tendo campanhas absurdamente caras, o Brasil vê chegar ao poder partidos comprometidos com grandes empresas e congressistas que votam por interesse, e não por convicção. Entretanto, por que os tantos indignados com a corrupção não defendem a reforma política que podia mudar esse estado de coisas? Porque a moralização do debate é uma forma de evitar sua politização. Politização que, aliás, avançou muito pouco durante o governo petista, o que agora pode lhe custar o Planalto. Os jovens pobres parecem ver suas conquistas como meramente pessoais, cedendo diante da ideia de meritocracia e esquecendo os fatores estruturais e a ausência de políticas públicas que explicam porque as gerações anteriores não tiveram as mesmas oportunidades. Por isso, a onda conservadora pode crescer ainda mais.

Maria Eduarda Mota Rocha é pesquisadora e professora da Universidade Federal de Pernambuco

Papa Francisco: “Não é possível permanecer indiferente sabendo que há seres humanos comprados e vendidos como mercadorias! Levemos em conta as crianças que tem seus órgãos retirados, as mulheres enganadas e obrigadas a se prostituir, os trabalhadores explorados, sem direitos, sem voz”

Sem título-1

 

Vamos lembrar a Campanha da Fraternidade deste ano. Publica o blog de Daniele Barreto: Hoje tem mais um post, desta vez sobre uma questão ligada não só a Igreja Católica, mas a todo aquele que não aceita, se indigna e faz a sua parte para ajudar pessoas que, muitas vezes, estão impotentes diante do sofrimento e dos crimes dos quais são vítimas.

Vamos falar da Campanha da Fraternidade 2014: Fraternidade e Tráfico Humano.

A Campanha da Fraternidade 2014 – que focaliza sempre um tema da vida social, tem o objetivo de ajudar as pessoas e é considerada um instrumento de evangelização – realizada pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) com o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou“ (eu sempre atrapalhava LEMA com TEMA na prova de religião, no colégio que estudei o primeiro grau kkkkkkk).

O tráfico humano:
O tráfico de pessoas para exploração econômica e sexual está relacionado ao modelo de desenvolvimento que visa diminuir os custos do trabalho. Antigamente, escravos eram capturados e vendidos como mercadoria. Hoje, a pobreza torna vulneráveis milhares de pessoas que garantem oferta de mão-de-obra para o tráfico.

Por ano, mais de 2,5 milhões de pessoas são traficadas em todo o mundo. É um número assustador e cujo rentabilidade está em torno de US$ 32 bilhões (cerca de 70 bilhões de reais), sendo o terceiro crime mais lucrativo do mundo, perdendo apenas para o tráfico de armas e drogas.

Em torno desse lucrativo negócio – que pode ou não envolver o tráfico internacional – existem empresários, fazendeiros, agentes de prostituição, poderosos ligados ao entretenimento, além dos intermediários – chamados de “gatos” (gente que alicia pessoas para serem exploradas), os “coyotes” (especialistas em transportar pessoas pela fronteira entre o México e os Estados Unidos).

Uma pesquisa produzida pela Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, em parceria com a ONU (UNODC), revelou pela primeira vez detalhes sobre tráfico de pessoas nos 11 estados fronteiriços do Brasil. O Diagnóstico sobre Tráfico de Pessoas nas Áreas de Fronteira no Brasil mostra que pelo menos 475 pessoas, no período de 2005 a 2011, foram vítimas do tráfico de humanos. A maioria mulheres até 29 anos.

Em regra as famílias têm vergonha de informar aos órgãos competentes, isso porque muitos traficados (mulheres, especialmente) são convencidos a uma “vida mais fácil e lucrativa” no exterior. Outras famílias passam a conviver com a constante ameaça das quadrilhas. Para o enfrentamento eficaz, há a necessidade de sofisticação nos procedimentos das polícias e órgãos interligados à proteção de direitos humanos e das mulheres.

Mas a preocupação não é exclusivamente o tráfico internacional de pessoas. (como citei acima)

Há o tráfico para lavouras, carvoarias e fazendas em todo o país (e aí convoco-os a refletir, inclusive, sobre os políticos que já foram denunciados na mídia por manter seres humanos em trabalho escravo ou análogo ao de escravo em suas propriedades). O diagnóstico feito pela ONU/Ministério da Justiça revelou que grande incidência do tráfico de pessoas para trabalhar no Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Amazonas e Pará; e para fins de exploração sexual no Amapá, Roraima, Pará, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Outros dois crimes comuns são a servidão doméstica de crianças (muitas famílias até “adotam” a filha da empregada ou de alguma família carente, mas submetem a trabalhos forçados, por vezes em troca de casa, escola e comida) e adolescentes e o uso de “mulas” para o transporte de substâncias ilícitas entorpecentes.

