Velhice chegando e eu chegando ao fim

Ninguém Me Ama
Antônio Maria

Antonio Maria

Antonio Maria

Ninguém me ama, ninguém me quer
Ninguém me chama de meu amor
A vida passa, e eu sem ninguém
E quem me abraça não me quer bem

Vim pela noite tão longa de fracasso em fracasso
E hoje descrente de tudo me resta o cansaço
Cansaço da vida, cansaço de mim
Velhice chegando e eu chegando ao fim

Violência silenciosa: As agressões de filhos contra pais

Velho e arranhado disco.  Por Alex Falcó Chang

Velho e arranhado disco. Por Alex Falcó Chang

BBC – Muitas famílias convivem com um problema grave de violência, mas poucas têm a coragem de denunciá-lo às autoridades ou procurar ajuda: a agressão de filhos contra seus próprios pais.

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A vergonha e o sentimento de culpa evitam que eles falem a respeito do assunto. No entanto, alguns já admitem o problema.

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“Ela me agrediu. Minha filha me jogou no chão, não podia respirar e (ela) quebrou o dedo da avó que tentou me ajudar”, disse à BBC Mundo Mariángeles (nome fictício), uma mãe de 42 anos que mora em Madri, na Espanha.

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Psicólogos e sociólogos analisam o fenômeno, que não é novo, mas aumentou nas últimas décadas.

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É uma forma de violência dentro das famílias na qual os filhos abusam verbal, emocional, econômica e fisicamente dos pais ou tutores para assumir o controle.

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Segundo um estudo feito recentemente pela União Europeia, estima-se que nos Estados Unidos e na Espanha – dois países observados pela pesquisa – 10% das famílias sofrem com este tipo de agressão, que não diferencia nível socioeconômico e muito menos modelo familiar. Os principais agressores, no entanto, costumam ser os adolescentes e as vítimas, as mães.

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Leia mais: ‘Tinha medo do que iam pensar de mim’, diz homem vítima de violência doméstica

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“(Muitos) pensam que acontece em famílias desestruturadas, com problemas econômicos, mas não é assim. Há muita variedade e (acontece em) muitas (famílias que) têm uma posição mais cômoda”, disse à BBC Mundo a psicóloga Esther Roperti.

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Brasil e outros países

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No Brasil, os números da violência de filhos contra pais também são relevantes, de acordo com dados compilados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, feito a partir dos registros catalogados por profissionais em postos de saúde da rede pública.

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Diante de uma suspeita de caso de violência doméstica, sexual e/ou outras violências envolvendo crianças, adolescentes, mulheres e idosos, o agente de saúde é obrigado a registrar oficialmente.

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Em 2012, foram 4.289 casos registrados de violência de filhos contra pais. Em 2013, 5.559 e, em 2014, 4.454 casos. Um total de 14.302 agressões de filhos contra progenitores em apenas três anos.

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De acordo com os dados, organizados e analisados por Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), 70,4% das vítimas da violência dos filhos foram as mães e 29%, os pais.

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E o tipo de violência preponderante, segundo estes dados, é a física. Mas também há incidência de “violência psicológica ou moral e a negligência/abandono (…) provavelmente acompanhando a violência física”.

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Apesar dos números altos e detalhados, Waiselfisz afirma que esta pode ser apenas a “ponta do iceberg”.

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“Estes são os casos de violência daquelas pessoas que já tiveram que ir ao posto de saúde. Ninguém vai ao posto de saúde por causa de uma ameaça”, afirmou.

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Para Waiselfisz, estes casos relatados talvez sejam apenas 80% dos casos de violência física que levam os pais a procurar os serviços de saúde. Ele calcula que 20% destes casos extremos acabem na rede de saúde particular, onde o registro não é obrigatório.

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Outra limitação apontada por Waiselfisz é que não existem dados a respeito dos filhos, apenas das vítimas da violência, os pais.

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A falta de precisão e até de registro deste tipo de violência é uma situação que se repete em muitos países da América Latina, onde não há diferenciação nas estatísticas entre os casos de violência de filhos contra pais e outros casos de violência doméstica.

