Humberto Teixeira, poeta e compositor

O primeiro aparelho com capacidade para gravar sons mecanicamente, foi o fonoautógrafo, desenvolvido em 1857 por Edouard-Leon Scott, no entanto não era capaz de reproduzir os sons gravados. Uma das suas primeiras gravações, Au Clair de la Lune, uma canção popular francesa, foi convertida em som digital em 2008. Acredita-se ser a mais antiga gravação reconhecível existente de uma voz humana.

LETRA&MÚSICA

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Virou costume uma pessoa escrever a letra, musicar, tocar e cantar. Este assobiar e chupar cana enriquece os cantores empresários e a música repeteco cada vez mais ruim e as letras mais pobres ainda. Antigamente os poetas eram musicados por um Villa Lobos. Escute esta modinha aqui.

Humberto Teixeira vem sendo injustamente esquecido.
Escreve Moacir Japiassu:

O considerado Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal em Brasília, de cujo banheiro, em subindo-se nas bordas do vaso sanitário, observa-se a súcia de políticos a dividir letra e música da mais sonora sem-vergonhice, pois nosso Mestre enviou aqui para a sede o seguinte preito de justiça:

Em “A linguagem do Rei Luiz”, publicado no nº 37 da revistaConhecimento Prático da Língua Portuguesa, não há – exceto em um quadro: “Um panorama do léxico de Luiz Gonzaga” –  referência a Humberto Teixeira, parceiro do músico, qualificado como “o Rei do Baião”. 

Salvo melhor juizo, embora os dois fossem extremamente ligados entre si, creio que Luiz Gonzaga era mais o intérprete das músicas e Humberto Teixeira o autor das letras, pelo que deveria ser destacado

 

Boa pronúncia

por Moacir Japiassu

O momento mais divertido da transmissão de Brasil 3×0 Suécia foi a pronúncia de Galvão Bueno: Estocôôôlllmo. Janistraquis tem certeza de que, também para o poderoso narrador (ele solta e manda prender, como os coronéis de Jorge Amado), o nome de grelha é grêlha e deve-se dizer “ao invês”, em lugar de “ao invés”, como, aliás, costuma falar o pessoal do rádio e da TV.

Echos olímpicos

– Narrador do Sportv na luta de Esquiva Falcão contra um espanhol nas semifinais do boxe: “O brasileiro está muito mais agressivo! No bom sentido, é claro”.

Janistraquis não parece ter entendido a, digamos, ressalva: “Somente um surto de afronésia faz alguém dizer que um lutador de boxe está mais agressivo ‘no bom sentido’, né não?”

— O considerado Álvaro Borgonha, diplomata, jornalista, poeta e cidadão do mundo, envia de seu apartamento num hotel cinco estrelas de Londres esta frase que, segundo ele, resume a participação brasileira nas Olimpíadas:

“Fomos mal na vara, mas levamos na argola.”

— Na luta de boxe entre o cara do Azerbaijão e o italiano, o narrador da Espn disse:

“O juiz adverte verbalmente o lutador…”

Janistraquis reagiu:

“Ora bolas, a advertência tinha que ser verbal, pois no boxe não existe cartão amarelo…”

Pelada esquisita

Era um jogo tão vagabundo, mas tão vagabundo, que o maior tempo de posse de bola era do gandula.

(Transcrevi trechos)

 

“Veja” acende a luz vermelha: cuidado com o grego que há no fundo de todo atleta!!!

por Moacir Japiassu

(trechos da coluna Jornal da ImprenÇa)

 

O considerado Maximo Echeverria, repórter em São Paulo, envia de seu escritório na Av. Paulista esta ofensa exibida na capa do site da revista Veja:

No fundo de todo

atleta há um

grego valentão

O leitor/colaborador não fez comentário algum, porém Janistraquis manifestou justíssima preocupação:

“Não gosto dessas generalizações, pois ninguém vai me convencer de que um daqueles machões do levantamento de peso tenha algum grego a lhe chegar por trás. Todavia, precisamos saber quem foi que chegou no fundo do Diego Hipólito e o empurrou para o desastre na ginástica-solo das Olimpíadas!”

É verdade, pois a lamentável queda do rapaz denuncia o tamanho descomunal do tal fenômeno descoberto por Veja.”

 

Raí mais Zeca

Percorre a internet a “notícia” segundo a qual o craque Raí deixou a família para viver resplandecente romance com o apresentador da Globo, Zeca Camargo. Este não se manifestou até agora, mas aquele que jogou muita bola no São Paulo, no Paris Saint Germain e na Seleção Brasileira, ficou indignado e resolveu processar o autor do presumido boato.

