Vigília Pascal: Água e fogo em cerimônia simbólica

Celebração central do calendário litúrgico é a mais antiga e importante na Igreja Católica

ressurreicao

A Igreja Católica celebra nas últimas horas deste Sábado Santo e nas primeiras de Domingo de Páscoa o principal e mais antigo momento do ano litúrgico, a Vigília Pascal, assinalando a ressurreição de Jesus.

Esta é uma celebração mais longa do que habitual, em que são proclamadas mais passagens da Bíblia do que as três habitualmente lidas aos domingos, continuando com uma celebração batismal e a comunhão.

A vigília começa com um ritual do fogo e da luz que evoca a ressurreição de Jesus; o círio pascal é abençoado, antes de o presidente da celebração inscrever a primeira e a última letra do alfabeto grego (alfa e ómega), e inserir cinco grãos de incenso, em memória das cinco chagas da crucifixão de Cristo.

A inscrição das letras e do ano no círio são acompanhadas pela recitação da fórmula em latim ‘Christus heri et hodie, Principium et Finis, Alpha et Omega. Ipsius sunt tempora et sæcula. Ipsi gloria et imperium per universa æternitatis sæcula’ (Cristo ontem e hoje, princípio e fim, alfa e ómega. Dele são os tempos e os séculos. A Ele a glória e o poder por todos os séculos, eternamente).

O ‘aleluia’, suprimido no tempo da Quaresma, reaparece em vários momentos da missa como sinal de alegria.

A celebração articula-se em quatro partes: a liturgia da luz ou “lucernário”; a liturgia da Palavra; a liturgia batismal; a liturgia eucarística.

A liturgia da luz consiste na bênção do fogo, na preparação do círio e na proclamação do precónio pascal.

A liturgia da Palavra propõe sete leituras do Antigo Testamento, que recordam “as maravilhas de Deus na história da salvação” e duas do Novo Testamento: o anúncio da Ressurreição segundo os três Evangelhos sinópticos (Marcos, Mateus e Lucas), e a leitura apostólica sobre o Batismo cristão.

A liturgia batismal é parte integrante da celebração, pelo que mesmo quando não há qualquer Batismo, se faz a bênção da fonte batismal e a renovação das promessas.

Do programa ritual consta, ainda, o canto da ladainha dos santos, a bênção da água, a aspersão de toda a assembleia com a água benta e a oração universal.

Cristo e NSenhora

Nesse dia a Igreja toda guarda luto pela morte de Jesus. Neste dia se faz também a comemoração das Dores de Nossa Senhora. É uma celebração que relembra todos os sofrimentos de Nossa Senhora desde o nascimento de Jesus, culminando com a dor infinita à qual se viu exposto o coração de Maria, ao deixar seu divino Filho no sepulcro.

Por maior que seja a solidão que algum coração humano já sentiu, por certo, sequer aproximará do amargor, do infinito abandono que se apossou do coração da mãe do Divino Amor. Na Solene Vigília Pascal da noite será celebrada a Missa da Ressurreição. Essa missa é precedida pela bênção do Fogo Novo e do Círio Pascal, benção da água Batismal e Renovação das Promessas do Batismo.

Todos os fiéis devem levar velas.

Fogo: Sinal da presença de Deus na história, em suas manifestações de salvação. Ligado ao fogo, temos o círio pascal que aceso no fogo novo lembra o Cristo ressuscitado.

Luz: Símbolo da vida. Representa a presença de Cristo que é vida e oferece vida e salvação ao homem. Jesus atravessa as portas da mansão dos mortos, vencendo e trazendo a luz para a humanidade.

Água: Também é sinal da vida que é comunicada ao cristão quando ele renasce pelo batismo para um mundo novo.

Os quatro nomes e pecados da deusa Bruna Lombardi

 

ELOGIO DO PECADO
por Bruna Lombardi

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Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza

você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.
É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa

Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.