Mas há uma curiosidade revelada pelo documento: estão surgindo novas modalidades, dentre elas a exploração da mendicância, o tráfico de adolescentes para exploração em clubes de futebol (pais e mães entregam procurações para aliciadores que passam a negociar contratos e submeter adolescentes a um extenuante treinamento, os valores pagos pelos clubes não são entregues às famílias e os garotos recebem apenas moradia e alimentação) e o tráfico de pessoas indígenas (pais e mães indígenas que, por pobreza e desconhecimento sobre se tratar de crime, permitem que seus filhos/filhas viajem brasileiros ou estrangeiros, sendo casos de difícil solução tendo em vista que os aliciadores não se identificam e muitos desses indígenas passam a ter paradeiro totalmente desconhecido – presume-se que são usados em redes de prostituição ou exploração de mão de obra infantil).

Em regra o traficado – homens, mulheres, travestis, transgêneros, crianças, adolescentes – vive em condição de vulnerabilidade, e não raro as famílias acreditam em pessoas (criminosos) que parecem, efetivamente, querer ajudá-las.

É importante salientar que esse diagnóstico feito pelo Ministério da Justiça vai permitir a realização de ações de prevenção e repressão desse crime, segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. É necessário, portanto, campanhas de conscientização para ampliar as denúncias e um planejamento voltado para execução de políticas públicas – afinal, o tráfico não existe como um crime dissociado da forma de vida da sociedade; pelo contrário, ele é parte de uma engrenagem que perpassa pela geração de emprego e renda, combate à pobreza, melhor controle das fronteiras, fortalecimento da mulher no mercado de trabalho etc.

E, vale lembrar, o principal: a luta contra a mentalidade de sociedade escravagista em que vivemos.

mapa-do-tráfico

A Campanha da Fraternidade desse ano:

Do exposto, concluímos que melhor campanha não haveria de ser lançada em 2014 pela Igreja Católica. Se os fiéis se envolverem como espera a Igreja e com a ampla divulgação de material (folhetos, livros, cartazes – que já estão circulando em Dioceses por todo o país), além de palestras e pregações, a Igreja conseguirá atingir um grande número de pessoas que podem denunciar e de famílias que serão salvas quando da aproximação de aliciadores.

Entenda o significado do cartaz: (informações do site CNBB)

1- O cartaz da Campanha da Fraternidade quer refletir a crueldade do tráfico humano. As mãos acorrentadas e estendidas simbolizam a situação de dominação e exploração dos irmãos e irmãs traficados e o seu sentimento de impotência perante os traficantes. A mão que sustenta as correntes representa a força coercitiva do tráfico, que explora vítimas que estão distantes de sua terra, de sua família e de sua gente.

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2- Essa situação rompe com o projeto de vida na liberdade e na paz e viola a dignidade e os direitos do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. A sombra na parte superior do cartaz expressa as violações do tráfico humano, que ferem a fraternidade e a solidariedade, que empobrecem e desumanizam a sociedade.

3- As correntes rompidas e envoltas em luz revigoram a vida sofrida das pessoas dominadas por esse crime e apontam para a esperança de libertação do tráfico humano. Essa esperança se nutre da entrega total de Jesus Cristo na cruz para vencer as situações de morte e conceder a liberdade a todos. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1), especialmente os que sofrem com injustiças, como as presentes nas modalidades do tráfico humano, representadas pelas mãos na parte inferior.

4- A maioria das pessoas traficadas é pobre ou está em situação de grande vulnerabilidade. As redes criminosas do tráfico valem-se dessa condição, que facilita o aliciamento com enganosas promessas de vida mais digna. Uma vez nas mãos dos traficantes, mulheres, homens e crianças, adolescentes e jovens são explorados em atividades contra a própria vontade e por meios violentos.

Pronunciamento do Papa hoje

O papa Francisco pediu nesta quarta-feira aos brasileiros que se mobilizem contra “a praga social” que representa o tráfico de seres humanos, pois “a dignidade é igual para todos.

