Adultização da criança e a sexualidade precoce

Nas favelas são comuns os casamentos de meninas de doze e treze anos. E há décadas que as principais televisões brasileiros promovem programas de calouros infantis. Acrescente os concursos de miss infantil, o recrutamento de crianças para desfile de moda e elenco de telenovela. O trabalho infantil existe nos mais insuspeitos lugares da classe média.

Quando as coisas acontecem nas classes baixas, aparecem as repentinas e fugazes investigações. Quando este Brasil imenso jamais evitou o recrutamento da criança soldado, e nada se faz para recuperar as 250 mil prostitutas infantis, para a Unesco e Polícia Federal, ou 500 mil para diferentes ONGs.

As manchetes para combater o tráfico sexual de crianças aparecem por motivos mais políticos e partidários e sensacionalistas. Falta uma campanha que vise a integração familiar, que começa com uma moradia digna, em um espaço urbano com os ser√iços essenciais funcionando, como uma escola que preste, que o estado pode oferecer um ensino melhor do que qualquer empresa privada. E nas escolas, as presenças de assistentes sociais, psicólogos, assistência médica etc.

A onda funk de crianças e adolescentes constitui apenas um reflexo da degeneração da música brasileira, que pontua as audiências de nossas televisões. Que música se toca em programas como BBBrazil, para um único exemplo?

MC Melody, oito anos, funkeira

MC Melody, oito anos, funkeira

Destaque no R7: A maior polêmica da semana foi, sem dúvida, o caso da funkeira mirim Mc Melody. O pai de Melody sofreu com críticas e foi acusado de exploração infantil por alguns internautas. Depois, o caso foi para no Ministério Público, que deve investigar a acusação de sexualização da garota de 8 anos de idade. No entanto, em entrevista ao R7, os empresários de Melody, Mc Brinquedo e outros funkeiros mirins disseram não ter medo dessa investigação

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

O pai de MC Melody também explica que são mentirosas as informações de que a cantora lucra cerca de R$ 40 mil por mês com shows.

— Embora haja procura, ela não faz shows. Se apresentou uma vez em uma matinê e outra vez em uma festinha. Se ela fizesse shows, não estaria ganhando apenas R$ 40 mil. Com o tanto de convite que ela tem, daria para tirar uns R$ 100 mil ou mais. Porém, até hoje, ela não lucrou um centavo.

Belinho desafia as pessoas que dizem que ele sustenta a família às custas do sucesso de Melody a postar alguma imagem de show da cantora.

— Por que você acha que todo mundo só pública aquele vídeo dela dançando Quadradinho de Oito? Porque não existe outra imagem dela em show. Simplesmente porque ela não faz.

Funkeiros mirins: sexualização precoce ou reflexo do cotidiano?

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

Publica Zero Hora, reportagem assinada por Gustavo Foster

No clipe de Quarteto Diferenciado, os MCs Brinquedo e Pikachu são mostrados como celebridades ao lado de Bin Laden e 2K. Os quatro causam histeria e têm suas músicas cantadas pela legião de fãs que os espera em frente a uma casa. Porém, dentro da limusine branca em que são transportados, a coisa muda: enquanto os dois últimos têm à disposição garrafas de vodka, os primeiros tomam suco em caixinha e Toddynho, respectivamente. Isso porque Brinquedo tem 13 anos, e Pikachu, 15 – não é à toa que os nomes artísticos remetem elementos da vida infantil.

“Roça, roça, roça o peru nela, que ela gosta” (Roça Roça – MC Brinquedo)

Brinquedo e Pikachu são dois dos pivôs de uma polêmica nem tão recente que chegou ao Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira. Um inquérito aberto pelo promotor Eduardo Dias de Souza Ferreira pede que se investigue possível “violação ao direito ao respeito e à dignidade de crianças/adolescentes” nas músicas e apresentações de MC Melody (alvo principal do inquérito), de oito anos, além de MC Princesa, MC Plebeia e dos quatro membros do quarteto diferenciado. Para a promotoria, haveria “impacto nocivo no desenvolvimento do público infantil e de adolescentes, tanto de quem se exibe quanto daqueles que o acessam”.

