Poesia de Micheliny Verunsck

micheliny Verunschk

CRESCENTE E DECRESCENTE NUM MONTE DE CONSELHEIRO
À Lirinha

O sertão
Que eu trago
Junto ao peito
É como a estrela
Cortante
De uma espora,
Como a ave ribaçã
De uma pistola,
Como o olho severo
De um seteiro,
Mas em ti
O sertão
Se torna água
E escorre
Atlântico
Em minha garganta
E em dez pés
Meu galope
Se abranda
E meu pouso
É pacífico
À beira-mar.

.

GEOGRAFIA ÍNTIMA DO DESERTO
I – O corpo amoroso do deserto

Teu corpo
branco e morno
(que eu deveria dizer sereno)
é para mim suave e doloroso
como as areias cortantes
dos desertos.

Que importa
que ignores minha sede
se tua miragem
é água cristalina?

E a miragem
eu firo com mil línguas
e cada uma
é um pássaro a bebê-la.

Ferroam minha pele
escorpiões de sol
com seu veneno
e vejo,
magoada de desejo
os grãos tão leves
indo embora ao vento.

.

II – A presença dolorosa do deserto

Teu nome
é meu deserto
e posso senti-lo
incrustado
no meu próprio
território
como uma pérola
ou um gesto no vazio
como o amargo azul
e tudo quanto
há de ilusório.
Teu nome
é meu deserto
e ele é tão vasto,
seus dentes tão agudos,
seus sóis raivosos
e suas letras
(setas de ouro e prata
dos meus lábios)
são meu terço
de mistérios dolorosos.

.

OUTRO CÂNTICO

I
mulheres de Jerusalém,
vocês viram o meu amado?
pomar de romãs
meu vinho meu leite
revoada de pássaros
mirra incenso
falo.
[o meu amado
passou sua mão
pela fresta da porta
meu coração
entre seus dedos
estremeceu:
eu sou do meu amado
e ele é meu].

II
mulheres de Jerusalém
se encontrarem o meu amado
digam que guardei-lhe uma flor
semiaberta
entre as pernas
digam
que desfaleço
e morro de amor.
[o meu amado
ergue-se
Monte Carmelo
tenda no deserto
torre do Líbano
suas pernas, torres
sua coroa, lírios].

III

mulheres de Jerusalém
foi por entre as romanzeiras em flor
que o meu amado me beijou
e embaixo da macieira
sua língua
cítara
entre meus dentes.
[o meu amado
passa a mão
em minha cintura
e me conduz
ao jardim
de todas as venturas.
o meu amado é belo
como o cedro
e o seu amor
mirra da mais pura].

IV

mulheres de Jerusalém
procurei o meu amado
e não o achei.
dizem que o amor
é mais forte que a morte
mas a saudade
é pedra e sepultura.
aloé açafrão e nardo
nada sara essa ferida funda.
[ventos do oriente
[ventos do oriente
soprem
seu perfume sobre mim
e deixem que o meu amado
me apascente
e coma dos frutos
do seu jardim]

V

mulheres de Jerusalém,
eu quero o meu amado
e o meu amado me quer
meu nome gravado em seu anel
meu cabelo enroscado no seu brinco
seu amor oásis de leite e mel
seu desejo marfim e vinho tinto.
[é doce beijar o meu amado,
seus olhos sua testa
a curva do pescoço
os seus lábios
e espero
como a pomba
aguarda a primavera
para conduzi-lo
ao jardim
mais aromático].

.

AUTORETRATO II

míope e diastêmica
mas não prognata
graças a deus
ou à genética
o que é mais certo.
um olho levemente
maior que o outro.
pés pequenos.
dois grains de beauté
proeminentes:
um nas costas
outro no pescoço.
dedos curtos.
coxas firmes
mas com mais
que o necessário
de celulite.
algumas cicatrizes:
uma no alto da testa
tem nome e causa: bicicleta.
cabelos que já foram lisos
hoje, ondulados
mas sempre muito, muito fartos.
tem duas asas ocultas
uma coleção de imperfeições
e uns trezentos sonhos
que não cabem
não cabem no retrato.

.

