Qual foi a primeira cena de sexo no cinema?

Hoje em dia é comum vermos cenas de sexo no cinema e até em novelas em horário da tarde, principalmente depois dos filmes “Ninfomaníaca” e “50 tons de cinza”, que causaram furor em todas as idades.

Mas afinal, qual foi a primeira cena de sexo do cinema comum, excluindo a industria pornográfica?

Antes de falar o filme é necessário saber um pouco do diretor que quebrou tabus: Gustav Machatý nasceu em 1901 em Praga. Diretor de 17 filmes e roteirista de outros 10, ele era um apaixonado pelo erotismo, unindo-o ao amor e fúrias de suas histórias. Suas imagens são ousadas e quebraram muitos tabus da época.

Ecstasy, de 1933, é um filme parcialmente falado e estrelado por um atriz austríaca de 18 anos, Hedy Lamarr. Duas cenas em particular causaram a sensação de desejo, erotismo e sexo no filme.

Uma delas mostra Lammar nadando nua em um lago (imagine isso em 1933!) e a outra é considerada a primeira cena de sexo do cinema, ou como alguns preferem dizer “primeira representação de relações sexuais em filme não-pornográfico”.

A câmera não mostra cenas explícitas e fica focada apenas no rosto de Lammar, que tem expressões de prazer e espasmos de excitação – aliás, a primeira cena de sexo do cinema é também a primeira representação do orgasmo feminino no cinema.

Um marco para a história do cinema e para a sexualidade humana!!

Assistam ao vídeo (cruzando os dedos para não sair do ar). In Sensualise Moi

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Almanaque Erótico do Século XIX

Esqueça a frase “no meu tempo isso não existia“. Depois das Ilustrações eróticas do século XIX do pintor húngaro, é a vez dos portugueses mostrarem com o seu almanaque erótico que o sexo e erotismo sempre esteve presente na nossa vida.

 

No final do século XIX circulou por baixo dos panos portugueses um livro de humor diferente, um humor proibido. O livrinho chamado “O pauzinho do matrimônio” continha ilustrações fantasiosas e erotizadas e seguia o modelo de almanaques do período, com anedotas, cantigas, novelas e piadas, porém com um assunto bem escandaloso para a época. Tão escandaloso que a Biblioteca Nacional de Portugal fingiu não vê-lo e não guardou nenhum exemplar para contar história.

Ainda assim alguns volumes circulavam por aí e foram mega disputados por colecionadores. E foi graças a um deles, o historiador e bibliófilo António Ventura que o almanaque erótico pode ser relançado. A nova versão saiu em novembro/2015 pela Tinta da China, em edição integral.

Os capítulos tem nomes como “Caralhofobia“, “O saxopênis” ou “A Arte de gozar e fazer gozar” e logo no início possui uma advertência “Vão gritar muito contra o pauzinho. Dirão que é imoral, que não tem graça e há-de até parecer-lhes perigoso. E contudo serão eles próprios, os pudicos, os castos, que hão-de comprar o livro e lê-lo de uma assentada”.

Você pode comprar o livro aqui.

 

Adultização da criança e a sexualidade precoce

Nas favelas são comuns os casamentos de meninas de doze e treze anos. E há décadas que as principais televisões brasileiros promovem programas de calouros infantis. Acrescente os concursos de miss infantil, o recrutamento de crianças para desfile de moda e elenco de telenovela. O trabalho infantil existe nos mais insuspeitos lugares da classe média.

Quando as coisas acontecem nas classes baixas, aparecem as repentinas e fugazes investigações. Quando este Brasil imenso jamais evitou o recrutamento da criança soldado, e nada se faz para recuperar as 250 mil prostitutas infantis, para a Unesco e Polícia Federal, ou 500 mil para diferentes ONGs.

As manchetes para combater o tráfico sexual de crianças aparecem por motivos mais políticos e partidários e sensacionalistas. Falta uma campanha que vise a integração familiar, que começa com uma moradia digna, em um espaço urbano com os ser√iços essenciais funcionando, como uma escola que preste, que o estado pode oferecer um ensino melhor do que qualquer empresa privada. E nas escolas, as presenças de assistentes sociais, psicólogos, assistência médica etc.

A onda funk de crianças e adolescentes constitui apenas um reflexo da degeneração da música brasileira, que pontua as audiências de nossas televisões. Que música se toca em programas como BBBrazil, para um único exemplo?

