El llamado de Lula en Brasil: Defender a Petrobras

Lula petrobras

por Juan Manuel Karg

El reciente acto “En defensa de Petrobras”, realizado por la Central Única de Trabajadores (CUT) de Brasil contó con una presencia relevante: nada menos que el ex presidente Luis Inácio Lula da Silva, quien ofreció un discurso importante en un momento donde un sector de la oposición brasileña plantea el “impeachment” – es decir, la destitución – de la presidenta Dilma Rousseuff. ¿Qué le recomendó a Dilma? ¿Qué dijo sobre Petrobras? ¿Qué posibilidades hay de que el “impeachment” avance?

Días atrás Lula habló en Rio de Janeiro, en el marco de una actividad organizada por la CUT – Central Única de Trabajadores -. Allí el ex presidente se refirió con claridad a los hechos de corrupción que se investigan en relación a Petrobras, la empresa energética estatal brasileña. Sin esquivar el bulto de las investigaciones en curso, Lula alegó que “no se puede juzgar a Petrobras por un grupo de personas”, en referencia a los implicados, para luego sentenciar que “el objetivo es castigar a Petrobras y criminalizar la política”. El ex metalúrgico también tuvo tiempo para criticar la cobertura mediática hegemónica sobre el caso, y se atrevió a aconsejar a la presidenta, compañera suya en el Partido de los Trabajadores. “Dilma tiene que levantar la cabeza y decir: ´yo gané las elecciones´”, dijo, mostrando su intención de contrarrestar una fuerte campaña mediática en contra de los dirigentes del PT por este caso.

Ahora bien: ¿qué posibilidades reales hay de que el “impeachment” tenga lugar y se haga efectivo? La probabilidades parecen bajas, visto y considerando que, desde Sarney en adelante, todos los gobernantes – Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, y el propio Lula – han enfrentado momentos donde sus oposiciones parlamentarias han intentado que este proceso se lleve adelante. Sólo en el caso de Collor de Mello – año 1992 – esto efectivamente tuvo lugar, acompañado por un proceso de movilización social grande frente a las denuncias de un esquema de lavado de dinero en el exterior. En aquel entonces, una amplia mayoría de diputados -441 sobre 509 – definió que avance el “impeachment” y que Collor sea reemplazado por su vice, Itamar Franco.

Sin embargo, la disputa en relación a Dilma parece tener otro sentido, más allá del horizonte cortoplacista: se dispone a erosionar a su figura, pero también a intentar esmerilar al gobernante Partido de los Trabajadores de cara a las próximas elecciones, donde el propio Lula podría ser candidato nuevamente. En ese sentido se programa una movilización opositora fuerte – en las principales ciudades del país – para el próximo 15 de marzo, convocada por la oposición conservadora pero contando asimismo con un nítido impulso de algunos medios de comunicación. Incluso uno de los directores de Rede Globo, Erik Bretas, quien dirige la parte de “medios digitales” del conglomerado mediático de la familia Marinho, anunció públicamente, a través de su cuenta en Facebook, que participará activamente de la movilización, lo que produjo un gran revuelo – por el sinceramiento que significa – en la política brasileña.

Asimismo, desde las fuerzas que apoyan al gobierno de Dilma se programa una marcha previa – el 13 de marzo – bajo la consigna “por la paz y la democracia”. ¿Tomará Dilma el “consejo” de Lula y apostará a tener un perfil más alto en los próximos días, retomando la iniciativa política en otros planos? ¿Apostará el PT por avanzar en una nueva legislación mediática, visto y considerando que los principales conglomerados de aquel país han decidido jugar fuertemente por el “impeachment”? Se avecinan semanas convulsionadas en la política brasileña, a sólo meses de la votación presidencial que otorgó un nuevo período de gobierno al Partido de los Trabajadores

 

 

Ano Novo, Festa de Iemanjá

Réveillon no Rio

 

Iemanjá, Portinari clique para ampliar

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por Talis Andrade

 

Na noite festiva
a praia iluminada
esbarro em uma multidão
vestida de branco
Não há como negar a beleza
são milhões de velas acesas
nas areias de Copacabana

Chuva de ouro e prata
cai sobre nossas cabeças
Os fogos de artifício
jorram em cascatas
do alto
de suntuosos edifícios
Os fogos de vista
desenham nos ares
flores e estrelas

Nas areias de Copacabana
o povo presenteia Iemanjá
com vinho e manjares
que as ondas levam
para o largo-mar

Na noite de fim de ano
o solitário desejo
as ondas cobertas de flores
consigam adormecer
meu corpo indefeso

Na iluminada noite
o povo canta e dança
para Iemanjá
O povo dança e reza
Iemanjá devolva
em dobro as oferendas
que as ondas levam
que as ondas levam
para o largo-mar

 

Ratos e urubus, larguem nossas fantasias

 

reveillon
por Fernando Brito

 

“Não há nada mais importante para destruir um povo do que lhe tirar aquilo que o define: sua identidade , a capacidade de sonhar coletivamente e fazer juntos.

E esta identidade, desde os primórdios da civilização, encontra – próprias ou “importadas e adaptadas” – as festas como expressão deste sentir coletivo.
Tão intenso que Leonardo Boff, ao defini-las, disse que são “o tempo forte da vida, onde os homens dizem sim a todas as coisas”.

Os mecanismos de dominação, com todo o seu poder, se apropriam das representações simbólicas desta identidade, esvaziam seu significado, empresariam-nas, comercializam-nas e as tentam moldar aquilo que é da própria natureza da dominação: a exploração econômica.
E, no entanto, aquele sentido permanece.

Talvez seja a coisa mais importante a se aprender em política, em economia, na vida.

Que os ratos e urubus, como delirou genialmente o Joãosinho Trinta, querem sempre rasgar as nossas fantasias coletivas.
Os nossos sonhos e desejos.

Vivemos – ou viveram vocês, porque minha vocação de eremita vem de longe – nestes últimos dias, um destes momentos, o Ano Novo.

Aliás, até o “Réveillon” é outra destas magníficas provas de que o povão recebe, digere e sintetiza, porque não é palavra de uso corrente nem no francês, onde designava uma ceia tardia, própria do Natal. No meu tempo de guri, só os metidos a besta usavam a palavra e eu, na tolice própria dos pretensiosos, custei a ver este macunaímico processo de fagia de sentido.

Sobre isso, recebo e partilho duas reflexões.

A de meu velho mestre Nílson Lage e a do meu ex-calouro (que hoje tem mais cabelos brancos e mais talento do que eu) Fernando Mollica, colunista de O Dia.

É minha maneira, furtada, de desejar a todos que possamos, apesar dos que nos acenam com o inferno e a danação do desastre nacional, um feliz 2015.

 

A festa resiste

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por Nílson Lage

 

O importante, no carnaval e no reveillon de Copacabana, é que são invenções e realizações magníficas do nosso povo que, a princípio, tentaram excluir e sabotar e, agora, fingem promover.

