Chile faz música para o mundo. O Brasil pra prefeito faturar

A degradação da música brasileira é uma realidade. Tudo começou quando a CIA pactuou com Fernando Henrique e professores da USP, em abril de 64, a destruição da Cultura brasileira.

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Esta degradação teve as televisões e rádios como divulgadoras de cantores que tocam sete instrumentos e mais um (punheta ou siririca).

Assim nasceu o cantor ou cantora que faz tudo sozinho: é compositor, letrista, cantor, bailarino, músico de sopro, cordas e percussão.

Basta aparecer uma vez na Globo, e segurar a fama com o pagamento de jabá para as emissoras de rádio.

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Com as campanhas das eleições diretas de prefeitos, surgiram várias máfias jamais investigadas de promotores culturais, para vender shows super, superfaturados de cantores bregas, e ondas e mais ondas de novos ritmos baianos – ondas que lavam mais branco a sujeira das notas frias, pagas pelas milhares de secretarias municipais de turismo e cultura.

Para fechar o ciclo de sacanagem, temos as multinacionais que patrocinam, para descontar nos impostos, famosos cantores da Europa e dos Estados Unidos, para propaganda da música dos países que compraram, em leilões fajutos, com dinheiro emprestado pelo BNDES, as estatais brasileiras.

Existe música brasileira?  Eu ficou encantado quando leio entrevista de músicos hermanos. Diz Gepe:

“Estamos haciendo música de Chile para el mundo”

In Télan, Argentina: El cantautor Gepe, uno de los pilares de la movida andina independiente que se hace del otro lado de los Andes, arriesgó: “Siento que estamos haciendo música de Chile para el mundo”.

Durante una conversación telefónica con Télam Radio, el músico indicó que para el auge de ese movimiento “coincidieron un montón de condiciones políticas, sociales y económicas que me se me hace difícil de revisarlas porque no soy el más indicado, pero de un tiempo hasta esta parte mantuvimos el mundo propio que inventamos hace unos 10 años y fue madurando”.

El artista que ya dejó su huella en cuatro discos con aires andinos y electrónicos sostuvo en relación a su obra que “mi mundo tiene que ver con las imágenes del barrio y la vida cotidiana porque creo que lo simple es profundo y potente, invocarlo en mis letras se me hace necesario”.

El también multiinstrumentista repasó sus últimas apariciones en los escenarios argentinos a fines de 2014, en el Festival del Bosque en La Plata y en la disco porteña Niceto.

“Fueron dos shows súper distintos en un mismo día, dos tocatas contrastadas e interesantes”, resumió Gepe acerca de aquella experiencia que lo acercó con los seguidores locales que forman parte de la legión de 200.000 seguidores que el músico ostenta en las redes sociales.

 

 

 

Gastos com armação de palcos e camarotes

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Esta manchete é verdadeira? Qual a origem dos ritmos brasilienses?

 

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O Febeapá é um projeto cultural de sabotagem da Cultura brasileira

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Um brasileiro para se tornar conhecido nacionalmente na literatura, primeiro precisa ser conhecido lá fora. Você pode não gostar dos romances dele, mas foi assim que aconteceu com Paulo Coelho. Ou um Jorge Amado, pela propaganda realizada pelo Partido Comunista Internacional.

A CIA fez sua parte como sabotagem. Degradou nossa música, acabou com o cinema nacional e patrocinou um padrão TV Globo de qualidade, que lembra as famosas novelas mexicanas.

A imprensa vendida acabou com os suplementos literários, e não  existem mais ensaio, crítica nem resenha.

As teses acadêmicas seguem um modelo rígido e único de dissertação. Um processamento inimigo da criatividade. Um convite a não leitura.

Não preciso lembrar os 21 anos de chumbo da ditadura militar de caça as bruxas, mas que fique registrado que, em 1964,  Fernando Henrique captava cérebros para a CIA. Eleito presidente duas vezes, criou a Lei Rouanet, que lava notas fiscais de um mecenato maníaco por mega eventos (o quanto mais caro melhor), festivais e espetáculos artísticos, os shows comícios, os embalos de sábado dos prefeitos com a contratação de cantores super faturados.

