Homofobia e suicídio de crianças e adolescentes

gay bandeiro feminino

Toda semana lemos notícias de LGBTs, muitos deles/delas crianças e adolescentes, cometendo suicídio por não aguentarem mais serem rejeitados pela família, humilhados na escola e no trabalho.

Não existem estatísticas. O suicídio no Brasil é tabu.

Os pais deviam informar como forma de confissão, e pedido de perdão pós-morte. De alerta a outros pais. De denúncia. A maioria dos suicídios foram provocados pelo bulismo na escola, pelo stalking no trabalho, pela violência nas ruas dos homofóbicos.

Temos campanhas realizadas pelo fundamentalismo religioso e o fanatismo político, sendo os principais líderes os pastores Silas Malafaia, Marco Feliciano, padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, militar Jair Bolsonaro e até candidatos asquerosos a presidente do Brasil.

A pregação da Santa Inquisição de pastores e padres tem origem no judaísmo (Velho Testamento). No cristianismo (Novo Testamento) apenas  existe uma frase de São Paulo, em uma carta cuja autenticidade não pode ser comprovada. Jesus jamais tocou nesse tema.

O “raivoso” discurso de Bolsonaro é exclusivamente nazista, machista e eleitoreiro.

Não existe no Velho Testamento nenhuma referência ao amor lésbico. Venho divulgando esta verdade. E fica o desafio para qualquer teólogo provar o contrário

Não existe no Velho Testamento nenhuma referência ao amor lésbico. Venho divulgando esta verdade. Renovo o desafio para qualquer teólogo provar o contrário

 

Em um estudo realizado por Fernando Silva Teixeira Filho
e Carina Alexandra Rondini Marretto (Faculdade de Ciências e Letras da UNESP-Assis), realizado em maio de 2008 em uma Escola do Ensino Médio de uma cidade do interior do Oeste paulista. A amostra que compôs o estudo corresponde a 108 adolescentes, de ambos os sexos, entre 14 e 20 anos cursando as três séries do Ensino Médio. “Observamos que os/as jovens da amostra incorporaram o discurso preventivista pelo menos durante as primeiras relações sexuais com o sexo oposto. Suas crenças sobre as sexualidades não-heterossexuais revelaram-se homofóbicas e segregatórias. Encontramos que 25.0% da amostra já pensou em se matar e dentre estes 40% já tentou, havendo maior concentração entre as jovens. Acreditamos estar diante de um grande desafio para as políticas públicas de Educação e Saúde, respectivamente, no sentido de garantir o acesso e pleno direito de expressão das homossexualidades no espaço escolar, bem como lidarem de modo preventivo em relação à Saúde Mental dos/das jovens que freqüentam a escola”.

De 2002 a 2012 houve um crescimento de 40% da taxa de suicídio entre crianças e pré-adolescentes com idade entre 10 e 14 anos. Na faixa etária de 15 a 19 anos, o aumento foi de 33,5%.

Transcrevo trechos de uma reportagem de Maria Fernanda Ziegler e Ocimara Balmant: “Ao contrário do adulto, que normalmente planeja a ação, o adolescente age no impulso. São comportamentos suicidas para fugir de determinada situação que vez ou outra acabam mesmo em morte’, afirma a psiquiatra Maria Fernanda Fávaro, que atua em um Pronto Socorro de psiquiatria em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. Aos cuidados de Maria Fernanda, são encaminhadas as crianças e os adolescentes que chegaram feridas ao hospital após tentarem se matar.

Ao serem perguntados sobre o motivo de terem se mutilado com lâmina de barbear, se ferido com materiais pontiagudos, cortado o pulso ou ingerido mais de duas dezenas de comprimidos, a resposta é rápida, e vaga. ‘A maioria diz que a vida não tem sentido, que sentem um vazio enorme. Muitos têm quadros associados à depressão’, afirma Maria Fernanda. O cenário é tão recorrente, diz a psiquiatra, que há sites, blogs e páginas de rede social que ensinam as melhores técnicas e ferramentas para que a criança tire a própria vida”. Leia mais.

