O discurso científico e sua interface com outras leituras da realidade como a religião. A defesa da regulamentação para uma maior diversidade na mídia brasileira

ANTONIO NELSON ENTREVISTA FREDERIK SANTOS

Cobertura de C&T ausente da mídia

Frederik M. dos Santos

O físico baiano Frederik Moreira dos Santos ganhou o prêmio de melhor ensaio sobre ciência e religião da América Latina do instituto Ian Ramsey de Oxford, na Inglaterra. Num dos capítulos do livro “Teoria quântica: estudos históricos e implicações culturais”, onde ganhou o prêmio Jabuti.

Fez estágio como pesquisador visitante na Columbia University. Foi professor de Física na Universidade Federal da Bahia (Ufba) e Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Mestre em Filosofia Contemporânea (PPGF – Ufba) e doutorando pelo Programa Interdisciplinar em Ensino, Filosofia e História das Ciências (UFBA/UEFS). Sua pesquisa concentrou-se na área de História e Filosofia dos problemas nos Fundamentos da Mecânica Quântica, com atuação na área de educação para surdos, como professor bilíngue (Português/Língua Brasileira de Sinais).

Você ganhou o prêmio de melhor ensaio sobre ciência e religião da América Latina do instituto Ian Ramsey de Oxford, na Inglaterra. Além disso, escreveu um capítulo do livro Teoria quântica: estudos históricos e implicações culturais, que foi contemplado com o prêmio Jabuti. Atualmente atua na Columbia University. A mídia local – A Tarde, Correio, Tribuna da Bahiae outros veículos, alguma vez lhe procuraram para reportar estes fatos? Não é de interesse público? O que representa para a comunidade científica sua conquista, e quais os benefícios para a sociedade?

CAPA LIVRO CampGrande

Frederik Santos – Não, não me procuraram. Sim, as questões que envolvem os conflitos entre crenças religiosas e científicas comumente aparecem nos jornais e revistas. Os veículos de comunicação frequentemente gostam de fazer algum circo entorno deste conflito, mas minha contribuição não veio para apimentar ou colocar brasa sobre tal conflito, ela veio tornar mais claro os limites do discurso e investigação científica para que não se exija deste além daquilo que se propõe. Minha pesquisa traz esclarecer as características fundamentais da prática científica e a possibilidade de se dialogar com outras matrizes de leitura sobre o mundo sem ter que sobrepujá-las.

Como você analisa a cobertura jornalística sobre Ciência e Tecnologia na Bahia? No Brasil?

F.S. – Cobertura jornalística sobre Ciência e Tecnologia na Bahia praticamente não existe nos grandes veículos da mídia baiana. As notícias se resumem a inovações na medicina e na agricultura, informações que servem às elites do nosso Estado. Parece que os editores dos veículos de informação na Bahia acreditam que ciência e tecnologia só interessam às classes altas, e mais do que isso, as informações estão a serviço dos interesses econômicos destas classes. Pois estes dois campos, a medicina e a agricultura, são fortes setores econômicos em nosso Estado que dependem de inovações técnico-científicas e que estão bem ligados a nossas elites tradicionais. No nível nacional a coisa muda um pouco quando tratamos dos grandes veículos impressos, mas quando vamos para rádio e tv, as maiores empresas de telecomunicações dão pouco valor à divulgação da C&T, principalmente as contribuições nacionais. Quando tem, o tempo dedicado a eles é estúpido! São os programas mais marginalizados na grade da programação.

Os jornais são reféns dos anunciantes? Como você avalia o jornalismo baiano?

F.S. – Não me sinto capaz de avaliar o jornalismo baiano como um todo, mas não acredito que a relação dos veículos de comunicação com os anunciantes seja razão suficiente para explicar o descaso e desinteresse destes para com a divulgação de C&T. Depende apenas de se investir na qualidade da informação neste campo que instiga a curiosidade de milhões.

Como o cidadão pode interferir para que os meios de comunicação melhorem a qualidade da informação?

F.S. – Aí está um tema complicado, pois os veículos de comunicação seguem as leis do mercado e do capital, dependem de audiência, anunciantes e de boas relações com os poderes políticos e empresariais. Assim, podemos contribuir pagando pelas informações ou lendo aquilo que achamos ter qualidade e que sejam de nosso interesse para nossa formação como cidadãos críticos. Ou seja, nos fatores em que envolve um grande jogo de interesses, por enquanto, podemos intervir apenas no fator audiência e em seu compartilhamento crítico.

Atualmente atua na Columbia University. Como é teu cotidiano científico? Como você analisa a cobertura da imprensa aí sobre ciência e tecnologia?

F.S. – Minha pesquisa atual envolve o campo do discurso científico e sua interface com outras leituras da realidade, como o discurso religioso. Meu cotidiano na Columbia consiste em leituras e encontros com pesquisadores onde discutimos sobre o trabalho um do outro através de seminários acadêmicos. Bem, percebe-se que o tempo dedicado a C&T nos telejornais da grande mídia também não é considerável, mas nos EUA pode-se ter acesso a uma larga variedade de jornais, revistas e canais (além de museus e outros espaços físicos de divulgação de C&T) especializados neste tema. Tudo isso a baixíssimo custo!

Existe pouco investimento para a pesquisa científica na Bahia?

F.S. – Sim, mas não só para a pesquisa quanto para a formação científica. Definitivamente, C&T é um empreendimento caro! Se quisermos realmente usufruir das benesses trazidas pelas inovações neste campo, precisamos de um orçamento muito maior e uma maior aproximação da indústria com o resultado de nossas pesquisas. Sem nunca deixar de investir em ciência básica, é claro!

Quais suas perspectivas para os próximos 10 anos na área científica?

F.S. – Eu sou otimista. Acredito que seja de melhora. Apesar das grandes lacunas que ainda temos na qualidade da formação empírica e investigativa, apesar de nossos laboratórios serem bem defasados, vejo algumas ações positivas no campo de C&T no Brasil, tais como: aumento no orçamento voltado pesquisa e formação em C&T, criação de novos centros de pesquisa, maior contratação de pesquisadores nas universidades públicas, ampliação do investimento na formação de pesquisadores no exterior em bons centros de pesquisa (como o que estou vivenciando aqui em Nova Iorque) desde a graduação. Acho que tudo isso irá criar uma demanda maior pela melhoria das condições de pesquisa aqui, senão teremos a maior fuga de cérebros de nossa história.

Você é a favor da regulamentação da mídia? Por quê?

F.S. – Sim, devemos criar condições para uma maior diversidade na mídia brasileira, os veículos de comunicação ainda estão nas mãos de poucos poderes oligárquicos. Uma maior diversidade abre espaço para variedade de conteúdo informacional e ideológico (isso inclui C&T) e as maiores concorrências obrigam as empresas a melhorar a sua distribuição para se ter mais acesso à informação. São tão poucos canais e jornais, então as empresas se dão ao luxo de priorizar o eixo Rio-São Paulo, pois os consumidores ali são suficientes para bancar boa parte do orçamento do veículo. Com a abertura para a criação de mais empresas na área, isso irá acabar. As rádios comunitárias precisam ter uma maior garantia de sobrevivência também. Enfim, defendo uma regulamentação que seja na direção da manutenção de um jogo de poder mais democrático que represente mais o interesse de muitos e não somente de uma pequena elite oligárquica. (Transcrito do Observatório da Imprensa)

 

 

Hacia una democracia mediática para Brasil

LA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF INICIA SU SEGUNDO MANDATO CON UNA DECISION POLITICA DE FONDO

Luego del ajuste fiscal, sobre el cual hay abundancia de noticias y escasez de informaciones, Dilma mencionó la reforma del mercado “oligopólico” de noticias y entretenimientos como una prioridad del próximo gobierno.

