Surrealismo da censura mineira: prisão, invasão de residências e assédio judicial

por Geraldo Elísio

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O mundo inteiro se espantou com as revelações dos Wikileakcs de Julian Assange, hoje vivendo no exílio.

A terra ficou assombrada com as revelações do ex-agente norte americano Edward Snowden, hoje vivendo exilado em Moscou.

Até o Palácio do Planalto protestou criando um incidente diplomático com Obama.

Presidenta Dilma a senhora não se assusta com a espionagem da Polícia Política de Exceção do Estado de Minas Gerais não? Tudo com a cumplicidade de parte dos Três Poderes e as Polícias Militar e Civil.

O site Novojornal está empastelado; o publicitário jornalista Marco Aurélio Carone, preso. O que ele denunciou foi o mesmo que o procurador Rodrigo Janot, da PGR, denunciou para pedir 22 anos de prisão para o ex-deputado federal Eduardo Azeredo, tucano mineiro que renunciou; o site do Américo Xavier proibido de ser divulgado; e os meus netbook, HD externo, pen drive, CDs e cadernetas telefônicas retidas pela Justiça.

Não sou marginal senhora presidenta. Tenho 72 anos de idade, uma história no jornalismo e um Prêmio Esso Regional de Jornalismo denunciando torturas quando ainda existia o AI-5.

A Folha de São Paulo noticia que Aécio vai inquirir a senhora sobre a Petrobras. É bom, faz parte da democracia. Mas em nome da mesma democracia o inquira sobre as exceções vigentes em Minas. Todos os brasileiros aplaudirão.

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O menino brasileiro que roubava livros

Não existe crime mais horrendo que a polícia levar os originais de um livro. Como acaba de acontecer em Minas Gerais com o jornalista Geraldo Elísio. Um crime que lembra a queima de livros promovida pela Gestapo de Hitler.

Outro flagrante deste Brasil nada cordial, o caso do jovem condenado porque roubou três livros para estudar.

menino que roubava livros

A GUERRA PELOS OLHOS GRANDES DE UMA CRIANÇA

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Para ver no cinema: A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS (The Book Thief)

por Cristina Moreno de Castro

Li o best-seller “A Menina que Roubava Livros“, do australiano Markus Zusak, no verão de 2008. Lembro que achei ótimo, bem escrito e que ele me fez chorar em algumas partes. Mas não posso dizer que tenha sido um livro marcante, porque, passados exatos seis anos, já não me lembrava de praticamente nada além do fato de a história se passar durante a Segunda Guerra Mundial.

E foi com esse espírito esquecido, mas na expectativa do choro, que fui assistir ao filme que adaptou o livro.

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A primeira coisa que posso dizer é que o filme é bastante fiel ao romance. Foi me fazendo resgatar cada passagem e reviver cada sensação que eu tinha sentido em 2008. Até mesmo a narrativa de Zusak é preservada, por meio da narração bem-humorada da Morte, que parece deixar o drama da guerra quase suave e brincalhão. É como se eu estivesse lendo o livro de novo, na tela, mas o roteiro faz isso mantendo o ritmo, sem excesso de vagar ou de tédio, como às vezes acontece nesses casos.

O mérito é de um diretor de que nunca ouvi falar, Brian Percival, até então com experiência restrita aos filmes para televisão. Mas também é da jovem atriz canadense Sophie Nélisse, que dá vida à menina encantada com livros. Aqueles olhões expressivos dela conseguiram criar a imagem da menina que já tinha se acostumado a sofrer e que encarava aquela vida difícil com muita coragem. O elenco ainda conta com os experientes e maravilhosos Geoffrey Rush e Emily Watson. E com o ótimo novato Ben Schnetzer, no papel do judeu Max.

O filme só concorre ao Oscar pela trilha sonora original. Mas merecia entrar com o figurino — toda a caracterização dos anos 1940 é, aliás, impecável — e com o roteiro adaptado, pelo menos. Vai entender…

Não sei dizer se, daqui a seis anos, também terei me esquecido de quase tudo, ou se este filme será mais marcante do que foi o livro. Possivelmente não. É o mal dos filmes sobre a guerra: são sempre comoventes, a história sempre é boa (porque as guerras têm o único mérito de produzirem boas histórias), mas muitas vezes se perdem no novelo do gênero. De qualquer forma, aquelas duas horas foram uma experiência única de viagem pelo tempo até um dos períodos mais trágicos da nossa história, conduzida pelas mãos da Morte e de uma menina de olhos grandes que amava livros.

Trailer

Comprovadas as denúncias, Aécio não pode ser candidato a presidente

ENTREVISTA DO JORNALISTA GERALDO ELÍSIO

Acuso frontalmente o senador Aécio Neves e sua irmã Andréa Neves, no ímpeto de destruir as provas de denúncias formuladas pelo site Novojornal. Principalmente as que se referem a denúncias de desvio de dinheiro público e a acusação de que Aécio é dito usuário incurável de cocaína.

