Adultização da criança e a sexualidade precoce

Nas favelas são comuns os casamentos de meninas de doze e treze anos. E há décadas que as principais televisões brasileiros promovem programas de calouros infantis. Acrescente os concursos de miss infantil, o recrutamento de crianças para desfile de moda e elenco de telenovela. O trabalho infantil existe nos mais insuspeitos lugares da classe média.

Quando as coisas acontecem nas classes baixas, aparecem as repentinas e fugazes investigações. Quando este Brasil imenso jamais evitou o recrutamento da criança soldado, e nada se faz para recuperar as 250 mil prostitutas infantis, para a Unesco e Polícia Federal, ou 500 mil para diferentes ONGs.

As manchetes para combater o tráfico sexual de crianças aparecem por motivos mais políticos e partidários e sensacionalistas. Falta uma campanha que vise a integração familiar, que começa com uma moradia digna, em um espaço urbano com os ser√iços essenciais funcionando, como uma escola que preste, que o estado pode oferecer um ensino melhor do que qualquer empresa privada. E nas escolas, as presenças de assistentes sociais, psicólogos, assistência médica etc.

A onda funk de crianças e adolescentes constitui apenas um reflexo da degeneração da música brasileira, que pontua as audiências de nossas televisões. Que música se toca em programas como BBBrazil, para um único exemplo?

MC Melody, oito anos, funkeira

MC Melody, oito anos, funkeira

Destaque no R7: A maior polêmica da semana foi, sem dúvida, o caso da funkeira mirim Mc Melody. O pai de Melody sofreu com críticas e foi acusado de exploração infantil por alguns internautas. Depois, o caso foi para no Ministério Público, que deve investigar a acusação de sexualização da garota de 8 anos de idade. No entanto, em entrevista ao R7, os empresários de Melody, Mc Brinquedo e outros funkeiros mirins disseram não ter medo dessa investigação

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

O pai de MC Melody também explica que são mentirosas as informações de que a cantora lucra cerca de R$ 40 mil por mês com shows.

— Embora haja procura, ela não faz shows. Se apresentou uma vez em uma matinê e outra vez em uma festinha. Se ela fizesse shows, não estaria ganhando apenas R$ 40 mil. Com o tanto de convite que ela tem, daria para tirar uns R$ 100 mil ou mais. Porém, até hoje, ela não lucrou um centavo.

Belinho desafia as pessoas que dizem que ele sustenta a família às custas do sucesso de Melody a postar alguma imagem de show da cantora.

— Por que você acha que todo mundo só pública aquele vídeo dela dançando Quadradinho de Oito? Porque não existe outra imagem dela em show. Simplesmente porque ela não faz.

Funkeiros mirins: sexualização precoce ou reflexo do cotidiano?

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

Publica Zero Hora, reportagem assinada por Gustavo Foster

No clipe de Quarteto Diferenciado, os MCs Brinquedo e Pikachu são mostrados como celebridades ao lado de Bin Laden e 2K. Os quatro causam histeria e têm suas músicas cantadas pela legião de fãs que os espera em frente a uma casa. Porém, dentro da limusine branca em que são transportados, a coisa muda: enquanto os dois últimos têm à disposição garrafas de vodka, os primeiros tomam suco em caixinha e Toddynho, respectivamente. Isso porque Brinquedo tem 13 anos, e Pikachu, 15 – não é à toa que os nomes artísticos remetem elementos da vida infantil.

“Roça, roça, roça o peru nela, que ela gosta” (Roça Roça – MC Brinquedo)

Brinquedo e Pikachu são dois dos pivôs de uma polêmica nem tão recente que chegou ao Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira. Um inquérito aberto pelo promotor Eduardo Dias de Souza Ferreira pede que se investigue possível “violação ao direito ao respeito e à dignidade de crianças/adolescentes” nas músicas e apresentações de MC Melody (alvo principal do inquérito), de oito anos, além de MC Princesa, MC Plebeia e dos quatro membros do quarteto diferenciado. Para a promotoria, haveria “impacto nocivo no desenvolvimento do público infantil e de adolescentes, tanto de quem se exibe quanto daqueles que o acessam”.