INSECTARIUM

I

você sabe, há as pequeninas desatenções, as pequeninas, mas bem marcadas desatenções. leves, diáfanas, elas borboleteiam displicentes, alheias, se achando, tão ingênuas, que são imperceptíveis. às vezes elas são tantas que formam primeiro um pequeno enxame silencioso, mas que à medida em que elas se multiplicam, elas, as pequeninas desatenções, vão fazendo ruído, o ruflar de suas asas num zumbido contínuo. você percebe, você sabe que você está lá, lâmpada a aquecer os pequenos ovos de onde elas saem. você sabe que você é a rainha fértil e gorda, mãe de todas as pequeninas desatenções. o que você talvez não saiba é que o outro está vendo você, está vendo a pequena e barulhenta nuvem que se adensa em seu redor, está vendo a grande parideira de desatenções miudíssimas que você é. ou talvez você saiba, mas confia que o outro estará sempre ali, silencioso e calmo perante o burburinho das pequeninas desatenções. ou talvez você saiba e não se importe: quem há de saber mensurar o tamanho de um desprezo? não. não há nada a fazer. chega o dia em que o outro vai embora e vai embora mesmo que continue sorrindo para você, vai embora mesmo e apesar de você não perceber que ele se foi, vai embora e te deixa sozinha, grandessíssima rainha, com suas leves e distraídas e muito caras a você mesma, pequeninas desatenções

II

peçonhenta ela sobe por sua perna, e você deixa. suas patas finas como agulhas arranhando sua pele, o veneno na ponta da cauda, a cauda levantada, pronta a se cravar em sua carne. você deixa que ela percorra, você não se importa com o perigo de tanta proximidade, você nem percebe que o veneno contamina mesmo antes da inoculação. você se apega a ela e a chama, como se chamasse a um cachorrinho, de minha tristeza, minha tristeza. ela se aloja nas dobras da sua pele. se esconde na gola da sua camisa. ela se emaranha nos seus cabelos, nos seus dias e noites. às vezes ela, minha tristeza, minha tristeza, se oculta tão bem que você nem lembra. mas logo, dia menos dia, as patas finas arranhando suas pálpebras, rasurando seus lábios, dizendo, estou aqui, estou aqui. um dia ela te crava o ferrão bem no meio da língua e tudo finda.

.

Aboio e a pega do boi por Ascenso Ferreira

A PEGA DO BOI
por Ascenso Ferreira

 

A rês tresmalhada
ouviu na quebrada,
soar a toada,
de alguém que aboiou:

— Hô — hô — hô — hô — hô,
Váá!
Meu boi Surubim!
Boi!
Boiato!

E, logo espantada,
sentindo a laçada,
no mato embocou…

Atrás, o vaqueiro,
montando o “Veleiro”
também mergulhou…

Os cascos nas pedras
davam cada risco
que só o corisco
de noite no céu…

Saltaram valados,
subiram oiteiros,
pisaram faxeiros
e mandacarus…

Até que enfim…
No Jatobá
do Catolé,
bem junto a um pé
de oiticoró,
já do Exu
na direção…

— O rabo da bicha reteve na mão!

(Poeiriço danado e dois vultos no chão)

…………………………………

Mas, baixa a poeira,
a res mandingueira
por terra ficou…

E um grito de glória
no espaço vibrou:

— Hô — hô — hô — hô — hô,
Váá!
Meu boi Surubim!
Boi!
Boiato!

 

Ascenso

Ascenso

 

ABOIO DE ASCENSO
por Talis Andrade

.

Delicioso ouvir
Ascenso recitando
Na poesia de Ascenso
o cheiro da terra no cio
a música o ritmo a ginga
o cantar o dançar do povo
o cantochão a poesia em transe
nos improvisos da embolada
do fandango
do coco de roda
e dos maracatus

O vozeirão de Ascenso
agitava as redações
localizadas em local propício
junto às fontes de notícias
Todos os poderes reunidos
em uma promíscua proximidade
Assembléia Legislativa Câmara Municipal
palácios das Princesas e da Justiça
igrejas e casas de meretrício

Deitado em uma imensa rede invisível
armada em uma varanda de ventos alísios
rodeado de mucamas
Ascenso que não era feito de ferro
descansava a malandragem
de jogador de baralho
de tirador de conversa
destilando aguardentia
todos os dias
– Carnavá meu carnavá
tua alegria me consome
chegou o tempo de muié largá os home
chegou o tempo de muié largá os home

PAPAI NOEL SERTANEJO

por Ivo Martins Vieira Junior

vaqueiro

 

 
Imagino um Papai Noel Sertanejo.

Um Papai Noel vivendo numa terra seca, no epicentro da caatinga, sob um sol causticante, sobre um chão tórrido.

Um Papai Noel sem renas, mas montado num jumento.

Um Papai Noel sem gorro, mas usando chapéu de couro.

Um Papai Noel magro, artesão, vaqueiro, um herói anônimo.

Um Papai Noel residindo distante das cidades grandes.

Um Papai Noel que não conhece shopping Center.

Um papai Noel que confecciona bonecas de ”sabugos” de milho, bonecos de madeira rústica, carrinhos de latas de óleo comestível, mamulengos de isopor e caroá, além de outros brinquedos a fim de arrancar sorrisos das crianças do lugar.

Um Papai Noel super-homem, superando adversidades, rompendo barreiras, enfrentando o estigma das longas estiagens.

Um Papai Noel de coração terno, de alma branda.

