O MAR DE OLINDA E O SORVETEIRO

para Karina

Quando minha filha era uma criança de pé
caminhávamos pela praia
Os pequeninos pés na areia macia
as ondas vinham beijar

Ensinei o mar não possui dono é de graça
a gente não precisa trazer dinheiro
Nunca esqueci a resposta
– Pai tem o sorveteiro

Certa vez me surpreendi com a pergunta
– Pai quem é Freud
mamãe vive falando dele
A mãe estudava Psicologia

Os filhos não deviam crescer nunca
a razão dos pais tratá-los como criança
principalmente quando filha única

Adultização da criança e a sexualidade precoce

Nas favelas são comuns os casamentos de meninas de doze e treze anos. E há décadas que as principais televisões brasileiros promovem programas de calouros infantis. Acrescente os concursos de miss infantil, o recrutamento de crianças para desfile de moda e elenco de telenovela. O trabalho infantil existe nos mais insuspeitos lugares da classe média.

Quando as coisas acontecem nas classes baixas, aparecem as repentinas e fugazes investigações. Quando este Brasil imenso jamais evitou o recrutamento da criança soldado, e nada se faz para recuperar as 250 mil prostitutas infantis, para a Unesco e Polícia Federal, ou 500 mil para diferentes ONGs.

As manchetes para combater o tráfico sexual de crianças aparecem por motivos mais políticos e partidários e sensacionalistas. Falta uma campanha que vise a integração familiar, que começa com uma moradia digna, em um espaço urbano com os ser√iços essenciais funcionando, como uma escola que preste, que o estado pode oferecer um ensino melhor do que qualquer empresa privada. E nas escolas, as presenças de assistentes sociais, psicólogos, assistência médica etc.

A onda funk de crianças e adolescentes constitui apenas um reflexo da degeneração da música brasileira, que pontua as audiências de nossas televisões. Que música se toca em programas como BBBrazil, para um único exemplo?

MC Melody, oito anos, funkeira

MC Melody, oito anos, funkeira

Destaque no R7: A maior polêmica da semana foi, sem dúvida, o caso da funkeira mirim Mc Melody. O pai de Melody sofreu com críticas e foi acusado de exploração infantil por alguns internautas. Depois, o caso foi para no Ministério Público, que deve investigar a acusação de sexualização da garota de 8 anos de idade. No entanto, em entrevista ao R7, os empresários de Melody, Mc Brinquedo e outros funkeiros mirins disseram não ter medo dessa investigação

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

O pai de MC Melody também explica que são mentirosas as informações de que a cantora lucra cerca de R$ 40 mil por mês com shows.

— Embora haja procura, ela não faz shows. Se apresentou uma vez em uma matinê e outra vez em uma festinha. Se ela fizesse shows, não estaria ganhando apenas R$ 40 mil. Com o tanto de convite que ela tem, daria para tirar uns R$ 100 mil ou mais. Porém, até hoje, ela não lucrou um centavo.

Belinho desafia as pessoas que dizem que ele sustenta a família às custas do sucesso de Melody a postar alguma imagem de show da cantora.

— Por que você acha que todo mundo só pública aquele vídeo dela dançando Quadradinho de Oito? Porque não existe outra imagem dela em show. Simplesmente porque ela não faz.

Funkeiros mirins: sexualização precoce ou reflexo do cotidiano?

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

Publica Zero Hora, reportagem assinada por Gustavo Foster

No clipe de Quarteto Diferenciado, os MCs Brinquedo e Pikachu são mostrados como celebridades ao lado de Bin Laden e 2K. Os quatro causam histeria e têm suas músicas cantadas pela legião de fãs que os espera em frente a uma casa. Porém, dentro da limusine branca em que são transportados, a coisa muda: enquanto os dois últimos têm à disposição garrafas de vodka, os primeiros tomam suco em caixinha e Toddynho, respectivamente. Isso porque Brinquedo tem 13 anos, e Pikachu, 15 – não é à toa que os nomes artísticos remetem elementos da vida infantil.

“Roça, roça, roça o peru nela, que ela gosta” (Roça Roça – MC Brinquedo)

Brinquedo e Pikachu são dois dos pivôs de uma polêmica nem tão recente que chegou ao Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira. Um inquérito aberto pelo promotor Eduardo Dias de Souza Ferreira pede que se investigue possível “violação ao direito ao respeito e à dignidade de crianças/adolescentes” nas músicas e apresentações de MC Melody (alvo principal do inquérito), de oito anos, além de MC Princesa, MC Plebeia e dos quatro membros do quarteto diferenciado. Para a promotoria, haveria “impacto nocivo no desenvolvimento do público infantil e de adolescentes, tanto de quem se exibe quanto daqueles que o acessam”.

Mais famoso entre os sete, MC Brinquedo é celebridade na internet. Sua frase “meça suas palavras, parça” virou meme. Em suas letras, sempre bem-humoradas, ele não se furta de falar sobre sexo: Roça Roça fala sobre um caipira que não faz sucesso com as mulheres (“a novinha não me quer só porque eu vim da roça, roça o peru nela que ela gosta”), Vice-Versa é quase ingênua (“no pique do vice-versa: pepeca no pau, pau na pepeca“) e Boquinha de Aparelho é explícita (“tu vai lamber, tu vai dar beijo, tu vai mamar com essa boquinha de aparelho“). Curiosamente, o piá disse em entrevista recente ao CQC que era virgem, vejam só.