“No se puede confundir regulación económica con regulación de contenidos”, precisó Dilma. Imagen: AFP

“No se puede confundir regulación económica con regulación de contenidos”, precisó Dilma.
Imagen: AFP

por Darío Pignotti

En su condición de presidenta reelecta, Dilma Rousseff manifestó por primera vez, en extenso, la decisión de impulsar un debate nacional sobre el marco regulador de los medios masivos, tema que se había esquivado durante su primer mandato puesto que ensayó una convivencia pacífica (que no fue) con el grupo empresarial Globo, receloso de cualquier norma que acote sus privilegios. Luego del ajuste fiscal, sobre el que hay abundancia de noticias y escasez de informaciones, y el nombramiento de los ministros que integrarán el gabinete, que son los temas excluyentes en las próximas semanas, la presidenta mencionó la reforma del mercado “oligopólico” de noticias y entretenimientos como uno de los asuntos importantes del próximo gobierno que formalmente comenzará el 1º de enero.

Una eventual ley sólo será aprobada luego de “una discusión con la sociedad, para esto se requieren consultas públicas, quiero abrir un proceso de discusión en el primero o segundo trimestres del año próximo”, afirmó Dilma.

“La libertad de prensa es la piedra fundamental de la democracia, esto es básico. Pero hay que decir que la libertad de prensa no tiene nada que ver con la regulación” de industria de la información.

“No se puede confundir regulación económica con regulación de contenidos”, precisó Dilma y reforzó “cuando hablo de regulación pienso en los oligopolios y monopolios que pueden existir en cualquier sector. ¿Por qué la energía y el petróleo tienen regulación y los medios no pueden tenerla?”.

La presidenta, que en 2013 suspendió una visita de Estado a Washington en repudio al espionaje de la agencia NSA, anticipó que planea un “amplio debate a ejemplo de lo que ocurrió con el marco civil de Internet”, aprobado por el Congreso luego de que Brasil denunció ante la ONU las “violaciones a nuestra soberanía” e inició negociaciones para tender un cable de fibra óptica hacia Europa, como forma de evitar que sus datos sean almacenados en Estados Unidos.

Las palabras de Dilma, publicadas el viernes en una entrevista al diario O Globo, revelan una decisión política de fondo, inédita en los 12 años de gobiernos petistas: iniciar la transición hacia la democracia mediática, pese a la oposición de las empresas defensoras de un modelo al que se puede caracterizar como alegal, ya que en Brasil carece de una legislación específica.

Esto constituye un caso de exclusión comunicacional atípico, sin equivalentes entre las potencias europeas donde coexisten grupos privados y grandes cadenas estatales (herencia del Estado de Bienestar) y los países latinoamericanos gobernados por líderes progresistas, quienes comprendieron que para consolidar la democracia en un sentido amplio, en muchos casos recientes, es imprescindible desmontar estructuras mediáticas concentradas e incorporar nuevos actores a través de medios públicos con financiamiento generoso.

Columnistas del Grupo Globo definieron al proyecto que aún no comenzó a ser debatido como “tentación totalitaria del PT”, al que acusan de seguir las “enseñanzas del régimen bolivariano conocido por perseguir a la prensa independiente”.

Lenguaje similar, y en ocasiones más virulento, emplea la imaginativa revista Veja.

Reinaldo Azevedo, que publica un exitoso blog en ese semanario, proclamó la semana pasada que “los golpes también se dan con el respaldo de los votos… Hitler es un ejemplo”, y denunció al gobierno de urdir un plan “maquiavélico” para imponer un régimen de partido único, “inspirado en las enseñanzas del pensador Antonio Gramsci”.

Campaña electoral

Durante la campaña Dilma había dado señales sobre su intención de adoptar una posición más enérgica en materia de medios, un tema al que le había prestado poca atención durante sus primeros cuatro años de mandato. Antes de ello el PT y Lula ya habían manifestado su respaldo a una ley.

Por su parte, el candidato del polo conservador Aécio Neves se posicionó contra cualquier regulación y, asumiendo como suyo el discurso de la Asociación Brasileña de Empresas de Radio y Televisión, rechazó las “amenazas a la libertad de expresión a las que nos tiene acostumbrados el PT” .

Un hecho que posiblemente explica la decisión de ir a fondo, anunciada el viernes por Rousseff, fue el montaje urdido por Veja, de Editorial Abril, con la anuencia del resto de los medios, para boicotear el triunfo petista del 26 de octubre.

El viernes 24 de ese mes, cuando todos los sondeos indicaban que la presidenta había aumentado su ventaja sobre Neves, a unos 8 puntos, fue anticipada la edición sabatina de Veja con una denuncia posiblemente falsa que involucraba a Dilma y Lula con una red de corrupción en la petrolera Petrobras.

La maniobra, que se sumó a otras perpetradas en los últimos meses, seguramente fue orquestada con la oposición y recibió una sanción del Tribunal Superior Electoral, medida que no impidió un clima de desinformación y rumores lesivos para la candidata finalmente reelecta por sólo tres puntos de diferencia.

En su reciente entrevista, la mandataria no mencionó abiertamente a Veja (que por estos días impulsa un impeachment), pero indirectamente la comparó al tabloide News of the World, del magnate Rupert Murdoch, que dejó de ser publicado luego de un escándalo por escuchas ilegales revelado en 2011.

Antipetismo e ódio de classe

A partir das figuras do escravo e do dependente, formou-se entre nós uma massa a quem se nega o estatuto de “gente”

 

negro criança racismo

por Maria Eduarda Mota Rocha/ El País/ Espanha

 

Bastou o resultado do primeiro turno das eleições ser divulgado e, mais uma vez, os insultos aos “nordestinos miseráveis analfabetos” eleitores de Dilma Rousseff pipocaram nas redes sociais. Enquanto isso, na grande imprensa, FHC reproduzia o preconceito em sua versão mais douta e sutil, associando o voto ao PT aos “menos informados” que, por “coincidência”, são os mais pobres.

Na raiz do problema, uma velha tradição brasileira: a ausência de um arcabouço moral universalizado capaz de impor como dever o respeito a todos os seres humanos, em sua dignidade fundamental. Os “nordestinos miseráveis analfabetos” são a versão mais recente do que Jessé Souza chamou de “ralé brasileira”. Ele mostra como, a partir das figuras do escravo e do dependente, formou-se entre nós uma massa a quem se nega o estatuto de “gente”.

No caso em questão, a dignidade desses tipos sociais é duplamente negada. Primeiro, contesta-se o seu direito à manifestação mais superficial de cidadania que é o voto. Eleitores tão desinformados não deveriam votar, está implícito. Mas esta primeira recusa está fundamentada em outra, muito mais profunda, que é a do direito ao reconhecimento social já mencionado.

Ao fim e ao cabo, o que está em jogo é a grita contra a quebra do monopólio de recursos vitais para a reprodução das elites e para a manutenção do tipo obsceno de desigualdade que existe entre nós. Afinal, os governos petistas empreenderam uma política de valorização do salário mínimo e de distribuição de renda, o que fez cair a desigualdade econômica de modo contínuo, embora em ritmo mais lento nos últimos anos. A PEC das domésticas veio colocar mais lenha na fogueira porque, ao regular este tipo de trabalho, atacou o mais claro resquício da escravidão no país, uma relação que não tinha sequer uma jornada estabelecida.

Mas foi sobretudo a democratização do acesso à universidade que feriu os brios das elites nacionais, porque afetou diretamente um dos mecanismos mais importantes para a sua reprodução: o acesso exclusivo ao ensino superior. As novas universidades, a política de cotas, a expansão das vagas convergiram para fazer muitas famílias verem um de seus membros chegar pela primeira vez a este nível de escolaridade.

