Chuck Blazer, el hombre clave en las detenciones de la FIFA

El exsecretario general de la Concacaf y exmiembro de la FIFA, es un arrepentido que ayudó para desmontar la trama de corrupción

Chuck Blaze

Chuck Blaze

Los casos de corrupción en la FIFA han quedado al descubierto como nunca antes. La detención de varios altos cargos por parte del FBI, acusados de soborno y blanqueo capitales, ha tenido detrás la actuación de un personaje clave: Chuck Blazer, exmiembro de la FIFA. Blazer ha actuado desde la oscuridad para las autoridades de Estados Unidos.

Las detenciones no habrían sido posibles sin el micrófono oculto con el que Blazer grabó las conversaciones entre los representantes del organismo a lo largo de los últimos tres años.

El extravagante Blazer, de 70 años, que dirigía la Concacaf desde su departamento en Nueva York y llevaba un blog en el que daba cuenta de sus reuniones con personajes famosos, desapareció del primer plano del fútbol cuando en 2013 renunció a su puesto en el comité ejecutivo de FIFA y ahora se centra en recuperarse del cáncer de colon que padece.

El hombre más poderoso del fútbol estadounidense decidió cooperar con las autoridades para desvelar los secretos de la FIFA después de que comenzaran a investigarle por diversos delitos de los que se declaró culpable, como fraude, evasión de impuestos o blanqueo de dinero.

Además de las comisiones, establecidas primero por contrato y luego por costumbre, una investigación de la Concacaf en 2013 consideró probado que Blazer se apropió indebidamente de al menos US$ 15 millones.

Según la justicia estadounidense, además de los sobornos por contratos de concesión de derechos sobre torneos de fútbol, Blazer fue sobornado por Marruecos para que eligiera al país como sede del Mundial de 1998 (lo organizó Francia), al igual que Sudáfrica para 2010.

Los agentes le dijeron que podía terminar en prisión o que podía cooperar, a lo que Blazer terminó accediendo. Aparte de eso, terminó pagando una multa de 1,9 millones de dólares (había evadido impuestos durante una década) y aceptó pagar otra cantidad cuando fuera juzgado. Así, para salvarse, se convirtió en el «topo« del FBI, en la pieza clave para desmantelar la red que gobernaba el futbol.

Exige que le atiendan por ser la novia de un futbolista del Barcelona

por Andrés Baqué

 

 

http-donbalonrosa

La argentina Antonella Roccuzzo de 27 años de edad acudió al hospital Universitario barcelonés Quirón Dexeus sin cita previa y exigiendo que le atendieran.

Antonella está embarazada desde hace unos dos meses. Quiere tener controlado su embarazo y por este motivo acudió al Hospital Universitario Quirón Dexeus de Barcelona. Se presentó en el mostrador, sin cita alguna, y aludiendo que era la mujer de Messi, pedía insistentemente que la atendieran, mientras las allí presentes, también mujeres embarazadas, tuvieron que esperar a pesar de estar antes que Antonella según ‘DonBalónRosa’.

El trato preferencial ofrecido a la novia de Messi no ha tardado en trascender, y ha sido el portal Vanitatis el que ha desvelado cómo algunas de las mujeres alli presentes decidieron presentar reclamaciones por lo sucedido. “Estoy harta de estas VIPs que entran y se van sin colas ni esperas por decir quiénes son. Yo también estoy embarazada y estaba en ayunas. Esto es un hospital, no una discoteca. Se nos quedó a todas cara de idiotas”, señala una de las mujeres ‘afectadas’.

eehttp-donbalonrosa 2

Antonella fotos

Explorada pela TV Globo, Hilda Furacão morre aos 83 anos em asilo para pobres em Buenos Aires

Certas personalidades, nomes lendários, figuras públicas, figuras que estão eternizados nas artes, no folclore, professores, poetas e jornalistas não deviam morrer na miséria. Quando existem pensões concedidas a herdeiros de grandes fortunas.

Quem tem relevantes serviços prestados ao Brasil não pode ser marginalizado pelos poderes executivo, legislativo e judiciário.

Personalidade de Belo Horizonte. Prostituta que inspirou livro de Roberto Drummond e minissérie da Globo, Hilda Furacão foi casada com jogador que passou pelo Atlético, São Paulo e clubes do exterior

por Raíssa Maciel/ O Tempo

Hilda Furacao

Hilda Maia Valentim, a Hilda Furacão, personagem que fez história em Belo Horizonte na década de 1950, morreu nesta segunda-feira (29), no asilo público em que vivia, em Buenos Aires, na Argentina. Fonte de inspiração para o personagem de Roberto Drummond e a minissérie produzida pela Rede Globo em 1998, ela tinha 83 anos.

O Lar de Idosos Guillermo Rawson confirmou à reportagem de O TEMPO que Hilda morreu nesta segunda-feira, mas não informou a causa da morte. “Ela já vinha tendo algumas complicações de saúde. Agora, estamos analisando como vamos fazer para providenciar o enterro”, disse uma assistente social do asilo, que é público e destinado a pessoas pobres.

Nascida em Recife (PE), Hilda foi com a família para Belo Horizonte ainda criança. Na juventude, tornou-se famosa e era conhecida como a prostituta Hilda Furacão. Foi na zona boêmia da capital mineira, especialmente no Hotel Maravilhoso, na rua Gaicurus, no centro da cidade, que conheceu o jogador de futebol Paulo Valentim, então no Atlético, e que também jogou no Boca Juniors, no São Paulo e no Atlante, no México. Eles se casaram no fim da década de 1950, quando Hilda Maia acrescentou o sobrenome Valentim.

A decadência do atleta teria vindo por causa do vício em álcool e jogo. No México, Hilda e Paulo Valentim já estariam pobres no início da década de 1970. Ela trabalharia como faxineira, costureira e babá para sustentar a família. Paulo Valentim morreu em 1984, quando Hilda passou a viver com o filho. Mas ela perdeu também o filho, em 2013. Sem família, foi para o asilo depois de seis meses internada em um hospital por causa de uma queda. Em entrevista ao “Fantástico” em agosto deste ano, ela contou do amor pelo marido, das histórias da boemia, dos fazendeiros que a pediram em casamento e deu uma justificativa para o apelido Furacão: “Eu era brava”.