Lembro-me bem das medidas “profiláticas” tomadas para impedir que as praias fossem “emporcalhadas” pelos despachos a Iemanjá e os moradores das vizinhanças “perturbados” pela gritaria dos festeiros; das ameaças de repressão policial e das pressões da Arquidiocese sobre a redação do Jornal do Brasil.

Ainda no final da década de 1970, a Rede Globo, empenhada em eliminar da programação resíduos do que os militares consideravam inoportuno ou grotesco, reduziu ao máximo a cobertura dos desfiles de escolas de samba, com o slogan “A programação normal e o melhor do carnaval”.

Foi quando Fernando Pamplona, superintendente da Fundação TV Educativa do Rio de Janeiro, com meu modesto apoio (era gerente de jornalismo), mobilizou os recursos modestíssimos da emissora e pôs no ar a transmissão completa dos desfiles.

Eu estava no controle mestre e recebia, sem parar, telefonemas de todos os estados e do exterior pedindo que abrisse o sinal para inclusão na rede.

Foi aí que a Globo decidiu negociar com os bicheiros das escolas de samba, pagou uma nota, segurou a exclusividade e até hoje reduz a cobertura o quanto pode, com chamadinhas ridículas das músicas, a indefectível novela cobrindo o início do desfile, a narração desinformada e palpiteira, tudo enfeitado com as curvas da Globeleza, invenção romântica do Hans Donner.

Mas a festa resiste. Aos palanques, aos bicheiros, aos carolas, aos Marinho, às vedetes. Foi nela que primeiro se ouviu falar de Chica da Silva, que Delmiro Gouveia foi, enfim, lembrado, que o Cristo Trabalhador coberto em um manto negro mostrou que a fé do povo vai muito além dos ditames seculares da hierarquia da Igreja.

É o DNA, a origem, o que diferencia o carnaval e o reveillon do Rio de quantos o copiaram.

 

A nossa bela insanidade

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por Fernando Mollica

 

O Réveillon de Copacabana é, de longe, campeão em matéria de insanidade carioca que dá certo. A festa tinha tudo para dar errado numa cidade imensa, marcada pela beleza mas também pela violência e exclusão. É inacreditável que o evento se repita há décadas sem que jamais tenha sido registrado um tumulto de grandes proporções — até os de pequena monta são raros. Nem na época em que o Rio era associado a frequentes tiroteios, a passagem de ano na Avenida Atlântica deixou de ser pacífica.

E olha que somos bons em desafiar a lógica. A apresentação das escolas de samba é outro exemplo da nossa capacidade de driblar o impossível. Comecei a frequentar a Sapucaí dois anos antes da construção do Sambódromo, e até hoje não entendo como pode funcionar um espetáculo com 50 mil artistas, quase todos amadores e que se apresentam sem ter participado de um ensaio geral digno desse nome. Conduzir os imensos carros alegóricos pelas ruas e obrigá-los a fazer uma curva de noventa graus para entrar na pista de desfile são atividades que desafiam as leis da física.

Mas nada se compara ao nosso Réveillon, festa que acabou copiada por muitas cidades brasileiras. Aposto que nem no pra lá de organizado e seguro Japão as autoridades teriam coragem de estimular uma confraternização que reunisse tanta gente, a maioria com elevadas doses de álcool no organismo.

Estima-se em dois milhões o número de pessoas presentes na praia — um terço da população carioca. A maior parte do público mora longe de Copacabana, passa sufoco para entrar e, principalmente, sair do bairro, enfrenta filas para ir ao banheiro, gasta uma grana para comer e beber por lá. Tudo isso para acompanhar um espetáculo que dura 16 minutos — as atrações musicais são apenas coadjuvantes e não justificariam o deslocamento de tanta gente.

Nem mesmo a beleza dos fogos explica tamanho sucesso de público, o mesmo espetáculo seria incapaz de reunir tantas pessoas se realizado em outra época do ano. A esperança é que justifica a aglomeração e seu caráter pacífico, ninguém ali parece preocupado em atrapalhar os sonhos e os desejos dos outros. Na passagem do dia 31 para o dia 1º saudamos a vida, comemoramos tudo que correu bem e nos damos outra chance de resolver o que ainda está complicado. Tudo isso merece os fogos e a barulheira. O Réveillon de Copa e o desfile das escolas renovam também a nossa fé no país. Não pode dar errado uma sociedade que reúne pessoas capazes de promover as melhores e loucas festas do mundo.”

 

 

Explorada pela TV Globo, Hilda Furacão morre aos 83 anos em asilo para pobres em Buenos Aires

Certas personalidades, nomes lendários, figuras públicas, figuras que estão eternizados nas artes, no folclore, professores, poetas e jornalistas não deviam morrer na miséria. Quando existem pensões concedidas a herdeiros de grandes fortunas.

Quem tem relevantes serviços prestados ao Brasil não pode ser marginalizado pelos poderes executivo, legislativo e judiciário.

Personalidade de Belo Horizonte. Prostituta que inspirou livro de Roberto Drummond e minissérie da Globo, Hilda Furacão foi casada com jogador que passou pelo Atlético, São Paulo e clubes do exterior

por Raíssa Maciel/ O Tempo

Hilda Furacao

Hilda Maia Valentim, a Hilda Furacão, personagem que fez história em Belo Horizonte na década de 1950, morreu nesta segunda-feira (29), no asilo público em que vivia, em Buenos Aires, na Argentina. Fonte de inspiração para o personagem de Roberto Drummond e a minissérie produzida pela Rede Globo em 1998, ela tinha 83 anos.

O Lar de Idosos Guillermo Rawson confirmou à reportagem de O TEMPO que Hilda morreu nesta segunda-feira, mas não informou a causa da morte. “Ela já vinha tendo algumas complicações de saúde. Agora, estamos analisando como vamos fazer para providenciar o enterro”, disse uma assistente social do asilo, que é público e destinado a pessoas pobres.

Nascida em Recife (PE), Hilda foi com a família para Belo Horizonte ainda criança. Na juventude, tornou-se famosa e era conhecida como a prostituta Hilda Furacão. Foi na zona boêmia da capital mineira, especialmente no Hotel Maravilhoso, na rua Gaicurus, no centro da cidade, que conheceu o jogador de futebol Paulo Valentim, então no Atlético, e que também jogou no Boca Juniors, no São Paulo e no Atlante, no México. Eles se casaram no fim da década de 1950, quando Hilda Maia acrescentou o sobrenome Valentim.

