O Febeapá é um projeto cultural de sabotagem da Cultura brasileira

arquivo biblioteca barata livro

 

 

Um brasileiro para se tornar conhecido nacionalmente na literatura, primeiro precisa ser conhecido lá fora. Você pode não gostar dos romances dele, mas foi assim que aconteceu com Paulo Coelho. Ou um Jorge Amado, pela propaganda realizada pelo Partido Comunista Internacional.

A CIA fez sua parte como sabotagem. Degradou nossa música, acabou com o cinema nacional e patrocinou um padrão TV Globo de qualidade, que lembra as famosas novelas mexicanas.

A imprensa vendida acabou com os suplementos literários, e não  existem mais ensaio, crítica nem resenha.

As teses acadêmicas seguem um modelo rígido e único de dissertação. Um processamento inimigo da criatividade. Um convite a não leitura.

Não preciso lembrar os 21 anos de chumbo da ditadura militar de caça as bruxas, mas que fique registrado que, em 1964,  Fernando Henrique captava cérebros para a CIA. Eleito presidente duas vezes, criou a Lei Rouanet, que lava notas fiscais de um mecenato maníaco por mega eventos (o quanto mais caro melhor), festivais e espetáculos artísticos, os shows comícios, os embalos de sábado dos prefeitos com a contratação de cantores super faturados.

Quantas bibliotecas públicas, teatros, arquivos, editoras marcam o governo de FHC? As TVs Cultura estão sucateadas. Não criou nenhuma universidade, nenhum museu, e não realizou nenhuma campanha nacional em defesa da nossa Cultura ou de promoção no exterior com repercussão internacional.

Ninguém publica livro de contos, poesia, novela, teatro. Raros romancistas conseguem lançar algum livro novo. Os jovens autores vão envelhecer inéditos, quando o Brasil possui ociosas impressoras para editar os diários oficiais da União, dos Estados, e  no Congresso e universidades.

As livrarias foram monopolizadas pela Saraiva, pela Cultura, pela Siciliano, que apenas vendem autores estrangeiros, e que viraram papelarias e lojas cibernéticas.

Pagas com o dinheiro do povo sobram autoridades culturais: ministro, secretários estaduais e municipais de Cultura, cada um com uma legião de funcionários trabalhando que nem os funcionários dos tribunais eleitorais. O Itamarati mantém em cada país um adido cultural que cuida do nada.

Reverbera o grito franquista do general Millán-Astray: “Muera la intelectualidad traidora! Viva la muerte!”.

O Brasil continua o país do Febeapá. 

 

 

 

polícia ensino estudante repressão indgnados

 

 

 

 

 

 

 

Os embalos de sábado à noite

Que um governante não faz para que os jovens façam amor, e não a guerra?
Na ditadura de 64, patrocinadas pelos programas Rondon e Mauá do Projeto Camelot da CIA, as virgens dos cursos secundários e universitários eram levadas para longe de casa, para bem longe. Assim aprenderam a praticar sexo antes do casamento. A ditadura fez mais pela libertação das meninas do que qualquer movimento feminista.

Que as moças donzelas eram proibidas de vestir roupas de homem, principalmente calça comprida. Este o motivo de Santa Joana D’Arc ter sido queimada (1431).

Dorival Caymmi cantou as proibições:

Marina, morena

Marina, você se pintou

Marina, você faça tudo

Mas faça um favor

Não pinte esse rosto que eu gosto

Que eu gosto e que é só meu

Marina, você já é bonita

Com o que deus lhe deu

Me aborreci, me zanguei

Já não posso falar

E quando eu me zango, Marina

Não sei perdoar

Eu já desculpei muita coisa

Moça direita não andava sozinha. Não fumava. Não bebia. Não vestia blusa decotada, saia curta, cores berrantes. Na Grécia Antiga, o verde e amarelo eram as cores das prostitutas.

As proibições eram tantas. Valia até para cachorrinhos de estimação.

E quando enjoava da boneca, havia um ritual: namoro na calçada de casa, noivado na sala de visita. Visita de homem no quarto só depois de casada.

Dos prefeitos de hoje em dia, a gastança desenfreada com shows todo final de semana. Cantorias e danças de rua. E distribuição de camisinhas de Vênus.
Todo prefeito virou rufião. As prefeitas, cafetinas.
Quando Aluísio Alves foi candidato a governador, no começo dos anos 60, bem que prometeu emprego para os jovens casamenteiros.
Com os homens empregados, nenhuma moça vai ficar pra titia, prometeu o governador demagogo.

Pois é, lá de Natal, os jovens botaram o pé na rua contra a prefeita.
“O povo unido luta sem partido” – o grito dos jovens desencantados.
Que estavam sumidos. E permanecem desesperançados.