Os quatro nomes e pecados da deusa Bruna Lombardi

 

ELOGIO DO PECADO
por Bruna Lombardi

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Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza

você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.
É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa

Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.

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SEGUNDA CANÇÃO DE MARIO QUINTANA
por Talis Andrade

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A ti e ao teu poder invoco ó deusa
Tu podes conceder tudo que eu pedir
Teus passos se encaminhem para mim
Para mim se alarguem teus passos iluminando os caminhos
com sete raios azuis sete raios brancos sete raios vermelhos
Vem ó deusa incorporada em uma de tuas sacerdotisas
Patrícia Romilda Maria Teresa
Vem ó deusa das quatro faces dos quatro nomes terrenos
dos quatro mares das quatro luas das quatro partes do mundo
Vem ó deusa teus passos se encaminhem para mim

 

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Quando publiquei o Elogio do Pecado, no Jornalismo de Cordel, Antonio F. Nogueira, que assinava um blogue no portal Sapo, Portugal, comentou:

“A maioria realiza uma leitura totalmente errada deste poema de Bruna Lombardi. Que está, praticamente, em todas as antologias de poesia erótica. Não é nenhum poema maldito. Ou sensual. Escuto um canto que lembra um hino à Astarte, deusa do amor. Sua imagem mais conhecida: nua, quadris largos e mãos em concha abaixo dos seios arredondados. Adorada com diferentes nomes em todas civilizações antigas. Mãe e filha. Esposa e amante. Deusa da fertilidade, da vida e da morte. Astarte permanece representada nas seis deusas gregas”.

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Deusa Ishtar, estatueta representativa do século IV a.C.

Ilustrações: Diferentes representações da deusa

FEIRA DOS MILAGRES

por Talis Andrade

 

Maldito bendito corpo
contido em uma cela
estendido em uma cama
embalsamado
em uma redoma de vidro

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Contido medido corpo
de atormentado asceta
temeroso do mundo
dos pecados imundos
da indomada carne

Santificado corpo
espostejado corpo
exibido nos açougues
para ser vendido
como lembrança

Santo corpo de Santa
Isabel da Hungria
depois de morto
arrancaram as unhas
cortaram os cabelos
os bicos dos seios

ISABEL DA HUNGRIA

Corpo lavado
rezado e velado
de São Tomás de Aquino
a cabeça decapitada
o corpo esburgado
os ossos polidos
vendidos a varejo
para que as ricas igrejas
príncipes e reis
pagassem o preço
exorbitante preço
por tão raras
caras relíquias

Corpo cozinhado
no vinho no vinagre
e perfumada água
corpo cozinhado
para o ágape

Maldito corpo
bendito corpo
para ser comido
no banquete
das Santidades
por um Terra
sem Mal

O corpo comido
no frenesi
dos índios
em transe

Índios escravos
perseguidos
pelo Santo Ofício
e o rei de Portugal

Ditadura Militar. RECORDAÇÕES DA CASA DOS MORTOS

por Talis Andrade

 O. Cuéllar

O. Cuéllar

1

Vieram
soldados
de armas
nas mãos

Vieram
soldados
de botas
pretas

Gritaram forte
espancaram forte
vasculharam tudo
tudo

2

Tomaram retratos documentos
Os carcereiros regiam quase tudo
Os carcereiros não podiam acorrentar
os sonhos de liberdade a doce
esperança de encontrar
a Terra Sem Mal

3

Acaso o corpo presunto
se conserve vivo
na câmara frigorífica
Liberto dos sequazes
o corpo defunto
escape do inferno
não há como afastar
a persistente presença
do senhor da tortura

Acaso o preso escape
ileso das mãos homicidas
não há como esquecer
o contato na carne
das tenazes em brasa
a comida pastosa
empurrada na boca
as unhas arrancadas
os dentes quebrados
Não há como esconder
as visíveis marcas
confundindo a alma
quebrantando o corpo

4

Como varrer da memória
as cenas de esquartejamento
Esquecer uma madrugada
a porta da casa derrubada
foi retirado da cama
e jogado em um negro carro
idêntico aos coches
das casas mortuárias
Uma madrugada as corujas nefastas
cobriram o céu azul com suasas negras
Uma noite os olhos diante
dos horrores do holocausto
quedaram macabramente inúteis
Infaustos olhos de Santa Luzia
exibidos em um prato de prata

