Escravas sexuais na escola, na igreja, no trabalho, no lar

Sofia Mamalinga

Sofia Mamalinga

 

No início da Missa pela Paz e a Reconciliação, nesta segunda-feira, 18, na Coréia, o Papa Francisco ajoelhou-se e cumprimentou sete mulheres que, quando crianças, foram forçadas à escravidão sexual pelos militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Duzentas mil escravas sexuais. Um escândalo internacional, um crime de guerra condenado.

No Brasil, temos 250 mil escravas sexuais infantis, oficialmente, sendo para ONGs 500 mil, e nenhuma autoridade cristã, católica ou evangélica, aparece para condenar. Entre as jovens, que recebem o salário mínimo, o sexo faz parte do emprego, uma atividade cobrada notadamente das empregadas domésticas, comerciárias, garçonetes, técnicas de enfermagem e outras profissões da baixa classe social.

São crimes encobertos o assédio e a violação sexual na classe média e na classe alta, praticados nos palácios e palacetes, nas universidades, no judiciário, no executivo, no legislativo, nas estatais privatizadas, com milhares de estrangeiros assumindo cargos executivos, trazendo de seus países o preconceito de que a brasileira é sinônimo de prostituta como já registram vários dicionários, esquecidos que a escravidão e a submissão femininas fazem parte da história da humanidade, das discriminações religiosas e sociais. Do patriarcalismo. Do sistema de castas. Da divisão de classes. Do colonialismo. Da globalização. Do mercantilismo sexual.  Notadamente nos tempos de guerra e de crise econômica.

A jornalista Cristina Moreno de Castro quebra os tabus do bulismo, dos assédios, estupros e curras nas faculdades brasileiras.  

Igor Kolgarev

Igor Kolgarev

Tras la noticia de la presunta violación colectiva a una joven en la feria de Málaga en la mañana del 18 de agosto, las críticas a estas recomendaciones que culpabilizan a la víctima volvieron a arreciar. La polémica fue azuzada por el comentario en la cuenta de Twitter de la Unión Federal de Policía en el que equiparaba el sufrimiento de víctima y victimarios. A esto se añadieron las desafortunadas palabras del alcalde de la ciudad, Francisco De la Torre, en las que relativizaba los hechos afirmando que “hay más de mil [violaciones] al año en España”.

Entonces, ¿qué hacer?

Asociaciones feministas, diputadas socialistas y perfiles de redes sociales han criticado que los consejos presentados por el organismo gubernamental deposita toda la responsabilidad de la violación en la posible víctima. Consecuentemente, la culpa en caso de producirse la agresión sexual sería de aquélla por haberse expuesto a una situación de peligro. Según los últimos datos disponibles, en 2009 se produjeron en España más de 6.500 delitos conocidos de abuso, acoso y agresión sexual. ¿Qué se puede hacer para prevenirlos y reducir su número?

Diversos estudios realizados en Estados Unidos afirman que “tener amigos que defienden la violencia contra las mujeres es un grave factor de riesgo para cometer una agresión sexual”. La hipótesis apunta a que la oposición por parte del grupo de iguales, especialmente entre adolescentes y jóvenes, a estas actitudes puede ser el mejor antídoto contra estos delitos.

La clave es acabar con la cultura de la violación, un término anglosajón cuyo uso empieza a extenderse en castellano. Con él se alude a la normalización social de las agresiones sexuales bajo formas aparentemente inocuas como chistes o imágenes publicitarias. Son parte de esta cultura la culpabilización de la víctima por considerar que algo en su actitud (ropa, mirada, embriaguez…) ha “provocado” la agresión sexual o que un “no” a veces significa un “sí”.

Tanto los asesinatos de mujeres por el mero hecho de serlo como todas las formas de violencia sexual (violación, abuso, acoso, tráfico…) son la punta del iceberg de una sociedad patriarcal. Para ponerle fin no se puede generar una cultura que proclama el miedo y la paranoia como forma de vida de las mujeres mientras normaliza las agresiones sexuales. Los resultados de este tipo de educación saltan a la vista.

