Futebol machista e lésbicas

A Copa do Mundo de Futebol Feminino é a competição mais importante no futebol feminino internacional. Organizado pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), o órgão controlador do esporte, o torneio da Copa do Mundo foi realizado pela primeira vez em 1991 na China, sendo os Estados Unidos Campeão.

O máximo que o Brasil conseguiu foi o de vice-campeão em 2007, em torneio também realizado na China. O próximo campeonato será em 2015, no Canadá. E ninguém fala dele no Brasil. Parece que é tema tabu. Imposição machista e preconceituosa dos cartolas e colunistas esportivos.

 

A taça feminina nunca foi nossa

A taça feminina nunca foi nossa

Sempre ouvi esta frase: “Fulana é lésbica. Desde criança preferia jogar bola com os meninos, a brincar com bonecas”.  Apesar do tabu da virgindade, podia brincar de esconde-esconde.

Publica o Portal Terra: Apesar das enormes diferenças entre os países e das diversas pressões para mantê-la oculta, a homossexualidade começa a deixar de ser um tabu no futebol feminino, que neste aspecto parece estar um passo à frente da categoria masculina.

Se na Copa do Mundo da África do Sul em 2010 nenhum dos participantes era abertamente gay ou bissexual, na Copa do Mundo feminina da Alemanha (de 2011) há jogadoras que assumiram sua preferência por pessoas do mesmo sexo.

A equipe que melhor serve de exemplo é a Alemanha, anfitriã do Mundial e atual bicampeã da competição. A goleira Nadine Angerer, 32 anos, eleita em 2010 a melhor do mundo na posição, foi uma das que admitiram à imprensa de seu país a sua bissexualidade.

A notícia causou alvoroço na Alemanha, onde o futebol feminino possui grande popularidade, e gerou um debate sobre o silêncio existente a respeito do futebol masculino.

A atleta Ursulla Holl, reserva de Angerer, já havia se assumido como lésbica e em 2010 se uniu civilmente a sua companheira Carina, em Colônia. A imprensa alemã especulou bastante sobre outras relações afetivas existentes entre as jogadoras da seleção, mas as protagonistas dos casos nada confirmaram.

O presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Theo Zwanziger, deu apoio a “saída do armário” de Angerer.

Indo para outros países, destaca-se o caso de Hope Powell, treinadora da seleção inglesa e eleita a 68ª na lista dos 100 homossexuais mais influentes do Reino Unido, elaborada em 2010 pelo jornal The Independent.

Vale lembrar ainda outras jogadoras que se assumiram como lésbicas ou bissexuais. É o caso da alemã Martina Voss, 125 vezes convocada para a seleção nacional, das noruegueses Bente Nordby e Lisa Medalen, e da ex-capitã da equipe francesa, Marinette Pichon.

 

Lugar de mulher também é no campo de futebol

Escreve Hérika Vale: Não lembro quantas vezes escutei frases feitas que de tanto serem repetidas, de certa forma se tornaram realidades inventadas, acredito que não só para mim, mas para muitas mulheres, dentre elas estão as que mais me deixam furiosa: “Lugar de mulher é na cozinha” e a famosíssima: “Futebol é coisa de macho”.

 

Devagar, temos visto o futebol feminino se organizar, mas ainda poucos clubes brasileiros se interessam em apostar nas meninas com a bola, mesmo tendo o que há dez anos parecia impossível: uma mulher eleita cinco vezes consecutivas a melhor jogadora de futebol feminino, o que aconteceu quando Marta Vieira da Silva, a menina de Alagoas, conseguiu esse feito. Alagoas? Pois é, região Nordeste, terra de cabra macho.

