EVOCAÇÃO DE NATAL. A ronda da noite de Djalma Maranhão

EVOCAÇÃO DE NATAL
por Djalma Maranhão

DJALMA MARANHAO 2
(Trechos de Poema escrito no exílio)

Não te esquecerei, Natal!
Os olhos do sol transpondo as dunas,
Iluminando a cidade
Que dormiu embalada
Pelo sussurro das águas do Potengi.

(…)

Não te esquecerei, Natal!
No lirismo de teus poetas;
O quase bárbaro Itajubá
E o quase gênio Otoniel
E também o alucinado Milton Siqueira.
Jorge Fernandes esbanjando poesia
Na mesa de um bar
Era a imagem viva de um Verlaine.

(…)

Não te esquecerei, Natal!
A vocação libertária do teu povo,
A pregação caudilhesca de Zé da Penha,
Alguns políticos enganando o povo,
Que um dia ganhará conscientização.

(…)

Anoto para o futuro as lutas de hoje
Dos jovens sacerdotes
Plasmados por Dom Eugênio e Dom Nivaldo,
Para os duros embates sociais
Na fidelidade às Encíclicas de João XXIII,
Herdeiros do sacrifício de Frei Miguelinho.

(…)

Não te esquecerei, Natal!
A velha Simôa,
Mais imoral que uma antologia de Bocage,
Chico Santeiro, O Aleijadinho potiguar,
Esculpindo os seus bonecos de madeira,
Com uma ponta de canivete.

(…)

Não te esquecerei, Natal!
Encontro os teus pescadores no Ano do Centenário,
Com a mesma audácia dos irmãos Polinésios,
Numa jangada de velas esfarrapadas,
Levando a mensagem do Potengi a Baia Guanabara.

(…)

Água de coco com aguardente,
Era e continua sendo o melhor uísque nacional.
E o menestrel escravo Fabião das Queimadas,
Que libertou a si e a própria mãe,
Ganhando dinheiro, cantando e tocando rabeca.

(…)

Não te esquecerei, Natal!
A revolução liberal de 1930,
Meu batismo nas lutas sociais.
Fanfarras agitando, agitando,
Muitos discursos, poucos tiros.

(…)

A voz do fogo do seus tribunos,
Ontem, contra o colonialismo,
Hoje frente ao imperialismo.

Não te esquecerei, Natal!

A RONDA DA NOITE DE DJALMA MARANHÃO
por Talis Andrade

.

Estreladas noites Djalma passava
pel’A República dirigindo um jipão
que parecia um trator. O velho jipão
dos tempos da Grande Guerra
subia descia morros
dançava na areia fofa
das ruas que Djalma mandava ladrear.

O jipão seguia ziguezagueando
por desalinhadas ruas
ladeadas de casinhas de presépio.
Casinhas que a lua alumiava.
Ruas que exibiam os mistérios da noite
como uma mulher mostra os encantos
exclusivamente para o amante.
Ruas em que Djalma mandava levantar
postes de iluminação.

Djalma conhecia as quinas
as curvas das ruas estreitas.
Nos becos e botecos
saltava para um trago.
Djalma conhecia os moradores
as cantorias os amores
as aventuras dos pescadores.
Djalma bêbedo da paisagem
– o encantamento das dunas
estendendo o mar
transformado em areia.
Djalma bêbedo de saudade de Natal
contava histórias de quando preso
nas masmorras de Getúlio
parecendo previa carregadas nuvens
fechariam o tempo fechariam as casas.

Djalma levou consigo a saudade
para a escuridão do cárcere.
A evocação no exílio
lhe consumiu o coração.

Djalma voltou para Natal
dentro de um caixão.

 

No dia da Poesia

por Woden Madruga

 

DIA-DA-POESIA

 

Hoje, 14 de março, antevéspera de lua cheia, comemora-se o Dia Nacional da Poesia. Vejo que nesta terra de Poti mais rimada há festas programadas ao gosto estadual e municipal. “Rio Grande do Norte, capital Natal: em cada esquina um poeta, em cada rua um jornal”. Isso era no começo do século que passou. Hoje, há poucos jornais. Contando nos dedos, três. Agora, poeta são muitos. Não somente nas esquinas – disputando o espaço com os camelôs (há camelôs poetas, sim, tantos como há poetas ambulantes, ambula aqui, ambula acolá) – , mas eles também são vistos nos canteiros centrais, espaços públicos onde, às vezes, se joga lixo, tão ao gosto do natalense. Isso sem contar que os poetas agora avançaram mais no tempo e ocupam a internet povoando os blogues. Como tem poeta em blogue! Mas com pouca poesia…