 

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OS CRIMES DE JESUS

por Talis Andrade

Giotto_Kiss_of_Judas_scrovegni

Desde o princípio
hoje e sempre
governa o Império
pela legenda do medo

Acusado da pretensão de ser
Rei dos Judeus
Jesus foi investigado
pelos suseranos vassalos
pelos vendedores do Templo
traído
humilhado
preso
torturado
julgado
e crucificado

Para os romanos
nunca existiu outro crime
senão o da subversão
Jesus representava
o perigo da revolta
e da libertação

Todo Império um só
Jesus continua sendo muitos
os pobres de espírito
os enlutados
os pacíficos
os que têm fome e sede de justiça
os misericordiosos
os que têm o coração puro
os promotores da paz
os que sofrem persecuções por causa da justiça
os que por seguir Jesus são injuriados
e perseguidos
e caluniosamente recebem o mal

os que são o sal da terra

 


Ilustração Giotto di Bondone: Beso de Judas (fresco en la Capilla Scrovegni)

Assédio Moral – Não Seja Mais Uma Vítima. Nova diretora de RH de universidade de Jaboatão chegou do Ceará (s)em Piedade

Vou citar os nomes da torturadora e da universidade. Aguardem.

Dentro do departamento de relações humanas são quebrados, pelo assédio moral, pelo stalking, pelas ameaças físicas, os códigos de ética profissional dos psicólogos, dos RH e dos professores.

O que é mais grave, além do constrangimento dos avisos verbais de demissão sem justa causa, a vítima vem sofrendo a advertência de que terá seu nome colocado na lista negra do desemprego eterno.

Tal lista negra existia nos tempo de chumbo da ditadura civil-militar, instalada no primeiro de abril de 1964. É um absurdo, uma afronta à democracia, aos direitos humanos, que persista.

 

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Não Seja Mais Uma Vítima

por Karla Júlia Marcelino (*)

Há momentos que palavras e gestos de incentivo podem fazer a grande difierença em nossas vidas.No ambiente de trabalho, normalmente lidamos com limitações, cobranças, críticas, dificilmente alguém nos estende a mão, sobretudo quando estamos algo fragilizados.

A prática do Assédio Moral é mais comum do que se supõe, ela torna-se sutil, através de comentários indevidos, brincadeiras que tem por objetivo denegrir a imagem profissional ou a trajetória que o funcionário vem percorrendo. Atitudes irõnicas que refletem o descaso ou mesmo falta de atenção durante um certo período de tempo, tornando-se sitemáticas, são caracteríticas do Assédio Moral.

A intenção é denegrir o profissional, isso é motivado por um sentimento de “inveja” de insuportabilidade em conviver com os talentos que normalmente o assediador não possui.

O assédio moral ocorre entre colegas de trabalho, de subordinado para a chefia ou da chefia para o subordinado. Normalmente o assediador não escolhe o seu alvo por um acaso, a vítima destaca-se por algum talento ou habilidade que ele próprio não possui.

A seguir listaremos algumas denominações de Assédio Moral:

. harcèlement moral (assédio moral), na França;
• bullying (tiranizar), na Inglaterra;
• mobbing (molestar), nos Estados Unidos e na Suécia;
• murahachibu, ijime (ostracismo social), no Japão;
• psicoterror laboral, acoso moral (psicoterror laboral,
assédio moral), na Espanha.

Heinz Leymann, médico alemão e pesquisador na área de psicologia no trabalho, que em 1984 efetuou

o primeiro estudo sobre o assunto, quando identificou o fenômeno e o nominou “mobbing”, o descreve da seguinte maneira:

• “assédio moral é a deliberada degradação das condições de trabalho através do estabelecimento de comunicações não éticas (abusivas) que se caracterizam pela repetição por longo tempo de duração de um comportamento hostil que um superior ou colega (s) desenvolve (m) contra um indivíduo que apresenta, como reação, um quadro de miséria física, psicológica e social duradoura”.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2003) descreve o assédio moral como o comportamento de alguém, para rebaixar uma ou mais pessoas, através de meios vingativos, cruéis, maliciosos ou humilhantes. São críticas repetitivas e desqualificações, isolando-o do contato com o grupo e difundindo falsas informações sobre ele .