Mais famoso entre os sete, MC Brinquedo é celebridade na internet. Sua frase “meça suas palavras, parça” virou meme. Em suas letras, sempre bem-humoradas, ele não se furta de falar sobre sexo: Roça Roça fala sobre um caipira que não faz sucesso com as mulheres (“a novinha não me quer só porque eu vim da roça, roça o peru nela que ela gosta”), Vice-Versa é quase ingênua (“no pique do vice-versa: pepeca no pau, pau na pepeca“) e Boquinha de Aparelho é explícita (“tu vai lamber, tu vai dar beijo, tu vai mamar com essa boquinha de aparelho“). Curiosamente, o piá disse em entrevista recente ao CQC que era virgem, vejam só.

– Crianças cantando funk não é novidade. Eles são sociabilizados dentro de um padrão sociocultural em que é comum falar sobre isso. Só causa estranhamento porque o poder público não tem consciência desse contexto. Não é o sujeito cantar algo que é o problema, isso só é negativo dependendo de como ela é assessorada pelos pais. A música influencia as pessoas? Sim, mas a vida cotidiana influencia a música. O problema não é o produto final – avalia Hilaine Yaccoub, doutora em antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que morou quatro anos na favela da Barreira do Vasco para escrever sua tese.

E te confesso que um beijo já me desperta o desejo” (Eu Não Quero Mais – MC Melody)

Hilaine ressalta ainda que é necessário haver cuidado quando o teor das letras está “fora do contexto da idade da criança”, mas lembra que muito da repercussão se dá por causa do gênero musical. E quem dá eco ao discurso de que o funk é mais visado é Emerson José da Silva, um dos fundadores da KL Produtora, responsável pela carreira do quarteto supracitado. Segundo ele, a “picuinha” feita pelo Ministério Público deveria começar com “quem tá matando e roubando”:

– Não vejo problema algum. O Brinquedo canta o que ele vive. Querem fazer com o funk o que já fizeram com o rap, que é discriminar. O Brasil com o maior índice de prostituição infantil do mundo, e o problema é a Melody? Sabe qual é o meu medo? É eles acharem que estão fazendo algo errado, agora, com toda essa exposição. O Brinquedo acabou de dar um carro para a mãe, o Pikachu deu um para o pai. Eles estudam em escola particular, fazem aula de canto, de violão, aprendem a dançar, jogam videogame, brincam para caramba. Mas são eles os errados?

“Essa novinha é profissional, ela senta gostoso demais” (Novinha Profissional – MC Pikachu)

Para o Ministério Público, talvez. Para 24,7 mil pessoas que assinaram uma petição pela “intervenção e investigação da tutela de MC Melody”, com certeza. No texto, publicado em 20 de abril no site Avaaz, o autor considera que os pais da MC Melody incorrem nos crimes de trabalho infantil e corrupção de menores, além de exporem a menor a “situações que ameacem seu presente / futuro”. Para o consultor de criação Filipe Techera, um dos roteiristas do programa Esquenta, o tabu e o preconceito contaminam a discussão:

– Nós, adultos, temos uma visão sexual sobre aquilo, mas a criança não necessariamente tem a mesma visão. Eu era criança quando o É o Tchan fazia sucesso, e em todo esse tempo de terapia, nunca apareceu nada sobre isso (risos). E, pensando um pouco mais sobre isso, podemos questionar: por que os caras só falam sobre pegar mulher, cerveja, traição, bandidagem, drogas? Porque essa é a rotina deles. É difícil falar sobre “o barquinho vai”, quando ela vive o couro comendo.

Por enquanto, Brinquedo não dá entrevistas sem um advogado, Melody está sendo investigada pelo MP e Emerson tem medo de ser preso. Nada que tenha impedido MC Bin Laden de lançar É os Mlks do FOX, mais nova aposta da KL Produtora.

Veja aqui as entrevistas da MCs Princesa e Plebéia, MC Pikachu, MC Brinquedo, e MC Melody no programa do Super Pop. Veja vídeos

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Video: “Miss Tanguita”, el polémico certamen de belleza infantil en Colombia

 “¡Qué horror e irresponsabilidad la de los padres!”, dicen quienes no están de acuerdo con la realización del concurso

 

 

BOGOTÁ/ EFE – La celebración del concurso de belleza para menores “Miss Tanguita”, en el que niñas de entre seis y doce años desfilan en bikini, generó hoy un escándalo en Colombia que ha provocado incluso que el Estado emprenda acciones legales contra los padres de

las menores y los organizadores del evento.

