JORNALISTAS

por Luis Carlos Brito Lopes

 

Jorna
listas
a minha homenagem
a profissão
na qual mais
tenho amigos,
e referências,
é desejar
que num futuro
próximo
vocês tenham
melhores pautas,
do que vazamentos
seletivos
e que
liberdade, liberdade
nas redações,
editorias
e reportagens,
não seja apenas
titulo de novela.
Parabéns a todos vocês
e obrigado
porque
sejam
boas ou más
e mesmo
as vezes
absurdamente
parciais
eu levo a vida
me alimentando
de notícias.
Viva a liberdade de imprensa.
Viva a liberdade de expressão.
Viva a liberdade de pensamento.
Viva

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A ditadura do pensamento único

Francisco, por Miguel Villalba Sánchez (Elchicotriste)

Francisco, por Miguel Villalba Sánchez (Elchicotriste)

 

«Também hoje existe a ditadura do pensamento único». Se não pensarmos de um determinado modo não somos considerados modernos, abertos. E pior ainda acontece «quando alguns governantes pedem uma ajuda financeira» e lhe respondem «mas se tu quiseres esta ajuda deves pensar deste modo e deves fazer esta ou aquela lei».

O risco do pensamento único que ameaça a relação com Deus esteve no centro da homilia do Papa Francisco durante a missa celebrada na manhã de quinta-feira, 10 de Abril, em Santa Marta. «O fenómeno do pensamento único» sempre causou «desgraças na história da humanidade» afirmou o Santo Padre, recordando também as tragédias das ditaduras do século XX. Mas, disse, é possível reagir: rezando e vigiando.

Referindo-se às leituras do dia o Papa frisou que a liturgia «nos faz ver a promessa de Deus a Abraão nosso pai». A referência é relativa ao trecho do Génesis (17, 3-9), no qual Deus promete a Abraão que se tornará «pai de muitas nações. E «o povo de Deus a partir daquele momento – explicou o Santo Padre – começou a caminhar» fazendo com que se realizasse esta promessa, fazendo com que se tornasse realidade. É «uma promessa que, também da parte de Abraão com Deus, tem a forma de aliança». Com efeito, Deus diz a Abraão. «Por tua vez deves observar a minha aliança, tu e a tua descendência depois de ti, de geração em geração». Portanto, é necessário «respeitar a aliança».

E assim, continuou o Papa, «compreende-se que os mandamentos não são uma lei fria; os mandamentos nasceram desta relação de amor, desta promessa, desta aliança». E, inspirando-se na passagem evangélica de João (8, 51-59) proclamado na liturgia hodierna, o Pontífice prosseguiu a sua reflexão indicando que «o erro destes doutores da lei que não eram bons e queriam lapidar Jesus – contudo, naquele tempo haviam também fariseus e doutores da lei bons – consistiu em separar os mandamentos da promessa, da aliança». Ou seja, «separar os mandamentos do coração de Deus, o qual ordenou que Abraão que caminhasse sempre em frente».

Na opinião do Papa Francisco «o erro destas pessoas» nasceu do facto de não ter «percebido o caminho da esperança: pensavam que com os mandamentos tudo fosse pleno, tudo estivesse cumprido». Mas «os mandamentos que nascem do amor desta fidelidade de Deus são regras para ir em frente, indicações para não errar: ajudam-nos a caminhar, até chegar ao encontro com Jesus». Ao contrário, as pessoas sobre as quais nos fala hoje o Evangelho continuam a repetir: «existem leis que devemos respeitar».

Eis então, observou o Pontífice, «o drama do coração fechado, o drama da mente fechada. E quando o coração está fechado, ele fecha a mente. E quando coração e mente estão fechados não há lugar para Deus». Eis que, explicou o Papa, existimos «só nós» e estamos convictos de fazer exactamente «o que indicam os mandamentos». Mas «os mandamentos trazem uma promessa e os profetas despertam esta promessa».