CARACTERÍSTICAS DO ASSÉDIO MORAL:

a) A intensidade da violência psicológica. É necessário que intenção de ocasionar um dano psíquico ou moral ao empregado para marginalizá-lo no seu ambiente de trabalho.
b) O prolongamento no tempo, pois episódio esporádico não o caracteriza, mister o caráter permanente dos atos capazes de produzir o objetivo.
c) A intenção de ocasionar um dano psíquico ou moral ao empregado para marginalizá-lo no seu ambiente de trabalho.
d) A conversão, em patologia, em enfermidade que pressupõe diagnóstico clínico, dos danos psíquicos.

e) A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares.

f) Humilhação repetitiva e de longa duração interfere na vida do Servidor de modo direto, comprometendo sua identidade, dignidade e relações afetivas e sociais, ocasionando graves danos à saúde física e mental.

Em Pernambuco, foi regulamentada a Lei 13.314 (15.10.2007) – Lei de Assédio Moral, abrangendo os 3 poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

• Art. 2o.Considera-se prática de assédio moral, no âmbito da administração pública, toda ação repetitiva ou sistematizada praticada por agente e servidor de qualquer nível que, abusando da autoridade inerente às suas funções,venha causar danos à integridade psíquica ou física e à autoestima do servidor, prejudicando também o serviço público prestado e a própria carreira do servidor público.

A vítima do terror psicológico no trabalho não é o empregado desidioso, negligente. Ao contrário, os pesquisadores encontraram como vítimas justamente os empregados com um senso de responsabilidade quase patológico, são ingênuas no sentido de que acreditam nos outros e naquilo que fazem, são geralmente pessoas bem-educadas e possuidoras de valiosas qualidades profissionais e morais.

As Ouvidorias públicas são um excelente canal através do qual o servidor poderá recorrer denunciando práticas de Assédio Moral. Elas não tem o papel de apurar, mas sim de encaminhar as denúncias para que sejam devidamente apuradas pela área competente do Órgão. Existe ainda muito medo por parte do servidor em realizar denúncias tão graves, sobretudo quando não se tem como comprovar essas práticas abusivas. Toda denúncia ao ser formalizada numa Ouvidoria pública, precisa ser devidamente apurada, motivo pelo qual torna-se necessário distinguir o que é o que não é Assédio Moral.

A Ouvidoria Geral do Estado publicou uma cartilha sobre Assédio Moral, a qual está disponível de forma eletrônica no seu site http://www.ouvidoria.pe.gov.br e no Portal da Transparência.

Um dos estudos mais completos sobre os impactos provocados pelo dano moral à saúde do trabalhador foi realizado pela Margarida Maria Silveira Barreto e sintetizada sob a forma da tede de mestrado “Violência, Saúde e Trabalho: uma Jornada de Humilhação”, defendida em 2000, na Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC/São Paulo). Seu trabalho de pesquisa avaliou a saúde de 2.072 pessoas entrevistadas (1.311 homens e 761 mulheres) que, em seus localis de trabalho, eram submetidos a relações opressivas.

 

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Síndrome de Burnout

Síndrome de Burnout

Hernia Cervical

Hernia Cervical

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Depressão

Depressão

O assédio moral no trabalho é um abuso e não pode ser confundido com decisões legítimas que dizem respeito à organização do trabalho, como transferências e mudanças de função, no caso de estarem de acordo com o contrato de trabalho. Da mesma maneira, críticas construtivas e avaliações sobre o trabalho executado, contanto que sejam explicitadas, e não utilizadas com um propósito de represália, não constituem assédio, sendo natural que todo trabalho apresente um grau de imposição e dependência (HIRIGOYEN, 2002, p.34 e 35).

(*) Karla Júlia Marcelino
Ouvidora Geral do Estado de Pernambuco
Secretaria da Controladoria Geral do Estado

Escravas sexuais na escola, na igreja, no trabalho, no lar

Sofia Mamalinga

Sofia Mamalinga

 

No início da Missa pela Paz e a Reconciliação, nesta segunda-feira, 18, na Coréia, o Papa Francisco ajoelhou-se e cumprimentou sete mulheres que, quando crianças, foram forçadas à escravidão sexual pelos militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Duzentas mil escravas sexuais. Um escândalo internacional, um crime de guerra condenado.

No Brasil, temos 250 mil escravas sexuais infantis, oficialmente, sendo para ONGs 500 mil, e nenhuma autoridade cristã, católica ou evangélica, aparece para condenar. Entre as jovens, que recebem o salário mínimo, o sexo faz parte do emprego, uma atividade cobrada notadamente das empregadas domésticas, comerciárias, garçonetes, técnicas de enfermagem e outras profissões da baixa classe social.

