As favelas do Recife na poesia de Gustavo Krause e Sylvio de Oliveira

A DESPASAIGEM
por Sylvio de Oliveira

.

(fragmentos)

A água é quente
de muitos verdes
tão cristalina
que os arrecifes
que a contêm
bordam piscinas
que os olhos beijam
e os braços têm
em praias brancas
onde o mar lava
como alimenta
até nos mangues
a vária gente
e cuja fome
tão atrasada
e envelhecida
antes se tece
– não se arrefece –
nos arrecifes
do bom Recife
mas se extravasa
na despaisagem
de nus mocambos
na maré rasa
como a exibir
em seus molambos
os crus despojos
da subgente
sobrevivente

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COMPR(0)MISSOS COM A FAVELA
por Gustavo Krause

.

(trechos)

TODA CIDADE TEM A FAVELA QUE MERECE.
TODA FAVELA TEM A CIDADE QUE MERECE.

FAVELA NÃO É CIDADE

N
E
C
E
S
S
I
D
A
D
SÓ E SÓ
S

(…)

O HOMEM É DOENTE, A MULHER É DOENTE.
O MENINO É DOENTE.
É PRECISO TER DÓ

D
O

E
N
T
E

ESTE SER NÃO VIVE O DILEMA HAMLETIANO.
VIVE DO DILEMA

D
O

N
Ã
O

SER

O MOCAMBO NÃO É CASA.
O BARRACO NÃO É ABRIGO.
O SOL É BRASA.
A CHUVA É CASTIGO

(…)

E ENTRE MORTOS E FERIDOS
NÃO SOBRA NEM A BONECA DO MARACATU

RAÇÃO NÃO É COMIDA.

CORPO E CARNE CARCOMIDA.

O ESQUELETO ANDA, FALA, E RI.

SIM, RI.

DO

S
I
R
I

QUE NA VIDA É CAÇA E NA MORTE
CAÇ(A)DOR

ÁGUA SUJA NÃO É BEBIDA.
NÃO HIDRATA, DESIDRATA.

ENGORDA
A
O
S
POUQUINHOS

O PASTO DA LAMA
QUE CLAMA, RECLAMA

O

C
O
R
P
DOS
A
N
J
I
N
H
O
S

HÁ QUEM PENSE (E MUITOS PENSAM)
QUE NESTE MUNDO NÃO VIVE GENTE

.

A justiça sabe que a polícia do Rio de Janeiro matou Cláudia. E nada faz para condenar os assassinos

A justiça faz que não viu esta cena cruel. Primeiro Cláudia foi baleada na favela, quando saiu de casa para comprar pão. Depois a mesma polícia assassinou voltou para carregar seu corpo pelas ruas do Rio, ex-Cidade Maravilhosa do meu Brasil cordial

A justiça faz que não viu esta cena cruel. Primeiro Cláudia foi baleada na favela, quando saiu de casa para comprar pão. Depois a mesma polícia assassina voltou para carregar o corpo pelas ruas do Rio, ex-Cidade Maravilhosa do meu Brasil cordial

Um dia depois de eu ter completado mais um ano de vida a de Cláudia Silva Ferreira se dava por encerrado.

A polícia fez o que faz constantemente: censurar espíritos, espancar necessidades, atropelar a sensibilidade humana (que já está com fratura exposta há tempos), defender quem tudo tem, e até o pouco de quem nada tem, lhe tomar.

Nós que ficamos por aqui, no império da truculência física, moral, espiritual só erguemos clamores nesse caso por que houve um “desfile” do terror que fosse fotografado, do contrário, seria apagada mais uma estrela que pouco brilha – mas que tem brilho e calor suficientes para criar quatro filhos e mais quatro sobrinhos – e isso seria o nada-fora-do-normal.