 

Janistraquis, veterano dos tempos em que um homem assanhado deixava a mulher pela amante, ficou impressionadíssimo, não pelo fato em si, mas pela reação do craque:

 

“Com mil demônios! Nos dias atuais, lê-se, vê-se e escuta-se que a homossexualidade é linda, a Parada Gay reúne até crianças e as mulheres mais, digamos, evoluídas sonham ter filhos com a “opção” sexual. Aí, quando publicam uma história como essa do Raí mais o Camargo, a coisa se transforma em escândalo, dá até processo, talvez dê cadeia e multa por danos morais!!! Não dá pra entender…”

 

Faça o teste!

O considerado Eliakim Araújo, vascaíno ilustre e mais bela voz das américas, editor nos EUA, onde mora, do site Direto da Redação, envia o mais moderno Teste de Alzheimer.

 

Complete rapidamente as palavras:

 

 

_ARALHO

 

V_ADO

 

_ _ CETA

 

_ERDA

 

POR_A

 

F_DA

 

_O_OTA

 

Pronto? Sem roubar, hein!!!

 

(Confira as respostas no Blogstraquis.)

 

Moacir Japiassu, Joel Silveira, Rubem Braga e a Tribuna da Imprensa: A Poesia é necessária

Publica a Tribuna da Imprensa:

Uma certa quantidade de gente à procura de gente

Lembre-se de Rubem Braga e divulgue que a poesia é necessária. O jornalista Joel Silveira passou a fazer isso, quando nosso amigo Braga morreu, e agora somos nós que seguimos a trilha desses dois mestres.

Conheça hoje um extraordinário poema do poeta e pintor português Mário Cesariny (1923/2006).

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UMA CERTA QUANTIDADE

Uma certa quantidade de gente à procura
de gente à procura duma certa quantidade

Soma:
uma paisagem extremamente à procura
o problema da luz (adrede ligado ao problema da vergonha)
e o problema do quarto-atelier-avião

Entretanto
e justamente quando
já não eram precisos
apareceram os poetas à procura
e a querer multiplicar tudo por dez
má raça que eles têm
ou muito inteligentes ou muito estúpidos
pois uma e outra coisa eles são
Jesus Aristóteles Platão
abrem o mapa:
dói aqui
dói acolá

E resulta que também estes andavam à procura
duma certa quantidade de gente
que saía à procura mas por outras bandas
bandas que por seu turno também procuravam imenso
um jeito certo de andar à procura deles
visto todos buscarem quem andasse
incautamente por ali a procurar

Que susto se de repente alguém a sério encontrasse
que certo se esse alguém fosse um adolescente
como se é uma nuvem um atelier um astro

Mário Cesariny, in “Pena Capital”

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 Transcrevo coluna do Jornal da ImprenÇa de Moacir Japiassu. Que sempre começa com um poema.
Japiassu está no time dos grandes jornalistas que amam a poesia. Uma presença que substitui os fechados suplementos literário dos jornalões, que a partir do golpe de 64 decidiram declarar morte aos poetas.
Poesia não combina com ditadura.
Transcrevo a parte.

Alberto Dines: assessor de imprensa de políticos não pode ser tratado como jornalista

por Moacir Japiassu

Opinião do jornalista é destaque da edição desta semana do ‘Jornal da ImprenÇa’, coluna editada por Moacir Japiassu e publicada  no C-SE às sextas-feiras


O relógio estende o próprio tempo
e revela seu segredo,
mastiga os minutos em silêncio
e acompanha o ressonar da noite.
(Celso Japiassu in Um traço desenhado pelo vento.)

 

Jornalista histórico, Mestre de todos nós, o considerado Alberto Dines escreveu no Observatório da Imprensa:

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que examina as atividades e conexões do empresário-contraventor Carlos Cachoeira esbarrou novamente em um profissional de comunicação, o radialista Luiz Carlos Bordoni, que nos últimos 14 anos trabalhou em campanhas eleitorais para o atual governador goiano, Marconi Perillo (PSDB).

(…) a mídia, desnorteada como sempre, oferecia farta cobertura dos bate-bocas sempre apresentando a testemunha como “jornalista”.

O problema não é Bordoni, é a sua identidade profissional. Em países onde a imprensa é rigorosa e conserva um mínimo de autoestima, jornalistas (ou radialistas) não trabalham para candidatos. Quem faz isto são as empresas de relações-públicas, marketing político e assessorias de comunicação devidamente caracterizadas.