Hilda Maia Valentim só foi associada à personagem mítica recentemente, mas desde a década de 1990 já se sabia que ela era real. Na época, o escritor mineiro Roberto Drummond revelou que a personagem de seu livro tinha uma inspiração de carne e osso. “Hilda existiu. Mas ela foi de tal forma mitificada e mistificada que se transformou num boato. Um boato festivo, colorido, maravilhoso. O livro é contato através desse boato”, disse à época.

A VERDADEIRA HILDA FURAÇÃO

Hilda e Paulo Valentim

Hilda e Paulo Valentim

por Daniel Alves dos Santos Mendes

A autêntica Hilda Furacão casou-se na igreja com Paulo Valentim, tendo como padrinho João Saldanha (1917-1990), numa cerimônia que quase virou notícia de jornal. Quem me contou tudo isso foi meu amigo Neivaldo Carvalho (1933-2006), um dos mais corajosos e ecléticos jogadores que o Botafogo já teve até os dias de hoje e contemporâneo de Paulo Catimba Valentim nos grandes e inesquecíveis tempos do clube de General Severiano.

A cerimônia do casamento teve momentos de suspense. A certa altura, o padre, com pouquíssima sutileza, fez um sermão e, dirigindo-se à Hilda, disse que esperava que ela abandonasse de vez a chamada mais antiga das profissões. Paulo Valentim irritou-se e queria bater no padre. Curiosamente, quem interveio e evitou um conflito generalizado foi nada menos do que João Saldanha, que de religioso não tinha nada, pois era marxista-leninista de carteirinha.

Daí em diante, pelo menos a partir de 1984 – ano da morte de Paulo Valentim – nada se sabe de Hilda Furacão. Neivaldo me dizia que acreditava que ela teria ido para o México – por onde Paulo Valentim também andou – e simplesmente desaparecido do mapa. Quanto a Paulo Valentim – ídolo também no Boca Juniors, por fazer muitos gols no River Plate – sabe-se apenas que morreu pobre em Buenos Aires, e que só não foi enterrado em cova rasa, para indigentes, porque o presidente do Boca, J.J.Armando comprou-lhe uma sepultura modesta

 

“PRIMEIRA-DAMA” DO BOCA JUNIORS

Hilda e Valentim

Hilda e Valentim

Hilda Valentim foi famosa em Buenos Aires como a “primeira-dama” do Boca Juniors, por ser casada com o jogador Paulo Valentim, craque do clube nos anos 1960. Ela lembra da época. “Com o Paulo, conheci 25 países. Ele era o único que tinha permissão para levar a mulher. Eu ia a todos os lugares”, conta.

Dilma, a vaia e o feminino

As brasileiras poderiam passar sem as manipulações rasteiras sobre o que é ser uma mulher (também na presidência)

Dilma, por Romero Britto. Clique para ampliar

Dilma, por Romero Britto. Clique para ampliar

 

 

por Eliane Brum/ El País/ Espanha

 

 

Eu estava no estádio do Itaquerão, na abertura da Copa do Mundo, e ouvi as vaias e a torcida xingando: “Ei, Dilma, vai tomar no cu”. Não posso afirmar onde as vaias começaram, essa me parece uma certeza muito difícil de garantir num estádio de futebol. Concordo, em parte, com os que alegam que estádios são lugares de palavrões, basta lembrar das mães dos juízes. Mas também discordo, em parte, porque o público da Copa é totalmente diverso do torcedor típico, aquele que vai ver o seu time jogar como uma rotina tão presente na vida quanto trabalhar e namorar. Na Copa, o público é outro, leva para dentro das “arenas” outra expectativa e outra relação com o futebol. Mandar uma pessoa tomar no cu, qualquer pessoa e não só a presidente, é não só grosseiro, como violento. O Brasil é uma sociedade violenta, para muito além da tipificada no Código Penal. Essa violência atravessa o cotidiano. Dito isso, há algo que me incomoda nas narrativas construídas nesse episódio e que valeria a pena prestar mais atenção: a manipulação dos femininos.

Logo depois das vaias, surgiu a interpretação de que Dilma só foi xingada nesses termos porque é mulher. É uma hipótese possível, basta lembrar, de novo, que são as mães dos juízes as ofendidas. Basta lembrar das repórteres beijadas ou agarradas enquanto cobrem a Copa, assim como da eleição das gostosas de sempre. O Brasil (e não só o Brasil) é machista e por vezes misógino, há poucas dúvidas sobre isso. Mas não é possível afirmar que Lula, Fernando Henrique Cardoso ou outro presidente não seria xingado se estivesse ocupando o lugar de Dilma na abertura desta Copa. Alega-se que Lula foi vaiado várias vezes na abertura do Pan-Americano, em 2007, mas xingado nenhuma. Existe, porém, o Brasil de antes de junho de 2013 e existe o Brasil depois de junho de 2013. Naquele momento, algo se rompeu e passou a vazar desde então. Assim, afirmar que um presidente homem dificilmente seria xingado, hoje, nesse mesmo contexto e conjuntura, é temerário. Não sabemos. E é preciso ter respeito pelo que não sabemos.

Temos a primeira mulher na presidência. E, desde a campanha de 2010, versões do feminino têm sido manipuladas conforme a conveniência. Agora não é diferente. Assim que o xingamento foi consumado, de imediato instalou-se a disputa sobre interpretações que repercutirão nas eleições bem próximas. Para o candidato Eduardo Campos (PSB), num clichê pobre, “na vida a gente colhe o que a gente planta”. O candidato Aécio Neves (PSDB) apressou-se a tirar proveito, afirmando que Dilma estaria “sitiada”: “O que fica para a história é que temos uma Copa do Mundo em que o chefe de Estado não se vê em condições de se apresentar à população”. O PT virou o jogo e conseguiu vencer a disputa narrativa, com a ajuda de parte do movimento feminista. Dilma agora é a vítima da elite mal-educada – e há sempre um lugar de vítima reservado para as mulheres.