A decadência do atleta teria vindo por causa do vício em álcool e jogo. No México, Hilda e Paulo Valentim já estariam pobres no início da década de 1970. Ela trabalharia como faxineira, costureira e babá para sustentar a família. Paulo Valentim morreu em 1984, quando Hilda passou a viver com o filho. Mas ela perdeu também o filho, em 2013. Sem família, foi para o asilo depois de seis meses internada em um hospital por causa de uma queda. Em entrevista ao “Fantástico” em agosto deste ano, ela contou do amor pelo marido, das histórias da boemia, dos fazendeiros que a pediram em casamento e deu uma justificativa para o apelido Furacão: “Eu era brava”.

Hilda Maia Valentim só foi associada à personagem mítica recentemente, mas desde a década de 1990 já se sabia que ela era real. Na época, o escritor mineiro Roberto Drummond revelou que a personagem de seu livro tinha uma inspiração de carne e osso. “Hilda existiu. Mas ela foi de tal forma mitificada e mistificada que se transformou num boato. Um boato festivo, colorido, maravilhoso. O livro é contato através desse boato”, disse à época.

A VERDADEIRA HILDA FURAÇÃO

Hilda e Paulo Valentim

Hilda e Paulo Valentim

por Daniel Alves dos Santos Mendes

A autêntica Hilda Furacão casou-se na igreja com Paulo Valentim, tendo como padrinho João Saldanha (1917-1990), numa cerimônia que quase virou notícia de jornal. Quem me contou tudo isso foi meu amigo Neivaldo Carvalho (1933-2006), um dos mais corajosos e ecléticos jogadores que o Botafogo já teve até os dias de hoje e contemporâneo de Paulo Catimba Valentim nos grandes e inesquecíveis tempos do clube de General Severiano.

A cerimônia do casamento teve momentos de suspense. A certa altura, o padre, com pouquíssima sutileza, fez um sermão e, dirigindo-se à Hilda, disse que esperava que ela abandonasse de vez a chamada mais antiga das profissões. Paulo Valentim irritou-se e queria bater no padre. Curiosamente, quem interveio e evitou um conflito generalizado foi nada menos do que João Saldanha, que de religioso não tinha nada, pois era marxista-leninista de carteirinha.

Daí em diante, pelo menos a partir de 1984 – ano da morte de Paulo Valentim – nada se sabe de Hilda Furacão. Neivaldo me dizia que acreditava que ela teria ido para o México – por onde Paulo Valentim também andou – e simplesmente desaparecido do mapa. Quanto a Paulo Valentim – ídolo também no Boca Juniors, por fazer muitos gols no River Plate – sabe-se apenas que morreu pobre em Buenos Aires, e que só não foi enterrado em cova rasa, para indigentes, porque o presidente do Boca, J.J.Armando comprou-lhe uma sepultura modesta

 

“PRIMEIRA-DAMA” DO BOCA JUNIORS

Hilda e Valentim

Hilda e Valentim

Hilda Valentim foi famosa em Buenos Aires como a “primeira-dama” do Boca Juniors, por ser casada com o jogador Paulo Valentim, craque do clube nos anos 1960. Ela lembra da época. “Com o Paulo, conheci 25 países. Ele era o único que tinha permissão para levar a mulher. Eu ia a todos os lugares”, conta.

Hacia una democracia mediática para Brasil

LA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF INICIA SU SEGUNDO MANDATO CON UNA DECISION POLITICA DE FONDO

Luego del ajuste fiscal, sobre el cual hay abundancia de noticias y escasez de informaciones, Dilma mencionó la reforma del mercado “oligopólico” de noticias y entretenimientos como una prioridad del próximo gobierno.

“No se puede confundir regulación económica con regulación de contenidos”, precisó Dilma. Imagen: AFP

“No se puede confundir regulación económica con regulación de contenidos”, precisó Dilma.
Imagen: AFP

por Darío Pignotti

En su condición de presidenta reelecta, Dilma Rousseff manifestó por primera vez, en extenso, la decisión de impulsar un debate nacional sobre el marco regulador de los medios masivos, tema que se había esquivado durante su primer mandato puesto que ensayó una convivencia pacífica (que no fue) con el grupo empresarial Globo, receloso de cualquier norma que acote sus privilegios. Luego del ajuste fiscal, sobre el que hay abundancia de noticias y escasez de informaciones, y el nombramiento de los ministros que integrarán el gabinete, que son los temas excluyentes en las próximas semanas, la presidenta mencionó la reforma del mercado “oligopólico” de noticias y entretenimientos como uno de los asuntos importantes del próximo gobierno que formalmente comenzará el 1º de enero.

Una eventual ley sólo será aprobada luego de “una discusión con la sociedad, para esto se requieren consultas públicas, quiero abrir un proceso de discusión en el primero o segundo trimestres del año próximo”, afirmó Dilma.

“La libertad de prensa es la piedra fundamental de la democracia, esto es básico. Pero hay que decir que la libertad de prensa no tiene nada que ver con la regulación” de industria de la información.

“No se puede confundir regulación económica con regulación de contenidos”, precisó Dilma y reforzó “cuando hablo de regulación pienso en los oligopolios y monopolios que pueden existir en cualquier sector. ¿Por qué la energía y el petróleo tienen regulación y los medios no pueden tenerla?”.

La presidenta, que en 2013 suspendió una visita de Estado a Washington en repudio al espionaje de la agencia NSA, anticipó que planea un “amplio debate a ejemplo de lo que ocurrió con el marco civil de Internet”, aprobado por el Congreso luego de que Brasil denunció ante la ONU las “violaciones a nuestra soberanía” e inició negociaciones para tender un cable de fibra óptica hacia Europa, como forma de evitar que sus datos sean almacenados en Estados Unidos.

Las palabras de Dilma, publicadas el viernes en una entrevista al diario O Globo, revelan una decisión política de fondo, inédita en los 12 años de gobiernos petistas: iniciar la transición hacia la democracia mediática, pese a la oposición de las empresas defensoras de un modelo al que se puede caracterizar como alegal, ya que en Brasil carece de una legislación específica.

Esto constituye un caso de exclusión comunicacional atípico, sin equivalentes entre las potencias europeas donde coexisten grupos privados y grandes cadenas estatales (herencia del Estado de Bienestar) y los países latinoamericanos gobernados por líderes progresistas, quienes comprendieron que para consolidar la democracia en un sentido amplio, en muchos casos recientes, es imprescindible desmontar estructuras mediáticas concentradas e incorporar nuevos actores a través de medios públicos con financiamiento generoso.

Columnistas del Grupo Globo definieron al proyecto que aún no comenzó a ser debatido como “tentación totalitaria del PT”, al que acusan de seguir las “enseñanzas del régimen bolivariano conocido por perseguir a la prensa independiente”.

Lenguaje similar, y en ocasiones más virulento, emplea la imaginativa revista Veja.

Reinaldo Azevedo, que publica un exitoso blog en ese semanario, proclamó la semana pasada que “los golpes también se dan con el respaldo de los votos… Hitler es un ejemplo”, y denunció al gobierno de urdir un plan “maquiavélico” para imponer un régimen de partido único, “inspirado en las enseñanzas del pensador Antonio Gramsci”.