Um Papai Noel honesto, desprovido de orgulho, semianalfabeto, letrado na arte de suportar problemas.

Um Papai Noel temente a Deus, um homem simples, um sertanejo.

Salgueiro – PE

Dilma: O sertão vai virar mar. Marina: O mar vai virar sertão

MarinaDiscursa

Marina Silva, contrariando estudos científicos, promete que “o mar vai secar”. Quando deverá subir, até o final deste século, 2,3 metros.

Escreve Josias de Souza: “Horas antes da divulgação do Datafolha e do Ibope que atestaram a continuidade do movimento de desintegração do seu índice de intenção de votos, Marina Silva reuniu representantes dos partidos de sua coligação. Conforme já noticiado aqui, ela fez um discurso impregnado de indignação.

O pronunciamento foi adornado com um guizo retórico que eletrificou a plateia. Um dos presentes identificou no comentário final de sua candidata um quê de messianismo. Para certificar-se, ao chegar em casa, o correligionário de Marina colocou para rodar o áudio do discurso, que ele gravara no celular. Eis a frase que lhe soara mal:

‘Meus amigos, vamos à luta, vamos à vitória, vamos mostrar que hoje, aqui, tem que se ver relâmpago de caracol, os nevoeiros pararem, dar eclipse no Sol, as águas do mar secarem e eu pescar a baleia com anzol.’ Seguiu-se um coro de inspiração petista: ‘Marina, guerreira da pátria brasileira…”

2,3 metros de elevação do nível do mar

A cada aumento de 1 ºC na temperatura do planeta, o nível do mar poder subir 2,3 metros e permanecer elevado por séculos, de acordo com um novo estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Potsdam de Pesquisa sobre Impacto no Clima, da Alemanha.

De acordo com Anders Levermann, um dos autores da pesquisa: “Antes havia alguma incerteza e as pessoas não sabiam quanto (seria o aquecimento). Agora, nós estamos dizendo, considerando tudo o que sabemos, que temos uma sólida estimativa de 2,3 metros de elevação do mar para cada grau de aquecimento”.

Quais serão os impactos sobre o nosso imenso litoral com mais de oito mil quilômetros de praias?

Escreve André Trigueiro: “O mais completo estudo já feito no Brasil sobre os impactos da elevação do nível do mar revela que 40% das nossas praias são vulneráveis. Manguezais, dunas, áreas de baixada e cidades densamente povoadas próximas de estuários como Rio de Janeiro e Recife oferecem menos resistência ao mar.

Setenta e um pesquisadores assinam o relatório feito no país em 2006. O estudo detalha os impactos previstos em 16 estados.

‘O Brasil tem vulnerabilidade ao longo de todo o litoral, de forma pontual’, alerta Dieter Muhe, coordenador do estudo.

Já existe uma recomendação do governo federal de que toda nova construção em área urbana deve ficar a uma distância mínima de 50 metros da praia, exatamente do ponto onde termina a areia. Nas regiões desocupadas, a distância mínima deve ser de 200 metros.

Para Muhe, o planejamento urbano precisa levar em conta o risco que vem do mar. ‘A prefeitura pode treinar sua equipe e definir um plano de ocupação. Isso não é nenhuma dificuldade maior, é uma decisão política. Depende do prefeito, essencialmente. Mas também da pressão das organizações não-governamentais, da sociedade, no sentido de tomar consciência, acho que já está aparecendo’, explica o professor titular da UFRJ”.

 

O Projeto São Francisco

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O Projeto de Integração do Rio São Francisco  é garantir a segurança hídrica para mais de 390 municípios no Nordeste Setentrional, onde a estiagem ocorre frequentemente.

A região Nordeste possui 28% da população brasileira e apenas 3% da disponibilidade de água, o que provoca grande irregularidade na distribuição dos recursos hídricos, já que o rio São Francisco apresenta 70% de toda a oferta regional.

As bacias beneficiadas pela água do rio São Francisco serão: Brígida, Terra Nova, Pajeú, Moxotó e bacias do Agreste, em Pernambuco; Jaguaribe e Metropolitanas, no Ceará; Apodi e Piranhas-Açu, no Rio Grande do Norte; Paraíba e Piranhas, na Paraíba. Essas bacias têm uma oferta hídrica per capita bem inferior à considerada como ideal pela Organização das Nações Unidas (ONU), que é de 1.500 m3/hab/ano. A disponibilidade no Nordeste Setentrional por habitante ao ano é de 450 m3, em média.

Este empreendimento, além de recuperar 23 açudes, vai construir outros 27 reservatórios, que funcionarão como pulmões de água para os sistemas de abastecimento do agreste, fornecendo 6 m³ por segundo.

A obra beneficiará uma população estimada de 12 milhões de habitantes, em 390 municípios nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte, além de gerar emprego e promover a inclusão social.