Mas será que isso é bom para as brasileiras?

Acho particularmente irritante o argumento do “não se pode dizer isso a uma mulher” ou “não se trata uma mulher assim”. Se é grosseiro xingar – e é –, é grosseiro com qualquer pessoa, independentemente de sexo e gênero. Culmina com Lula dando uma rosa branca à Dilma. Claro, porque as mulheres devem ser tratadas com rosas. Profundo bocejo. Acho complicado quando Dilma afirma: “Não vou me deixar atemorizar por xingamentos que não podem ser sequer escutados pelas crianças e pelas famílias”. Há uma lista de violências cotidianas sofridas pelas crianças no Brasil, inclusive nos últimos 12 anos, e ouvir alguém mandando outro tomar no cu é desnecessário, mas não é uma delas. A visão de família parafusada nessa frase está mais para “marcha da família” do que para as variações contemporâneas de família que têm enriquecido a vida brasileira. Dilma ainda disse: “O povo brasileiro é civilizado e extremamente generoso e educado”. Se Dilma governasse o país acreditando no que disse, seria preocupante. A elite brasileira é violenta, o povo também é violento. Basta andar nas ruas do país para constatar a “civilidade”. A sociedade brasileira é violenta de cima abaixo, com raízes históricas e omissões contemporâneas bem conhecidas, a começar pela desigualdade de renda e pela péssima educação pública, que condena milhões a uma vida estreita de possibilidades.

O risco dessa disputa rasteira, com olhos na eleição logo ali, é que se deixa de pensar seriamente sobre os sentidos do que é o Brasil hoje. E até mesmo sobre os significados das vaias e xingamentos. Tudo é reduzido a slogans publicitários, chapinhando propositalmente em poças d’água. Como a visão do feminino manipulada pela primeira campanha de Dilma. Nela, se lembrarmos, Dilma foi apresentada como “a mãe do PAC”. Ao dizer quais eram as vantagens de uma mulher na presidência, ela enumerou: “Nós, mulheres, nascemos com o sentimento de cuidar, amparar e proteger”. O próprio Lula afirmou que a palavra não era “governar, mas cuidar”. E Dilma acrescentava: “cuidar como uma mãe do povo brasileiro”.

Ao aceitar essa estratégia de marketing, que possivelmente representa muito mais a visão de Lula do que a sua, Dilma reduziu os sentidos dos muitos femininos possíveis ao clichê mais tacanho. Sem contar o lugar de “filho” – e não o de cidadão autônomo, com direitos e deveres – reservado ao povo. Dilma foi eleita. Ao governar, irritava-se porque a acusavam de truculência no trato com subordinados e interlocutores. Disse, mais de uma vez, que, se fosse um homem na presidência, ninguém estranharia seu estilo ou cobraria meiguice. Ao mesmo tempo, sempre que alguém tratava a presidente com mais dureza, Lula era o primeiro a protestar pela “falta de gentileza com uma mulher”.

Em um governante, assim como num candidato, seja ele homem ou mulher, pouco importa. O que é preciso avaliar é o que faz. E fez. No que diz respeito às mulheres, assim como a questões de sexualidade e de gênero, Dilma recuou. Recuou na questão do aborto, para obter o voto religioso. Recuou ao cancelar a distribuição do kit anti-homofobia nas escolas. Recuou ao tirar do ar uma campanha de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis porque uma prostituta dizia que era feliz. Dilma recuou várias outras vezes, recuou demais.

Não gosto de xingamentos contra qualquer pessoa. Gosto de rosas. Mas, destas, que confinam as mulheres a uma verdade única e tosca, é melhor manter distância.

 

Copa do Mundo. Os gladiadores também amam

Nada melhor do que uma boa pelada. As maria-chuteiras (botineras) mais famosas

br_diario_comercio. musas futebol

Zaria Nara

Zaria Nara

Zaira Nara

Zaira Nara

Yolanthe Cabau Van Kasbergen

Yolanthe Cabau Van Kasbergen

Yesica Toscanini

Yesica Toscanini

Tulisa Contostavlos

Tulisa Contostavlos

Tamara Gorro

Tamara Gorro

Soledad Fandino

Soledad Fandino

Sidoni Biemont

Sidoni Biemont

Shakira

Shakira

Shakira

Shakira

Raffaella Fico

Raffaella Fico

Natalia Velez

Natalia Velez

Michela Quattrociocche

Michela Quattrociocche

Melissa Sata

Melissa Sata

María Imízcoz

María Imízcoz

Lara Alvarez

Lara Alvarez

Lara Alvarez

Lara Alvarez

Katsia Zingarevich

Katsia Zingarevich

Irina Shayk

Irina Shayk

Daniella Semaan

Daniella Semaan

Clarice Alves

Clarice Alves

Curly Zucker

Curly Zucker

Ameri Ichinose

Ameri Ichinose

Bruna Marquezine

Bruna Marquezine

“Brasil no gana el Mundial”

LOS VECINOS NO SE TIENEN FE

En Porto Alegre, la sede más cercana a la frontera, Argentina definirá el Grupo F con Nigeria: se esperan más de 100 mil argentinos en la ciudad de Gremio e Internacional, los pibes con collares de mugre, la publicidad de la obra pública millonaria, la cachaça, la feijoada y los bares ínfimos.

 

bandeira2

 

 

 

 

Por Hernán Panessi
Página 12, Argentina – Desde Porto Alegre

 

 
Tres y media de la tarde. Un sol de fuego –tibio y picante– cae vertical sobre la empinada calle Sarmiento. Se oye: “Brasil no gana el Mundial”. Y la sentencia, repetida como un mantra insólito, es una sensación colectiva. Aún con el fervor mundialista encendidísimo, buena parte de los brasileños dice que su país no ganará el Mundial. O que prefiere no ganarlo. Mientras tanto, en la TV, una granada de fotones estalla en un juego donde transeúntes elegidos al azar tienen que juntar la cara de un futbolista de esa selección con su nombre. Ninguno de ellos acierta. Sucede que, en esta oportunidad, no hay Ronaldinhos, ni Ronaldos. Ni siquiera Roberto Carlos. Hay, sí, David Luiz, Hulk y Neymar. ¿Y eso qué? “Tenemos grandes jugadores, pero ninguno es una gran estrella”, dice Alexei, un joven taxista rapado que bien podría ser el 4 rapidito de cualquier equipo del mundo. Es raro: les cuesta encontrar empatía con sus jugadores en épocas de Messi y Cristiano Ronaldo. “Si me traés la camiseta de Argentina, me la pongo y la beso”, dice Felipe M. Guerra, director de cine nativo de San Pablo que hace unos años vive en Río Grande del Sur.