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Na Argentina, por exemplo, “não existem estatísticas, pois não está tipificado como delito e este tipo de violência é englobada no nível geral, como violência familiar”, afirmou à BBC Mundo Gabriel Bertino, advogado e participante do Congresso Internacional de Violência Filho-Paternal e Violência de Gênero, realizado em 2013 no país.

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Por outro lado, na Colômbia, a agressão de filhos contra pais representou 11% dos 15.829 casos de violência dentro da família registrados em 2013.

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Problema moderno

O Ministério Público da Espanha afirma que, junto com roubos violentos, a violência de filhos contra os pais é o crime que mais leva a detenções e medidas cautelares contra menores de idade naquele país. Em 2013 ocorreram 4.659 denúncias.

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A Europa realizou em 2013 o primeiro estudo sobre o problema, o relatório Abuso Oculto dos Filhos contra os Pais, elaborado pela Universidade de Brighton, na Grã-Bretanha, e financiado pelo Programa Daphne III, que combate a violência que envolve menores de idade.

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“É a forma mais escondida, incompreendida e estigmatizada de violência familiar. Milhares de pais vivem com medo, mas ainda é um tema tabu”, disse Paula Wilcox, pesquisadora que participou do estudo.

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Leia mais: Contra violência doméstica, campanha italiana quer salário para donas de casa

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O estudo acadêmico avaliou a eficácia dos modelos para tratar a violência dos filhos contra os pais na Bulgária, Irlanda, Espanha, Suécia e Inglaterra. Um dos modelos trabalha com grupos paralelos de pais e jovens, ensinando técnicas para lidar melhor com as emoções, enquanto outro modelo se concentra diretamente em como melhorar a vida dos pais.

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Mariángeles teve que denunciar a filha devido ao caso de violência em casa

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“Não quer dizer que (a violência de filhos contra pais) não existia, mas só agora alcança uma grande dimensão, que chama atenção”, disse à BBC Mundo Roberto Pereira, vice-presidente da Sociedade Espanhola para Estudo da Violência Filho-Paternal (Sevifip), pioneira no setor.

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Drogas

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No caso de Mariángeles – citada no início da reportagem – a violência começou a se manifestar depois do divórcio, há seis anos, e piorou depois que ela se mudou para Madri com as duas filhas. A mais velha, que pediu para ser identificada com o nome fictício de Lucía, foi a que passou por mudanças mais difíceis e reconhece que se afastou da mãe.

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Aos 17 anos a jovem começou a usar drogas e foi expulsa do colégio onde estudava. Os professores e orientadores do colégio até sugeriram que a mãe a denunciasse à polícia, mas Mariángeles preferiu procurar ajuda.

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A mãe afirma que seu erro foi não conversar com as filhas sobre as mudanças que viriam e também não impor limites.

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Para especialistas, parte do problema é que que as famílias não têm claro o conceito de autoridade e o sistema educativo é permissivo. São mais amigos do que pais e criam “adolescentes caprichosos que não toleram a frustração”, diz a psicóloga Esther Roperti.
“A falta de limites gera angústia e ansiedade, é como atravessar uma rua sem semáforo”, afirmou a psicóloga.

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Segredo e denúncia

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Muitos pais acreditam que seja uma fase passageira, e que seus filhos os agridem porque é apenas um aspecto da personalidade dos jovens.

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Mas especialistas afirmam que, em muitos casos, a violência é indicador de uma necessidade de limites ou de uma separação indispensável para que o filho possa se desenvolver como indivíduo. Por isto este comportamento ocorre mais na adolescência.

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Muitas vezes, a necessidade de intervenção deve se materializar na forma de uma denúncia para as autoridades. Uma medida – segundo os terapeutas – que protege os pais e pode ajudar para que estes filhos possam se relacionar sem violência.

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Depois de passar um ano frequentando o centro El Laurel, Lucía se reconciliou com a mãe, Mariángeles

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Mas, tomar a decisão e fazer a denúncia também não é fácil devido às consequências legais envolvidas.

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A advogada María José Parras afirma que, às vezes, é um vizinho que chama a polícia e começa todo o processo até o julgamento.

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“É importante assessorar bem os pais, porque denunciar também implica uma ordem de restrição. O filho não pode se aproximar da residência nem falar com os pais, se não cumprir a ordem, será um delito”, afirmou.

