Poetas a pie de Web, a partir de mañana todos los sábados en ABC

Mañana se abre en ABC.ES esta nueva sección dedicada al mundo de la lírica, con una entrevista al poeta Luis Alberto de Cuenca

ERNESTO AGUDO El poeta Luis Alberto de Cuenca y Loquillo, juntos en la Red

ERNESTO AGUDO
El poeta Luis Alberto de Cuenca y Loquillo, juntos en la Red

 

Los tiempos cambian pero la poesía, desde el origen del hombre hasta hoy, ahí permanece. Internet, curiosamente, se ha convertido en el hermoso refugio de los poetas y de la lírica y, aunque sus seguidores en España no pasen en el mejor caso de los diez mil (número casi igual al de los que se dicen poetas) son gente fiel y leal, unos seguidores acérrimos del género y de sus mejores creadores. Hay foros, blogs, debates, críticas, páginas de novedades, webs realmente recomendables…

Y ABC, no quiere quedarse atrás en este sentido porque, como es bien sabido, durante más de un siglo ha sido el rincón periodístico de los poetas: no olvidemos los homenajes que entre otras docenas este periódico ha rendido Alberti, a Lorca… hasta el punto de que en nuestras páginas hubo un tiempo con una sección llamada Poesía Cada Día. Por eso, desde mañana incorporamos en nuestro medio digital una nueva sección, Poetas a pie de Web, en la que tendrán cabida entrevistas, convocatorias, críticas, novedades, todo tipo de informaciones y hasta cotilleos del mundo del corazón de la lírica.

Para abrir esta sección contamos con la presencia de Luis Alberto de Cuenca, exsecretario de Estado de Cultura, exdirector de la Biblioteca Nacional, además de excelso poeta de dilatadísima y fascinante carrera. Con él ofrecemos una entrevista en la que responde treinta y tres preguntas (sí, han leído bien, treinta y tres) acerca de su relación con el mundo de la músicas ya que acaba de publicar Todas las canciones (Ed. Visor), es decir sus textos compuestos para ser cantados. Colo fueron por la Orquesta Mondragón, por ejemplo, o por Loquillo.

Por supuesto, esta sección, que quiere huir desde el principio del academicismo, la ortodoxia y el adjetivo plúmbeo o las palabras ladrillo, tostón, muermazo… que desgraciadamente a menudo a la voz poesía, queda abierta a la colaboración de todos los lectores, que, por supuesto, en estos tiempos interactivos que vivimos podrán opinar, comentar, sugerir, escribir… Desde mañana, los poetas y ABC quedan a su disposición.

 

 

“A poesia tem o poder…”

por 

Ilustração de Fernando Vicente para 'De los álamos el viento'.

Ilustração de Fernando Vicente para ‘De los álamos el viento’.

 

 

 

Versos para superar a guerra. Versos para aliviar o Alzheimer. Versos que só chegam às terças-feiras. Versos com cinco palavras. Numa época crítica para os escritores profissionais — nem falemos para os que se dedicam à lírica –, a internet é um viveiro crescente para a poesia. As partes em que se divide esse viveiro são múltiplas. Há aquelas com pretensões generalistas, como Poetry Foundation, web da revista Poetry de Chicago, com quase 100.000 fãs no Facebook, onde pode-se procurar poemas por tema, por data comemorativa e até por países (embora, por enquanto, haja alguns sub-representados, como a Espanha, que só tem dois). E há aquelas tão específicas como uma seção da web da editora digital bartebly.com, que acolhe 151 poemas de 101 autores que viveram, de todas as frentes, a I Guerra Mundial, cujo centenário se comemora neste 2014.

Mas o que mais prolifera são sites em que os internautas se transmutam em poetas. Para Charles Olsen e Lilián Pallarés,webmasters de Palavras Emprestadas, em Madri, tudo começou num aeroporto da Sardenha com cinco palavras: algas, poeta, vinho, clínica e metafórico. “Como estávamos entediados no aeroporto, pedi a Charles cinco palavras para fazer um poema. Ele se entusiasmou tanto que me pediu outras cinco”. As cinco palavras que Pallarés deu a Olsen se transformaram nesse poema:

Na clínica de San José um poeta espirra versos metafóricos… frases como vinho tinto com corpo de algas infinitas.