Face à «mente fechada, para Jesus não é possível convencer, não é possível dar uma mensagem de novidade». Que, aliás, «não é nova» mas «é quanto foi prometido pela fidelidade de Deus e pelos profetas». Todavia os interlocutores de Jesus «não compreendem, o pensamento deles não está aberto ao diálogo, à possibilidade que haja algo mais, à possibilidade que Deus nos fale e nos indique como é o seu caminho, como fez com os profetas».

Certamente, acrescentou ainda o Pontífice, estas pessoas não ouviram os profetas nem Jesus. Contudo, a sua atitude vai além da simples teimosia. É algo mais! É idolatira do próprio pensamento.

O «fenómeno do pensamento único» causou sempre «desgraças na história da humanidade», afirmou o Pontífice. «No século passado as ditaduras do pensamento único acabaram por matar muitas pessoas».

Mas «também hoje – admoestou o Papa – há a idolatria do pensamento único. Hoje devemos pensar assim e se alguém pensar de forma diferente não é considerado moderno, não é aberto». Portanto, hoje existe a mesma ditadura sobre a qual fala o Evangelho. A forma de agir é a mesma. São pessoas que «pegam nas pedras para lapidar a liberdade dos povos, das pessoas, das consciências, da relação do povo com Deus. E hoje Jesus é crucificado de novo».

E assim, acrescentou o Papa, «esta não é uma história daquele tempo, dos fariseus malvados, destas pessoas fechadas. É uma história de hoje». E «o conselho do Senhor perante esta ditadura é sempre o mesmo: vigiar e rezar».

O Pontífice concluiu exortando a «não ser ingénuos», a não comprar coisas que não servem. E a «ser humildes e a rezar para que o Senhor nos dê sempre a liberdade do coração aberto para receber a sua palavra que é promessa e alegria! É aliança! E com esta aliança ir em frente».

O perigo de que nos roubem a rua

Nenhum presente é melhor para os que guardam sonhos autoritários do que gerar o medo de se manifestar

Mohamed Sabra

Mohamed Sabra

por Juan Arias/ El País/ Espanha

Um perigo paira sobre a democracia deste país após a morte violenta e covarde do jornalista Santiago Andrade: o de que possam roubar a rua e a liberdade de se manifestar nela dos cidadãos que pretendem reivindicar pacificamente melhores condições de vida.

Engendrar o medo de sair à rua é um tópico de todos os ditadores que preferem ver as pessoas presas em suas casas, vendo de maneira passiva a televisão. Nenhum presente melhor para os que guardam sonhos autoritários do que gerar medo de que as pessoas se manifestem alegando que é perigoso sair para protestar porque isso se revestiu de violência.

O fato de que a presidenta Dilma Rousseff decida desistir, segundo a Folha de São Paulo, de participar da abertura do estádio Amazônia em Manaus “por medo de possíveis manifestações” contra ela, motivadas pela Copa, ou de que não vá encontrar com os 12 governadores dos Estados que receberão as partidas da Copa do Mundo para discutir medidas de segurança, é um fato grave e alarmante. Como o é que jornalistas profissionais de diferentes meios se vejam obrigados a esconder sua identidade por medo de serem agredidos pelos grupos violentos, algo que não ocorre nem nas guerras onde há leis internacionais que protegem e vigiam para que eles possam trabalhar em liberdade.

Se o fruto da morte de Andrade, no lugar de abrir com seu sacrifício novos espaços de liberdade, é impedir que os cidadãos pacíficos possam sair de novo à rua, sem medo, para reivindicar melhores condições de vida, estaríamos cultivando germens para tentações ditatoriais.

Não há melhor sonho para o poder que ter encontrado a chave, através do medo, para pôr fim neste país às manifestações democráticas. Seria a maior ofensa aos centenas de milhares de cidadãos que em junho passado tomaram a rua para reivindicar seus direitos de maneira pacífica.