Não é possível permanecer indiferente sabendo que há seres humanos comprados e vendidos como mercadorias! Levemos em conta as crianças que tem seus órgãos retirados, as mulheres enganadas e obrigadas a se prostituir, os trabalhadores explorados, sem direitos, sem voz. Chegando a esse ponto, é necessário um profundo exame de consciência: quantas vezes toleramos que um ser humano seja considerado um objeto, exposto para ser vendido como um produto ou para satisfazer desejos imorais? – Papa Francisco

Além de tratar dessas modalidades já explicitadas acima, o Papa nos trás uma reflexão sobre a escravidão dentro de famílias. Uma abordagem que muitas vezes não é feita pela mídia e estudiosos, mas que trará uma nova consciência para mulheres e homens que frequentam a igreja e muitas vezes não escondem problemas físicos e psicológicos causados pela “escravidão familiar”.

Falando dessa escravidão no seio familiar, o Papa enfatizou:

Pais que escravizam seus filhos, filhos que escravizam seus pais, cônjuges que esqueceram o chamado desse dom, se exploram como se fossem produtos de consumo, de usar e descartar; idosos sem um lugar na sociedade e crianças e adolescentes sem voz. Como se pode anunciar a alegria da Páscoa sem ser seres solidários com aqueles aos quais se nega sua própria liberdade? A dignidade humana é igual para todos os seres humanos: quando firo a do outro, firo também a minha. É a liberdade para a qual Cristo nos libertou. – Papa Francisco

 

 

Os assassinos invisíveis. Dez denúncias de assédio moral no trabalho registradas por dia

assedio_moral

 

O que é assédio moral? São atos cruéis e desumanos que caracterizam uma atitude violenta e sem ética nas relações de trabalho, praticada por um ou mais chefes contra seus subordinados.

Trata-se da exposição de trabalhadoras e trabalhadores a situações vexatórias, constrangedoras e humilhantes durante o exercício de sua função.

Esses atos visam humilhar, desqualificar e desestabilizar emocionalmente a relação da vítima com a organização e o ambiente de trabalho, o que põe em risco a saúde, a própria vida da vítima e seu emprego.

A violência moral ocasiona desordens emocionais, atinge a dignidade e identidade da pessoa humana, altera valores, causa danos psíquicos (mentais), interfere negativamente na saúde, na qualidade de vida e pode até levar à morte. Suicídios e assassinatos. De mortes encomendadas. De pistolagem, pela preferência de pagar um assassino de aluguel a pagar direitos trabalhistas de um empregado.

Como acontece

A vítima escolhida é isolada do grupo, sem explicações. Passa a ser hostilizada, ridicularizada e desacreditada no seu local de trabalho. É comum os colegas romperem os laços afetivos com a vítima e reproduzirem as ações e os atos do(a) agressor(a) no ambiente de trabalho. O medo do desemprego, e a vergonha de virem a ser humilhados, associados ao estímulo constante da concorrência profissional, os tornam coniventes com a conduta do assediador.

A MAIORIA DAS VÍTIMAS É MULHER E É NEGRA

Assédio moral

VIOLÊNCIA MORAL CONTRA A MULHER 

 

O assediador é sempre um covarde. Ataca sempre os mais fracos.

Geralmente, o ambiente de trabalho é o mais perverso para as mulheres, pois, além do controle e da fiscalização cerrada, são discriminadas. Essa prática é mais frequente com as afro-descendentes. Muitas vezes o assédio moral diferido contra elas é precedido de uma negativa ao assédio sexual. Em alguns casos, os constrangimentos começam na procura do emprego, a partir da apresentação estética.

Posteriormente, ações como:

• Ameaça, insulto, isolamento

• Restrição ao uso sanitário

• Restrições com grávidas, mulheres com filhos e casadas

• São as primeiras a serem demitidas

• Os cursos de aperfeiçoamento são preferencialmente para os homens

• Revista vexatória, e outras atitudes que caracterizam assédio moral

O assédio moral contra as mulheres sempre acontece depois do assédio sexual fracassado. O famoso “dá ou desce”.

Matteo Bertelli

Matteo Bertelli

VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA O HOMEM E ORIENTAÇÃO SEXUAL

 

O homem não está livre do assédio, particularmente se for homoafetivo ou possuir algum tipo de limitação física ou de saúde.