5

Os olhos desbotados
pela salmoura das frias
paredes dos presídios
vazados nas masmorras
do Santo Ofício
arrancados nos porões
da ditadura

Os olhos tristes
de quem sentiu
quanto (ser)vil
pode se tornar
o bicho homem

De Lázaro os olhos
de quem voltou
do país das sombras
querem

os verdes anos perdidos
o azul a paz
de longínquo cais

a liberdade dos espaços
brancas velas de uma jangada
no horizonte

pássaros velejando
o infinito


In livro O Enforcado da Rainha, p.119,
Livro Rápido, Olinda, 2009

GEOPOLÍTICA

por Talis Andrade

 

indignados polícia livro

 

De quarentena os poetas

que dedilham as cordas do lirismo

poetas amarelados doentios

chorando nos bares

as pobres rimas

chorando e gemendo as dores

de sifilíticos amores

 

Degrada de tua porta

os poetas os profetas

semeadores dos vírus

subversivos

 

Queima os livros

que te desagradam

e degradam a pureza

o idealismo dos jovens

Fecha os jornais

nanicos e derrotistas

 

Leva à execração pública

todos os artistas

efeminadas criaturas

incuráveis parasitas

incapazes de ações guerreiras

incapazes de atos heróicos

indignos de vislumbrarem

mil anos de Reich

 

Cerca o gado

nos guetos

cerca o gado

nos campos de concentração

 

Que nenhuma voz

se escute

a não ser

para a louvação

da augusta beleza

do amado Führer

 

Alavê alavê

mil anos de Reich

para o amado Führer

Quando o censor é o próprio Judiciário é hora de começarmos a nos preocupar

por Noélia Brito

 Jean Gouders

Jean Gouders

 

A Constituição Federal traz em seu bojo um sistema protetivo das garantias e direitos individuais e coletivos que inclui de maneira expressa tanto o direito à informação, passando pelo direito à livre manifestação do pensamento e culminando com a vedação a toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística e ainda a qualquer restrição à manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo. Tais direitos são previstos nos arts. 5º, IV, IX, XIV, XXXIII e 220, § 1º, § 2º, § 6º, da Constituição da República. Nem por lei, é de se admitir o estabelecimento de censura em nosso país, por expressa vedação constitucional.

Entretanto, alguns magistrados brasileiros, em especial, em Pernambuco, têm preferido ignorar o texto constitucional, para conferir a alguns agentes públicos e figuras políticas absurda blindagem, atribuindo-lhes verdadeira imunidade, sequer deferida a quem ocupa o cargo político máximo da Nação, que é a presidência da República.

As decisões de alguns juízes e desembargadores pernambucanos chegam ao escárnio institucional de proibir toda e qualquer referência sobre qualquer notícia que diga respeito a esses cidadãos acima da lei e que ocupam cargos importantes na estrutura política de nosso Estado.

As decisões em questão transformaram seus protegidos em verdadeiros intocáveis, quando nosso sistema constitucional veda a criação de cidadanias privilegiadas. Por vontade desses julgadores, membros do Poder Judiciário e do Poder Executivo e até marqueteiros de políticos e partidos foram alçados à qualidade de majestades, onde qualquer crítica ou notícia que não lhes seja elogiosa ou favoráveis devem ser implacavelmente proibidas, sob pena de pagamento de pesadas multas, para que a população em geral permaneça ignorante sobre a realidade que se oculta nos diários oficiais, que ninguém lê e nos sites de acompanhamento judicial, que ninguém visita.

Não satisfeitos em mandar retirar do ar notícias que gestores descompromissados com a transparência querem ocultar, esses juízes e desembargadores ainda instituem ignominiosa censura prévia contra os cidadãos que ousam exercer sua cidadania e denunciar, exigir e cobrar dos gestores públicos transparência da administração de bens, recursos e serviços públicos.