– Crianças cantando funk não é novidade. Eles são sociabilizados dentro de um padrão sociocultural em que é comum falar sobre isso. Só causa estranhamento porque o poder público não tem consciência desse contexto. Não é o sujeito cantar algo que é o problema, isso só é negativo dependendo de como ela é assessorada pelos pais. A música influencia as pessoas? Sim, mas a vida cotidiana influencia a música. O problema não é o produto final – avalia Hilaine Yaccoub, doutora em antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que morou quatro anos na favela da Barreira do Vasco para escrever sua tese.

E te confesso que um beijo já me desperta o desejo” (Eu Não Quero Mais – MC Melody)

Hilaine ressalta ainda que é necessário haver cuidado quando o teor das letras está “fora do contexto da idade da criança”, mas lembra que muito da repercussão se dá por causa do gênero musical. E quem dá eco ao discurso de que o funk é mais visado é Emerson José da Silva, um dos fundadores da KL Produtora, responsável pela carreira do quarteto supracitado. Segundo ele, a “picuinha” feita pelo Ministério Público deveria começar com “quem tá matando e roubando”:

– Não vejo problema algum. O Brinquedo canta o que ele vive. Querem fazer com o funk o que já fizeram com o rap, que é discriminar. O Brasil com o maior índice de prostituição infantil do mundo, e o problema é a Melody? Sabe qual é o meu medo? É eles acharem que estão fazendo algo errado, agora, com toda essa exposição. O Brinquedo acabou de dar um carro para a mãe, o Pikachu deu um para o pai. Eles estudam em escola particular, fazem aula de canto, de violão, aprendem a dançar, jogam videogame, brincam para caramba. Mas são eles os errados?

“Essa novinha é profissional, ela senta gostoso demais” (Novinha Profissional – MC Pikachu)

Para o Ministério Público, talvez. Para 24,7 mil pessoas que assinaram uma petição pela “intervenção e investigação da tutela de MC Melody”, com certeza. No texto, publicado em 20 de abril no site Avaaz, o autor considera que os pais da MC Melody incorrem nos crimes de trabalho infantil e corrupção de menores, além de exporem a menor a “situações que ameacem seu presente / futuro”. Para o consultor de criação Filipe Techera, um dos roteiristas do programa Esquenta, o tabu e o preconceito contaminam a discussão:

– Nós, adultos, temos uma visão sexual sobre aquilo, mas a criança não necessariamente tem a mesma visão. Eu era criança quando o É o Tchan fazia sucesso, e em todo esse tempo de terapia, nunca apareceu nada sobre isso (risos). E, pensando um pouco mais sobre isso, podemos questionar: por que os caras só falam sobre pegar mulher, cerveja, traição, bandidagem, drogas? Porque essa é a rotina deles. É difícil falar sobre “o barquinho vai”, quando ela vive o couro comendo.

Por enquanto, Brinquedo não dá entrevistas sem um advogado, Melody está sendo investigada pelo MP e Emerson tem medo de ser preso. Nada que tenha impedido MC Bin Laden de lançar É os Mlks do FOX, mais nova aposta da KL Produtora.

Veja aqui as entrevistas da MCs Princesa e Plebéia, MC Pikachu, MC Brinquedo, e MC Melody no programa do Super Pop. Veja vídeos

Video: “Miss Tanguita”, el polémico certamen de belleza infantil en Colombia

 “¡Qué horror e irresponsabilidad la de los padres!”, dicen quienes no están de acuerdo con la realización del concurso

 

 

BOGOTÁ/ EFE – La celebración del concurso de belleza para menores “Miss Tanguita”, en el que niñas de entre seis y doce años desfilan en bikini, generó hoy un escándalo en Colombia que ha provocado incluso que el Estado emprenda acciones legales contra los padres de

las menores y los organizadores del evento.

Las imágenes del polémico certamen, divulgadas en medios, muestran a las menores desfilando en este modelo de traje de baño ante la multitud que asistió al evento, celebrado este fin de semana en el municipio de Barbosa, en el departamento de Santander

La denuncia

“Miss Tanguita”, que se lleva a cabo dentro del Festival del Río desde hace tres años, permite la participación de menores previa autorización de sus padres, que serán denunciados por el Instituto Colombiano de Bienestar Familiar (ICBF).

Así lo anunció la directora del ICBF, Cristina Plazas, en Twitter, donde reveló que la institución actuará también contra los patrocinadores y organizadores del concurso, que “viola los derechos de los niños”.

“¡Qué horror e irresponsabilidad la de los padres!”, dijo la funcionaria en la red social, donde añadió: “¡Increíble que las autoridades locales incentiven este concurso aberrante! También lo podremos en conocimiento de la Procuraduría”.

concurso infantil

A la defensa del certamen solo acudió la alcaldesa de Barbosa, Rocio Galeano, quien destacó en declaraciones a la emisora W Radio el permiso paterno como prueba de la legitimidad del evento, del que dijo que no busca “inducir a las niñas a la prostitución”.

Por el contrario, destacó que la finalidad del concurso es enfocarse en un “tema de valores, donde se le enseñe a la comunidad que el cuerpo se debe respetar”.

En opinión de Galeano, las denuncias se han realizado por intereses políticos, ya que “el certamen se realiza con todas las directrices establecidas”, e invitó a Plazas a que comprobara este extremo.

La polémica sobre el papel de los menores en este tipo de concursos fue llevada al Congreso colombiano a principios del pasado año por la representante a la Cámara del izquierdista Polo Democrático Alternativo (PDA) Alba Luz Pinilla.