El corazón de la nerdencia brasileña, que también pela fetichismo por la pelota, late en Porto Alegre cuando en mayo –desde hace diez mayos– se celebra Fantaspoa, el festival de cine fantástico más importante de Latinoamérica. Algo así como el Festival Buenos Aires Rojo Sangre de allá, pero con más guita e invitados internacionales. Y esa misma arteria –que parece saludable– anda algo tapada: entre sus comercios faltan tiendas de historietas; sobran torneos de Yu-Gi-Oh!

Más tetas que culos: en Porto Alegre no hay playa, los paisajes son urbanos. Hay poca población morena, mucha caucásica, alguna que otra trigueña. Los comerciantes son amables y tienen respeto por el turista. Cobran lo que tienen que cobrar, tratan como tienen que tratar. En su reverso, a pocos pasos del centro, un niño porta un collar de mugre. Nadie lo mira, nadie lo toca. Está, pero no está. Ahora lo ves, ahora no lo ves. Hay, en Porto Alegre, siete morros donde conviven las clases populares con los muy, muy, muy ricos. Lo de siempre: los trabajos que nadie quiere hacer, los hacen los pobres. Abunda el trabajo sexual y las travestis –que paran sobre la calle Sao Carlos y la Avenida Farrapos– ofrecen la caliente opción de saciar el deseo de carne sobre carne. Pero es de mal gusto mirarle el calzoncillo sucio a otro país. Por eso, a otra cosa.

El camino que separa al estadio de Internacional con el de Gremio es una moderna autopista. De afuera, el Beira-Río, donde hace de local el Sport Club Internacional, es una de las construcciones de cemento, metal, plástico y vidrio más imponentes del planeta. Adentro es la película perfecta de cualquier amante del fulbito: gradas rojas y blancas, infinidad de asientos, el pasto verde ciencia ficción. Y el Arena do Gremio, casa del Gremio Foot-Ball Porto Alegrense, no se queda atrás. Olor a Europa en Sudamérica. Este es, justamente, otro de los reclamos del pueblo brasileño: el excesivo gasto en la confección y las mejoras en los estadios mundialistas. Sin embargo, la materialización de la bronca reposa en el estadio Mané Garrincha, construido en Brasilia, una ciudad sin club que haga de local. La utilización de la caja pública para hacer canchas donde se harán goles y se imprimirán algunos millones de dólares.

Al costado de la autopista, en las paredes, carteles pegados por alumnos de la Universidad Federal de Ciencia de la Salud de Porto Alegre rezan: “Dilma, mostrá tu cara. El trabajador quiere avanzar de verdad”. Y la Dilma retratada es una suerte de Tío Sam diabólica. La clase media abunda en Porto Alegre. Las clases populares bancan al Partido de los Trabajadores. Aquí, el lugar universal de la entelequia política: están los que bancan y los que no. Baja el sol, cae la temperatura: las noches en invierno son frescas. Entretanto, una postal curiosa: una mujer bien vestida (jogging deportivo color beige de primera marca, zapatillas celestes ídem), bebé en brazos, irrumpe en el hall del Hotel Master Express pidiendo limosna. Un argentino le da algunas monedas. Es un año de elecciones para Brasil. La cosa está rara. En consecuencia, dentro de su profundo y complejo entramado social, es –también– un Mundial político.

Para el viajante hay un gol: comer es barato. Un pancho con gaseosa cuesta 6 reales. Un churrasco al plato, 12. Aun con la conversión desfavorable (3,4 pesos = 1 real), los bolsillos no adelgazan con el morfi. Panza llena, Mundial contento. Y si la nostalgia se pone gomosa, hay un lugar para comer milanesas con fritas en porción abundante: Tudo Pelo Social, sobre la calle Joao Alfredo (tip al paso: las calles se llaman “ruas”), a 20 reales la porción. Un detalle: algunos locales de comida cobran –2,5 reales– el uso del baño a quienes no son clientes del lugar. Picardía for export. Así las cosas, el desayuno de los hoteles tiene lo clásico: café con leche, yogur, frutas, huevo frito… más la sorpresa extraordinaria del chipá con queso. Y el chipá con queso, por caso, se vende barato y al paso: una moneda de medio real por bollito.

En Porto Alegre se bebe cachaça y se come feijoada: un guiso de porotos presentado con arroz y carne de cerdo en salazón. ¿Y el pan? Sorry, no hay. Las comidas típicas no se acompañan con pan. En Porto Alegre, los bares son pequeños como lentejas y se puede beber en la vereda: ahí no hay burocratización de la nocturnidad. Los agentes policiales hacen la vista gorda si se huele un poquito de maconha. Ojo, tampoco como para zarparse. En las calles, muchas remeras del Internacional, alguna que otra del Gremio, ninguna de la selección brasileña. “¡Argentina! ¡Argentina!”, grita Joao, un simpático petiso con un Doctorado en Marketing. “Si el Mundial fuera en otro país, hincharíamos por Brasil”, agrega. Asimismo, un adolescente de gorrita norteamericana se mete en la conversación, estrujando aquel comentario y redoblando la provocación: “Maradona maricón”, dice. “Brasil será el campeón”, remata con expresión desafiante.

