O MAR DE OLINDA E O SORVETEIRO

para Karina

Quando minha filha era uma criança de pé
caminhávamos pela praia
Os pequeninos pés na areia macia
as ondas vinham beijar

Ensinei o mar não possui dono é de graça
a gente não precisa trazer dinheiro
Nunca esqueci a resposta
– Pai tem o sorveteiro

Certa vez me surpreendi com a pergunta
– Pai quem é Freud
mamãe vive falando dele
A mãe estudava Psicologia

Os filhos não deviam crescer nunca
a razão dos pais tratá-los como criança
principalmente quando filha única

Adultização da criança e a sexualidade precoce

Nas favelas são comuns os casamentos de meninas de doze e treze anos. E há décadas que as principais televisões brasileiros promovem programas de calouros infantis. Acrescente os concursos de miss infantil, o recrutamento de crianças para desfile de moda e elenco de telenovela. O trabalho infantil existe nos mais insuspeitos lugares da classe média.

Quando as coisas acontecem nas classes baixas, aparecem as repentinas e fugazes investigações. Quando este Brasil imenso jamais evitou o recrutamento da criança soldado, e nada se faz para recuperar as 250 mil prostitutas infantis, para a Unesco e Polícia Federal, ou 500 mil para diferentes ONGs.

As manchetes para combater o tráfico sexual de crianças aparecem por motivos mais políticos e partidários e sensacionalistas. Falta uma campanha que vise a integração familiar, que começa com uma moradia digna, em um espaço urbano com os ser√iços essenciais funcionando, como uma escola que preste, que o estado pode oferecer um ensino melhor do que qualquer empresa privada. E nas escolas, as presenças de assistentes sociais, psicólogos, assistência médica etc.

A onda funk de crianças e adolescentes constitui apenas um reflexo da degeneração da música brasileira, que pontua as audiências de nossas televisões. Que música se toca em programas como BBBrazil, para um único exemplo?

MC Melody, oito anos, funkeira

MC Melody, oito anos, funkeira

Destaque no R7: A maior polêmica da semana foi, sem dúvida, o caso da funkeira mirim Mc Melody. O pai de Melody sofreu com críticas e foi acusado de exploração infantil por alguns internautas. Depois, o caso foi para no Ministério Público, que deve investigar a acusação de sexualização da garota de 8 anos de idade. No entanto, em entrevista ao R7, os empresários de Melody, Mc Brinquedo e outros funkeiros mirins disseram não ter medo dessa investigação

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

O pai de MC Melody também explica que são mentirosas as informações de que a cantora lucra cerca de R$ 40 mil por mês com shows.

— Embora haja procura, ela não faz shows. Se apresentou uma vez em uma matinê e outra vez em uma festinha. Se ela fizesse shows, não estaria ganhando apenas R$ 40 mil. Com o tanto de convite que ela tem, daria para tirar uns R$ 100 mil ou mais. Porém, até hoje, ela não lucrou um centavo.

Belinho desafia as pessoas que dizem que ele sustenta a família às custas do sucesso de Melody a postar alguma imagem de show da cantora.

— Por que você acha que todo mundo só pública aquele vídeo dela dançando Quadradinho de Oito? Porque não existe outra imagem dela em show. Simplesmente porque ela não faz.

Funkeiros mirins: sexualização precoce ou reflexo do cotidiano?

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

Publica Zero Hora, reportagem assinada por Gustavo Foster

No clipe de Quarteto Diferenciado, os MCs Brinquedo e Pikachu são mostrados como celebridades ao lado de Bin Laden e 2K. Os quatro causam histeria e têm suas músicas cantadas pela legião de fãs que os espera em frente a uma casa. Porém, dentro da limusine branca em que são transportados, a coisa muda: enquanto os dois últimos têm à disposição garrafas de vodka, os primeiros tomam suco em caixinha e Toddynho, respectivamente. Isso porque Brinquedo tem 13 anos, e Pikachu, 15 – não é à toa que os nomes artísticos remetem elementos da vida infantil.

“Roça, roça, roça o peru nela, que ela gosta” (Roça Roça – MC Brinquedo)

Brinquedo e Pikachu são dois dos pivôs de uma polêmica nem tão recente que chegou ao Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira. Um inquérito aberto pelo promotor Eduardo Dias de Souza Ferreira pede que se investigue possível “violação ao direito ao respeito e à dignidade de crianças/adolescentes” nas músicas e apresentações de MC Melody (alvo principal do inquérito), de oito anos, além de MC Princesa, MC Plebeia e dos quatro membros do quarteto diferenciado. Para a promotoria, haveria “impacto nocivo no desenvolvimento do público infantil e de adolescentes, tanto de quem se exibe quanto daqueles que o acessam”.

Mais famoso entre os sete, MC Brinquedo é celebridade na internet. Sua frase “meça suas palavras, parça” virou meme. Em suas letras, sempre bem-humoradas, ele não se furta de falar sobre sexo: Roça Roça fala sobre um caipira que não faz sucesso com as mulheres (“a novinha não me quer só porque eu vim da roça, roça o peru nela que ela gosta”), Vice-Versa é quase ingênua (“no pique do vice-versa: pepeca no pau, pau na pepeca“) e Boquinha de Aparelho é explícita (“tu vai lamber, tu vai dar beijo, tu vai mamar com essa boquinha de aparelho“). Curiosamente, o piá disse em entrevista recente ao CQC que era virgem, vejam só.

– Crianças cantando funk não é novidade. Eles são sociabilizados dentro de um padrão sociocultural em que é comum falar sobre isso. Só causa estranhamento porque o poder público não tem consciência desse contexto. Não é o sujeito cantar algo que é o problema, isso só é negativo dependendo de como ela é assessorada pelos pais. A música influencia as pessoas? Sim, mas a vida cotidiana influencia a música. O problema não é o produto final – avalia Hilaine Yaccoub, doutora em antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que morou quatro anos na favela da Barreira do Vasco para escrever sua tese.