Se a morte do jornalista servisse como estopim para impedir que, motivadas pela Copa do Mundo, possam acontecer novas manifestações em massa, estaríamos ante a pior das tragédias e manipulações.

O medo das ruas, os toques de recolher, os abusos policiais, o medo infundido nos cidadãos para que se fechem em suas casas, é o fermento que faz fermentar todas as ditaduras.

Foi um só tiro o que provocou a Primeira Guerra Mundial. E pode ser às vezes o simples estopim de um foguete que arranca a vida de um jornalista o que acabe frustrando os anseios de liberdade de uma sociedade como a brasileira, que se orgulha de ser uma das democracias mais consolidadas dos países emergentes.

Medo das ruas e batalha aberta ou germinal contra os meios de comunicação que acabam sendo fechados ou censurados pelos ditadores da vez costumam ser sempre o presságio de sombrios autoritarismos.

Em outros países do mundo, a ação violenta dos Blak Bloc foi neutralizada pelas forças da ordem convenientemente treinadas, sem que consigam impedir as manifestações pacíficas.

Se no Brasil estes grupos violentos continuam atuando sem que o Governo seja capaz de lhes frear e lhes neutralizar, até o ponto de impedir aos cidadãos verdadeiramente democráticos exercer seu direito de ocupar a rua para gritar seus anseios de liberdade e suas justas reivindicações, poderia ser aberta a suspeita de que essa situação acaba servindo ao poder.

Tudo o que seja incitar a ira dos cidadãos contra os meios de comunicação lhes acusando de exercer com liberdade seu direito de crítica ao poder, ou deixar livres aos violentos como muro eficaz para que a gente tema sair de novo à rua, seria a melhor demonstração de que está em curso uma involução autoritária que poderia acarretar graves prejuízos à imagem do país dentro e fora dele.

Já vivi em minha carne, durante a ditadura franquista da Espanha, a afronta de ter que sofrer que um censor do regime decidisse gratuitamente se publicaria minhas crônicas ou se as mutilaria a seu desejo.

Já vivi não o medo, senão o terror de sair à rua para protestar pacificamente durante tal ditadura, onde as manifestações se pagavam com a tortura e a morte.

Brasil é um país que deixou para trás a ditadura militar para dar lugar a uma democracia real que os cidadãos desfrutam há quase 30 anos. E todas as vezes que nestes anos a gente saiu em massa à rua foi para fortalecer os valores democráticos.

Impedir agora as manifestações, seja pelos grupos violentos ou pelo desejo subliminal do poder de evitar protestos que prefeririam ver emudecidos, seria assassinar duas vezes o jornalista, primeira vítima do dever sagrado de informar.

Nenhum antídoto melhor contra a barbárie e o autoritarismo que a informação livre de toda censura ou de qualquer outro controle por social que possa existir.

A presidenta Dilma Roussef pode ser criticada por muitas coisas, mas uma a honra sobretudo: sua postura intransigente contra o controle dos meios de comunicação. Em seus já quase quatro anos de governo foi firme na sua promessa realizada durante seu discurso de tomada de posse: “Prefiro o ruído da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”. Ela apoiou o clássico ditado que diz que na democracia é “melhor um mau jornal” que a ausência do mesmo.

O medo à informação, o acosso aos jornalistas deixados à própria sorte nas mãos dos violentos, poderia ser convertido em um bumerangue contra os que com isso pretendem se sentir mais seguros, menos vigiados e criticados.

Esse bumerangue já parece estar atuando, se é verdade que até a presidenta está com medo de aparecer em público para inaugurar um estádio de futebol.

Nada mais quebradiço, efetivamente, que uma democracia e nada mais difícil de derrotar que uma ditadura.

E quando em uma democracia, desde a máxima autoridade até aos simples cidadãos manifestam o medo de sair à rua, significa que as liberdades começam a ser amordaçadas de forma aberta ou dissimulada.