Tufos de sardina golpean repentinamente el olfato con relentes de salitre podrido. En el Mercado Central de Porto Alegre se puede comprar frutas frescas, verduras, café (hay uno que se hace con mierda del pájaro cajú y vale muchísimo dinero), yerbas de todo tipo (las más verdes flúo jamás vistas), discos de pasta a precios astronómicos, velas, santos y elementos varios para macumbas. Y acá, una ayudita celestial para la verdeamarelha. Oficialmente, la macumba está prohibida en Brasil. Aunque no del todo: la presencia de “trabajos” para “abrir caminos” es moneda corriente en sus grises esquinas. Y de tanto subir y bajar las pendientes, otra verdad: los taxis andan fuerte. Taxis, colectivos, los coches en general. Hay una necesidad de intensidad digna de persecución à la Need for Speed. Una intensidad que, esta vez –oh, las primeras veces–, no está puesta en la vacilación: Brasil no gana el Mundial.

En lo estrictamente futbolístico, Argentina jugará contra Nigeria el miércoles 25 de junio a las 13 en el estadio del Internacional. Será su tercer match tras enfrentar a los ignotos combinados de Bosnia-Herzegovina e Irán. En ese partido se definirá el devenir del Grupo F. Y se espera una fuerte oleada de criollos en tierras gaúchas. ¿Por qué? Sencillo: la cercanía geográfica. Porto Alegre queda al sur de Brasil, apenas a una hora y cuarenta minutos en avión desde la Ciudad de Buenos Aires.

“Nosotros demostramos en la cancha”, le dijo el Diego DT, en su última incursión por su hábitat natural, al alemán Bastian Schweinsteiger, y le pifió como pocas veces lo hizo. La Selección Nacional llega, por primera vez en años, con perfil bajo: si bien tiene al Mejor de Todos, las luces del show están puestas principalmente en Alemania, España, Holanda o en la mismísima Brasil. Mal que les pese. “Brasil no gana el Mundial”, repiten como mantra, yendo a contramano de su memoria vital y –en los números, pero mucho más en el discurso– ganadora. Esta vez, los pentacampeones decidieron parar la pelota y jugarla por otro lado: ya cerraron para ser sede de los Juegos Olímpicos 2016. El fútbol es lobo del fútbol: lo deportivo opaca lo social, lo social se come lo deportivo. Entonces, pese al runrún sociopolítico, apuestan al deporte como amor brujo e irracional, volcán de gorilas, fiesta folklórica, reservorio de la moral que esquiva a los cuellos con mugre y, fundamentalmente, como máquina de imprimir billetes. Brasil no gana el Mundial: lo gana Brasil.

A poesia na Copa

por Woden Madruga

 

futebol cérebro

 

Na caixa do correio, no meio de panfletos de pizzarias, cartas atrasadas e avisos da Caern, encontro um bilhete de Alex Nascimento, manuscrito, letra bem arrumada padrão arquiteto (ou seria designer?), uma linha apenas: “Madruguinha: estou indo. Leia o soneto. Voltarei no final de julho. Alex”. Há tempo, nas madrugadas da Bela Napoli, ele vinha conversando que passaria a Copa fora do Brasil. Talvez Lisboa, poderia ser Firenze, ou mais longe, quem sabe ao redor do Golfo Pérsico. Não escondia o desejo de conhecer Catar, que ele escreve com Q. Perguntei por que Catar? Ora, respondeu já no terceiro oldepar, o Qatar é o novo paraíso da Fifa. Referia-se à grana avultada que os dirigentes da matriz mundial do futebol teriam recebido (milhões de dólares) para que o pequeno, mas rico, país árabe sediasse a Copa do Mundo de 2022. Um doutorado em suborno.

Será que Alex foi mesmo para o Catar? Há três dias o seu telefone não atende. Passei pela rua São João, não vi o seu carro na sombra da mangubeira. Na Bela Napoli, há uma semana que não aparece. Mário Ivo também não sabe. Me falou que, no último encontro, Alex insistia em conhecer Catar e de lá, ir até o arquipélago de Bahrein, outra mania árabe do poeta, agora motivado pela Fórmula 1 (o Grande Prêmio de Bahrein), uma de suas paixões esportivas. Alex sempre incluiu o arquipélago na sua geografia árabe: Arábia Saudita espichada pelo Catar em forma de península, a ilha de Bahrein, o Irã mais a frente, o Iraque ao lado. Uma vizinhança da pesada.

Lembro que ele falava que no Catar pode-se ir às arenas (as sedes da Copa) de bicicleta. Nada de trem, carro, metrô, ônibus, táxi. Nem tampouco jumento, sugerido como meio de transporte por um importante estadista brasileiro. Vai-se de bicicleta, numa boa. O Catar é pequeno, todo o país tem pouco mais de 11 mil quilômetros quadrados, mais ou menos 10% do território do Rio Grande do Norte. Falava com muito entusiasmo, lembrando-se do tempo em que, vivendo uma temporada na Alemanha, passeava pedalando entre cidades alemãs, holandesas e belgas, no cruzamento de suas fronteiras.

Já para Bahrein, estando em Catar, pega-se um barco e se vai pelo Golfo Pérsico, pouco tempo de travessia. Também tem voo a toda hora, basta conferir nos patrocínios da Fórmula 1 e nas camisas dos jogadores dos principais clubes da Europa: “Qatar Airways”. Aceita todos os cartões de crédito, inclusive da Caixa Econômica Federal, em até oito parcelas mensais. Nos deleites asiáticos de Alex descobri que essa sua ligação com o Bahrein não era somente por conta da Fórmula 1. Vinha lá de trás, de muito tempo atrás, quando os portugueses navegavam por aquelas águas orientais, anos de 1550/1600. Camões já fala em Bahrein, que escreveu Barém em Os Lusíadas. Está na estrofe 41 do Canto X:

“Ali, do sal os montes não defendem/ De corrupção os corpos no combate,/ Que mortos pela praia e mar se estendem/ De Gerum, de Mazcate e Calaiate,/ Até que à força só de braço aprendem/ A abaixar a cerviz, onde se lhe ate/ Obrigação de dar o reino inico/ Das perlas de Barém tributo rico”.

Abro o volume II de Os Lusíadas, numa edição publicada em Lisboa, em 1915, e que comprei – bote tempo nisso – num sebo em São Paulo, não me lembro quando. É uma edição organizada por Francisco de Sales Lencastre, que fez anotações “para leitura popular”. O Lencastre faz seis anotações para a estrofe. Destaque de nº 6 para o último verso, onde é citado Barém: “Pequenas ilhas no Golfo Pérsico, e no qual se pescavam as mais ricas pérolas.”