Mais famoso entre os sete, MC Brinquedo é celebridade na internet. Sua frase “meça suas palavras, parça” virou meme. Em suas letras, sempre bem-humoradas, ele não se furta de falar sobre sexo: Roça Roça fala sobre um caipira que não faz sucesso com as mulheres (“a novinha não me quer só porque eu vim da roça, roça o peru nela que ela gosta”), Vice-Versa é quase ingênua (“no pique do vice-versa: pepeca no pau, pau na pepeca“) e Boquinha de Aparelho é explícita (“tu vai lamber, tu vai dar beijo, tu vai mamar com essa boquinha de aparelho“). Curiosamente, o piá disse em entrevista recente ao CQC que era virgem, vejam só.

– Crianças cantando funk não é novidade. Eles são sociabilizados dentro de um padrão sociocultural em que é comum falar sobre isso. Só causa estranhamento porque o poder público não tem consciência desse contexto. Não é o sujeito cantar algo que é o problema, isso só é negativo dependendo de como ela é assessorada pelos pais. A música influencia as pessoas? Sim, mas a vida cotidiana influencia a música. O problema não é o produto final – avalia Hilaine Yaccoub, doutora em antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que morou quatro anos na favela da Barreira do Vasco para escrever sua tese.

E te confesso que um beijo já me desperta o desejo” (Eu Não Quero Mais – MC Melody)

Hilaine ressalta ainda que é necessário haver cuidado quando o teor das letras está “fora do contexto da idade da criança”, mas lembra que muito da repercussão se dá por causa do gênero musical. E quem dá eco ao discurso de que o funk é mais visado é Emerson José da Silva, um dos fundadores da KL Produtora, responsável pela carreira do quarteto supracitado. Segundo ele, a “picuinha” feita pelo Ministério Público deveria começar com “quem tá matando e roubando”:

– Não vejo problema algum. O Brinquedo canta o que ele vive. Querem fazer com o funk o que já fizeram com o rap, que é discriminar. O Brasil com o maior índice de prostituição infantil do mundo, e o problema é a Melody? Sabe qual é o meu medo? É eles acharem que estão fazendo algo errado, agora, com toda essa exposição. O Brinquedo acabou de dar um carro para a mãe, o Pikachu deu um para o pai. Eles estudam em escola particular, fazem aula de canto, de violão, aprendem a dançar, jogam videogame, brincam para caramba. Mas são eles os errados?

“Essa novinha é profissional, ela senta gostoso demais” (Novinha Profissional – MC Pikachu)

Para o Ministério Público, talvez. Para 24,7 mil pessoas que assinaram uma petição pela “intervenção e investigação da tutela de MC Melody”, com certeza. No texto, publicado em 20 de abril no site Avaaz, o autor considera que os pais da MC Melody incorrem nos crimes de trabalho infantil e corrupção de menores, além de exporem a menor a “situações que ameacem seu presente / futuro”. Para o consultor de criação Filipe Techera, um dos roteiristas do programa Esquenta, o tabu e o preconceito contaminam a discussão:

– Nós, adultos, temos uma visão sexual sobre aquilo, mas a criança não necessariamente tem a mesma visão. Eu era criança quando o É o Tchan fazia sucesso, e em todo esse tempo de terapia, nunca apareceu nada sobre isso (risos). E, pensando um pouco mais sobre isso, podemos questionar: por que os caras só falam sobre pegar mulher, cerveja, traição, bandidagem, drogas? Porque essa é a rotina deles. É difícil falar sobre “o barquinho vai”, quando ela vive o couro comendo.

Por enquanto, Brinquedo não dá entrevistas sem um advogado, Melody está sendo investigada pelo MP e Emerson tem medo de ser preso. Nada que tenha impedido MC Bin Laden de lançar É os Mlks do FOX, mais nova aposta da KL Produtora.

