EM NOME DOS PAIS

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por Gustavo Krause

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Em nome dos pais,
a natureza submeteria os seres vivos
a um único ritmo:
nascer, crescer, envelhecer e morrer.

Em nome dos pais,
a natureza seria regida por uma lei
com um artigo único:
“os filhos não morrerão antes dos pais”.

Em nome dos pais,
a criança seria eterna,
lambuzada em leite e mel,
de calças curtas, curtindo o desobedecer.

Em nome dos pais,
o rapaz imberbe seria terno,
envolto em rebeldia adolescente,
de sonhos largos, consumindo o amanhecer.

Em nome dos pais,
sua criatura seria um doce anjo.
Sem asas, não voaria para longe.
Caminharia sobre as nuvens da terra.

Em nome dos pais,
não haveria a morte injusta
da flor contida, da estrofe incompleta,
do poema inacabado, da vida por viver.

Em nome dos pais,
não subsistiria, no álbum da família,
a improcedência de um olhar sem brilho,
compondo a saudade do quadro.

Em nome dos pais,
mulher alguma sentiria a dor
da amputação total que é a dor
do “revés do parto”.

Em nome do Pai, dos filhos, dos santos espíritos,
da mão amiga, do verbo solidário,
Marcos Vilaça, pai, Maria, mater dolorosa,
continuam a amar; continuam a continuar

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Gustavo Krause, in livro Cantos & Contos, p. 228
Editora Expressão e Cultura, 2002

OS GENÉSIOS, POR NINA RIZZI

O Genésio é meu aluno da pós. Deve ter uns 60 e tantos anos.

E o Genésio chegou atrasado na aula porque tava fazendo hemodiálise.

E mesmo cansado, com sede, picado, dolorido e atrasado foi à aula ontem, um sábado ardido da cidade-solar.

E o Genésio me levou este presente: “Feliz Dia dos Pais, professora!”

nina rizzi

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Um salve pra todos os Genésios que lutam dia-a-dia pra ser o que querem, pra ser o melhor que podem; que são pais, que podiam ser, que queriam ser, que virão a ser.

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Falo baixinho pra não te acordar.

SILÊNCIO
por Núbia Nonato

 

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Falo baixinho pra não
te acordar.
Não me imponho, é bem
provável que não venha
a se lembrar.
Insisto em procurar no
seu rosto ossudo algo
de pai.
Insisto uma vez mais
ele recua, não me
conhece.
Toco de leve em suas
mãos e prendo a respiração
com medo da rejeição.
Minha alma corre em meu
socorro, é um menino,
é um menino…
Observo da porta, enquanto
ele se recolhe e faz um
meneio com a mão.
É hora de criança dormir…

 

Núbia Nonato

Núbia Nonato

Ficamos mais intolerantes com o avançar da idade?

No convívio do dia a dia com nossos entes queridos é que surgem as pequenas implicâncias. Precisamos entender que o humor vai mudando ao longo da vida, que limites físicos e psicológicos se instalam silenciosamente

 

É mais fácil sinalizarmos para os familiares o que nos incomoda oferecendo sugestões, do que disparar a lista de críticas

É mais fácil sinalizarmos para os familiares o que nos incomoda oferecendo sugestões, do que disparar a lista de críticas

 

por Elizabeth Ventura

 

icamos mais intolerantes com o avançar da idade? Temos menos paciência com as situações cotidianas? Aquelas que não nos irritavam antes?

No convívio com nossos entes queridos, com a família, justamente na rotina do dia a dia, é que surgem as implicâncias, as pequenas brigas, ou chateações. Às vezes, esses aborrecimentos se estabelecem entre as pessoas, por motivos pequenos: onde um deixou a toalha de banho, porque o outro não fechou a porta do armário, ou porque alguém na casa está ouvindo música num volume muito alto, etc.

Também acontecem conflitos quando um membro da família se aposenta e passa mais tempo em casa, alterando a rotina de quem já estava lá. Lógico que a dinâmica familiar mudou e, dependendo do temperamento das pessoas, o convívio pode ser mais ou menos tenso.

Diálogo para estabelecer novos contratos

Em qualquer situação, vale o diálogo, a conversa aberta e franca para estabelecer novos contratos. É mais fácil sinalizarmos para os familiares o que nos incomoda oferecendo sugestões, do que disparar a lista de críticas. Quem se coloca como “dono da verdade”, de forma inflexível, acaba se isolando, pois as outras pessoas também querem ser ouvidas, compreendidas.