E te confesso que um beijo já me desperta o desejo” (Eu Não Quero Mais – MC Melody)

Hilaine ressalta ainda que é necessário haver cuidado quando o teor das letras está “fora do contexto da idade da criança”, mas lembra que muito da repercussão se dá por causa do gênero musical. E quem dá eco ao discurso de que o funk é mais visado é Emerson José da Silva, um dos fundadores da KL Produtora, responsável pela carreira do quarteto supracitado. Segundo ele, a “picuinha” feita pelo Ministério Público deveria começar com “quem tá matando e roubando”:

– Não vejo problema algum. O Brinquedo canta o que ele vive. Querem fazer com o funk o que já fizeram com o rap, que é discriminar. O Brasil com o maior índice de prostituição infantil do mundo, e o problema é a Melody? Sabe qual é o meu medo? É eles acharem que estão fazendo algo errado, agora, com toda essa exposição. O Brinquedo acabou de dar um carro para a mãe, o Pikachu deu um para o pai. Eles estudam em escola particular, fazem aula de canto, de violão, aprendem a dançar, jogam videogame, brincam para caramba. Mas são eles os errados?

“Essa novinha é profissional, ela senta gostoso demais” (Novinha Profissional – MC Pikachu)

Para o Ministério Público, talvez. Para 24,7 mil pessoas que assinaram uma petição pela “intervenção e investigação da tutela de MC Melody”, com certeza. No texto, publicado em 20 de abril no site Avaaz, o autor considera que os pais da MC Melody incorrem nos crimes de trabalho infantil e corrupção de menores, além de exporem a menor a “situações que ameacem seu presente / futuro”. Para o consultor de criação Filipe Techera, um dos roteiristas do programa Esquenta, o tabu e o preconceito contaminam a discussão:

– Nós, adultos, temos uma visão sexual sobre aquilo, mas a criança não necessariamente tem a mesma visão. Eu era criança quando o É o Tchan fazia sucesso, e em todo esse tempo de terapia, nunca apareceu nada sobre isso (risos). E, pensando um pouco mais sobre isso, podemos questionar: por que os caras só falam sobre pegar mulher, cerveja, traição, bandidagem, drogas? Porque essa é a rotina deles. É difícil falar sobre “o barquinho vai”, quando ela vive o couro comendo.

Por enquanto, Brinquedo não dá entrevistas sem um advogado, Melody está sendo investigada pelo MP e Emerson tem medo de ser preso. Nada que tenha impedido MC Bin Laden de lançar É os Mlks do FOX, mais nova aposta da KL Produtora.

Veja aqui as entrevistas da MCs Princesa e Plebéia, MC Pikachu, MC Brinquedo, e MC Melody no programa do Super Pop. Veja vídeos

Papa criticado por defender pais que “corrigem com firmeza”

Max Rossi - Reuters

Max Rossi – Reuters

O Papa Francisco está a ser criticado na Alemanha por um comentário que fez na habitual audiência das quartas-feiras, na qual descreveu um bom pai como aquele que sabe perdoar, mas que também sabe “corrigir com firmeza”.

“Uma vez, num encontro com casais casados, ouvi um pai dizer que às vezes tem de dar uma palmada nas crianças, mas nunca na cara para não os humilhar”, disse o Papa, acrescentando: “Que bonito! Ele sabe o senso da dignidade! Tem de punir as crianças mas fá-lo com dignidade e pronto”, escreve a agência AFP, notando que este comentário não fez ondas em Itália, mas foi fortemente criticado na Alemanha, um dos países onde qualquer forma de punição corporal é proibida.

“Não há maneira de bater nas crianças com dignidade”, criticou a ministra da Família, Manuela Schwesig, numa entrevista que será publicada no sábado pelo Die Welt

A Associação Alemã de Apoio à Criança também reagiu, pedindo ao Papa para corrigir o alegado erro: “Este Papa é particularmente humano, mas qualquer pessoa pode cometer um erro. Ao sugerir que não faz mal bater numa criança desde que isso seja feito com dignidade, o Papa falha completamente o ponto”, diz a associação.

O líder do Catolicismo também está sob críticas de Peter Saunders, um membro do painel para a protecção da criança, criado precisamente pelo Papa Francisco: “Acho que é uma coisa enviesada de se dizer e estou surpreendido que ele tenha disto isso, embora ele às vezes diga uns disparates”, disse Saunders ao jornal britânico Daily Telegraph. Jornal I

Lxs chicxs crecen

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¿Recuerda cuando los niños y niñas hablaban de repollos y de encargos a París? ¿De hadas y hombres de la bolsa? ¿Cuando el concepto de infancia ni siquiera existía y los locos bajitos eran adultos imperfectos? Las infancias cambian junto con las sociedades, pero la imaginación y la lucidez siguen siendo motivo de registro como el que puede leerse en esta nota. Una de los grandes desafíos que enfrentan las familias no heternormativas es liberarse de la necesidad de demostrar que sus hijos son tan normales como el resto o que son mejores. Graham Greene lo decía con una frase críptica y sabia: siempre hay un momento en la infancia en que una puerta se abre y entra el futuro. Ojalá esa puerta tenga la amabilidad de permitir que entre un futuro mejor.

Yaser Abo Hamed

Yaser Abo Hamed

Camila, que ahora tiene 9 años, es hija de Ariel de una pareja hétero anterior. Cuando nosotros nos conocimos ella tenía un año y medio. Desde chiquita ya intuía que nosotros no éramos solamente amigos, ya que cuando estábamos cerca ella nos juntaba las cabezas para que nos besáramos en el cachete. Y empezamos a preparar el terreno para contarle. Le dijimos: “Cami, ¿viste que ahora es común que las familias sean papá y mamá, mamá y mamá y papá y papá?”. Y ella nos respondió: “¿Por qué decís ahora? ¿Antes no era normal?”. Cuando Ari le explicó (con muchísimos nervios) que éramos pareja, Camila con naturalidad le dijo: “Tranquilo, pa, ya lo sabía. Ustedes se dicen ‘gordo de aquí’ y ‘gordo de allá’ y los amigos no se dicen ‘gordo’”.

Camila vive con su papá Ariel Ghiglione y el novio de su papá, Federico Hoffmann.

Nuestro hijo Vicente creció en un hogar con dos mamás. Me acuerdo de una anécdota en donde la prima de Vicente, que se ve que se había quedado pensando en nuestra familia, salta con la pregunta: “¿Vicente tiene dos mamás?”. “Sí”, le respondemos. Lo medita unos segundos y remata: “Y a mí qué me importa. ¡Yo tengo dos abuelas!”.