A situação em Pernambuco de censura ilegal e inconstitucionalmente por alguns membros do Judiciário local contra a cidadania é tão grave que já começa a merecer uma denúncia ao CNJ e aos órgãos de proteção aos direitos humanos, órgãos estes que, este ano, já colocaram o Brasil no banco dos réus dos direitos humanos internacionais, justamente por violar tratados internacionais sobre a liberdade de expressão.

As acusações contra o Brasil tramitam na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA e foram feitas pela ONG internacional “Article 19”, que atua em defesa à liberdade de informação e de imprensa em todo mundo, durante audiência realizada pela Comissão no último dia 29/10, em Washington, nos Estados Unidos.??

A denúncia decorre da permanência dos crimes de calúnia, injúria e difamação em nosso sistema penal, quando as supostas vítimas são ocupantes de cargos públicos.??

Se a legislação não for corrigida para que o Brasil se adeque aos tratados internacionais que ele mesmo assinou, a “Article 19” pretende processar o país também na Corte Interamericana de Direitos Humanos, que funciona em San José, na Costa Rica.??

De acordo com a “Article 19”, no Brasil, os chamados crimes contra a honra têm sido usados por autoridades públicas e ainda com a cumplicidade de alguns membros do Judiciário, como “instrumento político de intimidação”, nitidamente para cercear a liberdade de expressão e de livre informação.

Ainda segundo a ONG “Article 19”, em sua denúncia contra o Brasil, tem-se criado uma verdadeira “indústria do dano moral” por parte de “corruptos e ladrões do dinheiro público” para intimidar jornalistas e ainda enriquecerem com o resultado desses processos.

Outra aberração que foi denunciada pela própria CIDH, com relação ao Brasil, foi a manutenção do crime de desacato na nossa legislação penal, já que esta previsão se incompatibiliza com as Convenções da OEA e se prestam principalmente à criminalização dos movimentos sociais.

Não bastasse a manutenção de institutos criminalizadores de há muito repugnados pela Comunidade Internacional porque atentatórios à dignidade da pessoa humana, magistrados têm feito vistas grossas ao que a própria Constituição repudia. Para se ter uma ideia, na ADI nº 4451 MC-REF/ DF, o Supremo Tribunal Federal definiu que “Não cabe ao Estado, por qualquer dos seus órgãos, definir previamente o que pode ou o que não pode ser dito por indivíduos e jornalistas. Dever de omissão que inclui a própria atividade legislativa, pois é vedado à lei dispor sobre o núcleo duro das atividades jornalísticas, assim entendidas as coordenadas de tempo e de conteúdo da manifestação do pensamento, da informação e da criação lato sensu. Vale dizer: não há liberdade de imprensa pela metade ou sob as tenazes da censura prévia, pouco importando o Poder estatal de que ela provenha. Isso porque a liberdade de imprensa não é uma bolha normativa ou uma fórmula prescritiva oca.”

Vê-se de plano que não estamos a falar de conceitos vagos ou de questões que ainda estejam sendo discutidas pelos Tribunais Superiores. O que temos é já uma jurisprudência consolidada que afirma ser proibido a qualquer juiz, desembargador ou ministro deste país censurar previamente o que qualquer cidadão, seja jornalista ou não, poderá ou não dizer ou expressar, pois qualquer análise sobre o alcance ofensivo da manifestação do pensamento de um cidadão sobre a esfera individual de outro cidadão, notadamente em se tratando de autoridades públicas, só pode se dar a posteriori.

Se a Constituição veda, proíbe, com todas as letras que uma lei limite previamente o conteúdo de uma matéria jornalística, já que a censura foi abolida de nossas vidas juntamente com a Ditadura civil-militar de péssima memória, muito menos se pode conferir ao Poder Judiciário, escravo que é da Constituição e da legalidade, esse poder.

O Supremo Tribunal Federal se pronunciou de maneira muito forte e clara no sentido de que ao Estado, por qualquer de seus órgãos e aí se tem por incluído, obviamente, os órgãos do Poder Judiciário é proibido, “definir previamente o que pode ou o que não pode ser dito por indivíduos e jornalistas”.
Segundo o Supremo Tribunal Federal, a nossa atual ordem constitucional “autoriza a formulação do juízo de que o caminho mais curto entre a verdade sobre a conduta dos detentores do Poder e o conhecimento do público em geral é a liberdade de imprensa. A traduzir, então, a ideia-força de que abrir mão da liberdade de imprensa é renunciar ao conhecimento geral das coisas do Poder, seja ele político, econômico, militar ou religioso.”