Para piorar a situação dos preconceituosos, já partir de 2006 as políticas inclusivas do Governo provocaram uma mudança da base eleitoral do PT, das classes médias mais escolarizadas para as classes populares, como mostrou André Singer. Eles acertam quando identificam a composição social do voto petista. Mas seu preconceito não os deixa ver que os pobres tem boas razões para isso, mesmo que o Governo tenha deixado intocados tantos outros monopólios, como o da própria mídia que agora o ataca, e que tenha se paralisado no último mandato em áreas tão importantes como a política cultural.

A corrupção é a cortina de fumaça para muitos – mas não para todos – dos que repudiam o PT neste momento. A trajetória do partido faz os escândalos que o envolvem soarem mais fétidos do que os demais, porque ele começou a conquista do poder pelo legislativo, chamando para si a função de fiscal do executivo, desde a redemocratização. Agora, a pecha de “paladino da ética” é usada contra ele. Mas, todos sabemos (mesmo que a grande mídia e os eleitores do PSDB façam questão de esquecer) que a relação viciada entre o legislativo e o executivo é constitutiva da política brasileira.

Tendo campanhas absurdamente caras, o Brasil vê chegar ao poder partidos comprometidos com grandes empresas e congressistas que votam por interesse, e não por convicção. Entretanto, por que os tantos indignados com a corrupção não defendem a reforma política que podia mudar esse estado de coisas? Porque a moralização do debate é uma forma de evitar sua politização. Politização que, aliás, avançou muito pouco durante o governo petista, o que agora pode lhe custar o Planalto. Os jovens pobres parecem ver suas conquistas como meramente pessoais, cedendo diante da ideia de meritocracia e esquecendo os fatores estruturais e a ausência de políticas públicas que explicam porque as gerações anteriores não tiveram as mesmas oportunidades. Por isso, a onda conservadora pode crescer ainda mais.

Maria Eduarda Mota Rocha é pesquisadora e professora da Universidade Federal de Pernambuco

La disputa del 26 de octubre será vital no sólo para Brasil, sino para América Latina en su conjunto

Disputa clave en Brasil

 

FHC PT PSDB Brasil

por Juan Manuel Karg

La segunda vuelta electoral en Brasil, prevista para el domingo 26 de octubre, es posiblemente uno de los momentos más decisivos que han enfrentado los gobiernos posneoliberales de la región en los últimos años. Si bien en las últimas dos décadas la polarización política en aquel país se dirime en la confrontación PT vs PSDB, esta elección presenta características singulares debido al fuerte papel que los medios hegemónicos -adversos en su mayoría al gobierno de Dilma Rousseuff- han jugado desde agosto, primero endulzando la candidatura de Marina Silva -la fugaz estrella-, luego “dejándola caer” al calor de las últimas encuestas previas a la primera vuelta, y resaltando finalmente la figura de Aécio Neves cuando ya se configuraba que este iba a ser el opositor que enfrente al PT en la segunda vuelta.
Nada mejor que analizar los recientes dichos de Fernando Henrique Cardoso para comprender la dimensión que tendrá la disputa del balotaje. Dijo el ex presidente brasileño, del PSDB, que “no es porque sean más pobres que votan al PT, es porque son menos informados”. Estas declaraciones, desafortunadas y elitistas, tuvieron un rápido reflejo del tándem Lula-Dilma, que velozmente salió a confrontar, polarizando con las políticas sociales extendidas durante sus gobiernos.

 

“Esa historia de decir que nuestros votos son de personas ignorantes demuestra prejuicio y desconocimiento”, fueron las primeras palabras de la candidata del PT, durante un acto en Salvador de Bahía en el relanzamiento de su campaña. “Como ellos no le dan importancia al pueblo, todo es destilar odio”, afirmó Rousseuff, para luego pedir “votar a favor de la verdad, de la esperanza. Vamos a votar contra la mentira y el odio”, de cara a la segunda vuelta con Aécio Neves.

 

Lula también polemizó con Cardoso, quien le puso la banda presidencial en 2002. “Es lamentable el preconcepto que tiene después de un proceso democrático tan importante”, sentenció Lula, quien luego fue al grano, al decir que “hoy, el nordestino anda con la cabeza en alto, porque no es más tratado como un ciudadano de segunda categoría. De 20 millones de puestos de empleo creados en nuestros gobiernos, casi 20% fue en el nordeste”.

 

La referencia de Lula tiene que ver con la amplia diferencia que el PT logró en el norte y nordeste del país, precisamente los votos a los que intentó hacer referencia Cardoso. ¿La amplia votación al PT, de 78% promedio en los 150 municipios más beneficiados con el Bolsa Familia, por ejemplo, puede ser tildada como “desinformación”? ¿Desconocen, al decir de Cardoso, los beneficios que han logrado durante los gobiernos del Partido de los Trabajadores o más bien lo contrario, y por ende esa inclinación masiva del voto?

 

Lo interesante de las palabras de Cardoso es que han desnudado una confrontación política, ideológica, y programática que, con Marina Silva, parecía más difusa para el PT. Además, traslucen dos modelos de gobierno que ya se han visto en la práctica: el de Cardoso, amoldado al ciclo neoliberal de mediados de los 90´, y los de Lula-Dilma, que han formado parte del conjunto de gobiernos posneoliberales que han intentando políticas de desarrollo autónomas. La disputa del 26 de octubre, por tanto, será vital no sólo para Brasil, sino para América Latina en su conjunto, que posarán sus ojos sobre el gigante latinoamericano para vislumbrar si hay una continuidad del proceso de cambios iniciado hace ya doce años, o bien el inicio de una restauración conservadora.

 

Amr Okasha

Amr Okasha

Para um futuro melhor, contra a terceirização do Brasil

fhc-depedente

Ou o povo derrota Aécio ou Aécio vai fazer pó do Brasil

por Gilmar Crestani

Os EUA já se envolveram em muitas confusões, invasões, guerras por causa do petróleo. Há anos vem massacrando povos no Oriente Médio tudo em nome do Petróleo. As insurreições recentes da Líbia, Egito, Ucrânia, Síria todas tem a ver com o petróleo. As dificuldades de os EUA aceitarem os governos recentes da Venezuela tem um nome: petróleo.

O Brasil que transformou a Petrobrás em Petrobrax para vende-la, agora quer entregar o petróleo que é nosso aos EUA. Será que é apenas para evitar invasão? Por que uma pessoa em sã consciência e lute em defesa do povo do seu país iria querer entregar por trinta dinheiros nossa maior riqueza? Logo agora que foi descoberto o pré-sal e que poderá auxiliar em muito para que o país alcance outro patamar social, com mais acesso à saúde e à educação.

O presidente da Petrobras, Philippe Reischtul, em frente ao novo logotipo da empresa. Foto: Nelson Perez/ Valor

O presidente da Petrobras, Philippe Reischtul, em frente ao novo logotipo da empresa. Foto: Nelson Perez/ Valor

Os ataques à Petrobrás, com a participação dos mesmos grupos de mídia que apoiaram o golpe militar e a ditadura que se seguiu, que aliás contou com a participação da norte-americana através da CIA, se uniram à corrente política dos pés descalços. Aquela que tirava os sapatos para entrar nos EUA.

Alguém em sã consciência me diz por que entregar o nosso petróleo aos EUA? Por que entregar os Estaleiros de Rio Grande, no RS, e SUAPE, em Pernambuco, que empregam milhares de pessoas e desenvolvem a tecnologia da construção de grandes navios e plataformas de petróleo aos EUA? Por que esse Complexo de Vira-Latas?

Alguém que prefere que nossas riquezas seja geridas por outros países ou por empresas de fora é alguém que não sabe gerir nem gosta do próprio país. Pior, é entreguista, um canalha!

Sabe com quem está falando?