Para lá, que já foi o reino de Ormuz, teria embarcado Alex, fugindo da Copa da Fifa? Ou tudo não passa de invenção, de um fingimento do poeta, tal qual gostava de exercitar outro vate português navegando pelos seus oceanos infinitos (Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal!) ia pelo Rocio no rumo do Tejo, debulhando com Alberto Caeiro que o poeta é o fingidor, finge tão completamente que chega fingir que é dor a dor que deveras sente.

O soneto O soneto de Alex Nascimento (Luiz Vaz de Camões também foi sonetista, grande) expressa o seu sentimento crítico diante do espetáculo cívico-esportivo-carnavalesco da Copa e todos os seus “legados”, incluindo os eleitoreiros:

Era uma vez, assim conta a história,
Um povo que adorava gambiarra,
Sem saber da ressaca, tome farra!,
Sem lei, sem rei, sem mão, sem palmatória.
Sem passado ou presente, sem memória,
Não havia formiga, só cigarra,
Cuja única trilha era piçarra,
Burguês ou miserável, tudo escória.
Diz a lenda, se é que lenda fala,
Sub-vermes não legam um império,
Pois desse povo não restaram elos.
Por fim me calo eu, olho a senzala,
E todo o campo em volta é um cemitério,
Repleto de caixões verde-amarelos.

O futebol de João Cabral Apesar dos excessos da Fifa, o futebol está no coração de grande poetas brasileiros. Lembro, agora, de três: Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e João Cabral de Melo Neto. Os dois primeiros, mineiros. O terceiro, pernambucano, torcedor do América de Recife. No seu livro Museu de tudo, está o poema “O futebol brasileiro evocado na Europa”:
“A bola não é inimiga/ como o touro, numa ‘corrida’;/ e embora seja um utensílio/ caseiro e que se usa sem risco,/ não é utensílio impessoal,/ sempre manso, de gesto usual:/ é um utensílio semivivo,/ de reações próprias como bicho,/ e que, como bicho, é mister/ (mais que bicho, como mulher)/ usar como malícia e atenção/ dando aos pés astúcias de mão.”

No Juvenal Lamartine Na poesia potiguar tem Nei Leandro de Castro no time dos craques da aldeia. Foi peladeiro do América (da família quem batia um bolão era o irmão Berilo), mas bom de bola na literatura. É dele o poema “No Estádio Juvenal Lamartine”, incluído no livro Autobiografia:

“Em volta, somente os morros do Tirol/ guardavam silêncio e serenidade./ O fanatismo tomava a arquibancada/ e o desconforto da geral/ em gritos de gol, palmas, palavrões./ O juiz apitava, corria com suas pernas finas/ e, errando ou não, era sempre filho de uma puta./ O mundo girava em duas rotações/ de quarenta e cinco minutos./ De repente, a explosão do gol, redonda alegria./ E tudo era tristeza quando o América/ descia do seu carro de glória e não vencia.”

 

Bien puestas. Mujeres con pelotas

Las que juegan al fútbol no son mujeres (¡machonas!, ¡lesbianas!) se podría decir parafraseando a Monique Wittig. A mucha honra, los dos equipos que protagonizan el documental Mujeres con pelotas no sólo la mueven, sino que patean tipos y estereotipos.

Por Clara Laura Gualano

 

meiodecampo
“La vida, como el potrero, tiene el pique desparejo/ algunas te caen al pie, las otras se corren lejos”, reza el tango. Y si a Lionel Messi la pelota le cayó cerca es porque desde la cuna le aplaudieron la habilidad para el jueguito que lo perfilaba –según esa ansiedad tan incontrolable de los padres de los niños-promesa– como una súper star del deporte. Hasta hay un video en YouTube de Lío jugando de chiquito como el de Maradona en el potrero. Ahora, ¿vieron ustedes alguna vez esa misma ansiedad paterna (¡o materna!) siguiendo con la cámara el jueguito de la nena? Bien lo explica, consultado para el documental, el periodista deportivo y ex seminarista Gastón Recondo, cuando dice que para jugar bien al fútbol hacen falta los genes (sí, genes) XY, porque si no el deporte se torna aniñado y poco estimulante. Ahora, si a la nena no se la filma desde chiquita, después de grande quiere todo el protagonismo para ella, que la filmen, que la graben, no se conforma con una medalla y un cuadrito. O por lo menos esto les sucedió a las chicas de Las Aliadas de la Villa 31, protagonistas del documental Fútbol con pelotas. Las muertas, el segundo equipo aquí retratado pertenece al grupo de Fútbol descolonizador. Tampoco son chicas de club, juegan en las plazas de Chacarita no enrejadas y además formaron una agrupación denominada Comando Antipajeros. Dos realidades distintas para estos equipos unidos por la misma pasión.

Rejas y piropos, no

“A toda la hinchada se le notifica que la histórica y mítica relación monogámica entre el hombre y el fútbol ha sido rota. Las minas en jugada magistral hemos robado la pelota y enhebrado un centro de ensueño dentro del área chica de la cultura patriarcal que concluyó en impecable y certero gol de cabeza y al ángulo.” Así comienza el manifiesto Fútbol Descolonizador. Jugar en el descampado evoca el potrero que miraban con la ñata contra el alambrado cuando los pibes se apropiaban de ese objeto de deseo (¿o de transferencia?) que es el balón. Ahora todos los martes se autoconvocan en Plaza los Andes de Chacarita. Venidas de espacio de socialización común ligados al feminismo y a la militancia de género, recuerdan al pasar que alguna hétero amiga de una amiga vino a jugar alguna vez. Aunque la relación del erotismo entre chicas y fútbol no es uno a uno (“unir lesbianismo y deporte puede ser tomado como un argumento de discriminación”, dicen) quizás a veces salgan gritando de la cancha “¡las chongas somos lo máximo!”.