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A denúncia pode levar os jovens a centros de menores.

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Mesmo assim, Mariángeles afirma que é preciso denunciar, “para ajudar outras famílias”. “Tenham muita paciência e não percam a esperança”, acrescentou.

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Lucía, a filha de Mariángeles, passou três meses em liberdade vigiada e quase um ano em um centro de menores.

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“Me impactou ver casos mais fortes. Abri os olhos e valorizei mais minha mãe”, disse.

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* Com reportagem de Flavia Nogueira, da BBC Brasil em São Paulo

velhice velho idoso

Nenhuma retórica sobre a velhice

Velho e arranhado disco.  Por Alex Falcó Chang

Velho e arranhado disco. Por Alex Falcó Chang

A Pontifícia academia para a vida interroga-se sobre os cuidados paliativos

 

O reconhecimento do idoso como pessoa e a compreensão das suas necessidades de cura, à luz da natureza necessitada de cada ser humano: em volta destes dois eixos deve girar qualquer reflexão sobre os desafios da assistência à terceira idade.

É a convicção que se repete nas intervenções dos estudiosos cientistas e sacerdotes que na sexta-feira 6 de Março se reuniram no Vaticano para o workshop organizado pela Pontifícia academia para a vida, por ocasião da vigésima primeira assembleia geral.

Durante três sessões – duas de manhã e uma à tarde – relatores qualificados confrontaram-se sobre o tema da assistência aos idosos e dos cuidados paliativos, aprofundando as suas perspectivas ético-antropológicas e socioculturais.

Segundo o bispo presidente, Ignacio Carrasco de Paula, «só partindo de um olhar que reconhece a pessoa idosa como merecedora de ser amada, é possível falar de cuidados ao idoso, também no termo da vida».

Trata-se de um desafio, acrescentou, que se dirige a toda a sociedade: família, instituições, Estado.

De resto, «precisamos todos uns dos outros». Sobretudo os idosos, cuja assistência nunca pode ser «limitada a um ato de beneficência, ou pensada como uma concessão por solidariedade ou filantropia».

Devido a esta situação, concluiu, «também os cuidados paliativos devem ser reavaliados, e considerados não só como “cura da dor”, mas como manifestação de amor; de fato, o cuidando que se dá outro é restituído a si mesmo». L’Osservatore Romano

Quando Começa a Terceira Idade?

O amanhã começou ontem

envelhecer

 

por António Virgílio Silva Tavares

 

Quando começa a terceira idade? Difícil dizer. Mesmo porque a idade está na cuca. Assim como uma pessoa de 20 anos pode ser considerada velha de espírito, um idoso muitas vezes pode esbanjar vitalidade. (…) A espetacular Dercy Gonçalves, do alto dos seus 92 anos, deu um show de sabedoria. Ao encerrar seu programa semanal de TV, a comediante garantiu que a juventude é bonita, mas muito mais bonita é a velhice, que acumula a intensidade da vida.

Talvez seja por esse motivo que o público mais jovem, saturado pela repetição dos ritmos veiculados nas rádios , esteja se voltando cada vez mais para os ídolos do passado, reavaliando sua importância cultural.

Não há nada mais gratificante do que ver a confraternização de pessoas de idades diferentes nas rodas de chorinho ou nos eventos culturais da cidade. O carinho que vem sendo manifestado por novos artistas aos talentos das velhas -guardas das escolas de samba exemplifica bem a riqueza cultural do encontro de gerações.
Esse é um sinal muito significativo porque reafirma a importância da memória e demonstra como ela pode iluminar o caminho dos mais jovens . A admiração pelos artistas tarimbados aponta para o amadurecimento cultural da juventude carioca, além de ser uma prova do quanto temos que aprender com a terceira idade. Até porque o amanhã começou ontem.

Quando começa a Terceira-Idade e quando termina?…

Estas perguntas não são fáceis de responder, pois a vida é um complexo processo de subtis e constantes alterações.
Na nossa sociedade, as modificações que caracterizam a meia-idade surgem por volta dos 50/60 anos .

Ao atingirmos a meia-idade, na maioria dos casos, os homens alcançaram já um certo grau de realização na sua atividade profissional e começam a ter uma idéia dos objetivos que podem alcançar no futuro.