Quantas bibliotecas públicas, teatros, arquivos, editoras marcam o governo de FHC? As TVs Cultura estão sucateadas. Não criou nenhuma universidade, nenhum museu, e não realizou nenhuma campanha nacional em defesa da nossa Cultura ou de promoção no exterior com repercussão internacional.

Ninguém publica livro de contos, poesia, novela, teatro. Raros romancistas conseguem lançar algum livro novo. Os jovens autores vão envelhecer inéditos, quando o Brasil possui ociosas impressoras para editar os diários oficiais da União, dos Estados, e  no Congresso e universidades.

As livrarias foram monopolizadas pela Saraiva, pela Cultura, pela Siciliano, que apenas vendem autores estrangeiros, e que viraram papelarias e lojas cibernéticas.

Pagas com o dinheiro do povo sobram autoridades culturais: ministro, secretários estaduais e municipais de Cultura, cada um com uma legião de funcionários trabalhando que nem os funcionários dos tribunais eleitorais. O Itamarati mantém em cada país um adido cultural que cuida do nada.

Reverbera o grito franquista do general Millán-Astray: “Muera la intelectualidad traidora! Viva la muerte!”.

O Brasil continua o país do Febeapá. 

 

 

 

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Crueldade pernambucana: “Patrimonio Vivo” só tem valor quando morre

O Frevo é um Patrimônio Imaterial da Humanidade. Mas em Pernambuco só é cantado e dançado no Carnaval.
As secretarias estadual e municipais de Cultura promovem shows todos os finais de semana, mas riscam o Frevo da programação.
Os donos dos grandes e_ventos estão interessados em gastar. O bom tem que ser caro. Com essa visão capitalista estão destruindo o nosso rico patrimônio artístico-cultural.
Ninguém toca mais Capiba, Nelson Ferreira, Antonio Maria, Edson Rodrigues, inesquecíveis nomes da música brasileira.
Outro eterno, Duda, Patrimonio Vivo de Pernambuco, dá o seguinte testemunhal
Duda

Duda

Aposentadoria Forçada. Maestro Duda reclama da falta de convites para se apresentar