MC Melody, oito anos, funkeira

MC Melody, oito anos, funkeira

Destaque no R7: A maior polêmica da semana foi, sem dúvida, o caso da funkeira mirim Mc Melody. O pai de Melody sofreu com críticas e foi acusado de exploração infantil por alguns internautas. Depois, o caso foi para no Ministério Público, que deve investigar a acusação de sexualização da garota de 8 anos de idade. No entanto, em entrevista ao R7, os empresários de Melody, Mc Brinquedo e outros funkeiros mirins disseram não ter medo dessa investigação

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

O pai de MC Melody também explica que são mentirosas as informações de que a cantora lucra cerca de R$ 40 mil por mês com shows.

— Embora haja procura, ela não faz shows. Se apresentou uma vez em uma matinê e outra vez em uma festinha. Se ela fizesse shows, não estaria ganhando apenas R$ 40 mil. Com o tanto de convite que ela tem, daria para tirar uns R$ 100 mil ou mais. Porém, até hoje, ela não lucrou um centavo.

Belinho desafia as pessoas que dizem que ele sustenta a família às custas do sucesso de Melody a postar alguma imagem de show da cantora.

— Por que você acha que todo mundo só pública aquele vídeo dela dançando Quadradinho de Oito? Porque não existe outra imagem dela em show. Simplesmente porque ela não faz.

Funkeiros mirins: sexualização precoce ou reflexo do cotidiano?

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

Publica Zero Hora, reportagem assinada por Gustavo Foster

No clipe de Quarteto Diferenciado, os MCs Brinquedo e Pikachu são mostrados como celebridades ao lado de Bin Laden e 2K. Os quatro causam histeria e têm suas músicas cantadas pela legião de fãs que os espera em frente a uma casa. Porém, dentro da limusine branca em que são transportados, a coisa muda: enquanto os dois últimos têm à disposição garrafas de vodka, os primeiros tomam suco em caixinha e Toddynho, respectivamente. Isso porque Brinquedo tem 13 anos, e Pikachu, 15 – não é à toa que os nomes artísticos remetem elementos da vida infantil.

“Roça, roça, roça o peru nela, que ela gosta” (Roça Roça – MC Brinquedo)

Brinquedo e Pikachu são dois dos pivôs de uma polêmica nem tão recente que chegou ao Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira. Um inquérito aberto pelo promotor Eduardo Dias de Souza Ferreira pede que se investigue possível “violação ao direito ao respeito e à dignidade de crianças/adolescentes” nas músicas e apresentações de MC Melody (alvo principal do inquérito), de oito anos, além de MC Princesa, MC Plebeia e dos quatro membros do quarteto diferenciado. Para a promotoria, haveria “impacto nocivo no desenvolvimento do público infantil e de adolescentes, tanto de quem se exibe quanto daqueles que o acessam”.

Mais famoso entre os sete, MC Brinquedo é celebridade na internet. Sua frase “meça suas palavras, parça” virou meme. Em suas letras, sempre bem-humoradas, ele não se furta de falar sobre sexo: Roça Roça fala sobre um caipira que não faz sucesso com as mulheres (“a novinha não me quer só porque eu vim da roça, roça o peru nela que ela gosta”), Vice-Versa é quase ingênua (“no pique do vice-versa: pepeca no pau, pau na pepeca“) e Boquinha de Aparelho é explícita (“tu vai lamber, tu vai dar beijo, tu vai mamar com essa boquinha de aparelho“). Curiosamente, o piá disse em entrevista recente ao CQC que era virgem, vejam só.

– Crianças cantando funk não é novidade. Eles são sociabilizados dentro de um padrão sociocultural em que é comum falar sobre isso. Só causa estranhamento porque o poder público não tem consciência desse contexto. Não é o sujeito cantar algo que é o problema, isso só é negativo dependendo de como ela é assessorada pelos pais. A música influencia as pessoas? Sim, mas a vida cotidiana influencia a música. O problema não é o produto final – avalia Hilaine Yaccoub, doutora em antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que morou quatro anos na favela da Barreira do Vasco para escrever sua tese.