Quatro dias depois, o outono chegou e a Cláudia não viu. Augusto Miranda. In Olga

 

 

 

 AUGUSTO MIRANDA

AUGUSTO MIRANDA

H. ESTEVAM

H. ESTEVAM

PRC BARBOSA

PRC BARBOSA

DIOGO PONTES

DIOGO PONTES

 ESTEVÃO RIBEIRO

ESTEVÃO RIBEIRO

 MARA OLIVEIRA

MARA OLIVEIRA

CLARA GOMES

CLARA GOMES

T.A.: A justiça só pensa naquilo. E a polícia dos governadores deu uma trégua porque as eleições estão se aproximando. É hora de fazer acordos, nas favelas, para eleger a bancada da bala que elege os governadores que comandam a polícia que combate o crime organizado das milícias e traficantes.

Slumming, o sádico turismo de favela, da miséria e do sangue

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Turista típico do sangue que escorre nas favelas "pacificadas"

Turista típico do sangue que escorre nas favelas “pacificadas”

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O deputado Garotinho noticiou o assassinato do artista da Globo Douglas Rafael da Silva Pereira, DG: “Copacabana viveu momentos de terror e guerra. Ainda tem muita coisa obscura, mas o fato é que mais uma vez a Zona Sul fica refém da violência. Aliás, a propaganda enganosa da pacificação cria situações absurdas. Um grupo de franceses chegou para se hospedar num albergue no Pavão-Pavãozinho porque ouviu falar que era um lugar completamente tranquilo e barato. Devem ter entrado em pânico com o tiroteio e a guerra que se seguiu.

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Não sabe Garotinho que as franceses pagaram para ver sangue.

O chamado turismo de favela, ou turismo da miséria, é um fenômeno em expansão, como atesta o livro Gringo na Laje – Produção, Circulação e Consumo da Favela Turística (FGV Editora, 163 pág., 17 reais), da antropóloga Bianca Freire-Medeiros. Por mais estranho que possa parecer, a violência é, na visão da pesquisadora, o que mais seduz os turistas. “Ela é um atrativo. O filme Cidade de Deus, por exemplo, vende a imagem de que a favela é um lugar extremamente violento, de alto risco: os turistas querem ir lá motivados por isso”, diz Bianca. Só a favela da Rocinha, destino favorito no Rio, recebe cerca de 3.500 visitantes por mês, a maior parte vinda da Europa e dos Estados Unidos. Sete agências especializadas e inúmeros guias exploram o negócio.

Iconoclastia Incendiária: Safari humano nas favelas do Rio. Uma modalidade de turismo chamada "slumming".  Quem são esses animais que moram aqui? E quem são os animais exóticos que vem fotografar? Que tipo de animal nós somos?

Iconoclastia Incendiária:
Safari humano nas favelas do Rio. Uma modalidade de turismo chamada “slumming”.
Quem são esses animais que moram aqui? E quem são os animais exóticos que vem fotografar?
Que tipo de animal nós somos?

Como teve início o turismo da miséria?
O turismo em favela tem como antecedente histórico a prática do slumming, termo com registro em dicionário, realizada pelas elites inglesas da era vitoriana, nos anos de 1880. Os ricos iam visitar, por curiosidade ou caridade, os espaços segregados da cidade. Era quase como se fossem às colônias – de chineses, italianos e outros. Virou moda fazer essas visitas. Isso dura até os anos 1920. A situação contemporânea começou por volta de 1990. No Rio de Janeiro, há um mito de origem, segundo o qual o turismo em favela começou com a ECO 92, quando se passou a levar estrangeiros à Rocinha – pessoas ligadas em ecologia e interessadas em alternativas ao turismo de massa. Na África do Sul, esse tipo de turismo teve início com fim do Apartheid, em 1994, e os roteiros turísticos para as townships, localidades que até então estavam isoladas. Leia mais

Escreve Mário Antônio de Lacerda Guerreiro: Se você não sabia, fique sabendo que, no Rio de Janeiro, somente a favela da Rocinha atrai cerca de 40.000 turistas por ano, 65% europeus. Com esta quantidade de visitantes estrangeiros, a Rocinha tornou-se uma verdadeira atração turística mais importante do que o MAM (Museu de Arte Moderna) e a Igreja barroca de São Sebastião, onde está o marco de fundação da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Estou certo de que a esta altura o leitor curioso e indagador deve estar perguntando para si mesmo: “O que há de tão atraente na Favela da Rocinha?”

