Escravidão

por João Marino Delize

 
Quando os negros vieram a este país
Para plantar café e formar canaviais
A mando de fazendeiros poucos gentis
Que em chibatadas arrancava seus ais

Negros eram vendidos como os animais
Pelos senhores de engenhos no Brasil
Quanto mais novo e forte valia mais
Para ser escravizado num clima hostil

Suor e sangue deram para esta nação
Mas nada receberam em compensação
Nesta luta desleal não tiveram vitória

Essa mão-de-obra foi muito explorada
Escravos em troca não ganhavam nada
Esse tempo manchou a nossa história.

AS DORES DA ESCRAVIDÃO

por Mercêdes Pordeus

 

Gravura de Debret

Eles vieram de tão longe, traziam consigo o medo,
As incertezas eram suas companheiras desde cedo.
Traziam o sofrimento antecipado dos seus receios
E as dores dos açoites, que já sentiam nos navios.

Mal chegavam, já eram analisados como animais,
Vendidos como meras mercadorias, artigos banais.
Trabalhavam duro e sofriam o peso da escravidão,
A cada chicotada e a cada açoite, a dor da solidão.

A cada ano as esperanças da liberdade se dissipavam,
Os seus filhos nasciam e naquele regime continuavam.
Enquanto os mais velhos as dores do flagelo sofriam,
Os ecos da noite nos traziam os sons dos que gemiam.

Ao longe era refletida desses ecos a repercussão
E o reflexo do som trazia a forte dor da servidão.
Pelo negro, no nosso país, através da escravidão
De terras longínquas a saudade do seu natal torrão.

Mais navios negreiros que aportavam e a história se repetia
Movimentos no Brasil a escravidão, aos poucos, se extinguia.
Castro Alves o poeta abolicionista que os seus ideais escrevia,
Vozes da África, Navio Negreiro, Os Escravos, primeira poesia.

O poeta abolicionista marcou época com sua primeira poesia
Mais um nordestino que com força e garra, nascido na Bahia,
Seus estudos de Direito na Faculdade de Recife realizaria
E o seu grande apogeu no Rio de Janeiro, ele consolidaria.

Vinte anos se passaram após a morte do grande Poeta
Para se realizar seu almejado sonho, seu grito de alerta,
Decretada extinta a escravidão e o grande Brasil desperta
Na Lei Áurea está implícita a nobreza da alma do poeta.

Angola. Nicolau Santos, poesia declamada

O diretor adjunto do “Expresso” e coapresentador de “Expresso da meia-noite”, da SIC Notícias subiu ao palco, acompanhado pelo quinteto de Manuel Lourenço que tocava baixinho, e começou a declamar: “Angola, gostava tanto de te abraçar.” Nicolau Santos animou o serão de domingo na discoteca B.leza, em Lisboa, e foram muitos os que se juntaram para o ouvir recitar poesia. Nicolau agradeceu a presença: “Bem-vindos ao B.leza, o país mais multirracial e multicultural do Mundo.” Numa pausa entre poemas, o jornalista apresentou Laura Ferreira que iniciou a parte musical do espetáculo “Afro Jazz, Morna e Poesia”, com um tema inglês, dedicado a Moçambique.

Mulheres de Poesia


BRIGA NO BECO
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Adélia Prado
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Encontrei meu marido às três horas da tarde
com uma loura oxidada.
Tomavam guaraná e riam, os desavergonhados.
Ataquei-os por trás com mãos e palavras
que nunca suspeitei conhecer.
Voaram três dentes e gritei, esmurrei-os e gritei,
gritei meu urro, a torrente de impropérios.
Ajuntou gente, escureceu o sol,
a poeira adensou como cortina.
Ele me pegava nos braços, nas pernas, na cintura,
sem me reter, peixe-piranha, bicho pior, fêmea-ofendida,
uivava.
Gritei, gritei, gritei, até a cratera exaurir-se.
Quando não pude mais fiquei rígida,
as mãos na garganta dele, nós dois petrificados,
eu sem tocar o chão. Quando abri os olhos,
as mulheres abriam alas, me tocando, me pedindo graças.
Desde então faço milagres.
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LUA ADVERSA
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Cecília Meireles
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Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
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Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
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E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…
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AS TRÊS PALAVRAS MAIS ESTRANHAS
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Wislawa Szymborska
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Quando pronuncio a palavra Futuro
a primeira sílaba já pertence ao passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não-ser.


 Seleta de Talles Azigon

Ode ao tempo

de Daniel Rocha

Há um tempo preciso
Para desprezar outro tempo
Para escrever outros versos
Quase iguais aos momentos
Da velha solidão

Há um tempo necessário
Para nos tornarmos vários
Para amar um grão de areia
E dançar sob a força dos ventos
Da antiga solidão

Há um tempo comovido
Para chorarmos o que fomos
Para o sonho a se esvair
E a sumir no tempo como névoa
Na mais grave solidão

Há um tempo sem tempo
Para ser o mais novo tempo
Para adormecer com nossa carne
Antes dela sumir e ser terra
Na eterna solidão

Há um tempo impreciso
Para nascer em outro tempo
De outros versos sem motivos
Para definir os tormentos
Da minha solidão.

Primeira do Dia da Felicidade

de Jamila Carvalho

Senhor cavalheiro,
Se me quiseres,
Terás de mim o beijo mais doce
Terás as palavras que aquecem o coração
Terás o carinho que lampeja a alma.

Senhor cavalheiro,
Se me aceitares,
Terás um coração cheio de amor e de dor
Que reconhece a cada face e que faz curar
Que morreria por um sorriso de felicidade.

Senhor cavalheiro,
Se me amares,
Terás também o corpo casto que possuo
E todas as suas violentas formas
Que serão para ti e para mim uma fonte inesgotável.

Senhor cavalheiro,
Peço-lhe que me queiras,
Porque já não é a vida sem ti
Mas se não aceitasres minha oferta,
Terás porém estes versos
Que já eram seus antes de nós mesmos.

DOCE RIMA

DOCE MÚSICA. DOCE ENCANTO DE VER E OUVIR JULIETA VIÑAS ARJONA E PAULA BRIEBA DEL RINCÓN

Formado en 2009, el dúo Dolce Rima está integrado por dos estudiantes valencianas cuyos caminos se cruzaron en la ciudad de Sevilla, atraídas ambas por la agitación cultural de la considerada “capital de la Música Antigua” en España, al encontrarse allí maestros internacionalmente reconocidos y una gran oferta de actividades (cursos, festivales, conciertos, etc) dedicadas a esta música anterior a 1750.

Interesado especialmente por la conjunción poética y musical, su repertorio se centra en el Renacimiento español de los vihuelistas y en el Seicento italiano, haciendo por tanto un doble acercamiento (literario y musical) a la cultura de los siglos XVI y XVII. Ha asistido a cursos y a clases de perfeccionamiento con Lambert Climent, José Hernández, J. M. Nieto, Alonso Salas, Ariel Abramovich, José Miguel Moreno, Vicente Parrilla y Juan Carlos Rivera, entre otros.

Ha ofrecido conciertos en las provincias de Sevilla, Huelva, Castellón y Valencia. Recientemente, Dolce Rima ha sido el encargado de seleccionar e interpretar la música para la banda sonora del cortometraje “Ánima”, de la realizadora cubana Bebé Pérez, en cuyo estreno en la SGAE de Valencia ofreció un concierto en directo.

Curta o mundo encantado de Dolce Rima. Clique para o transe de uma música angelical