Falo baixinho pra não te acordar.

SILÊNCIO
por Núbia Nonato

 

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Falo baixinho pra não
te acordar.
Não me imponho, é bem
provável que não venha
a se lembrar.
Insisto em procurar no
seu rosto ossudo algo
de pai.
Insisto uma vez mais
ele recua, não me
conhece.
Toco de leve em suas
mãos e prendo a respiração
com medo da rejeição.
Minha alma corre em meu
socorro, é um menino,
é um menino…
Observo da porta, enquanto
ele se recolhe e faz um
meneio com a mão.
É hora de criança dormir…

 

Núbia Nonato

Núbia Nonato

Visões d’amor (& amizade) 3

muro

O amor não tem muro que separe. O verdadeiro amor vence o tempo e o espaço. Não tem essa obrigação ou lei ou costume de ser da mesma tribo, da mesma cor, da mesma faixa etária, da mesma classe social, da mesma religião, do mesmo gênero e outros mesmismos. O amor é livre.
Talis Andrade

 

A TECNOLOGIA SEPARA AS PESSOAS?

Depende de como é usada. Em poucas semanas no face, reencontrei amigos, me aproximei de muitas pessoas que admiro, fiz centenas de novas amizades. Ontem, que para mim ainda é hoje, pois só chego amanhã (trabalhando, registre-se) recebi aqui tantas manifestações de carinho, tantas palavras bonitas, tantos incentivos que posso dizer foi o aniversário mais curtido da minha vida (desculpem o trocadilho, foi sem querer).
Viva a tecnologia que aproxima as pessoas.
Graças à internet, você só é uma ilha se quiser.
José Nivaldo Júnior

 

Todos os amigos são especiais, os de ontem, os de hoje, os de sempre.
Amigos de longa data, amigos feitos numa troca de olhar ou e mail.
Amigos cujas palavras soam como torrões de açúcar ou como trovoadas.
Amigos que partiram, amigos que sucumbiram as vicissitudes da vida…
A todos os amigos o meu bem querer, que ele jamais se esgote.
Núbia Nonato

 

MEDIDA

A medida do amor é ser deserto

e retomar a ausência inicial

de parte da memória devorada

do inconsciente profundo

axial

porque o real do amor é fragmentar-se

No decorrer do ciclo indefinido

em espirais do tempo diluído

à lembrança inconsútil

desvelar-se

Terêza Tenório

 

para-estar-junto

 

metaplágio para mítienka, em lugar de carta

enamorei-me

parece fizemo-nos sofrer mutuamente
mas tudo acabou. saindo
rebentei em riso e ainda
agora penso nisso muito alegremente

mas como podia eu saber
que não queria nenhum pouco?

é entretanto a pura verdade

como gostava e gozava tal amor!
como lhe quero bem ainda!
parto sem pesar! ah que saudades eu sinto!
mas talvez isso seja fanfarronice minha

há tanto tempo que te amo
talvez… não fosse amor […]

Nina Rizzi

 

Nina Rizzi, por Talis Andrade

Nina Rizzi, por Talis Andrade

Chão de Estrelas
Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Pareciam estranho festival!
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas os astros, distraída,
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão
Sílvio Caldas

 

 

 

 

Poesia de Núbia Nonato

Meu Jardim de Raquel Taraborelli

Meu Jardim  Raquel Taraborelli

 

Meu jardim

No meu jardim tem flor
tem formigas, tem beija-flor.
No meu jardim tem sol
tem trepadeira, tem girassol.
No meu jardim tem magia
e nada se repete dia a dia.

 

Embornal

Dei-me conta de que tudo
que tenho cabe num
embornal.
Desde quinquilharias a
argumentos que sacrifiquei.
Uma antiga pulseirinha de
contas de cristal, um artigo
de um velho jornal.
Fotos para avivar as lembranças
e poesias…ah… as poesias,
abençoadas sejam, me revestem
enquanto as intempéries tentam
fustigar a minha essência.

 

Quisera

Ando meio cansado desse mundão
Quisera eu ser louco o bastante
pra me encaixar.
Quisera eu pudesse me entregar
a essa insanidade coletiva e me despojasse
de minhas quimeras.
Quisera… sou poeta, não mordo
ninguém.
Na tarja que me rotula, não ofereço
perigo, sucumbo toda vez que a Lua
cansada cede a vez para o Sol.