Violência em silêncio

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Deitados às cinzas das sombras dos prédios.
Sob a punição de seus medos
No relento do descaso
Onde as ruas são seus laços
Suas identidades desfeitas por cédulas de abandono
Aprisionados na dor da violência
De devassos governantes com viseiras do poder
Violência da alma, da mente
Não há armas
Apenas corpos sedentes
Do amor, do calor
Cansados da ausência do ser
Sufocados pela presença do ter
Na foto vejo um pouco de mim
e vejo um pouco de você.

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FOTO: Weslei Barba – Fotógrafos Ativistas
TEXTO: Ariana Lackshmi – Fotógrafos Ativistas

AUDIODESCRIÇÃO: Dois moradores de rua estão próximos a um monumento localizado na região da Sé. Um deles está sentado com a mão no rosto e o outro está deitado. No fundo, há alguns prédios antigos. Foto em preto e branco.

fotografia violência

Terra da garoa

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Este senhor está sobre suas muletas para que o alagamento próximo a ele não o atinja.
Não parece ser suficiente.
Será que está sonhando? Acordado, talvez.
Pode ser que esteja esperando a água da chuva lavar sua alma.
Talvez esteja pensando em como sair dali.
Talvez seu sono seja tão profundo a ponto de não alertá-lo do perigo iminente.
Talvez não esteja prestando tanta atenção e outras coisas ocupem sua mente.
“Terra da garoa” é eufemismo.
A chuva quando vem, não espera ninguém.

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FOTO: Natan Linhares – Fotógrafos Ativistas
TEXTO: Monique Alves – Fotógrafos Ativistas

AUDIODESCRIÇÃO: Morador de rua está no chão, deitado em cima das suas muletas. Ao seu redor, a água da chuva toma conta do espaço. Foto em preto e branco.

 

morador de rua