Veja aqui as entrevistas da MCs Princesa e Plebéia, MC Pikachu, MC Brinquedo, e MC Melody no programa do Super Pop. Veja vídeos

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Chile faz música para o mundo. O Brasil pra prefeito faturar

A degradação da música brasileira é uma realidade. Tudo começou quando a CIA pactuou com Fernando Henrique e professores da USP, em abril de 64, a destruição da Cultura brasileira.

cultura corrupção indignados

Esta degradação teve as televisões e rádios como divulgadoras de cantores que tocam sete instrumentos e mais um (punheta ou siririca).

Assim nasceu o cantor ou cantora que faz tudo sozinho: é compositor, letrista, cantor, bailarino, músico de sopro, cordas e percussão.

Basta aparecer uma vez na Globo, e segurar a fama com o pagamento de jabá para as emissoras de rádio.

televisão mensagem cultura pensamento único indignados

Com as campanhas das eleições diretas de prefeitos, surgiram várias máfias jamais investigadas de promotores culturais, para vender shows super, superfaturados de cantores bregas, e ondas e mais ondas de novos ritmos baianos – ondas que lavam mais branco a sujeira das notas frias, pagas pelas milhares de secretarias municipais de turismo e cultura.

Para fechar o ciclo de sacanagem, temos as multinacionais que patrocinam, para descontar nos impostos, famosos cantores da Europa e dos Estados Unidos, para propaganda da música dos países que compraram, em leilões fajutos, com dinheiro emprestado pelo BNDES, as estatais brasileiras.

Existe música brasileira?  Eu ficou encantado quando leio entrevista de músicos hermanos. Diz Gepe:

“Estamos haciendo música de Chile para el mundo”

In Télan, Argentina: El cantautor Gepe, uno de los pilares de la movida andina independiente que se hace del otro lado de los Andes, arriesgó: “Siento que estamos haciendo música de Chile para el mundo”.

Durante una conversación telefónica con Télam Radio, el músico indicó que para el auge de ese movimiento “coincidieron un montón de condiciones políticas, sociales y económicas que me se me hace difícil de revisarlas porque no soy el más indicado, pero de un tiempo hasta esta parte mantuvimos el mundo propio que inventamos hace unos 10 años y fue madurando”.

El artista que ya dejó su huella en cuatro discos con aires andinos y electrónicos sostuvo en relación a su obra que “mi mundo tiene que ver con las imágenes del barrio y la vida cotidiana porque creo que lo simple es profundo y potente, invocarlo en mis letras se me hace necesario”.

El también multiinstrumentista repasó sus últimas apariciones en los escenarios argentinos a fines de 2014, en el Festival del Bosque en La Plata y en la disco porteña Niceto.

“Fueron dos shows súper distintos en un mismo día, dos tocatas contrastadas e interesantes”, resumió Gepe acerca de aquella experiencia que lo acercó con los seguidores locales que forman parte de la legión de 200.000 seguidores que el músico ostenta en las redes sociales.

 

 

 

Gastos com armação de palcos e camarotes

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Esta manchete é verdadeira? Qual a origem dos ritmos brasilienses?

 

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Musica. “Hoy se está revalorizando el baile”

La orquesta, una fanfarria de vientos y percusiones que transita la cumbia mexicana, colombiana, villera, peruana, sonidera y los ritmos de Bolivia, mostrará hoy en el Teatro Mandril cómo suena en vivo el poderoso material de Alborada en el derrumbe.