Às vezes, ouço pessoas mais maduras dizendo que já suportaram muito na vida, que já aguentaram bastante e que, agora, na melhor idade, são mais livres, portanto, não precisam ouvir certas coisas.

Precisamos entender que o humor vai mudando ao longo da vida, que limites físicos e psicológicos se instalam silenciosamente. Se estamos sentindo dores pelo corpo, ou insegurança quanto a ficar sozinhos, se estamos sem atividades prazerosas ou desafiadoras, talvez sem que percebamos, nos tornamos rabugentos, sensíveis.

Mente ativa, corpo em movimento e amizades

Mais do que nunca, é fundamental manter a mente ativa, o corpo em movimento, mesmo em menor ritmo, sem deixar de lado os contatos sociais. Converse com antigos amigos, chame-os para um café, entre nas redes sociais, faça cursos.

Conviver, compartilhar ideias e ações, não é tarefa fácil, em nenhuma idade, pois o ser humano tende a ser egoísta, e cada um tem uma mania. No entanto, somos todos dependentes uns dos outros, e aprendemos muito com as diferenças . São elas que nos fazem crescer,questionar, reciclar nossos pensamentos.

Que tal exercitar mais tolerância e paciência? Que tal experimentar viver em paz? Pense nisso.

 

 

Elizabeth Ventura, psicóloga com especialização em Psicosíntese, terapeuta individual e de grupo, coordenadora do projeto ‘Permitir-se’, formação holística de base (UNIPAZ), colunista do Portal Terceira Idade

 

 

A carta de aniversário de Urariano Mota para a filha Luanda

Para Luanda e para quem se tornar refém da sua beleza

Para Luanda e para quem se tornar refém da sua beleza


Um belo dia, desses belos dias em que não sabemos o que nos espreita, nem o que nos aguarda na noite, no futuro ou na sua vedação, um belo dia, num desses belos dias que são belos somente pelo pouco mal que fazemos, um belo dia, em manhã semelhante à de hoje eu te disse, eu te escrevi quando tinhas 17 anos:

Se o coral é vermelho, há quem se espante. Se as pétalas em sua alquimia, em seu laboratório e cornucópia sufocam-nos, há quem se espante. Um raio que caísse agora e nos matasse, neste exato instante em que escrevo “um raio que caísse agora…”, muita gente disso se espantaria. Sem palavras, no entanto, deveríamos ficar ante esse maior espanto: um desabrochar que da flor guarda a semelhança deste verbo, desabrochar, um ser, que é uma pessoa mais importante que a preservação das florestas amazônicas, mais séria e organizada que a sobrevivência de todo pantanal, das garças às borboletas, das rãs que pulam no rio aos jacarés que passeiam com pássaros a bordo, uma senhorita mais fundamental que a sobrevivência nossa, dos chineses aos esquimós, dos mongóis aos europeus, dos negros aos caucasianos, por que disto ninguém se espanta?

E insatisfeito, despudorado, sem dar importância ao que outros diriam, acrescentei:

Se o tempo parasse agora, nesta exata clara manhã. Se a orquídea fosse a mesma orquídea hoje e sempre. Se o movimento das pétalas, se as cores das macias pétalas, se as formas e os perfumes e o frescor das pétalas fossem eternas, se este encanto para os olhos fosse imorredouro, ah, nem assim a orquídea, a rara flor do campo atingiria a graça do ser que és, menina que deixas a infância.

Pois saibas que nove anos depois, nove para mim, infinitos para ti, saibas que depois dessa imensa infinitude o meu amor mudou. Nada é estático, tudo está em ebulição, bem sabes. Mas é também da natureza viva, das coisas vivas, que a transformação tenha um caráter e um sentido, algo como uma predestinação, se por predestinação podemos entender o futuro do embrião, que sempre está em mudança. Em poucas palavras, senhorita, o meu amor mudou, mas guarda e preserva um caráter que eu não sonhava naquele belo dia, quando nada adivinhava da noite futura. Ele tem e guarda uma característica que agora compreendo: é amor esquisito e raro, porque amadurece e cresce com os teus anos. De sorte e de forma que bem podemos dizer, predizer, ver e sentir: quando eu tiver 100 anos, e tu, Luanda, 63, sabes o que dirão o que nos cercam, os que nos cercarão? Imagina, porque sei agora os rumores de toda a gente: – “Dizem por aí que são pai e filha, mas todos sabem que não passam de dois bons e velhos companheiros”.

