Para a sociedade respeitar a diversidade, precisa tornar visível aquelas que foram ocultadas

por Larissa Passos

 

VISIBILIDADE-LÉSBICA

 

Em uma sociedade como a brasileira, constituída e estruturada pela diversidade, dentre elas, a sexual, um dos temas que ocupa cada vez mais destaque nas discussões é o da garantia dos direitos das Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBTT. O incentivo ao reconhecimento da diversidade sexual deve ser vista como um direito e não uma concessão à classe LGBTT, para as políticas educacionais, práticas docentes, processos de aprendizagem e relações sociais.

Dada à realidade dos dias atuais, é cada vez mais visível a nova proposta que vem emergindo, de um novo olhar sobre a educação, o social e as relações de gênero, que visa romper com a perspectiva heterossexista. Numa linha onde o masculino deixa de ser o ponto de referência, para que assim possa-se pensar em mulheres de diferentes classes, raças, religiões, idades, e orientações do desejo, inclusive dos desejos sexuais.

É valido lembrar que mulheres lésbicas e bissexuais, antes de identificar sua homossexualidade, são formatadas como mulheres, membro de uma sociedade de e com gênero, onde a divisão masculino-feminino é simétrica e complementar, porém, na prática se perpetuam assimétricas e desiguais. Onde o espaço público – política, trabalho, uso da rua, autoridade do estado, predação sexual – é do masculino, e o espaço privado – casa, família, reprodução, educação, prestação de cuidados, recato sexual – é do feminino.

Muitas mulheres não têm suas histórias contadas, pois, nossa sociedade ainda tem suas raízes fixadas no heterossexismo e patriarcado, e para destruir estas raízes, torna-se necessário a ampliação dos espaços sociais para a expressão da diversidade e criação de políticas públicas para ocorrer às mudanças desse paradigma.

A invisibilidade das mulheres foi construída na sociedade através de múltiplos discursos, e das mulheres lésbicas e bissexuais de forma mais invisível, uma vez que as relações de afetividade eram consideradas práticas culturais do universo feminino. Nesta sociedade heteronormativa e patriarcal a mulher possui um padrão que preestabelece suas características: como se portar nos espaços sociais de acordo com cada idade; casar e ter filhos, cuidar da casa, do marido, dos filhos/as. O espaço familiar é o inicio do sistema repressor que impõe este modelo que estruturam as formas de sobreviver, se inserir na sociedade e a primeira é a auto-invisibilização nos espaços de convivências sociais. Esta lógica que pressupõe a valorização das relações heterossexuais em detrimento das “outras”, inicia na família e nos outros espaços na forma de normatizadas e naturalizadas. A escola se classifica como o espaço de punir e reformar as/os desviantes das ordens do sistema.

Essa pressuposição estrutural apresenta problemas que afeta diretamente a vida das mulheres lésbicas e bissexuais, na questão da saúde de seu corpo, a relação sexual com sua parceira por não gerar filhos/as, tem os procedimentos ginecológicos inviabilizados, mas, a secreção vaginal e o sangue são veículos para transmitir as doenças sexuais. Como também o câncer de mama, que assim como muitas outras mulheres, escolhem não exercer a maternidade, e segundo estudos, o não estimular das glândulas mamárias pode facilitar o aparecimento de câncer. Falar da saúde da mulher lésbica e tornar todas as mulheres visíveis socialmente e principalmente para o Estado, e a ignorância e o descaso médico em relação à diversidade da sexualidade não pode ser mais aceita.

Mulheres são constantemente diminuídas e sofrem violências diversificadas, as lésbicas e bissexuais são tidas como aquelas que não encontraram ainda um “homem de verdade”; que querem “atrair as atenções”; estar “passando por uma fase de experimentação”; sofreu algum “trauma” ou “violência sexual”; ou mulheres “feias”, “gordas”, “mal amadas”, “mal comidas” se tornam lésbicas; sua relação é vista como “um fetiche para o homem”, e um convite pra “um ménage”. O que geram os estupros corretivos e coletivos a estas, que em sua grande totalidade são invisibilizada, no momento de registro da ocorrência, que apenas registra-se a palavra estupro, configurando uma ação machista e não é somada a essa ação o motivo real, a lesbofobia que é o ódio e aversão à relação entre duas mulheres.