(…) Jornalista (ou radialista) faz a cobertura de eleições, não presta serviços a candidatos. Jornalistas (ou radialistas) têm compromissos com os respectivos leitores (ou ouvintes), assessores só prestam contas aos contratantes. Ambos produzem informações: as dos jornalistas devem ser rigorosamente objetivas, as dos assessores também podem ser objetivas, desde que atendam antes aos interesses dos pagantes.

Leia aqui a íntegra do artigo que deixou o pessoal mais agitado do que gato em dia de faxina.

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Celso Japiassu

Leia no Blogstraquis a íntegra do poema cujo fragmento encima a coluna. Faz parte de um novo livro que o poeta entalha e cinzela como o escultor à sua obra.

 POEMA DE CELSO JAPIASSUUM TRAÇO DESENHADO PELO VENTODeita o dia e a escuridão
define a silhueta de um retângulo.
Meninos assombrados investigam
as bordas do sono.Tecido na vertigem,
o espaço dos bordados aparece
enquanto insetos se movem
e o quarto absorve os movimentos.

O relógio estende o próprio tempo
e revela seu segredo,
mastiga os minutos em silêncio
e acompanha o ressonar da noite.

O afogado respira, move-se no ar,
os gestos aproximam-se de um rosto
e a escuridão marca o ritmo da fala,
cerra seus olhos e toca sua boca.

Os meninos andam sobre as cores
que tingem o caminho das águas
e lambem as gotas de orvalho
represadas nas pétalas de um lírio.

Relêem confissões, a tempestade
os adormece, eles percorrem labirintos
enquanto assistem ao despertar do dia
num traço desenhado pelo vento.

 

Nota dez para “Rascunho”

O único jornal literário do Brasil

por Moacir Japiassu

O considerado Rogério Pereira, criador e diretor do Rascunho, único jornal brasileiro inteiramente dedicado à literatura, contou a história desta ousadia que completou 12 anos, história deverasmente impressionante porque acontece num país de analfabetos. Disse ele na longa entrevista:

(…) Reuni um grupo de amigos para criar um jornal literário(…). Não poderia fazer um jornalzinho de literatura. Era preciso fazer o ‘melhor jornal de literatura do Brasil’, mesmo sem nenhum dinheiro, pouquíssima visibilidade e conhecimentos mais do que frágeis.

Enfim, uma aventura como outra qualquer, cujos prejuízos seriam mínimos. Mas a aventura deu certo. O Rascunho cresceu, tomou corpo, importância, e hoje é, apesar da arrogância do slogan, ‘o jornal de literatura do Brasil’”.

Leia aqui a entrevista concedida a Josélia Aguiar, de Livros Etc da Folha.com.

Nas redações e no PT: “Até sentem orgulho do analfabetismo”

Moacir Japiassu entrevista a Anderson Scardoelli

Moacir Japiassu

Moacir Japiassu

Que avaliação você faz da qualidade do jornalismo brasileiro, do seu início no Correio de Minas até o momento atual?

Escrevíamos melhor, muito melhor; era bacana dar um furo, porém os colegas respeitavam mesmo aqueles que escreviam bem. E não havia muitas escolas de jornalismo, a meninada aprendia com os veteranos das Redações. Hoje, se tudo fica mais fácil com a internet, o talento continua a fazer a diferença. “Nada substitui o talento”, diz aquele anúncio.

Como você espera ver o jornalismo daqui a dez anos? Domínio da internet, fim do impresso?

Não tenho a pretensão de “ver” o jornalismo daqui a dez anos. Posso apenas imaginar que teremos o domínio da internet, sim. Não creio que o jornalismo impresso aguente a concorrência, principalmente com a proliferação desses aparelhinhos que se leva no bolso e são conectados aos satélites, esteja o usuário onde estiver.


Transcrevi trechos. Leia mais

O escritor não tem a devida atenção e respeito no Brasil

Gosto de dizer que Moacir Japiassu é meu mestre. E ele é mais jovem. Quando Japiassu entrou no jornalismo em 1962, eu já era puta velha.
Que jornalista nasce feito. Não é coisa de se aprender.

Este jeito de ser começa cedo. Pelo vício de ler livros e mais livros. Minha avó paterna dizia: – “Esse menino vai ficar doido de tanto ler”. Fiquei.