São crimes encobertos o assédio e a violação sexual na classe média e na classe alta, praticados nos palácios e palacetes, nas universidades, no judiciário, no executivo, no legislativo, nas estatais privatizadas, com milhares de estrangeiros assumindo cargos executivos, trazendo de seus países o preconceito de que a brasileira é sinônimo de prostituta como já registram vários dicionários, esquecidos que a escravidão e a submissão femininas fazem parte da história da humanidade, das discriminações religiosas e sociais. Do patriarcalismo. Do sistema de castas. Da divisão de classes. Do colonialismo. Da globalização. Do mercantilismo sexual.  Notadamente nos tempos de guerra e de crise econômica.

A jornalista Cristina Moreno de Castro quebra os tabus do bulismo, dos assédios, estupros e curras nas faculdades brasileiras.  

Igor Kolgarev

Igor Kolgarev

Tras la noticia de la presunta violación colectiva a una joven en la feria de Málaga en la mañana del 18 de agosto, las críticas a estas recomendaciones que culpabilizan a la víctima volvieron a arreciar. La polémica fue azuzada por el comentario en la cuenta de Twitter de la Unión Federal de Policía en el que equiparaba el sufrimiento de víctima y victimarios. A esto se añadieron las desafortunadas palabras del alcalde de la ciudad, Francisco De la Torre, en las que relativizaba los hechos afirmando que “hay más de mil [violaciones] al año en España”.

Entonces, ¿qué hacer?

Asociaciones feministas, diputadas socialistas y perfiles de redes sociales han criticado que los consejos presentados por el organismo gubernamental deposita toda la responsabilidad de la violación en la posible víctima. Consecuentemente, la culpa en caso de producirse la agresión sexual sería de aquélla por haberse expuesto a una situación de peligro. Según los últimos datos disponibles, en 2009 se produjeron en España más de 6.500 delitos conocidos de abuso, acoso y agresión sexual. ¿Qué se puede hacer para prevenirlos y reducir su número?

Diversos estudios realizados en Estados Unidos afirman que “tener amigos que defienden la violencia contra las mujeres es un grave factor de riesgo para cometer una agresión sexual”. La hipótesis apunta a que la oposición por parte del grupo de iguales, especialmente entre adolescentes y jóvenes, a estas actitudes puede ser el mejor antídoto contra estos delitos.

La clave es acabar con la cultura de la violación, un término anglosajón cuyo uso empieza a extenderse en castellano. Con él se alude a la normalización social de las agresiones sexuales bajo formas aparentemente inocuas como chistes o imágenes publicitarias. Son parte de esta cultura la culpabilización de la víctima por considerar que algo en su actitud (ropa, mirada, embriaguez…) ha “provocado” la agresión sexual o que un “no” a veces significa un “sí”.

Tanto los asesinatos de mujeres por el mero hecho de serlo como todas las formas de violencia sexual (violación, abuso, acoso, tráfico…) son la punta del iceberg de una sociedad patriarcal. Para ponerle fin no se puede generar una cultura que proclama el miedo y la paranoia como forma de vida de las mujeres mientras normaliza las agresiones sexuales. Los resultados de este tipo de educación saltan a la vista.

NÃO ME ESTUPRE, Vinod Tripathi

NÃO ME ESTUPRE, Vinod Tripathi

 

No al acoso callejero (videos)

por Cosecha Roja

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“¿Te acompaño o te persigo? Ay, coloradita, qué ganas de que me hagas un pete. Gordita, te hago de todo menos upa. Qué pinta de putita que tenés, mi amor. Qué linda, te chuparía toda la conchita”

“Si te incomoda leerlo, imaginate escucharlo”: así remata su campaña contra el acoso callejero la organización Acción respeto. La idea es romper el silencio, desnaturalizar y poner al descubierto la incomodidad de las mujeres al salir a la calle. Hasta el domingo empapelarán la ciudad por la Semana Mundial contra el Acoso Callejero que organiza cada año la ONG Stop Street Harassment (SSH).

“Es la realidad de muchísimas mujeres en su vida diaria”, explican desde Acción respeto. El avance de los hombres sobre las mujeres en la vía pública es micromachismo, es violencia naturalizada, es intimidante. “Socialmente minimizamos estas agresiones por considerarlas parte de nuestra cultura, y así las mujeres se ven llevadas a tolerar esta violencia”, agregaron. Para eso, llenaron de afiches las calles y los subtes, emporio del acoso.