Daí o perigo de que possam roubar a rua dos cidadãos que amam a democracia e que neste país, felizmente, são a imensa maioria.

Quem ganha e quem perde na justiça

Escreve José Simão: E o chargista Duke ensina a diferença entre imposto e ioiô: “Isto se chama ioiô porque vai e volta, se apenas fosse e não voltasse, se chamaria imposto”. 

Citar ou publicar uma charge de Duke faz parte da imprensa diária. Censurar significa que impera a mesma justiça dos tempos das ditaduras de Castelo Branco, Costa e Silva, Triunvirato Militar, Médici, Geisel e Figueiredo.

Existem duas ou três justiças no Brasil. Uma delas, o ministro Edson Vidigal chamou de PPV. Tem bandido do colarinho branco que ganhou todas: Daniel Dantas um seboso exemplo. Os funcionários do judiciário também levam vantagem em tudo. Christine Epaud, funcionária pública fantasma, lotada no gabinete de dois ex-presidentes do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, nunca perdeu uma causa como proprietária de mais de dez empresas, e chegou a usar o nome da justiça para defender os interesses internacionais da Máfia do Frio. O caso Epaud versus Baiardo de Andrade Lima tem o cheiro nauseabundo dos podres poderes do Brasil.

Não causa espanto a condenação de Duke. O Brasil é campeão de censura judicial. Escreve Wander Veroni: “O mês de janeiro trouxa debates calorosos sobre o presente e o futuro da mídia. Independente da visão política de cada um, temos que pensar que até três décadas atrás, havia Ditadura Militar no Brasil. E falar sobre qualquer assunto era motivo de retaliação. Ao que parece, pouca coisa mudou.

Duas decisões, em especial, nos fazem pensar sobre a fragilidade da manutenção da liberdade de expressão na mídia: a prisão do jornalista Marco Aurélio Carone, autor do site Novo Jornal, e a condenação do chargista Duke, em segunda instância, pela 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
O pressuposto da liberdade de expressão é o debate. Não concordar com aquilo que foi publicado faz parte do jogo. É impossível agradar todo mundo. Para a sociedade, é muito perigoso quando um jornalista e um cartunista são presos ou condenados por se expressarem. Mais perigoso ainda é quando o Judiciário acredita que esta é expressão é um ataque pessoal ou político”.
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A obra artística e jornalística de Duke fala por ele e por todos que amam a liberdade de expressão.
duke água terra

duke bancos

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duke campo futebol

duke bancos

duke cartel motel

A prisão do dono do ‘Novo Jornal’

por José de Souza Castro

 

 

Paolo Lombardi

Paolo Lombardi

No dia 17 deste janeiro, uma quinta-feira, a juíza substituta da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, Maria Isabel Fleck, decretou a prisão preventiva do proprietário do Novo Jornal, Marco Aurélio Flores Carone, em atendimento a pedido do Ministério Público. Em nenhum momento, nas 11 páginas da sentença, cogitou a juíza da questão do direito à liberdade de expressão. Ela teve o cuidado de sublinhar, em negrito, que o mandado de prisão deveria ser remetido “com urgência” ao setor policial encarregado de seu cumprimento. E assim se fez, com uma rapidez pouco característica. Na segunda-feira (20/1), ao chegar à sede do seu jornal virtual, Carone foi preso. Quando há empenho, justiça e polícia podem ser muito eficientes.

A denúncia foi apresentada no dia 12 de novembro de2013 pela Promotoria de Combate ao Crime Organizado e Investigações Criminais. Na edição de 13/12/2013, a revista IstoÉ publicou reportagem a respeito. Nos dias seguintes, diários mineiros deram a notícia. A prisão de Carone foi noticiada com destaque pelos jornais, rádios e televisões. Tal qual a juíza Maria Isabel Fleck, nenhum veículo se preocupou, nesse caso, com a questão da liberdade de imprensa.