Tanto que meu primeiro emprego foi em uma redação. No batente encontrei meus primeiros professores. Um bom jornalista a gente conhece pelo faro. Eis o aprimoramento: a troca de informações e, principalmente, a leitura dos bons textos, e escrevendo, e escrevendo. A gente termina encontrando um estilo.

Sou leitor de Moacir Japiassu. Por gosto e exemplo.

Moacir formou várias gerações. Principalmente quando aponta um erro. Se a literatura brasileira tem um Agripino Grieco, propositadamente esquecido pelos acadêmicos; a imprensa brasileira conta com Japiassu.

Na entrevista concedida a Anderson Scardoelli, o título define o editor do Jornal da ImprenÇa: “Moacir Japiassu despreza a burrice”.

Antes de ser disciplina das escolas de Jornalismo, Japi praticava o criticism journalism.

Moacir Japiassu completa 50 anos no jornalismo

Moacir Japiassu completa 50 anos no jornalismo

Escreve Anderson Scardoelli:

Última semana de março de 1962. Um jovem – cansado de discutir com o pai que não aceitava ver o filho o dia inteiro lendo romances – decide fazer teste para integrar a Redação do Correio de Minas. Foi aprovado, o garoto de 19 anos era oficialmente repórter do diário então recém-lançado em Belo Horizonte. Cinco décadas depois, o rapaz dos anos de 1960 se transformou em jornalista com passagens pelos mais diversos meios e veículos de comunicação. Cargos de copydesk a editor-chefe de programa da Rede Globo fazem parte do currículo deste profissional.

Jornalista que soma funções e passagens por mais de 20 veículos de comunicação – trabalhando em jornais, revistas, emissoras de TV e rádio e escrevendo para sites. Editor-chefe do ‘Fantástico’ (Globo), repórter especial de política do Jornal da Tarde, apresentador da Record e âncora da CBN exemplificam seu desempenho multimídia. Atuação que vai além das notícias do dia a dia. Apaixonado pela literatura também se dedicada a escrever livros, apesar de considerar que o escritor não tem a devida atenção e respeito no Brasil. Ainda mais com três mandatos consecutivos do PT na presidência da República. “Até sentem orgulho do analfabetismo”, afirma.

Assim é o paraibano de João Pessoa, Moacir Japiassu, o Japi. 69 anos de idade com 50 dedicados à comunicação. A comemoração de cinco décadas atuando no jornalismo foi realizada na semana passada – sim, esse é o jovem que na década de 1960 entrou na Redação para ter chance de continuar próximo dos livros sem ter que discutir com o pai. Um dos resultados dessa escolha: vencer o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa de 1999, devido ao trabalho à frente da revista Jornal dos Jornais.

A festa dos oitenta anos do nosso mestre Alberto Dines

por Moacir Japiassu

Alberto Dines

Alberto Dines

Alberto Dines é um dos mestres de minha geração e foi lá no JB dirigido por ele que passei os melhores anos de minha vida profissional, entre 1964 e 1967. Quando anunciei aos companheiros que iria trabalhar no Grupo Manchete, o grande Oldemário Touguinhó me avisou: “Abre o olho, tu vai te arrepender…”.

Me arrependi.

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Veadagem

Dois profissionais de respeito, Carla Biancha Angelucci, 37 anos, presidente do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, e Humberto Verona, 55, presidente do Conselho Federal de Psicologia, juntaram-se para escrever um artigo na Folha, no qual criticam a pretensão evangélica de “curar” a veadagem, pois Não cabe cura para quem não está doente, segundo informa o título do artigo.

Até aí morreu o Neves (aquele procurador de Uberlândia que quer proibir o Dicionário Houaiss); o diabo é que os dois ilustres psicólogos deram-se as mãos para escrever, numa das mais dolorosas passagens do texto:

“(…) em nenhum momento fica proibido o atendimento psicológico à homossexuais.”

Assim mesmo, com crase, esta que não existe para humilhar ninguém, segundo a lição de quem sabe — o jornalista e poeta Ferreira Gullar.

Todavia, Janistraquis preferiu implicar com outra, digamos, reentrância do artigo:

“Por que não se pode ‘curar’ uma bichona louca? Só porque abanar o rabo não é doença? Esse pessoal não acredita em milagre fora da igreja católica; santo pode fazer os mais rebolativos milagres e os evangélicos não podem. Isso é discriminação, e, se o pastor for afrodescendente, trata-se também de racismo!!!”