Campaña electoral

Durante la campaña Dilma había dado señales sobre su intención de adoptar una posición más enérgica en materia de medios, un tema al que le había prestado poca atención durante sus primeros cuatro años de mandato. Antes de ello el PT y Lula ya habían manifestado su respaldo a una ley.

Por su parte, el candidato del polo conservador Aécio Neves se posicionó contra cualquier regulación y, asumiendo como suyo el discurso de la Asociación Brasileña de Empresas de Radio y Televisión, rechazó las “amenazas a la libertad de expresión a las que nos tiene acostumbrados el PT” .

Un hecho que posiblemente explica la decisión de ir a fondo, anunciada el viernes por Rousseff, fue el montaje urdido por Veja, de Editorial Abril, con la anuencia del resto de los medios, para boicotear el triunfo petista del 26 de octubre.

El viernes 24 de ese mes, cuando todos los sondeos indicaban que la presidenta había aumentado su ventaja sobre Neves, a unos 8 puntos, fue anticipada la edición sabatina de Veja con una denuncia posiblemente falsa que involucraba a Dilma y Lula con una red de corrupción en la petrolera Petrobras.

La maniobra, que se sumó a otras perpetradas en los últimos meses, seguramente fue orquestada con la oposición y recibió una sanción del Tribunal Superior Electoral, medida que no impidió un clima de desinformación y rumores lesivos para la candidata finalmente reelecta por sólo tres puntos de diferencia.

En su reciente entrevista, la mandataria no mencionó abiertamente a Veja (que por estos días impulsa un impeachment), pero indirectamente la comparó al tabloide News of the World, del magnate Rupert Murdoch, que dejó de ser publicado luego de un escándalo por escuchas ilegales revelado en 2011.

Franz Kafka e os roteiros da panóptica espionagem global

DEMOCRACIA ROTEIRIZADA

 

tv manipulação pensamento globo

 

 

por Luís Eustáquio Soares

 

Um dos aspectos mais interessantes da literatura do escritor checo Franz Kafka (1883-1924) está relacionado com a sua potência para mostrar como as relações de poder se inscrevem em todos os lugares, porque tudo está absolutamente misturado. É assim, por exemplo, que no romance O processo (1925), o ateliê do personagem Titorelli, pintor de juízes, é também o seu quarto de dormir, que é também um cubículo de um imenso cortiço popular, que é também o próprio tribunal de justiça, onde K, o protagonista da narrativa, é processado sem ter feito mal algum.

2.

Em consonância com a trama do romance O processo, é possível argumentar que todo e qualquer poder é tanto mais presente quanto mais onipresente; tanto mais potente quanto mais onipotente e tanto mais transcendente quanto imanente, quanto mais existe em qualquer um, de tal maneira que seu centro se confunde com sua periferia, tal como ocorre em outro romance de Franz Kafka, O castelo (1926), cuja trama apresenta um nevoado castelo no topo de uma montanha e uma vila cujos habitantes vivem em função de sua onipresença soberana, não obstante a impossibilidade de alcançá-lo, como se ele existisse de tanto não existir realmente: uma miragem que assombra os aldeões, contaminados que estão com a bruma misteriosa e indevassável que vem do castelo.

3.

A força imperial do castelo advém de sua distância e pelo efeito que esta causa na Vila, cuja vida real é sequestrada pelos próprios aldeões, que agem e vivem sob o julgo de uma tirânica e tragicômica hierarquia supostamente advinda de um castelo que ao fim e ao cabo não passa de um retrato na parede, para lembrar um verso de um poema de Drummond. Os miseráveis súditos da vila vivem como se estivessem condenados ao inferno de existir dentro do tempo histórico, mas sem poder modificá-lo, como se fossem mortos vivos, porque o castelo é o próprio tempo sem história, um tempo fora do tempo, dono de todos os tempos – tempo morto que mata o tempo dos vivos; tempo parasita que sanguessuga os aldeões hospedeiros, que são acometidos por delírios de um despótico castelo que só existe dentro deles, através deles, na desesperança deles, na rotina encastelada do trabalho aldeão deles, tal que, neles, o soberano se faz como onipresente bruma, abraço letal.

4.

América (1927), outro romance de Franz Kafka, pode ser lido como uma narrativa em que o poder ou os poderes, sempre em rede, cansado dos ares frios do castelo europeu e da burocracia que se espalha em seu cotidiano, transfere-se para os Estados Unidos, onde o alto da montanha de O castelo, representando o campo, o soberano e o camponês; e a planície urbana de O processo, representando a cidade e suas múltiplas instituições – como se fossem uma única –, são substituídos por um mundo de poderes em que a dicotomia campo versus cidade perde o sentido porque tudo se torna campo e cidade; tudo se torna, enfim, um imenso parque de diversões, tal que o alto é o baixo e o baixo é o alto, o soberano é o súdito e o súdito é o soberano, sempre, é claro, tendo em vista a ilusão despertada pelo efeito de parque ou efeito de teatro, cujo resultado mais evidente (claro como efeito de magia) é a eliminação do castelo, no campo, e da burocracia, no mundo urbano, porque os súditos se tornaram soberanos, sem deixarem de ser súditos.

5.

O poeta, dramaturgo e escritor brasileiro Oswald de Andrade (1890-1954) de alguma forma intuiu esse fenômeno América de parque de diversões em seu Manifesto Antropófago de 1928, no qual a certa altura diz “roteiro, roteiro, roteiro, o cinema americano explicará”. Com os Estados Unidos no comando do mundo, tudo se tornou roteiro, roteiro, roteiro, como efeito de parque de diversões, como Walt Disney, teatro de marionetes de súditos que são soberanos e de soberanos que são súditos, num contexto em que a bruma ameaçadora do castelo europeu, não deixando de existir, foi transferida para os serviços secretos, de polícias secretas, de administração secreta, de secretos poderes financeiros, comerciais, militares, os quais (através de paranoicos roteiros de terroristas, de comunistas, de narcotraficantes) eliminam sem dó nem piedade qualquer um que ouse questionar os roteiros de felicidade, de justiça, de liberdade, como efeito publicitário em relação à mercadoria-mor: os Estados Unidos mesmos, o único país do mundo que se tornaram efetivamente uma despótica mercadoria de democracia, razão pela qual se impõem ao mundo como roteiros publicitários sobre si mesmos.

6.