A carta de aniversário de Urariano Mota para a filha Luanda

Para Luanda e para quem se tornar refém da sua beleza

Para Luanda e para quem se tornar refém da sua beleza


Um belo dia, desses belos dias em que não sabemos o que nos espreita, nem o que nos aguarda na noite, no futuro ou na sua vedação, um belo dia, num desses belos dias que são belos somente pelo pouco mal que fazemos, um belo dia, em manhã semelhante à de hoje eu te disse, eu te escrevi quando tinhas 17 anos:

Se o coral é vermelho, há quem se espante. Se as pétalas em sua alquimia, em seu laboratório e cornucópia sufocam-nos, há quem se espante. Um raio que caísse agora e nos matasse, neste exato instante em que escrevo “um raio que caísse agora…”, muita gente disso se espantaria. Sem palavras, no entanto, deveríamos ficar ante esse maior espanto: um desabrochar que da flor guarda a semelhança deste verbo, desabrochar, um ser, que é uma pessoa mais importante que a preservação das florestas amazônicas, mais séria e organizada que a sobrevivência de todo pantanal, das garças às borboletas, das rãs que pulam no rio aos jacarés que passeiam com pássaros a bordo, uma senhorita mais fundamental que a sobrevivência nossa, dos chineses aos esquimós, dos mongóis aos europeus, dos negros aos caucasianos, por que disto ninguém se espanta?

E insatisfeito, despudorado, sem dar importância ao que outros diriam, acrescentei:

Se o tempo parasse agora, nesta exata clara manhã. Se a orquídea fosse a mesma orquídea hoje e sempre. Se o movimento das pétalas, se as cores das macias pétalas, se as formas e os perfumes e o frescor das pétalas fossem eternas, se este encanto para os olhos fosse imorredouro, ah, nem assim a orquídea, a rara flor do campo atingiria a graça do ser que és, menina que deixas a infância.

Pois saibas que nove anos depois, nove para mim, infinitos para ti, saibas que depois dessa imensa infinitude o meu amor mudou. Nada é estático, tudo está em ebulição, bem sabes. Mas é também da natureza viva, das coisas vivas, que a transformação tenha um caráter e um sentido, algo como uma predestinação, se por predestinação podemos entender o futuro do embrião, que sempre está em mudança. Em poucas palavras, senhorita, o meu amor mudou, mas guarda e preserva um caráter que eu não sonhava naquele belo dia, quando nada adivinhava da noite futura. Ele tem e guarda uma característica que agora compreendo: é amor esquisito e raro, porque amadurece e cresce com os teus anos. De sorte e de forma que bem podemos dizer, predizer, ver e sentir: quando eu tiver 100 anos, e tu, Luanda, 63, sabes o que dirão o que nos cercam, os que nos cercarão? Imagina, porque sei agora os rumores de toda a gente: – “Dizem por aí que são pai e filha, mas todos sabem que não passam de dois bons e velhos companheiros”.

Por isso, antes desse remoto futuro, concluo agora como há infinitos nove anos concluí:

no dia do teu aniversário, pediste-me primeiro Neruda. Fiquei contente, exultei. Depois, mais prática, achaste melhor ganhar um par de sapatos. Minha resposta foi um silêncio. Os sapatos se gastam, eu não te disse, porque talvez eu não fosse compreendido. Nada te dei. Agora espero que ao fim destas linhas me compreendas, porque assim te saúdo:

Luanda de Angola, Luanda dos negros, Luanda de todas as raças, esta canção é o presente que te fiz na força dos teus jovens anos.

MUJERES QUE DECIDEN TENER UN HIJO SIN PAREJA

Madre + hijx = familia

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Por Silvina Herrera

Siempre supo que iba a ser madre. Cada situación de su plan personal se fue cumpliendo según su deseo, o al menos las que pertenecen al conjunto de los grandes proyectos, por esos que se brinda en Año Nuevo. Primero se recibió, después se fue de viaje, pronto consiguió un trabajo estable y a los 28 quedó embarazada en la primera inseminación asistida que se hizo con semen de donante anónimo. Noelia Carelli tiene 30 y una hija de un año y dos meses. En su caso, no hubo reloj biológico o imposición social que la presionara, sólo se trató de concretar su fuerte deseo de ser madre. “Ninguna cultura puede imponer el deseo de tener un hijo, es algo muy interno y profundo. Es un acto de amor, es dar todo, dejar de lado el amor propio. Nunca me importó lo que hacían los demás, siempre hice lo que tuve ganas”, dice Noelia, que desde el inicio de su búsqueda sabía que se trataba de un proyecto personal.

El deseo de hijo/a es difícil de desplegar en una sola dirección. Así como Noelia habla de entrega y amor, hay un costado egoísta que también tiene su lugar. También hay omnipotencia en la decisión de poder hacerlo en soledad, pero sin duda, y a pesar de las cuotas de sacrificio, suele estar relacionado con la necesidad de placer y bienestar, y de brindar amor y cuidado, a cambio de un amor inmenso, que en el relato cotidiano aparece como irreemplazable. Maternar implica un alto nivel de responsabilidad, que deja de incluir solamente al propio yo para pasar a pensarse en plural, porque las acciones de las mujeres que se convierten en madres se ven modificadas a partir de esa nueva vida que depende de ellas, lo que genera una reducción de la libertad individual y un “poner el cuerpo” difícil de equiparar con otras experiencias de la vida. Las mujeres que quieren ser madres en este contexto suelen relacionar la entrega total que supone la maternidad con una concreción de felicidad. El deseo de un hijo también surge cuando la mujer piensa su experiencia como hija y aspira a mejorar la práctica maternal que su madre tuvo con ella. Las técnicas de reproducción asistida hacen posible que la maternidad se concrete más allá del vínculo de pareja; gracias a la inseminación asistida o a la fecundación in vitro las mujeres ahora planean su maternidad ya no como el paso siguiente a una vida de a dos, sino como una decisión totalmente personal, que no conlleva sentimientos de pérdida o abandono. Estas formas de concebir la maternidad generan familias monoparentales que derivan en una nueva manera social de considerar los lazos entre las personas.