Duvido que 1% dos manifestantes de julho de 2013 tenha algum dia lido A Pirâmide e o Trapézio ou Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro. Não têm a mínima noção do porque o Brasil já foi considerado a República dos Doutores, que resolvia tudo na base do carteiraço. Exatamente como tentou fazer Lasier Martins com aquele funcionário da Polícia Federal que expedia Passaporte….

Lasier Martins é uma personagem atual mas saída das Memórias de um Sargento de Milícias… É o malandro que usa o um espaço de uma concessão pública, como a TV e Rádio, para se vingar do ex-patrão, tal qual rezava a famosa Lei de Gérson: “”Por que pagar mais caro se o Vila me dá tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também, leve Vila Rica!”. Ao usar uma concessão pública, como a RBS, para se catapultar à política, Lasier Martins é exemplo vivo da propaganda estrelada pelo atleta Gerson da Seleção de 70. Os jovens não precisavam saber disso, mas muito velhaco, que tinha conhecimento deste tipo de malandragem, votaram no malandro. A dúvida é porque também querem levar vantagem em tudo, serem malandros?!

brizola lasier

Perdi a paciência e já não estou disposto a sentir vergonha alheia. É difícil engolir que a RBS consiga ter dois representantes no Senado, tendo, com isso, preterido Olívio Dutra por puro “ódio ao PT”. Não há termo de comparação entre Olívio Dutra e Lasier Martins, seja pelo que já fizeram para e pela sociedade gaúcha, sejam em termos de caráter.

Não suporto voto de manada e vou explicar porque é de manada!

Povinho Bunda!

Um povo que escolhe dois Senadores da República tendo por único “mérito” serem funcionários da RBS merece usar cabresto. E comer grama, no coxo. Ou ração, no chiqueiro.

Não por que isso não fosse previsível. Claro que sim. Afinal, somos o Estado que comemora uma derrota, a Guerra dos Farrapos. Guerra em que puseram os Lanceiros Negros para frente de batalha com a promessa de liberdade. Em Porongos a promessa de liberdade se transformou em massacre.

E aí o Hino Rio-Grandense diz: “povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. Como quem diz: vocês, Lanceiros Negros, são escravos porque não têm, mesmo lutado pelo RS, virtude. Por isso devem continuar escravos.

O mesmo Hino que diz, “sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”. Que façanhas? A façanha foi ter perdido a guerra, concluída com o massacre de quem lutou na linha frente, em Porongos…

Povo racista

O bronco, estúpido ignorante e mau caráter Levy Fidelix fez mais votos entre os gaúchos do que entre o povo do Nordeste. Por quê? Na seção em que trabalhei no Menino Deus, em Porto Alegre, fez 10 votos. Menino Deus é um bairro de uma classe média abaixo da média, decadente, mas que pensa que é classe média alta.

patricia-moreira

O povo gaúcho, que se auto denomina o mais politizado do Brasil é o povo que elege um Deputado racista e homofóbico, Luis Carlos Heinze (PP). Olha só o cuidado, as luvas de pelica que a RBS usa para tratar o sujeito: “Em vídeo, deputado gaúcho diz que “quilombolas, índios, gays, lésbicas” são “tudo que não presta”. Sorte dele que não é petista, senão a RBS teria posto o nome dele em letras garrafais e xingaria o partido durante várias gerações. Faria o que Lasier Martins confessou que fez com Renato Ribeiro, seu ex-patrão. Contaria no Jornal do Almoço e depois iria para a Rádio Gaúcha fazer dobradinha com Augusto Nardes

heinze

E aí vem a pergunta: por que a RBS protege racista? Sim, porque além da identidade ideológica também trabalha na RBS outros racistas, como Cacalo. E é compreensível já que a RBS é repetidora da Globo que tem por Diretor Geral de Jornalismo e Esportes um sujeito que escreveu um livro: “Não Somos Racistas”, Ali Kamel.

Cacalo declarou que chamar alguém de macaco é do folclore do futebol. Quem acredita no Cacalo acredita em qualquer coisa. Sim porque senão por que quem chamou o goleiro Aranha de macaco não chama Rogério Ceni de macaco?!

Um povo que não tem virtude tem um clube excluído de uma competição nacional porque tem torcida racista. O presidente deste clube, na véspera do julgamento, faz uma encenação rocambolesca e suspende uma torcida. Terminado o julgamento, devolve-a aos seus costumes, tripudiando para cima do STJD. Não só, brincando com todos os que não querem mais ver racismo. Por aí se explica porque este povo elege uma pessoa racista e homofóbica como Luis Carlos Heinze (PP).

Há no RS uma componente nazifacista. Às vezes latente, às vezes extravasa e gera um Adão Latorre, especialista em degola.

Ku-Klux-Kan de jaleco branco

O que foi a campanha do CREMERS na semana da eleição senão uma lembrança das procissões da Ku-klux-Kan? Uma classe que jura a defesa da vida não pode tratar a vida dos outros com tamanho desprezo.

O que a máfia de branco pensa das pessoas que não tinham acesso ao atendimento médico e passaram a ter graças ao Mais Médicos? Desprezo.

O ódio ao Mais Médicos por uma parcela dos a$$oCIAdos do CREMERS revela todo o apego pecuniário em detrimento ao respeito mínimo que merece um pobre de periferia. Em algumas celebrações se joga arroz, na dos filiados ao CREMERS pode-se jogar, sem qualquer constrangimento, moedas. São pessoas movidas unicamente pelo dinheiro. São pessoas de valor. Monetário.

Ódio de Classe

E aí volto para um circo de pessoas mais próximas. Pessoas que ou não conseguem perceber que há um massacre da mídia para cima do PT. Um massacre que se revela em “Eu odeio o PT”.

Afinal, por que ninguém odeia o Partido do Bolsonaro, do Marco Feliciano, do Silas Malafaia, do Paulo Maluf, do Luis Carlos Heinze? Simples. Porque a velha mídia sequer condena eles, jamais condenaria o partido. A manada odeia quem a velha mídia manda odiar. Ela não se dá ao cuidado de eleger com seus próprios neurônios um objeto para seu ódio, segue o caminho mais fácil, pronto e acabado, entregue de mão beijada pelos grupos mafioMidiáticos.

Não sou filiado, nem o PT precisa da minha defesa.

O que me incomoda não é o “odeio o PT”, mas a gratuidade do gesto. Como que se fosse um ato impensado, que sai automático, do inconsciente.

Por que será que este ódio parte sempre da direita? A mesma direita que patrocinou uma ditadura, que O Globo saudou em editorial, desejando boas vindas?

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A ditadura em que as pessoas que deram o golpe também prendiam sem mandado de prisão. Depois de presos, torturavam. Depois de torturar, estupravam. Depois de estupradas, eram mortas. Depois de mortas, esquartejadas. Depois de esquartejadas, espalhadas em valas clandestinas, como a do Cemitério de Perus, em São Paulo. Espalhavam para que as famílias não pudesse encontrar os restos mortais. Como fizeram com o deputado Rubens Paiva. Quem lutou e enfrentou de peito aberto os ditadores e seus sequazes foi Dilma Roussef. Será que vem daí o ódio desta direita hidrófoba? Por que Dilma merece ataque constante da Rede Globo enquanto o ditador João Batista Figueiredo, que dizia preferir o cheiro dos cavalos ao cheiro povo, era tratado como parceiro da casa?

Os ignorantes ou inebriados pelo ódio não se dão conta que jornais, rádios, tvs jamais atacam Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Silas Malafaia, Luis Carlos Heinze. Os partidos a que pertencem estas figuras jamais são atacados por darem guarida a tais espécimes.

Cemitério Perus

Cemitério de Perus

Aroeira

Aroeira

 

Alguém viu Zezé Perrella ser atacado por ser o dono do helicóptero que transportava 450 kg de cocaína? Alguém viu, leu ou ouviu condenação ao partido deste político por te-lo entre suas fileiras? Alguém nas velhas mídias associou Zezé Perrella ao seu amigo Aécio Neves?