 

Atletas falam do assédio, ensaios sensuais e homossexualidade

Formiga: O comentário da técnica foi muito infeliz, até porque, querendo ou não, ela mexeu com muitas pessoas. Já falei que as pessoas hoje em dia falam muito do futebol feminino em relação a isso, como se só no futebol feminino existisse isso. Todas nós sabemos que em várias classes isso existe. Então até por esse preconceito com o futebol feminino que às vezes não temos apoio. Ela fazendo isso complica, não só em relação ao nosso país, mas para o lado dela também, porque tenho certeza que muitas jogadoras do lado dela não gostaram. Então acaba manchando o futebol feminino no geral.
Marta: Acho que cai muito para o futebol feminino, porque já tem a fama de ser masculino, de jogar um esporte que exige força. Como a Cris falou, não dá para colocar um shortinho para jogar. As pessoas quando olham o futebol feminino já pensam que aquela menina é homossexual, gosta de mulher. Não quer dizer que nos outros esportes não aconteça, mas não é tão exposto como no futebol feminino. Minha opinião é que cada um faz da sua vida o que quiser. Você não tem que julgar aquela atleta pelo que ela gosta fora de campo, pelo fato de ela ter um relacionamento com homem ou mulher, mas sim pelo que ela faz dentro de campo. Não tenho preconceito nenhum. A gente tem que aceitar as pessoas como elas são.
Cristiane: Cada um faz o que quer com a sua vida e o que vale para gente é o que fazemos dentro de campo. O nosso trabalho infelizmente é voltado para o futebol feminino e justamente pela palavra futebol, que para eles é uma coisa de homem, mas não tem nada disso. Acontece em várias modalidades e fora do esporte. Tem aquele foco todo para o futebol feminino, e fica maior ainda com uma polêmica. Queira você ou não, as pessoas sempre gostam de ficar martelando em cima daquilo, mas acho que é uma coisa que tem que mudar.
Aline: Se pessoas que fazem o mesmo que a gente tem esse tipo de preconceito, imagina todo o resto, que não faz ideia do que acontece. Vê o caso do Michael, do vôlei. Hoje em dia quem é do esporte e acompanha sabe o que acontece, só que ninguém fica gastando os caras falando que todo mundo que joga vôlei é gay, mas [falam que] todo mundo que joga futebol é sapatão. Vai botando tudo nas nossas costas que a gente lida bem, mas é complicado. Chega ao ponto de um cara, que está super bem resolvido, ter de sair do armário, se expor, de uma coisa que ele não é obrigado a fazer, e isso é complicado.
Marta: Na Alemanha você vê que ninguém está nem aí. Nos Estados Unidos a mesma coisa. Na Suécia também. São países bem evoluídos que não querem perder tempo com isso.
Cristiane: Também é uma questão de cultura. Tem pessoas que foram criadas de uma maneira bem antiga, e hoje não tem mais isso não. Uma coisa diferente para eles já não vale. Acho que é muito de cultura também.
Aline: A gente que chega em uma Olimpíada e vê atleta do mundo inteiro sabe o que é. O cara é o top, e alguém está preocupado? Aí tem aquela nadadora.. Alguém está preocupado se ela vai ficar com uma mulher depois que ela nadar? Ninguém fala nada, e a galera venera esses atletas no país. E no país que a gente está é só atrativo para ficar mais difícil, mas estamos acostumadas.
Cristiane: Acaba virando motivo para dizer. “ah, está vendo, não dá para patrocinar tal atleta ou equipe justamente por isso”.
Aline: Isso no Brasil mudou no Pan. Enchemos o Maracanã com 70 mil pessoas, e ninguém estava preocupado se tinha alguém de cabelo curto, se era neguinha, se era loirinha, se era bonita, se era feia, a galera estava ali extasiado com o futebol feminino, e ali demos uma quebrada nessa questão. Mas antes, nossa, era incrível.
Formiga: Era complicado, em 1997 falavam mal porque tinha uma menina com o cabelo curto.
Aline: Você vê aqui na Alemanha, tem mãe, irmã, tia, tudo com o cabelo curto, e é super normal. E lá no Brasil tinha sempre alguém que ficava do lado de fora contando quantas tinham cabelo curto. Agora não é mais o cabelo. Falam que a gente perde de não sei quanto a zero por causa da beleza. Então agora tem que ser bonita. Antes tinha que ter o cabelo cumprido. Caramba, cada hora temos de ser alguma coisa.