O Dia Nacional da Poesia existe por conta de Castro Alves. Mas o  grande baiano (“Boa-noite, Maria! É tarde… é tarde… / Não me apertes assim contra o teu seio. // Boa-noite!… E tu dizes – Boa-noite./ Mas não digas assim por entre beijos… / Mas não me digas descobrindo o peito, / – Mar de amor onde vagam meus beijos.”) nunca é lembrado, nunca é  recitado (“Oh! Eu quero viver, beber perfumes/ Na flor silvestre que embalsama os ares;/ Ver minh’alma adejar pelo infinito,/ Qual branca vela n’amplidão dos mares.”). Aqui e acolá quando é tempo de carnaval, a tevê desfilando por Salvador, mostra um trio elétrico contornado a Praça Castro Alves (“A praça! A praça é do povo/ Como o céu é do condor/ É o antro onde a liberdade / Cria águias em seu calor.”) Será que nas escolas o poeta, que começou a fazer versos na escola aos 14, 15 anos, é ensinado?

O poeta que nasceu no sertão da Bahia (14 de março de 1847), viveu apenas 24 anos. Viveu intensamente. Morreu em Salvador (depois de muito viver e muito amar em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo), no dia 6 de julho de 1871 (“Morrer… quando este mundo é um paraíso,/ E a alma um cisne de douradas plumas:/ Não! o seio da amante é um lago virgem…/ Quero boiar à tona das espumas. / Vem! formosa mulher – camélia pálida,/ Que banharam de prantos as alvoradas. / Minh’alma é a borboleta, que espaneja / O pó das asas lúcidas, douradas…”)

Não, ninguém hoje mais ler nem cita Castro Alves, o poeta abolicionista, pregador da liberdade e amante apaixonado, o poeta do romantismo, autor teatral, o escritor, o tradutor de Vitor Hugo, de Lamartine, de Byron, de Alfred de Musset (“Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? / Em que mundo, em que’ estrela tu t’escondes / Embuçado nos céus?”). Não ninguém “ouve” Castro Alves.  E Jorge Fernandes, natalense, xaria das ruas Santo Antônio e Vigário Bartolomeu, que tomou cachacinha com Mário de Andrade escoltado por Luís da Câmara Cascudo, também ainda é lembrado?  (“A luz elétrica do meu tempo / Vinha com  a lua-cheia… / Cantavam dentro de mim / Todos os trovadores do passado… / Os olhos que amaram os trovadores / Esquecidos / Eram de novo lembrados / Nas canções dentro de mim…”).

E um outro coestaduano ilustre, José Bezerra Gomes, seridoense de Currais Novos? Será que nas escolas daqueles sertões, uma professora (pode ser professor), um dia, abra um livrinho para recitar para seus alunos o seu poema de nome sugestivo, “Mealheiro”? (“Meu avô/ a camisa por cima da ceroula/ no mourão/ da porteira do curral/ de pau-a-pique/ cheirando a estrume. // Contando os bezerros/ novos/ das vacas paridas // Minha avó/ no santuário da capela/ o rosário de contas/ de capim santo/ nas mãos devotas. (…) A barra das madrugadas / o aboio dos tangerinos// As alpregatas/ do meu avô/ arrastando/ nas lajes dos alpendres/ do mundo/ de minha infância.”).

E tem outro poeta, agora pernambucano, que consta do meu cadastro dos não esquecidos: Ascenso Ferreira. Conheci aqui em Natal, entre os becos e ruas estreitas da Ribeira, guiado por Veríssimo de Melo, começo da década de 60. É da mesma geração de Jorge Fernandes, pouco mais moço do que José Bezerra Gomes. Já se foram. Mas a  poesia de cada um, não. De Ascenso, gosto muito do poema Sertão, que me lembra Queimadas de Baixo.

“Sertão! – Jatobá! / Sertão! – Cabrobó! / – Cabrobó!/ – Ouricuri!/ – Exu!/ Exu! // Lá vem o vaqueiro pelos atalhos, tangendo as reses para os currais…// Blém… blém… blém… cantam os chocalhos/ dos tristes bodes patriarcais. // E os guizos fininhos das ovelhas ternas: / dlim… dlim… dlim… // E o sino da igreja velha: / bão… bão… bão… // O sol vermelho como um tição.”

