Por que a juventude não tem pressa em crescer?

No Brasil, o rapaz tinha pressa em sair de casa. Hoje, quem sai é a jovem, inclusive procura trabalho cada vez mais cedo.

O rapaz tende hoje ao que já foi chamado de Síndrome de Peter Pan, aceito em psicologia desde a publicação de The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up ou “síndrome do homem que nunca cresce”, escrito pelo Dr. Dan Kiley, em 1983.

Esta síndrome caracteriza-se por determinados comportamentos imaturos em aspectos comportamentais, psicológicos, sexuais ou sociais.

Segundo Kiley, o indivíduo tende a apresentar rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, narcisismo, dependência e negação ao envelhecimento.

Vejo diferente. Sem emprego, sem condições de casar, recebendo um salário mínimo ou piso, o jovem prefere ficar na casa dos pais, onde tem a liberdade que as irmãs não têm: de fazer sexo, chegar a hora que quer, e sem afazeres domésticos.

 

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Escreve Aliona Rakitina, in Voz da Rússia:

Eles têm entre 20 e 30 anos, mas não têm pressa em crescer, se mudar de casa de seus pais e em criar suas próprias famílias. Eles acreditam sinceramente que o trabalho deve proporcionar um mar de prazer e um monte de dinheiro, se não nem vale a pena começar.

Eles preferem o mundo virtual ao mundo real. Eles possuem um egocentrismo descomunal, narcisismo e o desejo de mudar o mundo sem se levantarem da cama. Quem são eles? Uns sonhadores infantis, uns falhados com sonhos ou o resultado do insucesso pessoal dos pais e da sociedade?
É impossível deixar de reparar que a geração atual na casa dos vinte anos é bastante diferente da geração de seus pais, os quais tinham uma noção clara como e para quê se deve viver, quando se deve estudar e quando se deve casar. Eles sabiam convictamente que depois de terminada a escola se devia ir para a universidade e, depois de terminá-la, se devia encontrar um trabalho e paralelamente criar uma família. Tudo isso era claro e lógico. Todos viviam assim e, de resto, nem havia muitas outras opções. Ficar em casa e não ajudar sua família não só era uma vergonha, como era inconcebível.
Hoje, contudo, cada vez mais jovens preferem prolongar sua infância pelo maior período de tempo possível. Eles não se apressam a abandonar a casa paterna até aos 30 anos, em alguns casos mesmo por mais tempo. Não procuram trabalho com a desculpa da crise econômica, mas preferem ficar em casa no computador e vendo televisão, vivendo com tudo feito.
O que será isso? Uma tendência doentia moderna, um problema grave provocado pelo desemprego ou o alargamento da idade psicológica da adolescência? O professor de psicologia Jeffrey Jensen Arnett, da Universidade Clark em Worcester, Massachusetts, considera que o problema não deve ser visto de uma forma tão categórica:
“O mais frequente é a juventude atual ser acusada de preguiça. Eles são vistos como “parasitas” que se colaram a seus pais, que têm preguiça de procurar trabalho até ao último momento, vivendo à custa da geração mais velha. Uma das razões para esse tipo de comportamento são as suas elevadas expectativas e exigências relativamente ao seu futuro emprego. Os jovens procuram um trabalho que lhes dê prazer e se não o encontram – desistem completamente de trabalhar. Mas aqui temos de recordar que foi precisamente a geração de seus pais que declarou que o trabalho deve proporcionar satisfação. Até então ninguém pensava assim. Foram precisamente eles que decidiram que não queriam gastar suas vidas se vendendo a si próprios como escravos ao empregador. Seus filhos cresceram nesse novo mundo tendo memorizado que o trabalho deve fazer sentido e dar prazer.”
Daí resulta que nas cabeças dos jovens atuais foi incutida a ideia que eles devem procurar seu lugar na vida. Apenas não lhes explicaram o que fazer quando esse “lugar” não é achado. Uma geração de jovens ociosos, sonhadores, preguiçosos e simplesmente desiludidos precocemente com a vida invade as cidades com suas vagas de desempregados, que desejam “obter da vida tudo de uma vez”, como num conto de fadas.
É evidente que isso não se aplica a todos. Há jovens com a cabeça sobre os ombros e com o sentido de responsabilidade não apenas pela sua vida, mas também pelas vidas dos seus próximos, e que compreendem que chegou sua vez de lutar por seus objetivos e conquistar o mundo. Talvez porque metade dos seus pares tenha desistido do “combate”, mesmo sem tê-lo começado, eles tenham muito mais facilidade em cumprir seus desejos.
O finalista da Universidade Estatal de Linguística de Moscou Anton Romanov confirma que a principal garantia do sucesso é a vontade conjugada com a ação:
“Meu pai sempre dizia que “uma pedra que rola não cria limo” e eu fixei isso para sempre. Estudar na nossa universidade é difícil, temos uma grande carga horária de estudos. Mas apesar de sempre haver falta de tempo, desde o segundo ano que comecei trabalhando como professor particular e tradutor. Nós éramos vários colegas na turma que trabalhávamos, os restantes apenas frequentavam as aulas e faziam os deveres. A experiência que eu ganhei durante esse tempo resultou inestimável. Eu cresci como profissional, eu ganhei hábitos de comunicação e a capacidade de compatibilizar várias tarefas em simultâneo. Quando terminei a universidade, eu já tinha recebido várias propostas de trabalho interessantes, enquanto os meus colegas de curso não tinham recebido nada. Passado um ano alguns deles ainda estavam procurando. Eu não sei se isso foi resultado de sorte ou de diligência, mas se não tivesse feito nada, eu teria tido muito mais dificuldade. Tenho certeza disso.”
Existe um conhecido ditado chinês: “uma viagem de mil léguas começa com o primeiro passo”, e muitos jovens que decidiram ficar num país chamado Infância terão de escolher onde vão querer estar no fim, enquanto os pais preocupados devem recordar que “de boas intenções o inferno está cheio”. Mas quem quer que o seu amado rebento acabe nesse lugar tão desolado?