NÃO ME ESTUPRE, Vinod Tripathi

NÃO ME ESTUPRE, Vinod Tripathi

 

Estupros de universitárias

Existe uma onda de estupros de universitárias que os jornais informam como sequestros. Acontece dentro e fora do campus. As vítimas raramente denunciam. Primeiro porque a impunidade impera, principalmente quando o criminoso é um estudante, um policial.

Uma simples medida evitaria a maioria dos estupros e da violência nas cidades: iluminação. As cidades estão cada vez mais escuras, depois das privatizações. Apesar do povo pagar o imposto de iluminação pública cobrado pelas prefeituras (pasmem!), via companhias de eletricidade, ex-estatais.

Imagem que ilustrou a notícia de um estupro ou curra praticada por universitários na Universidade Federal de Juiz de Fora

Imagem que ilustrou a notícia de um estupro ou curra praticada por universitários na Universidade Federal de Juiz de Fora

 

O nojo do gozo que não participei – Sobre estupro e outras formas de machismo

Por Hanna Thuin, estudante de Direito da Universidade de Brasília, publicado em Revista Vírus Planetário

A história que segue é suja, densa – tão densa quanto o último respingo dela. A história que segue é dantesca:  retrato de um pesadelo acalorado pelo inferno. É uma história que nada posso barganhar para esquecer; história que nada pude fazer para deter. É uma história-memória sem cortes ou censuras – a linguagem é crua e dura. Inadequada para quem com a verdade da realidade não pode ter. Não leia se este último papel cabe em você.

Saía da aula. Tarde. Estacionamento parcamente iluminado. Transeuntes inexistentes. Tudo era sombra – à exceção da Lua cheia: seria ela a única a testemunhar.

Seiscentos metros; sessenta passos: foi essa a distância percorrida antes que aquelas mãos segurassem firme meu ombro. Segundos. Minha bolsa no chão. A chave do carro perdida na grama próxima. Eu não conseguia gritar, mexer, fugir. Desespero. Enquanto uma mão rasgava minha blusa, a outra expunha o pau duro para fora da calça. Quis vomitar.

“Vadiazinha. Piranha. Vou te comer sua patricinha. Fica quietinha. Se abrir a boca, te mato”

Sob o bafo dessas palavras, despertei. Reagi, tentei escapar. A força dele era o dobro: eu quis ter voz para morrer.

“Papai aqui vai te mostrar como se faz. Te foder toda. Te mostrar o que é um homem de verdade”.
Subjugou-me pela testosterona dobrada: forçou-me os joelhos ao concreto; forçou-me a boca ao pau ereto. Segurava-me pelos cabelos. Ia e voltava, com força, a cintura no meu rosto. Aquele chicote estalando na minha garganta. Os pelos do escroto roçando nos meus lábios.
Uma.
Duas.
Três.
Quatro.
Perdi as contas de quantas vezes sufoquei; de quantos tapas deferiu-me com aquelas mãos de monstro pelos desmaios que meu nojo ensaiou. Incansável. Só parou quando da minha voz saiu o vômito. Vômito que conheceu mais minha pele que o chão. Vômito que não interrompeu o animal; vômito que não o comoveu; vômito que não o impediu.

“Sua porca. Escrota. Tá com nojinho? Agora vai ver o que é bom”

Arrancou minha saia. Jogou-me ao chão. Minhas bochechas esfoladas no asfalto. O corpo pesado daquele homem me esmagando. Aquelas mesmas mãos monstruosas forçando caminho entre as minhas pernas; aquele mesmo pau duro a me violar.Ao sangue do meu rosto arranhado, da minha boca cortada, juntava-se o sangue do meu sexo machucado. Escorria a resposta das minhas entranhas; traduzia em cor a dor que eu não conseguia gritar. O bafo daquele homem estranho, sua respiração descontrolada aos pés do meu ouvido. Aquela coisa asquerosa entrando e saindo de mim:
entrando
e
saindo;
entrando
e
saindo. Sob o meu pranto silencioso, o rosto desfigurado de tantas idas e vindas da pele naquele recorte duro de piche- o ritmo dos arranhões conduzidos pelo pau insaciável de um estranho. Além do choro, o sangue; além do sangue, o gozo. O gozo dele. Aquele sêmen todo a adoecer minhas partes; aquela porra a descer pelas minhas pernas: líquido branco, denso: morte.
Liberou seu peso sobre mim. Recolheu o pau murcho à braguilha fechada.