Os Estados Unidos são O Castelo e O Processo como roteiros, roteiros, roteiros, como América, portanto, esse lugar onde o lugar do castelo é o do processo e o deste é o daquele, tendo em vista a indefinida plasticidade do roteiro, versão cinematográfica, cuja magia inventa a edição que quiser, confundindo a todo tempo a realidade com a ficção, embaralhando as cartas em conformidade com os secretos roteiros de poder que estão em jogo nessa ou naquela circunstância histórica. Sob esse ponto de vista, é possível afirmar que o modelo norte-americano de poder, ao mesmo tempo local e planetário, funciona como um sistema que joga sem cessar com a realidade e com a ficção, com o que é e o que não é, com o que ocorreu realmente e as suas indefinidas versões prováveis e improváveis.

7.

Para América atual, o roteiro de nossa circunstância histórica é O Castelo como panóptico estelar e O processo como o panóptico molecular. O primeiro panóptico, o estelar, produz seus indefinidos roteiros a partir do uso de tecnologias, via-satélites, que nos apanham por todos os lados, tal como no Castelo de Franz Kafka, com a diferença de que a névoa que toma toda a vila envenenando os aldeões agora vem do cosmos e toma todo o planeta, de modo que a Terra toda hoje é uma aldeia: a aldeia global, vista e revista de todos os lados, como vemos uma bola nas mãos.

8.

O panóptico estelar mapeia a tudo e a todos, produzindo seus próprios roteiros de intrigas, de táticas, de estratégias, de vigiados e punidos, num contexto em que a tendência é sermos vistos sem ver, sermos apanhados sem apanhar, sermos intrigados sem produzir nossas intrigas, ou as produzindo num cenário a partir do qual seremos, sempre, do alto, milimetricamente fotografados, editados e transformados – roteiros de roteiros – em personagens de uma telenovela cujas intrigas são escritas e reescritas em conformidade com a realidade dos secretos desafios de América, a única que importa, centro voluntarioso de todos os roteiros, independente do que ocorra, pois sabe que tudo é matéria de roteiro, de mais intriga, mais novela, mais efeito de cinema, no infinito jogo combinatório de nossas imagens em circulação cosmológica.

9.

O segundo panóptico, por sua vez, o molecular, constitui-se como um processo sem fim que, da gente para a gente, na imanência da vida, faz convergir todas as tecnologias de comunicação, transformando-nos a nós mesmos em convertidos usuários de secretos roteiros de América, tal que não é possível mais saber quando realmente estamos produzindo nossos próprios roteiros, quando estamos na verdade sendo roteirizados, pois tudo é in e é out, tudo é feed e é back: é feedback, sob o controle meticuloso de América: o humano e a máquina.

10.

No panóptico molecular, portanto, somos apanhados e processados a partir do roteiro das subjetividades individuais no real tempo em que usamos os artefatos eletrônicos, no celular, na internet, no controle remoto, em tudo quanto existe e existirá em termos de possibilidades comunicativas de roteiros a acessos a roteiros: o roteiro amoroso, o da amizade, o dos protestos, o da pornografia, da religião, dos estudos, da família. Com o panóptico molecular nos mergulhamos num mar sem fundo de partículas de informação e nele nadamos e somos nadados, como peixes que mais a si mesmos se processam quanto mais processam o movimento digital, sonoro, auditivo, visual e comportamental de suas nadadeiras, nessa imensa rede de comunicação que risca o planeta de sol a sol com as fibras ópticas dos pulsos de nossos impulsos.

11.

Como é facilmente dedutível, o panóptico estelar e o molecular de forma algum estão isolados um do outro. Eles, sem cessar, realizam ininterruptas conexões entre eles, in/out, feedback, vinte quatro horas por dia, em tempo real, quando usamos os artefatos de comunicação para acionar nossos roteiros e mesmo, é claro, independente da gente. Assim funciona o processo deles, conjuntamente, como relação indiscernível entre o castelo, a vila e a cidade, planetariamente. É essa conjunção entre o alto e o baixo, o estelar e o molecular, que é possível chamar de a nossa América mundial: uma rede de intrigas que produz sem cessar roteiros e mais roteiros, de tal maneira que todos tendemos a ser transformados em personagens de ficção, com seus gêneros de comédia, dramáticos, românticos, trágicos, tragicômicos, tendo em vista o cenário de um planeta mapeado em Ocidente, Oriente, Norte, Sul, aliados, suspeitos, terroristas: de um lado é o sorriso que surge na tela, e eis que a esse lado chamamos de democracia; de outro é o rosto duro, acusado de antemão de despótico, ditador, populista, como se acusava Joseph K, personagem do romance O processo, acusado de estar nas malhas do processo do capital, da modernidade, da civilização, assim como somos todos hoje processados por estarmos no roteiro e mais roteiro do poder que sabe que tudo é roteiro, como é o poder americano, razão por que domina as tecnologias de roteiro, para roteirizar-nos: aterrorizar-nos, alegremente.

12.

É assim, monopolizando o panóptico estelar e o molecular que os Estados Unidos invadiram todo o planeta, adaptando-o ao roteiro dos interesses de seus bancos, multinacionais, redes de intrigas e de segredos, kafkianamente. Existe, pois, fato de maior impacto que este: os Estados Unidos invadiram literalmente todo o mundo! Nada, sob hipótese alguma, é mais desalentador e perigoso que essa obviedade contemporânea, tendo em vista a gigantesca força bélica do Tio Sam e o efetivo uso genocida que tem feito de seu poder militar para dissuadir, submeter e impor o mais inominável inferno sobre populações inteiras, bastando que nos fixemos nos casos mais recentes: invasão do Iraque, do Afeganistão, do Congo, Somália, Líbia, do mundo todo afinal.

13.

E o que é invadir todo o mundo? Como ocorre? O lado mais óbvio dessa invasão planetária sem dúvida alguma está diretamente relacionado com as bases americanas, – mais de 800, pelo planeta afora –, ocupando territórios alheios, vigiando-os e punindo-os. O lado menos óbvio, por sua vez, e nem por isso menos efetivo sem dúvida alguma está relacionado com o domínio imperial das tecnologias do panóptico estelar e molecular, utilizando como suporte cada um de nós, através de nossos próprios roteiros subjetivos, razão por que nos tornamos o corpo vivo fundamental para acionar a rede mundial estabelecida pelo panóptico estelar e molecular, ao mesmo tempo em que nós mesmos estamos enredados.

14.

A América planetária constitui-se, pois, como efetivo roteiro de invasão bélica, financeira, econômica, tecnológica, informativa, cultural sobre os povos do mundo; invasão realizada no rés-do-chão, através de um processo kafkiano de panóptico molecular e também através das alturas celestiais, por meio de não menos kafkianos encastelados satélites usados e abusados como panóptico estelar. Seu objetivo é um só: apanhar as multidões e roubar os recursos que alimentam esse gigantesco sistema panóptico estelar-molecular, não sem o disfarce realizado pelos efeitos de close-up meticulosamente editados e reeditados pelas mercadorias ópticas moleculares de nossos rostos de admiração ao círculo périplo dos malabarismos mágicos de América.

15.