Por isso, antes desse remoto futuro, concluo agora como há infinitos nove anos concluí:

no dia do teu aniversário, pediste-me primeiro Neruda. Fiquei contente, exultei. Depois, mais prática, achaste melhor ganhar um par de sapatos. Minha resposta foi um silêncio. Os sapatos se gastam, eu não te disse, porque talvez eu não fosse compreendido. Nada te dei. Agora espero que ao fim destas linhas me compreendas, porque assim te saúdo:

Luanda de Angola, Luanda dos negros, Luanda de todas as raças, esta canção é o presente que te fiz na força dos teus jovens anos.

EL ÁRBOL DE JASÓN

Portinari

Portinari

 

Por las mañanas suelo acompañar a mi hijo de nueve años al colegio. Un corto paseo que disfruto de compartir con él y que nos ofrece a los dos un mutuo buen humor para afrontar el día, a veces charlando de modo divertido – él es muy locuaz contándome con sumo detalle anécdotas de su universo; me fascina poder interpretar su percepción de nueve años de edad y le hablo sin adoptar con él ese modo de hablar que, en ocasiones, adoptamos los adultos con los niños, como si en vez de niños fuesen tontos; hablamos contagiándonos madurez y niñez el uno al otro, cosa que veo necesaria para los dos – o caminando en silencio, abrigados del frío otoñal, cogidos de la mano y dándonos de este modo nuestro cariño, un amor que no es equiparable, que mantiene diferencias de calidad: el tipo de sentimiento que mi hijo despierta en mí, él lo sentirá hacia el suyo propio en el caso que se decida por la paternidad cuando sea adulto; no es el mismo tipo de amor el de hijo-padre que el de padre-hijo. No es una cuestión de que sea mejor o peor, sólo es diferente y ofrece diferentes cosas del uno hacia el otro; pero nos sabemos unidos de un modo que está mucho más allá de las palabras.
 Hoy, tras cerrar la puerta de nuestra vivienda y comenzar nuestro paseo, me ha preguntado si conocía el árbol de Jasón. Pensé que se trataría de alguna leyenda mítica que le hubiesen referido en la escuela o de alguna especie botánica que igualmente desconocía. Le dije que estaba deseoso por conocer de que se trataba. “En la entrada del colegio, en el jardín, hay un pequeño árbol, protegido por una valla metálica que lo rodea y sembrado de flores alrededor. Delante tiene puesto un pequeño letrero agarrado a un hierro que se hunde en la tierra en el que se lee: “árbol de Jasón” y debajo, en letras más pequeñas pone “te quiero, papa”. “Le pregunté a un compañero de clase por el motivo de este árbol y me contó que hace unos pocos años en el parking del colegio un niño murió atropellado y que fue su padre el que plantó el árbol”.
Me quedé dubitativo ante como expresar mi tristeza y le pedí a mi hijo que cuando llegásemos a la escuela me mostrase el árbol; que era una historia muy triste, de ese tipo de cosas que pasan cuando una serie de nefastas coincidencias, tal vez también negligencias, se dan cita en un breve instante con dramáticas consecuencias. “¿A que te refieres?”, me preguntó. “Me refiero a que no habría intencionalidad por parte de nadie en que sucediese ese trágico incidente; podría haber sucedido de un modo similar a éste, imagina: el niño se suelta de la mano de su padre y va corriendo a decirle algo que ha olvidado a un compañero que se dirige por medio del parking con su madre para subir al coche. Y en un fatídico instante un conductor, quizá algo estresado porque se le va a quemar la comida que dejó en el fuego, arranca impetuosamente marcha atrás sin ver al niño por el espejo retrovisor. El resultado de esas coincidencias en ese breve segundo son lo que me acabas de contar”. “Si, entiendo, pero, “¿qué es eso de la negligencia?”. Bueno… tal vez debería haber estado alguien controlando que ningún niño  atolondrado corriese por el parking en el momento de la salida, cuando hay tanto trasiego de autos maniobrando. Una negligencia es un descuido o una omisión del deber que puede traer, como en este caso, graves consecuencias”. “Ah, vale, creo que debo estar atento ante estas cosas ¿verdad?”. Si, muchas veces los accidentes se pueden evitar si se está atento y no se mantienen actitudes negligentes”.
Cuando llegamos al colegio me condujo hasta el árbol de Jasón y ahí nos despedimos. Marchó hacia la fila donde debía colocarse para entrar de modo ordenado en el edificio.