No que se refere à orientação sexual, não há instrumentos oficiais para esse tipo de verificação. E, aqui, o entrave é também cultural e está ligado ao que significa ser homem na sociedade brasileira. Em uma sociedade machista, os preconceitos com relação à orientação sexual são ainda mais graves.

O assédio moral contra os homosexuals, também, pode começar pelo assédio sexual.

 

VIOLÊNCIA MORAL CONTRA A VELHICE, DOENTES E ACIDENTADOS (AS)

Tomas

Tomas

• Ter outra pessoa na função, quando retorna ao serviço

• Ser colocado em local sem função alguma

• Não fornecer ou retirar instrumentos de trabalho

• Estimular a discriminação entre os sadios e os adoecidos

• Dificultar a entrega de documentos necessários à concretização da perícia médica pelo INSS

• Demitir após o transcurso da estabilidade legal

No culto publicitário do hedonismo, do consumismo, da beleza dos jovens, a velhice começa com as primeiras rugas nas mulheres, e os primeiros cabelos brancos nos homens. Cada vez fica mais difícil arranjar emprego depois dos 40 anos.

O assediador é tarado por carne nova.

 

OBJETIVO DO(A) AGRESSOR(A)

• Desestabilizar emocional e profissionalmente

• Livrar-se da vítima: forçá-lo(a) a pedir demissão ou demiti-lo(a), em geral, por insubordinação

 

ESTRATÉGIA DO(A) AGRESSOR(A)

• Escolher a vítima e o(a) isolar do grupo

• Impedir que a vítima se expresse e não explicar o porquê

• Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar em seu local de trabalho

• Culpar/responsabilizar publicamente, levando os comentários sobre a incapacidade da vítima, muitas vezes, até o espaço familiar

• Destruir emocionalmente a vítima por meio da vigilância acentuada e constante. Ele(a) se isola da família e dos amigos, passa a usar drogas, principalmente o álcool, com frequência, desencadeando ou agravando doenças preexistentes

• Impor à equipe sua autoridade para aumentar a produtividade

 

COMO IDENTIFICAR O ASSEDIADOR

É no cotidiano do ambiente de trabalho que o assédio moral ganha corpo.

Alguns comportamentos típicos do(a) agressor(a) fornecem a senha para o processo de assédio moral nas empresas.

O assédio moral é uma relação triangular entre quem assedia, a vítima e os demais colegas de trabalho.

Após a confirmação de que está sendo vítima de assédio moral, não se intimide, nem seja cúmplice. Denuncie!

 

DENUNCIE O ASSEDIADOR, UM COVARDE PSICOPATA

Todo assediador é incompetente,  frustado, covarde, um baba-ovo quando um empregado que exerce cargo de confiança, ou um patrão escravocrata e usurário,  um psicopata social.

 

CONFIRA ALGUNS EXEMPLOS DE ASSÉDIO

• Ameaçar constantemente, amedrontando quanto à perda do emprego

• Subir na mesa e chamar a todos de incompetentes

• Repetir a mesma ordem para realizar tarefas simples, centenas de vezes, até desestabilizar emocionalmente o(a) subordinado(a)

• Sobrecarregar de tarefas ou impedir a continuidade do trabalho, negando informações

• Desmoralizar publicamente

• Rir, a distância e em pequeno grupo, direcionando os risos ao trabalhador

• Querer saber o que se está conversando

• Ignorar a presença do(a) trabalhador(a)

• Desviar da função ou retirar material necessário à execução da tarefa, impedindo sua execução

• Troca de turno de trabalho sem prévio aviso

• Mandar executar tarefas acima ou abaixo do conhecimento do trabalhador

• Dispensar o trabalhador por telefone, telegrama ou correio eletrônico, estando ele em gozo de férias

• Espalhar entre os(as) colegas que o(a) trabalhador(a) está com problemas nervosos

• Sugerir que o trabalhador peça demissão devido a problemas de saúde

• Divulgar boatos sobre a moral do trabalhador

 

COMO A VÍTIMA REAGE

 Alex Falco Chang

Alex Falco Chang

MULHERES: São humilhadas e expressam sua indignação com choro, tristeza, ressentimentos e mágoas.

Sentimento de inutilidade, fracasso e baixa auto-estima, tremores e palpitações. Insônia, depressão e diminuição da libido são manifestações características desse trauma.