“A princesinha tá toda fodidinha. Já quer mais, né, putinha? Delícia”

Dispensou um último tapa forte na minha coxa – foi embora caminhando. Minhas mãos desceram à virilha; manchei-as com aquela mistura de branco com vermelho: jamais unir-se-ão em rosa.
Não sei quanto tempo larguei-me ali. De pernas abertas. De roupa rasgada. De olhar perdido. Quando me encontraram, já era tarde. Tarde na hora do relógio, tarde na hora impossível de se evitar: ninguém mais poderia me salvar, minha vida acabara ali.

Dos procedimentos que se seguiram- o IML, os infinitos exames, as tonalidades e prescrições de cada caixa de remédio-, apenas participei do banho. Esfreguei minha pele com tanta fúria, com tanto nojo, como se a carne daquele homem não fosse se desprender nunca da minha – como se ele ainda estivesse ali. Não terminei enquanto outras nuances minhas, além da dor, tornaram-se expostas. Aquela noite me tornou uma pessoa quebrada: deixou a memória no corpo; usurpou a (c)alma.

Os únicos momentos em que eu recobrava a vida, para logo perdê-la, afloravam ao longo do sono. O chão áspero, o pau duro, o nojo, o sangue, o gozo dele escorrendo pelas minhas pernas. Como se todo dia eu precisasse morrer um pouco mais. E morria. Pesadelos sem rosto – assumiam um novo a cada abrir de olhos. Todos se tornaram, assim, possíveis estupradores: o porteiro, os amigos, os vizinhos, meus irmãos. Enxergava em todos eles a mesma repulsa. Ninguém escapava ao meu medo; o medo não poupava sequer os Santos.

Em algum ponto, porém, estar morta tornou-se insustentável. Não havia o que fazer quanto ao meu homicídio – não acharam um nome a punir pelo estupro. A minha morte, contudo, desenrolava-se em outra: mamãe. A culpa, tão injusta em escolher suas vítimas, a atingiu, a adoeceu. Não foi por mim, portanto, que voltei – foi por ela. E, ao voltar, percebi que não só por ela eu deveria renascer, mas por todas. Por todas as mulheres. Por todas as mulheres que tiveram seus corpos violados e suas almas furtadas, mutiladas, assassinadas.

Por todas as mulheres estupradas ao percorrer o caminho entre a L2 e a UnB. Por todas as mulheres estupradas ao pegar uma van de Copacabana para a Lapa. Por todas as mulheres estupradas após serem intencionalmente drogadas por seus colegas de trabalho. Por todas as mulheres enganadas por seus ídolos e, por eles, estupradas coletivamente. Por todas as mulheres forçadas a transar com seus companheirxs- porque isso também é estupro. Por todas as meninas abusadas por familiares ou pessoas próximas. Por todas as mulheres e meninas que se calaram por medo, que não denunciaram, que se sentiram culpadas porque assim, desde sempre, foram ensinadas pela sociedade. Por todas as que não conseguiram carregar o peso dessa memória e encontraram, no suicídio, a única possibilidade de redenção. Por todas as mulheres que não renasceram; por todas as que sobreviveram; por todas as que, como eu, de alguma maneira, hão de sobreviver (e renascer).

Sobre as nuances do machismo

O estupro é um dos filhos bastardos do machismo. Bastardo porque deste herda os traços, mas não o reconhecimento. O machismo é a raiz podre que germina em solo Argiloso; é o início do espinho que emerge na Terra Roxa; é o calvário que se instala no Calcário. O machismo está em toda parte. Enraizado. Reproduzindo livremente seus podres frutos e alimentando, com eles, tradições e poderes apodrecidos. O machismo veste muitas cores, muitas modas, muitos nomes. O machismo é a nossa crítica à saia curta e ao decote; o machismo é a nossa repulsa à puta e concomitante glorificação do conceito menina-santa-songa-monga. O machismo é a crucificação do aborto travestido de religião; é , também, a proibição da ordenação da mulher. O machismo é árvore de muitos galhos.

