Três poemas de José Aloise Bahia

 

José Aloise Bahia. Clique na fato para ampliar

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Sonetos num corpo dilacerado

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Pelas fagulhas cortantes do desejo, de tão quente, queimam o rosto. Bambeiam as pernas. Faz amolecer os braços. Dispara a circulação. Ofega o pulmão. Decepa tudo. O tronco subsiste devido à presença do suco gástrico recheado de 14 linhas apropriadas contra o ataque de qualquer veneno disponível no campo do olhar.

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Novelo num carretel

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De uma infância distante e radical, onde rolavam cilindros dinâmicos, para um fluxo maduro: a desintegração num encontro explosível em manchas de cores aleatórias. Fundo, forma espaço — embate pessoal nas entranhas. Evidências do impossível no labirinto branco da tela revelam uma ponte: Minotauro palpitante.

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Vermelho

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lançam um pouco de tinta azul no céu
sugam o sangue daqueles que desconhecem
e esbaldando em formas e imagens — assim são alguns
desumanos, pelos quatros cantos do país indiferente às cores
tingem um quadro no céu, com pouco azul, verde, amarelo e branco
e sempre dançam em meio a uma tempestade impregnada de vermelho

 

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In Rascunho, Gazeta do Povo

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Três poemas de Nina Rizzi e uma foto de El Maria

El foto 7

 

 

o vermelho é a cor mais encarnada


 

pode tirar meus sapatos, amor:

o frio já vem em vindo.

 

 

 

bandeiriana, pensando em sinhá d’amora

minha sala tântrica de dormir

à entrada da praia.

ali levanto, ali me deito:

marias oceânicas, maresias atlânticas.

sombras do futuro, lombras de luanda.

o teto e o pára-peito.

 

amores rizzíveis

a gente não transou no papicu aquele dia.

todos nos olhavam. perplexos

você só queria uma fotografia.

eu, poesia.

Poesia Nina Rizzi

Retrato El Maria