Frente a mí un pequeño magnolio, tal y como mi hijo me había contado, vallado con una tela metálica verde sembrada en su perímetro de rosales que, en esta época del año, mediado el otoño, mostraban unas pocas flores de distintos colores. El letrero me conmovió. Un pequeño rectángulo metálico en el que, pintadas sobre fondo blanco, se leían  unas letras de color naranja pintadas a brocha con trazo torpe: “ÁRBOL DE JASÓN”, y debajo con letras negras y una brocha más fina: “Te quiero, papa”.
Me estremeció imaginar la escena del hombre deshecho garabateando con el pulso roto las letras en el cartel; verlo yendo al vivero a comprar la planta y cavando a continuación con la azada el agujero donde iba a depositar la memoria eterna de su hijo muerto. Por momentos me puse en la piel de este hombre; pensé en mi hijo, en nuestra felicidad y me aproximé a su desdicha. No puedo decir que lo sentí como en carne propia por que sería un acto irrespetuoso hacia él; esto sólo se puede conocer en verdad viviéndolo, pero me encontré muy cercano a ese profundo pesar y sentimiento.
Retomé el camino de vuelta a casa. Mientras caminaba mudó mi sensibilidad y comencé a sentir rabia, ira e impotencia. Hay muertes que se sufren más que otras. En mi opinión, cuando alguien se va porque su vida se ha agotado y ha cumplido las dos tareas básicas que, a mi entender, debe cumplir todo ser humano, (una subjetiva, y la otra objetivable: pasar una buena existencia sin que ello suponga hacer daño o crear dolor a los demás -tarea subjetiva – y conseguir poner los medios y esfuerzos suficientes para que los hijos también puedan conseguir la primera tarea – este es el trabajo objetivo – y, de paso, de este modo, dejar como herencia al planeta buenos hijos, tan importante como el asunto contrario) puede causar mayor o menor pesar, pero es el fin al que todos hemos de llegar. Cuando muere una persona joven es distinto; es simple, no ha podido cumplir ninguna de las dos tareas; pero cuando muere un niño es todavía más triste, no hay lamento que pueda jamás acallar ese aullido del corazón.
De aquí venían mis sentimientos antes mencionados, recordando cada vez que leo el periódico o escucho en un noticiero las barbaries ocasionadas en cualquiera de los muchos conflictos y dan las cifras de muertos, unas veces más elevadas, otras menos pero todas igualmente atroces, y siempre rematan la cantidad diciendo “y tantos (x) eran niños”.
Ira. No importa de donde vengan las calamidades, si vienen producidas por trastornados ebrios de religiosidad o si vienen de bombardeos producidos por las potencias occidentales para defender los intereses geopolíticos y económicos de su oligarquía, o como se dice ahora, plutocracia.
Rabia. Siento rabia al ver a todo el mundo tragándose las argumentaciones que los políticos exhiben para justificar lo injustificable, y mirar para otro lado, con la sangre fría, eso no va conmigo.
Impotencia. Si, desearía que toda esta gente a la que he descrito antes se dedicará a plantar árboles como el de Jasón en lugar de sembrar sangre y bombas enterradas entre cifras macroeconómicas y argumentos hipócritas de salvaguarda de la civilización, tildando de antisistema a todos aquellos que de una manera más o menos activa y organizada luchan contra todas estas barbaridades.
A las dos de la tarde fui a recoger a mi hijo al colegio. Normalmente no suelo hacerlo, viene en grupo, acompañado de otros escolares que residen cerca de nuestra casa, pero necesitaba cogerlo en brazos, darle un beso muy fuerte y pasear con él. Necesitaba con urgencia que me contagiase su alegría indisoluble.
Llegué unos minutos antes de que los niños saliesen vociferando y riendo de sus jaulas. Me acerqué de nuevo al árbol de Jasón. Un hombre se encontraba frente a él y le arrojó en la base un pequeño ramo de flores. Me puse a su lado y lo miré con condescendencia, como queriendo compartir su duelo. Le dije: “lamento profundamente lo de su hijo; el mío me contó hoy la historia y este árbol me ha acompañado durante toda la mañana, lo lamento de veras…”
Me miró. La humedad, preludio de un llanto contenido, asomaba en sus ojos y con voz grave y temblorosa me dijo: “no es mi hijo; yo atropellé a Jasón”. Hizo un gesto de gratitud por mis palabras, sacó unas pequeñas tijeras de podar y se dedicó a quitar las flores mustias de los rosales.
Cuando regresé a casa con mi hijo (él no paró de hablar durante todo el paseo, contándome todo aquello que le había parecido más relevante en su jornada escolar o en sus juegos con sus amigos, pero yo no tenía demasiada atención puesta en sus palabras) me enfrasqué en relatar esto que acabas de leer.