Partindo desse ponto, onde as relações de afetividades (abraços, beijos, mãos dadas e etc) entre mulheres são consideradas algo particular ao universo feminino, percebeu que, a sexualidade entre as lésbicas e bissexuais não é o problema ou incomodo a sociedade, o que não é permitido é a quebra da ordem patriarcal, a destruição da heteronormatividade compulsória, a perda do domínio dos homens sobre as mulheres, e a concepção de família baseada nos princípios religiosos. E concluo que o aprisionamento, das lésbicas e bissexuais, e construção do medo que se apresenta na forma do silêncio, são devido ao fato de que assumir sua orientação sexual, significa afrontar o sistema, que responde com agressões verbais, físicas e a exclusão dos espaços sociais, principalmente, o familiar.

São os processos sociais heteronormativos e patriarcais que fundamentam essa invisibilidade, pois eles naturalizam e/ou normalizam a forma das pessoas se relacionarem e viverem sua sexualidade. É necessário à implementação de políticas públicas na prevenção e combate à homofobia na Educação brasileira (Universidades, Institutos Federais e Escolas). A Educação é estratégica para a construção de uma sociedade igualitária e que respeite a diversidade sexual.

Discutir a visibilidade lésbica é apresentar o sistema onde vivemos e problematizar o lugar que a sociedade coloca a mulher, identificar o machismo e as relações desiguais de gênero. Só com a desnaturalização e superação das relações desiguais que estruturam nossa cultura e o Estado.

Finalizo fazendo um ato político que busca transcender o conceito de identidade sexual, visando à desconstrução da heterossexualidade compulsória, da heteronormatividade que estrutura todas as condutas da vida e corpo da mulher na sociedade, afirmando: Sou lésbica, protagonista de minha vida, organizada na militância política feminista, que explica a estruturação e aglutinação das opressões e que constrói coletivamente formas de enfrentamento ao fundamentalismo religioso, machismo, heterossexismo e patriarcado. O silêncio reforça, alimenta e estimula o preconceito, contra uma globalização do machismo, racismo e lesbofobia, uma revolução FEMINISTA!

 

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*Larissa Passos é 1ª Diretora LGBTT da UNE (Transcrevi trechos)

Bélgica faz greve geral. O Brasil nunca fez isso

Para ter greve geral é preciso centrais sindicais livres, sem pelegos, sem ONGs de ladrões.

Para ter greve geral é preciso movimento estudantil livre, sem diretórios acadêmicos a serviço de partidos políticos e de uma UNE sem dinheiro estatal como acontece no Chile.

Greve geral acontece em todos os países democráticos da Europa. Principalmente contra a perda de direitos trabalhistas.

No Brasil, os trabalhadores perderam todos os direitos. O ditador Castelo Branco cassou a estabilidade no emprego, e Fernando Henrique e Lula rasgaram a CLT.

Todo emprego  passou a ser temporário, pra lá de precário. E ninguém reclama. Uns chamam esse comportamento de apatia; outros, louvam o mito do Brasil cordial.

Uma greve geral marcada pelas três confederações sindicais belgas ameaça mergulhar a Bélgica no caos, na segunda-feira, com efeitos mais abrangentes do que a de dezembro último, quando a função pública parou por um dia.

No mesmo dia, está marcado um Conselho Europeu para discutir a crise na zona euro, com o foco nas medidas de luta contra o desemprego.

A data cimeira esteve para ser alterada por causa da greve, mas acabou por ser mantida para dia 30.

A greve tem como objectivo lutar contra as medidas de austeridade previstas no orçamento para este ano e contestar as alterações às políticas de desemprego e de reforma decididas pelo governo liderado pelo socialista francófono Elio Di Rupo.

No que respeita ao regime das reformas, os anos de trabalho vão aumentar de 35 para 40, em 2015, com um período transitório para as mulheres.

Dentro de três anos, a maior parte dos planos de pré-reforma terão como idade de referência os 60 anos, com uma carreira de 40 anos (a entrada em vigor para as mulheres é 2017).

A partir do próximo ano, a reforma antecipada só será possível com 38 anos de descontos (40, em 2015) e a idade mínima passará dos 60 para os 62 anos em 2016.

Já no que respeita ao subsídio de desemprego, este será reduzido após dois anos e suprimido ao fim de quatro.

O complemento para desempregados com mais de 50 anos e com 20 anos de descontos passa, em julho, a ser atribuído a partir dos 55 anos.

Também as condições para um desempregado rejeitar uma oferta que considere inadequada são alteradas: a distância entre a residência e o local de trabalho sobe dos 25 para os 60 quilómetros e o período é reduzido para três ou cinco meses (em vez de seis), conforme a idade.

 Mais dura que seja a reforma belga, ela seria um bem jamais sonhado pelo brasileiro.