Espero, sinceramente, que a gente se foda

nudez coletiva
            Estou cansada. Virando três madrugadas consecutivas para dar conta de uma existência que se fundamenta no fazer teatral. Preparo aulas, viajo para assistir a um espetáculo que dirigi, volto. Vou à Reitoria exigir que não acabem com um curso de Artes Cênicas criado às pressas e sem condições, mas que, justamente pela vontade inquebrantável de meus pares, resiste e cria produções as vezes não tão elaboradas, mas que tateiam com afinco essa vastidão do fazer para ser visto.
Nada de heroico nessa perspectiva. É assim porque o teatro não se estabelece de outra forma, não admite gente morna, meia fase. É um povo apaixonado, tesudo, e eu mais uma entre tantos.
           Estou cansada pra caralho (caralho: genital comum a toda espécie. Quem não tem, foi concebido com participação de um), e queria dormir. Mas a mais de uma hora tem uma ruga na minha testa e um desconforto que me atravessa inteira.
Hoje um colega expôs com sua turma parte do resultado de um Laboratório de Interpretação. Um dos dispositivos para a criação de cena foi a nudez. Em seus diversos aspectos: despir-se dos pudores em relação a si, mais do que tirar a roupa.
          Coincidentemente, em outro canto e planeta, também hoje, um aluno de uma instituição em que trabalhei foi expulso. E não só expulso. Foi autuado com um boletim de ocorrência, registrado por um professor, em que consta “atentado ao pudor”. Porque estava nu em cena, e se masturbava. Cena essa previamente autorizada pelo coordenador do curso.
         Aqui, o público parecia lidar com um fenômeno extraterrestre: perguntou aos atores qual era a sensação de estar nu em cena. Como se nunca tivesse estado nu no banho, durante o sexo, na sauna, no carnaval. Como se nunca tivesse sido índio, visitado praia nudista. Como se tivesse nascido de roupa, de mãe vestida. O público perguntou aos atores como foi dizer aos pais que ficariam nus. Como se os pais não tivessem estado nus, aos olhos – toques, beijos – uns dos outros para conceber estes mesmos meninos sobre o palco.
           Eu sentada na poltrona do teatro, sentada agora na almofada com o computador no colo, com o mesmo corpo. Essa forma pela qual se dá a minha e tantas outras existências no mundo. Me ponho a pensar em quão antigo é o Wooodstock e em como foi que as coisas caminharam de forma a tornar, de novo e outra vez, a exposição do corpo em tabu.
           O que teremos feito do amor livre e dos ideais hippies – hoje tão tacitamente risíveis – para que o sexo e tudo o que se relaciona ao corpo, à maneira da Idade Média, tenha se tornado sinônimo de imundície, perversidade, libertinagem? Que músicas teremos tocado através dos tempos para que o deus que dança, do também antigo Nietzsche, tenha se retirado do nosso convívio?
            Eu – o corpo que sou – mantenho involuntariamente a ruga na testa ao imaginar o aluno expulso. Em como lhe tratarão os colegas, a família, o bando, a polis, a matilha, a sociedade. Essa mesma que faz vistas grossas ao turismo, ao assédio sexual. Que não vê o alto escalão aliciar com seu dinheiro às crianças das classes miseráveis, ao mesmo tempo em que tem a obsessão de manter virgens e puras às suas filhas. Ou pelo menos a aparência delas.
           Talvez o aluno expulso se convença, ele próprio, de que fez algo condenável. Talvez ele, de artista, se converta ao mais novo bastião da moralidade. E então, que saudável uso teremos feito de nossas atribuições enquanto professores, e de nossos dispositivos de ensino! Tal como os jesuítas, teremos catequizado mais um bom selvagem aos nossos moldes civilizados. Que esse negócio de ficar pelado e relacionar-se despudoradamente com os deuses só pode ser coisa do capeta, né?
… São Bom Capeta, Rogai por nós, os fundamentalmente vestidos!
Foto: Spencer Tunick