Para a maior parte das mulheres, esse período significa que a dependência dos filhos pequenos ou adolescentes foi ou irá, em breve, ser suplantada pelos problemas específicos de adultos já relativamente independentes.

À medida que avançamos na meia-idade, começamos a dirigir a nossa atenção para a reforma, no que esta representa de maiores disponibilidades de tempo e de possíveis problemas financeiros, bem como a fazer o balanço daquilo que conseguimos realizar na vida.

Na meia-idade começam também a surgir as primeiras alterações de ordem física, através de sinais exteriores bem visíveis, como as rugas e a obesidade, podendo ainda manifestarem-se novas afecções, muitas vezes prolongadas, tais como a arterite, o glaucoma, e as doenças cardiovasculares e outras enfermidades, que numa idade menos avançada poderiam ser tratadas, tornando-se agora difíceis de curar.

Devido à nossa tendência de acentuar a importância da juventude, esquecemo-nos frequentemente que a meia-idade, como qualquer outro período da vida, é também dinâmica, e oferece novas possibilidades, sendo por isso fundamental que envidemos todos os esforços no sentido de mantermos uma boa forma física e psíquica…

…Não podemos nem devemos olvidar que na nossa idade, a riqueza da experiência adquirida através dos anos vividos é algo que nenhuma força do mundo nos poderá tirar. E essa riqueza de experiência adquirida só terá o seu término quando nos colocarmos num estado de inércia que nos arrastará indubitavelmente para o tédio e solidão profundos. In Brasil Medicina. com

 

A INEVITABILIDADE DO FIM

 

por Luciana Chardelli

 

 

Entre nós, o céu, o inferno e o nada
há apenas a vida,
que é a coisa mais frágil do mundo
Blaise Pascal

Amour, Michael Haneke.

Amour, Michael Haneke.

 

O diretor austríaco Michael Haneke em seu filme Amor (Amour, 2012) conduz uma crua e bela reflexão do fim. Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, protagonistas, desenvolvem um trabalho delicado como Georges e Anne, músicos aposentados que vivenciam a suavidade de uma intimidade adquirida ao longo de uma vida. A intimidade é a face mais bela do amor, porquanto que sinônimo de amor nu. Intimidade é a revelação de um todo, construção minuciosa de detalhes íntimos, delicadeza que não precisa ser vista. Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva) chegaram a esse momento do amor, até que Anne sofre um derrame e tem início a caminhada para o inevitável fim.

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É dilacerante em Amor observar o tempo que antecede o fim, tudo se contamina: os espaços, o silêncio, os gemidos; tudo dói. Perceber o fim, seja por qual motivo ele venha, é como arrancar a pele da alma; é contar minutos para o adeus; é procurar palavras sem que nenhuma nova palavra mágica nos seja ensinada. Em Amor, o tempo que antecede o fim cobre de escombros a dignidade, a intimidade, a identidade, as referências.

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Impressiona no filme a lenta modificação no cenário, uma invasão, um tumulto mudo e insistente. Há fins que são uma evasão invasiva. Tudo some, tudo permanece insistentemente.

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Despedir-se do amor nu, íntimo, amante ou amigo é ver partir um pouco de sua própria história. Faz nascer no peito um distante próximo, causando um efeito de carta fechada e endereçada a um destino sem rua. Saudade é carta lacrada, letras silenciosas, inexecutáveis, mas também é o carimbo da existência do prazer e do belo, ainda que findos.

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Existe fim em tudo: no amor, na existência, na infância, na velhice. Todo o começo sempre tem seu fim. Há nesta vida vários fins. A vida, na verdade, é uma grande despedida.

