Ariano Suassuna, o Imperador da Pedra do Reino

correio_braziliense. O Quixote

por Talis Andrade

Certa vez citei o nome oficial da capital da Paraíba. Ariano Suassuna disse: – “A cidade que nasci merece um nome honrado e digno”. Então brinquei: – Que tal Compadecida? Hoje defenderia a volta do Nossa Senhora das Neves, ou novos nomes como Augusto dos Anjos e Ariano, que conheci como secretário de Cultura do prefeito Antonio Farias (1975 – 1079). Eu, de Imprensa.

O projeto de Ariano, secretário da Cultura do Recife, foi colocar em prática o Movimento Armorial, definido como uma iniciativa artística, com o objetivo de criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro.

Minha admiração por Ariano começou pela leitura do seu Teatro. Tenho as primeiras edições de O Castigo da Soberba (1953), O Rico Avarento (1954), Auto da Compadecida (1955), O Santo e a Porca (1957). Não conhecia a sua poesia, que passo a valorizar cada vez mais.

Apesar de todo o noticiário da mídia, da exploração política do nome, pode entrar em qualquer livraria do Recife, que não vai encontrar nenhum livro de Ariano e, principalmente, sua poesia.

Me transformei em um jornalista que divulgava as notícias do Movimento Armorial, repetindo o jornalista Gladstone Belo, também excelente poeta, que sucedi na Secretaria de Imprensa, pelo poder da indicação dele, que deixou o cargo para exercer o comando dos Associados.

As personagens de Ariano, no Nordeste moderno, foram moldadas em barro por Vitalino; em pedra, por Manoel Cazé, o maior escultor de Pernambuco, que permanece desconhecido de tudo e de todos.

Cazé construiu o Parque das Esculturas, em Fazenda Nova, idéia de um amigo do Jornal do Comércio, jornalista Plínio Pacheco (governo Nilo Coelho), que encontrou no poeta Francisco Bandeira de Mello, secretário de Cultura de Pernambuco (governos de Marco Maciel, Roberto Magalhães e Gustavo Krause), o patronato.

Ariano Suassuna não desconhecia os movimentos libertários nos sertões nordestinos, considerados heréticos no Brasil Colônia e no Brasil dos imperadores Pedros I e II; monarquistas, na República Velha; comunistas, no Governo Vargas; comunistas e subversivos nos 21 anos da ditadura iniciada em 1964, que persiste na grande mídia e nos quartéis das polícias militares.

Movimentos proféticos da resistência indígena catequizada, que ressurgem com as profecias do “herético” padre Vieira, e combatidos a ferro e fogo. Uma guerra “santa” que continua n’ O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, e na segunda maior cidade da Bahia, construída por Antonio Conselheiro.

Na pregação deste reino, o Ariano revolucionário (quixotesco para a direita) disfarçado em monarquista: sendo armorial o conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo. “A heráldica é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa. Desse modo o nome adotado significou o desejo de ligação com essas heráldicas raízes culturais brasileiras”.

Que venha o governo do Imperador da Pedra do Reino.