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História do Futebol feminino 

Os primeiros indícios da participação da mulher no futebol datam desde o tempo da Dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.) em que elas jogavam uma variação do antigo jogo chamado TSU Chu. Há outros relatos que indicam que, no décimo segundo século, era usual a prática de jogos de bola, pelas mulheres, especialmente na França e na Escócia.

O documento mais conhecido sobre os inícios do futebol feminino remonta a 1894 quando Nettie Honeyball, um ativista dos direitos da mulher, fundou o primeiro clube desportivo britânico chamado o Ladies Football Club. Honeyball, convicta de sua causa declarou que pretendia demonstrar que as mulheres poderiam alcançar a emancipação e ter um lugar importante na sociedade.

Lady Florence Dixie desempenhou um papel fundamental na criação do jogo, organizando jogos de exposição para caridade, e em 1895 ela se tornou presidente da British Ladies’ Football Club, estipulando que “as jovens devem entrar no espírito do jogo com o coração e a alma”. Ela providenciou uma turnê para a Escócia da equipe de futebol de Londres.

A Primeira Guerra Mundial foi a chave para a superlotação de futebol feminino na Inglaterra. Porque muitos homens foram para o campo de batalha, e a mulher foi introduzida na força trabalhadora. Muitas fábricas tiveram suas próprias equipes de futebol que até então eram privilégio de homens.

No entanto, no final da guerra, a FA não reconheceu o futebol feminino, apesar do sucesso e popularidade. Isto levou à formação da English Ladies Football Association (Associação Inglesa de Futebol Feminino) cujo início foi difícil devido ao boicote da FA que levou mesmo a mulheres a jogarem em estádios de Rugby.

Após a Copa do Mundo 1966, o interesse dos amadores cresceu de tal forma que a FA decidiu voltar atrás, e em 1969 criou o ramo feminino da FA. Em 1971, a UEFA instruiu seus respectivos parceiros a gerir e promover o futebol feminino, e na Europa ele foi consolidado nos anos seguintes. Assim, países como a Itália, E.U.A. e o Japão têm ligas profissionais, cuja popularidade não inveja o que é atingido pelos seus similares do sexo masculino.

 

O Futebol feminino no Brasil

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O amor de Araguari Atlético Clube (de Belém do Pará) é considerado o primeiro clube do Brasil a formar um time feminino, que em meados de 1958, selecionou 22 meninas para um jogo benificiente em dezembro deste mesmo ano. O sucesso desta partida foi grande que a revista “O Cruzeiro” fez matéria de capa sobre o acontecimento, pois até então, partidas femininas só ocorriam em circos ou jogos de futsal. Com esta divulgação, houve, nos meses seguintes, vários jogos do time feminino do Araguari em cidades de Minas Gerais (Belo Horizonte inclusive) e também em Goiânia e Salvador. Em meados de 1959 a equipe feminina do Araguari foi desfeita, por pressão dos religiosos de Minas Gerais.

 

 

 

Madona o bruja

“EXCLUIDAS DE LA CONSTRUCCION HISTORICA”

 

 

mulher Chile

Por Leticia Glocer Fiorini *

El lema “Igualdad para las mujeres. Progreso para tod@s”, bajo el cual se conmemora este año el Día de la Mujer, remite a que la igualdad para las mujeres, igualdad de oportunidades, igualdad de reconocimientos, igualdad laboral, no es o no debería ser una reivindicación sólo de las mujeres. La demanda de equiparación en la sociedad con los derechos de los hombres debe significar progreso y beneficios para todos, como lo es el reconocimiento de toda minoría discriminada.

Si bien las mujeres quedaron durante mucho tiempo excluidas de las construcciones históricas, hubo y hay variedad de representaciones de mujeres en la historia de la cultura. Alternativamente pura y prostituta, madre idealizada y mujer denigrada, madona y bruja, estas representaciones contradictorias expresan también las relaciones entre los sexos. En este sentido, son también una historia de los hombres y de la humanidad.

Mucho se ha avanzado en los derechos de la mujer y mucho falta aún. Hay diferencias significativas en la situación de la mujer en Oriente y Africa con respecto a las sociedades occidentales, pero también en el seno mismo de estas últimas.