Eis o meu quarteto de poetas no Dia da Poesia. Representam bem todos os poetas.

Na Capitania
A Capitania das Artes faz festa para celebrar a Poesia. Logo cedo, coisa das 8 horas, o prefeito  Carlos Eduardo e o presidente Dácio Galvão recebem seus convidados, poetas e escritores, para um café Poesia & Prosa. Haverá homenagem ao grande Moacyr Cirne, cujo nome será dado a um dos Centros de Artes e Esportes Unificados (CEUs), projeto conveniado entre Ministério da Cultura e Prefeitura. O de Moacyr fica no bairro Lago Azul, na zona Norte.

Em seguida serão lançados os editais dos concursos Othoniel Menezes (Poesia), Ensaio Etnográfico (Câmara Cascudo) e Ensaio Literário (Moacyr Cirne).

Emenda-se com o lançamento do livro “A Poesia e o Poema no Rio Grande do Norte”, de Moacyr Cirne, reedição do Sebo Vermelho, Projeto Nação Potiguar.

Mesa Literária 
Ainda na programação da Capitania das Artes, duas mesas literárias: a primeira, 9 horas, sobre o tema “A Poesia vista pelos olhos da Poesia”, por conta do poeta carioca Eucanaã Ferraz, professor de Literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Prêmio Alphonsus Guimaraens da Biblioteca Nacional, doutor em Vinícius de Moraes.

A segunda mesa (10 horas), “Da crítica à Poesia Experimental”, tem como mediador o sebista e editor Abimael Silva. Palestrantes: Falves Silva, Anchieta Fernandes e Muirakitan de Macedo. Em seguida, intervenções poéticas.

Chuva

Natal amanheceu quinta-feira debaixo de chuva. Que beleza! Chove em todas as regiões do Estado. Mais no Oeste e no Seridó. A maior chuva foi em Carnaúba dos Dantas, 42 milímetros; Acari, 40. São informações da Emparn até coisa das 9 horas. Deve ter tido mais chuvas no andar do dia.

Dozinho
Partiu Dozinho para os carnavais celestiais. Compositor, letrista, músico, boêmio, papo delicioso. Bela figura de gente. Saudades.

Quando o plantão da justiça vira um balcão de negócios

justiça_bunda justiça balança

 

Quem condena é a justiça. A corrupção depende da impunidade, da certeza de que não vai ser preso. A justiça é falha. Em Natal, um setuagenário questionou a venda de um hotel, e perdeu dois para uma funcionária lotada no gabinete de ex-presidentes do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. Arrumaram para a vítima até uma prisão apenas do conhecimento dessa funcionária ligada a bandidos internacionais – a “Máfia do Frio”. Assim os documentos da negociação de um hotel foram assinados na cadeia. Esta mágica de 1 ser transformado em 2 constitui um dos casos mais vergonhosos da história da Justiça. Esta semana, a vítima entrou com uma ação rescisória. Espero que meus amigos jornalistas Woden Madruga e Cassiano Arruda contem esta safadeza que inclui ameaças de morte, documentos falsos, despacho de pai de santo, e um parecer de um procurador que afirma que casos de interesse individual não são do interesse público, não é coisa de se resolver na justiça. Fica implícita a recomendação de que cada indivíduo aplique a lei de talião, do linchamento, da pistolagem dos justiceiros.   Acontece o mesmo na Justiça do Ceará.

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CNJ de olho nos plantões do TJ

A concessão de liminares suspeitas em plantões do tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) está na mira do conselho nacional de justiça (CNJ).

por Demitri Túlio e Claudio Ribeiro/ Jornal O Povo

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Pelo menos duas investigação estão em andamentoUma mensagem telefônica alertava o presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), desembargador Gerardo Brígido, da articulação suspeita de dois advogados para conseguir a liberdade, no fim do ano passado, de pelo menos três criminosos de uma quadrilha especializada em assaltos, sequestro e tráfico de drogas.

Dizia mais, o caso tinha preço e seria tratado em um plantão do Judiciário cearense. Por cada um dos três habeas corpus o desembargador plantonista embolsaria R$ 150 mil. E, se tudo corresse como havia sido acertado, os advogados pagariam ao magistrado mais R$ 150 mil para derrubar um mandado de prisão contra um quarto traficante que já estava solto.