 

por Sergio Sánchez

 

 

LUCIANO CHOQUE RAMOS, DIRECTOR DE LA ORQUESTA TODOPODEROSO POPULAR MARCIAL: “Hasta hace poco era un embole decir que tocabas en una banda de viento o hacías folklore”

LUCIANO CHOQUE RAMOS, DIRECTOR DE LA ORQUESTA TODOPODEROSO POPULAR MARCIAL: “Hasta hace poco era un embole decir que tocabas en una banda de viento o hacías folklore”

 

 

Un fenómeno cultural ocurre, al menos, hace una década: el acercamiento de las nuevas generaciones urbanas a los folklores latinoamericanos. Esto no significa que antes los músicos de los grandes centros urbanos no se vincularan con géneros rurales o folklóricos, pero lo cierto es que el intercambio musical se viene dando de manera cada vez más sostenida, decidida y masiva. Se multiplicaron, en los últimos años, las propuestas interesadas en recuperar los sonidos nacidos en Latinoamérica, desde la música andina hasta la chacarera, pasando por el reggae, la murga, la bossa nova y el merengue. Y, claro, la cumbia –y sus derivados, como el porro y el vallenato– no fue la excepción. Este género, que desató más de una polémica en la Argentina, hoy también se produce en la ciudad de Buenos Aires y ya no es exclusividad de los márgenes. ¿Moda o cambio cultural? Parece imponerse la segunda opción, aunque el oportunismo nunca falta.

Lo cierto es que este cambio de mirada trajo cambios positivos. La cumbia villera, por ejemplo, pudo escapar del estigma que en 2004 hizo evidente el entonces jefe de Gabinete Alberto Fernández. El funcionario vinculó directamente el aumento de la delincuencia con la difusión de este estilo de cumbia. Porque la cumbia no es una sola, son muchas y se expanden por todo el continente; de tal forma que cada país que se la apropió le puso su sello propio. De esa diversidad da cuenta la orquesta Todopoderoso Popular Marcial, una fanfarria de vientos y percusiones que transita por la cumbia mexicana, colombiana, villera, peruana, sonidera y por ritmos bailables y populares de Bolivia (huaynos, tinkus y caporales) y la región. Todopoderoso integra una nueva camada de orquestas porteñas que ponen el acento en la música tropical, aunque no le escapan a otros géneros folklóricos. Integrada por 21 músicos, este combo de bronces acaba de publicar su primer disco, Alborada en el derrumbe, un trabajo instrumental irresistiblemente bailable que hasta se permite versionar “Puño de acero”, de Rage Against the Machine. Lo presentarán hoy a las 23.30 en el Teatro Mandril (Humberto Primo 2758).

“El prejuicio hacia la cumbia estaba sólo en Argentina, en otros lados del mundo la cumbia estaba invisibilizada y luego se visibilizó. Pero acá no sé si se rompió el prejuicio o lo aceptamos porque en el mundo ‘ahora está bien’”, se pregunta Luciano Choque Ramos, director general y creador de Todopoderoso. “Ya nos pasaron por adelante. Hay cumbia hasta en Inglaterra y en Francia, mucho antes de que se la aceptara en Buenos Aires”, completa el músico, aunque al mismo tiempo reconoce el cambio cultural. “Hace algunas semanas, en un programa de La Tribu, estábamos con las chicas del grupo colombiano Son del Arroyo y contaban que cuando llegaron a Buenos Aires, en 2005, nadie sabía qué era una gaita y una tambora, instrumentos de la cumbia tradicional. Pero decían que ahora hay bocha de gente que no sólo toca esos instrumentos, sino que también los hace. Y está buenísimo que empiece a circular. Hay un claro proceso cultural de intercambio, que no es sólo musical. Esto va de la mano de otras lógicas no sólo musicales, como prestarle atención, por ejemplo, a lo que pasa en el gobierno de Bolivia.”

–¿Por qué la propuesta es instrumental y no hay un frontman?

–Nos gustaba la idea de no tener la lógica televisiva de centralizar en un personaje, sino que sea algo más popular y democrático en su formato y en su forma de transmitir. Es algo en tiempo real, no están todos mirando al cantante. Es una idea, pero no significa que lo que no sea así no esté bueno. Me encanta ver a un cantante en el escenario. De hecho, la idea inicial era no necesariamente tocar en escenarios, sino tocar sin microfonear nada y entre la gente. Después eso fue mutando un poco porque hay ciertas situaciones que no las podemos abarcar: si hay mil personas y nosotros igual seguimos siendo veinte, por más que suene fuerte, no se escucha. Lo instrumental viene un poco por ese lado: que no haya un rol protagónico, como sucede en el mundo del pop y el rock.

