Não me venha falar na malícia de toda mulher

Ou enganam, ou são enganadas
Se mulheres são enganadas, é por políticas públicas como as propostas por Eduardo Cunha

Se mulheres são enganadas, é por políticas públicas como as propostas por Eduardo Cunha. “Sua corrupção no meu útero, não!”

Por Antonia Pellegrino

O deputado e atual presidente da câmara deve estar rindo das mulheres que foram às ruas contra sua PL 5069/13, mais conhecida como PL do Aborto.

Segundo Cunha, “a legalização do aborto vem sendo imposta a todo o mundo por organizações internacionais inspiradas por uma ideologia neomalthusiana de controle populacional, e financiadas por fundações norte-americanas ligadas a interesses supercapitalistas”.

Para o deputado, os frutos deste lobby começaram a brotar nos Estados Unidos, em 1969, sob a presidência de Nixon, alçando seu auge poucos anos depois, no relatório Kissinger.

A partir do relatório, que “propunha o controle demográfico mundial como matéria de segurança nacional dos Estados Unidos” (sic), forças de oposição à política americana começaram a emergir em todo o mundo, e também dentro da América.

Hora de o lobby mudar de estratégia, e foi o que aconteceu, segundo argumentação de Cunha, a partir de 1974, quando “a direção das organizações Rockefeller, em conjunto com sociólogos da Fundação Ford, formularam uma nova tática na estratégia para o controle da população mundial”.

“Os meios para a redução do crescimento populacional, entre os quais o aborto, passariam a ser apresentados na perspectiva da emancipação da mulher, e a ser exigidos não mais por especialistas em demografia, mas por movimentos feministas organizados em redes internacionais de ONG’s sob o rótulo de ‘direitos sexuais e reprodutivos’.”

“Neste sentido, as grandes fundações enganaram também as feministas, que se prestaram a esse jogo sujo pensando que aquelas entidades estavam realmente preocupadas com a condição da mulher.”

Estará o deputado Eduardo Cunha verdadeiramente preocupado com a condição da mulher?

Hoje, se uma mulher for estrupada e engravidar, é direito dela ir diretamente ao hospital e realizar o procedimento. Caso o projeto do deputado entre em vigor, a estuprada terá que comparecer a uma delegacia, registrar ocorrência e se submenter a um exame de corpo de delito para comprovar o abuso.

Em seu Facebook, Eduardo Cunha afirmou: “o projeto de lei vai contra a impunidade, incentivando as vítimas reais a registrarem Boletim de Ocorrência; ajudando a combater este crime hediondo”.

Vítimas reais, deputado?

O projeto de lei do deputado Eduardo Cunha parte do princípio de que haveria mulheres utilizando o SUS para fazer abortos ilegais. Seu alegado objetivo seria, portanto, em última instância coibir a mentira. Concedo que não é absurdo supor que mulheres estariam mentindo para ter o direito ao aborto legal pelo SUS. Mas cabe perguntar: por que elas fariam isso?

Talvez a resposta possa vir da boca de Sandra Maria dos Santos Queiroz, a mulher que deixou seu bebê aos pés de uma árvore, há poucas semanas, no bairro de Higienópolis, na cidade de São Paulo. Quando perguntada por que “abandonou” seu filho, Sandra tapou o rosto e disse: “por desespero”.

Deputado, se as mulheres enganam, só o fazem porque são coagidas por um Estado que se diz laico, mas lhes retira o direito ao próprio corpo utilizando argumentos históricos para escamotear intenções nada laicas e nada preocupadas com a condição feminina.

E, se (algumas) mulheres são enganadas, é por políticas públicas como as propostas pelo senhor. Não passará. #AgoraÉQueSãoElas In Carta Capital

fanatismo religioso pena morte aborto

Papa Francisco envia mensagem a muçulmanos pelo mês do Ramadã

«Ninguém pode matar. Ninguém pode matar em nome de Deus; isto seria uma crime duplo: contra Deus e contra a própria pessoa»

Anne Derenne

Anne Derenne

Eis quanto reafirma a mensagem pelo diálogo inter-religioso dirigido à comunidade muçulmana por ocasião do mês do Ramadão (´Id al-Fitr 1436 h. / 2015 a.d.). No texto, recorda-se que «comunidades étnicas e religiosas em numerosos países do mundo padeceram sofrimentos enormes e injustos: o assassinato de alguns dos seus membros, a destruição do seu património cultural e religioso, emigração forçada das suas casas e cidades, moléstias e estupros das suas mulheres, escravização de alguns dos seus membros, tráfico de seres humanos, comércio de órgãos, e até venda de cadáveres! Estamos todos cientes da gravidade destes crimes. Todavia, o que os torna ainda mais hediondos é a tentativa de os justificar em nome da religião. Trata-se de uma clara manifestação da instrumentalização da religião para obter poder e riqueza».

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Cristãos e muçulmanos juntos para combater a violência realizada em nome da religião. Esse é o convite feito pelo Vaticano na mensagem enviada aos muçulmanos por ocasião do mês do Ramadã. O texto foi publicado pela Santa Sé nesta sexta-feira, 19.

A mensagem foi enviada pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. O texto recorda o assassinato de tantas pessoas pertencentes a comunidades étnicas e religiosas em vários países, bem como a destruição de seu patrimônio cultural e religioso e emigrações forçadas.

O Vaticano acredita que o que torna esses crimes ainda mais hediondos é a tentativa de justificá-los em nome da religião. Para a Santa Sé, isso é uma instrumentalização da religião para obter poder e riqueza.

“Não há uma vida que seja mais preciosa que a outra por motivo de sua pertença a uma específica raça ou religião. Então, ninguém pode matar. Ninguém pode matar em nome de Deus; isso seria um crime duplo: contra Deus e contra a própria pessoa”.

O texto recorda também o que disse João Paulo II sobre cristãos e muçulmanos: que eles têm o privilégio da oração. Há uma grande necessidade de oração, reitera o Vaticano, pela justiça, pela paz e por todos os que cometem violência em nome da religião.

Já é um costume que o Vaticano cumprimente outras religiões com uma mensagem por ocasião de datas festivas. Os textos ficam a cargo do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso.

O mês do Ramadã, neste ano, começou nesta quinta-feira, 18. Para os muçulmanos, é uma ocasião marcada por várias práticas religiosas e sociais, como o jejum, a oração, a esmola, a ajuda aos pobres e visitas a parentes e amigos.