Beleza lésbica

Miss España, Yurena Rodríguez

 

Patricia Yurena Rodríguez, primeira dama de honor no concurso de Miss Universo em 2013, assumiu nas redes sociais que tem um relacionamento com uma mulher. A espanhola é a primeira miss nacional a assumir a sua homossexualidade.

A espanhola tem 24 anos, é de Tenerife e conquistou o título de Miss Espanha por duas vezes em 2008 e 2013. No ano passado ficou em segundo lugar no concurso de Miss Universo. Foi no Instagram que deu conta da sua orientação sexual, partilhando uma fotografia com a sua namorada, Vanesa Cortes, uma cantora e DJ espanhola. A fotografia tem a legenda “Romeu e Julieta”.

 

Vanesa Klein y Patricia Yurena

Rose Maria Walsh, a atual Miss Irlanda, se assumiu gay em entrevista ao jornal Irish Sun. A Miss se declarou lésbica depois de ter consultado a família sobre o assunto. “Para mim, é normal ser lésbica. Disse aos meus pais e eles me apoiaram, como deve ser“, falou ela.

Miss Irlanda, Maria Walsh

LAS LESBIANAS MÁS LINDAS DEL MUNDO

“Me gusta leer, tengo un hobby, estoy estudiando y amo a mi familia.” El discurso básico de las Miss bellezas se completa hoy con “¡ah! y soy lesbiana”. ¿Cambió algo o todo lo contrario? La normalización y la inclusión como dos puntos de la misma pasarela.

Por Magdalena de Santo

Vestidos largos, brillantes, de una sola manga, cuelgan de las perchas de un armario que se supone universal. Es que hace unos días, la nueva Miss España, Yurena Rodríguez, se declarnó lesbiana justo antes de ir a competir por el titulo de Miss Universo. Y en una suerte de contagio endémico, Miss Irlanda, Maria Walsh –cualquier similitud con nuestra prócer lésbica nacional es pura coincidencia–, le siguió con la cadencia de sus pasos y se afirmó públicamente en su normalidad lésbica. “Ser lesbiana es ser algo normal”, dijo la irlandesa. Con estas dos salidas del closet simultáneas de Miss bellezas universales –de este universo tan chiquito y occidental– dan ganas de pensar, otra vez, los tráficos y contrabandeos de la lógica de la inclusión.

Reconozco las sinuosas trayectorias de lucha y aun la necesidad de visibilización, sobre todo en los pueblos y en las zonas menos metropolitanos. Pero ubiquémonos en el centro, y miremos desde los privilegios (Sandra Mihanovich ya tiene su programa en TN).

sandra mihanovich

¿Qué espíritu colectivo de contagio puede engendrar que chicas lindas salgan del armario? La snobización de la identidad sexual, en este caso, tiene el tufo de canchereada cool progresista de los creadores del universo de señoritas bellas. Algunx podrá argumentar algo acerca de la plusvalía simbólica que generan estas presencias, de la necesidad de referentes, de las alianzas que se tejen en la comunidad lgbt, de la construcción social lenta y paulatina que está incorporando el deseo entre minas. Pero las identidades no son sólo son sexuales y la opresión hoy se juega, sobre todo, en el universo de las imágenes y la representación. Sabemos que son tortas porque primero son Miss Universo, ésa es su consagración y su éxito. Eso es lo que nos llega. En la misma línea, pienso que las narrativas del coming out en la voz de personas felices y sin fisuras prometen más bien la re-producción de una única imagen de la subjetividad lésbica: estereotípicamente linda.

Desde ya que este contagio de perchas habla de un mundo receptivo, sí, pero también de la cooptación mercantil, de la vida espectacular, genial, súper fascinante y divertida de las lesbianas. Copado. No hay nada que temer: entre lesbianas, un “yo” hermoso y normal recorre la pasarela sin vergüenza, ni dolores. En las escalinatas de Milán, con unos terribles tacazos y una faja cruzando la panza dura de abominables abdominales, se oyen los ecos de una norma harto reconocida: “Podés ser linda, flaca, exitosa y además lesbiana”. Así, mujeres cisexuales hermosamente esculpidas por los cánones, iconos del éxito y la buena vida, figuran como la imagen femenina sin nada que esconder. Ni heroica ni temeraria esta confesión duplicada. Se encuentra sobre las bases de una larga, muy larga, alfombrita roja. Y que se porta con coronita.