É por isso que, sem medo de errar, América, sua elite, bem entendido, constitui-se como um fabuloso poder latrocida ou mais especificamente latrogenocida, que roteiriza a tudo, o passado, o presente e o futuro, a humanidade toda, transformando-nos num filme ao vivo: o filme da humanidade roteirizada, com as suas fiéis filiais especialistas em roteiros, em roteirizar a tudo e a todos, como as corporações midiáticas, que funcionam como mais uma panóptica molecular-estelar forma de América ocupar os países do mundo, posto que geralmente recebem nomes nacionais (El País, Globovisión, TV Globo, BBC) constituindo-se efetivamente como uma espécie de quinta coluna de América nos países onde se localizam, razão pela qual são também especialistas em inventar roteiros e transformam, tal como América, em nome de América, tudo em roteiro, a serviço de América.

16.

No Brasil as Organizações Globo (especialmente sua roteirizada comissão de frente, a TV Globo) são a nossa América invadindo-nos através de pirotécnicas táticas e estratégias de roteiros de nós mesmos, em todos os âmbitos: no noticiário, roteiriza-nos; nas telenovelas, roteiriza-nos; nos programas de esporte, roteiriza-nos; nos programas de auditório, roteiriza-nos; nas “engraçadas” séries noturnas, roteiriza-nos, roteirizando também suas relações com os poderes legislativo, judiciário e executivo, geralmente manipulando o roteiro de sedução dos dois primeiros para colocá-los contra o executivo sob o comando das administrações petistas. Estas, especialmente as de Lula e agora a de Dilma, tem tido uma inacreditável capacidade masoquista de caírem nas malhas mágicas dos roteiros da família Marinho, que ora as acata, sem dó e nem piedade, com evidentes roteiros golpistas; ora, também como roteiro, finge que nada ocorreu, inclusive roteirizando, por exemplo, simpáticas entrevistas com integrantes do governo, em suas redes de roteiro O Globo, TV Globo, Globo News, Época, Globos locais. E tudo funciona de roteiro para roteiro, do roteiro golpista para o roteiro puxa-saco, tão simples como uma novela que sucede a outra.

17.

É, pois, como roteiro de roteiro, que é possível analisar o motivo pelo qual as Organizações Globo assumiram o papel de noticiarem as ações de espionagem contra cidadãos, empresas e governo brasileiros, feitas por América, e reveladas pelo agora implacavelmente perseguido ex-técnico terceirizado da CIA, Edward Snowden. Nada melhor que elas, especialistas fiéis em roteiros dos roteiros de América, para levarem a cabo o roteirizado desafio de nos roteirizarem informações sobre a rede de espionagem de América, através da conexão do panóptico estelar e molecular, lançada sobre todos os âmbitos da sociedade brasileira: o civil, o econômico, o militar, o administrativo, residindo aí a roteirizada bombástica entrevista com o jornalista americano, Glen Greenwald, o primeiro que noticiou o caso de planetária espionagem da NSA, através do jornal britânico The Guardian, tendo obtido esses dados diretamente com Edward Snowden em Hong Kong, China.

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Após mais um roteiro golpista contra o governo Dilma, roteirizando as manifestações que tomaram as ruas do Brasil precisamente (mas não casualmente) durante a Copa das Confederações, nada melhor que taticamente mudar o foco, concentrando-se nas roteirizadas denúncias de espionagem do governo de América sobre nós todos, a fim de, ao mesmo tempo, roteirizar a mentira de independência da família Marinho em relação ao imperialismo de América, como se ela não fosse sua fiel produtora de subservientes roteiros colonizados. É nesse cenário que é possível entender a roteirizada entrevista, realizada no Fantástico do último dia 7 de julho, com o jornalista americano Glen Greenwald, o homem do Ocidente que guarda consigo as denúncias de ciberguerra de espionagem de América contra o mundo e o Brasil, prometendo divulgá-las gota a gota, não sem muito roteiro, é claro.

19.

Se se considera especialmente o momento, durante a entrevista do fantástico com o jornalista Glen Greenwald, em que este disse que a ciberguerra de espionagem do onipresente Tio Sam não visa nem o Governo Brasileiro nem a relação deste com os países da América Latina, o roteiro que está em jogo de divide em duas variáveis, a saber: uma primeira, fundamentada no roteiro da mentira a ser editada como se fosse verdade, baseada nos argumentos expostos por Glen Greenwald; e uma segunda que é a que devemos nos ater, porque é a única que nos interessa, a verdadeira: o Brasil é um dos países mais espionados do mundo porque seu Governo ensaia táticas e estratégicas relações com a China, com a Rússia e com os países rebeldes da América Latina, especialmente Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador, de modo que somos vigiados porque América quer nos impor o roteiro de sempre: servidão voluntária, a nós e aos latino-americanos.

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Era e é essa segunda variável, a verdadeira, que os roteiros mágicos da TV Globo deveriam e devem disfarçar, além de fixar-nos o roteiro que os Estados Unidos não cansam de realizar ao mesmo tempo com o mundo e para o mundo: o de transformar as situações adversas, quaisquer que sejam, em versões roteirizadas como positivas, independente do que esteja em jogo, pois a principal função da América como roteiro ou da América como roteiro de um país que se tornou o roteiro ou a ratoeira de todas a mercadorias do mundo é nada mais e nada menos do que, como fazem todos os roteiros publicitários, vender gatos por lebres, venenos por remédios, mentiras por verdades, ditaduras por democracias, genocídios por defesa da liberdade e da justiça.

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Se não quisermos ser capturados pela ratoeira dos roteiros da TV Globo, a serviço da ratoeira-mor, os Estados Unidos, como a mais exemplar roteirizada democracia de fachada do planeta, a única saída reside na realização efetiva de nossos roteiros de soberania, inclusive e antes de tudo da soberania midiática.

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Para tanto, é preciso ter absoluta clareza – sem a mais mínima hesitação – de que todos os roteiros que vêm do Tio Sam e da TV Globo não passam de ratoeiras de golpes (diretos ou indiretos, declarados ou dissimulados), colocadas em pontos estratégicos, com muitas guloseimas confeitadas, para apanhar e escravizar povos, vistos e concebidos sempre como desprezíveis ratos, tal é o nojo, o desprezo e a indiferença deles, assim como o sentimento de superioridade, sobre todos nós, inclusive o próprio povo americano.