La hija de Noelia nació por una cesárea programada que ella misma pidió y desde el primer momento contó con la presencia, la ayuda y el afecto de su madre, que estuvo con ella en el parto. “Mi mamá entró conmigo, me hablaba, me iba contando cómo iba todo, así que me sentí muy tranquila y confiada”, explica Noelia. La red afectiva fue una de las cosas más importantes que tuvo en cuenta para tomar la decisión de tener un hijo sin pareja a través de un tratamiento. “Tuve apoyo de toda mi familia y amigos. Una vez en el trabajo una persona me dijo que no sabía que era lesbiana, pero no lo soy. Creo que falta abrir cabezas todavía, pero cada vez somos más”, dice Noelia, que es licenciada en Terapia ocupacional. Deja a su hija con su mamá y va a trabajar 8 horas por día, hasta las 4 de la tarde, cuando la pasa a buscar y dedica el resto del día a estar con ella. Los primeros meses, su mamá se ofreció a quedarse con ellas durante la noche, pero Noelia no quiso: “Quería estar sola con mi hija. Ir conociéndonos. La crianza es un aprendizaje mutuo; ella aprende de mí y yo de ella continuamente, por suerte el apoyo de mi vieja y mi hermana es grande y eso hace que pueda disponer de ciertos tiempos, como ir a laburar tranquila, sabiendo que está bien cuidada. Ahora que ya tiene un año, puedo salir cada tanto sin ella. El apoyo de mi familia es primordial. Acepto la ayuda, pero no la invasión”.

Primera persona singular

Las mujeres que no están en pareja y deciden ser madres por tratamientos de fertilización asistida tienen un entorno social amplio de amigos y familiares, y en esa red quieren ser madres. Se sienten capaces de hacerlo sin ese par que supone una pareja a la hora de compartir responsabilidades, sin vacíos que llenar o deseos de reparación por fracasos del pasado. No rechazan el amor de pareja, están abiertas a conocer a un hombre o una mujer con quien compartir, pero pueden quebrar ese imaginario social que postula la familia típica, porque la familia son ellas y sus hijos. Son conscientes de que ser madre es un mandato pero también están convencidas de que el paso que hay que dar para poner el cuerpo y exponerse a los tratamientos se hace de la mano del deseo y no de la imposición social. Cada una tiene un recorrido personal, pero las unen las ganas, que no tienen nada que ver con la inercia de casarse y formar la familia tipo con moño. Comparten el deseo pero también las preocupaciones, como por ejemplo ser el único sostén económico de sus hogares. “Creo que hoy en día me imponen más ser flaca que ser madre. Ser flaca y bella es una imposición social más fuerte que ninguna”, dice María, una fotógrafa y documentalista de 38 años, que hace seis meses está haciendo tratamientos de baja complejidad para quedar embarazada. Hasta ahora no logró el tan ansiado positivo, pero lo va a seguir intentando. “Cuando tenía 20 años no sabía si quería tener hijos, me parecía un lugar común para las mujeres la maternidad. Me lo empecé a plantear a partir de los 30, pero sabía que era algo que no quería de inmediato, que iba a ser madre más grande. Cuando se acercaba el límite de edad y no tenía pareja empecé a pensar en cómo hacerlo posible. Hay vínculos entre hombres y mujeres que a mí no me dan ganas de aguantar, el micromachismo, esa costumbre tan incorporada de que el mundo les pertenece a los hombres, sobre todo el tiempo de las mujeres. Las relaciones de igual a igual se dan muy pocas veces. Y para un proyecto tan importante como tener hijos, no me parece la de formar una pareja express. Y tampoco tengo ganas de involucrar en la paternidad a un hombre que no está de acuerdo o no está enterado”, sostiene.

En su mayoría, las madres solteras por opción pasaron los 35. Valeria H. tiene 38, es abogada y lesbiana, se hizo tres inseminaciones y ahora va a ir por la fecundación in vitro. “Mi pareja no quería salir del closet, y yo no quería criar un hijo en esas condiciones de secreto u ocultamiento. Yo quería otro esquema de familia. Arranqué hace un año. Tomé la decisión después de mucha terapia. En mi grupo más cercano, cuando lo conté, empezaron a averiguar ellas también o a evaluar si querían ser madres. Se genera una hecatombe en el entorno. Tenía gente cercana que no se quiso enterar y empezó a alejarse. Les ponía un espejo de lo infelices que eran. Mi hermano está muy presente, tiene una nena y me acompañó a hacerme los tratamientos. Mi padre me dijo que estaba loca y mi mamá, que es una aberración de la ciencia, pero van a tener que tolerarlo. Tuve más presencia de mi hermano y mis amigos que de mis padres. Asumo que es así.” Valeria siente que su hijo no viene a llenar huecos: “No necesito ni que una pareja ni un hijo vengan a cubrir un vacío, yo busco mi propia felicidad, no es lo que me falta para ser feliz, es un deseo íntimo. Quiero ser una buena madre, quiero laburar mis partes débiles, quiero ser una mujer feliz para que mi hijo se nutra, tenga amigos, padrinos simbólicos. Me salieron con lo del egoísmo y también me dijeron que soy valiente. Cualquiera que me diga que soy una looser que vaya a hacerse un tratamiento de fertilización y después que me diga looser. Hay que tener muchas agallas para hacerlo. No es una decisión sencilla, me siento bien conmigo misma de tener la valentía de hacerlo”, dice.

Hay hombres que también desean ser padres y no están en pareja. Algunos buscan una coparentalidad, una mujer dispuesta a compartir la crianza con un hombre que no sea su pareja. Pero, en el caso de las mujeres, ellas en su mayoría prefieren asumir toda la responsabilidad de un hijo. “Evalué la coparentalidad, hasta me reuní con un hombre que quería ser padre, pero es un proceso que lleva tiempo y al final no me convenció”, cuenta Valeria.

Solteras pero acompañadas

Las madres solteras por opción encontraron en la web un lugar de refugio para contactarse con otras mujeres en la misma situación. Se conectan para averiguar sobre los bancos de semen y se imaginan al hombre que donará su esperma para ellas, buscan grupos en Facebook de madres solteras que tienen hijos a través de tratamientos de reproducción asistida. En Argentina todavía son pocos, cerrados, con reglas para poder entrar, como un modo de preservar la intimidad. Intercambian mensajes con precios de los tratamientos, piden información sobre los médicos especialistas, discuten las leyes de fertilidad y se cuentan qué piensan decirles a sus hijos cuando crezcan y pregunten cómo nacieron y por qué no tienen padre. Los grupos no suelen aceptar madres solteras que tuvieron relaciones ocasionales, porque dicen que enfrentar un tratamiento es una situación particular y necesitan el apoyo de otras mujeres que pasaron por lo mismo. Son madres para las que tener un hijo es un deseo consciente y una búsqueda activa. “Los grupos son fundamentales para que nos conozcamos y nos podamos acompañar. Me parece que está bueno que nos conozcamos entre nosotras”, dice Noelia, que es participante de uno de los grupos de madres solteras por opción en Facebook. Cada una va contando su proceso, cómo salen los estudios, qué le dicen sus amigas, el rechazo y la aceptación del afuera como parte del proceso, cuentan las más experimentadas a las que recién entran. También se dan ánimo si hay un negativo y se felicitan y alegran cuando por fin llega la noticia del positivo. Para María es importante contactarse con mujeres que pasan por la misma situación: “Ahora siento la necesidad de reforzar otros vínculos, reforzar redes de amistad y contención y reunirme con otras mujeres que están viviendo lo mismo que yo. Fue bueno haber conocido a los hijos de mujeres con mi mismo proyecto, ver que es posible, que son felices”, dice.