Apesar de ter sido dono de diários impressos no passado, antes de fundar o jornal virtual, Marco Aurélio nunca teve acesso ao limitado clube dos donos de jornais mineiros. Ele vem de uma família de políticos. Um avô, Jorge Carone, foi prefeito da cidade mineira de Visconde do Rio Branco. O pai, Jorge Carone Filho, elegeu-se prefeito de Belo Horizonte em 1962, mas foi cassado em janeiro de 1965. Lançou então a candidatura da mulher, Nísia, para deputada federal, pelo então MDB. Eleita, foi cassada pelo AI-5, em 1969. Um irmão do dono do Novo Jornalfoi deputado estadual, outro vereador da capital, pelo PMDB.

Achincalhando e ofendendo

A prisão de Marco Aurélio não mereceu dos colegas empresários na imprensa qualquer movimento de solidariedade. O Novo Jornal não a noticiou. Apesar de algumas notícias de que ele seria fechado, jornal continuava na web na quinta-feira (23/1), quando este artigo foi redigido. Com uma discreta tarja, em letras vermelhas e fundo negro: “Estamos censurados”. E sem noticiar em nenhum momento a prisão do dono.

Não se sabe quantos jornalistas Marco Aurélio emprega, mas não seriam muitos. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais divulgou na terça-feira (21), em seu site, nota de repúdio à ameaça que pesa sobre os que trabalham no único jornal mineiro, virtual ou não, que faz oposição aberta ao governo estadual – um grande anunciante que não anuncia no Novo Jornal. Diz a nota que “tanto a prisão quanto a ordem de retirar do ar o site configuram ataques ao direito e à liberdade de expressão” e que o Sindicato “vem a público reafirmar sua posição intransigente na defesa da Democracia, da Justiça e das Liberdades Civis e Individuais”.

Só há um equívoco nessa manifestação: na sentença da juíza, não existe ordem de retirar o site do ar, embora tenha sido pedido pelo Ministério Público. Nisso, ela preferiu se omitir.

Na opinião do Ministério Público, que desde 2008 tenta fechar a publicação (ver remissões abaixo), não se trata propriamente de um jornal, mas de um balcão de negócios cujo dono deve ser preso. E foi o que a juíza substituta decretou, “tendo em vista a necessidade de garantia da ordem pública, por conveniência da instrução criminal e para garantia da ordem econômica”. Afirma Maria Isabel Fleck, em sua decisão: “Ao verificar o site do ‘novojornal’, fica patente que o mesmo é utilizado para lançar ofensas à honra de autoridades públicas, achincalhando e ofendendo a todos que se posicionam contra os interesses do grupo, imputando verdades àqueles que cumprem seus deveres funcionais.” Entre os quais, diz a juíza, desembargadores, juízes de Direito, membros do Ministério Público e delegados de polícia.

Quem manda

Para respaldar sua decisão, a juíza relaciona 16 ações penais contra Marco Aurélio, nenhuma julgada em última instância. A maioria por calúnia, injúria ou difamação contra autoridades, nenhuma delas tidas como adversárias do senador Aécio Neves. Mas há dois acórdãos do Tribunal de Justiça para impedir “a veiculação de notícias pelo ‘novojornal’ em relação ao deputado federal Alexandre Silveira de Oliveira” e ao desembargador mineiro José do Carmo Veiga. Nenhuma relação, por suposto, com a proibição judicial de notícias sobre um empresário maranhense ligado à política que ainda vigora para o Estado de S.Paulo e que tanta indignação suscitou, nos últimos anos, na grande imprensa.