JOGO BRUTO DA MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO

 por Mario Augusto Jakobskind

indignados tv

O assassinato do repórter cinematográfico da TV Bandeirantes Santiago Andrade deixou não só a família como todo o Brasil de luto. É triste a morte, ainda mais nas circunstâncias em que ocorreu e que poderia até ser evitada se o profissional de imprensa estivesse com equipamento de segurança adequado para coberturas em áreas de risco.
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Mesmo antes da tragédia, durante negociações salariais da categoria dos jornalistas no Município do Rio de Janeiro, os representantes dos empresários midiáticos se recusaram a aceitar clausula prevendo a garantia das empresas em fornecer equipamentos de segurança para os repórteres. Esse fato, denunciado pela Presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, Paula Mairán, foi ignorado no noticiário sobre o assassinato de Santiago.
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Da mesma forma que se condena a violência de alguns poucos, que não leva a lugar nenhum e na prática faz o jogo de setores da elite que tentam sempre impedir qualquer tipo de mobilização e organização popular, não se pode silenciar diante da ação truculenta da Polícia Militar que obedece a voz de comando do Governador para reprimir os protestos.
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Infelizmente, nesse contexto se inserem grupos midiáticos de mercado. No caso do Rio de Janeiro, as Organizações Globo bate recordes em matéria de criminalização dos movimentos sociais e de manipulação da informação.
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Vale um parênteses. Este mesmo grupo há poucos meses fez uma autocrítica por ter apoiado o golpe de 64. Tratou-se apenas de uma ação mercadológica para tentar limpar a sujeira do apoio, porque na prática a filosofia da Globo continua a mesma de 50 anos atrás.
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O mesmo ódio que nutriam contra as autoridades constituídas, sobretudo o Presidente constitucional João Goulart, nos dias de hoje fazem semelhante em relação aos movimentos sociais e a alguns políticos que não rezam pela cartilha da família Marinho. Os tempos e o cenário não são os mesmos de 64, até porque o mundo e o país mudaram substancialmente, mas a forma de manipular a informação segue vigente.
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O que dizer de uma mídia impressa, e a eletrônica segue o mesmo caminho, que apresenta um editorial, como de O Globo, sob o título “Quando os black blocs e o MST se encontram”? É a opinião do grupo, que em essência em nada difere de editorais que antecederam ao golpe empresarial militar de 64.
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E tem mais uma agravante, não é de hoje que as Organizações Globo criminalizam o mais importante movimento social da América Latina, talvez do mundo, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. E também não é de hoje que o grupo da família Marinho, bem como outras mídias, tem vínculos estreitos com o setor do agronegócio.
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Um boato durante uma manifestação pacífica de mais de 15 mil trabalhadores rurais que realizavam seu VI Congresso em Brasília fez acionar de forma violenta a Polícia Militar. Alguém, sabe-se lá quem, mas pode-se imaginar os responsáveis, lançou a versão mentirosa segundo a qual um ônibus dos trabalhadores com material de acampamento guardava armas para enfrentar a polícia. Desrespeitando os manifestantes, PMs de forma truculenta se dirigiram ao ônibus e aí começaram os confrontos.
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O esquema Globo, que não faz jornalismo, e nestes casos age como um partido político retrógrado, culpou o MST pela ocorrência e no dia seguinte ainda equiparou os manifestantes pela reforma agrária aos Black Blocs.
Os boatos em Brasília chegaram as raias do absurdo quando um dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, que presidia os trabalhos, ordenou a suspensão de uma sessão da instância máxima da justiça brasileira alegando “ameaça de invasão”. Mentira total, mas os canais de televisão, capitaneados pela Globo, deram o maior destaque à ameaça que nunca existiu.
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É preciso dar um freio nessa manipulação midiática grosseira que tem por objetivo impedir a continuidade das manifestações populares e ainda a aplicação de uma legislação restritiva às mobilizações populares. E de quebra ainda facilita o jogo de uma oposição de direita sem bandeiras.
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Se o espaço midiático eletrônico fosse melhor distribuído, digamos com 33% do espectro dividido para a iniciativa privada, pública, estatal e com garantia para canais da cidadania, os brasileiros teriam certamente maiores opções de se informar e não estariam sujeitos, como agora, ao esquema grosseiro de manipulação da informação da mídia de mercado.
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Nas manifestações populares que ocorrem em todo o país, o tema mídia tem ganho maiores espaços, o que preocupa sobremaneira os proprietários dos grandes veículos de comunicação, os mesmos que estão criminalizando os movimentos sociais ao misturarem alhos com bugalhos, como equiparar Black Bloc ao MST.
jornalismo imprensa informação indignados

Reality show tem violência e pornô para as mentes sujas que pagam para ver o BBBrazil e outras porcarias. Tudo sem censura judicial

A morte de um participante por ataque cardíaco durante as filmagens de um reality show no Camboja e o suicídio do médico responsável pelo acompanhamento do elenco de participantes abriram uma polêmica sobre este tipo de gênero televisivo na França.

O Conselho Superior de Audiovisual, a entidade francesa de regulação das atrações televisivas, afirmou que está estudando a possibilidade de alterar para uma faixa horária mais tarde da noite a exibição desse tipo de programa, mais especificamente Koh-Lanta, a versão francesa de Survivor, onde um grupo de participantes tem de sobreviver em uma ilha abandonada.

 

 

Masturbação ao vivo. Que os mortos estão noutra…

Paulo Henrique Amorim:

COMO TODOS SABEM, O BIG BROTHER BRASIL OFERECEU AO PUBLICO BRASILEIRO UMA CENA SUB-EDREDÔNICA ONDE SE SUSPEITA TER OCORRIDO UM ESTUPRO.

O SUSPEITO DE PRATICAR O ESTUPRO É UM MODELO PROFISSIONAL, NEGRO, DE NOME DANIEL.

VEJA O QUE DIZ  MINO CARTA SOBRE NEGROS DE ALMA BRANCA E A GLOBO.

Quanto ao Big Brother, é de fonte excelente a informação de que a produção queria um “negro bem-sucedido”, crítico das cotas previstas pelas políticas de ação afirmativa contra o racismo. Submetido no ar a uma veloz sabatina no dia da estréia, Daniel Echaniz, o negro desejado, declarou-se contrário às cotas e ganhou as palmas febris dos parceiros brancos e do âncora Pedro Bial . […]E não é que este Daniel, talvez negro da alma branca, é expulso do programa do nosso inefável Bial? Por não ter cumprido algum procedimento-padrão, como a emissora comunica, de fato acusado de estuprar supostamente uma colega de aventura global, como a concorrência divulga”.

Mino Carta disse o certo. Paulo Henrique Amorim fez bem destacar o racismo da Globo. Mas o BBBrazil é um programa para voyeuristas. Uma tara sexual que vem influenciando o comportamento sexual dos brasileiros, inclusive criando o modismo das tatuagens.

Vide artigo “Mulheres gostam dos mais variados tipos de homem e tem espaço para todos” sobre prefências sexuais: o reino dos cafajestes e o fim do romantismo.

“BBB 12″: clima esquenta e Rafa parece masturbar Renata

 

por Marcus Bueno

Após se beijarem na madrugada desta quinta (23) durante a festa, Rafa e Renata passaram a manhã de hoje trocando carícias e o clima esquentou embaixo do edredom.