Valeria es parte de dos grupos de Internet, uno de familias homoparentales y otro de madres solteras. “Hablé de los tratamientos y de saber cómo armar una familia y superar las discriminaciones. Nos juntamos y nos hicimos amigas. Fueron dos lugares de contención. Fue bueno conocer a los chicos y que jueguen en las reuniones. Laburar cómo nos ve el entorno, los propios prejuicios, para no transmitirlos”, cuenta. La contención de las redes sociales se da en un montón de tribus, pero así como el mundo está cada vez más hiperespecializado, los grupos son cada vez más precisos: madres solteras por elección, mujeres que amamantan a demanda, bancos de información de obstetras, grupos de alimentación de los primeros años, cruzadas contra la vacunación, etc. La idea es encontrarse en la dificultad y en el acierto y hacer red con desconocidos, hoy que se puede comentar un estado de Facebook desde el teléfono celular, llegando a niveles de intimidad más profundos que con un amigo o amiga cercanos.

El lugar del Estado

Después de años de reclamos por parte de organizaciones sociales y de idas y vueltas en el Congreso, en julio de 2013 se reglamentó por fin la ley de fertilización asistida, una norma inclusiva que tuvo en cuenta las necesidades de todos los sectores, y no puso restricciones por edad o estado civil de las personas interesadas en acceder a un tratamiento de fertilización asistida gratuito. El gran logro de la ley fue que no se tomó a la infertilidad como una enfermedad, sino que considera que todos los seres humanos tienen el derecho de tener hijos, por lo que el poder adquisitivo individual no debe ser determinante. El decreto 956 de la Ley 26.862 de Acceso Integral a los Procedimientos y Técnicas Médico- Asistenciales de Reproducción Médicamente Asistida sostiene que se deberá garantizar “la cobertura integral e interdisciplinaria del abordaje, el diagnóstico, los medicamentos y las terapias de apoyo y los procedimientos y las técnicas de reproducción médicamente asistida”. Pero en la práctica las obras sociales y las empresas de medicina prepaga ponen trabas y requisitos imposibles para cumplir con la obligación de pagar los tratamientos.

Los procedimientos de baja complejidad no son tan costosos, pero los de alta, como la fecundación in vitro, pueden superar los 30.000 pesos. Las mujeres que están en el camino de ser madres solteras por elección se sintieron aliviadas al enterarse de la reglamentación de la ley, pero lograr que se cumpla no es tan fácil. Muchas veces hay que presentar cartas documento y hacer la denuncia en la Superintendencia de Servicios de Salud. Además, las intranquiliza el proyecto del nuevo Código Civil, que postula que la vida comienza con el embrión, lo que podría llegar a poner alguna traba a la hora de realizar tratamientos de alta complejidad. La ley de fertilización necesita estar acompañada por un Código Civil moderno y acorde con la realidad.

“Mi obra social me quiere mandar una asistente social, es un abuso. Siento que quedo atrapada en la pelea de intereses económicos de los involucrados. Pero no pierdo el entusiasmo por esto, porque es una decisión tomada hace rato”, explica Valeria. La reglamentación habla de cuatro tratamientos de baja complejidad y tres de alta por año. La ley no suele ser determinante para tomar la decisión, pero sí un alivio para muchas mujeres que pensaban en pedir créditos y endeudarse para pagar tratamientos por acceder al derecho de ser madres. La nueva ley vino a cubrir una desigualdad y a garantizar un derecho, pero todavía falta que el sistema se adapte y el acceso se cumpla sin manejos burocráticos como exige la norma, porque en estos casos el tiempo perdido puede ser crucial.

 

EL ÁRBOL DE JASÓN

Portinari

Portinari

 