Se está havendo censura judicial ao Novo Jornal, a imprensa mineira não percebeu. Ao contrário do bloco parlamentar Minas Sem Censura, que reúne deputados estaduais do PT, PMDB e PRB, partidos de oposição ao governo estadual. Um de seus integrantes, o deputado petista Rogério Correia, raciocina: “Ora, se você estabelece a prisão preventiva para evitar a publicação de material jornalístico, está oficializada a censura prévia”. E acrescenta:

“Quando do surgimento da Lista de Furnas, encaminhei o relatório à Polícia Federal e, por isso, o vice-presidente nacional do PSDB tentou a cassação do meu mandato. É a mesma situação. A censura tem agentes no Ministério Público e no Judiciário, mas, quando é com a imprensa, quem organiza a perseguição é a própria irmã do senador, Andréa Neves.”

Extorsão de políticos e empresários

Blogs contrários à candidatura de Aécio Neves à presidência da República aproveitam esse movimento do Ministério Público e do Judiciário mineiro para criticar o senador, apontado como o mais forte concorrente de Dilma Rousseff nas eleições de outubro. Mas há blogs que divulgam a notícia da prisão sem tecer comentários, sobretudo em Minas, ou que até mesmo aplaudem.

Se alguns imaginaram que a prisão do dono do Novo Jornal iria intimidar os blogueiros mineiros, eles devem estar felizes. É possível que os jornalistas mineiros permaneçam abaixados em suas trincheiras, intimidados por alguns juízes atentos à defesa das autoridades contra ataques oposicionistas. A menos que o réu Marco Aurélio Fores Carone, vulgo “Marco Florzinha” – como se lê na sentença da juíza Maria Isabel Fleck e na peça acusatória do Ministério Público, mesmo que poucos o conheçam por esse apelido – consiga provar que não faz parte de uma organização criminosa dedicada a extorquir dinheiro de políticos e empresários. E que seu jornal, como todos os outros, encontra amplo amparo na Constituição de 1988, que formalizou o fim da ditadura no Brasil.

 

democracia censura

Leia também

O empastelamento do Novo Jornal – J.S.C. [16/08/2008]

Nota de esclarecimento do MP-MG – Miriângelli Rovena Borges [02/09/2008]

Processo continua correndo em sigilo – J.S.C. [16/09/2008]

Elucubrações sobre um arrombamento – Cristina Moreno de Castro [30/09/2008]

Banalizaciones, elitismos y otros modos de solazarse en la trampa

Todos bailan

por Daniel Freidemberg

¿No es cierto lo que denuncia Mario Vargas Llosa cuando, en “La civilización del espectáculo”, se opone a “la banalización de la cultura, la generalización de la frivolidad”? ¿No tiene eso que ver con la situación que obsesionaba a fines de los años cuarenta a Theodor W. Adorno? ¿Y la que llevó a Cornelius Castoriadis a poner de título a uno de sus libros “El avance de la insignificancia”?

El mundo actual sucumbe bajo una crisis de sentido, tanto en el plano colectivo como en las vidas individuales, sostenía en la década de los noventa Castoriadis y sostiene hoy Vargas Llosa. ¿Tardíamente? Tal vez. En todo caso, nunca como en los últimos años alcanzó tanta vigencia lo que Vargas y otros llaman “la cultura del entretenimiento”, ni su dominio era tan monolítico en un mundo en el que había aún posibilidad de que una editorial de las grandes publicara a un escritor casi desconocido una novela tan audaz como La ciudad y los perros, y que una obra de esas características, compleja y problemática, tuviera cierto impacto en la consideración general.