En aquella ocasión, Pinilla esgrimió que los concursos de belleza infantiles crean una apología a la agresión física, psicológica y mental en las niñas que participan, un debate que hoy ha vuelto a abrirse.

http://www.latarde.com/multimedia/videos/video-144785-miss-tanguita-enciende-la-polemica-en-el-pais-video

 

 

 

 

Papa criticado por defender pais que “corrigem com firmeza”

Max Rossi - Reuters

Max Rossi – Reuters

O Papa Francisco está a ser criticado na Alemanha por um comentário que fez na habitual audiência das quartas-feiras, na qual descreveu um bom pai como aquele que sabe perdoar, mas que também sabe “corrigir com firmeza”.

“Uma vez, num encontro com casais casados, ouvi um pai dizer que às vezes tem de dar uma palmada nas crianças, mas nunca na cara para não os humilhar”, disse o Papa, acrescentando: “Que bonito! Ele sabe o senso da dignidade! Tem de punir as crianças mas fá-lo com dignidade e pronto”, escreve a agência AFP, notando que este comentário não fez ondas em Itália, mas foi fortemente criticado na Alemanha, um dos países onde qualquer forma de punição corporal é proibida.

“Não há maneira de bater nas crianças com dignidade”, criticou a ministra da Família, Manuela Schwesig, numa entrevista que será publicada no sábado pelo Die Welt

A Associação Alemã de Apoio à Criança também reagiu, pedindo ao Papa para corrigir o alegado erro: “Este Papa é particularmente humano, mas qualquer pessoa pode cometer um erro. Ao sugerir que não faz mal bater numa criança desde que isso seja feito com dignidade, o Papa falha completamente o ponto”, diz a associação.

O líder do Catolicismo também está sob críticas de Peter Saunders, um membro do painel para a protecção da criança, criado precisamente pelo Papa Francisco: “Acho que é uma coisa enviesada de se dizer e estou surpreendido que ele tenha disto isso, embora ele às vezes diga uns disparates”, disse Saunders ao jornal britânico Daily Telegraph. Jornal I

Homofobia e suicídio de crianças e adolescentes

gay bandeiro feminino

Toda semana lemos notícias de LGBTs, muitos deles/delas crianças e adolescentes, cometendo suicídio por não aguentarem mais serem rejeitados pela família, humilhados na escola e no trabalho.

Não existem estatísticas. O suicídio no Brasil é tabu.

Os pais deviam informar como forma de confissão, e pedido de perdão pós-morte. De alerta a outros pais. De denúncia. A maioria dos suicídios foram provocados pelo bulismo na escola, pelo stalking no trabalho, pela violência nas ruas dos homofóbicos.

Temos campanhas realizadas pelo fundamentalismo religioso e o fanatismo político, sendo os principais líderes os pastores Silas Malafaia, Marco Feliciano, padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, militar Jair Bolsonaro e até candidatos asquerosos a presidente do Brasil.

A pregação da Santa Inquisição de pastores e padres tem origem no judaísmo (Velho Testamento). No cristianismo (Novo Testamento) apenas  existe uma frase de São Paulo, em uma carta cuja autenticidade não pode ser comprovada. Jesus jamais tocou nesse tema.

O “raivoso” discurso de Bolsonaro é exclusivamente nazista, machista e eleitoreiro.

Não existe no Velho Testamento nenhuma referência ao amor lésbico. Venho divulgando esta verdade. E fica o desafio para qualquer teólogo provar o contrário

Não existe no Velho Testamento nenhuma referência ao amor lésbico. Venho divulgando esta verdade. Renovo o desafio para qualquer teólogo provar o contrário

 

Em um estudo realizado por Fernando Silva Teixeira Filho
e Carina Alexandra Rondini Marretto (Faculdade de Ciências e Letras da UNESP-Assis), realizado em maio de 2008 em uma Escola do Ensino Médio de uma cidade do interior do Oeste paulista. A amostra que compôs o estudo corresponde a 108 adolescentes, de ambos os sexos, entre 14 e 20 anos cursando as três séries do Ensino Médio. “Observamos que os/as jovens da amostra incorporaram o discurso preventivista pelo menos durante as primeiras relações sexuais com o sexo oposto. Suas crenças sobre as sexualidades não-heterossexuais revelaram-se homofóbicas e segregatórias. Encontramos que 25.0% da amostra já pensou em se matar e dentre estes 40% já tentou, havendo maior concentração entre as jovens. Acreditamos estar diante de um grande desafio para as políticas públicas de Educação e Saúde, respectivamente, no sentido de garantir o acesso e pleno direito de expressão das homossexualidades no espaço escolar, bem como lidarem de modo preventivo em relação à Saúde Mental dos/das jovens que freqüentam a escola”.

De 2002 a 2012 houve um crescimento de 40% da taxa de suicídio entre crianças e pré-adolescentes com idade entre 10 e 14 anos. Na faixa etária de 15 a 19 anos, o aumento foi de 33,5%.

Transcrevo trechos de uma reportagem de Maria Fernanda Ziegler e Ocimara Balmant: “Ao contrário do adulto, que normalmente planeja a ação, o adolescente age no impulso. São comportamentos suicidas para fugir de determinada situação que vez ou outra acabam mesmo em morte’, afirma a psiquiatra Maria Fernanda Fávaro, que atua em um Pronto Socorro de psiquiatria em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. Aos cuidados de Maria Fernanda, são encaminhadas as crianças e os adolescentes que chegaram feridas ao hospital após tentarem se matar.