HOMENS: Sentem-se revoltados, indignados, desonrados, com raiva, traídos e têm vontade de vingar-se.

Idéias de suicídio e tendências ao alcoolismo.

Sentem-se envergonhados diante da mulher e dos filhos, sobressaindo o sentimento de inutilidade, fracasso e baixa auto-estima.

 

O QUE A VÍTIMA DEVE FAZER

• Resistir. Anotar, com detalhes, todas as humilhações sofridas: dia, mês, ano, hora, local ou setor, nome do(a) agressor(a), colegas que testemunharam os fatos, conteúdo da conversa e o que mais achar necessário.

• Dar visibilidade, procurando a ajuda dos colegas, principalmente daqueles que testemunharam o fato ou que sofrem humilhações do(a) agressor(a)

•Evitar conversa, sem testemunhas, com o(a) agressor(a).

• Procurar seu sindicato e relatar o acontecido.

• Buscar apoio junto a familiares, amigos e colegas.

* E denunciar ao

• Ministério do Trabalho e Emprego

• Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego

• Conselhos Municipais dos Direitos da Mulher

• Conselhos Estaduais dos Direitos da Mulher

• Comissão de Direitos Humanos

• Conselho Regional de Medicina

• Ministério Público

• Justiça do Trabalho

• Ouvidoria 0800 61 0101 (Região Sul e Centro-Oeste, Estados do Acre, Rondônia e Tocantins) 0800 285 0101 (Para as demais localidades)

http://www.mte.gov.br/ouvidoria

* Existem organizações internacionais.

 

O MEDO REFORÇA O PODER DO(A) AGRESSOR(A)

O assédio moral no trabalho não é um fato isolado. Como vimos, ele se baseia na repetição, ao longo do tempo, de práticas vexatórias e constrangedoras, explicitando a degradação deliberada das condições de trabalho.

Nessa luta, são aliados dos(as) trabalhadores(as) os centros de Referência em Saúde dos Trabalhadores, Comissões de Direitos Humanos e Comissão de Igualdade e Oportunidade de Gênero, de Raça e Etnia, de Pessoas com Deficiência e de Combate à Discriminação nas Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego.

Um ambiente de trabalho saudável é uma conquista diária possível. Para que isso aconteça, é preciso vigilância constante e cooperação. É preciso não ter medo. O agressor(a) conta com a sua covardia. Sua falta de amor próprio.

 

AS PERDAS PARA O EMPREGADOR

Pedro X. Molina

Pedro X. Molina

 

•Queda da produtividade e menor eficiência, imagem negativa da empresa perante os consumidores e mercado de trabalho

•Alteração na qualidade do serviço/produto e baixo índice de criatividade

• Doenças profissionais, acidentes de trabalho e danos aos equipamentos

•Troca constante de empregados, ocasionando despesas com rescisões, seleção e treinamento de pessoal

• Aumento de ações trabalhistas, inclusive com pedidos de reparação por danos morais

 

AÇÕES PREVENTIVAS DAS EMPRESAS

 Pedro X. Molina

Pedro X. Molina

Os problemas de relacionamento dentro do ambiente de trabalho e os prejuízos daí resultantes serão tanto maiores quanto mais desorganizada for a empresa e maior for o grau de tolerância do empregador em relação às praticas de assédio moral.

• Estabelecer diálogo sobre os métodos de organização de trabalho com os gestores (RH) e trabalhadores(as)

•Realização de seminários, palestras e outras atividades voltadas à discussão e sensibilização sobre tais práticas abusivas

• Criar um código de ética que proíba todas as formas de discriminação e de assédio moral (Fonte Ministério do Trabalho e Emprego, Assédio Moral no Emprego, cartilha)

 

 

Dentro ou fora do casamento as adolescentes sempre fizeram sexo

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As fêmeas sempre fizeram sexo cedo.

No Brasil, até a Lei do Ventre Livre, as negras deviam engravidar logo depois da primeira menstruação. Para a criança ser vendida. E quanto mais cria, mais dinheiro para o escravocrata. Nas grandes propriedades existia o escravo reprodutor. Um boi de raça para atender a vacaria.

Porque  não existe pecado do lado de baixo do Equador, o mito do Brasil ser uma sociedade de bastardos. Quando os brancos recebiam a visita da Santa Inquisição.