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Trailer

 

 

 

 

São Paulo no fundo do poço

volume morto água

 

 

 

por Otavio Cohen

 

 

O primeiro sinal veio em 2004. Foi nesse ano que a Sabesp, empresa de abastecimento de São Paulo, renovou a autorização para administrar a água na cidade. Mas tinha alguma coisa errada: a estrutura dos reservatórios parecia insuficiente para dar conta de tanta demanda e seria preciso realizar obras para aumentar a capacidade de armazenamento de água. De acordo com os planos da Sabesp, a cidade de São Paulo ficaria bastante dependente do Sistema Cantareira, o que era preocupante. Se a água dos tanques do sistema acabasse, seria o caos. E foi. Em julho de 2014, o volume útil da Cantareira, que atende 8,8 milhões de pessoas na Grande SP, esgotou

Para diminuir o problema, em maio, a Sabesp decidiu usar o volume morto, uma reserva de 400 bilhões de litros que fica abaixo das comportas que retiram água do Sistema Cantareira. Foram feitas obras para bombear mais de 180 bilhões de litros dessa reserva. O volume morto nunca tinha sido usado antes, mas até que resolveu. Por um tempo. A previsão da Agência Nacional das Águas (ANA), órgão federal responsável pela gestão dos recursos hídricos brasileiros, é de que a reserva dure até novembro. A Sabesp pretende fazer obras para bombear mais alguns bilhões de litros do volume morto, para garantir o abastecimento por mais alguns meses. A estimativa mais otimista é de que haja água suficiente até março de 2015. Depois disso, a esperança é a chuva. Se chover como o previsto a partir de outubro de 2014, o Sistema Cantareira pode voltar a operar com 30% de seu volume. Não é muita coisa, mas é o melhor dos cenários. E o pior?

Mesmo se chover mais do que qualquer meteorologista é capaz de prever, mesmo se a população compreender a necessidade urgente de uma redução drástica no consumo de água, ainda será preciso haver um plano de gestão mais eficiente. A recuperação do nível do Sistema Cantareira pode levar até 10 anos. Enquanto isso, a população vai continuar a crescer. Em algumas décadas, pode ser que nem os reservatórios atuais cheios deem conta do recado. (Transcrevi trechos)

 

Pater

Pater

 

VELHOFOBIA. Quem tem velhice é como se fosse um doente contagioso

EU TENHO UM SONHO

De Celso Marconi Lins

 

Celso Marconi

 

Eu queria viver no mundo sem temer o mais forte
Onde quem tem foguetes massacra quem não tem
Onde um empurra o outro simplesmente para passar
E o mais forte apóia sempre o mais forte e nunca o fraco
Como acontece com o grande país do norte daqui
Eu gostaria de caminhar na rua e subir num ônibus sem medo
Mesmo que eu não enxergasse muito bem com um olho
E com o outro olho eu não enxergasse nada nada e nada
Gostaria também de deixar a minha casa aberta
E não tivesse medo de que alguém estranho entrasse
E pudesse deixar meus livros livres para quem quisesse ler
Eu não queria ler no jornal que o pai e a madrasta matou o filho
Não gosto de ver que crianças morreram porque comeram do lixo
Comidas que muitos não se preocupam em deixar só cair no chão
O melhor seria se a gente pudesse caminhar a pé pelas ruas
Até o sol se por e não se preocupar se a noite vai chegando e escurecendo
Acho que uma pessoa de mais de 80 anos deveria andar pra lá e pra cá
Sem subterfúgios sem pressa conversando com alguém que encontrasse
Mas quem tem velhice é como se fosse um doente contagioso
Pra que tanta lei do idoso se a lei que vale é a de ser trancado em casa
Quando o idoso tem casa para ser trancado e então escondido
Quantas coisas eu vejo no mundo de hoje e simplesmente não gosto
E também vejo muitas coisas maravilhosas mas que são distantes escondidas
Será que existe algum planeta onde o animal vivente seja mais moderado
E não precise de se matar e esfolar os outros para sobreviver?
Se existe quero ir para lá mas não com os pés juntos.

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Bairro Novo, Olinda, 3 agosto 2014

A velhofobia e a decadência do Ocidente capitalista

Lucian Freud

Lucian Freud

 

A VELHOFOBIA é mais irracional e cruel do que o racismo, a xenofobia, a lesbofobia, a homofobia. É a mais grave das violências no decadente Ocidente capitalista e cristão.

 

A VELHOFOBIA existe entre os heterossexuais e homossexuais. Aliás, gay quer dizer rapaz alegre. O vivente mais desprezado pelos gays é uma bicha velha. Vale para as lésbicas.

 

velhofobia velhas lésbicas

 

Na maioria heterossexual, as chapeuzinho-vermelho adoram um jovem lobo mau. Elas não gostam é do lobo velho. Quando o nojo sempre foi de quem come.