Ao serem perguntados sobre o motivo de terem se mutilado com lâmina de barbear, se ferido com materiais pontiagudos, cortado o pulso ou ingerido mais de duas dezenas de comprimidos, a resposta é rápida, e vaga. ‘A maioria diz que a vida não tem sentido, que sentem um vazio enorme. Muitos têm quadros associados à depressão’, afirma Maria Fernanda. O cenário é tão recorrente, diz a psiquiatra, que há sites, blogs e páginas de rede social que ensinam as melhores técnicas e ferramentas para que a criança tire a própria vida”. Leia mais.

 

cartaz 1

pai filho

¿Qué debe saber un niño de cuatro años?

por Alicia Bayer /Bloguer en ‘A Magical Childhood’

 

Das crianças o futuro

Hace poco, en un foro sobre la educación de los hijos, leí una entrada de una madre preocupada porque sus hijos, de cuatro años y año y medio, no sabían lo suficiente. “¿Qué debe saber un niño de cuatro años?”, preguntaba.

Las respuestas que leí no solo me entristecieron sino que me irritaron. Una madre indicaba una lista de todas las cosas que sabía su hijo. Contar hasta 100, los planetas, escribir su nombre y apellido, y así sucesivamente. Otras presumían de que sus hijos sabían muchas más cosas, incluso los de tres años. Algunas incluían enlaces a páginas con listas de lo que debe saber un niño a cada edad. Solo unas pocas decían que cada niño se desarrolla a su propio ritmo y que no hay que preocuparse.

Me molestó mucho que la respuesta de esas mujeres a una madre angustiada fuera añadirle más preocupación, con listas de todo lo que sabían hacer sus hijos y los de ella no. Somos una cultura tan competitiva que hasta nuestros niños en edad preescolar se han convertido en trofeos de los que presumir. La infancia no debe ser una carrera.

Por todo ello, he decidido proponer mi lista de lo que debe saber un niño (o una niña) de cuatro años:

  1. Debe saber que la quieren por completo, incondicionalmente y en todo momento
  2. Debe saber que está a salvo y debe saber cómo mantenerse a salvo en lugares públicos, con otra gente y en distintas situaciones. Debe saber que tiene que fiarse de su instinto cuando conozca a alguien y que nunca tiene que hacer algo que no le parezca apropiado, se lo pida quien se lo pida. Debe conocer sus derechos y que su familia siempre le va a apoyar.
  3. Debe saber reír, hacer el tonto, ser gamberro y utilizar su imaginación. Debe saber que nunca pasa nada por pintar el cielo de color naranja o dibujar gatos con seis patas.
  4. Debe saber lo que le gusta y tener la seguridad de que se le va a dejar dedicarse a ello. Si no le apetece nada aprender los números, sus padres tienen que darse cuenta de que ya los aprenderá, casi sin querer, y dejar que en cambio se dedique a las naves espaciales, los dinosaurios, a dibujar o a jugar en el barro.
  5. Debe saber que el mundo es mágico y ella también. Debe saber que es fantástica, lista, creativa, compasiva y maravillosa. Debe saber que pasar el día al aire libre haciendo collares de flores, pasteles de barro y casitas de cuentos de hadas es tan importante como practicar la fonética. Mejor dicho, mucho más.

Pero más importante es lo que deben saber los padres:

  1. Que cada niño aprende a andar, hablar, leer y hacer cálculos a su propio ritmo, y que eso no influye en absoluto en cómo de bien ande, hable, lea o haga cálculos después.
  2. Que el factor que más influye en el buen rendimiento académico y las buenas notas en el futuro es que leer a los niños de pequeños. No las fichas, ni los manuales, ni las guarderías elegantes, ni los juguetes y ordenadores más rutilantes, sino que mamá o papá dediquen un rato cada día o cada noche (o ambos) a sentarse a leerles buenos libros.
  3. Que ser el niño más listo o más estudioso de la clase nunca ha significado ser el más feliz. Estamos tan obsesionados por tratar de dar a nuestros hijos todas las “ventajas” que lo que les estamos dando son unas vidas tan pluriempleadas y llenas de tensión como las nuestras. Una de las mejores cosas que podemos ofrecer a nuestros hijos es una niñez sencilla y despreocupada.
  4. Que nuestros niños merecen vivir rodeados de libros, naturaleza, utensilios artísticos y la libertad para explorarlos. La mayoría de nosotros podríamos deshacernos del 90% de los juguetes de nuestros hijos y no los echarían de menos, pero algunos son importantes: juguetes como los LEGO y las construcciones, juguetes creativos como los materiales artísticos de todo tipo (buenos), los instrumentos musicales (tanto clásicos como multiculturales), disfraces, y libros y más libros (cosas, por cierto, que muchas veces se pueden conseguir muy baratas en tiendas de segunda mano). Necesitan libertad para explorar con estas y otras cosas, para jugar con montoncitos de alubias secas en el taburete (supervisados, por supuesto), amasar pan y ponerlo todo perdido, usar pintura, plastilina y purpurina en la mesa de la cocina mientras hacemos la cena aunque lo salpiquen todo, tener un rincón en el jardín en que puedan arrancar la hierba y hacer un cajón de barro.
  5. Que nuestros hijos necesitan tenernos más. Hemos aprendido tan bien eso de que necesitamos cuidar de nosotros mismos que algunos lo usamos como excusa para que otros cuiden de nuestros hijos. Claro que todos necesitamos tiempo para un baño tranquilo, ver a los amigos, un rato para despejar la cabeza y, de vez en cuando, algo de vida aparte de los hijos. Pero vivimos en una época en la que las revistas para padres recomiendan que tratemos de dedicar 10 minutos diarios a cada hijo y prever un sábado al mes dedicado a la familia. ¡Qué horror! Nuestros hijos necesitan la Nintendo, los ordenadores, las actividades extraescolares, las clases de ballet, los grupos organizados para jugar y los entrenamientos de fútbol mucho menos de lo que nos necesitan a NOSOTROS. Necesitan a unos padres que se sienten a escuchar su relato de lo que han hecho durante el día, unas madres que se sienten a hacer manualidades con ellos, padres y madres que les lean cuentos y hagan tonterías con ellos. Necesitan que demos paseos con ellos en las noches de primavera sin importarnos que el pequeñajo vaya a 150 metros por hora. Tienen derecho a ayudarnos a hacer la cena aunque tardemos el doble y trabajemos el doble. Tienen derecho a saber que para nosotros son una prioridad y que nos encanta verdaderamente estar con ellos.