 

Alguém já viu alguma capa da Veja mostrando José Roberto Arruda como condenado por ser Ficha Suja, ou dizendo maldades de seu partido? Ou execrando o Ministro do STF que, instado por um ex-presidente da República, buscou livrar Arruda no TSE? Por que não há condenação ao partido do José Roberto Arruda?

Outro político de Brasília, Luiz Estêvão, foi preso? Alguém viu capas de jornais ou revistas massacrando o partido dele? Aliás, quem lembra qual é o partido deste agora presidiário?

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Luiz Estevão prisão domiciliar. A justiça quer assim

Luiz Estevão prisão domiciliar. A justiça quer assim

Manchetômetro

Por que esta diferença de tratamento: condenação generalizada ao partido PT sempre que alguém ligado ao partido é denunciado? Por que não há condenação do PP do Paulo Maluf e do Luis Carlos Heinze? Por que o PMDB de José Sarney, Luiz Estêvão não é hostilizado? Por que o DEM do Demóstenes Torres não é execrado? Por que o PSDB, partido do presidente que comprou a reeleição pagando R$ 200 mil reais para cada deputado que votou pela aprovação da emenda da Reeleição nunca é denegrido em manchetes de jornais ou capas de revistas, nem aparece em reportagens de TV recebendo tratamento vexatório?

As pessoas que não conseguem identificar a diferença de tratamento podem ser comparadas a uma manada. Numa tropilha, à égua-madrinha. Não têm a mínima ideia, mas segue a trilha já pisoteada por quem está na frente. As pessoas que sabem que existem esta diferença de tratamento e, por isso, festejam, parabéns. Vocês venceram. Mas sua companhia me dá asco. Quando as ouço fazem-me lembrar de Sêneca, que dizia preferir ser surdo que ouvir certas pessoas falarem.

Será que é tão difícil perceber isso? O manchetômetro da UFRJ demonstrou por meios estatísticos a diferença de tratamento. Então, não é algo que não esteja à disposição de quem tiver interesse em se esclarecer. Se as pessoas com alguma informação não conseguem perceber a diferença de tratamento que Veja, Estadão, Folha, RBS, Globo dão para políticos que cometem os mesmos crimes porque os que teriam menos instrução se preocupariam com isso?

Piores são os que exatamente por compreenderem esta diferença com ela se congratula. Cheguei numa idade em que posso me dar ao luxo de manda-los à merda, não preciso deste tipo de convivência.

Votar em Aécio significa mais manipulação nos meios mafiomidiáticos, mais tóxico nas ruas, mais cocaína nos aeroportos. Aécio vai deixar a população que hoje recebe atendimento do Mais Médicos, em torno de 15 mil profissionais, sem serviço médico. Vai entregar a Petrobrás aos EUA. O Itamaraty à Marina Silva. O Banco Central ao Banco Itaú. E a Polícia Federal ao José Serra.

Que é isso, Aécio? Pó pará, governador!

O TREM DA CORRUPÇÃO. Cartel operou na CPTM durante gestão Serra

O TREM DA CORRUPÇÃO. Cartel operou na CPTM durante gestão Serra

 

Marina e a desinibição da direita

Marina CLT terceirização

 

por Paulo Metri (*)

 

Hoje, a candidata Marina fala em mexer na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), pois, segundo fonte da sua campanha, “estas garantias trabalhistas são um peso para o desenvolvimento”. O mais surpreendente é que ninguém fica ruborizado.

Quantos sindicalistas e políticos socialmente comprometidos lutaram para trazer ganhos para a classe trabalhadora, e que a direita quer ver anulados, agora, com raciocínios tendenciosos e sem debate? Tudo isto com a roupagem da “nova política”, através de consultas diretas à população, depois da divulgação de teses mal explicadas e manipuladas pela mídia antidemocrática que temos. Acerca de qualquer assunto, esta só divulga a versão do capital. O brasileiro, com a catequese insistente e sem acesso a outra análise dos fatos, fica desinformado e pronto para votar mal em qualquer plebiscito.

Nos últimos oito anos, desde a descoberta do Pré-Sal, por interferência dos governos de plantão, não tinha eco a entrega desta gigantesca reserva por concessão a grupos estrangeiros, através da qual eles só pagam os royalties e ficam com a totalidade do petróleo e a maior parte do lucro. Pois bem, nesta eleição, chega-se ao auge da sem-vergonhice petulante, ao se propor a entrega por concessão do Pré-Sal, respaldada, mais uma vez, por esta grande criadora de falsas “verdades”, a mídia. Também a Petrobras ser a operadora única do Pré-Sal, o que acarreta a maximização das compras locais, provavelmente terá seus dias contados se Marina ou Aécio ganhar a eleição. No momento, a direita quer o poder a qualquer custo e, para tanto, não está medindo esforços. A sociedade que se defenda, porque as perdas serão incalculáveis.

Hoje, qualquer crápula, sabedor da impunidade, mesmo se defender os interesses estrangeiros e receitar a miséria aos seus compatriotas, age de forma desinibida. Então, advogam o tripé econômico e outras medidas, sem grandes explicações para a população. O Brasil passa por um momento crucial, pois uma eleição é sempre definidora do futuro. Pode-se embarcar em um projeto de desenvolvimento com desconcentração de renda e riqueza, na mesma tendência dos últimos três governos, ou “liberalizar” tudo. Esta palavra, que continha um valor tão positivo no início do século passado, significando a conquista de direitos políticos, foi enxovalhada pelo neoliberalismo e, hoje, significa propostas econômicas causadoras de enormes perdas sociais. Assim, a direita “saiu do armário” e usa a sua mídia, a única a que a grande massa tem acesso, para atingir a seus objetivos.

Ninguém sabe ao certo qual o verdadeiro programa de governo de Marina, porque as versões dos seus programas têm prazo de validade curto. Além dos temas considerados nobres pelos evangélicos, como criminalização da homofobia e casamento gay, ela titubeia também em relação ao Pré-Sal, à reforma da CLT, ao agronegócio e outros tópicos.

Aliás, uma recomendação que pode ser feita, se você representa um grupo de interesse, cujas reivindicações foram negadas pela candidata, procure mostrar a ela quantos votos o grupo detém e, dependendo do seu valor eleitoral, ela mudará de opinião. Tendo este modo de agir, ela deveria ter feito um plebiscito para definir seu programa, pelo menos para os itens para os quais os financiadores de campanha não exigem posições, pois ela parece não ter opinião formada sobre nada e adere sempre à posição que traz o maior número de votos. Resta saber quais serão suas decisões, se eleita, uma vez que quem não tem escrúpulos para mudar frequentemente de opinião antes de eleita, por que os teria depois?

Vasqs

Vasqs

 

Com relação à independência do Banco Central, ao papel dos bancos públicos e à revisão da lei da Anistia, Marina não titubeou em instante algum, apesar de estar totalmente errada. Com isto ganhou como aliados os novos e os antigos torturadores da população, pois o capital financeiro privado, nacional ou internacional, nada mais é que o novo causador de sofrimento ao povo com técnicas bem mais sutis que as da ditadura.

Marina pertenceu, na maior parte da sua vida política, a um partido que sempre pregou teses opostas às suas atuais. Por exemplo, o PT nunca pregou a autonomia do Banco Central, como tese partidária, e ela nunca reclamou durante os 24 anos em que lá esteve. Antes que seus adeptos fanáticos digam que nomear Henrique Meirelles significou dar a maior autonomia possível a este banco, lembro que ele era demissível a qualquer momento e ninguém nunca viu Henrique Meirelles indemissível no Banco Central. Esta impossibilidade de demissão da diretoria do banco pelo presidente da República é o que Marina quer fazer.