Mas há uma pergunta que não quer se calar: Por que razão o ser humano encontra grande prazer em ver a miséria dos outros e/ou na terra dos outros e não encontra nenhum prazer em ver sua própria miséria e/ou a miséria na sua própria terra? Dizer que “pimenta nos olhos dos outros é refresco” é repetir um surrado provérbio.

Não é de causar espécie que o ser humano procure o prazer e fuja da dor, isto já sabia Aristóteles em priscas eras, muito antes de Jeremy Bentham e Sigmund Freud. O que causa espécie é que o sofrimento dos outros seja causa do prazer de algumas pessoas.

Em outras palavras: há quem ganhe muito dinheiro fotografando a miséria do Terceiro Mundo. Há mesmo um famoso fotógrafo brasileiro que enriqueceu com a miséria alheia . Mas, neste caso, a miséria é apenas um meio anódino, para alcançar um fim prazeroso, e como sabemos, os fins justificam plenamente os meios… Porém, quando o turismo é apenas um meio e ver a miséria dos outros passa a ser um fim, esse tipo de turista só pode ser um grande sádico ou um fútil desmiolado (tertium non datur).

 

Acontece no Rio de Janeiro, na Bahia, principalmente. Também noutras cidades do Brasil favelado. A foto é do Recife. Os soldados de Pernambuco imitam os soldados da Rainha da Inglaterra

Acontece no Rio de Janeiro, na Bahia, principalmente. Também noutras cidades do Brasil favelado. A foto é do Recife. Os soldados de Pernambuco imitam os soldados da Rainha da Inglaterra

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100 vezes Cláudia

por Juliana de Faria e Luíse Bello, blogue Olga

Juliana de Faria

Juliana de Faria

Luíse Bello

Luíse Bello

A mulher arrastada pela Polícia Militar tinha nome – Cláudia Silva Ferreira. Cláudia também tinha família. E sonhos, coragem, dores e medos como qualquer ser humano. As denúncias da barbárie ocorrida são importantes e elas não devem cessar. Mas fugir do sensacionalismo e humanizar esse momento também é. Por isso, nos propusemos a retratar Cláudia com mais carinho do que o visto nos últimos dias.

A convite da OLGA, alguns artistas gentilmente criaram imagens sensíveis, que se dispõe a resgatar a dignidade roubada por criminosos. Este projeto se chama 100 VEZES CLÁUDIA e é aberto para que qualquer um possa enviar suas homenagens. Ou seja, esperamos publicar aqui novas artes com frequência. Quem sabe não chegamos a 100? Por fim, gostaríamos de imprimir algumas das ilustrações e enviar à família de Cláudia. Quer participar? Escreva paraolga@thinkolga.com.

UPDATE

Em 24 horas de projeto, conseguimos 100 homenagens à Cláudia! É realmente muito especial essa sensação de pedir carinho pela internet e de fato recebê-lo. As homenagens não param de chegar, então vamos atualizar o post com mais algumas ilustrações. Obrigada a todos que toparam participar, dividindo amor e respeito à Cláudia Silva Ferreira e sua família.

UPDATE 2

Vamos fazer uma exposição gratuita com as imagens do projeto 100 VEZES CLÁUDIA. Quem quiser gentilmente apoiar essa ideia, por favor, entre em contato (olga@thinkolga.com).