Y volviendo a esas listas de lo que saben los niños de cuatro años…

Sé que es natural comparar a nuestros hijos con otros niños y querer asegurarnos de que estamos haciendo todo lo posible por ellos. He aquí una lista de lo que se suele enseñar a los niños de esa edad y lo que deberían saber al acabar cada curso escolar, a partir del preescolar.

Como nosotros estamos educando a nuestros hijos en casa, yo suelo imprimir esas listas para comprobar si hay algo que falte de forma llamativa en lo que están aprendiendo. Hasta ahora no ha sucedido, pero a veces obtengo ideas sobre posibles temas para juegos o libros que sacar de la biblioteca pública. Tanto si los niños van al colegio como si no, las listas pueden ser útiles para ver lo que otros están aprendiendo, y pueden ayudar a tranquilizarnos sabiendo que van muy bien.

Si existen aspectos en los que parece que un niño está por detrás, hay que darse cuenta que eso no indica ningún fracaso, ni del niño ni de sus padres. Simplemente, es una laguna. Los niños aprenden lo que tienen alrededor, y la idea de que todos deben saber esas 15 cosas a una edad concreta es una tontería. Aun así, si queremos que las aprenda, lo que tenemos que hacer es introducirlas en la vida normal, jugar con ellas, y las absorberá de manera natural. Si contamos hasta 60 cuando estamos haciendo la masa de un bizcocho, aprenderá a contar. Podemos sacar de la biblioteca libros divertidos sobre el espacio o el abecedario. Experimentar con todo, desde la nieve hasta los colores de los alimentos. Todo irá entrando con más naturalidad, más diversión y muchas menos presiones.

Sin embargo, mi consejo favorito sobre los niños pequeños es el que aparece en esta página.
¿Qué necesita un niño de cuatro años?

Mucho menos de lo que pensamos, y mucho más.

Traducción de María Luisa Rodríguez Tapia

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A precocidade positiva

por Pedro J. Bondaczuk

A precocidade – mas a autêntica e não a induzida por pais ávidos por se realizarem nos filhos – não é tão comum assim, embora milhões e milhões de pessoas achem que sim. É verdade que são conhecidos muitos casos, notadamente no campo da música clássica. Em outras artes, todavia, é bem mais rara. Principalmente na área da Literatura, que requer, dos que a exercem, não apenas criatividade, embora esta seja condição “sine qua non” dos escritores, mas entre tantas outras coisas, pleno domínio da linguagem. Ou seja, conhecimento das regras da gramática e da grafia das palavras. Para escrever razoavelmente bem, a pessoa precisa, antes e acima de tudo, contar com vasto vocabulário, que se adquire, apenas, com muita leitura, o que finda por faltar às crianças talentosas.

“Então não há escritores precoces?”, perguntará o atento leitor, já praticamente respondendo à própria indagação pelo tom de voz com que pergunta. Respondo: há! Porém são raríssimos. E não me lembro de um único que tenha começado a escrever livros na saída da infância para a adolescência e que tenha se tornado best-seller, mesmo que dezenas de anos mais tarde, inclusive na velhice. Não quero dizer, com isso, que essa façanha seja impossível. Até porque, não conheço “todos” escritores e muito menos “todos” os sucessos editoriais.

O tema suscita considerações e mais considerações, que não farei, pelo menos não agora. O assunto me foi pautado pelo ilustre jornalista (professor de jornalismo, que formou gerações de profissionais que brilharam e brilham na imprensa do Nordeste), poeta com mais de uma dezena de livros publicados e colunista fixo, há já seis anos, deste nosso espaço, Talis Andrade. Ele “descobriu” um desses raros talentos literários precoces, que considera dos mais promissores e a mim só cabe confiar no seu faro de garimpador de vocações. Afinal, sua brilhante trajetória na área das letras (e aí incluo, claro, o jornalismo) o credencia a cravar que a pessoa de que trata é verdadeiramente talentosa.

E quem é essa criatura, que impressionou tanto meu ilustre amigo, experiente o suficiente para não se deixar enganar pelo que os garimpeiros costumam chamar de “ouro de tolo”, aquele mineral que tem várias características desse precioso metal, mas que não passa de minério sem nenhum valor? Trata-se de uma menina que recém está entrando na pré-adolescência, de verdes e promissores treze anos de idade. Seu nome é Giovanna Souza, mas também atende por “Gio”, “Giov”, “Gigia” e “Gi”. Como toda criança desta geração, sabe tudo o que se refira a computador e a essa parafernália tecnológica que caracteriza nosso tempo.