por Camila Souza

Já faz tempo que o arranjador e compositor José Ursicino da Silva, o Maestro Duda, abandonou o convívio diário com os instrumentos. “Já não dá mais vontade. São tantas as injustiças com a nossa cultura”, confessa. A maior delas, com o frevo, acredita o músico. “O formato do carnaval restringiu as grandes orquestras do gênero aos palcos. Saímos das ruas. Nos afastamos do público. E tocar durante o ano é ainda mais difícil. Depois de fevereiro, me apresentei uma única vez no Recife em 2013”, revela. Em 2014, ele fará apenas dois show durante o carnaval: no domingo, na Lagoa do Araçá, e na terça, no Ibura, além de reger uma música do orquestrão, no encerramento, no Marco Zero.
Na contramão da agenda, Duda conserva a mente criativa em ritmo frenético, ao lado da mulher, dona Mida, “a razão de tudo”. Há pouco, fez o arranjo de um frevo-canção inédito de Alceu Valença, Beija-flor apaixonado, gravado em dueto com Fafá de Belém.
Desenhou a versão de Qui nem jiló, gravada por Zeca Pagodinho no CD Minha metade, de Maciel Melo. “Eu ainda tenho muito gás”, garante. Os 78 anos recém-completados em dezembro – deles, 70 foram dedicados à música – trazem na bagagem prêmios e incursões em gêneros variados. Compôs choros gravados por Severino Araújo e sambas cantados por Jamelão, além de musicar peças de teatros, como Um americano no Recife, dirigida por Graça Melo.
O frevo veio como uma vocação. “Estava no meu sangue”, acredita. Ainda menino, em Goiana, Duda tomou gosto pela música. O pai, Lídio Pereira da Silva, era baterista da Banda Saboeira, uma das mais antigas em atividade no mundo. De tanto ouvi-lo, traçou passos parecidos. Aos oito anos, escolheu o sax horn para dominar. “Era o instrumento mais fácil. Eu queria tocar de qualquer jeito.” Aos 12, escreveu o primeiro frevo, Furacão. “Por incrível que pareça, não consigo lembrar dele. Já tentei encontrá-lo, mas nada. Só me recordo de tê-lo chamado assim porque era o nome de um filme em cartaz no Cine Polytheama na época”, conta.
Três anos depois, já no Recife, o maestro ingressou na Jazz Band Acadêmica. A partir daí, foi uma escalada de sucessos. Tocou nas orquestras das rádios Tamandaré e Jornal do Commercio, até conseguir uma vaga na Sinfônica do Recife. Precisou aprender oboé e corne inglês durante aulas na Universidade Federal de Pernambuco.
“Foi quando eu amadureci o dom. Até então, eu era um autodidata, curioso. Depois da OSR, passei a ver a música com outros olhos”, conta. Em pouco tempo, Duda se tornou arranjador da orquestra. E, mais tarde, um dos maiores de todos os tempos no que diz respeito ao frevo.
Há mais de 30 anos, o músico esteve envolvido, ao lado de Carlos Fernando, no projeto
que revolucionou o gênero, o Asas da América. Muitas das músicas nascidas tinham seu dedo. “Nós mudamos a história do frevo. Demos uma outra roupagem. E é ela que está nas ruas até hoje. Não houve qualquer renovação. E não é por que não surgiram novas músicas. É porque não existe divulgação”. Ele recorda uma canção de Dudu do Acordeom, Baile celestial, cujo arranjo assina. “A faixa foi uma das vitoriosas do I Festival de Frevo da Humanidade (em 2013). No entanto, dificilmente, ‘você’ ouvirá. As rádios não tocam. Assim é impossível renovar”, arremata.
Depoimentos
Considero Maestro Duda um gênio. É uma das pessoas responsáveis por manter viva a alma de um povo. Possivelmente, neste segundo semestre, lançaremos o filme Sete corações, com direção de Andrea Ferraz. E Duda é um desses corações. Para mim, ele tem o poder de fazer uma coisa bela, emocionante e simples. Ele tem esse poder. Sou fã incondicional. Sempre que possível, eu o plagio”
– Spok
Maestro Duda é um dos maiores nomes do frevo. É extremamente competente. Desde que comecei a pesquisar e compor frevo, tomei nota de vários artistas. O nome dele é um dos primeiros. Ele é referência para todo mundo. Tive a sorte de tê-lo como arranjador da música Baile celestial, o que contribuiu para a música ser uma das vitoriosas do I Festival de Frevo da Humanidade”
– Dudu do Acordeom
É uma das referências vivas que ainda temos no nosso carnaval. Precisamos valorizá-lo não somente pelo que ele fez no passado, mas pelo que ele continua fazendo até hoje pelo frevo. Além de ser um megamaestro, é uma pessoa de coração generoso. Nunca fez a música pernambucana para si. Ele, acima de tudo, quis mostrar seus passos e sua arte. Só somou para a gente”
– Almir Rouche
Patrimônio Vivo
Em 2010, o Maestro Duda foi agraciado com o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. Desde então, recebe uma bolsa vitalícia no valor de R$ 1021,72. Como tem feito poucas apresentações, o auxílio governamental é a principal fonte de renda do músico, além de uma aposentadoria de R$ 724.

Brasil tem gente bonita

O Brasil tem pessoas generosas. O Estado de Minas apresenta Gracinda Toffolo

A história como hóspede

Lar de escritores, poetas e artistas, o casarão no número 72 da Rua São José, em Ouro Preto, é mantido por Gracinda Toffolo, 82 anos. Ela já hospedou Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira.

Que seja amada, admirada e protegida. Que não lhe apareça nenhuma Christine Epaud para lhe comprar o hotel. Que os anjos e as almas iluminadas fiquem de guarda.

Rua São José, 72, Ouro Preto, este deveria ser um endereço conhecido do Ministério e secretarias estaduais e municipais do Turismo. Idem do Ministério e secretárias estaduais e municipais da Cultura. Que preferem torrar dinheiro com embalos em finais de semana. Com shows super super faturados de cantores. Uma farra que precisa acabar. Já.