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Un estudio de SSH sobre 811 casos indicó que el 90 por ciento de las mujeres de 19 años experimentaron acoso en la calle. Las adolescentes y jóvenes de menos de 30 años son las principales víctimas de esta modalidad, pero sucede a todas las edades y arranca a los 12.

El acoso, los piropos, la cercanía corporal condicionan la manera en que las mujeres se visten, hacen que deban cambiar el recorrido o, incluso, que tengan miedo de estar solas en la calle. “La capucha y los auriculares son su escudo de cada día”, dice uno de los afiches. A las que se quejan, las suelen tildar de exageradas y malagradecidas: ¡es un piropo, mamu!

Vide videos 

 

Las agresiones sexuales contra mujeres en los trenes y buses del mundo están en debate en América Latina. En Sao Paulo se han registrado 20 casos desde que comenzó 2014; en México 9 de cada 10 mujeres sufrieron violencia sexual en el metro durante 2009; en Bogotá se realizaron 109 denuncias en el mismo año y en Argentina, durante 2012, el 6 por ciento de los casos de violencia contra mujeres se cometieron en el transporte público.

 

[Apenas 20 casos em São Paulo?]

 

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A Virgem da Bahia de Todos os Santos

Rebeca Bernardo

Rebeca Bernardo

A maior riqueza de uma moça pobre continua sendo a virgindade. O único dote.

Por que se dá tanto valor? Em “Sexualidade e Poder”, Jean-Claude Sempé explica:

“Se a mulher tem o poder natural e o aparentemente predominante de dar a vida a um ser mortal, ela tem, no caso do vampirismo, o poder de prolongar a vida impedindo a morte. Mas, por isso, o seu papel é menos determinante ou preponderante porque, para ter acesso a um tal poder, é preciso que ela se relacione com esse ser-não-ser tão singular como é o vampiro.

O vampiro vampiriza as virgens; porquê esta escolha privilegiada, se não porque a virgem é garantia relativa de uma vida que não foi dada a qualquer outro e em particular a uma criança mortal?  A imortalidade do vampiro é de algum modo garantia para a virgindade da vampirizada, cujo sangue é de uma frescura incomparável, que suaviza as gélidas queimaduras de um coração ávido; o seu poder baseia-se numa falta de ser vital, que reclama e ao mesmo tempo fascina aquela que está pronta a ‘dar-se’ completamente e que não poderia portanto contentar-se com um dom momentâneo cujo fruto seria o reconhecimento da sua mortalidade.

Não haja equívocos: a lei que é transgredida (que aliás, é aquela que se pode transgredir no imaginário) no vampirismo é a lei da natureza; e mais precisamente aquela lei que exige que todo o ser sexuado seja mortal; se o macho é necessário ä fêmea para fazer um descendente, tanto esta como aquele já não têm necessidade de ser imortais para perpetuar a espécie. Esta lei é uma lei lógica da natureza (…). A crença na imortalidade do homem é duríssima, como o dente do vampiro, razão por que ela sobrevive apenas nos confins dos Cárpatos e da Turquia infiel, mas também neste preciso momento histórico em que morre a religião”.

Busquei o vampirismo não só pelo sucesso da saga “Crepúsculo”, e pela anunciada gravidez da atriz Kristen Stewart. Mas pela vampirização do capitalismo, que faz do dinheiro o sangue vital.

Kristen-Stewart

Kristen Stewart

Lá em Sapeaçu está morto o poder da religião representado pela páraco. O coronelismo constitui o único domínio tradicional que persiste sobre o corpo. Do senhor feudal o poder de vida e morte. E Rebeca Bernardo é a única virgem que ele não pode possuir. Assim a cidade descobre, pelas ofertas do leilão, ser dominada por um pequeno e insignificante cacique sabujá. Um pobre e coitado índio colonizado.

A coragem de Rebeca causa inveja às virgens colegas de classe que vão dar seu sangue a troco de nada. No altar de um casamento que deixou de ser eterno. Com um pé-rapado qualquer.

Quando não é vítima da tradição: o senhor das terras exigir o direito feudal da primeira noite.