Los enormes cambios que se produjeron desde la entrada de las mujeres al mundo del trabajo, la aparición de métodos anticonceptivos, el voto femenino, entre otras importantes adquisiciones, no deberían opacar los problemas presentes: los femicidios en aumento, la trata de personas, principalmente de mujeres, las violaciones en épocas de paz y de guerra, la violencia de género y otras discriminaciones y formas de violencia.

Los cambios en el aspecto jurídico y social son fundamentales, pero son sólo una cara del problema. También deben estar acompañados de cambios psíquicos, ya que hay inscripciones en el psiquismo y en el imaginario social cuya movilización puede llevar más de una generación.

* Presidenta de la Asociación Psicoanalítica Argentina (APA).

 

MulherTrabalho

¡Revolución en las plazas, en la casa y en la cama!

LAS MUJERES Y LOS IRREVERSIBLES CAMBIOS CULTURALES

Por Juana Celiz

¿Sacudir el brazo y tomar la palabra como un trueno (¡Pi-que-teros, carajo!) impactó en la vida cotidiana de las mujeres de los movimientos sociales? ¿Despertó en ellas la conciencia de género? ¿Sumó igualdad a sus relaciones familiares? ¿Tuvo el apoyo de sus parejas? ¿Resultó una dulce condena para ver, para siempre, el mundo de otro color? ¿Qué pasa en tu cabeza cuando te convertís en protagonista, a cuenta de tu exclusión, de una de las formas de protesta social más visibles, objetadas, criminalizadas, demonizadas de la historia reciente del país? Ya lo dicen sus remeras –con una serigrafía que transpira street art– a la altura del corazón: “Revolución en la plaza, en la casa y en la cama”.

La socióloga Graciela Di Marco indagó durante diez años a las mujeres de distintos movimientos sociales. Los últimos diez años, los primeros de este siglo. El resultado está en El pueblo feminista. Movimientos sociales y lucha de las mujeres en torno a la ciudadanía (Ed. Biblos Sociedad). Sin tratarlas como heroínas ni víctimas, latió con ellas, se acercó, las observó, las abrazó, aprendió, las entendió, las aplaudió. Anotó sus conclusiones no sólo como la versión local del feminismo popular: lo enmarcó en otro fenómeno más amplio y poderoso al que bautizó “pueblo feminista”. Porque Di Marco, que es doctora en Ciencias Sociales, termina de conformar sus hipótesis desenredándose en una trama mucho más potente de la que imaginó. Fue cuando miró el desfile de las “pasarelas sociales”, como llamó Maristella Svampa al mix que permitió la crisis del 2001. Qué pasó cuando estas mujeres en movimiento se cruzaron con el movimiento de mujeres. Y viceversa.

Antes de demonizar los cortes, los diarios titulaban: “El piquete tiene cara de mujer”. Ellas incluso se ocupan de la seguridad del grupo. ¿Cómo llegan? ¿Cómo lo viven?

–Probarse en la acción de seguridad es también un sentimiento de poder. Ocupan un lugar diferente, muestran que lo pueden hacer bien, que son disciplinadas, que tienen fuerza, que pueden correr. Lo toman con el plus del altruismo materno construido por una visión esencialista de las mujeres. Ahí hay un juego: usan rasgos que se les atribuyen –que son buenas, cuidadoras– y los transforman para tener reconocimiento en el movimiento. Los varones lo toman como una actividad más porque no tienen que demostrarse tantas cosas.

En tu libro diferenciás que ellas puedan enfrentar a un policía pero no a una pareja o compañero machista…

–Son los matices y las contradicciones. Una vez pasó que un militante golpeó a su mujer. Y la golpeó con el palo que ella usaba cuando cumplía funciones de seguridad del movimiento. Se sabe, también, de una dirigenta muy polenta, peruana, que no pudo llegar a recibir un premio a su actividad porque el marido la cagó a palos antes.

HAY OTRA HISTORIA

Un cambio político se puede dar rápido, uno económico más rápido todavía. Pero un cambio cultural necesita tiempo.

(Transcrevi trechos)