99) FRED BOTTREL
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97) IARA CAPDEVILLE

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96) EDUARDO BORSERO

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95) MOARA BRASIL

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Os negros levatam a voz

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Vítimas de racismo se encorajam a denunciar atitudes de discriminação. A última sentença condenou o supermercado Walmart a pagar 20.000 reais a um cliente que foi chamado de “negrinho ladrão”

por María Martín/ El País/ Espanha

Robson na comunidade onde mora em Carapicuíba. / M. MARTÍN

Robson na comunidade onde mora em Carapicuíba. / M. MARTÍN

Cauã era apenas um bebê quando seu tio Robson deu uma passada no supermercado, na frente do seu trabalho, para aproveitar a oferta de um litro de leite longa vida a um real. Comprou duas caixas, ajeitou o avental da lanchonete onde trabalhava e atravessou a rua para voltar à cozinha. Mas os gritos que se ouviram às suas costas o detiveram. Entre a gritaria, três palavras se repetiram: “negrinho”, “ladrão” e “safado”.

Duas funcionárias seguraram Robson pelo braço e o acusaram de roubar o leite. Ele mostrou o comprovante de compra e elas se desculparam. Mas a supervisora do estabelecimento, uma loja da rede Walmart, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, colocou a cereja do bolo nesse tumulto: “Desculpa, te confundimos com um outro negrinho ladrão”. Robson tremia no meio do estacionamento, quase às lágrimas.

Acostumado a ser seguido pelos corredores das lojas que frequenta, o jovem negro decidiu não apresentar boletim de ocorrência sobre o assunto. Mas, um veterano advogado da região que o conhecia de vista o convenceu a entrar na Justiça.

Passados cinco anos, quando Cauã já é capaz de segurar nos braços sua irmã mais nova – e com Robson, aos 26 anos, se acostumando ao apelido de “negrinho do leite”, dado pelos vizinhos -, um juiz condenou a multinacional americana a pagar 20.000 reais ao seu cliente. A sentença considera os danos morais sofridos pela atitude ilícita e discriminatória das funcionárias. Robson, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, “sofreu humilhação pública” e foi “motivo de escárnio”pela cor da sua pele.

Com o dinheiro que reste depois de bancar as despesas do processo, Robson quer terminar de construir o barraco de tijolo que levantou no que era um campo de futebol enlameado.

O caso do Walmart, que já tinha sido condenada em 2009 por um outro caso de racismo contra uma cliente negra acusada de ladra, foi o último a se tornar publico. Mas, uma sequência de episódios parecidos marcaram os últimos meses, num país onde quase 51% da população se declara negra ou parda.

“Há uma crescente demanda de ações trabalhistas, embora ainda tímida, com pedidos de indenização por danos morais. Há trabalhadores demitidos ou que foram obrigados a se demitir diante do racismo no ambiente de trabalho”, diz Maria Aparecida Vargas, diretora de Secretaria da 64 Vara do Trabalho de São Paulo, que acompanhou o caso de Robson. “Algumas vezes os empregados sofrem apelidos pejorativos por parte de colegas ou do próprio superior, como também são preteridos nas promoções em detrimento de um colega não mais competente que ele, mas de cor branca”, completa.

Carmen Dora, presidente da Comissão Racial da Ordem de Advogados do Brasil em São Paulo, também acredita que as denúncias estão aumentando. “Tentamos fazer uma estatística porque recebemos muitas reclamações, mas não há dados oficiais e ainda não conseguimos concluí-la. Parece que é um assunto que não interessa. Todos, inclusive a imprensa, temos que ser mais incisivos para acabar com o falso discurso de que o Brasil não é um país racista”, disse.

Em fevereiro, a condenação de uma idosa a pagar 14.000 reais por chamar três clientes de um shopping de “negros imundos” e “macacos” marcou um precedente porque a juíza ordenou o ingresso imediato da réu à prisão. A legislação prevê punição severa contra este tipo de crime, qualificando-o como hediondo e inafiançável, e o agressor preso em flagrante não tem direito ao pagamento de fiança. Mas o fato da acusada ter 72 anos poderia ter atenuado a pena. O advogado da idosa finalmente conseguiu o habeas corpus para sua cliente, mas uma das vítimas, a corretora Karina Chiaretti, afirma que não vai parar até ver a mulher atrás das grades. “Eu só acredito que este episódio vai servir para alguma coisa quando essa pessoa for presa. Enquanto não tiver ninguém que pare essas atitudes, elas vão continuar acontecendo”, disse Chiaretti.