Ou perder o cabaço para pequenos fazendeiros ou gerentes de empresas em troca de algum emprego. Ou dar de graça para qualquer forasteiro que lembre Robert Pattinson.

Robert Pattinson

Robert Pattinson

Rebeca quebra vários tabus de dominação da mulher – o da virgindade é apenas um – nos pequenos lugarejos, onde nas escolas começa a imperar o bulismo. Que o assédio sexual sempre existiu para descabaçar as virgens pobres.

A promotora de justiça Sônia Suga fez calar os detratores de Rebeca: “O caso dela, que é maior de idade e livre, não se enquadra nem como prostituição nem como comércio”.

Por outro lado, segundo a análise da representante do Ministério Público, a ilegalidade diz respeito ao papel de agente intermediário. Isso porque o leilão vem sendo intermediado por Mateus Souza, amigo de Rebeca que também se identifica como assessor dela. “Por isso, pode haver problemas com a lei”, alerta a promotora.

Sônia Suga lembra que o tráfico de partes do corpo humano é crime, e, no caso da estudante baiana, a conduta passível de punição é a de quem faz a intermediação do leilão da virgindade dela.

“De acordo com o código penal brasileiro, tirar proveito da conduta alheia é um crime chamado de rufianismo”, explicou a representante do MP. Rufianismo é o tipo penal previsto no Artigo 230. A pena de reclusão vai de um a quatro anos, além de multa. Desinformado quanto à ilegalidade de seu papel, Mateus vê o caso com naturalidade.

“Estou apenas ajudando. A ideia partiu dela. Depois que o leilão acabar, ela não vai se prostituir. Ela quer apenas melhorar de vida e ajudar a mãe, dona Divinalva, de 59 anos, que teve dois derrames”, justificou.

Arremate próximo – Mateus confirma que o leilão propagandeado pela amiga no site Youtube já começa a render ofertas. Um lance de R$ 60 mil é o maior recebido até o momento pela virgem de  Sapeaçu, cidade do Recôncavo distante 155 quilômetros da capital. A oferta é de um empresário de 38 anos, de Salvador.  “Nossa contraproposta foi de R$ 100 mil, mas se chegarmos a R$ 70 mil, fechamos”, afirmou Mateus.

Esse Mateus é um leiloeiro primário. Primeiro, não valoriza a virgindade. Aceita qualquer oferta.

Rebeca esperou 18 anos. Tem menina que faz sexo aos 12 nas melhores escolas particulares do Brasil. Pô! para que essa pressa? Quanto mais tempo passar, mais lances. Inclusive é preciso internacionalizar o leilão.

Outra proposta desvalorizada: Segundo Mateus, um empresário de Salvador  convidou Rebeca para ser garota-propaganda de um comercial de fraldas descartáveis. “Ele disse que pagaria R$ 2 mil para ajudá-la, fora o cachê pelo comercial. Estamos estudando”,  diz o agente improvisado. Ajuda de 2 mil? Isso é gorjeta mixuruca. Leia mais  

A virgem que desencantou Sapeaçu

Sapeaçu é um município da região do Recôncavo Sul da Bahia, com apenas 17.087 habitantes espalhados pela pequena cidade e os distritos de Conceição do Almeida, Cruz das Almas, Aporá e Muritiba.

Ninguém numa viu falar em Sapeaçu, um pontinho perdido no mapa da Bahia

Vem uma menina pobre, com um vídeo, e torna o lugarejo conhecido. Pelo feito, vem sendo vítima da bíblica condenação da lapidação.

Após a divulgação do vídeo, a moça é obrigada a conviver com zombarias e com o “apedrejamento” de moedas voadoras e incontáveis chacotas de falsos puritanos

Conta Victor Uchoa:

De repente, duas moedas de 25 centavos voam em direção à jovem de 18 anos que dá explicações sobre a decisão de leiloar a virgindade na internet: “Foi pelo dinheiro mesmo, mas eu queria ajudar minha mãe e garantir um futuro melhor pra gente”.

Em Sapeaçu, a 156 quilômetros de Salvador, esse é o mantra que Rebeca Bernardo Ribeiro repete nos últimos dias. Há uma semana, ela postou no site Youtube um vídeo em que oferece sua primeira vez. Para o bem ou para o mal, virou alvo imediato de todos os olhares da cidade.