O Supremo ainda estabelece que a “Magna Carta Republicana destinou à imprensa o direito de controlar e revelar as coisas respeitantes à vida do Estado e da própria sociedade. A imprensa como a mais avançada sentinela das liberdades públicas, como alternativa à explicação ou versão estatal de tudo que possa repercutir no seio da sociedade e como garantido espaço de irrupção do pensamento crítico em qualquer situação ou contingência. Os jornalistas, a seu turno, como o mais desanuviado olhar sobre o nosso cotidiano existencial e os recônditos do Poder, enquanto profissionais do comentário crítico. Pensamento crítico que é parte integrante da informação plena e fidedigna.”

Na ADI de que ora nos socorremos, brilhantemente relatada pelo Ministro Carlos Ayres Brito ainda podemos citar que “o exercício concreto dessa liberdade em plenitude assegura ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer pessoa, ainda que em tom áspero, contundente, sarcástico, irônico ou irreverente, especialmente contra as autoridades e aparelhos de Estado. Respondendo, penal e civilmente, pelos abusos que cometer, e sujeitando-se ao direito de resposta a que se refere a Constituição em seu art. 5º, inciso V. A crítica jornalística em geral, pela sua relação de inerência com o interesse público, não é aprioristicamente suscetível de censura. Isso porque é da essência das atividades de imprensa operar como formadora de opinião pública, lócus do pensamento crítico e necessário contraponto à versão oficial das coisas, conforme decisão majoritária do Supremo Tribunal Federal na ADPF 130.”

Aliás, vale mencionar a Representação nº 830, Acórdão de 06/09/2006, da Relatoria do Juiz Alfredo Jambo, quando em exercício no TRE, segundo o qual, “A imagem do homem público, desde que não se refira à sua esfera íntima, mas condicionada à gestão de seus atos administrativos, e que não transborde para a calúnia ou injúria, é permitida na propaganda eleitoral.”

Em outra decisão também do TRE de Pernambuco, o Desembargador Marco Maggi, chega a definir como “abominável” a censura prévia mediante a proibição de veiculação de críticas. Imaginemos o que o nobre Desembargador do próprio TJPE não está pensando ao assistir o nome da Corte Estadual envolto em casos de censura prévia a qual chegou de taxar como “abobinável” (Representação nº 303, Acórdão nº 303 de 16/09/2002).

As decisões de alguns magistrados e desembargadores do TJPE, criando nefanda censura prévia contra cidadãos, de modo a blindar ocupantes de cargos públicos, portanto, destoam daquelas da maioria dos magistrados do mesmo órgão judicante, o que reforça seu caráter de fruto de uma situação de exceção que se tem instalado em nosso Estado.

As decisões dos censores judiciais chegam ao absurdo de proibir a veiculação de “qualquer notícia, sobre qualquer assunto” e até de se pronunciar o nome e o cargo ocupado pelos gestores públicos ou legisladores beneficiários. Além de todos os dispositivos constitucionais jea mencionados, é claro que nem a publicidade e muito menos a transparência estão sendo prestigiados em nosso estado, seja pelas autoridades que censuram, via justiça, para esconder seus atos, seja pelos magistrados que acatam seus pedidos de censura.

O Pleno do STF também rechaçou, através da ADPF 130, a malfadada e vetusta prática que temos observado aqui em Pernambuco, de censurar cidadãos para blindar autoridades públicas que deveriam ser as primeiras a serem alvo de cobrança por mais e mais transparência de seus atos. Diz o Supremo que “não é jamais pelo temor do abuso que se vai proibir o uso de uma liberdade de informação a que o próprio Texto Magno do País apôs o rótulo de ‘plena’ (§ 1 do art. 220)”. O Supremo, aliás, chama-nos a atenção para o fato de que não há de se admitir censura prévia nem mesmo se oriunda do próprio Judiciário: “Não há liberdade de imprensa pela metade ou sob as tenazes da censura prévia, inclusive a procedente do Poder Judiciário, pena de se resvalar para o espaço inconstitucional da prestidigitação jurídica.”