O machismo não me deixa jogar bola, porque futebol é coisa de homem; não me deixa conduzir um carro, porque mulher no volante é barbeira; não me deixa ser a capa de um jornal de finanças, sorridente e bem sucedida, porque esse papel milenarmente cabe, tão somente, ao homem (branco). O machismo não deixa que eu me expresse, que eu marche pelos meus direitos, que eu exponha meu corpo como eu quiser.

O machismo não deixa que eu escolha minha foda, a minha companheira no lugar de companheiro – se quero ou não ter filhos. O machismo não me deixa ser mãe solteira. O machismo não deixa que ela ganhe mais que ele ou que ele cuide da casa e auxilie-a nas responsabilidades domésticas. O machismo não deixa que a mulher seja o que é: forte. Ele tenta o tempo todo submetê-la à obediência, à submissão, à resignação.

O machismo, contudo, sabe ser generoso – abre “exceções”. O machismo permite objetificar o corpo da mulher para que seja essa a imagem impulsionadora das vendas de carros e de cervejas. Permite ao marido ser convocado em propagandas toscas de rádio a bancar o consumismo clichê feminino – resume a mulher ao crédito. Permite e reforça a exigência das curvas sempre exatas, da roupa comportada, das unhas feitas, do cabelo liso e escovado. Permite que o cavalheirismo seja visto como gentileza dele e o sexo como obrigação servil dela. Permite que ele faça da infidelidade um estilo de vida e do pênis um instrumento de reconhecimento e poder. O machismo permite que a apologia ao estupro em uma recepção de vestibular seja vista como um caso isolado de “dois babacas” dessintonizados com o curso e não como um problema institucional que ultrapassa os muros da Universidade- o espaço acadêmico hodiernamente (e infelizmente) ainda reproduz, sem a necessária reflexão, os ecos e ensinamentos que vêm de antes, que vieram e vêm lá de fora. O machismo permite que a hipocrisia se diga moral e, em um cuspe, agrida as mulheres que marcham por um necessário despertar; permite, inclusive, normatizar o estupro, assegurando, àquele líquido branco, a hospedagem no útero, sem questionar a existência de um prévio aceite: se ela disse sim ou se disse não, para o machismo, tanto faz.

Engana-se quem pensa ser o machismo opressor apenas do feminino. Senhor feudal, pai, filho e herdeiro das tradições e do conservadorismo, o machismo é poder corrupto e mecanismo de exclusão que se pretende perpétuo. É em nome dele e por ele que se prega e legitima o homem branco como “the choosed one” para dominar a tudo e a todos.

É em nome dele e por ele que se máscara o fundamentalismo de democracia e a intolerância de religião. É ele quem dilata as nossas glotes e permite um indigesto Feliciano ter sido Presidente da Comissão de Direitos Humanos. É ele que impede o Ministério da Saúde de veicular uma campanha em que afirma que prostituta também é gente e é gente feliz. É ele quem veta um kit que prega o respeito e a compreensão da sexualidade que escapa aos padrões normativos, mas permite e incentiva, com recursos públicos, a distribuição de uma cartilha que não contente em veicular a homofobia, relativiza o estupro, personificando o gozo do estuprador em uma vida a ser protegida. É ele que condena as rupturas, que agride àquela que se insurge contra o sistema, que demoniza quem ataca seus símbolos.

É em nome dele e não de Deus que se pratica o racismo, a homofobia, o feminicídio, a opressão de classes. É ele quem cerceia com normas, padrões e pecados intransigentes o próprio existir dos sujeitos.

Não sejamos ingênuos nem tenhamos piedade com quem nunca nos poupou. Não se combate o machismo com afagos na cabeça e conversas baixas. Não se combate o machismo com a manutenção dos símbolos nem com o silêncio de quem a tudo assiste inerte e, assim, consente. Não se combate o machismo marchando em fila indiana e batendo continência para a hipocrisia. É preciso peito. Esteja ele nu ou pintado – a coragem de impô-lo traduz-se na ausência de panos, sem temer o pudor do moralismo alheio. Não existe paz sob a regência do medo. Não existe democracia quando a metade do povo, dita ironicamente de minoria – cracia-, é feita de demo indialogável e invisibilizado pelas bandeiras monocromáticas do branco classe média hétero “religioso”. É muito fácil criar pecados e interpretar de maneira viciada o calçado do Outro, difícil é dispor-se à alteridade de enxergá-lo para além dos estigmas e da herança dos frutos podres que desde cedo nos são dados como alimento e como instrução.