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SEGUNDA CANÇÃO DE MARIO QUINTANA
por Talis Andrade

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A ti e ao teu poder invoco ó deusa
Tu podes conceder tudo que eu pedir
Teus passos se encaminhem para mim
Para mim se alarguem teus passos iluminando os caminhos
com sete raios azuis sete raios brancos sete raios vermelhos
Vem ó deusa incorporada em uma de tuas sacerdotisas
Patrícia Romilda Maria Teresa
Vem ó deusa das quatro faces dos quatro nomes terrenos
dos quatro mares das quatro luas das quatro partes do mundo
Vem ó deusa teus passos se encaminhem para mim

 

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Quando publiquei o Elogio do Pecado, no Jornalismo de Cordel, Antonio F. Nogueira, que assinava um blogue no portal Sapo, Portugal, comentou:

“A maioria realiza uma leitura totalmente errada deste poema de Bruna Lombardi. Que está, praticamente, em todas as antologias de poesia erótica. Não é nenhum poema maldito. Ou sensual. Escuto um canto que lembra um hino à Astarte, deusa do amor. Sua imagem mais conhecida: nua, quadris largos e mãos em concha abaixo dos seios arredondados. Adorada com diferentes nomes em todas civilizações antigas. Mãe e filha. Esposa e amante. Deusa da fertilidade, da vida e da morte. Astarte permanece representada nas seis deusas gregas”.

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Deusa Ishtar, estatueta representativa do século IV a.C.

Ilustrações: Diferentes representações da deusa

Da presença da luz em João Cabral de Melo Neto e Joaquim Cardozo

 

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DA PRESENÇA INVISÍVEL
de Joaquim Cardozo

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Através do quadro iluminado da janela
Olho as grandes nuvens que chegaram do Oriente
E me lembro dos homens que seriam meus amigos
Se eu tivesse nascido em Cingapura.

E aqueles que estiveram comigo nas horas concluídas
Ainda impressionam o ar
— Todos eles perderam-se no mar.

Agora, na praia deserta estou sozinho
— Caminho
Com os pés descalços na areia.

Nesta tarde morta o perfume das almas
Invade as enseadas, estende-se sobre os rios, paira sobre as colinas
— A Natureza assume a precária presença de um sonho;
Um trem corre sereno na planície dos homens ausentes;
Do fundo de minha memória sobe um canto de guitarras confusas;
Sinto correr de minha boca um rio de sombra,
A sombra contínua e suave da Noite.

 

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Joaquim Cardozo

Joaquim Cardozo e o Rio Capibaribe

Joaquim Cardozo e o Rio Capibaribe

A LUZ EM JOAQUIM CARDOZO
por João Cabral de Melo Neto

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Escrever de Joaquim Cardozo
só pode quem conhece
aquela luz Velásquez
de onde nasceu e de que escreve.

A luz que das várzeas da Várzea
onde nasceu, redonda,
vem até o ex-Cais de Santa Rita
que viveu: luz redoma,

luz espaço, luz que se veste,
leve como uma rede,
e clara, até quando preside
o cemitério e a sede.

 

 

 

 

Grandeza

por Pedro J. Bondaczuk

Pedro J. Bondaczuk2

Grandeza, aspiro à grandeza,
os sentimentos sem mácula,
a rosa mística dos ventos,
o norte sem vacilações.
Transcender a fragilidade da carne,
amar sem limites ou peias,
ser estrela da galáxia dos sonhos
sobreviver ao tempo e ao esquecimento.

Aspiro, dia a dia, passo a passo,
galgar os degraus da razão,
fazer da vida obra de arte,
inesgotável manancial de ternura;
ser pássaro-luz, ágil, versátil,
romper as barreiras do efêmero,
fiar na tosca roca do tempo
palavras, versos, a própria poesia.

“-Luz! Luz! Luz!” – clama a bronca alma,
a luz aguda do cabal esclarecimento,
da única ciência que de fato importa:
a da transcendência e da beleza
Luz, luz, luz, é do que careço,
límpida luz de encanto e de pureza,
porquanto, só acalento uma ambição:
aspiro transcendência e grandeza!

Pirandelismo

por El Maria

Mohammad Saba'aneh

Mohammad Saba’aneh

Pega fogo
Solta o sol!

Em um segundo
Fragmento
Resquício…

A luz, veloz
E mais a sua jóia
Não pesa, voa

Reluz com o que nunca
Já é, como se não fosse
Estaria

Ar é faltar
Isso, é parar
E não entender

Pudesse eu no corpo criá-la
Mãe de la luz seria
Ela, luz criada
Mas quem disse que não?