Casper Von Barleus foi quem cunhou, em 1660, ao escrever Rerum per octennium in Brasilien, a expressão “ao sul da linha equinocial não se peca”.  A moral e a virtude são para os povos do norte. A linha do equador separa o vício da virtude.

Ultra aequinoxialem non peccati. Esta frase corria a Europa em seguida aos grandes descobrimentos no século XVI. Um autor do século XVII, o historiador e teólogo holandês Gaspar von Barlaeus, depois de visitar o Brasil, registrou a frase num livro de viagens que escreveu, fazendo o seguinte comentário: “é como se a linha que divide o mundo separasse também a virtude do vício.” Leia mais. In Wikipédia, Richard Parker

“Não existe pecado do lado de baixo do equador” canta Chico Buarque.

Depois da Lei Áurea, a virgindade passou a ser, para as descendentes de escravos, a única riqueza. O dote a oferecer em troca de um casamento que garantisse casa e sustento.

Observa Maria Beatriz N. Silva que os impedimentos eclesiásticos e os altos custos não permitiam que os grupos mais pobres, principalmente escravos, legalizassem suas uniões. O fato é que, até os anos 1980, a historiografia tendeu a considerar que o casamento católico era muito raro e circunscrito às elites. Era o chamado casamento religioso com efeito civil.

Na esclarecedora reportagem de Jocelito Paganelli (capa de hoje do Diário da Região) o título: “Mãe, jovem e solteira”. Sempre foi assim.

“De acordo com números do Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) divulgados ontem, em 2011, o índice de bebês de mães solteiras atingiu a maioria, 52% do total de nascimentos, enquanto o índice dos filhos de mães casadas chegou a 45%.

No ano de 2006 a situação era outra e os filhos de mães solteiras representavam 43% dos nascimentos, índice inferior aos 47% de bebês nascidos de mães casadas. Os números do Seade revelam que os 17.725 bebês nascidos na região, 9.331 são filhos de mães solteiras. Já o número de filhos de mães casadas soma 7.855. Também foram contabilizados as 539 crianças nascidas de mães divorciadas, viúvas e que vivem em união consensual” – a teúda e manteúda.

E acrescenta Paganelli: “As mães solteiras atingem a maioria (72%) no grupo das mulheres menores de 15 anos e até 24 anos de idade”.

O número de jovens mães solteiras tende a aumentar por novas imposições de casar na mesma faixa etária , na mesma religião (igrejas evangélicas), na mesma classe social.

Por que tanta mãe solteira no País das 500 mil prostitutas infantis?

Quando existem doenças sexuais mortais, como foi a sífilis, não justifica usar preservativos para evitar filhos. Eu perguntava para as minhas alunas de jornalismo: por que tomar pílulas quando não se tem namorado?

A aids nunca refreou o sexo casual na classe média, os encontros marcados na internet, via sítios de relacionamentos.

Qualquer menina pobre, que abandonou a escola, sabe, pela televisão e rádio, que existe exame de DNA. Mas, que adianta, se o pai ausente não tem onde cair morto?

Trocaram os contos infantis de Cinderela e da Gata Borralheira por remoçados e embelezados vampiros, e se faz campanha contra as carreiristas. Pobre menina pobre arrivista.

A relação do homem branco “superior” com a negra e com a índia embranqueceu o Brasil.

Ensina Sheila de Castro Faria: “O casamento legal era condição fundamental para a estabilidade econômica, busca de status, ascensão social e obtenção, em muitos casos, de posições administrativas”.

 

O mesmo Diário que publicou o texto de Paganelli informa hoje: A cozinheira D.A.T., 26 anos, foi presa na noite de sexta-feira, dia 12, acusada de abandono de incapazes. Ela deixou os dois filhos, um menino de 11 e uma menina de 8 anos, sozinhos em um apartamento no Jardim Yolanda, em Rio Preto. As crianças ficaram por cerca de três horas e meia sem a mãe e, por meio de denúncia anônima, a Polícia Militar foi acionada. A mãe saiu por volta das 19 horas e só retornou depois das 22h30. De acordo com a polícia, o apartamento estava revirado, com restos de comida azeda em cima do fogão, e as crianças estavam famintas. Quando uma delas sentiu dores no estômago, foram procurar ajuda dos vizinhos. A mãe foi detida assim que retornou à casa, mas foi solta depois de pagar fiança no valor de R$ 1 mil.

E cadê o pai?