O traficante em questão havia conseguido a liberdade, em julho de 2013, de maneira suspeita, também em um plantão do TJCE. O habeas corpus, assinado por outro desembargador, chegou a um presídio cearense durante a madrugada. O plantão da Justiça, em Fortaleza, vai de meio-dia às 18 horas.

A soltura do criminoso, flagrado pela Polícia Federal numa tentativa de lavar R$ 340 mil dos negócios do tráfico, teria incomodado o presidente do TJCE e mais 11 desembargadores do Órgão Especial do Tribunal cearense. A matéria jurídica não era caso para ser apreciada em um plantão da Justiça. Deveria seguir o curso normal na vara criminal onde vinha tramitando.

Em setembro de 2013, por causa da recorrência de liminares suspeitas, o Órgão Especial do TJCE resolveu especificar o que deveria ser objeto de julgamento durante os plantões. Ficou determinado, por exemplo, que os magistrados plantonistas não poderiam analisar “pedidos que poderiam ter sido apresentados ainda antes do início do período do plantão” em suas respectivas varas ou no próprio tribunal.

 

Estratégias e burlas

A mensagem telefônica recebida pelo desembargador Gerardo Brígido teria gerado um corre corre na presidência do TJCE e mobilizado alguns servidores de confiança nos setores por onde deveriam chegar as petições suspeitas. A estratégia era interceptar os pedidos no protocolo e distribuição.

Os nomes vazados para o presidente do TJCE batiam com os pedidos de soltura que deram entrada em um daqueles plantões de fim do ano passado. Os advogados eram os mesmos e os criminosos também. Os três já eram condenados em pelo menos um processo e, todos, reincidentes no mundo crime.

Na busca para tentar evitar a liberação “legal”, outra descoberta. Os advogados dos bandidos apresentaram mais de um pedido de habeas corpus para o mesmo criminoso numa tentativa de confundir o sistema de distribuição eletrônica e chegar ao desembargador do acerto. Em um dos casos, três advogados diferentes (contratados pelo mesmo escritório) repetem a solicitação em datas distintas. Pelo menos naquele final de semana, o suposto esquema não deu certo e os presos não foram liberados.

O POVO apurou que, pelo menos, duas investigações estão em curso no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e outras para serem encaminhadas. O desembargador Gerardo Brígido, presidente do TJCE não quis comentar o assunto. Limitou-se apenas a dizer que os fatos estão no CNJ.

 

Falsa advogada entrou com recurso para soltar traficante

O Tribunal de Justiça resolveu acompanhar em detalhes o que se passa nos seus plantões judiciários. Um levantamento parcial indica que pelo menos cinco escritórios de advocacia assediariam, de maneira ostensiva, alguns desses plantões.

Uma das bancas está sendo investigada porque teria usado o nome, o CPF e o número de inscrição na OAB falsos de uma mulher que nunca teria passado por um curso de Direito. A profissional fantasma é um dos três advogados que “assinaram” o pedido de soltura para um mesmo traficante no fim do ano passado durante um plantão.

O POVO apurou também que alguns escritórios de advocacia esperam por plantões específicos de determinados desembargadores – a lista dos escalados para cada plantão passou a ser pública, por determinação do Conselho Nacional de Justiça.

Durantes esses dias de maior fluxo, há advogados, segundo as investigações do Tribunal de Justiça do Ceará, que chegam a pressionar os servidores para preparar alvarás de soltura de seus clientes. Antes mesmo dos autos serem avaliados pelos magistrados.

 

A visita dos 80 causídicos

A movimentação de advogados foi intensa nos corredores de granito polido do Palácio da Justiça naquele plantão judiciário de fim de ano. A média de visitantes, que num plantão normal fica em torno de dez pessoas, naquele dia passou de 80, de acordo com o livro de registro de entrada de visitantes do próprio Tribunal.

Eram advogados que representavam clientes em pelo menos 64 processos. Iam direto para o Setor de Protocolo do Tribunal de Justiça. Buscavam a oportunidade de terem seus recursos julgados mais celeremente.

O entra e sai de advogados para além do comum chamou a atenção de magistrados e servidores. Tanto que o livro de registro será encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça como elemento para embasar as investigações sobre a suposta concessão irregular de liminares.

O POVO opta por não divulgar nome dos suspeitos ou datas porque as investigações ainda estão em fase inicial no CNJ.