Existe o ditado popular cheio de sabedoria: “diz-me com quem andas e eu te direi quem és!”. Baseado neste conceito, o que dizer de Marina, sabendo que ela anda com André Lara Rezende, Eduardo Giannetti, Mauricio Rands, Neca e Roberto Setubal, Pedro Moreira Salles, Guilherme Leal, Beto Albuquerque, João Paulo Capobianco, Silas Malafaia, a família Brenninkmeyer (dona da C&A), a ONG Greenpeace, a ONG World Wildlife Fund, a família real inglesa e círculos oficiais e financeiros estadunidenses? Concluo que ela é neoliberal, conservadora e entreguista.

Giancarlo Moser

Giancarlo Moser

Marina tem passagem livre em organizações internacionais com objetivos no mínimo questionáveis, como o Diálogo Interamericano. A sua participação em entidades internacionais com supostos propósitos ambientais e supranacionais lhe valeu a emblemática participação na abertura dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres, sem o conhecimento prévio do convite pelo governo brasileiro. Assim, ela foi uma das oito personalidades mundiais que entraram no Estádio Olímpico na cerimônia de abertura. Sobre este ocorrido, o ministro do Esporte Aldo Rabelo disse: “Marina sempre teve boa relação com as casas reais da Europa e com a aristocracia européia. Não podemos determinar quem a Casa Real vai convidar, fazer o que?”.

Gostaria de saber o que pensariam, das teses de Marina Silva, João Mangabeira, Hermes Lima, Rubem Braga, José Lins do Rego, Antônio Cândido, Joel Silveira, Mário Apolinário dos Santos, Hélio Pellegrino, Sérgio Buarque de Hollanda, Evandro Lins e Silva, Antônio Houaiss, José Joffily, Evaristo de Morais Filho, Paul Singer, Jamil Haddad, Saturnino Braga, Adalgisa Nery e Francisco Julião, dentre tantos outros nomes históricos do Partido Socialista Brasileiro. Por sorte, Saturnino Braga está vivo e analisa, não só o voto em Marina, como também o voto nesta eleição, em artigo disponível na internet no “Correio Saturnino 311”. Contudo, esta não é a primeira vez, na história brasileira, que enxovalham um partido.

Marina representa, assim como Aécio, a submissão aos interesses do grande capital, inclusive o internacional, em detrimento dos interesses do povo. A arquitetura política da direita, para esta eleição, foi maquiavelicamente elaborada, pois os dois candidatos a satisfazem, duplicando sua chance de sair vitoriosa, e com um único perdedor, a sociedade.

Porém, estão errados os que pensam que a população, apesar da mídia vendida, não capta posturas, incoerências e desvios éticos dos candidatos. Ela presta atenção não só às falas proferidas, como intui também o que está por trás das mesmas. O vai-e-vem da candidata Marina em seu pensamento político demonstra um desejo enorme de ir rapidamente ao pote para saciar sua sede de poder.

Assim, confio no discernimento popular e no seu aprendizado político adquirido nos últimos anos. Ganhando Dilma, resta ao PT fazer uma autoanálise para saber o porquê de ter gerado tanto ressentimento em certas camadas da sociedade, retiradas aquelas que são motivadas pela perda da exploração sobre outras classes.

 

(*)  Conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania

“Neste momento em que um golpe ronda um país vizinho, é meu dever dizer aos jovens o que é um golpe de estado”

“É meu dever dizer aos jovens o que é um golpe de estado”

por Hildegard Angel

Ditadura

Neste momento extremamente grave em que vemos um golpe militar caminhar célere rumo a um país vizinho, com o noticiário chegando a nós de modo distorcido, utilizando-se de imagens fictícias, exibindo fotos de procissões religiosas em Caracas como se fosse do povo venezuelano revoltoso nas ruas; mostrando vídeos antigos como se atuais fossem; e quando, pelo próprio visual próspero e “coxinha” dos manifestantes, podemos bem avaliar os interesses de sua sofreguidão, que os impedem de respeitar os valores democráticos e esperar nova eleição para mudar o governo que os desagrada, vejo como meu dever abrir a boca e falar.

Dizer a vocês, jovens de 20, 30, 40 anos de meu Brasil, o que é de fato uma ditadura.

Se a Ditadura Militar tivesse sido contada na escola, como são a Inconfidência Mineira e outros episódios pontuais de usurpação da liberdade em nosso país, eu não estaria me vendo hoje obrigada a passar sal em minhas tão raladas feridas, que jamais pararam de sangrar.

Fazer as feridas sangrarem é obrigação de cada um dos que sofreram naquele período e ainda têm voz para falar.

Alguns já se calaram para sempre. Outros, agora se calam por vontade própria. Terceiros, por cansaço. Muitos, por desânimo. O coração tem razões…

Eu falo e eu choro e eu me sinto um bagaço. Talvez porque a minha consciência do sofrimento tenha pegado meio no tranco, como se eu vivesse durante um certo tempo assim catatônica, sem prestar atenção, caminhando como cabra cega num cenário de terror e desolação, apalpando o ar, me guiando pela brisa. E quando, finalmente, caiu-me a venda, só vi o vazio de minha própria cegueira.

Meu irmão, meu irmão, onde estás? Sequer o corpo jamais tivemos.

Outro dia, jantei com um casal de leais companheiros dele. Bronzeados, risonhos, felizes. Quando falei do sofrimento que passávamos em casa, na expectativa de saber se Tuti estaria morto ou vivo, se havia corpo ou não, ouvi: “Ah, mas se soubessem como éramos felizes… Dormíamos de mãos dadas e com o revólver ao lado, e éramos completamente felizes”. E se olharam, um ao outro, completamente felizes.

Ah, meu deus, e como nós, as famílias dos que morreram, éramos e somos completamente infelizes!

A ditadura militar aboletou-se no Brasil, assentada sobre um colchão de mentiras ardilosamente costuradas para iludir a boa fé de uma classe média desinformada, aterrorizada por perversa lavagem cerebral da mídia, que antevia uma “invasão vermelha”, quando o que, de fato, hoje se sabe, navegava célere em nossa direção, era uma frota americana.

Deu-se o golpe! Os jovens universitários liberais e de esquerda não precisavam de motivação mais convincente para reagir. Como armas, tinham sua ideologia, os argumentos, os livros. Foram afugentados do mundo acadêmico, proibidos de estudar, de frequentar as escolas, o saber entrou para o índex nacional engendrado pela prepotência.

As pessoas tinham as casas invadidas, gavetas reviradas, papéis e livros confiscados. Pessoas eram levadas na calada da noite ou sob o sol brilhante, aos olhos da vizinhança, sem explicações nem motivo, bastava uma denúncia, sabe-se lá por que razão ou por quem, muitas para nunca mais serem vistas ou sabidas. Ou mesmo eram mortas à luz do dia. Ra-ta-ta-ta-tá e pronto.

E todos se calavam. A grande escuridão do Brasil. Assim são as ditaduras. Hoje ouvimos falar dos horrores praticados na Coreia do Norte. Aqui não foi muito diferente. O medo era igual. O obscurantismo igual. As torturas iguais. A hipocrisia idêntica. A aceitação da sobrevivência. Ame-me ou deixe-me. O dedurismo. Tudo igual. Em número menor de indivíduos massacrados, mas a mesma consistência de terror, a mesma impotência.

Falam na corrupção dos dias de hoje. Esquecem-se de falar nas de ontem. Quando cochichavam sobre as “malas do Golbery” ou as “comissões das turbinas”, as “compras de armamento”. Falavam, falavam, mas nada se apurava, nada se publicava, nada se confirmava, pois não havia CPI, não havia um Congresso de verdade, uma imprensa de verdade, uma Justiça de verdade, um país de verdade.