Na mesma decisão, também relatada pelo Ministro Ayres Britto, o ministro Marco Aurélio reafirma o caráter ditatorial da censura governamental, seja ela oriunda de qualquer dos poderes, inclusive do Poder Judiciário: “a censura governamental, emanada de qualquer um dos três Poderes, é a expressão odiosa da face autoritária do poder público”.

As decisões de alguns juízes e desembargadores do TJPE que censuram cidadãos em suas críticas e publicações sobre processos criminais, ações de improbidade, investigações pelo Ministério Público de tráfico de influência, entre outros crimes ou mesmo de atos de gestão administrativa, tais como dispensas e inexigibilidade de licitações milionárias têm proliferado em nosso Estado e de acordo com o Ministro Marco Aurélio do STF são “a expressão mais odiosa da face autoritária do poder público.”

A cidadania, assim, vê-se em perene ameaça de ser vítima de novos ataques à liberdade de expressão e informação, tão caras à nossa jovem democracia. Como destacou o relator da ADCP nº 130, Ministro Ayres Britto, que decidiu pela não recepção da Lei de Imprensa pela Constituição de 1988, o “pensamento crítico é parte integrante da informação plena e fidedigna. O possível conteúdo socialmente útil da obra compensa eventuais excessos de estilo e da própria verve do autor. O exercício concreto da liberdade de imprensa assegura ao jornalista o direito de expender críticas a qualquer pessoa, ainda que em tom áspero ou contundente, especialmente contra as autoridades e os agentes do Estado. A crítica jornalística, pela sua relação de inerência com o interesse público, não é aprioristicamente suscetível de censura, mesmo que legislativa ou judicialmente intentada. O próprio das atividades de imprensa é operar como formadora de opinião pública, espaço natural do pensamento crítico e real alternativa à versão oficial dos fatos’.

Merece nosso mais absoluto repúdio os atentados que têm sido praticados contra nosso regime democrático, via Judiciário e em flagrante desrespeito à própria Constituição e em afronta escandalosa à Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, com o intuito flagrante de blindar aqueles que deveriam antes de qualquer outro cidadão, prestar contas à sociedade, em razão dos cargos públicos que exercem ou que um dia exerceram. Quando é o próprio Judiciário quem fragiliza a democracia é hora de começarmos a nos preocupar.

(Transcrito do Blog de Jamildo Melo)

 

Noelia Brito é advogada e procuradora do Município do Recife

Noelia Brito é advogada e procuradora do Município do Recife

La biógrafa del éxtasis

La escritora y periodista Alicia Dujovne Ortiz vuelve a indagar el pasado en su última novela, Un corazón tan recio, sobre Santa Teresa de Avila, fundadora de las Carmelitas Descalzas y una de las figuras más controversiales del catolicismo español del siglo XVI, que se atrevió a una escritura sensual y femenina en tiempos de la Inquisición.

¿Por qué decidiste escribir una autobiografía ficticia de Santa Teresa de Avila?

–En un principio hallé un parentesco con el personaje, porque yo soy medio judía y medio cristiana, como ella, y aunque no es fácil serlo te da una hermosa riqueza y libertad. El hecho de que ella era marrana pero mezclada y que luego su hermano Rodrigo viniese a América en la expedición de Pedro de Mendoza lo vi como un guiño hacia mí, y luego me apasioné con su historia. Su abuelo era Juan Sánchez de Toledo, judaizante, condenado por la Inquisición, hecho que permaneció oculto hasta que se dio a conocer en España recién en 1947, pero que Teresa no ignoró. A ello se le suma la búsqueda del reconocimiento de hidalguía por parte de su padre y sus tíos, para “tapar la mancha”. Y, por otro lado, su perfil de feminista antes de hora. Teresa huye de su casa para no aceptar el destino femenino que imperaba en el siglo XVI. Ya lo había visto en su madre, mujer que se casa a los 14 años y que muere luego de partos sucesivos. Para evitar repetir la historia crea refugios para mujeres que deseen vivir tranquilas, lugares sin ornamentos y en comunión con Dios, aunque su relación con él fuese muy perturbadora.