Rebeca, 18 anos, virou atração e polêmica em Sapeaçu

Rebeca, 18 anos, virou atração e polêmica em Sapeaçu

Após a divulgação do vídeo, a moça é obrigada a conviver com zombarias como a das moedas voadoras e incontáveis chacotas. “Já me ofereceram R$ 1,99. Teve um que escreveu que dava cinco centavos e queria o troco. Não tá vendo essas moedas aí? Pelo menos já tenho 50 centavos”, diz Rebeca.

“Fiquei assustada com toda essa repercussão. Não esperava que fosse assim. Mas minha virgindade ainda está em leilão”, atesta ela, afirmando já ter recebido um lance real de R$ 60 mil, o que acha pouco. “Talvez por esse valor eu aceite, mas espero ainda uma proposta maior. Se valer a pena, eu faço”, completa, optando sempre pelo eufemismo “coisas íntimas” em lugar do popular “sexo”.

Ajuda
Rebeca admite que teve a ideia após a repercussão do caso da catarinense Catarina Migliorini, 20 anos,  que leiloou sua virgindade por US$ 780 mil (R$ 1,5 milhão). Entretanto, justifica sua atitude revelando o drama da mãe, uma mulher de 57 anos vitimada duas vezes por Acidente Vascular Cerebral (AVC), a primeira há quatro anos, a segunda há cerca de 2 meses. Numa casa simples de quatro cômodos, as duas se viram com uma pensão de um salário mínimo. No quintal, nada se planta. O espaço é ocupado por 13 galinhas e a coelha Vida.

Por onde passa, Rebeca provoca curiosidade. Alguns jogam moedas. Foto: Tayse Argôlo

Por onde passa, Rebeca sofre assédio moral. Alguns jogam moedas. Eta cidade violenta. Foto Tayse Argôlo

“Preciso comprar remédios pra minha mãe e pagar fisioterapia. Ela precisa de muitas sessões. Ninguém pode me julgar. Eu tomei minha decisão sozinha e pronto”, argumenta a jovem, nascida em Itapecerica da Serra (SP), mas moradora de Sapeaçu desde bebê. Seu pai, com quem nunca teve muito contato, morreu há três anos.

Com dificuldade de locomoção e fala limitada, a mãe de Rebeca não conversou com o CORREIO, mas a garota garantiu que ela está ciente de toda a situação. “Só contei depois que o vídeo estava na internet. Ela não gostou, mas disse que tenho 18 anos e posso fazer o que eu quiser”.

Estudante do 2º Ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Dr. Eliel da Silva Martins, Rebeca conta que desde que o vídeo foi parar na internet perdeu o sossego. Nem precisava contar. A mera saída da lanchonete onde conversava com o CORREIO para entrar no carro causou rebu. O burburinho une velhos, jovens e crianças. Um garoto com seus 8 anos se exalta. “Eu pago, eu pago!”, grita, desvairado.

Veja vídeo

Antiga Rua Batucar, que hoje deve ter o nome de algum político

Antiga e pobre Rua Batucar, que hoje deve ter o nome de algum político que nada fez pela cidade

Que pode fazer uma estudante para salvar a mãe? Sapeaçu é a cidade do nada. Foi criada na malandragem da fabricação brasileira de municípios para receber verbas estaduais e federais, e sustentar a vida malandra do prefeito, do vice e vereadores, e ajudar a eleger um deputado estadual.

A palavra Sapeaçu é de origem indígena e significa palha grande. A localidade era habitada pelos índios cariris ou sabujás. Com a expulsão (genocídio) dos indígenas que habitavam o local onde hoje se ergue Sapeaçu, foi edificada a fazenda Sapé Grande de propriedade de Pedro Barbosa Leal, e aí construída uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, em torno da qual se formou uma povoação, também conquistada por outro invasor, Manoel Nascimento Lopes, na localidade conhecida como Cansin.

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. Foto Vicente A. Queiroz

Município originou-se da freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Sapé, desmembrado do município de São Félix, e com a denominação de Vila de Sapé, em 1890.

Os falsos puritanos de Sapeaçu gabam a virgindade de todas as moças solteiras da cidade. É a única cidade do Brasil que as noivas são virgens. E não tem nenhum gay. E nenhuma lésbica. E os moços do lugar casam donzelos.