E qualquer empresa, grande, média ou mínima, para conseguir se manter, precisava obrigatoriamente ter na diretoria um militar. De qualquer patente. Para impor respeito, abrir portas, estar imune a perseguições. Se isso não é um tipo de aparelhamento, o que é, então? Um Brasil de mentirinha, ao som da trilha sonora ufanista de Miguel Gustavo.

Minha família se dilacerou. Meu irmão torturado, morto, corpo não sabido. Minha mãe assassinada, numa pantomima de acidente, só desmascarada 22 anos depois, pelo empenho do ministro José Gregory, com a instalação da Comissão dos Mortos e Desaparecidos Políticos no governo Fernando Henrique Cardoso.

Meu pai, quatro infartos e a decepção de saber que ele, estrangeiro, que dedicou vida, esforço e economias a manter um orfanato em Minas, criando 50 meninos brasileiros e lhes dando ofício, via o Brasil lhe roubar o primogênito, Stuart Edgar, somando no nome as homenagens ao seus pai e irmão, ambos pastores protestantes americanos – o irmão assassinado por membro louco da Ku Klux Klan. Tragédia que se repetia.

Minha irmã, enviada repentinamente para estudar nos Estados Unidos, quando minha mãe teve a informação que sua sala de aula, no curso de Ciências Sociais, na PUC, seria invadida pelos militares, e foi, e os alunos seriam presos, e foram. Até hoje, ela vive no exterior.

Barata tonta, fiquei por aí, vagando feito mariposa, em volta da fosforescência da luz magnífica de minha profissão de colunista social, que só me somou aplausos e muitos queridos amigos, mas também uma insolente incompreensão de quem se arbitrou o insano direito de me julgar por ter sobrevivido.

Outra morte dolorida foi a da atriz, minha verdadeira e apaixonada vocação, que, logo após o assassinato de minha mãe, precisei abdicar de ser, apesar de me ter preparado desde a infância para isso e já ter alcançado o espaço próprio. Intuitivamente, sabia que prosseguir significaria uma contagem regressiva para meu próprio fim.

Hoje, vivo catando os retalhos daquele passado, como acumuladora, sem espaço para tantos papéis, vestidos, rabiscos, memórias, tentando me entender, encontrar, reencontrar e viver, apesar de tudo, e promover nessa plantação tosca de sofrimentos uma bela colheita: lembrar aos meus mártires, e tudo de bom e de belo que fizeram pelo meu país, quer na moda, na arte, na política, nos exemplos deixados, na História, através do maior número de ações produtivas, efetivas e criativas que possa multiplicar.

E ainda há quem me pergunte em quê a Ditadura Militar modificou minha vida!

[Acrescentei o trailer do filme Zuzu Angel, e os links biográficos]

As dez estratégias para a manipulação da opinião pública

Noam Chomsky define 10 maneiras de como a mídia manipula informações para guiar a opinião pública de acordo com seus interesses

 Kavehadel

Kavehadel

Mustafá Ali Kanso, no Hypescience faz um resumo:
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1 – DISTRAÇÃO
Um dos principais componentes do controle da opinião pública é a estratégia da distração fundamentada em duas frentes:
Primeiro, desviar a atenção do público daquilo que é realmente importante oferecendo uma avalanche de informações secundárias e inócuas, que como uma cortina de fumaça esconde os reais focos de incêndio.
Em segundo, distrair o público dos temas significativos e impactantes tanto na área da economia  quanto da ciência  e tecnologia (tais como psicologia, neurobiologia, cibernética, entre outras).
Quando mais distraído estiver o público menos tempo ele terá para aprender sobre a vida e/ou para pensar.
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2 – MÉTODO PROBLEMA-REAÇÃO-SOLUÇÃO.
Cria-se um problema ou uma situação de emergência (ou aproveita-se de uma situação já criada) cuja abordagem dada pela mídia visa despertar uma determinada reação da opinião pública.
Tal reação demanda a adoção de medidas imediatas para a solução da crise.
Usualmente tais medidas já estão praticamente prontas e são aplicadas antes que a população se dê conta de que essa sempre fora a meta primordial.
Por exemplo:
Valer-se de atentados terroristas para sequestrar da população seus direitos civis. (Depois de 11 de setembro qualquer cidadão em solo norte-americano pode ser “detido para averiguações” fora ou dentro de sua residência, sem direito a advogado, ou defesa, exatamente como o que ocorria no Brasil durante a ditadura militar – basta que se acione a tal lei da Segurança Nacional).
Valer-se do crescimento da violência urbana para aprovar leis de desarmamento completo da população civil.
Valer-se de crises econômicas para fazer retroceder os avanços conquistados nas leis trabalhistas e promover o desmantelamento dos serviços públicos de assistência aos mais pobres.
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3 – GRADAÇÃO 
É uma estratégia de aplicação de medidas impopulares de forma gradativa e quase imperceptível.
Por exemplo, entre 1980 e 1990 foram aplicadas medidas governamentais que desembocaram no perfil de estado mínimo, privatizações dos serviços públicos, precariedade da ação do estado (principalmente na segurança, saúde e educação), flexibilidade das leis trabalhistas, desemprego em massa, achatamento salarial, etc.
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4 – SACRIFÍCIO FUTURO
Apresentar com muita antecedência uma medida impopular que será adotada no futuro sempre de forma condicional, porém com contornos nefastos.
Primeiro para dar tempo para que o público se acostume com a ideia e depois aceitá-la com resignação quando o momento de sua aplicação chegar.
É mais fácil aceitar um sacrifício no futuro do que um sacrifício imediato tendo-se em conta que existe sempre uma esperança, mesmo que tênue, de que o sacrifício exigido poderá ser evitado ou que os danos poderão ser minimizados.
Por exemplo:
Antes da aplicação de um aumento de 10% na tarifa de energia elétrica:
Se o clima não mudar teremos aumento de 25% no preço da tarifa de energia.
Na aplicação do aumento da tarifa:
Devido a um esforço coletivo do governo federal e estadual o aumento acabou se concretizando em apenas 10%.
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5 – DISCURSO PARA CRIANÇAS
Emprego de um discurso infantilizado, valendo-se de argumentos, personagens, linguagens, estratégias, etc. como que dirigido a um público formado exclusivamente por crianças ou por pessoas muito ingênuas.
Quando um adulto é tratado de forma afetuosa como se ele ainda fosse criança observa-se uma tendência de uma resposta igualmente infantil.
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6 – SENTIMENTALISMO E TEMOR
Apelar para o emocional de forma ou sentimentalista ou atemorizante com intuito de promover um atraso tanto na resposta racional quanto do uso do senso crítico.  Geralmente tal estratégia é aplicada de forma combinada com a número 4 e/ou número 5.
A utilização do registro emocional permite o acesso ao inconsciente e  promove um aumento da suscetibilidade ao enxerto de ideias, desejos, medos e temores, compulsões, etc. e à indução de novos comportamentos.
Exemplo:
Para prevenirmos a ação de terroristas todos os passageiros serão submetidos a uma rigorosa revista antes de embarcar. Colaborem!
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7 – VALORIZAR A IGNORÂNCIA E A MEDIOCRIDADE
Manter em alta a popularidade de pessoas medíocres e ignorantes aumentando sua visibilidade na mídia, para que o estúpido, o vulgar e o inculto seja o exemplo a ser seguido principalmente pelos mais jovens.
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8- DESPRESTIGIAR A INTELIGÊNCIA
Apresentar o cientista como vilão e o intelectual como pedante ao mesmo tempo em que populariza a caricatura do “nerd” ou “CDF”  como pessoas ineptas do ponto de vista social e um exemplo a não ser seguido pelos mais jovens — estimulando, por um lado, a negação da ciência e, por outro, o desprestígio do uso da racionalidade e do senso crítico.
Geralmente tal realidade se coaduna com a oferta de uma educação de menor qualidade para a população mais pobre – que não se queixa disso por que é moda ser ignorante.
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9- INCENTIVAR E INCUTIR A CULPA 
Incutir, incentivar e reforçar a culpa do indivíduo quando do seu fracasso, dividindo assim a sociedade em duas categorias: a de vencedores e a de perdedores.
O “perdedor” (ou loser em inglês) é o indivíduo que não possui habilidades ou competências para alcançar o sucesso que o outro tem.
Daí a grande visibilidade que a mídia oferece a modelos minoritários de beleza e sucesso.
Recordando que apenas alguns poucos seres humanos podem ser enquadrados nesse modelo tão rigoroso que categoriza, discrimina e impõe o que é belo, jovem, célebre e bem sucedido.
O restante da humanidade deve se conformar com sua condição de perdedor e carregar com resignação esse seu status.
Ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo resigna-se e conforma-se com sua situação pessoal, social e econômica, atribuindo seu “fracasso” à sua completa incompetência. Culpar-se constantemente por isso, atua na formação de um desejado estado depressivo, do qual, origina-se a apatia.
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10- MONITORAÇÃO
Por meio do uso de técnicas de pesquisa de opinião, mineração de dados em redes sociais e também dos avanços nas áreas de psicologia e neurobiologia, os donos do poder tem conseguido conhecer melhor o comportamento do indivíduo comum muito mais do que ele mesmo.
A monitoração deste comportamento além de alimentar os dados que aperfeiçoam seu modelo psicossocial, oferecem informações que facilitam o controle e a manipulação da opinião pública. [fonte: syti.net ]
 televisão tv teleaditos indignados