“Sua boca me enlouquece. Sua respiração me deixa doido”, começou o carioca.

Porém, Renata se mostrou preocupada com sua imagem fora da casa. “Será que o povo vai me odiar lá fora?”, questionou ela, achando que as pessoas não esperavam a formação do novo casal. Essa foi a deixa para que eles passassem a trocar novas insinuações.

“É só você dizer que o Shrek é um ogro adorável”, respondeu Rafa. “E falar que eu deitava junto e ele me encoxava”, completou a sister, falando baixinho. “Mostra como você quer”, pediu o carioca, possivelmente masturbando Renata. “Mexe o dedo assim, lá dentro”, respondeu a mineira, em meio a vários sussuros.

O clima passou a esquentar no final da madrugada, quando Monique, Yuri, Rafa e Renata foram se deitar no quarto Selva.

Embaixo do edredom, Renata avisou: “Quero ficar com você depois daqui!”. “Só depende de você”, respondeu Rafa.


Gostei do “possivelmente” de Marcus Bueno.
E da descrição para os bobos da Globo entenderem o que estava acontecendo: “Mexe o dedo assim, lá dentro”…

La bacanal de Brasil

por Bruno Peron Loureiro

“La economía mundial es la más eficiente expresión del crimen organizado. Los organismos internacionales que controlan la moneda, el comercio y el crédito practican el terrorismo contra los países pobres, y contra los pobres de todos los países, con una frialdad profesional y una impunidad que humillan al mejor de los tira-bombas.” Eduardo Galeano. Patas arriba.

 

Los fenómenos insensatos están a la orden del día en esta Colonia Universal llamada Brasil, en donde apenas se implantó la empresa comercial del “sushi house” y la “temakería”, y la moda brasilera pasó a ser la de comer recetas japonesas.

Lo que más asombra es el anuncio de la hoja en blanco llamada Dilma Rousseff de que acabará con la miseria en Brasil en tres años, que es la condición de cerca de 16 millones de personas según los datos oficiales. Pudiera. ¿Pero, en qué se convierte este número?

Tenemos una pista: comencemos con el imperio de los bancos en nuestra Colonia Universal.

El Banco Mundial anunció un nuevo préstamo para combatir la pobreza en el Brasil. El valor de esta inversión oscila entre los 5 y 6 millardos de dólares en los próximos doce meses. Con esto, Rousseff nos transformará en aquello que su antecesor tergiversó con los nombres de “ascensión social”, “aumento de los créditos” o “auto-suficiencia en el petróleo”: en consumidores endeudados.

La moda es canalizar préstamos internacionales para los “países pobres” o “países en desarrollo”. Por eso es que se está proponiendo al mexicano Agustín Carstens en disputa con la francesa Christine Lagarde para constituir la dirección del fatídico y estropeado Fondo Monetario Internacional.

Los bancos son antros anti-éticos y corruptores del bienestar del Brasil. Saltan con nuestra información catastral como cartas de baraja que pasan de mano en mano. Abrimos una cuenta y no se tarda mucho en que seamos victimizados con la correspondencia de American Express o Credicard, bacanal que nunca autorizamos y que nos roba la privacidad.

Petrobrás, por su parte y tal como han marchado las cosas, resulta una vergüenza nacional, una empresa despreciable y mezquina, opresora de nuestro pueblo, vulnerable a su cierre total, fruto de inversores ávidos de ganancias y cobardes, prueba de la desidia de nuestra gente, a punto de ceder nuestros recursos energéticos al mercado de acciones. Por eso apoyo la creación de otra empresa petrolera, verdaderamente estatal e internamente comprometida, para sustituir a la moribunda Petrobrás, y aislarla en su actividad exportadora.

Los precios de los combustibles no fueron los únicos que aumentaron. Los alimentos también se sujetaron a la ley de la oferta y la demanda, pero pocos de los que toman las decisiones se percataron de que los pobres gastan hasta el 60% de sus ingresos en alimentación o que la Petrobrás debería garantizarnos el abastecimiento de combustible a precios bajos por haber sido idealizada como una empresa estatal.

Como si los pobres importaran mucho en este país a los “mercado-maníacos” y otros lacayos tomadores de decisiones, las pérdidas de las explosiones criminales en los cajeros electrónicos del Sudeste se transfirieron de los bancos a la población. El desleal Banco Central del Brasil ha recomendado que no se acepten en el comercio las notas teñidas de rojo y que sean devueltas a los bancos. Sin embargo, los bancos no están obligados a restituir el valor de esas notas. Por lo tanto el perjuicio es para quien actúa honestamente y las devuelve. Gente de todo nivel económico sufrirá las pérdidas.

Las instrucciones sobre el procedimiento para devolver las papeletas recorre la prensa, y con ella alardea sobre todo la golpista TV Globo, que intenta destituir al prefecto de Campinas Helio de Oliveira Santos con motivos quizás justos, pero omitiendo que cualquier administración pública municipal padece de malversación del dinero público e intercambio de influencias, males intrínsecos en todo el sistema electoral brasilero.

La TV Globo preparó el terreno previamente al anuncio del “escándalo”. Los reportajes de la EPTV-Campinas, programa noticiero regional, se enfocaban en la falta de eficiencia del gobierno municipal y su no atención a las demandas de la población, así como en la demora en la reparación de puentes dañados o la no realización de podas en los terrenos.

La causa es digna. Yo también estoy contra la corrupción. Pero mientras no se cambie la cultura política de nuestro pueblo y no se reglamente el financiamiento privado de las campañas políticas, la TV Globo (y el pueblo por añadidura) colocaría otro Prefecto en Campinas (más alineado a los intereses de los medios de comunicación hegemónicos) que sería igualmente “escandaloso” como cualquier “tucán” vende-patria, pero presentado apenas como un leve “desvío”.

El primer favor que haremos entonces a nuestros cerebros es mantener el televisor apagado y dedicarnos a otras actividades, visto que la mayor parte de lo que se trasmite a través de él es un producto cultural de finalidad comercial. Casi toda la programación nos incentiva a comprar el automóvil del año y beber más cerveza. Al menor descuido nos metemos la vida por detrás.

Radios comerciales, como la deplorable Jovem Pan, interrumpen la música para declarar que una actriz en Los Ángeles corre riesgo de morir, mientras Dilma Rousseff nos recuerda de que tenemos dieciséis millones de miserables en Brasil, que gastan más de la mitad de sus ingresos sólo en no morirse de hambre.

¿Queremos un país del “sálvese quien pueda” o aquel donde aportaremos algunos ladrillos como seres dignos y sembradores del bien? Pensemos en esta generación y las siguientes, que no merecen la basura que generamos.

Cerremos el cerco de lo que reprobamos en nuestro país y en el mundo, antes de que sean condenados solamente en este año otros países además de Egipto y Libia, por parte del capital especulativo.

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Traducción: Miguel Guaglianone.