 

Números

2 Casos estão sendo investigados pelo Conselho Nacional de Justiça.Os processos são sigilosos.

64 Recursos chegarama ser apresentados em um mesmo plantão do Tribunal de Justiça.

E LÁ NO ALTO, UMA NOVA LUZ ENVOLVE-SE NA GRANDE SOMBRA DE DEUS, PARA ILUMINAR-SE MAIS E MAIS: TÂNIA MARINHO MEDEIROS!

Lucia Helena de Medeiros

Lucia Helena de Medeiros

Lembro-me, não do dever, mas do carinho da Promotora de Justiça (à época – 23-12- 1983), minutos antes da sentença por minha separação judicial, após onze anos de casamento. Tânia ajeitou o meu cabelo, tocou de leve em meu queixo e me afagou com essas palavras: “Você é uma pessoa de muita força, que seu novo destino seja sempre assim, digno e correto, como você”.

As palavras de Tânia Marinho ainda ressoam em meus ouvidos. Uma mulher de alma nobre, de gestos largos e de cujo olhar relembro a radiosa e resplendente luz.

Filha do grande homem público, Djalma Marinho, ex- Governador do RN, que deixou sua marca indelével, pela retidão, pela seriedade e pela grande humanidade.

Deus receba em seu Reino de Luz essa estrela que sempre foi boa e doce, que amou seu marido, seus filhos e netos, os amigos e tudo fez pela Justiça Brasileira!
Saudades minha querida, obrigada!

Parabéns ao céu!

O ADEUS A D. TANIA MARINHO

por Hilneth Correia

Depois de três meses de batalha contra o câncer, faleceu  na manhã desta sexta-feira (25) uma das grandes damas da sociedade natalense: Tania Marinho Medeiros, esposa do ministro aposentado Francisco Fausto de Medeiros.
O velório esta acontecendo na capela principal do Morada da Paz, em Emaús. Após missa de corpo presente, o sepultamento será neste sábado (26), às 10h.
Tania era filha de um dos mais importantes nomes da nossa política , Djalma Marinho , que foi deputado estadual em duas legislaturas, candidato a governador do Rio Grande do Norte em 1960, perdendo a eleição para Aluízio Alves e Monselhor Walfredo Gurgel, e ao Senado em 1974. Eleito deputado federal por sete mandatos, quatro vezes presidente da CCJ – Comissão de Constituição e Justiça e três vezes vice-presidente da Casa.
Ela era mais do que isso, uma mulher forte, de principios e valores raros, era a matriarca da familia e mulher agregadora .
Se realizava com a casa sempre cheia , onde a idade não era fronteira para um bom papo: três geracoes conviviam intimamente sem barreiras . Seis  filhos, netos e um bisneto , ela interagia com todos e, ainda, com os amigos de todos eles.
Católica , frequentava a missa todos os domingos , deixou os filhos Luis Fausto (Lula ) , Frederico (Cuca) , Francisco Fausto (Nino) , Themis , Carla e Djalma .
Tania recebeu o carinho de familiares e amigos até seu último momento , e todos os seus desejos foram atendidos até a hora da partida.
Aos 72 anos partiu mais uma grande dama da nossa sociedade. Arilda Tania Marinho de Medeiros
De Doutor Djalma seu pai , ainda ficam seus irmãos Valério Marinho, Hebe e Celina.

O Rio Grande do Norte de luto

25 de novembro de 2011 às 16:04

Morre Tânia Marinho, mulher do ministro Francisco Fausto

Tânia Marinho recebe o carinho

filha Themis – Foto Facebook

 

Depois de uma longa batalha contra o câncer, morreu na manhã desta sexta-feira (25) uma das grandes damas da sociedade natalense: Tânia Marinho Medeiros, esposa do ministro aposentado Francisco Fausto de Medeiros.

Depois de um longo período, perdeu a batalha contra o câncer.

O velório será na capela principal do Morada da Paz, em Emaús, a partir das 19h.

Após missa de corpo presente, o sepultamento será neste sábado (26), às 10h.

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Xico Santeiro

por Woden Madruga

O professor Protásio de Melo conta como descobriu o grande artista popular Xico Santeiro. Está numa carta que me escreveu no dia 12 de junho de 1998. Destaco alguns trechos:

– Li há poucos dias passados, artigo do sr. Carlos Magno Fernandes, aí da Tribuna, onde lamenta a pouca evidência dada pelos natalenses pela figura e obra de Xico Santeiro. Para seu governo, dos admiradores de Xico e, dos natalenses em geral, vão aí, algumas memórias minhas, guardadas há 50 anos atrás. Cascudo e eu descobrimos Xico Santeiro.