Para que o leitor tenha uma idéia do domínio da criançada dessas engenhocas que trazem tantas facilidades à nossa vida, cito (como bom “avô babão”) o caso do meu neto mais novo, o João Vítor, que me dá baile no que se refere à manipulação do computador, do smartfone, do celular, Ipod, Ipad e de outras tantas ferramentas que a meninada praticamente nasce sabendo como operar. Os meninos e meninas de hoje mal aprendem a falar e já dominam coisas que levamos tempo enorme para nós aprendermos como podem e devem ser usadas. Pois é, Giovanna é uma destas.

Giovanna Souza

Talis explica que a “geniazinha”, a despeito de já escrever textos que muito marmanjo inveja, por não conseguir fazer igual, não perdeu o jeito de menina (travessa?) de sua idade. Está no bom caminho. Nada é mais detestável do que crianças que querem pular etapas e tentarem agir como adultas, sem, evidentemente, sê-las. Não conseguem. Sem que percebam (e não percebem mesmo), transformam-se em “caricaturas” das pessoas maduras que tentam ser sem que o sejam.

Mas Giovanna, que mora no Recife, mas que nasceu em Curitiba, é uma adolescente normal. Gosta de música da sua faixa etária, brinca de bonecas e de outras tantas brincadeiras da criançada. Além do que, tem opiniões, digamos, “ingênuas”, apropriadas à idade. Diz, por exemplo: “Amo Londres. Para mim é a cidade mais linda que existe. Espero um dia conhecê-la”. A capital britânica, com seu tradicional “fog”, e que passa a maior parte do ano nublada e chuvosa, pode ser tudo, menos bonita. É importante metrópole mundial, tem tradição, conta com tudo o que de bom e de avançado se espera de uma cidade moderna. Reúne o melhor da modernidade com o charme da tradição, mas… Beleza, beleza mesmo, não tem. Vá lá, tem algumas, mas não tantas. E essa opinião de Giovanna, a respeito de Londres a desmerece ou diminui? Não, não, não! Antes a exalta (pelo menos aos meus olhos).

Todavia, quando se trata de livros…. a garotinha dá show, exorbita, excede! É leitora voraz e, sobretudo, atenta. Não me admira, por isso, que não somente goste, mas saiba escrever, e muito bem. Só consegue ser um bom escritor quem, simultaneamente, for um aplicado leitor. Não conheço nenhum que fuja desse figurino. Duvido que exista. A ambição de Giovanna, conforme confessa e dá mostras que de fato é leitora compulsiva, é poder comprar o máximo de livros possível e lê-los todos. A menina promete! E, mais uma vez, o faro do meu experiente amigo Talis não se enganou.

Reproduzo, um pouco mais, algumas características da escritora precoce, em suas próprias palavras: “Escrevo sobre coisas aleatórias. Amo animais e tenho uma cadelinha chamada Meg. Adoro cinema e todo aquele clima das estréias (que são muito cheias, então não vou). Apesar de gostar de cinema, eu assisto meus filmes em casa, porque moro relativamente longe do shopping. Quando estou estressada, escuto música (rock metal). Amo chocolate. Se eu pudesse, comeria uma barra por dia!”. Como se vê, trata-se (felizmente) de uma adolescente normal, equilibrada, inteligente, viva e ativa.

Reproduzo, a título de ilustração, pequeno texto de Giovanna, intitulado “O cérebro”;

“O cérebro. Ele que controla todas as funções do nosso corpo, sem dúvida o órgão mais importante. Mas geralmente a gente não dá a devida importância para ele. Por exemplo, quando alguém magoa a gente, o que nós falamos? ‘Fulano partiu meu coração’. Ou então, quando nós pedimos desculpas é mais ou menos assim: ‘Eu estou muito arrependida, do fundo do meu coração’. Mas vamos pensar um pouco… essas expressões estão erradas! Quem controla as emoções não é o coração, e sim o cérebro. Mas coitado, é ofuscado pelo danado do coração. Mas por que? Será que fica mais bonitinho falar ‘meu coração está partido’ do que falar ‘meu cérebro está partido’? Pensando bem, se alguém partir o nosso cérebro a gente morre, né? Fica mais chocante falar em partir o cérebro, logo é melhor mesmo usar as expressões já existentes, para não causar espanto às pessoas desinformadas que acham que o coração controla as emoções. Mas por favor, nem pensem em partir meu cérebro, e peço isso do fundo dele”.

Depois de tudo o que fiquei sabendo a respeito de Giovanna e, principalmente após ler pequena amostra de seu texto, estou com a mesmíssima intuição do mestre Talis: a de que está aí um talento em bruto que, depois de burilado, certamente será um diamante puríssimo, desses tão preciosos a ponto de valerem fortunas incalculáveis. É esse tipo de precocidade (positivo, aliás, conforme gosto de “superlativar” o que admiro, positivíssimo) que entendo deva ser estimulado, apoiado e acompanhado, para o bem não somente da futura escritora, mas, sobretudo, do futuro da nossa rica Literatura nacional.