–Más allá de tomar distancia, el rock se cuela en la orquesta. ¿Es una cuestión generacional?

–Es casi al revés. De pronto se están colando las orquestas en el mundo del rock. Hasta hace poco era un embole decir que tocabas en una banda de viento o hacías folklore. Cuando estábamos con la Peña Eléctrica, había salido una nota en Rolling Stone que decía “vas a ver que el folklore tiene onda”, como abriendo el juego. En Argentina hay una cosa muy conservadora, de seguir repitiendo el rock, porque fuimos los primeros en Latinoamérica en tener este género. Pero no pasa en ningún otro lado eso. En verdad, no es que ya fue, pero comparte el mismo lugar que otros géneros. La movida acá, claro, responde a un mercado. Por suerte, se empezó a colar toda la movida de las orquestas y gente a la que le interesa tocar otros instrumentos. Alguien que tocaba el acordeón hace veinte años y da clases, seguro te va a decir que hoy tiene más laburo que hace diez años. De todas formas, está bueno que en Todopoderoso hayamos mantenido un lado más rockero, más fuerte. Porque nos gusta saltar y hacer pogo. Para nuestra generación y varias para adelante y para atrás, tener un rato de pogo es liberador, es necesario. La banda tiene pocos temas tranqui, la mayoría son fuertes.

Ramos cuenta que su interés por la cumbia, la música latinoamericana y las fiestas populares nació durante su adolescencia, cuando con su familia iba a la fiesta de la Virgen de Urkupiña, que se hace cada octubre en el Bajo Flores. “Es una fiesta súper multitudinaria e híper invisibilizada; nadie se entera que hay como 30 mil personas en la calle dando vueltas frente a la cancha de San Lorenzo”, cuenta. Durante el festejo, desfilan por la calle comparsas, bandas de viento, grupos de sikuris y ballets de danzas andinas. Por eso, quiso trasladar a la orquesta ese espíritu callejero, orgánico y de tracción a sangre. “Desde la música y lo visual, tenemos más que ver con lo callejero y lo popular, que con espacios cerrados en donde hay que amplificar los instrumentos. En las fiestas tocamos entre la gente y en el escenario”, destaca el músico.

–¿Este proceso también tiene que ver con la necesidad de encontrarse, de recuperar la fiesta popular y de darle valor al baile?

–Sí. Y también responde a otro tipo de encuentro: tener músicos tocando en vivo en lugar de un DJ. Un intercambio más mezclado entre músico y público, que es la lógica de la fiesta popular, como sucede con los sikuris. Los tipos tocan en una ronda y la gente está alrededor. No hay una lógica de espectáculo con escenario. Por otro lado, se está revalorizando el baile. En nuestro caso, llama la atención ver tantos músicos tocando en vivo. También hay una revalorización de lo antiguo, quizás en contraste con lo digital. La vuelta del vinilo responde a eso. Más allá del mercado, hay una necesidad de que pasen otras cosas.

 

“Estupro cultural” proibir maracatu

maracatu

 

Inacreditável, o maracatu que, recentemente (vide link), foi reportagem internacional, vem sendo perseguido pela polícia do governador Eduardo Campos.

Nenhum desses artistas, contratados pelo governo do Estado e prefeituras, para cantar, tocar e dançar no carnaval de Pernambuco, tem o valor artístico-cultural do maracatu.

Informa o maestro Siba: Nesta próxima quarta feira, dia 5 de fevereiro, os Maracatus de Baque Solto de Nazaré da Mata estão intimados a comparecer a uma audiência na sala da Promotoria de Justiça de Pernambuco.