Que o senso comum, a homofobia, o racismo, o feminicídio, a opressão de classes, a xenofobia, que todos esses rostos do machismo se tornem, a cada dia mais, os verdadeiros outsiders. Sejam eles os deslocados, os excluídos, os eliminados. Que a gente desperte os sentidos e a vontade para entender e enfrentar o verdadeiro inimigo e seu exército de formas, linguagens, poderes, pessoas. Que a nossa revolução comece em nós mas em nós não termine e não se contenha; que se expanda, que invada a rua, o comércio; que barulhe os ouvidos até que seja verdadeiramente escutada, sentida, pensada.

Há muito para fazer: há um tanto de dureza e concreto para demolir. Os caminhos, contudo, estão aí, abertos. Há um incômodo com potência para ser mudança. Há gente muito boa na rua pronta para o novo. Que a gente não perca o embalo e nem a coragem e, se por ventura, faltar o norte, que a gente tenha o gosto do nojo na memória: aquele líquido branco banhado de sangue e de pranto – gozo egoísta, monstruoso.

Melhor que dar de graça. Brasileira vendeu a virgindade por 600 mil euros

As meninas estão fazendo sexo mais cedo. Inclusive nas escolas onde o bulismo deita e rola. Até nas universidades acontecem estupros. No campus da Universidade Federal de Juiz de Fora, uma universitária virgem, caloura de 16 anos, foi estuprada ou currada, em abril último, e o crime encoberto pelas chamadas autoridades competentes.

Na Europa, a palavra “puta” passou a ser sinônimo de brasileira. Não é para reclamar. A nossa sociedade cristã convive na paz celestial com 250 mil prostitutas infantis, na contagem oficial da Unesco, da Polícia Federal, quando várias ONGs anunciam que são 500 mil.

Entre os adultos, a proporção de pessoas que vivem em união con-sensual passou de 28,6% em 2000 para 36,4%. O porcentual de casados no civil e no religioso caiu de 49,4% para 42,9%. Casar virgem constitui uma aberracão sexual.

Nos romances de Jorge Amado temos relatos de leilões de virgindade. Costume da elite rural da primeira metade do Século XX.

Antes da Lei Áurea, os jornais estavam repletos de anúncios tipo: vende-se escrava de boa aparência, virgem, impúbere. Idem meninos.

O Brasil continua o mesmo. País da criança soldado do tráfico, das milícias. Do trabalho infantil, permitido pela justiça. Do tráfico de crianças. Das babás crianças que, mais do que perder a virgindade, têm a infância roubada.

Toda imprensa internacional destacou: uma jovem brasileira vendeu a virgindade, em leilão, por cerca de 600 mil euros. Catarina Migliorini deverá consumar o ato a bordo de um avião, para evitar problemas legais. Veja as imagens

Até o casamento consensual tem uma motivação. Veja esta manchete venezuelana, que visa criticar o governo de Hugo Chávez:

Filmes que inspiraram crimes na vida real. Inclusive um estupro na UFJF

Cenas do filme Irreversível. Repassadas em uma festa de calouros, este ano, no Instituto de Artes e Design da UFJF

Cenas do filme Irreversível. Repassadas em uma festa de calouros, este ano, no Instituto de Artes e Design da UFJF

 

Irréversible (IЯЯƎVƎЯSIBLƎ), ou Irreversível (br/pt), é um filme francês de Gaspar Noé lançado em 2002. Considerado um dos filmes mais controversos e perturbadores, principalmente a cena extremamente gráfica de estupro. Fora isso, a narrativa em ordem cronologica inversa e os ângulos e rotações que a camera faz servindo para separar cada cena, também colaboram para o desconforto dos espectadores.