Geraldo Elísio

Geraldo Elísio

O Bloco Minas Sem Censura entrevistou Geraldo Elísio Machado Lopes, que tem 54 anos de jornalismo, e foi vítima de ação de busca e apreensão em sua residência, na sexta-feira, 31 de janeiro. Ex-colaborador do Novo Jornal, do qual já se afastara há sete meses para cuidar da publicação de livros de sua autoria, Elísio foi novamente convocado para o front das lutas pela liberdade. E acusa abertamente Aécio e Andréa Neves de estarem por trás dos atos de perseguição ao Novo Jornal. Língua afiada, Geraldo Elísio faz, ao final de sua entrevista um desafio aos Neves. Leiam.

MSC – Quem é você profissionalmente?
Geraldo Elísio – Um jornalista com 54 anos de atuação em todas as áreas das diversas mídias existentes, com orgulho de nunca ter sido desmentido e uma carga de luta a favor da redemocratização do Brasil pós o golpe civil militar de 64. E um Prêmio Esso Regional de Jornalismo, em 1977, do qual me orgulho mais ainda, não por vaidade, mas pelo sentido da causa: a luta a favor dos direitos humanos denunciando as torturas praticadas contra o operário Jorge Defensor Vieira, quando ainda existia o famigerado AI-5. Inúmeras coberturas políticas e algumas internacionais. Também artista multimidia.

MSC – O que aconteceu em sua residência na última sexta-feira 31 de janeiro de 2014?
Geraldo Elísio – Por volta das 15 horas o interfone do apartamento tocou, uma voz masculina perguntou por mim, me identifiquei e fui solicitado a comparecer ao portão. Assim o fiz e atendi a um delegado do Departamento de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) e mais três policiais que o acompanhavam com uma autorização judicial de busca e apreensão, com a qual levaram meu netbook, pendrive, cds e cadernetas de telefone. Não cito os nomes porque não deixaram sequer o número do documento portado por eles e nem uma cópia do que foi arrestado, inclusive isto me soa estranho, pois no site do Tribunal de Justiça nada consta. Sei que existe o nome de alguém do Ministério Público e de algum juiz, mas como nada deixaram não posso dizer nomes. Na ditadura civil militar vi residências violadas na marra, mas com ordem judicial (será mesmo?) creio ser pioneiro.

MSC – A quem você atribui tudo isto?
Geraldo Elísio – Acuso frontalmente o senador Aécio Neves e sua irmã Andréa Neves, no ímpeto de destruir as provas de denúncias formuladas pelo site Novojornal. Principalmente as que se referem a denúncias de desvio de dinheiro público e a acusação de que Aécio é dito usuário incurável de cocaína. Porque saber que eu trabalhei no jornal virtual é público e notório. Foram quase seis anos com editoriais assinados, em todos oferecendo espontaneamente o direito de resposta a todas as pessoas físicas e jurídicas citadas em meus textos. E tenho convicção de estarem querendo desqualificar os documentos que comprovam o Mensalão Tucano Mineiro e a Lista de Furnas. Quanto à Lista de Furnas por que o senhor Dimas Fabiano Toledo a registrou em cartório? A Lista de Furnas teve uma cópia xerox que foi periciada nos Estados Unidos e o perito que a declarou falsa já tinha sido preso por perjúrio. Além do mais a Polícia Federal já atestou que ela é verdadeira. Porém, Andréa Neves se julga um gênio da comunicação e como não é, troca os pés pelas mãos. Tenho igualmente certeza de que a dupla formada pelos netos do doutor Tancredo Neves, autor da frase “O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade” quer incriminar os deputados Rogério Correia e Sávio de Souza Cruz. Estão desesperamente tentando encontrar ou até forjar provas mediante intimidação. Nasci no Grande Sertão Veredas e sei que “viver é muito perigoso.” Não temo, não me intimido e se algo me acontecer nem é preciso dizer de quem é a culpa, obviamente ressalvadas as causas naturais. Se morrer, baixo o meu espírito em médiuns especializados em psicografia e continuarei a denunciar as tramoias dos Neves ou quaisquer outras.

MSC – E o que você pretende agora?
Geraldo Elísio – Eu já tinha decidido me afastar de enfrentamentos políticos, mas recebi um convite para uma briga boa. Estou no ringue. Claro, tenho os meus defeitos mas não preciso me envergonhar deles. Se ser pobre não é motivo de orgulho também não o é para vergonha. Vou oferecer a quebra de todos os meus sigilos, fiscal, bancário e telefônico às autoridades competentes e espero que Aécio e Andréa Neves façam o mesmo, pois ao contrário deles respeito o princípio jurídico de que até prova em contrário todos são inocentes e creio terem eles condições de tomarem a mesma atitude que eu. Irei ou enviarei correspondência a todos os órgãos ligados aos Direitos Humanos, inclusive à ONU denunciando o Estado de Exceção em Minas Gerais. E como no meu netbook existem os textos de três livros inéditos denuncio a minha condição de perseguido político sujeito à censura prévia de minhas obras. E a luta segue em frente.