O documento de intimação, ao qual tive acesso, não discrimina o motivo, mas diz-se que tem a ver com a proibição, em plena aplicação na região, dos Maracatus de Baque Solto realizarem festa até o amanhecer do dia.

O assunto rima com o “Carnaval Cinderela” que deve parar às 2 horas [da madrugada], anunciado em breve para o Recife.

Na Mata Norte, a arbitrariedade atinge em cheio uma tradição secular que representa as pessoas mais pobres.
Compartilho a primeira matéria a que tive acesso até agora, que trata do fato acontecido na festa da Cambinda Brasileira, onde estive presente.

Tenho acompanhado muito de perto o problema na região, e posso facilmente classificar o que se passa em Nazaré da Mata e cidades vizinhas como um “Estupro Cultural”.

Siba transcreve a seguinte notícia do blogue de Josué Nogueira:

No Facebook, produtores culturais, artistas e pessoas ligadas às artes denunciam que a Polícia Militar terminou a festa de 96 anos do maracatu Cambinda Brasileira, na madrugada deste domingo (03.02).

Afirmando que cumpriam uma lei que determina o silêncio a partir das 2h, PMs foram até o Engenho Cumbe, em Nazaré da Mata, no meio do canavial, e puseram fim às comemorações.

Símbolo máximo da cultura do corte da cana e sempre explorado pelo marketing do carnaval do estado, o maracatu e seu cortejo real estão sob a mira de uma lei que condena uma manifestação secular cuja tradição é promover a sambada até o dia raiar.

Sobre o assunto a coluna Diario Urbano (Diario) deste domingo traz comentário sobre a tal proibição de shows e eventos culturais depois das 2h da manhã.

Assinada pelo jornalista André Duarte, o texto informa que não há lei alguma sobre o tema e sim um “entendimento” não justificado nem assumido pelo poder público.

A coluna enfoca o carnaval do Recife em cujas novas “regras” está o limite das 2 horas. Mas, como se viu no caso do Maracatu Cambinda Brasileira, a ordem é estadual.

Quer dizer, a secretaria de Defesa Social está seguindo uma política em vigência em Pernambuco – não importam as exceções como o respeito e a preservação das tradições.

É preciso que o estado e o Ministério Público – a quem se atribui a tal determinação – justifique a apresente o embassamento legal para a medida.

Confira a coluna Diario Urbano:

Continua mal explicada a determinação de encerrar as apresentações do Carnaval do Recife às 2h. Anunciada como resultado de acordo entre órgãos públicos e influenciada por uma suposta recomendação do Ministério Público, a medida falta em detalhes e carece de justificativa consistente. Se, em tese, a prefeitura não teria nenhuma vantagem política em limitar o horário dos shows e desfiles de blocos, ainda cabe explicar o porquê da restrição, que futuramente pode atingir os polos afastados do Marco Zero, sobretudo os da periferia, abrindo um precedente preocupante para um evento que ainda levanta o estandarte democrático. A violência não foi apresentada, até o momento, como motivação para o fechamento dos palcos na alta madrugada.  A única recomendação do Ministério Público que se tem notícia sobre o tema diz respeito às prévias carnavalescas, mas não especifica horários ou locais em que o som deve ser desligado mais cedo. O documento, expedido em dezembro no ano passado, tinha intenção de coibir a poluição sonora e a degradação do patrimônio público no entorno dos desfiles dos blocos, mas não cita o Bairro do Recife ou qualquer outro polo descentralizado da festa. A programação oficial deste ano revela que, na prática, os horários dos shows não mudaram muito em relação ao ano passado, o que deixou a questão ainda mais confusa e esquentou o debate nas redes sociais, onde a festa já é chamada de “carnaval da Cinderela”. O fato é que nenhum integrante do grupo de trabalho responsável pela nova agenda da festa quis passar recibo. Procurada na última sexta-feira, a assessoria da Fundação de Cultura do Recife informou que apenas a Secretaria de Defesa Social (SDS) poderia se manifestar, já que a determinação teria partido de uma reunião sobre o Pacto Pela Vida. Já a SDS repassou a querela para a Polícia Militar, que, por sua vez, alegou que apenas cumpre as deliberações da Prefeitura do Recife e dos órgãos de defesa social que integram o grupo. O Ministério Público não tinha localizado nenhuma recomendação específica sobre limite de horário no carnaval.