En la novela, pese a la ficcionalización, hay un registro histórico importante.

–Sí. Es mi modo de escribir, primero investigo. Visité el Instituto de Estudios Hispánicos de la Universidad de París donde Vidal Sephiha, profesor de estudios judeo españoles (marranos), tras su muerte, dejó un gran caudal de material; viajé por Avila, por Toledo y encontré el libro que cuenta la historia del juicio de reconocimiento de la “Ejecutoria de hidalguía” que hicieron los familiares de Teresa. Por otro lado, está el juego con el recurso de la posibilidad. Rodrigo viene a Buenos Aires, come cadáveres de ahorcados por don Pedro y luego se pierde en la selva paraguaya. Algunos historiadores creen que no murió en defensa de la fe, como Teresa creía, sino que se quedó en la selva, llamada el paraíso de Mahoma, porque los guaraníes lucharon pero también contemporizaron y les regalaron chicas. Aparte juego con el lenguaje: aparecen el hebreo, el guaraní y hasta el lunfardo mezclados con el castellano. En esta línea, ella sigue escuchando resonar la voz de su hermano. La primera frase de la novela es un versículo de los salmos: “Si me olvido de ti Jerusalem, que mi mano derecha se paralice y mi lengua se pegue a mi paladar”. A ella se le endureció la lengua dos veces, y por qué no pensar que se le paraliza la lengua por todo lo que no puede decir y que yo me permito exteriorizar en esta novela.

¿Por qué decidiste usar la primera persona para narrar?

–En Eva Perón. La biografía (1995) o en la de Dora Maar: prisonnière du regard (París, 2003) me mantengo alejada, porque hay que limitarse a la conjetura. En novelas históricas como Anita cubierta de arena (2003) –sobre Anita Garibaldi– o semihistóricas como Mireya (1998) me permito ser narradora pegada y entro en la cabeza de solo un personaje. Y en este caso me fue evidente ubicarme en la primera persona, porque me identifico con la santa. Es un personaje astuto, gracioso, pícaro, capaz de cuerpearle a la Inquisición, con actitud típicamente marrana. La actitud de quien ha nacido ocultando quién es. La amo por eso.

El abordaje que hacés en la novela es más bien místico que religioso. ¿A qué se debe esa decisión?

–Porque en todas las religiones hay una corriente central en la que la jerarquía defiende el dogma, y una paralela, generalmente marginal, que se ocupa de la experiencia mística, que es intransferible, y por eso se dice que en todas las religiones del mundo y en todas las épocas los místicos contaron lo mismo con las palabras del “amor humano”, como en el Cantar de los cantares, o en la poesía del sufismo musulmán. No podría ser explicado de otro modo. Es un orgasmo espiritual, sin genitalidad, pero es un orgasmo. A mí me ha interesado esto desde los 18 años. Y sostengo que no debe ser encasillado en el marco de una religión, como si el éxtasis no pudiese existir por fuera.

Es notoria la división que planteás entre las experiencias de éxtasis y las visiones de Teresa. ¿Cuánto de real tienen esas experiencias?

–En mi paso por la Facultad de Filosofía y Letras de la UBA, en los sesenta, tuve la suerte de tener como profesor a Vicente Fatone, especialista en filosofía de la religión, en un curso sobre mística, y él desconfiaba bastante de Santa Teresa, porque consideraba que era una santa demasiado “ovárica”. Ella empleaba un lenguaje terriblemente femenino y sensual cuando explicaba lo que le pasaba con Dios (“es un recio martirio sabroso”) y se imaginarán las caras de sus confesores. No es casual que la portada del libro tenga la imagen de la escultura “El éxtasis de Santa Teresa” (1651), de Gian Lorenzo Bernini, donde aparece la expresión de agonía y placer al mismo tiempo, y que Jacques Lacan la utilizara para sus seminarios sobre el placer. Su lengua era casi popular, ella se hacía la zonza para no demostrar que era una gran lectora. Fatone desconfiaba de las visiones y luego de investigar bastante me doy cuenta de que tenía razón. El propio San Juan de la Cruz desconfiaba. Sucede que la visión es cultural, está fechada en un tiempo y en un lugar. Mientras que el éxtasis es algo diferente, totalmente desgastado de toda determinación geográfica e histórica.