Charles Olsen, Palabras prestadas

Dali a fundar uma web que propõe a qualquer poeta, profissional ou amador, o desafio das cinco palavras, com a possibilidade de logo sair publicado em papel na antologia anual que reúne os poemas da página web e que em sua primeira edição contou com 15 poemas. Lilián Pallarés não disfarça seu entusiasmo pelo crescente projeto: “Nos atrevemos a dizer que Palavras Emprestadas é um aeroporto de ideias, de palavras, de poemas, uma metáfora aérea”.

A poesia pode ser também bálsamo para doenças terríveis. Gary Glazner, poeta norte-americano de 57 anos, sabe muito bem disso. Ele leva quase 30 anos, desde 1997, lutando contra o Alzheimer com o lirismo através da fundação Alzheimer’s Poetry Project, que compila em sua web poemas criados pelos pacientes numa tentativa de salvar versos do esquecimento. Glazner não se esquece de uma anedota da primeira sessão em que experimentou o método de, recitar versos clássicos com os enfermos e logo animá-los a criarem os seus próprios: “Um homem estava de cabeça baixa, sem participar, parecendo totalmente a margem de tudo o que acontecia a sua volta. Eu estava recitando um verso de Longfellow: ‘Lancei uma flecha ao ar’. Seus olhos se abriram e ele disse: ‘Caiu na terra, não sei onde’. De repente ele estava outra vez conosco e era capaz de participar. Fique assombrado. Isso me mostrou o quão poderosos podiam ser os poetas clássicos. Quão útil pode ser a poesia para ajudar essa comunidade”. Dos muitos poemas que os pacientes escreveram, Glazner escolhe um em castelhano com o título Besos (Beijos).

 

***

‘Beijos’ desde o Alzheimer

Beijos. Nem carinho nem beijos. Quando eu era criança, pedia pão e queijo aos meus pais. Não podiam me dá-los. Mas podiam me dar amor. Meu primeiro namorado me pegou a mão. O amor é maior que pão e queijo. Quando fui ao mercado, não houve pão nem queijo. Mas havia uma moça para beijar. Eu esperava ao lado do rio. Minha namorada vinha pegar água para a sua família, e ali nos beijávamos. As moças não me beijam. Elas me rejeitam. Ninguém nunca me amou, nunca. Só mamãe me amava um pouco. Mamãe me dizia: “Eu te dou pão e queijo e se tu não comeres, não te beijo.” Isso significa que se tens um namorado ou namorada que queres beijar, tampouco recebes pão. Eu disse a ele, podes me beijar aqui (aponta com o dedo a bochecha). Podes me beijar aqui (aponta com o dedo os lábios). Mas, abaixo daqui não podes me beijar. (Desenha uma linha através do pescoço). Quando se é jovem, aos 14, 15, 16 anos, sonhas muito, mas aos 18 já sabes dizer sim ou não e podes comer a sobremesa.

***

Por que essa necessidade de experimentar com a lírica na web? O poeta Manuel Vilas – Resurrección (Visor, 2005), Gran Vilas (Visor, 2012) – explica que é porque as webs cobrem o nicho mais independente. “A internet é o novo underground. E só pode crescer mais e mais. É um lugar de liberdade absoluta onde a pessoa pode pirar. É uma ferramenta ideal para experimentar com poesia”. O próprio Vilas somou-se aos versos online. Colabora com a revista malaguenha online Obituario, que dedica cada número a alguma celebridade morta, de Francis Scott Fitzgerald a Johnny Cashy. E em seu livro Listen to me(La Bella Varsovia, 2013), ele misturou seu Facebook e seu blog num diário online que pretendia chegar ainda mais longe: “Queríamos incluir todos os comentários dos usuários. Mas era uma confusão porque seria preciso pedir autorização a cada pessoa. Mas para mim o ideal era isso”.