Por las mañanas suelo acompañar a mi hijo de nueve años al colegio. Un corto paseo que disfruto de compartir con él y que nos ofrece a los dos un mutuo buen humor para afrontar el día, a veces charlando de modo divertido – él es muy locuaz contándome con sumo detalle anécdotas de su universo; me fascina poder interpretar su percepción de nueve años de edad y le hablo sin adoptar con él ese modo de hablar que, en ocasiones, adoptamos los adultos con los niños, como si en vez de niños fuesen tontos; hablamos contagiándonos madurez y niñez el uno al otro, cosa que veo necesaria para los dos – o caminando en silencio, abrigados del frío otoñal, cogidos de la mano y dándonos de este modo nuestro cariño, un amor que no es equiparable, que mantiene diferencias de calidad: el tipo de sentimiento que mi hijo despierta en mí, él lo sentirá hacia el suyo propio en el caso que se decida por la paternidad cuando sea adulto; no es el mismo tipo de amor el de hijo-padre que el de padre-hijo. No es una cuestión de que sea mejor o peor, sólo es diferente y ofrece diferentes cosas del uno hacia el otro; pero nos sabemos unidos de un modo que está mucho más allá de las palabras.
 Hoy, tras cerrar la puerta de nuestra vivienda y comenzar nuestro paseo, me ha preguntado si conocía el árbol de Jasón. Pensé que se trataría de alguna leyenda mítica que le hubiesen referido en la escuela o de alguna especie botánica que igualmente desconocía. Le dije que estaba deseoso por conocer de que se trataba. “En la entrada del colegio, en el jardín, hay un pequeño árbol, protegido por una valla metálica que lo rodea y sembrado de flores alrededor. Delante tiene puesto un pequeño letrero agarrado a un hierro que se hunde en la tierra en el que se lee: “árbol de Jasón” y debajo, en letras más pequeñas pone “te quiero, papa”. “Le pregunté a un compañero de clase por el motivo de este árbol y me contó que hace unos pocos años en el parking del colegio un niño murió atropellado y que fue su padre el que plantó el árbol”.
Me quedé dubitativo ante como expresar mi tristeza y le pedí a mi hijo que cuando llegásemos a la escuela me mostrase el árbol; que era una historia muy triste, de ese tipo de cosas que pasan cuando una serie de nefastas coincidencias, tal vez también negligencias, se dan cita en un breve instante con dramáticas consecuencias. “¿A que te refieres?”, me preguntó. “Me refiero a que no habría intencionalidad por parte de nadie en que sucediese ese trágico incidente; podría haber sucedido de un modo similar a éste, imagina: el niño se suelta de la mano de su padre y va corriendo a decirle algo que ha olvidado a un compañero que se dirige por medio del parking con su madre para subir al coche. Y en un fatídico instante un conductor, quizá algo estresado porque se le va a quemar la comida que dejó en el fuego, arranca impetuosamente marcha atrás sin ver al niño por el espejo retrovisor. El resultado de esas coincidencias en ese breve segundo son lo que me acabas de contar”. “Si, entiendo, pero, “¿qué es eso de la negligencia?”. Bueno… tal vez debería haber estado alguien controlando que ningún niño  atolondrado corriese por el parking en el momento de la salida, cuando hay tanto trasiego de autos maniobrando. Una negligencia es un descuido o una omisión del deber que puede traer, como en este caso, graves consecuencias”. “Ah, vale, creo que debo estar atento ante estas cosas ¿verdad?”. Si, muchas veces los accidentes se pueden evitar si se está atento y no se mantienen actitudes negligentes”.
Cuando llegamos al colegio me condujo hasta el árbol de Jasón y ahí nos despedimos. Marchó hacia la fila donde debía colocarse para entrar de modo ordenado en el edificio.
Frente a mí un pequeño magnolio, tal y como mi hijo me había contado, vallado con una tela metálica verde sembrada en su perímetro de rosales que, en esta época del año, mediado el otoño, mostraban unas pocas flores de distintos colores. El letrero me conmovió. Un pequeño rectángulo metálico en el que, pintadas sobre fondo blanco, se leían  unas letras de color naranja pintadas a brocha con trazo torpe: “ÁRBOL DE JASÓN”, y debajo con letras negras y una brocha más fina: “Te quiero, papa”.
Me estremeció imaginar la escena del hombre deshecho garabateando con el pulso roto las letras en el cartel; verlo yendo al vivero a comprar la planta y cavando a continuación con la azada el agujero donde iba a depositar la memoria eterna de su hijo muerto. Por momentos me puse en la piel de este hombre; pensé en mi hijo, en nuestra felicidad y me aproximé a su desdicha. No puedo decir que lo sentí como en carne propia por que sería un acto irrespetuoso hacia él; esto sólo se puede conocer en verdad viviéndolo, pero me encontré muy cercano a ese profundo pesar y sentimiento.
Retomé el camino de vuelta a casa. Mientras caminaba mudó mi sensibilidad y comencé a sentir rabia, ira e impotencia. Hay muertes que se sufren más que otras. En mi opinión, cuando alguien se va porque su vida se ha agotado y ha cumplido las dos tareas básicas que, a mi entender, debe cumplir todo ser humano, (una subjetiva, y la otra objetivable: pasar una buena existencia sin que ello suponga hacer daño o crear dolor a los demás -tarea subjetiva – y conseguir poner los medios y esfuerzos suficientes para que los hijos también puedan conseguir la primera tarea – este es el trabajo objetivo – y, de paso, de este modo, dejar como herencia al planeta buenos hijos, tan importante como el asunto contrario) puede causar mayor o menor pesar, pero es el fin al que todos hemos de llegar. Cuando muere una persona joven es distinto; es simple, no ha podido cumplir ninguna de las dos tareas; pero cuando muere un niño es todavía más triste, no hay lamento que pueda jamás acallar ese aullido del corazón.
De aquí venían mis sentimientos antes mencionados, recordando cada vez que leo el periódico o escucho en un noticiero las barbaries ocasionadas en cualquiera de los muchos conflictos y dan las cifras de muertos, unas veces más elevadas, otras menos pero todas igualmente atroces, y siempre rematan la cantidad diciendo “y tantos (x) eran niños”.
Ira. No importa de donde vengan las calamidades, si vienen producidas por trastornados ebrios de religiosidad o si vienen de bombardeos producidos por las potencias occidentales para defender los intereses geopolíticos y económicos de su oligarquía, o como se dice ahora, plutocracia.
Rabia. Siento rabia al ver a todo el mundo tragándose las argumentaciones que los políticos exhiben para justificar lo injustificable, y mirar para otro lado, con la sangre fría, eso no va conmigo.
Impotencia. Si, desearía que toda esta gente a la que he descrito antes se dedicará a plantar árboles como el de Jasón en lugar de sembrar sangre y bombas enterradas entre cifras macroeconómicas y argumentos hipócritas de salvaguarda de la civilización, tildando de antisistema a todos aquellos que de una manera más o menos activa y organizada luchan contra todas estas barbaridades.
A las dos de la tarde fui a recoger a mi hijo al colegio. Normalmente no suelo hacerlo, viene en grupo, acompañado de otros escolares que residen cerca de nuestra casa, pero necesitaba cogerlo en brazos, darle un beso muy fuerte y pasear con él. Necesitaba con urgencia que me contagiase su alegría indisoluble.
Llegué unos minutos antes de que los niños saliesen vociferando y riendo de sus jaulas. Me acerqué de nuevo al árbol de Jasón. Un hombre se encontraba frente a él y le arrojó en la base un pequeño ramo de flores. Me puse a su lado y lo miré con condescendencia, como queriendo compartir su duelo. Le dije: “lamento profundamente lo de su hijo; el mío me contó hoy la historia y este árbol me ha acompañado durante toda la mañana, lo lamento de veras…”
Me miró. La humedad, preludio de un llanto contenido, asomaba en sus ojos y con voz grave y temblorosa me dijo: “no es mi hijo; yo atropellé a Jasón”. Hizo un gesto de gratitud por mis palabras, sacó unas pequeñas tijeras de podar y se dedicó a quitar las flores mustias de los rosales.
Cuando regresé a casa con mi hijo (él no paró de hablar durante todo el paseo, contándome todo aquello que le había parecido más relevante en su jornada escolar o en sus juegos con sus amigos, pero yo no tenía demasiada atención puesta en sus palabras) me enfrasqué en relatar esto que acabas de leer.