A mesma perseverança demonstrou o casal branco, Priscila Celeste e Ronald Munk, ao denunciarem, no ano passado, o funcionário de uma concessionária da BMW no Rio de Janeiro, que mandou seu filho negro, de sete anos, sair da loja. O casal, para preservar ao menor, decidiu não apresentar boletim de ocorrência, mas sua história ganhou tal repercussão que a própria Secretaria do Estado de Assistência Social e Direitos Humanos levou o caso à Justiça. Perderam por falta de provas, mas o casal se tornou ativista pelo respeito à diversidade racial.

“Chega uma hora em que você não vai mais a um lugar porque as pessoas não param de olha para seu filho, porque não pode deixá-lo sozinho, porque sabe que vai ser parado pensando que está roubando. Tem que ouvir no clube que ele não é sócio, senão filho de funcionário…”, explicou a mãe, em entrevista por telefone. O pequeno, adotado pela família de classe media alta, é, segundo a mãe, o único negro da escola, da piscina, do clube, das festas de aniversário… “Hoje sei que não ir à delegacia foi um erro. Eu que denunciar, se não estou protegendo o agressor. Mas, na época era ignorante, não conhecia a lei”, conta Celeste.

Para ela, como para os outros protagonistas de discriminação, “a coragem de contar vem da vontade de mudar as coisas” e porque a percepção de seu filho é muito maior do que eles pensavam. O pequeno, lembra a mãe, lhe disse um dia: “Mãe, eu queria tirar essa pele e colocar uma da cor de vocês”.

Esta semana em uma emotiva entrevista, o árbitro Márcio Chagas da Silva contou à TV que foi chamado de “macaco selvagem” durante uma partida entre Esportivo e Veranópolis, times do Rio do Grande do Sul. Ele encontrou a lataria do seu carro amassada e coberta de bananas quando foi buscá-lo no estacionamento. Era a segunda vez que o xingavam em um jogo por ser negro e, por segunda vez, o divulgou. “Tenho que mostrar a meu filho a importância que eu, como pai, tive ao denunciar uma prática que acontece seguidamente no Brasil”, disse Chagas da Silva, à Globo News. O procurador Alberto Franco levará o Esportivo ao Tribunal de Justiça Desportiva por discriminação racista.

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Polícia despreparada

Quando Robson estava mais calmo, depois de ser abordado no supermercado e acusado de ladrão, ligou para a polícia. “Demoraram mais de uma hora em chegar, quando a loja estava quase fechando”, explica Robson. “Ao invés de falar comigo, forma direto falar com a supervisora e depois pediram meu RG, mas para ver meus antecedentes!”, reclama.

As pessoas envolvidas nos processos contra racismo ouvidas por este jornal concordam com o despreparo da polícia na hora de lidar com uma ocorrência sobre a discriminação de um cidadão. “As autoridades policiais não estão devidamente qualificadas para receber este tipo de denúncia, o que já intimida o agredido a comparecer perante uma delegacia de polícia”, lamenta Maria Aparecida Vargas a Diretora de Secretaria da 64 Vara do Trabalho de São Paulo, que levou o caso de Robson.

“Você vê que desde a polícia, passando pelo próprio negro agredido até o segurança estão despreparados. Um dos maiores Estados do país não está preparado para a questão racial”, critica Karina Chiaretti. “Ao chegar na delegacia me convidaram a ir embora porque a senhora já tinha quatro processos e não tinham dado em nada. O policial não sabe que isso é racismo. Eles não sabem lidar com a situação. O agente que tinha que levar a senhora para a delegacia acabou levando ela para casa”.