E te confesso que um beijo já me desperta o desejo” (Eu Não Quero Mais – MC Melody)

Hilaine ressalta ainda que é necessário haver cuidado quando o teor das letras está “fora do contexto da idade da criança”, mas lembra que muito da repercussão se dá por causa do gênero musical. E quem dá eco ao discurso de que o funk é mais visado é Emerson José da Silva, um dos fundadores da KL Produtora, responsável pela carreira do quarteto supracitado. Segundo ele, a “picuinha” feita pelo Ministério Público deveria começar com “quem tá matando e roubando”:

– Não vejo problema algum. O Brinquedo canta o que ele vive. Querem fazer com o funk o que já fizeram com o rap, que é discriminar. O Brasil com o maior índice de prostituição infantil do mundo, e o problema é a Melody? Sabe qual é o meu medo? É eles acharem que estão fazendo algo errado, agora, com toda essa exposição. O Brinquedo acabou de dar um carro para a mãe, o Pikachu deu um para o pai. Eles estudam em escola particular, fazem aula de canto, de violão, aprendem a dançar, jogam videogame, brincam para caramba. Mas são eles os errados?

“Essa novinha é profissional, ela senta gostoso demais” (Novinha Profissional – MC Pikachu)

Para o Ministério Público, talvez. Para 24,7 mil pessoas que assinaram uma petição pela “intervenção e investigação da tutela de MC Melody”, com certeza. No texto, publicado em 20 de abril no site Avaaz, o autor considera que os pais da MC Melody incorrem nos crimes de trabalho infantil e corrupção de menores, além de exporem a menor a “situações que ameacem seu presente / futuro”. Para o consultor de criação Filipe Techera, um dos roteiristas do programa Esquenta, o tabu e o preconceito contaminam a discussão:

– Nós, adultos, temos uma visão sexual sobre aquilo, mas a criança não necessariamente tem a mesma visão. Eu era criança quando o É o Tchan fazia sucesso, e em todo esse tempo de terapia, nunca apareceu nada sobre isso (risos). E, pensando um pouco mais sobre isso, podemos questionar: por que os caras só falam sobre pegar mulher, cerveja, traição, bandidagem, drogas? Porque essa é a rotina deles. É difícil falar sobre “o barquinho vai”, quando ela vive o couro comendo.

Por enquanto, Brinquedo não dá entrevistas sem um advogado, Melody está sendo investigada pelo MP e Emerson tem medo de ser preso. Nada que tenha impedido MC Bin Laden de lançar É os Mlks do FOX, mais nova aposta da KL Produtora.

Veja aqui as entrevistas da MCs Princesa e Plebéia, MC Pikachu, MC Brinquedo, e MC Melody no programa do Super Pop. Veja vídeos

Rio, samba, suor e frenesi

A previsão meteorológica anuncia pancadas de chuva dispersas e suaves durante os dias de Carnaval, o que, ao contrário do que se poderia imaginar, é uma notícia fantástica para os milhões de pessoas que sairão às ruas do Rio para se contorcerem ao som do samba e das velhas marchinhas que se repetem como um mantra durante todo o festejo. Os termômetros registram máximas de 40 graus em vários pontos da cidade, e o sol que anuncia a reta final da canícula fustiga inclemente uma multidão, regada a álcool e com pouca roupa, que se junta em redemoinhos ao redor das batucadas.

Neste ano as novidades são poucas, pois a realização da Copa do Mundo, a partir do próximo mês de junho, já significa uma atração por si só. A cidade está tomada pelos meios de comunicação de todo o planeta, ávidos por mostrarem a idiossincrasia de um país que promete realizar a “Copa das Copas”.

A avenida Marquês de Sapucaí, onde fica o popular sambódromo, desenhado há 30 anos pelo falecido arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, será mais uma vez o cenário de um dos mais emocionantes espetáculos televisivos do planeta. Ao longo dos seus 700 metros de comprimento desfilarão durante as noites de domingo e segunda-feira as doze escolas de samba que competem no chamado Grupo Especial (a “primeira divisão” do Carnaval), em um novo esbanjamento de alegria, ritmo e dinheiro (os estratosféricos orçamentos de uma escola de samba podem superar os 18 milhões de reais).

O obscuro mundo das escolas de samba não esteve isento de polêmicas nas últimas décadas, e sobre ele recai tradicionalmente uma sombra de dúvida a respeito das suas formas de financiamento. Não são poucos os presidentes dessas agremiações que foram vítimas de ajustes de contas ou que acabaram nas capas dos jornais sob graves acusações de envolvimento com negócios turvos, como o narcotráfico e as redes clandestinas do jogo do bicho.