En tu última novela hay varias referencias a la vida dentro de los conventos, la relación entre las monjas y los sacerdotes, y entre éstos y Teresa que muestran tal vez su lado más contradictorio, oscuro, las exigencias a las que debió someterse para que sus conventos persistan. ¿Pero hay un antes y un después de su experiencia mística?

–Sí. Los conventos representaban para ella y para las que la siguieron lugares de libertad, aunque supongo que su sueño hubiese sido poder venirse a América junto a sus hermanos; tal vez lo más cercano fue su modo de andar fundando conventos, sobre una mula, pasando frío, durmiendo y comiendo apenas, haciendo camino. Luego, la iglesia le impuso su jerarquía y la obligó a crear conventos de hombres que manejaran a las monjas y así conoció a San Juan de la Cruz, con quien compartía las experiencias de éxtasis. Por otra parte, de las princesas o señoras de la nobleza aceptaba donaciones pero les tenía mucha rabia. Al principio, con sus monjas ella era muy autoritaria, como consigo misma, y no podía escapar a las reglas de la época: se azotaba, se ponía el cilicio, porque todavía no tenía éxtasis ni el don de lágrimas, cosa que encuentra en mi novela a través del Zohar –biblia de los cabalistas–. Luego de la experiencia mística, fue más equilibrada. Trataba de impedir que las monjas se azotaran manchando de sangre las paredes y desconfiaba de los éxtasis de otras monjas. A su vez, en un principio las consideraba un poco blandas: no le gustaba que anduvieran a los gritos y les decía que fueran como los varones. Luego, se dio cuenta de que pretendía que fuesen mujeres fuertes. Por eso cuando decía “tengo un corazón tan recio”, intentaba dar a entender que no era sentimental ni blanda consigo misma ni con los demás. Sin embargo, tenía sus tentaciones, amores prohibidos, como el de su primo. A pesar de todo, como diríamos ahora, era un “minón”.

En el post scriptum describís cómo fue ultrajado el cuerpo de Teresa al morir, y la asociación con Eva Perón es casi inevitable.

–Así es. Me pasó en esa parte un poco lo que me pasó con el último capítulo de la biografía de Evita (traducida a más de veinte idiomas). No podía creerlo. Con la primera escribía de modo lineal, sin intervención casi, porque me sobrepasaba la historia, y acá me sucede lo mismo. La desentierran, tiene olor a rosas, la desnudan, muestran cómo pueden sentarla en la cama, el cuerpo tiene color de dátil y la cortan “como si fuese un melón o un queso”, esto dicho por un jerarca de la Iglesia y luego deviene la repartija, un ojo para cada iglesia, un dedo que está en Avila actualmente engarzado en oro. Y lo más terrible, Franco siempre tenía un brazo de Teresa a su lado. Me parece que si ella hubiese vivido durante la Guerra Civil no habría estado a su lado, por más religiosa que fuera.

O Enforcado da Rainha

Um raro e excelente livro de poesias que narra os movimentos libertários do Brasil, inclusive abordando temas como a ditadura militar de 1964, a tortura, as reivindicações do povo, e os costumes, nos tomos: O Enforcado da Rainha,Trajos do Medo, A Sinistra Mão, Santa Inquisição, Romance do Retornado, e Esconsos.

Escreve José de Souza Castro: “Os poemas de Talis Andrade são enxutos de palavras. Apesar disso, ou talvez por isso, vão tecendo uma sucessão infindável de pequenos recortes que formam um painel magnífico de nossa história de esperanças sempre frustradas. Talis termina o livro afirmando, equivocadamente, que `a quieta safra de poetas/ não possui fôlego/ para um poema épico’. Afinal, O Enforcado da Rainha é um poema épico”.

Para Adriano Massena: “Entre a dor e o poeta reside a poesia, entre Talis e a vida existe o amor por uma leveza que se aprisiona ao vento. Talis quebra tabus grudados em poetas”.

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