O assassinato de Santiago. A morte como espetáculo

Por Luciano Martins Costa

televisão protesto

A sequência do noticiário sobre a morte do cinegrafista Santiago Andrade, causada pela explosão de um morteiro, lança o leitor atento em uma enorme confusão. Mesmo levando-se em conta o turbilhão emocional provocado por eventos desse tipo, do qual nem repórteres experientes estão isentos, o conjunto das informações, análises, palpites e iniciativas descreve uma sociedade atônita, sem noção da realidade, crédula ao nível da carolice e ao mesmo tempo cética diante de informações avalizadas pela imprensa.

Mas não é a sociedade que está aturdida: é a versão midiatizada da sociedade que nos parece à beira de um ataque de nervos. A diferença entre o ambiente social e sua representação na mídia tem sido marcada em estudos recentes sobre comunicação e cultura, mas em geral eles se concentram em reflexões sobre o funcionamento do chamado espaço informativo, ou espaço informacional.

A sociedade é a expressão das relações conscientes entre as pessoas, com objetivo do bem comum. A sociedade midiatizada é a expressão do interesse de quem media essas relações. Essa curta e certamente pobre contextualização pode ser útil para lembrar que nem tudo que sai na imprensa é exatamente jornalismo.

Aliás, um dos problemas da observação da imprensa nestes tempos de grandes mudanças é justamente a mistura de jornalismo e imprensa: nem sempre o que a imprensa faz é jornalismo, e, cada vez com mais frequência, o jornalismo costuma ser encontrado fora do sistema que chamamos de imprensa.

Vejamos, então, alguns dos elementos desse conjunto de informações que compõem o noticiário sobre a morte de Santiago Andrade, com os quais tentaremos pintar um quadro mais ou menos compreensível.

Primeira dificuldade: entender o que vem a ser o tal Black Bloc. Sem uma estrutura visível, caracterizada apenas por uma disposição permanente para a violência, essa coisa tem sido apresentada ora como horda, ora como massa de manobra, ora como organização política de orientação anarquista. Segunda dificuldade: situar nesse contexto os dois jovens apontados como coautores da morte do cinegrafista da TV Bandeirantes.

Mídia e sociedade

Há outras dificuldades presentes na tarefa de encontrar um significado nessa maçaroca de notícias, opiniões e palpites. Por exemplo, muitos jornalistas ativos nas redes sociais duvidam que o jovem acusado de acender o petardo, identificado como Caio Silva de Souza, seja o mesmo homem que aparece de costas, na cena do crime.

Preso na madrugada desta quarta-feira (12/2), ele confessou ter acendido o artefato, mas disse pensar que se tratava de uma bomba comum, do tipo conhecido como “cabeça de negro”, e que se surpreendeu quando o projétil saiu voando.

A polícia identificou e prendeu o autor da detonação a partir da descrição que foi feita pelo jovem que portava o morteiro, não pelas fotografias, e fica sem explicação a imagem do homem que aparece nas cenas do protesto, e que certamente não se parece com o jovem esquálido que confessa ter participado do incidente.

Esclarecido que Fábio Raposo, de 22 anos, entregou o rojão a Caio Silva, de 23 anos, desfaz-se a dúvida sobre a dupla autoria, mas surgem questionamentos sobre a anunciada periculosidade dos dois jovens e a eventual participação de uma terceira pessoa. Nos arquivos da polícia, a única coisa que existe é a suspeita, sem provas, de que um deles foi acusado de portar drogas há três anos. O ato que cometeram se aproxima mais da irresponsabilidade, do crime culposo, do que da ideia de uma ação terrorista que excitou o Congresso Nacional.

Da mesma forma, fica registrado o esforço feito pelo jornal O Globo e pela TV Globo para incriminar o deputado Marcelo Freixo, do PSOL, com mais um episódio de manipulação dos fatos por parte da imprensa.

Registre-se também a profusão de artigos, entre eles o texto de autoria de um professor de Ciência Política da USP, que expressam um sentimento de pânico onde se misturam ações do crime organizado, depredações de ônibus e manifestantes mascarados, num retrato de uma sociedade que estaria, segundo essa visão, insatisfeita “com tudo isso que está aí”.

Ora, pode-se afirmar que o mal-estar está presente, de forma generalizada, no ambiente da sociedade midiatizada, mas isso não quer dizer que o mesmo sentimento domina a sociedade real.

O que sai na imprensa é, na melhor das hipóteses, apenas uma versão da realidade.

A mais espetaculosa.

El periódico “Público” anuncia la posibilidad de cierre

Capa do jornal de janeiro 11, 2012

Capa do jornal de janeiro 11, 2012

¿Naufraga el bastión de la socialdemocracia española?

Máximo Relti

Según expresaba en el editorial del periódico de ese mismo día su director Jesús Maraña, los problemas que atraviesa Público “no derivan del cambio político surgido de las últimas citas electorales” sino que son consecuencia de la actual situación económica general en el ámbito de las empresas de la comunicación en España. Maraña precisaba en su editorial que desde su nacimiento, en septiembre del año 2007, la tirada del diario no había dejado de crecer. El editorialista puntualizaba, igualmente, que el periódico edita 87.000 ejemplares diarios, de acuerdo con lo que indicó el último control de la OJD. Por otra parte, según escribe Maraña, la edición digital de Público ronda los 5 millones de usuarios únicos. Sin embargo, la caída en picado de la publicidad ha situado a esta empresa periodística al borde de la quiebra. “La búsqueda de préstamos financieros en los últimos meses y hasta el mismo día de ayer – escribía Jesús Maraña – ha resultado infructuosa pese a que el volumen de la deuda acumulada es mucho menor que el que soportan las mayorías de las cabeceras”. Según el editorialista, Público “quería ser un diario sinceramente progresista, defensor de una España plural y moderna y respetuoso con sus distintas culturas, aspiraciones y lenguas, que sirviera como herramienta de conocimiento y como plataforma de debate de ideas a una izquierda también plural”. En lo que podría interpretarse como un último y desesperado llamamiento a publicistas y lectores, Jesús Maraña advirtió que el futuro del periódico se estará jugando en el curso de “los próximos días y semanas”.