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Nota dez

Ao defender o “concorrente”, como lembrou um bem-humorado comentarista, o considerado Aurélio Paiva, diretor-presidente do Diário do Vale, escreveu no seu jornal sob o título O absurdo do pedido de confisco do Dicionário Houaiss pelo MPF:

“Antônio Houaiss morreu em 1999 aos 83 anos. Melhor assim. Se estivesse vivo hoje, com 96 anos, é possível que estivesse sendo processado por racismo pelo Ministério Público Federal de Uberlândia. (…)

Nenhum dicionário permanecerá nas estantes de livros deste país se a saga iniciada pelo MPF de Minas Gerais prosperar. Em todos há incontáveis verbetes que registram tons pejorativos a determinados segmentos sociais. Não aprovam tais significados, registram e, de certa forma, até o reprovam ao indicar sua pejoratividade. Mas, pela tese do MPF mineiro deverão ser devidamente recolhidos das livrarias.

Vivemos uma era de absurdos no país. Não creio que haja precedente histórico de um órgão federal pedir à Justiça que mande recolher dicionários em livrarias por qualquer razão que fosse. Quanto mais por discordar do conceito de um verbete.”

Clique neste endereço e leia a íntegra do texto de Aurélio Paiva, o qual também recorda alguns dos mais sórdidos episódios da intolerância com os livros na história da humanidade.

 

Transcrevi trechos do Jornal da ImprenÇa

Janistraquis exige cadeia para assassinos do idioma

Moacir Japiassu

E vivemos partindo, ela de mim

E eu dela, enquanto breves vão-se os anos

Para a grande partida que há no fim.

(Vinicius de Moraes in Soneto de Carnaval)

 

 

 

O considerado Youssef Ibrahim, ilustre jurisconsulto, nosso correspondente no Vale do Paraíba, envia de um de seus escritórios às margens da Via Dutra:

Na hora do almoço eu ouvia a Rádio Jovem Pan AM quando um oficial PM, encarregado do comando da operação de resgate das vítimas do desabamento do prédio em São Bernardo do Campo, me solta as seguintes pérolas:

“Prédio que veio a colapsar”… e “andares que colapsaram”.

 

Ai, ai… O verbo colapsar, segundo pesquisei, ainda não tem registro na linguagem culta, mas agora, neste país em que o MEC distribui livro que “ensina” que “nóis vai e nóis pesca o peixe e nóis frita o peixe e óia o gato, e depois nóis come o peixe” é forma que não deve ser corrigida pelos professores, sob pena de traumatizar o aluno com preconceito linguístico (que cazzo será esse treco?); é de se pensar em incorporar o verbo aos manuais de Língua Portuguesa, né não?

 

Alarmado, Janistraquis gaguejou como Heródoto Barbeiro:

“Data venia, doutor Youssef, porém acho que em vez de se incorporar o verbo colapsar aos manuais, melhor seria incorporar os, digamos, usuários, às Casas de Correção espalhadas pelo país, as quais vivem ermas de assassinos do idioma.”

 

Por conta

O considerado Agenor Carvalho de Miranda, professor paulistano, envia o parágrafo inicial de artigo publicado naFolha:

SÃO PAULO – Como estou até agora respondendo a e-mails indignados por conta de minha coluna de domingo, em que procurei mostrar que a noção de alma encerra vários problemas, acho oportuno desfazer alguns equívocos mais comuns.

Miranda reprovou:

“Não é possível que um intelectual tão íntimo de almas e miasmas cometa o mesmo erro de focas e cretinos em geral! A criatura responde a e-mails indignados por conta da coluna! Refiro-me a Hélio Schwartsman, autor do lamentável texto intitulado Fé e ciência, do jornal de 15/2, que se mete a entender de tudo mas ainda não sabe a diferença entre por conta e por causa. Deveria aprender isso antes de ‘desfazer alguns equívocos mais comuns.'”

Janistraquis também não deixou barato:

“E Schwartsman é um desses que os publicitários chamam de ‘formadores de opinião’… É ou não é de lascar?!?!?!”

De membros

O considerado Hugo Caldas, amigo de infância em João Pessoa, naquele tempo em que os ministros de Estado eram pessoas decentes, pois Hugo, hoje professor de inglês no Recife, envia esta chamada de primeira página doJornal do Commercio de 15/2:

“Dilma Rousseff vai trocar cinco membros”

Hugo achou muitíssimo estranho:

“Dois braços e duas pernas perfazem quatro membros.

Qual seria o quinto? A não ser que… melhor deixar pra lá!”