 

 

Crueldade pernambucana: “Patrimonio Vivo” só tem valor quando morre

O Frevo é um Patrimônio Imaterial da Humanidade. Mas em Pernambuco só é cantado e dançado no Carnaval.
As secretarias estadual e municipais de Cultura promovem shows todos os finais de semana, mas riscam o Frevo da programação.
Os donos dos grandes e_ventos estão interessados em gastar. O bom tem que ser caro. Com essa visão capitalista estão destruindo o nosso rico patrimônio artístico-cultural.
Ninguém toca mais Capiba, Nelson Ferreira, Antonio Maria, Edson Rodrigues, inesquecíveis nomes da música brasileira.
Outro eterno, Duda, Patrimonio Vivo de Pernambuco, dá o seguinte testemunhal
Duda

Duda

Aposentadoria Forçada. Maestro Duda reclama da falta de convites para se apresentar

por Camila Souza

Já faz tempo que o arranjador e compositor José Ursicino da Silva, o Maestro Duda, abandonou o convívio diário com os instrumentos. “Já não dá mais vontade. São tantas as injustiças com a nossa cultura”, confessa. A maior delas, com o frevo, acredita o músico. “O formato do carnaval restringiu as grandes orquestras do gênero aos palcos. Saímos das ruas. Nos afastamos do público. E tocar durante o ano é ainda mais difícil. Depois de fevereiro, me apresentei uma única vez no Recife em 2013”, revela. Em 2014, ele fará apenas dois show durante o carnaval: no domingo, na Lagoa do Araçá, e na terça, no Ibura, além de reger uma música do orquestrão, no encerramento, no Marco Zero.
Na contramão da agenda, Duda conserva a mente criativa em ritmo frenético, ao lado da mulher, dona Mida, “a razão de tudo”. Há pouco, fez o arranjo de um frevo-canção inédito de Alceu Valença, Beija-flor apaixonado, gravado em dueto com Fafá de Belém.
Desenhou a versão de Qui nem jiló, gravada por Zeca Pagodinho no CD Minha metade, de Maciel Melo. “Eu ainda tenho muito gás”, garante. Os 78 anos recém-completados em dezembro – deles, 70 foram dedicados à música – trazem na bagagem prêmios e incursões em gêneros variados. Compôs choros gravados por Severino Araújo e sambas cantados por Jamelão, além de musicar peças de teatros, como Um americano no Recife, dirigida por Graça Melo.
O frevo veio como uma vocação. “Estava no meu sangue”, acredita. Ainda menino, em Goiana, Duda tomou gosto pela música. O pai, Lídio Pereira da Silva, era baterista da Banda Saboeira, uma das mais antigas em atividade no mundo. De tanto ouvi-lo, traçou passos parecidos. Aos oito anos, escolheu o sax horn para dominar. “Era o instrumento mais fácil. Eu queria tocar de qualquer jeito.” Aos 12, escreveu o primeiro frevo, Furacão. “Por incrível que pareça, não consigo lembrar dele. Já tentei encontrá-lo, mas nada. Só me recordo de tê-lo chamado assim porque era o nome de um filme em cartaz no Cine Polytheama na época”, conta.
Três anos depois, já no Recife, o maestro ingressou na Jazz Band Acadêmica. A partir daí, foi uma escalada de sucessos. Tocou nas orquestras das rádios Tamandaré e Jornal do Commercio, até conseguir uma vaga na Sinfônica do Recife. Precisou aprender oboé e corne inglês durante aulas na Universidade Federal de Pernambuco.
“Foi quando eu amadureci o dom. Até então, eu era um autodidata, curioso. Depois da OSR, passei a ver a música com outros olhos”, conta. Em pouco tempo, Duda se tornou arranjador da orquestra. E, mais tarde, um dos maiores de todos os tempos no que diz respeito ao frevo.