 

O amor não tem idade. Para a VELHOFOBIA tem. Diferente governos e a justiça criminalizam o amor dos velhos. Que, até para casar, precisam do consentimento dos herdeiros.

 

Não existe amor de mais, nem de menos. Amor de menos é amizade. Amor demais, paixão. O amor é amor, simplesmente.  O sexo por amor é lindo. E sagrado.

 

A VELHOFOBIA é desprezo, nojo dos velhos, que têm sua sexualidade ridicularizada, humilhada, condenada.

viagrarocando7sexo

velhofobia ereção tesão

velhofobia fantasia de jovem

 

Os filhos levam os amositos homo e/ou hetero para a casa dos pais. Ai dos pais separados, divorciados e viúvos se fizerem o mesmo. Os rebentos arrebentam tudo. Tocam fogo na casa. Promovem uma lapidação.

 

Quem tem menos de trinta faz amor com gatos e sapatos, inclusive com drogados, bandidos, gigolôs etc. Depois dos 50 vai ficando cada vez mais difícil neste Brasil das 500 mil prostitutas infantis.

 

Nada mais desumano, cruel e humilhantes do que o nojo. A VELHOFOBIA começa com o nojo.

 

Entre os jovens é mais fácil e aceitável fazer amor com um aidético, um leproso, uma alma sebosa do que com um velho.

 

Um aidético nunca é um velho, ou um idoso ou um ancião, morre antes.

 

Os controladores da sexualidade, os psiquiatras e os governos (para não pagar pensão), os filhos para não dividirem herança, criaram um novo amor considerado como doença e contra a natureza: CRONOFILIA. Ter atrações sexuais fora da sua faixa de idade.

 

Muita gente esquece: PEDOFILIA é a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente, dirigida primariamente para crianças pré-púberes. Adolescentes de 16 ou 17 anos também podem ser classificados como pedófilos, se eles tiverem uma preferência sexual persistente ou predominante por crianças pré-púberes, pelo menos cinco anos mais novas do que eles.

 

Neste mundo em que tudo é descartável, e tudo se torna obsoleto, a velhice se tornou um lixo social. Depois dos 50, nem sexo em casa, nem emprego nas empresas privadas.

 

Que fique criado, e que seja divulgado o termo VELHOFOBIA.

 

velhofobia cadeirante

velhofobia doença

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Giancarlo

Giancarlo

 

Vitória

Vitória

 

 

Goiânia

Goiânia

 

 

 

BRA_FDSP velho idoso aumenta solidão abrigo

Que as mulheres, na terceira idade, esqueçam os netos e aproveitem o orgasmo

Depois dos 60 anos, Catarina II da Rússia, teve 14 amantes. O último foi Platon Zubov, que tinha 22 quando ela morreu aos 68 anos de uma isquemia.

Depois dos 60, Catarina II da Rússia teve 14 amantes. O último foi Platon Zubov, que tinha 22 quando ela morreu aos 68 anos de uma isquemia.

Nas favelas e cortiços brasileiros, as mulheres costumam ter parceiros mais jovens. Esta preferência não causa nenhum escândalo.

Na classe média, a mulher não pode desfrutar desse luxo e gozo. Principalmente quando existe herança em jogo. E são as filhas adultas, e casadas, que torcem para que a mãe envelheça na solidão e abandono.

Escravocratas, as filhas costumam transformar a mãe em babá e cozinheira.

Esquecem que o prazer sexual feminino aumenta com a idade.

Taíssa Stivanin escreve: estudo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, feito com um grupo de 806 mulheres de 67 anos em média, revelou que 61% delas estão satisfeitas com sua vida sexual, e 67,1% atingiram o orgasmo na maioria das vezes ou em todos os casos. Outro dado impressionante é que, entre as entrevistadas de mais de 80 anos, metade afirma que continua sentindo prazer nas relações. Prova de que, apesar de ainda ser tabu, o sexo na terceira idade pode ser satisfatório, como nos explica a sexóloga Maria Helena Vilela, diretora-executiva do Instituto Kaplan.
A pesquisa é de 2012. Outras mais recentes confirmam que mulheres têm mais orgasmo na terceira idade.