Las imágenes del polémico certamen, divulgadas en medios, muestran a las menores desfilando en este modelo de traje de baño ante la multitud que asistió al evento, celebrado este fin de semana en el municipio de Barbosa, en el departamento de Santander

La denuncia

“Miss Tanguita”, que se lleva a cabo dentro del Festival del Río desde hace tres años, permite la participación de menores previa autorización de sus padres, que serán denunciados por el Instituto Colombiano de Bienestar Familiar (ICBF).

Así lo anunció la directora del ICBF, Cristina Plazas, en Twitter, donde reveló que la institución actuará también contra los patrocinadores y organizadores del concurso, que “viola los derechos de los niños”.

“¡Qué horror e irresponsabilidad la de los padres!”, dijo la funcionaria en la red social, donde añadió: “¡Increíble que las autoridades locales incentiven este concurso aberrante! También lo podremos en conocimiento de la Procuraduría”.

concurso infantil

A la defensa del certamen solo acudió la alcaldesa de Barbosa, Rocio Galeano, quien destacó en declaraciones a la emisora W Radio el permiso paterno como prueba de la legitimidad del evento, del que dijo que no busca “inducir a las niñas a la prostitución”.

Por el contrario, destacó que la finalidad del concurso es enfocarse en un “tema de valores, donde se le enseñe a la comunidad que el cuerpo se debe respetar”.

En opinión de Galeano, las denuncias se han realizado por intereses políticos, ya que “el certamen se realiza con todas las directrices establecidas”, e invitó a Plazas a que comprobara este extremo.

La polémica sobre el papel de los menores en este tipo de concursos fue llevada al Congreso colombiano a principios del pasado año por la representante a la Cámara del izquierdista Polo Democrático Alternativo (PDA) Alba Luz Pinilla.

En aquella ocasión, Pinilla esgrimió que los concursos de belleza infantiles crean una apología a la agresión física, psicológica y mental en las niñas que participan, un debate que hoy ha vuelto a abrirse.

http://www.latarde.com/multimedia/videos/video-144785-miss-tanguita-enciende-la-polemica-en-el-pais-video

 

 

 

 

NIÑAS MODELOS. Francia quiere prohibir las “lolitas”

 

 

Niñas modelos

Un proyecto parlamentario propone prohibir los casos de niñas modelos y además eliminar concursos de belleza y volver al uniforme escolar. El objetivo es reducir la hipersexualidad precoz.

La proliferación de concursos de belleza infantil, el precoz debut en la carrera de modelaje y la creciente presencia de menores provocativas en los medios son signos que la senadora francesa senadora y exministra de Deportes, Chantal Jouanno, advierte y quiere combatir en base a un informe que entregó al gobierno francés.

 

“Hoy, un 37% de las niñas de 11 años confiesa estar a dieta. La intrusión precoz de la sexualidad provoca daños psicológicos irreversibles en un 80% de los casos, según los expertos”, denunció la legisladora.

 

Entre sus propuestas, figura la de prohibir a los menores de 16 años convertirse en imagen de marcas de moda, con denuncia en Internet a las empresas que no respeten esta consigna. Es el principio name and shame (nombre y vergüenza). Asociar públicamente la marca transgresora al oprobio de mancillar la inocencia infantil.

 

Jouanno también aboga por la prohibición de los concursos de belleza hasta los 16 años. “¿Dónde está el interés del niño? No son concursos de talento”, dijo en entrevista con 20 Minutes.

 

En cuanto a su sugerencia de reconsiderar la vuelta al delantal en las escuelas (abolido en Francia en los años 70), la senadora admite que ello no tendrá un efecto directo en la hipersexualización, pero sí constituye una barrera a la fractura social y a la competencia de marcas. “Hoy, a los diez años, los niños hablan de Gucci y Vuitton, explica. Por eso propongo un uniforme como parte de un zócalo de valores nacionales, una suerte de reglamento, que todos deben adoptar para que los jóvenes sean respetuosos de la institución que es la escuela primaria”.

 

La senadora también quiere elevar el nivel de exigencia en cuanto a la restricción de difundir imágenes “hipersexualizadas”, del mismo modo que se hizo en su tiempo con las de violencia. Además, propone un trabajo de concientización con los padres y con los maestros (La República, Uruguay)