Há mais de 30 anos, o músico esteve envolvido, ao lado de Carlos Fernando, no projeto
que revolucionou o gênero, o Asas da América. Muitas das músicas nascidas tinham seu dedo. “Nós mudamos a história do frevo. Demos uma outra roupagem. E é ela que está nas ruas até hoje. Não houve qualquer renovação. E não é por que não surgiram novas músicas. É porque não existe divulgação”. Ele recorda uma canção de Dudu do Acordeom, Baile celestial, cujo arranjo assina. “A faixa foi uma das vitoriosas do I Festival de Frevo da Humanidade (em 2013). No entanto, dificilmente, ‘você’ ouvirá. As rádios não tocam. Assim é impossível renovar”, arremata.
Depoimentos
Considero Maestro Duda um gênio. É uma das pessoas responsáveis por manter viva a alma de um povo. Possivelmente, neste segundo semestre, lançaremos o filme Sete corações, com direção de Andrea Ferraz. E Duda é um desses corações. Para mim, ele tem o poder de fazer uma coisa bela, emocionante e simples. Ele tem esse poder. Sou fã incondicional. Sempre que possível, eu o plagio”
– Spok
Maestro Duda é um dos maiores nomes do frevo. É extremamente competente. Desde que comecei a pesquisar e compor frevo, tomei nota de vários artistas. O nome dele é um dos primeiros. Ele é referência para todo mundo. Tive a sorte de tê-lo como arranjador da música Baile celestial, o que contribuiu para a música ser uma das vitoriosas do I Festival de Frevo da Humanidade”
– Dudu do Acordeom
É uma das referências vivas que ainda temos no nosso carnaval. Precisamos valorizá-lo não somente pelo que ele fez no passado, mas pelo que ele continua fazendo até hoje pelo frevo. Além de ser um megamaestro, é uma pessoa de coração generoso. Nunca fez a música pernambucana para si. Ele, acima de tudo, quis mostrar seus passos e sua arte. Só somou para a gente”
– Almir Rouche
Patrimônio Vivo
Em 2010, o Maestro Duda foi agraciado com o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco. Desde então, recebe uma bolsa vitalícia no valor de R$ 1021,72. Como tem feito poucas apresentações, o auxílio governamental é a principal fonte de renda do músico, além de uma aposentadoria de R$ 724.

Poesia e música. Uma boa idéia para os prefeitos honestos

Os prefeitos que gastam tanta grana com embalos superfaturadas de cantores e bandas, não investem em bibliotecas, museus, academias de letras, publicação de livros, suplementos literários, arquivos públicos, grupos folclóricos, pesquisas históricas, orquestras sinfônicas. A dinheirama das secretarias de Cultura vem sendo roubada. Descaradamente. Confira 

Eis uma boa idéia. Escreve Patrícia Britto:

Poesias ganham som

Bárbara Eugênia

Bárbara Eugênia

e viram álbum gratuito na internet


Junte a inquietação de jovens inspirados, versos ousados e alguns instrumentos com a vontade de arriscar. O resultado dessa mistura está no primeiro disco virtual do projeto “Reversos – Instrumentalizando a Poesia”, prometido para ser lançado neste mês via Facebook, com link para download gratuito.
A coletânea reúne obras de 16 poetas que tinham sido publicadas na coluna Reversos, do site “NegoDito”. As poesias foram escolhidas por 26 músicos, que na maioria dos casos não conheciam os autores. Os compositores acrescentaram acordes, criaram melodias, arranjos e deram forma, ou melhor, som aos versos. Leia mais 
Conheça a música, a voz, a beleza de Bárbara Eugênia