Brasil.19 milhões de adultos são analfabetos, o que torna a TV ainda mais poderosa

SOBRE AS NOVELAS BRASILEIRAS: “quando os personagens não estão se matando, estão se estapeando”
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SOBRE A CULTURA DO BUMBUM: “isso pode ser uma pegadinha… Mas para Laura não é só um jogo, pois no Brasil, o bumbum pode te levar a lugares.””é desconsertante ser uma mulher aqui. Não estou vestida com fio dental.”
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SOBRE PROGRAMAS POLICIAIS: “O índice de homicídios no Brasil é 18 vezes maior que no Reino Unido e a prevalência de crimes violentos deu origem a uma forma inesperada de entretenimento.””vocês basicamente vai dos programas infantis e para os de crimes bem rapidamente?”A ironia: “Eu adoro que os xingamentos não sejam permitidos em programas de crime.”

SOBRE PROGRAMAS DE FAMÍLIA: “Abrindo o show: Belo, um traficante de drogas recuperado, hoje é um dos maiores “galãs” do país. Essencial para seu ato, são as dançarinas bem coreografadas. E de repente, eu sou uma delas. Esse é o sonho de toda brasileira. É melhor eu aproveitar.”

SOBRE O PODER DA MÍDIA NO BRASIL: “Brasil, uma das economias que mais cresce no mundo, onde mais de 19 milhões de adultos são analfabetos, o que torna a TV ainda mais poderosa. Tando que a presidente acaba de mudar uma eleição, para que não coincidisse com a final de uma novela popular.”

É impressionante a visão que os outros povos tem sobre a TV brasileira. Ver como eles percebem a nossa realidade chega a ser assustador.

Dói saber que os estrangeiros nos ridicularizam e enxergam perfeitamente o sensacionalismo que a nossa mídia derrama sobre nós, dói mais ainda perceber que nós somos os únicos a não enxergar isso.

47 minutos de pura ridicularização de nossa TV, mas nada que tenha sido exposto nesse tempo deixa de ser verdade. Retrata perfeitamente como as massas são alienadas, como os valores morais estão completamente deturpados. Tudo isso influenciados por uma mídia manipuladora de massas.

Ver a repórter Britânica ironizar, chocar-se e até mesmo não acreditar nas coisas que nossa mídia estipula como valores morais é EXTREMAMENTE vergonhoso. Não assisto TV aberta a mais de 8 anos e asseguro dizer que NÃO ESTOU PERDENDO NADA.

come cerebro televisão

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Nota do redator do blogue: Vale assistir a reportagem: “A TV brasileira vista pelos estrangeiros”. Certamente que não gostamos de conhecer a nossa realidade. Preferimos as notícias agradáveis. Mas acontece que no vídeo diário temos de tudo: os crimes mais hediondos, sexo e mais sexo, uma exaltação da vulgaridade, da degeneração da Cultura.
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A bunda, uma preferência nacional, promovida a órgão sexual…
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Os programas policiais são as colunas sociais dos pobres, e os criminosos xingados e os policiais endeusados.
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Vale o mesmo tratamento para o povo em geral, os pobres sempre aparecem em situações ridículas e/ou humilhantes no jornalismo televisivo, nas novelas e programas de auditório.
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Há uma ética vendida: o jeitinho brasileiro de levar vantagem em tudo, e a contradição de exaltar o mito do Brasil cordial, de misturar programas religiosos com xanxada e erotismo.
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O vocabulário é rasteiro, limitado.
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Pode-se explorar dois corpos em uma cama, praticando sexo, e jamais filmar ou fotografar um cadáver estirado na rua. Também escondidas as moradias dos miseráveis e as ruas das periferias.
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A TV brasileira é uma vergonha internacional.
tv televisão persuasão apatia

Recado do Papa para os jovens: “Nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar”

Niños se acercan a Francisco en un favela de Río. / YASUYOSHI CHIBA (AFP)

Niños se acercan a Francisco en un favela de Río. / YASUYOSHI CHIBA (AFP)

A visita do Papa Francisco a uma favela do Rio é destaque na imprensa internacional. Informa El País, Espanha: “O Papa avalia a luta dos indignados. O pontífice anima os jovens à  protestar contra a corrupção.  O Papa, até que enfim, chegou à periferia”.