Seja como for, o trigésimo aniversário do sambódromo está sendo celebrado em grande estilo no Rio. As autoridades cariocas estão cientes de que o desfile das escolas projeta uma imagem espetacular da cidade, dando a volta ao mundo com transmissões ao vivo ou gravadas em mais de 150 canais de televisão. O investimento é enorme, mas os benefícios gerados são provavelmente maiores.

“Por aqui passaram muitas histórias, muitas alegrias, muitos acidentes, que também fazem parte do maior espetáculo do planeta, mas certamente também aconteceu muita aprendizagem, já que muitas pessoas que não têm acesso à cultura acabam tendo através do Carnaval”, explica, na avenida, Wilson Neto, coroado como Rei Momo carioca 2014.

Wilson se refere, em certa forma, às 2.500 pessoas que trabalham em tempo integral na Cidade do Samba para construir os carros alegóricos e as fantasias que desfilarão pelo sambódromo. O Carnaval é um negócio em si mesmo, que dá formação e emprego a muita gente humilde e que tem suas próprias leis de oferta e demanda. Por exemplo, quem quiser arrumar ingressos de última hora para o desfile das escolas tem de pagar quantias obscenas no mercado negro.

Até a próxima Quarta-Feira de Cinzas, 492 blocos estão autorizados a desfilarem nas ruas do Rio. Essas charangas conseguem arrastar autênticas marés humanas, como é o caso do tradicional Cordão do Bola Preta, que está acostumado a reunir a mais de 1,5 milhão de pessoas no centro da cidade. Este é o Carnaval de quem não tem interesse ou dinheiro para se deleitar com os ouropéis do sambódromo; um carnaval plebeu e de rua, desterrado durante décadas da agenda oficial e dos guias de turismo, mas que veio ganhando mais protagonismo até se tornar o verdadeiro leitmotiv de quem vem para o Rio querendo esquecer suas agruras.

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Neste ano, uma conhecida marca de preservativos decidiu redobrar a aposta no que já é por si só uma das festas mais libertinas do planeta, instalando uma cápsula flutuante em que os casais poderão dar rédea solta ao seu ardor carnal sobre milhares de almas embaladas por samba, suor e frenesi. [Transcrevi trechos]

El podólatra. Glauco Mattoso: el masaje linguopedal

Un pie feliz

El pie como fetiche, objeto erótico, centro del mundo 

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por Patricio Ezcurra

”Situación inapropiada del objeto sexual”, “transgresión anatómica”, “desviación” y todos los sinónimos imaginables para hacer referencia aquello que late a un costado de la norma aparecen en la definición de fetichismo de los psicopatólogos de principios del siglo pasado, aún vigente para muchos profesionales de la mente. Según la fórmula que el padre del psicoanálisis presentó en 1905 (en “Ensayo sobre las aberraciones sexuales” del libro Tres ensayos de teoría sexual), el fetichismo era el proceso por el cual “el objeto sexual normal es sustituido por otro relacionado con él, pero inapropiado para servir al fin sexual normal”, y como ejemplo se cita el pie, que junto al zapato encabezan la iconografía fetichista más obvia. Hay que aclararlo: en la categoría freudiana de aberraciones se incluían también la homosexualidad y el sexo oral. La relación pie-zapato era, además, metonimia hétero: el pie era un ejemplo “antiquísimo del órgano sexual masculino presente ya en la mitología”, y el zapato era “correlativamente un símbolo de los genitales femeninos”, la cavidad en el que se introduce el pie.

Frente a tanta impudicia contra natura que había visto en su trabajo y al mejor estilo Lombroso, el psiquiatra alemán Krafft-Ebing, en su Psicopatología sexual (1886), fue pionero en listas de parafilias que podrían tomarse por una Enciclopedia del delincuente sexualmente desviado. Allí estaban: el exhibicionismo, el froteurismo, el abuso de estatuas, la necrofilia, el lust murder (sí, el fetichista era visto como un degenerado capaz de acribillar con tal de obtener su objeto de deseo), el corrosivo vicio del safismo, la pederastia (que confundía bajo una misma etiqueta homosexualidad y pedofilia). Krafft-Ebing registra desde los fetiches más generales a los más específicos, como los “casos de daños a vestidos de señora por fetichismo de tela mojada” o los de jóvenes que sólo logran llegar al orgasmo acariciando cerdos. De hecho, la referencia a Cesare Lombroso no es gratuita. Krafft-Ebing asociaba determinadas clases de fetichismo a ciertos tipos físicos: “Alto grado de asimetría en la constitución del cráneo y mayor longitud del pie derecho que la del izquierdo” eran, por ejemplo, rasgos reconocibles del adorador de calzado.