¿Qué debe saber un niño de cuatro años?

por Alicia Bayer /Bloguer en ‘A Magical Childhood’

 

Das crianças o futuro

Hace poco, en un foro sobre la educación de los hijos, leí una entrada de una madre preocupada porque sus hijos, de cuatro años y año y medio, no sabían lo suficiente. “¿Qué debe saber un niño de cuatro años?”, preguntaba.

Las respuestas que leí no solo me entristecieron sino que me irritaron. Una madre indicaba una lista de todas las cosas que sabía su hijo. Contar hasta 100, los planetas, escribir su nombre y apellido, y así sucesivamente. Otras presumían de que sus hijos sabían muchas más cosas, incluso los de tres años. Algunas incluían enlaces a páginas con listas de lo que debe saber un niño a cada edad. Solo unas pocas decían que cada niño se desarrolla a su propio ritmo y que no hay que preocuparse.

Me molestó mucho que la respuesta de esas mujeres a una madre angustiada fuera añadirle más preocupación, con listas de todo lo que sabían hacer sus hijos y los de ella no. Somos una cultura tan competitiva que hasta nuestros niños en edad preescolar se han convertido en trofeos de los que presumir. La infancia no debe ser una carrera.

Por todo ello, he decidido proponer mi lista de lo que debe saber un niño (o una niña) de cuatro años:

  1. Debe saber que la quieren por completo, incondicionalmente y en todo momento
  2. Debe saber que está a salvo y debe saber cómo mantenerse a salvo en lugares públicos, con otra gente y en distintas situaciones. Debe saber que tiene que fiarse de su instinto cuando conozca a alguien y que nunca tiene que hacer algo que no le parezca apropiado, se lo pida quien se lo pida. Debe conocer sus derechos y que su familia siempre le va a apoyar.
  3. Debe saber reír, hacer el tonto, ser gamberro y utilizar su imaginación. Debe saber que nunca pasa nada por pintar el cielo de color naranja o dibujar gatos con seis patas.
  4. Debe saber lo que le gusta y tener la seguridad de que se le va a dejar dedicarse a ello. Si no le apetece nada aprender los números, sus padres tienen que darse cuenta de que ya los aprenderá, casi sin querer, y dejar que en cambio se dedique a las naves espaciales, los dinosaurios, a dibujar o a jugar en el barro.
  5. Debe saber que el mundo es mágico y ella también. Debe saber que es fantástica, lista, creativa, compasiva y maravillosa. Debe saber que pasar el día al aire libre haciendo collares de flores, pasteles de barro y casitas de cuentos de hadas es tan importante como practicar la fonética. Mejor dicho, mucho más.

Pero más importante es lo que deben saber los padres:

  1. Que cada niño aprende a andar, hablar, leer y hacer cálculos a su propio ritmo, y que eso no influye en absoluto en cómo de bien ande, hable, lea o haga cálculos después.
  2. Que el factor que más influye en el buen rendimiento académico y las buenas notas en el futuro es que leer a los niños de pequeños. No las fichas, ni los manuales, ni las guarderías elegantes, ni los juguetes y ordenadores más rutilantes, sino que mamá o papá dediquen un rato cada día o cada noche (o ambos) a sentarse a leerles buenos libros.
  3. Que ser el niño más listo o más estudioso de la clase nunca ha significado ser el más feliz. Estamos tan obsesionados por tratar de dar a nuestros hijos todas las “ventajas” que lo que les estamos dando son unas vidas tan pluriempleadas y llenas de tensión como las nuestras. Una de las mejores cosas que podemos ofrecer a nuestros hijos es una niñez sencilla y despreocupada.
  4. Que nuestros niños merecen vivir rodeados de libros, naturaleza, utensilios artísticos y la libertad para explorarlos. La mayoría de nosotros podríamos deshacernos del 90% de los juguetes de nuestros hijos y no los echarían de menos, pero algunos son importantes: juguetes como los LEGO y las construcciones, juguetes creativos como los materiales artísticos de todo tipo (buenos), los instrumentos musicales (tanto clásicos como multiculturales), disfraces, y libros y más libros (cosas, por cierto, que muchas veces se pueden conseguir muy baratas en tiendas de segunda mano). Necesitan libertad para explorar con estas y otras cosas, para jugar con montoncitos de alubias secas en el taburete (supervisados, por supuesto), amasar pan y ponerlo todo perdido, usar pintura, plastilina y purpurina en la mesa de la cocina mientras hacemos la cena aunque lo salpiquen todo, tener un rincón en el jardín en que puedan arrancar la hierba y hacer un cajón de barro.
  5. Que nuestros hijos necesitan tenernos más. Hemos aprendido tan bien eso de que necesitamos cuidar de nosotros mismos que algunos lo usamos como excusa para que otros cuiden de nuestros hijos. Claro que todos necesitamos tiempo para un baño tranquilo, ver a los amigos, un rato para despejar la cabeza y, de vez en cuando, algo de vida aparte de los hijos. Pero vivimos en una época en la que las revistas para padres recomiendan que tratemos de dedicar 10 minutos diarios a cada hijo y prever un sábado al mes dedicado a la familia. ¡Qué horror! Nuestros hijos necesitan la Nintendo, los ordenadores, las actividades extraescolares, las clases de ballet, los grupos organizados para jugar y los entrenamientos de fútbol mucho menos de lo que nos necesitan a NOSOTROS. Necesitan a unos padres que se sienten a escuchar su relato de lo que han hecho durante el día, unas madres que se sienten a hacer manualidades con ellos, padres y madres que les lean cuentos y hagan tonterías con ellos. Necesitan que demos paseos con ellos en las noches de primavera sin importarnos que el pequeñajo vaya a 150 metros por hora. Tienen derecho a ayudarnos a hacer la cena aunque tardemos el doble y trabajemos el doble. Tienen derecho a saber que para nosotros son una prioridad y que nos encanta verdaderamente estar con ellos.

Y volviendo a esas listas de lo que saben los niños de cuatro años…

Sé que es natural comparar a nuestros hijos con otros niños y querer asegurarnos de que estamos haciendo todo lo posible por ellos. He aquí una lista de lo que se suele enseñar a los niños de esa edad y lo que deberían saber al acabar cada curso escolar, a partir del preescolar.

Como nosotros estamos educando a nuestros hijos en casa, yo suelo imprimir esas listas para comprobar si hay algo que falte de forma llamativa en lo que están aprendiendo. Hasta ahora no ha sucedido, pero a veces obtengo ideas sobre posibles temas para juegos o libros que sacar de la biblioteca pública. Tanto si los niños van al colegio como si no, las listas pueden ser útiles para ver lo que otros están aprendiendo, y pueden ayudar a tranquilizarnos sabiendo que van muy bien.

Si existen aspectos en los que parece que un niño está por detrás, hay que darse cuenta que eso no indica ningún fracaso, ni del niño ni de sus padres. Simplemente, es una laguna. Los niños aprenden lo que tienen alrededor, y la idea de que todos deben saber esas 15 cosas a una edad concreta es una tontería. Aun así, si queremos que las aprenda, lo que tenemos que hacer es introducirlas en la vida normal, jugar con ellas, y las absorberá de manera natural. Si contamos hasta 60 cuando estamos haciendo la masa de un bizcocho, aprenderá a contar. Podemos sacar de la biblioteca libros divertidos sobre el espacio o el abecedario. Experimentar con todo, desde la nieve hasta los colores de los alimentos. Todo irá entrando con más naturalidad, más diversión y muchas menos presiones.

Sin embargo, mi consejo favorito sobre los niños pequeños es el que aparece en esta página.
¿Qué necesita un niño de cuatro años?

Mucho menos de lo que pensamos, y mucho más.

Traducción de María Luisa Rodríguez Tapia

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Meu pai é uma espécie em extinção

por Alexandre Brito

pai

Brito

meu pai é uma espécie em extinção
dezenas de passarinhos o visitam diariamente
na sacada do apartamento

há um relacionamento de confiança entre eles
Cambacicas, Sanhaços, Saíras, Beija-flores
querem seu quinhão de água doce e guaraná

lê a Zero todos os dias
ouve o noticioso, assiste aos telejornais
não dá mais pra acreditar nos políticos
bandido brasileiro só é bandido no exterior
aqui é ministro, deputado, senador

preocupa-se com os netos, com os amigos
com parentes, o condomínio
comigo como se eu tivesse 48 anos
minha mãe não
pra ela não passei dos oito, treze, dezoito

os passarinhos fazem algazarra na sacada
querem mais do néctar que só ele faz
cada um tem um pai que o trouxe ao mundo
eu tenho um que ainda me traz