 

(Transcrevi trechos)


NA TORCIDA POR JOSÉ TRAJANO

por Moacir Japiassu

Moacir Japiassu

Moacir Japiassu

Preciso de uma palavra,

uma só palavra rogo,

como quem pede uma esmola.

(Abgar Renault, 1901/1995)

Estamos a pensar no Trajaninho, que costumava agitar a Redação do Jornal do Brasil dos anos 60. Era um menino de 17 para 18 anos, repórter esportivo, torcedor do América. Brigão, entusiasmado, divertido.

Um dia, em meio a uma de suas performances, o editor de turfe, apelidado de Soneca por causa do olhar à Onassis, gritou lá de seu canto:  “Trajano, você tá precisando é de uma boca-de-cabelo!”. Todos caímos na gargalhada, inclusive o menino, que era mesmo impossível.

José Trajano Reis Quinhões, o jovem Trajaninho do velho JB, é um personagem fascinante. Para derrotá-lo, somente um infarto do tipo “amazônico”. A coluna envia-lhe um abraço solidário.

Ivan Angelo

O considerado Ivan Angelo, velho amigo e companheiro do Jornal da Tarde dos anos 1970, escritor cujo verbo é dos mais escorreitos do Brasil, vai lançar na terça-feira, 29/11, o livro Certos Homens (Arquipélago Editorial), uma seleção de seus melhores textos. 

A noite de autógrafos, que começa às 19 horas, será na Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho, 915. 

Boas frases

O considerado Álvaro Borgonha, jornalista paulistano, envia a “frase da semana”:

“A ocupação da Rocinha foi um sucesso.

Quando será a ocupação de Brasília?”

Outra versão (contraditória) percorre a internet:

“Quando será a desocupação de Brasília?”

Pechincha

A livraria virtual de Caros Amigos anuncia a obra daquele implacável procurador da República conhecido como Torquemada:

SOCIALISMO – Uma Utopia Cristã

De Luiz Francisco Fernandes de Souza

“O autor mostra de modo convincente que até a metade do século XIX o socialismo ostentava uma clara inspiração religiosa, especialmente cristã. Foi só depois do Manifesto de Marx e Engels que o socialismo se afastou de suas fontes religiosas.”

Páginas: 1.149 – De R$ 90,00. Por R$ 49,50.

Janistraquis considerou uma pechincha:

“Livro de 1.149 páginas por R$ 49,50 dá quatro centavos por página! Tão barato, nem no sebo nem na xepa!”

(Leia aqui o que o considerado Augusto Nunes escreveu sobre o nosso Torquemada em 28 de julho passado.)

La campagne

Chevron — Quando escutou pela primeira vez o nome dessa empresa responsável pelo vazamento de petróleo no Rio, Janistraquis achou que fosse uma fabricante francesa de queijo de leite de cabra.

Salvar o euro

Do sociólogo espanhol Manuel Castells em La Vanguardia, citado no Ex-blog de César Maia:

(…) Na realidade, não se trata de salvar o povo, mas de salvar o euro, como se fossem a mesma coisa. Por que tanto interesse? E de quem?

Porque dez dos 27 membros da União Europeia vivem sem o euro e algumas de suas economias (Reino Unido, Suécia, Polônia) são muito mais sólidas que a média da União Europeia?

Defender o euro até o último grego é a primeira linha de defesa para uma moeda que está condenada porque expressa economias divergentes e que não têm um estado que as respalde. 

Abgar Renault

Leia no Blogstraquis a íntegra de Como quem pede uma esmola, cujo fragmento encima a coluna. Abgar Renault (1901/1995), mineiro de Barbacena, é um dos maiores poetas da língua portuguesa e deve ser mais conhecido, pelo menos  por pessoas de bom gosto.

Errei, sim!

“JORNAL DE BAITOLAS – O leitor Damásio Pedroso, de São Paulo, pergunta: ‘É verdade que o Jornal da Tarde é inteiramente feito por homossexuais? O senhor, que é cronista do descarado vespertino, o que tem a dizer?’

Isso é puro folclore, Damásio, e começou após um raro incidente, há alguns anos. Acontece que, para ocupar uma vaga na Editoria de Variedades do jornal, apresentaram-se 32 candidatos. Todos do sexo masculino e, desses, apenas um era homossexual declarado. Pois escolheram o tal rapaz, veado feiíssimo, logo apelidado de Cara de Homem.

Na verdade, o JT não é nem nunca foi feito apenas por baitolas.” (outubro de 1987)  

Transcrevi trechos do Jornal da Imprença de Moacir Japiassu