La infancia no es una patología

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Con el objetivo de impulsar el debate sobre la medicalización de los problemas de comportamiento de niños y adolescentes, se lleva a cabo desde el jueves la cuarta edición del “Simposio sobre Patologización de la Infancia”, en Buenos Aires.

En el simposio se presentaron más de cien experiencias de equipos profesionales de hospitales, escuelas y centros de atención barrial, en el marco del debate sobre la patologización de la infancia. Allí, profesionales del campo de la salud y la educación cuestionaron las etiquetas que con frecuencia se utilizan para diagnosticar algunos problemas de comportamiento y reflexionaron sobre formas alternativas de intervención.

Problemas como falta o pérdida de atención en el hogar o en la escuela están vinculados muchas veces con la cada vez mayor presencia de las nuevas tecnologías: juegos electrónicos, chateos, redes sociales y música. Estas situaciones de dispersión han sido abordadas por las llamadas neurociencias: desde esa perspectiva, la causa radica en las neuronas o, más bien, en las terminales que segregan neurotransmisores. Desde este punto de vista, el mal funcionamiento del cerebro es el que hace padecer al chico y a su entorno.

Otra perspectiva, en cambio, tiende a considerar la situación global del niño, su familia y su época: el problema no está en el cerebro, sino en los vínculos con las personas y las instituciones y en la representación del mundo que tienen los chicos. Para esta corriente, las nuevas “etiquetas” con la que se patologiza a los niños constituyen “clasificaciones empobrecedoras”.

Se trata de una tendencia que tiene su fundamento teórico en el Manual de la Academia de Psiquiatría (DSM) de los Estados Unidos, que en pocos días dará a conocer al mundo su quinta edición. Desde esta perspectiva, han ido surgiendo y multiplicándose diferentes clasificaciones encabezadas por el mal llamado ADD o ADHD, Trastornos Generalizados del Desarrollo, Trastornos Oposicionistas o el Trastorno Bipolar Infantil.

“Estamos ante un caso de clasificación ‘chatarra’ que, como esa comida, trae consecuencias en el organismo y en la vida de los niños. Pues el DSM y las clasificaciones en general reducen las prácticas sociales complejas como criar, educar, diagnosticar y curar a procedimientos ‘técnicos’”, sostiene Juan Vasen, psiquiatra infanto-juvenil y psicoanalista. El profesional advierte que “la técnica es encantadora, casi mágica: miles de padres, docentes y profesionales creen que están contribuyendo, a través de ella y sus fármacos, al control sobre fenómenos de nuestra ‘naturaleza’”.

El simposio reunió a más de mil trescientos profesionales de la salud y la educación, que trabajan con niños y adolescentes, docentes, psicólogos, pediatras, psicopedagogos, trabajadores sociales y de la cultura que creen que un niño no puede ser un “trastorno” y que consideran que el sufrimiento no puede ser catalogado mediante siglas como ADD, TGD, TOC o TEA.

“En los últimos años, ha aumentado de modo alarmante la cantidad de niños rotulados y el avance de las formas tecnocráticas de ‘diagnóstico’ (screenings y tests reduccionistas y masivos) aplicados a diferentes cuadros”, advierten los organizadores. Por eso, el objetivo de los profesionales es “el cuestionamiento de algunos diagnósticos que, con mucha facilidad, se endosan a niños y a adolescentes, sin tener en cuenta su singularidad ni la época, así como tampoco la complejidad del funcionamiento psíquico en la infancia y en la adolescencia”.

“Al objetivar así el padecer –sostienen–, se termina por considerar el comportamiento como algo estático: un trastorno endógeno y atemporal. Si, en cambio, consideramos que todo niño es un sujeto en devenir, que está transitando momentos de la vida que se definen por la transformación, entonces nuestras prácticas deberán tomar nota de esto a la hora de intervenir para paliar su sufrimiento.”

De ese modo, en el encuentro se trabajó en los recursos y estrategias para implementar en las aulas y en la clínica, con niños, niñas y adolescentes y con sus familias. “No sólo se trata de considerar las acciones individuales, sino de tener en cuenta el nivel de las políticas públicas, porque ellas pueden generar una mayor inclusión social y propiciar diferentes impactos en la salud física y mental”, argumentaron.

Se trata de tener en cuenta los derechos universales de niños, niñas y adolescentes, con particular atención en aquellos que atraviesan situaciones de mayor vulnerabilidad social y exclusión, cuyas manifestaciones se confunden frecuentemente con patologías psíquicas a las que se le suele atribuir una causa orgánica.

En definitiva, el eje del encuentro transitó sobre la contradicción entre intervenciones que clasifican y patologizan a los niños, fomentando la creciente medicalización, frente a otras basadas en una “escucha comprensiva” de las múltiples dimensiones en juego de los síntomas y trastornos.

“No es lo mismo clasificar que diagnosticar, reconocer sufrimiento que patologizar, prescribir medicamentos con criterio científico y pertinente, que medicalizar la vida”, definen. Es que, advierten, la presencia crecientemente naturalizada de los psicofármacos en la vida diaria y el avance de una mercantilización, apunta a “ampliar un mercado de medicamentos en permanente expansión y a reducir la infinita riqueza de las relaciones sociales a relaciones mercado-consumidor/cliente”.

Página 12

 

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Dentro ou fora do casamento as adolescentes sempre fizeram sexo

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As fêmeas sempre fizeram sexo cedo.

No Brasil, até a Lei do Ventre Livre, as negras deviam engravidar logo depois da primeira menstruação. Para a criança ser vendida. E quanto mais cria, mais dinheiro para o escravocrata. Nas grandes propriedades existia o escravo reprodutor. Um boi de raça para atender a vacaria.

Porque  não existe pecado do lado de baixo do Equador, o mito do Brasil ser uma sociedade de bastardos. Quando os brancos recebiam a visita da Santa Inquisição.

Casper Von Barleus foi quem cunhou, em 1660, ao escrever Rerum per octennium in Brasilien, a expressão “ao sul da linha equinocial não se peca”.  A moral e a virtude são para os povos do norte. A linha do equador separa o vício da virtude.

Ultra aequinoxialem non peccati. Esta frase corria a Europa em seguida aos grandes descobrimentos no século XVI. Um autor do século XVII, o historiador e teólogo holandês Gaspar von Barlaeus, depois de visitar o Brasil, registrou a frase num livro de viagens que escreveu, fazendo o seguinte comentário: “é como se a linha que divide o mundo separasse também a virtude do vício.” Leia mais. In Wikipédia, Richard Parker

“Não existe pecado do lado de baixo do equador” canta Chico Buarque.