Si imaginamos un videojuego donde las chicas van venciendo obstáculos, el primer nivel fue tomar las calles y descolonizar el juego. El segundo arremetió contra la lengua del conquistador, esa perversa que en cualquier contexto les grita: ¡pero qué lindo culo, mamita! Cuando se dieron cita el año pasado para uno de los festivales-torneos que organizan, a un tipo que andaba por ahí se le ocurrió provocarlas intentando una masturbación en un banco de la plaza frente a todas las jugadoras que, sudando la camiseta, se le paseaban en frente con short y manguita corta. No sabemos fielmente cómo terminó ese hijo del patriarcado, pero lo que sí sabemos es que su hazaña de machito precipitó el nacimiento del Comando Antipajeros, una agrupación que reúne a muchas de las integrantes de Fútbol Descolonizador –y a otras que se conectaron vía Facebook– para hacer pintadas y escraches con consignas tales como: “Si puedo hacer una torta, puedo hacer una bomba” o “Si el patriarcado es una verga, hagámoslo concha” o “No quiero tu apoyo”. En la última semana el elogio del culo femenino realizado por el jefe de Gobierno de la Ciudad, Mauricio Macri, les atizó el fuego. “No nacimos para provocarte, tu estupidez nos provoca. Macri pajero. Basta de acoso callejero”, salieron a stenciliar en los paredones.

Goals for girls

El documental Mujeres con pelotas –dirigido por Ginger Gentile, una estadounidense que se fascinó con la historia de Las Aliadas, y Gabriel Balanovsky– lleva a este equipo a dar una artística vuelta olímpica por el mundo. Lejos de aparecer victimizadas, las integrantes sueñan con un futuro en el que nuestro país cuente con clubes especializados en fútbol femenino y en el que los oficiales empiecen a invertir más dinero en el entrenamiento de niñas desde las inferiores. Si bien Boca, River, San Lorenzo, Argentinos Juniors, por nombrar sólo algunos, cuentan con equipos, la falta de profesionalización hace que sus integrantes no perciban un sueldo –ni hablar de los cachés que se pagan a la primera división– y trabajen de cualquier otra cosa a la par del entrenamiento. Desde la ignorancia y la desfachatez, las declaraciones de los hinchas de fútbol, periodistas deportivos y hasta autoridades de la AFA revelan una sarta de prejuicios que quedan disueltos en las mismas escenas que los ilustran: mientras ellos se jactan de enunciar que el fútbol femenino puede ser muy técnico pero nunca será tan habilidoso como el masculino, que es aniñado y que la contextura física no les da, la cámara se pasea entre una serie de gambetas ilustres ostentadas por jugadoras que levantan polvo y polémica al ritmo de la cumbia.

Movela, guacha

La villa está caliente. Desde sus ventanas enrejadas, sus casas coloridas y siempre iluminadas, y sus reggaetones altisonantes, los vecinos observan a las once jugadoras detener el mundo con la gamba derecha, pisarla y en un microsegundo dar un pase a la compañera. “¡Conchuda!”, “¡Chupapijas!”, se gritan de un lado a otro de la cancha que queda en el corazón de la 31, frente al Centro Asistencial Padre Mugica, y lo que para una burguesita cualquiera sería un insulto imperdonable, para ellas es el calor del compañerismo. La lengua del conquistador que grita el insulto, en este caso, fue apropiada. No es la palabra sola la que hiere la honorabilidad del cuerpo, porque a veces a un insulto se le responde con la fiereza de un insulto mayor, sino otros estigmas más profundos que pesan sobre la dignidad: “A mí el fútbol me sacó de muchas cosas que yo no quiero hacer, como drogarme o robar”, cuenta Cuni (22) mientras cae el sol y se ven los rascacielos imperiales desde el centro de la villa. Desde hace años, todos los martes y jueves Mónica Santino –que las dirige como la mejor DT de la vida– atraviesa esas callecitas con un bolso cargado de pelotas y pecheras bordó y fucsia y las insta a jugar pese a todo: a sus maternidades jóvenes, a sus maridos demandantes, a las imposiciones de limpiar y ocuparse de tareas “femeninas” que les imponen padres y hermanos y a los varones de la villa que reclaman la cancha para sí cual si fueran los dueños de la tierra.

De la mano por la 31

Si jugás al fútbol bien, sólo sos una buena futbolista, no tenés que ser ni torta, ni bi, y no importa a quién se la pongas o quién te la ponga, lo importante es que puedas meterla en el arco de la contraria. Ahí barremos todos los mitos posibles: el lesbifútbol existe en la mente perversa de quien asocia las pelotas colgando con la pelota girando sobre el césped y el roce de los cuerpos con el erotismo entre chicas. De treinta jugadoras que rotan en Las Aliadas la mayoría tiene novio, transa, o chapa, y sólo algunas salen con chicas que conocieron, muchas veces, ahí mismo en los partidos. Para Analía (20), que pertenece a la comunidad peruana, enunciar que tiene novia es un acto de coraje mayor que meter un gol de chilena. Andar de la mano con otra por la 31, o besarse, sigue siendo exponerse a los insultos, aunque ahora, dicen, se ven más chicas juntas que antes. Para reconocerse entre sí –cuenta otra– hay que observar si en la muñeca lleva puesta la pulsera multicolor, en ese caso es del palo. Ese código está reemplazando al rapado lateral, del cual ya nadie se fía porque se popularizó demasiado. En la villa, donde el tatuaje, la cadenita y el corte de pelo dicen mucho de la tribu o del palo que curtís, las señalizaciones están a la orden del día. La alianza entre pares para la defensa, el erotismo o la diversión se signan con un código común que muchas veces las aísla como si fueran rejas, pero otras tantas las protege con ese calor que da la familia unida en torno de una pasión común.

 

 

 

 

Entre goles, negociados y especulaciones electorales

Entrevista con Beat “Tuto” Wehrle, analista social, a las puertas del Mundial de Fútbol
por Sergio Ferrari

 

Brasil protesto estádio copa futebol

El Mundial de Fútbol que comenzará el 12 de junio con el partido entre Brasil y Croacia será mucho más que un gran evento deportivo. Antes que el balón se lance a rodar en los doce estadios de ese país-continente, las encrucijadas de la realidad brasilera ya se expresan en la dinámica pre-mundial. Así lo afirma Beat “Tuto” Wehrle, agudo analista y responsable en Brasil del Programa “A chance to play” – “El derecho de jugar”-, iniciativa solidaria de apoyo a niños/as y adolescentes de las favelas de San Pablo, promovida por Tierra de Hombres Alemania.