Ahí pone Vargas Llosa, justamente, el ojo: en “la metamorfosis que ha experimentado lo que se entendía aún por cultura cuando mi generación entró a la escuela o a la universidad y la abigarrada materia que la ha sustituido, una adulteración que parece haberse realizado con facilidad, en la aquiescencia general”. No faltan motivos para reconocer que eso ocurre, y que no sólo en la literatura y el arte se hace sentir sino también en la educación, la política, el periodismo y hasta las religiones, como advierte Vargas, aunque habría que ver qué tiene de objetable una “abigarrada materia”, como no sea para el puritanismo de una mentalidad elitista. Ese adjetivo, “elitista”, es precisamente el que predominó entre quienes comentaron La civilización del espectáculo, y mal no le viene a un libro que “parece añorar los buenos tiempos en que una elite —justa e ilustrada— conducía nuestras elecciones”, como en El País de Madrid escribió Jorge Volpi, ni tendría derecho a quejarse Vargas de que lo consideren elitista cuando atribuye a “la democratización de la cultura” el “indeseado efecto de la trivialización y el adocenamiento de la vida cultural”.

De acuerdo, entonces, estamos ante un pensamiento elitista, y de acuerdo con que, como propone Volpi, Vargas Llosa “acierta al diagnosticar el fin de una era: la de los intelectuales como él”.

Enclaustrados en sus reductos bien resguardados y en algunas ocasiones bien pagos, convencidos de que una ínsita superioridad los aureola, demasiadas veces incapaces de interesarse en algo más que en sus propias cucardas profesionales o en las relaciones mutuas (con las disputas consiguientes por el lugar más destacado en la marquesina intelectual), el autosuficiente mundillo que conforman “los intelectuales cómo él” marcha a su ocaso por anquilosamiento y miopía, pero si su desaparición implica dejar la cultura en manos de quienes la ven sólo como un negocio (otra elite, podría decirse, aunque ni justa ni ilustrada), no es mucho lo que se gana, o más bien nada, al menos si lo que importa es una vida de más calidad en todos los aspectos para más seres humanos.

“Todo tiempo pasado fue mejor”, el irónico título que elige la revista Ñ para criticar este último libro de Vargas, ¿no está proponiendo una indiscriminada aceptación del actual estado de cosas, y, por lo tanto, de los poderes que deciden la cultura realmente existente? Defendiendo la necesidad de estar actualizado y tener abiertos los ojos a la realidad, no faltaron ciertamente, entre los comentarios periodísticos, los que aprovecharon para meter en la bolsa del “elitismo” a cualquiera que no acepte una concepción de la cultura en que todo da lo mismo o que no se resigne a que los productos de consumo fácil y rápido, tan sustituibles como olvidables, quiten de la escena a las obras o los textos complejos y elaborados de la “alta cultura”, que merece mejores defensores que Vargas Llosa. De hecho los tuvo y los tiene, en Adorno o en Castoriadis, en Agamben o Fredric Jameson, o en Horacio González, o Paul Ricoeur o Franco Rella. Todos ellos, al fin y al cabo, sospechosos de elitismo para el criterio que hace del “estar al día” un artículo de fe y una bandera de la libertad de consumo cultural, entendida precisamente como consumo, en sintonía con fetiches tales como la libertad de mercado y la libertad de empresa, o su prolongación en una “libertad de prensa” basada en que la puedan ejercer unos cuantos y muchos más se conformen con aceptarla.

No deja de reconocer Vargas, entre los antecedentes de su libro, a otro de título casi idéntico, La sociedad del espectáculo, con el que Guy Debord, en los sesenta, produjo cierto revuelo. Pero “sociedad del espectáculo” es, tal como lo entendió Debord, “el momento histórico en el cual la mercancía completa su colonización de la vida social”. Todo convertido en mercancía y las leyes del mercado instaladas en todos los planos de la vida: aferrado como un creyente a su ideario liberal, Vargas no puede reconocer que lo que ha desplazado a la vieja concepción liberal de la cultura es la prepotencia del neoliberalismo, que, al no necesitar ya de ese fósil, se lo saca de encima.