Os versos online partem dos cinco continentes. Toda terça-feira, Mary McCallum e Claire Beynon fazem, desde a Nova Zelândia, o upload de versos novos de 30 poetas de todo o mundo em Tuesday Poem. A iniciativa começou com uma ideia de McCallum que pretendia simplesmente se obrigar a escrever: “Fiz isso para me concentrar na minha escrita, de verdade: para me lembrar que na terça-feira eu tinha que postar poemas e como uma forma de construir uma comunidade lírica. Achei que ter o título seria uma boa maneira de me lembrar dessedia da poesia, especialmente quando a vida te oprime”. Quatro anos mais tarde, poetas da França, Estados Unidos, Nova Zelândia, Lesoto e da África do Sul se animam para a poesia a cada terça-feira.

   Todas essas palavras, dentes afiados cravando-se no ventre cheio de vida – Aí está! ‘Mãe’. Uma e outra vez.

Mary McCallum, Tuesday Poem

O porquê de existir a poesia gratuita tem múltiplas respostas. O prazer para Lillián Pallarés e Charles Olsen. A solidariedade para Gary Glazner. O experimentalismo e a tertúlia para Manuel Vilas. O amor pela poesia em todos os casos. Mas também a reivindicação da situação pela qual as letras e as pessoas estão passando: “Em um mundo cada vez mais adoecido por estruturas econômicas falidas, pelo colapso político, o separatismo ecológico e a destruição do meio ambiente, as artes continuam sendo um lugar onde é possível um intercâmbio autêntico e sem complicações”, afirma Mary McCallum. “A poesia tem o poder de dissolver barreiras entre as pessoas, propiciar a mudanças, oferecer prazer e humor, ser voz de protesto, de luta pela paz, pela educação, a saúde e a conexão entre as pessoas”.

Para que serve a leitura

Por Cristina Peri Rossi
Tradução Nina Rizzi

livro 

PARA QUE SERVE A LEITURA

Me chamam de um editorial
e me pedem que escreva
cinco folhas sobre a necessidade da leitura

Não pagam muito bem
e quem poderia pagar bem por um tema desses?
mas de qualquer maneira
preciso do dinheiro

assim que ligo meu computador começo a pensar
sobre a necessidade da leitura
mas não me ocorre nada

é algo que seguramente sabia quando era jovem
e lia sem parar
lia na Biblioteca Nacional
e nas bibliotecas públicas

lia nos cafés
e nas consultas ao dentista

lia no ônibus e no metrô

sempre andava olhando os livros

e passava as tardes nos sebos
até ficar sem um tostão nos bolsos

tinha que voltar para casa a pé

por ter comprado um Saroyan ou uma Virginia Woolf

Então os livros pareciam a coisa mais importante da vida

fundamentais

eu não tinha sapatos novos
mas não me faltava um Faulkner ou um Onetti
uma Katherine Mansfield ou uma Juana de Ibarbourou

hoje os jovens estão nas discotecas
não nas bibliotecas

eu fiz uma bela coleção de livros
ocupavam toda a casa

tinham livros em toda parte
menos no banheiro

que é o lugar onde estão os livros
da gente que não lê

as vezes tinha que seguir durante muito tempo
as pegadas de um livro que tinha saído no México
ou em Paris

uma longa pesquisa até consegui-lo

Nem todos valiam a pena
é verdade
mas poucas vezes me enganei
tive meus Pavese meus Salinger meus Sartre meus Heidegger
meus Saroyan meus Michaux meus Camus meus Baudelaire
meus Neruda meus Vallejo meus Huidobro
para não falar dos Cortázar ou dos Borges
sempre andava com anotações nos bolsos
dos livros que queria ler e não encontrava
ali andavam os Pedro Salinas e os Ambrose Bierce
a infame turba de Dante
mas agora não saberia dizer pra que maldita coisa
serve ter lido tudo isso

mais que para saber que a vida é triste

coisa que poderia saber sem precisar tê-los lido

Depois de cinco horas eu ainda não tinha escrito
uma só linha
assim que comecei a escrever esse poema
Chamei os do editorial
e disse creio que a única coisa para que serve
a leitura
é para escrever poemas

não posso dizer mais que isso

então me disseram que um poema não servia,
que precisavam de outra coisa.