-P: ¿Cómo se puede interpretar la dinámica brasilera actual a poco más de un mes del inicio del Campeonato Mundial de la FIFA?

-Beat Wehrle (BW): Simplificando al máximo la lectura de la coyuntura actual, pienso que se entrecruzan en esta etapa pre-mundial cuatro dinámicas esenciales. Los intereses económicos en torno a las obras de infraestructura que se están terminando de construir. El estado actual de las movilizaciones sociales hacia fines del mes de abril. El aumento del esquema de seguridad y control policial-militar que se implementa en gran parte de las ciudades donde habrá partidos del mundial. Y, el impacto que el Mundial puede tener en este año electoral.

P: Hablaba también de la situación a nivel de seguridad, como un punto relevante de la coyuntura actual…

-BW: Sí. Luego de las grandes movilizaciones de junio del 2013 se dio una verdadera carrera armamentista y militarista de las secretarías estaduales de seguridad pública. En general, no es el poder ejecutivo nacional sino los Estados –Brasil es una República Federativa- que tienen la dirección de la seguridad. Aunque en ciertas circunstancias como en Río de Janeiro fueron tropas del ejército que ocuparon a inicios de abril el complejo de favelas de la Maré (más grande que toda la ciudad de Ginebra en Suiza). O en Salvador, capital de Bahía, donde la segunda semana de abril miles de militares se desplegaron en sectores sensibles de la ciudad. Ya antes se había procedido al mismo mecanismo por ejemplo en la gran Favela de Rocinha, también en Río, para posibilitar la instalación de Unidades de Policía Pacificadora (UPP). Si bien se puede entender como positivo el hecho de recuperar territorios al gran crimen organizado, muy rápidamente el alivio de las familias que habitan en las favelas “pacificadas” se transforma en sufrimiento frente a la acción igualmente arbitraria, represiva y violenta de las policías militares. Realidad similar en San Pablo, con una militarización bien intensa, adquisición de nuevos equipos para reprimir manifestaciones y formación de una nueva fuerza llamada “Tropa de Braço”, cuyos integrantes son todos especialistas en artes marciales. Es decir, el pretexto de la seguridad en torno al mundial llevó a justificar la reproducción de métodos históricamente conocidos para reprimir y frenar cualquier intento de movilización social. A 50 años del Golpe Militar contra el Gobierno de João Goulart – que se recordó el 1ro de abril de este año- la maquinaria del Estado brasilero sigue marcada por elementos autoritarios y represivos. El mejor ejemplo son las Policías Militares presentes en todo el país. Y todo esto más allá de la voluntad de la presidenta Dilma Rousseff.

-P: Este tema de seguridad implica el análisis de la dinámica actual de las movilizaciones callejeras. Luego de las grandes manifestaciones de junio pasado…

-BW: En este marco de reforzamiento brutal de las fuerzas de seguridad pública se da como contracara de la moneda, una tendencia a radicalizar las manifestaciones, reduciendo la masividad de las mismas. En las últimas semanas aquí en San Pablo, se dieron tres movilizaciones. Ninguna con más de mil personas. Aunque con tendencia a radicalizarse, incluso con la metodología de los “black bloc”, con depredación y violencia extrema. Con esto quiero señalar que al reforzamiento del esquema de seguridad de cara al Mundial, provoca una radicalización violenta de los que protestan en la calle. Y esto es preocupante. Ya que atenta contra la participación de sectores sociales amplios en la protesta ciudadana. En cuanto a los movimientos sociales que estuvieron a la base de las manifestaciones de junio 2013, se observan dos posiciones diferentes. Un sector, que levanta la bandera de “sin derechos no hay Mundial”, que pacta objetivamente con los sectores más radicales. El otro, el de los movimientos sociales más organizados, que se articulan en los Comités Populares de la Copa que denuncian los impactos negativos de este mega evento deportivo pero que no participan de movilizaciones violentas. En síntesis, las movilizaciones actuales no llegan a tener la amplitud de las de junio pasado durante la Copa de Confederaciones. Además no hay una dirección orgánica del movimiento y los grupos radicales han contribuido a fragmentar la protesta.

-P: ¿Toda esta dinámica tendrá una incidencia directa en los eventuales comportamientos electorales en el próximo mes de octubre?

-BW: Pienso que el contexto electoral es un ingrediente significativo en torno al Mundial. Antes de junio pasado, muchos analistas políticos anticipaban que la Copa podría ser un facilitador de la re-elección de la presidenta Dilma Rousseff. Después de las grandes protestas callejeras, el Mundial empezó a ser entendido por la oposición como un elemento de desgaste para la presidenta. La tendencia actual indicaría que la apuesta de la oposición tiene una base real y que todo lo del campeonato desgasta al Gobierno. Ayudado por los grandes poderes de información que controlan el espacio informativo. En la encuesta de inicio de abril, también de Datafolha, Dilma continúa como clara favorita con perspectivas de triunfo en el primer turno electoral. Sin embargo, mientras en febrero las intenciones de voto eran del 44% ahora el apoyo es del 38%. Es importante subrayar que, a pesar de esta caída, sus competidores opositores no logran aumentar la simpatía de los electores. En síntesis, se corre el riesgo – y hay ya señales elocuentes- que amplios sectores de la oposición, en el contexto del Mundial, jueguen a la hipótesis de “cuanto peor salga todo, mejor para nosotros”. Y hay en torno a la Copa muchos factores de riesgo que pueden alimentar dicha manipulación política de este mega evento deportivo. Que ya hoy es mucho más que fútbol, pasión, goles y emociones. Entra en el terreno de los grandes intereses económicos y de los fríos cálculos políticos. Restringiendo el espacio democrático del movimiento social para hacer escuchar su justa protesta por derechos no realizados.