– Eis o fato: quando meu filho Frank Melo tinha dois anos de idade recebi um bilhete de Cascudo que dizia: “Protásio aí vai o sr. fulano de tal, artista popular, que faz santos de madeira e eu considero um grande artista, especialmente Santo Antônio e Nossa Senhora. Tome conta do homem. Eu não tenho tempo para isso e você gosta de escultura em madeira”.

– Recebi Xico em minha casa que me mostrou alguns dos seus santos que vendia por 10 tostões. Olhei e vi logo o talento do homem. Comprei dois santos que, ainda hoje, estão no meu Museu Particular. Fiz nova encomenda para os próximos dias. Ele voltou e deu conta do pedido. Daí em diante, cada dia ficávamos mais amigos, e fiquei de ajudá-lo no futuro o que de fato fiz. Depois de conversar com Xico perguntei se ele fazia coisa maior. Ele disse, “se tiver modelo, eu faço”. Então dei-lhe uma foto de Buda de Kamakura, um retrato de Antônio Conselheiro e um retrato de nosso cantador, Fabião das Queimadas, que Hostílio Dantas pintara para mim. Todas as fotos tinham mais de um palmo de altura.

– Dias depois eu trouxe as 3 peças: uma perfeição! Não sabia cobrar bem e eu disse que cobrasse caro para valorizar sua obra.”

Aproveito a deixa da carta do velho e querido Protásio para perguntar: Como anda o Museu Particular de Protásio? Ah, como eu gostaria de ver Fabião das Queimadas, meu vizinho ao pé da Serra de Joana Gomes, talhado pelo canivete de Xico Santeiro, também freguês de Djalma Maranhão.


Woden Madruga, defensor maior da cultura potiguar, entrevistei Xico Santeiro, nos tempos da nossa juventude, para o jornal A República. Talvez por indicação de Cascudo. Eu costumava visitar o mestre, depois de fechado o jornal. Pelas madrugadas. Ele fumando charuto, que molhava no conhaque. Recordo que falei para Xico de Aleijadinho. Possivelmente coloquei esta comparação na entrevista. Parece que foi a primeira de Xico. Queira Deus que sim.

Escritores potiguares boicotados

Estamos sob a ameaça da Lei Azeredo do apagão na intenert. E agora temos o boicote das livrarias Siciliano. Coisa de máfia. De monopólio

Informa Daniel Dantas: as lojas da livraria Siciliano, em Natal, estão proibidas, por tempo indeterminado, de vender livros de autores e editores do Rio Grande do Norte.

Isso acontece em vários estados. Nas livrarias que dominam o mercado. Só vendem livros traduzidos. De vampiros e outros assombros.

Isso tem nome. Colonialismo. Morte da Cultura brasileira. Empurração de autores e costumes estranhos. Faz parte da dominação do Brasil, país do nióbio e das montadoras e oficinas estrangeiras.

Nina Rizzi e Zila Mamede

Nina Rizzi

Zila Mamede
Zila Mamede

Que Mossoró faça festa para receber a Poesia.
Que Mossoró faça festa para receber Nina Rizzi.

Estive em Mossoró algumas vezes. Passagens que marcaram a minha vida.
Fui para me encontrar com uma menina linda, e namorar a cidade.

Fui a Mossoró com Djalma Marinho. Para fazer comício. Djalma, a alma mais pura, a inteligência mais lúcida da política do Rio Grande do Norte.
Fui com Jorge Amado. Noutra viagem de carro, me deliciando com as histórias deste romancista que inventou mulheres que o Brasil ama: Dona Flor, Tereza Batista e Gabriela.

Bem que gostaria de neste domingo pegar a estrada, e ir para Mossoró. Para receber Nina Rizzi na 7a Feira de Livros.

Que bela oportunidade para conhecer Nina pessoalmente. Ver Nina. Ouvir Nina.
Que Nina recite do poema O Queres este trecho:

“eu vi a foto do poeta recifense
as mãos em sépia, zila sorria
em minhas, cecília

eu os via, eu os lia
eu lhes sorria e era poema de amor derramado
eu era toda rima pobre, tango de gerúndios

amando, gozando, chorando e rindo e partindo
até o vinte’agosto”.

Saudades de Zila Mamede.
Ai, Nina, os teus Quereres também são meus.
Assim sendo, saudades de Zila e Nina, irmãs na Poesia.