Disse o Papa: Que bom poder estar com vocês aqui! 

Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode “colocar mais água no feijão”! E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração! E povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda.

A fala de Francisco:

Queridos irmãos e irmãs,

Que bom poder estar com vocês aqui! Desde o início, quando planejava a minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste País. Queria bater em cada porta, dizer “bom dia”, pedir um copo de água fresca, beber um “cafezinho”, falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós… Mas o Brasil é
tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então escolhi vir aqui, visitar a Comunidade de vocês que hoje representa todos os bairros do Brasil. Como é bom ser bem acolhido, com amor, generosidade, alegria! Basta ver como vocês decoraram as ruas da Comunidade; isso é também um sinal do carinho que nasce do coração de vocês, do coração dos brasileiros, que está em festa! Muito obrigado a cada um de vocês pela linda acolhida! Agradeço a Dom Orani Tempesta e ao casal Rangler e Joana pelas suas belas palavras.

Desde o primeiro instante em que toquei as terras brasileiras e também aqui junto de vocês, me sinto acolhido. E é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração. Isso é assim porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo –
não ficamos mais pobres, mas enriquecemos. Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode “colocar mais água no feijão”! E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração! E povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais! Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que frequentemente regula a nossa sociedade, aquela que constrói e conduz a um mundo mais habitável, mas sim a cultura da solidariedade; ver no outro não um concorrente ou um número, mas um irmão. Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira tem feito para integrar todas as partes do seu corpo, incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à miséria. Nenhum esforço de “pacificação” será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma. “
Não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável. Não deixemos entrar no nosso coração a cultura do descartável, porque nós somos irmãos, ninguém é descartável”. Uma sociedade assim simplesmente empobrece a si mesma; antes, perde algo de essencial para si mesma. Lembremo-nos sempre: somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade; tudo aquilo que se compartilha se multiplica! A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais
necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza!

Queria dizer-lhes também que a Igreja, «advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e econômicas, que clamam ao céu» (Documento deAparecida, 395), deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e de todo o homem. Queridos amigos, certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um ato de justiça. Mas existe também uma fome mais profunda, a fome de uma felicidade que só Deus pode saciar. Não existe verdadeira promoção do bem-comum, nem verdadeiro desenvolvimento do homem, quando se ignoram os pilares fundamentais que sustentam uma nação, os seus bens imateriais: a vida, que é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido; a família, fundamento da convivência e remédio contra a desagregação social; a educação integral, que não se reduz a uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucro; a saúde, que deve buscar o bem-estar integral da pessoa, incluindo a dimensão espiritual, que é essencial para o equilíbrio humano e uma convivência saudável; a segurança, na convicção de que a violência só pode ser vencida a partir da mudança do coração humano.

Queria dizer uma última coisa. Aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens. Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas
repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo. A Igreja está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida, e vida em abundância» (Jo 10,10).

Hoje a todos vocês, especialmente aos moradores dessa Comunidade de Varginha, quero dizer: Vocês não estão sozinhos, a Igreja está com vocês, o Papa está com vocês. Levo a cada um no meu coração e faço minhas as intenções que vocês carregam no seu íntimo: os agradecimentos pelas alegrias, os pedidos de ajuda nas dificuldades, o desejo de consolação
nos momentos de tristeza e sofrimento. Tudo isso confio à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de todos os pobres do Brasil, e com grande carinho lhes concedo a minha Bênção.