O empreendimento garantirá o abastecimento de água desde grandes centros urbanos da região (Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato, Mossoró, Campina Grande, Caruaru) até centenas de pequenas e médias cidades inseridas no semiárido e de áreas do interior do Nordeste, priorizando a política de desenvolvimento regional sustentável.

 

Histórica peleja de cantadores

Estátua do poeta Inácio, em Catingueira, Paraíba

Estátua do poeta Inácio, em Catingueira, Paraíba

Marina Silva, com erros, sem revelar a autoria, cita versos de Romano do Teixeira, na primeira peleja com Inácio da Cantigueira, quando Patos, na Paraíba, era ainda uma vila, em 1870:

Hoje aqui há de se ver

relâmpago de caracol

os nevoeiros pararem

e eclipsar-se o sol

secar a água do mar

e pescar baleia de anzol

 

Romano, possivelmente, se inspirou na profecia de Antônio Conselheiro, ou outros santos nordestinos da doutrina do milenarismo.

Antônio Conselheiro

Antônio Conselheiro

 

A PALAVRA DE FOGO

por Talis Andrade

 

No remoinho dos ventos
levantando a poeira
do vermelhado chão
em um perdido povoado

a alucinante aparição
de um homem
envergando a veste
dos penitentes

a aparição de um homem
que andou léguas e léguas
por caminhos de pedras
e vilarejos distantes

a pregar uma estranha
e deslumbrante visão
o sertão vai virar mar
o mar vai virar sertão

O remoinho dos ventos
apagou os rastros do profeta
o remoinho dos ventos
levou as secas palavras
pelos caminhos secos dos rios
o remoinho dos ventos
espalhou a palavra de fogo
pelos vagos do deserto

 

Antonio Conselheiro morreu na Guerra de Canudos. Seu corpo foi desenterrado, pelo Exército, para ser fotografado. E a cabeça cortada, depois de exibida por várias cidades, terminou em museu em São Salvador, Bahia

Antonio Conselheiro morreu na Guerra de Canudos, em 1897. Seu corpo foi desenterrado, pelo Exército da República, para ser fotografado. E a cabeça cortada, depois exibida por várias cidades, e levada para ser examinada por Nina Rodrigues, na Faculdade de Medicina de São Salvador, Bahia. Em 1905, um incêndio destrói a cabeça de Antônio Maciel, conhecido pelos nomes de Antônio dos Mares, Bom Jesus e Antônio Conselheiro. 

O Peregrino Antônio Conselheiro

O PEREGRINO

 

Raimundo Arcanjo-Conselheiro

por Talis Andrade

 

 

Com o bordão de peregrino
como apoio
a cruz como símbolo
o peregrino caminha
pelo leito seco dos rios
levando a palavra da salvação
a esperança de chuva
aos secos viventes
do seco sertão

Perdidos lugarejos
perdidas almas
há muito tempo os corpos enterrados
há muito tempo as esperanças enterradas

O peregrino os olhos cegos pelo sol
talvez não anteveja
no findar da jornada
fincará uma cruz
em uma cidade fantasma

 

 

 

.

 

A poesia de José Inácio Vieira de Melo

JIVM

PEDRA SÓ

I

Canto de peito ao vento,
um boi de campina anda comigo.
Outra vez as águas antigas,
ravinas na memória do tabuleiro.

É um boi das algarobeiras
que muge a solidão.
Suas manchas, ruminadas na paciência,
reúnem a terra.

O chão secando, serranias, caatingas.
O boi nas malhadas dos céus.
O sabor hereditário estendido em varas,
couros leves secando ao sol.

Sobre o couro do país,
no terraço da província que me é sagrada,
o poeta
o fogo
o cavalo
e os marmeleiros onde se estendem
leopardos sertânicos.

Ao céu do país, no couro esticado,
o nome primeiro, à luz do sol,
à sombra das algarobeiras:
PEDRA SÓ
chã que se abre
ao cavaleiro deslumbrado.

 

VIII

A pele dos carneiros
encadernando os primeiros nomes,
salmos secretos.

Evangelhos da boca do pastor
lavram as visões interiores.
E as ovelhas e os bodes e as cabras,
couros e lãs vestindo a saga dos homens.

Homero, cantador assombrado
pelos astros e por seus rastros,
singrou os mares da imaginação
e assim foi o inventor de deuses e homens.

Homero tinha um cavalo
onde cabiam todos os guerreiros
e escreveu com sangue e verbo
os salmos da sua história
cujos ritos e sacrifícios
se repetem em mim, agora.

E um dia os escribas gravaram
nas peles dos bois e dos carneiros
os cantos do cego que inaugurou
os sertões ocidentais.

 

.


Mais poesia de José Inácio Vieira de Melo selecionada por Antonio Miranda

E Revista Mallarmargens