Este filme inspirou o estuprador do campus da Universidade Federal de Juiz de Fora, em abril último. Um crime motivado pela inveja, pela impunidade, pela devassidão. O desconforto de existir uma adolescente virgem de 17 anos, religiosa, filha exemplar, estudiosa, e que passou em cinco vestibulares, três universidades federais e duas particulares, mas escolheu o lugar errado para estudar: o Instituto de Artes e Design (AID). Um crime brutal, irreversível, na Minas Gerais dos estupros diários.

Irreversível, trailer do filme.

Veja uma lista de filmes que inspiraram crimes.

 

O perfil doentio do estuprador do campus da Universidade Federal de Juiz de Fora

Minas Gerais transformou-se  na terra dos doentes sexuais. Coisa do demo da impunidade.

No campus da Universidade Federal de Juiz de Fora, no Instituto de Artes e Design (IAD), um aluno desflorou uma colega menor de 17 anos. Aconteceu na azarada sexta-feira 13 de abril último.

Até agora o reitor Henrique Duque, o magnífico, não revelou néca do inquérito administrativo que disse ter aberto para investigar a suruba acadêmica. Na orgia do IAD rolou de tudo. Sexo, drogas e cachaça.

A estudante, covardemente agredida, foi vítima do golpe boa noite Cinderela. Tudo indica que aconteceu uma curra. A estudante foi espancada. O corpo, conforme  laudo médico pericial, estava com hematomas e marcado por arranhões e escoriações.

A polícia do governador Antônio Anastasia, ainda, não informou para a imprensa o nome do psicopata. Pela internet, estudantes mineiros fizeram circular algumas informações.

Na infância, o estuprador do IAD sofreu abusos sexuais de um pedófilo, parente próximo, e que, apesar de pertencer à tradicional família mineira, costuma andar com outros anormas sexuais, que conheceu em uma clínica psiquiátrica. De um deles teria contraído Aids.

Veja que turma

Abner Machado Pereira Neto usava nome falso. De acordo com a polícia o nome verdadeiro do acusado é Fábio Pereira de Sousa. Tem doze mandados de prisão. Já atacou várias mulheres

Abner Machado Pereira Neto usava nome falso. De acordo com a polícia seu nome verdadeiro é Fábio Pereira de Sousa. Tem doze mandados de prisão. Já atacou várias mulheres

Arquimedes de Abreu Filho, com idade entre 40 e 50 anos, suspeito de ter atacado e estuprado cinco mulheres em clínicas da Região Oeste de Belo Horizonte

Arquimedes de Abreu Filho, com idade entre 40 e 50 anos, estuprou cinco mulheres em clínicas da Região Oeste de Belo Horizonte

Ex-bancário Pedro Meyer, conhecido como %22Maníaco do Anchieta%22, suspeito de onze estupros

Ex-bancário Pedro Meyer, conhecido como o “Maníaco do Anchieta”, suspeito de onze estupros

Marcos Antunes Trigueiro estuprou e estrangulou cinco mulheres

Marcos Antunes Trigueiro estuprou e estrangulou cinco mulheres

Vereador Antero Gomes de Aguiar "pediu o voto" de uma menina de 12 anos na cidade de Ubá

Vereador Antero Gomes de Aguiar “pediu o voto” de uma menina de 12 anos na cidade de Ubá

Uma breve consideração particular sobre a Marcha das Vadias Belo Horizonte

por Thalita Martins

No dia em que a violência contra qualquer cidadão for tratado como uma violência contra a sociedade e tenha mais repercussão que mulheres com seios à mostra, talvez não seja necessário marchar, nem mostrar os seios, nem fazer cartazes, nem se auto-declarar ‘vadia’. Aliás, acha que uma pessoa que se auto-declara ‘vadia’ é ofensivo? Você não imagina o quanto é ofensivo quando um outro o faz.

Parabéns a mulheres e homens que marcharam. E parabéns àqueles que se esforçam diariamente por uma sociedade feita por cidadãos, e não por homens e mulheres, pobres ou ricos, negros ou brancos.

Três mulheres são estupradas por dia em Belo Horizonte

Marcha das vadias protestou contra o desfloramento de uma menor no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (com vídeo)