Pedro J.Bondaczuk é filósofo, jornalista, crítico literário, poeta e contista

La infancia no es una patología

tv televisão criança ensino

 

Con el objetivo de impulsar el debate sobre la medicalización de los problemas de comportamiento de niños y adolescentes, se lleva a cabo desde el jueves la cuarta edición del “Simposio sobre Patologización de la Infancia”, en Buenos Aires.

En el simposio se presentaron más de cien experiencias de equipos profesionales de hospitales, escuelas y centros de atención barrial, en el marco del debate sobre la patologización de la infancia. Allí, profesionales del campo de la salud y la educación cuestionaron las etiquetas que con frecuencia se utilizan para diagnosticar algunos problemas de comportamiento y reflexionaron sobre formas alternativas de intervención.

Problemas como falta o pérdida de atención en el hogar o en la escuela están vinculados muchas veces con la cada vez mayor presencia de las nuevas tecnologías: juegos electrónicos, chateos, redes sociales y música. Estas situaciones de dispersión han sido abordadas por las llamadas neurociencias: desde esa perspectiva, la causa radica en las neuronas o, más bien, en las terminales que segregan neurotransmisores. Desde este punto de vista, el mal funcionamiento del cerebro es el que hace padecer al chico y a su entorno.

Otra perspectiva, en cambio, tiende a considerar la situación global del niño, su familia y su época: el problema no está en el cerebro, sino en los vínculos con las personas y las instituciones y en la representación del mundo que tienen los chicos. Para esta corriente, las nuevas “etiquetas” con la que se patologiza a los niños constituyen “clasificaciones empobrecedoras”.

Se trata de una tendencia que tiene su fundamento teórico en el Manual de la Academia de Psiquiatría (DSM) de los Estados Unidos, que en pocos días dará a conocer al mundo su quinta edición. Desde esta perspectiva, han ido surgiendo y multiplicándose diferentes clasificaciones encabezadas por el mal llamado ADD o ADHD, Trastornos Generalizados del Desarrollo, Trastornos Oposicionistas o el Trastorno Bipolar Infantil.

“Estamos ante un caso de clasificación ‘chatarra’ que, como esa comida, trae consecuencias en el organismo y en la vida de los niños. Pues el DSM y las clasificaciones en general reducen las prácticas sociales complejas como criar, educar, diagnosticar y curar a procedimientos ‘técnicos’”, sostiene Juan Vasen, psiquiatra infanto-juvenil y psicoanalista. El profesional advierte que “la técnica es encantadora, casi mágica: miles de padres, docentes y profesionales creen que están contribuyendo, a través de ella y sus fármacos, al control sobre fenómenos de nuestra ‘naturaleza’”.

El simposio reunió a más de mil trescientos profesionales de la salud y la educación, que trabajan con niños y adolescentes, docentes, psicólogos, pediatras, psicopedagogos, trabajadores sociales y de la cultura que creen que un niño no puede ser un “trastorno” y que consideran que el sufrimiento no puede ser catalogado mediante siglas como ADD, TGD, TOC o TEA.

“En los últimos años, ha aumentado de modo alarmante la cantidad de niños rotulados y el avance de las formas tecnocráticas de ‘diagnóstico’ (screenings y tests reduccionistas y masivos) aplicados a diferentes cuadros”, advierten los organizadores. Por eso, el objetivo de los profesionales es “el cuestionamiento de algunos diagnósticos que, con mucha facilidad, se endosan a niños y a adolescentes, sin tener en cuenta su singularidad ni la época, así como tampoco la complejidad del funcionamiento psíquico en la infancia y en la adolescencia”.

“Al objetivar así el padecer –sostienen–, se termina por considerar el comportamiento como algo estático: un trastorno endógeno y atemporal. Si, en cambio, consideramos que todo niño es un sujeto en devenir, que está transitando momentos de la vida que se definen por la transformación, entonces nuestras prácticas deberán tomar nota de esto a la hora de intervenir para paliar su sufrimiento.”

De ese modo, en el encuentro se trabajó en los recursos y estrategias para implementar en las aulas y en la clínica, con niños, niñas y adolescentes y con sus familias. “No sólo se trata de considerar las acciones individuales, sino de tener en cuenta el nivel de las políticas públicas, porque ellas pueden generar una mayor inclusión social y propiciar diferentes impactos en la salud física y mental”, argumentaron.

Se trata de tener en cuenta los derechos universales de niños, niñas y adolescentes, con particular atención en aquellos que atraviesan situaciones de mayor vulnerabilidad social y exclusión, cuyas manifestaciones se confunden frecuentemente con patologías psíquicas a las que se le suele atribuir una causa orgánica.

En definitiva, el eje del encuentro transitó sobre la contradicción entre intervenciones que clasifican y patologizan a los niños, fomentando la creciente medicalización, frente a otras basadas en una “escucha comprensiva” de las múltiples dimensiones en juego de los síntomas y trastornos.

“No es lo mismo clasificar que diagnosticar, reconocer sufrimiento que patologizar, prescribir medicamentos con criterio científico y pertinente, que medicalizar la vida”, definen. Es que, advierten, la presencia crecientemente naturalizada de los psicofármacos en la vida diaria y el avance de una mercantilización, apunta a “ampliar un mercado de medicamentos en permanente expansión y a reducir la infinita riqueza de las relaciones sociales a relaciones mercado-consumidor/cliente”.