Reality show vai leiloar virgindade

Programa é baseado no documentário ‘Virgins Wanted’

The Virgins Wanted website

Um novo reality show, na Austrália , vai leiloar a virgindade de um homem ou de uma mulher todas as semanas. O programa, que promete criar polémica, é baseado no documentário ‘Virgins Wanted’, no qual a brasileira Catarina Migliorini colocou a sua virgindade à venda num leilão. Os produtores do programa querem, agora, transformar o documentário num programa televisivo semanal, onde a virgindade é comprada através de licitações. Cerca de 500 candidatos, homens e mulheres, já se inscreveram…

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Que é que a Bahia tem? Tem a virgindade de uma linda garota de 18 anos

por Dorival Caymmi

Rebeca Bernardo Ribeiro

O Que é que a baiana tem?
O Que é que a baiana tem?

Tem torço de seda, tem!
Tem brincos de ouro tem!
Corrente de ouro tem!
Tem pano-da-costa, tem!
Tem passa rebata, tem!
Pulseira de ouro, tem!
Tem saia engomada, tem!
Sandália enfeitada, tem!
Tem graça como ninguém
Como ela requebra bem!

Quando você se requebrar
Caia por cima de mim
Caia por cima de mim
Caia por cima de mim

O Que é que a baiana tem?
O Que é que a baiana tem?
O Que é que a baiana tem?
O Que é que a baiana tem?

Tem torso de seda, tem!
Tem brincos de ouro tem!
Corrente de ouro tem!
Tem pano-da-costa, tem!
Tem bata rendada, tem!
Pulseira de ouro, tem!
Tem saia engomada, tem!
Sandália enfeitada, tem!
Só vai no Bonfim quem tem
(O Que é que a baiana tem?)
Só vai no Bonfim quem tem
Só vai no Bonfim quem tem

Um rosário de ouro, uma bolota assim
Quem não tem balagandãs não vai no Bonfim
(Oi, não vai no Bonfim)
(Oi, não vai no Bonfim)
(Oi, não vai no Bonfim)

Escute a música na voz de Carmem Miranda e Dorival Caymmi. O vídeo é o único segmento que sobrou do filme “Banana da Terra” (1939)

Na voz de Daniela Mercury 

A virgem que desencantou Sapeaçu

Sapeaçu é um município da região do Recôncavo Sul da Bahia, com apenas 17.087 habitantes espalhados pela pequena cidade e os distritos de Conceição do Almeida, Cruz das Almas, Aporá e Muritiba.

Ninguém numa viu falar em Sapeaçu, um pontinho perdido no mapa da Bahia

Vem uma menina pobre, com um vídeo, e torna o lugarejo conhecido. Pelo feito, vem sendo vítima da bíblica condenação da lapidação.

Após a divulgação do vídeo, a moça é obrigada a conviver com zombarias e com o “apedrejamento” de moedas voadoras e incontáveis chacotas de falsos puritanos

Conta Victor Uchoa:

De repente, duas moedas de 25 centavos voam em direção à jovem de 18 anos que dá explicações sobre a decisão de leiloar a virgindade na internet: “Foi pelo dinheiro mesmo, mas eu queria ajudar minha mãe e garantir um futuro melhor pra gente”.