Confundir democratización de la cultura con imperio irrestricto del mercado es la trampa en la que quedan enganchados Vargas y varios de sus críticos. La posibilidad de instancias estatales o sociales que preserven espacios de elaboración para las formas más complejas de la cultura e impongan límites al interés mercantil implica abrir el juego y el intercambio, dar paso a la creatividad de cada uno, permitir que el lector o espectador que se acerca a la cultura para pasar el rato o distraerse pueda, también, si quiere, y si tiene la oportunidad, tantear otras posibilidades, poner sus capacidades intelectuales y emocionales en juego, indagar en lo desconocido o imprevisible, cuestionarse, preguntarse si las cosas son como parece que son, o si no podrían ser de otra manera.

A palavra alada

Sebastião Nery

“No princípio era o Verbo”. No princípio, havia a palavra. Assim começa a Bíblia. E assim começa a história da humanidade. O homem é a palavra. A História é a palavra. A história do homem é a história da palavra. É a crônica de sua linguagem. É o cotidiano do seu dizer.

O que é a Bíblia senão mil fábulas, as “Páginas da Vida” do povo judeu tiranizado sob os salgueiros da Babilônia, hoje Iraque? E a tragédia grega? Era a metáfora do amor e da dor, da servidão e da liberdade, da vida e da morte.

Na Roma tirana dos Césares, a resistência da Judéia oprimida de Cristo era a parábola, a palavra. Na Idade Média torturada de Galileu, o discurso era o silêncio. Mas bastaram duas palavras (“Epure, si muove”, “apesar de tudo, a terra se move”) e o homem descobriu os caminhos da terra, dos mares, dos ares.

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INTERNET

E vieram a imprensa, o rádio, o telefone, a televisão, a radiofoto, o fax, a palavra voadora, a palavra alada, o homem volátil satélite do infinito. E a Internet?

A Internet já é o homem metido à besta, metido a Deus. Por muito menos do que essa luxuriosa maçã do orgulho humano, Adão e Eva foram expulsos do paraíso. A Internet é a mesa posta nas estrelas, a sala de aula nos astros, a biblioteca nas galáxias, uma reunião nos jardins de Deus.

A Internet é a palavra globalizada, democratizada, socializada. A palavra sem dono e sem patrão, sem registro e sem cartório. A palavra tiradentezada, liberta, “quae sera tamen”, “ainda que tardia”.

Como todos os passos do homem, os primeiros sempre são devagar. Na infância é assim. A chegada à lua foi também assim. Devagar. Bem devagar.

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JORNALISMO

A Internet evoluiu no Brasil, continua evoluindo, no mesmo ritmo de sempre do desenvolvimento nacional, da educação, da informação, do conhecimento e da tecnologia. No começo, o acesso à Internet, ao computador, ao Lap-top, era caro. E, por ser caro, inacessível a quase todos.

De repente, foi barateando, popularizando-se, disparou. O Brasil tem hoje, pouco mais de duas décadas e meia depois, milhões e milhões de computadores. E, sobretudo, de internautas e neuro-internéticos. Acabou o mistério.

Para um jornalista, um professor, para todos os profissionais da palavra e da escrita, a Internet é a Enciclopédia na ponta do dedo. Você não precisa mais abrir todas as pesadas Enciclopédias e Dicionários, os velhos “pais dos burros”. A Internet lhe dá a resposta na hora.

Está ali, disponível, acessível, catalogada, sem censuras, sem barreiras e sem fronteiras.

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LIBERDADE

Mas, como não é nos livros, a informação na Internet também não é a verdade provada, um dogma a ser recebido sem discussão e sem crítica. A informação foi posta ali, na Internet, por alguém que pensa assim, acredita naquilo, defende aqueles conceitos. O que não significa a verdade indiscutível.

Se o primeiro dever de quem escreve é a exatidão, não basta buscar dados na Internet. É preciso racionalizá-los, interpretá-los, para transmitir com fidelidade e transparência. Se o segundo dever é a clareza, não se pode engolir como definitiva a informação falsa, dados distorcidos, gato por lebre.

A Internet é o universo trazido à mesa, livre, para o banquete de cada um.