Página 12

 

futuro criança indignados luta

rupita quer brincar

Nina Rizzi

Nina Rizzi

sempre sonhei ter uma boneca
aquela que todas as garotas querem ser
mas papai e mamãe tão pauperizados coitados
meu sonho não podiam realizar
então corria eu pelos
canaviais
matagais
milharais
à procura de rupita
com seus longos cabelos
diferentes dos meus

até que um dia mudamo-nos
pra uma periferia
e eu em meio a choros e gritos
num festival de tiros
encontrei rupita
sem cabelos sem cabeça

mas quão flexíveis eram suas pernas
e meus sonhos:
aceitavam detritos
encontrados no lixo

Dentro ou fora do casamento as adolescentes sempre fizeram sexo

BRA^SP_DDR mãe jovem

As fêmeas sempre fizeram sexo cedo.

No Brasil, até a Lei do Ventre Livre, as negras deviam engravidar logo depois da primeira menstruação. Para a criança ser vendida. E quanto mais cria, mais dinheiro para o escravocrata. Nas grandes propriedades existia o escravo reprodutor. Um boi de raça para atender a vacaria.

Porque  não existe pecado do lado de baixo do Equador, o mito do Brasil ser uma sociedade de bastardos. Quando os brancos recebiam a visita da Santa Inquisição.

Casper Von Barleus foi quem cunhou, em 1660, ao escrever Rerum per octennium in Brasilien, a expressão “ao sul da linha equinocial não se peca”.  A moral e a virtude são para os povos do norte. A linha do equador separa o vício da virtude.

Ultra aequinoxialem non peccati. Esta frase corria a Europa em seguida aos grandes descobrimentos no século XVI. Um autor do século XVII, o historiador e teólogo holandês Gaspar von Barlaeus, depois de visitar o Brasil, registrou a frase num livro de viagens que escreveu, fazendo o seguinte comentário: “é como se a linha que divide o mundo separasse também a virtude do vício.” Leia mais. In Wikipédia, Richard Parker

“Não existe pecado do lado de baixo do equador” canta Chico Buarque.

Depois da Lei Áurea, a virgindade passou a ser, para as descendentes de escravos, a única riqueza. O dote a oferecer em troca de um casamento que garantisse casa e sustento.

Observa Maria Beatriz N. Silva que os impedimentos eclesiásticos e os altos custos não permitiam que os grupos mais pobres, principalmente escravos, legalizassem suas uniões. O fato é que, até os anos 1980, a historiografia tendeu a considerar que o casamento católico era muito raro e circunscrito às elites. Era o chamado casamento religioso com efeito civil.

Na esclarecedora reportagem de Jocelito Paganelli (capa de hoje do Diário da Região) o título: “Mãe, jovem e solteira”. Sempre foi assim.

“De acordo com números do Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) divulgados ontem, em 2011, o índice de bebês de mães solteiras atingiu a maioria, 52% do total de nascimentos, enquanto o índice dos filhos de mães casadas chegou a 45%.

No ano de 2006 a situação era outra e os filhos de mães solteiras representavam 43% dos nascimentos, índice inferior aos 47% de bebês nascidos de mães casadas. Os números do Seade revelam que os 17.725 bebês nascidos na região, 9.331 são filhos de mães solteiras. Já o número de filhos de mães casadas soma 7.855. Também foram contabilizados as 539 crianças nascidas de mães divorciadas, viúvas e que vivem em união consensual” – a teúda e manteúda.

E acrescenta Paganelli: “As mães solteiras atingem a maioria (72%) no grupo das mulheres menores de 15 anos e até 24 anos de idade”.

O número de jovens mães solteiras tende a aumentar por novas imposições de casar na mesma faixa etária , na mesma religião (igrejas evangélicas), na mesma classe social.

Por que tanta mãe solteira no País das 500 mil prostitutas infantis?

Quando existem doenças sexuais mortais, como foi a sífilis, não justifica usar preservativos para evitar filhos. Eu perguntava para as minhas alunas de jornalismo: por que tomar pílulas quando não se tem namorado?

A aids nunca refreou o sexo casual na classe média, os encontros marcados na internet, via sítios de relacionamentos.

Qualquer menina pobre, que abandonou a escola, sabe, pela televisão e rádio, que existe exame de DNA. Mas, que adianta, se o pai ausente não tem onde cair morto?

Trocaram os contos infantis de Cinderela e da Gata Borralheira por remoçados e embelezados vampiros, e se faz campanha contra as carreiristas. Pobre menina pobre arrivista.

A relação do homem branco “superior” com a negra e com a índia embranqueceu o Brasil.

Ensina Sheila de Castro Faria: “O casamento legal era condição fundamental para a estabilidade econômica, busca de status, ascensão social e obtenção, em muitos casos, de posições administrativas”.

 

O mesmo Diário que publicou o texto de Paganelli informa hoje: A cozinheira D.A.T., 26 anos, foi presa na noite de sexta-feira, dia 12, acusada de abandono de incapazes. Ela deixou os dois filhos, um menino de 11 e uma menina de 8 anos, sozinhos em um apartamento no Jardim Yolanda, em Rio Preto. As crianças ficaram por cerca de três horas e meia sem a mãe e, por meio de denúncia anônima, a Polícia Militar foi acionada. A mãe saiu por volta das 19 horas e só retornou depois das 22h30. De acordo com a polícia, o apartamento estava revirado, com restos de comida azeda em cima do fogão, e as crianças estavam famintas. Quando uma delas sentiu dores no estômago, foram procurar ajuda dos vizinhos. A mãe foi detida assim que retornou à casa, mas foi solta depois de pagar fiança no valor de R$ 1 mil.

E cadê o pai?