Baja seducción

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¿A quién hay que agradecerle que las fijaciones excitantes hayan salido del registro perverso? La primera colaboración entre Deleuze y Guattari, El antiedipo, ese esquizo-análisis de 1972, aportó lo suyo al hablar del deseo como proceso de producción: el deseo no es el estado de un sujeto ni una tensión hacia un objeto, es desplazable, es transformación. Articula signos, huellas, recuerdos, trozos de cuerpos y fragmentos de palabras. De todos los trozos de cuerpo el pie es el más devaluado y proclive como ningún otro a dar el mal paso o a enterrarse en el barro. Es justamente esa cercanía con lo terrenal y lo bajo lo que lo vuelve vía de liberación. En La conjuración sagrada, entre las asociaciones libres de su diccionario crítico, Georges Bataille le dedicó un espacio al morbo histórico (producto de tanta fascinación como repugnancia) alrededor del dedo gordo. Bataille lo reivindica por su proximidad con los desechos y con lo abyecto. “La sangre no fluye en una sola dirección, la vida humana no es sólo un camino ideal de elevación”, dice el pensador francés. Es tan fácil como injusto dirigir la rabia hacia este órgano y es por eso que “el pie humano es sometido generalmente a suplicios grotescos que lo vuelven deforme y raquítico”. Basta con recordar la expresión “tiene las manos tan sucias como los pies”. Bataille se lamenta por la mala prensa que tienen las molestias ocasionadas por callos y juanetes en comparación con la dignidad del dolor de cabeza, y demanda igualdad de carga erótica para todas las partes: “En el caso del dedo gordo, el fetichismo clásico del pie que culmina en la lamida de los dedos indica categóricamente que se trata de baja seducción, lo que da cuenta de un valor burlesco que se vincula siempre más o menos a los placeres reprobados por aquellos hombres cuyo espíritu es puro y superficial”.

El podólatra

Glauco Mattoso

Glauco Mattoso

Para el brasileño y prolífico hombre de letras Glauco Mattoso (que no era su verdadero nombre sino un juego negro de palabras a partir de “glaucoma”, la enfermedad que lo dejó ciego en 1995), la potencia queer de su pluma y su mote de poeta maldito derivaban indirectamente de su gusto por los pies masculinos. ¿Y de dónde venía su podolatría? Según él, de su progresiva ceguera y de un episodio traumático de su niñez nerd. La falta de visión lo había obligado a profundizar sus capacidades olfativas. De ahí, una mitad de la explicación de su fetichismo por los pies sudorosos. A la otra mitad hay que ir a buscarla a un episodio de bullying de su infancia: una escena en la que los agresores de su misma edad lo forzaron a lamer zapatos y pies y orinaron en su boca. Mattoso escribió en 1986 Manual del amante podólotra. Aventuras y lecturas de un maníaco de los pies, un compilado, a medio camino entre la humorada y la prosa autobiográfica, sobre su propia podofilia. Allí cruzaba sus fantasías con anécdotas escatológicas y anticlericales. No faltaba la sátira porno desbordante de incorrección política (se apropiaba, por ejemplo, de textos no necesariamente literarios en clave de amante de pies, al punto de atreverse a reescribir testimonios de torturas incluidos en el “Nunca más” en clave podólatra). Y también toda una serie de consejos útiles para sobadas de dedos, lecturas recomendadas y tips del buen podólatra. El tono paródico no le restaba legitimidad a su defensa del olor a pata, según Mattoso, un potencial y subversivo desactivador del paradigma de la higiene y la asepsia. En su manual, Glauco incorporaba el argot urbano brasileño al tiempo que proscribía el sexo limpio. Sus preferencias amatorias detalladas en el manual le abrían la puerta a la sexualidad no genital. En el libro difundía, como publicidad-trampa para todo joven con curiosidad, un volante que detallaba los beneficios para el cuerpo y el alma de la técnica erótica de su autoría: el masaje linguopedal. Perlongher escribió el epílogo del manual: “El deseo del pie”. Allí trazó una línea entre el olor a queso y la irreverencia de este fetiche kitsch: “No es un mero fetiche para Glauco el olor a pies. No es algo frío e inerte para prender artificialmente el deseo de las fantasías frustradas. Más que la suciedad reciente, más que la humedad del sudor, el vestigio más palpable del erotismo era el olor, la unión espiritual y el deseo del cuerpo entero”.