Em Sapeaçu, a 156 quilômetros de Salvador, esse é o mantra que Rebeca Bernardo Ribeiro repete nos últimos dias. Há uma semana, ela postou no site Youtube um vídeo em que oferece sua primeira vez. Para o bem ou para o mal, virou alvo imediato de todos os olhares da cidade.

Rebeca, 18 anos, virou atração e polêmica em Sapeaçu

Rebeca, 18 anos, virou atração e polêmica em Sapeaçu

Após a divulgação do vídeo, a moça é obrigada a conviver com zombarias como a das moedas voadoras e incontáveis chacotas. “Já me ofereceram R$ 1,99. Teve um que escreveu que dava cinco centavos e queria o troco. Não tá vendo essas moedas aí? Pelo menos já tenho 50 centavos”, diz Rebeca.

“Fiquei assustada com toda essa repercussão. Não esperava que fosse assim. Mas minha virgindade ainda está em leilão”, atesta ela, afirmando já ter recebido um lance real de R$ 60 mil, o que acha pouco. “Talvez por esse valor eu aceite, mas espero ainda uma proposta maior. Se valer a pena, eu faço”, completa, optando sempre pelo eufemismo “coisas íntimas” em lugar do popular “sexo”.

Ajuda
Rebeca admite que teve a ideia após a repercussão do caso da catarinense Catarina Migliorini, 20 anos,  que leiloou sua virgindade por US$ 780 mil (R$ 1,5 milhão). Entretanto, justifica sua atitude revelando o drama da mãe, uma mulher de 57 anos vitimada duas vezes por Acidente Vascular Cerebral (AVC), a primeira há quatro anos, a segunda há cerca de 2 meses. Numa casa simples de quatro cômodos, as duas se viram com uma pensão de um salário mínimo. No quintal, nada se planta. O espaço é ocupado por 13 galinhas e a coelha Vida.

Por onde passa, Rebeca provoca curiosidade. Alguns jogam moedas. Foto: Tayse Argôlo

Por onde passa, Rebeca sofre assédio moral. Alguns jogam moedas. Eta cidade violenta. Foto Tayse Argôlo

“Preciso comprar remédios pra minha mãe e pagar fisioterapia. Ela precisa de muitas sessões. Ninguém pode me julgar. Eu tomei minha decisão sozinha e pronto”, argumenta a jovem, nascida em Itapecerica da Serra (SP), mas moradora de Sapeaçu desde bebê. Seu pai, com quem nunca teve muito contato, morreu há três anos.

Com dificuldade de locomoção e fala limitada, a mãe de Rebeca não conversou com o CORREIO, mas a garota garantiu que ela está ciente de toda a situação. “Só contei depois que o vídeo estava na internet. Ela não gostou, mas disse que tenho 18 anos e posso fazer o que eu quiser”.

Estudante do 2º Ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Dr. Eliel da Silva Martins, Rebeca conta que desde que o vídeo foi parar na internet perdeu o sossego. Nem precisava contar. A mera saída da lanchonete onde conversava com o CORREIO para entrar no carro causou rebu. O burburinho une velhos, jovens e crianças. Um garoto com seus 8 anos se exalta. “Eu pago, eu pago!”, grita, desvairado.

Veja vídeo

Antiga Rua Batucar, que hoje deve ter o nome de algum político

Antiga e pobre Rua Batucar, que hoje deve ter o nome de algum político que nada fez pela cidade

Que pode fazer uma estudante para salvar a mãe? Sapeaçu é a cidade do nada. Foi criada na malandragem da fabricação brasileira de municípios para receber verbas estaduais e federais, e sustentar a vida malandra do prefeito, do vice e vereadores, e ajudar a eleger um deputado estadual.

A palavra Sapeaçu é de origem indígena e significa palha grande. A localidade era habitada pelos índios cariris ou sabujás. Com a expulsão (genocídio) dos indígenas que habitavam o local onde hoje se ergue Sapeaçu, foi edificada a fazenda Sapé Grande de propriedade de Pedro Barbosa Leal, e aí construída uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, em torno da qual se formou uma povoação, também conquistada por outro invasor, Manoel Nascimento Lopes, na localidade conhecida como Cansin.

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. Foto Vicente A. Queiroz

Município originou-se da freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Sapé, desmembrado do município de São Félix, e com a denominação de Vila de Sapé, em 1890.

Os falsos puritanos de Sapeaçu gabam a virgindade de todas as moças solteiras da cidade. É a única cidade do Brasil que as noivas são virgens. E não tem nenhum gay. E nenhuma lésbica. E os moços do lugar casam donzelos.