Depois da Lei Áurea, a virgindade passou a ser, para as descendentes de escravos, a única riqueza. O dote a oferecer em troca de um casamento que garantisse casa e sustento.

Observa Maria Beatriz N. Silva que os impedimentos eclesiásticos e os altos custos não permitiam que os grupos mais pobres, principalmente escravos, legalizassem suas uniões. O fato é que, até os anos 1980, a historiografia tendeu a considerar que o casamento católico era muito raro e circunscrito às elites. Era o chamado casamento religioso com efeito civil.

Na esclarecedora reportagem de Jocelito Paganelli (capa de hoje do Diário da Região) o título: “Mãe, jovem e solteira”. Sempre foi assim.

“De acordo com números do Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) divulgados ontem, em 2011, o índice de bebês de mães solteiras atingiu a maioria, 52% do total de nascimentos, enquanto o índice dos filhos de mães casadas chegou a 45%.

No ano de 2006 a situação era outra e os filhos de mães solteiras representavam 43% dos nascimentos, índice inferior aos 47% de bebês nascidos de mães casadas. Os números do Seade revelam que os 17.725 bebês nascidos na região, 9.331 são filhos de mães solteiras. Já o número de filhos de mães casadas soma 7.855. Também foram contabilizados as 539 crianças nascidas de mães divorciadas, viúvas e que vivem em união consensual” – a teúda e manteúda.

E acrescenta Paganelli: “As mães solteiras atingem a maioria (72%) no grupo das mulheres menores de 15 anos e até 24 anos de idade”.

O número de jovens mães solteiras tende a aumentar por novas imposições de casar na mesma faixa etária , na mesma religião (igrejas evangélicas), na mesma classe social.

Por que tanta mãe solteira no País das 500 mil prostitutas infantis?

Quando existem doenças sexuais mortais, como foi a sífilis, não justifica usar preservativos para evitar filhos. Eu perguntava para as minhas alunas de jornalismo: por que tomar pílulas quando não se tem namorado?

A aids nunca refreou o sexo casual na classe média, os encontros marcados na internet, via sítios de relacionamentos.

Qualquer menina pobre, que abandonou a escola, sabe, pela televisão e rádio, que existe exame de DNA. Mas, que adianta, se o pai ausente não tem onde cair morto?

Trocaram os contos infantis de Cinderela e da Gata Borralheira por remoçados e embelezados vampiros, e se faz campanha contra as carreiristas. Pobre menina pobre arrivista.

A relação do homem branco “superior” com a negra e com a índia embranqueceu o Brasil.

Ensina Sheila de Castro Faria: “O casamento legal era condição fundamental para a estabilidade econômica, busca de status, ascensão social e obtenção, em muitos casos, de posições administrativas”.

 

O mesmo Diário que publicou o texto de Paganelli informa hoje: A cozinheira D.A.T., 26 anos, foi presa na noite de sexta-feira, dia 12, acusada de abandono de incapazes. Ela deixou os dois filhos, um menino de 11 e uma menina de 8 anos, sozinhos em um apartamento no Jardim Yolanda, em Rio Preto. As crianças ficaram por cerca de três horas e meia sem a mãe e, por meio de denúncia anônima, a Polícia Militar foi acionada. A mãe saiu por volta das 19 horas e só retornou depois das 22h30. De acordo com a polícia, o apartamento estava revirado, com restos de comida azeda em cima do fogão, e as crianças estavam famintas. Quando uma delas sentiu dores no estômago, foram procurar ajuda dos vizinhos. A mãe foi detida assim que retornou à casa, mas foi solta depois de pagar fiança no valor de R$ 1 mil.

E cadê o pai?

A adultização da infância: coisas para pensarmos

 

Por Dayse Gonçalves

Segundo o historiador e medievalista Philippe Ariès, a indiferenciação do vestuário infantil do vestuário adulto, em determinado momento histórico, dizia da falta de importância que a criança tinha na sociedade. E como podemos verificar, também na Arte aparece essa quase questão no modo de retratar crianças daquele período. A estatura era basicamente o que diferenciava o adulto da criança.

A expansão da escola, segundo o autor citado, por volta do século XVII, parece marcar a descoberta da infância. Mas sabemos também que o acesso a ela não era democrático, por isso a maioria das crianças permanecia vivendo uma vida muito parecida com a dos adultos. Muito precocemente já trabalhavam. Trabalhavam no campo, nas fábricas, nas cidades. O mais triste é ter de admitir que no Brasil muitas crianças brasileiras ainda vivem nesta condição.

Tirando as questões de ordem econômica e social, que mantêm muitas crianças numa condição de exploração ainda hoje, parece ser na passagem entre adulto em miniatura a um ser visto como diferente, que os adultos começaram a dar importância às crianças e a organizar sua vida também em função das necessidades delas.

Como nós sabemos, no mundo de hoje, para fins comerciais, a visão de infância é muito ambígua. A mídia bombardeia os nossos pequenos com dezenas de produtos e práticas que os adultizam, além de favorecer atitudes consumistas. São muitos produtos direcionados a meninos e meninas. Às meninas, ainda, são oferecidos determinados objetos, como maquiagens, esmaltes, peças de vestuário, calçados com saltos, além de práticas relacionadas ao mundo das mulheres adultas, como visitas precoces aos salões de beleza para fazer as unhas, arrumar o cabelo… Enfim, há um marketing ‘pesado’ em cima destes pequenos, já vistos como importante faixa de consumidores. Infelizmente.

Embora não sejamos os maiores responsáveis, também nós, adultos que as educamos, acabamos impondo às crianças hábitos consumistas incompatíveis com as necessidades que um desenvolvimento saudável requer.

Portanto fica o convite para repensarmos que tipo de infância desejamos para nossos filhos e alunos. A escola, e dentro dela a Educação Infantil, por meio de palestras e do intercâmbio com as famílias através das Reuniões de Pais, tem apontado para a necessidade de um olhar cuidadoso para com as experiências que proporcionamos aos pequenos, que vão desde a importância do brincar ao desencorajamento de algumas práticas, que vão exigir de nós escolhas que vão fazer a diferença na maneira como as crianças viverão esta breve etapa da vida.

Para concluir, gostaríamos de sugerir o filme “Criança, a alma do negócio”, de Estela Renner, disponível na página do Instituto Alana.