Simone de Beauvoir, Sartre e Cristina Tavares

Reportagem de Edward Pimenta recorda meus tempos de foca no Jornal do Comércio do Recife. Formávamos a equipe de repórteres especiais – eu, Anchieta Hélcias, Cristina Tavares e José Carlos Rocha. Zé e Cristina parece que tinham um namoro escondido. Foi quando esteve no Recife o casal Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Estava escalado para a cobertura, mas Cristina pediu para ir no meu lugar. Ela alegou que sabia falar francês fluentemente, o que era verdadeiro.

Sartre e Simone viviam um casamento aberto, e gostavam de contar, através de cartas as aventuras amorosas. Mas eles também praticavam o ménage à trois. O primeiro caso deles foi uma aluna de Simone, Olga Kosakiewicz, que morou primeiro na casa de Simone, depois na casa de Sartre.

Na segunda metade dos anos 40, Simone teve um caso com o escritor americano Nelson Algren. Nos anos 50, Simone entrou numa relação com Claude Lansmann, um jornalista de 17 anos. E Sartre passou a ter relação com uma judia algeriana, Arlette Elkam, também de 17 anos.

Em 60, foi quando Sartre e Simone apareceram no Recife, e Cristina festejava os 30 anos. Era uma ruiva linda, e parecia que tinha muito menos. Só quando Cristina morreu em 1992, com 55 anos, descobri que eu era mais jovem três anos.

Cristina ficou de cicerone do casal, e uma noite, toda contente, me contou que teve um caso. Perguntei com quem? A dois ou a três. Ela sorriu.

Passado um mês, alegremente, falou que estava se correspondendo com Simone e Sartre.

Esta correspondência precisa ser recuperada e publicada.

Um tempinho antes, contei para Cristina minha história com uma jovem romancista, internacionamente conhecida, filha do mais famoso primeiro-ministro de Israel.

ANÁLISE SEMIÓTICA DE SIMONE DE BEAUVOIR

por Edward Pimenta

“Frenchys” não costumam fechar a porta do banheiro, disse Nelson Algren, amante de Simone, ao amigo fotógrafo Art Shay

“Frenchys” não costumam fechar a porta do banheiro, disse Nelson Algren, amante de Simone, ao amigo fotógrafo Art Shay

Esta imagem, capturada pelo fotógrafo americano Art Shay, tem 60 anos. Simone de Beauvoir, então com 42 , acabara de sair do banho. Incríveis a força e a vitalidade do torso, do derrière, das pernas.

Pensando bem, há algo comum às fotos íntimas que “vazam”. É o fato de que, intimamente, o fotografado pode excitar-se com a hipótese de que a imagem possa vir a ser observada publicamente.

Hipótese hoje menos remota do que há 60 anos.

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“Ela sabia que eu a havia fotografado, porque ouviu o clique da minha Leika”, confidenciou certa vez Shay, que era amigo de Nelson Algren, namorado americano de Simone.

No ano seguinte, Simone e Algren resolvem ser apenas bons amigos. Ela sofreu muito com a separação, mas pouco tempo depois começou a namorar Claude Lanzmann, então com 27 anos, um dos novos articulistas da Les Temps Modernes. Em 1953 termina de escrever Os Mandarins, seu premiado roman à clef. Depois falo sobre roman à clef.

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Uma das convicções trazidas pela internet é a de que, além dos filmes, também as imagens eróticas estáticas são mais poderosas quanto mais próximas do real.

Numa época em que as pessoas produzem e compartilham aos milhões suas próprias imagens, uma foto que se pretenda pornográfica ou erótica não pode subestimar a força de um registro amador.

Tecnicamente, uma boa imagem erótica não pode conter exageros cosméticos e atitudes ostensivamente poseurs. A fotografia é e sempre será uma representação. Mas a melhor imagem erótica é a que mais se aproxima da crueza de um retrato amador.

As amadoras são pouco elaboradas do ponto de vista narrativo. Querem contar um mínimo de história, são primitivas em sua intenção de registro factual de uma situação real de sexo e/ou intimidade.

Ou pode ser o simples flagrante de um momento íntimo, sem preocupação com a qualidade técnica do registro, como no caso dos despretensiosos self shots de Scarlett Johansson ou mesmo esta incrível série de Art Shay reproduzida neste post.

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