 

________________

livro 3

PARA QUÉ SIRVE LA LECTURA

Me llaman de una editorial
y me piden que escriba
cinco folios sobre la necesidad de la lectura

No pagan muy bien
¿quién podría pagar bien por un tema así?
pero de todos modos
necesito el dinero

así que enciendo el ordenador y me pongo a pensar
sobre la necesidad de la lectura
pero no se me ocurre nada

es algo que seguramente sabía cuando era joven
y leía sin parar
leía en la Biblioteca Nacional
y en las bibliotecas públicas

leía en las cafeterías
y en la consulta del dentista

leía en el autobús y en el metro

siempre andaba mirando libros

y me pasaba las tardes en las librerías de usados
hasta quedarme sin un duro en el bolsillo

tenía que volver a pie a casa

por haberme comprado un Saroyan o una Virginia Woolf

Entonces los libros parecían la cosa más importante de la vida

fundamental

y no tenía zapatos nuevos
pero no me faltaba un Faulkner o un Onetti
una Katherine Mansfield o una Juana de Ibarbourou

ahora la gente joven está en las discotecas
no en las bibliotecas

yo me hice una buena colección de libros
ocupaban toda la casa

había libros en todas partes
menos en el retrete

que es el lugar donde están los libros
de la gente que no lee

a veces tenía que seguirle durante mucho tiempo
las huellas a un libro que había salido en México
o en París

una larga pesquisa hasta conseguirlo

No todos valían la pena
es verdad
pero pocas veces me equivoqué
tuve mis Pavese mis Salinger mis Sartre mis Heidegger
mis Saroyan mis Michaux mis Camus mis Baudelaire
mis Neruda mis Vallejo mis Huidobro
para no hablar de los Cortázar o de los Borges
siempre andaba con papelitos en los bolsillos
con los libros que quería leer y no encontraba
por allí andaban los Pedro Salinas y los Ambrose Bierce
la infame turba de Dante

pero ahora no sabía decir para qué maldita cosa
servía haber leído todo eso

más que para saber que la vida es triste

cosa que hubiera podido saber sin necesidad de leerlos

Cuando habían pasado cinco horas yo todavía no había escrito
una sola línea
así que me puse a escribir este poema
Llamé a los de la editorial
y les dije creo que para lo único que sirve
la lectura
es para escribir poemas

no puedo decirles más que eso

entonces me dijeron que un poema no servía,
que necesitaban otra cosa.

– – –

 

In Substantivo Plural

 

 

Poesia e música. Uma boa idéia para os prefeitos honestos

Os prefeitos que gastam tanta grana com embalos superfaturadas de cantores e bandas, não investem em bibliotecas, museus, academias de letras, publicação de livros, suplementos literários, arquivos públicos, grupos folclóricos, pesquisas históricas, orquestras sinfônicas. A dinheirama das secretarias de Cultura vem sendo roubada. Descaradamente. Confira 

Eis uma boa idéia. Escreve Patrícia Britto:

Poesias ganham som

Bárbara Eugênia

Bárbara Eugênia

e viram álbum gratuito na internet


Junte a inquietação de jovens inspirados, versos ousados e alguns instrumentos com a vontade de arriscar. O resultado dessa mistura está no primeiro disco virtual do projeto “Reversos – Instrumentalizando a Poesia”, prometido para ser lançado neste mês via Facebook, com link para download gratuito.
A coletânea reúne obras de 16 poetas que tinham sido publicadas na coluna Reversos, do site “NegoDito”. As poesias foram escolhidas por 26 músicos, que na maioria dos casos não conheciam os autores. Os compositores acrescentaram acordes, criaram melodias, arranjos e deram forma, ou melhor, som aos versos. Leia mais 
Conheça a música, a voz, a beleza de Bárbara Eugênia