“Não aguentamos mais” é o grito de protesto na Grécia

Comboios e barcos parados, autocarros e metro a meio gás. Escolas, ministérios e hospitais com os serviços mínimos. E 20 mil manifestantes nas ruas de Atenas e de Salónica na greve geral de 24 horas em protesto contra as medidas de austeridade, no dia em que o Governo procura um consenso entre as forças da coligação para finalizar um acordo sobre as reformas económicas exigidas pela troika para a Grécia receber um segundo empréstimo.

 

Os cartazes que ergueram na marcha de protesto que impediu a circulação normal do trânsito faziam eco da palavra de ordem da greve de hoje: “Chega, não aguentamos mais”. A agência AFP fez uma súmula de alguns cartazes: “Não aos despedimentos na função pública”, “não à baixa do salário mínimo”, “não às reduções das reformas complementares”. Foi queimada uma bandeira alemã e erguida uma outra, grega, que um manifestante em sinal de vitória ajudou a levantar.

É o grito de revolta contra as medidas adicionais de austeridade e as reformas económicas que a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu exigem à Grécia para ser validado pela troika o segundo empréstimo.

Bélgica faz greve geral. O Brasil nunca fez isso

Para ter greve geral é preciso centrais sindicais livres, sem pelegos, sem ONGs de ladrões.

Para ter greve geral é preciso movimento estudantil livre, sem diretórios acadêmicos a serviço de partidos políticos e de uma UNE sem dinheiro estatal como acontece no Chile.

Greve geral acontece em todos os países democráticos da Europa. Principalmente contra a perda de direitos trabalhistas.

No Brasil, os trabalhadores perderam todos os direitos. O ditador Castelo Branco cassou a estabilidade no emprego, e Fernando Henrique e Lula rasgaram a CLT.

Todo emprego  passou a ser temporário, pra lá de precário. E ninguém reclama. Uns chamam esse comportamento de apatia; outros, louvam o mito do Brasil cordial.

Uma greve geral marcada pelas três confederações sindicais belgas ameaça mergulhar a Bélgica no caos, na segunda-feira, com efeitos mais abrangentes do que a de dezembro último, quando a função pública parou por um dia.

No mesmo dia, está marcado um Conselho Europeu para discutir a crise na zona euro, com o foco nas medidas de luta contra o desemprego.

A data cimeira esteve para ser alterada por causa da greve, mas acabou por ser mantida para dia 30.

A greve tem como objectivo lutar contra as medidas de austeridade previstas no orçamento para este ano e contestar as alterações às políticas de desemprego e de reforma decididas pelo governo liderado pelo socialista francófono Elio Di Rupo.

No que respeita ao regime das reformas, os anos de trabalho vão aumentar de 35 para 40, em 2015, com um período transitório para as mulheres.

Dentro de três anos, a maior parte dos planos de pré-reforma terão como idade de referência os 60 anos, com uma carreira de 40 anos (a entrada em vigor para as mulheres é 2017).

A partir do próximo ano, a reforma antecipada só será possível com 38 anos de descontos (40, em 2015) e a idade mínima passará dos 60 para os 62 anos em 2016.

Já no que respeita ao subsídio de desemprego, este será reduzido após dois anos e suprimido ao fim de quatro.

O complemento para desempregados com mais de 50 anos e com 20 anos de descontos passa, em julho, a ser atribuído a partir dos 55 anos.

Também as condições para um desempregado rejeitar uma oferta que considere inadequada são alteradas: a distância entre a residência e o local de trabalho sobe dos 25 para os 60 quilómetros e o período é reduzido para três ou cinco meses (em vez de seis), conforme a idade.

 Mais dura que seja a reforma belga, ela seria um bem jamais sonhado pelo brasileiro.