MORTE DE SOLEDAD BARRET. Urariano Mota e Mario Benedetti

MORTE DE SOLEDAD BARRET

A SOLedad da escuridão da imprensa do Brasil. Facsímile do arquivo de Urariano Mota

A SOLedad da escuridão da imprensa do Brasil. Facsimile do arquivo de Urariano Mota

 

por Mario Benedetti

(Tradução de Urariano Mota)

 

Viveste aqui por meses ou por anos
traçaste aqui uma reta de melancolia
que atravessou as vidas e a cidade

Faz dez anos tua adolescência foi notícia
te marcaram as coxas porque não quiseste
gritar viva hitler nem abaixo fidel

eram outros tempos e outros esquadrões
porém aquelas tatuagens encheram de assombro
a certo uruguai que vivia na lua

e claro então não podias saber
que de algum modo eras
a pré-história do íbero

agora metralharam no recife
teus vinte e sete anos
de amor de têmpera e pena clandestina

talvez nunca se saiba como nem por quê

os telegramas dizem que resististe
e não haverá mais jeito que acreditar
porque o certo é que resistias
somente em te colocares à frente
só em mirá-los

só em sorrir
só em cantar cielitos com o rosto para o céu

com tua imagem segura
com teu ar de menina
podias ser modelo
atriz
miss paraguai
capa de revista
calendário
quem sabe quantas coisas
porém o avô rafael o velho anarco
te puxava fortemente o sangue
e tu sentias calada esses puxões

soledad solidão não viveste sozinha
por isso tua vida não se apaga
simplesmente se enche de sinais

soledad solidão não morreste sozinha
por isso tua morte não se chora
simplesmente a levantamos no ar

desde agora a nostalgia será
um vento fiel que flamejará tua morte
para que assim apareçam exemplares e nítido
as franjas de tua vida

ignoro se estarias
de minissaia ou talvez de jeans
quando a rajada de pernambuco
acabou completo os teus sonhos

pelo menos não terá sido fácil
cerrar teus grandes olhos claros
teus olhos onde a melhor violência
se permitia razoáveis tréguas
para tornar-se incrível bondade

e ainda que por fim os tenham encerrado
é provável que ainda sigas olhando
soledad compatriota de três ou quatro povos
o limpo futuro pelo qual vivias
e pelo qual nunca te negaste a morrer.

 

Urariano Mota: “Como a grande imprensa não vai lembrar, por ignorância ou omissão, divulgo um lindo poema de Mario Benedetti, que se refere ao Brasil, a Pernambuco. Perdoem a livre tradução de Muerte de Soledad Barret. O poema é um sensível registro, em Montevidéu, da dor que lhe causou a notícia da morte da bela e brava Soledad Barret Viedma. Soledad foi torturada e morta no Recife em 1973, entregue a Fleury pela marido, o cabo anselmo. Estava grávida, com cinco meses”.

O Brasil, o Paraguai (sua Pátria, onde continua censurada), o vasto Mundo, para conhecer a poetisa, a jornalista e a panfletária, libertadora das ditaduras do Cone Sul; para reviver a vida, a paixão e morte da revolucionária sul-americana, necessita ler “Soledad no Recife” de Urariano Mota – um livro que precisa, urgentemente, ser traduzido e editado em espanhol.

Falo da urgência, que depois dos golpes de Honduras e do Paraguai, a direita conservadora e obscurantista ameaça a Liberdade, pelo efeito dominó, propagado pela Grande Imprensa, e financiado pelo império.

Escreve Mouzar Benedito, no Observatório da Imprensa: “Agora [40 anos depois], um escritor pernambucano, Urariano Mota, lança um romance sobre o caso, tendo como personagens centrais o narrador – que o escritor garante ser ficcional embora, como leitor, é difícil acreditar dado o texto poético, apaixonado, platonicamente apaixonado – e Soledad Barrett Viedma, a Sol, bela paraguaia de 28 anos, uma mulher sublime, militante da VPR, que, não se sabe como, tornou-se mulher do homem insensível e traidor que se tornou seu algoz.

Soledad no Recife é um livro de ficção, mas – acredito – só no modo de contar, no texto que parece um poema em que o autor se esqueceu de quebrar em versos. É um romance de valor histórico muito importante nestes tempos em que se tenta recuperar a história recente de um período que os adeptos da ditadura, da tortura, das mortes de opositores, tentam fazer que seja apagado da memória do Brasil e dos brasileiros.”