Visões d’amor (& amizade) 4

 Alfredo Martirena

Alfredo Martirena

 

 

A vida é um jogo. Mas não gosto de jogos.
Se for para jogar, prefiro viver.
Se for para dedicar meu tempo a alguma coisa,
prefiro um livro, uma conversa, ou escrever.
Ligar para alguém. Ligamos tão pouco.
Hoje temos tão pouco tempo para conversar ao telefone.
Celulares não param de tocar e não param de nos cobrar.
Em algum tempo, não havia celulares, e só havia telefones fixos.
Saímos de casa e ninguém nos achava pelo GPS.
Livros ainda são os melhores companheiros depois dos amigos.
E quando não há amigos por perto, voltamos aos livros.
E os amigos sempre estarão presentes para dividir conosco
o bem mais precioso: seu tempo.

Thereza Rocque da Motta

 

 

O homem deve ter a sua atitude, assumir o seu risco, deve revelar-se. O homem não pode viver na simulação, no embuste, encoberto. O homem tem na vida a sua substância natural e na atitude a sua condição de ser moral. A coisa pura existe dentro de nós: quando você ama, quando você sacrifica sua vida, quando você luta por um ideal, quando você é solidário. Para mim a marca humana mais edificante, mais dominadora e mais fecunda é você tem a possibilidade de ser solidário. Até no crime.

Djalma Aranha Marinho

 

Quando a amizade não é verdadeira, ela não machuca só quando você descobre. Ela machuca todas às vezes que você se lembra dos momentos em que achou que ela fosse verdadeira.

Karina de Aranho Marinho de Andrade Lima 

Karina Andrade

Karina Andrade

 

FIM DE ANO

O Ano Velho, atravessei a nado
Para tudo ou
Para nada.

O Ano Novo vem em ondas
Para o mar ou
Para amar.

O Novo e o Velho, quero juntos,
Sem roupas
Na ilha.

O Novo e o Velho, quero vivos,
Com os corpos horizontais
Em cópula.

Gustavo Krause

o-amor-é-tão

 

DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO

1
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

Hilda Hilst

 

frase-amigo-e-coisa-pra-se-guardar-debaixo-de-sete-chaves-dentro-do-coracao-amigo-e-coisa-pra-se-milton-nascimento-160762

 

 

 

 

 

O ADEUS A D. TANIA MARINHO

por Hilneth Correia

Depois de três meses de batalha contra o câncer, faleceu  na manhã desta sexta-feira (25) uma das grandes damas da sociedade natalense: Tania Marinho Medeiros, esposa do ministro aposentado Francisco Fausto de Medeiros.
O velório esta acontecendo na capela principal do Morada da Paz, em Emaús. Após missa de corpo presente, o sepultamento será neste sábado (26), às 10h.
Tania era filha de um dos mais importantes nomes da nossa política , Djalma Marinho , que foi deputado estadual em duas legislaturas, candidato a governador do Rio Grande do Norte em 1960, perdendo a eleição para Aluízio Alves e Monselhor Walfredo Gurgel, e ao Senado em 1974. Eleito deputado federal por sete mandatos, quatro vezes presidente da CCJ – Comissão de Constituição e Justiça e três vezes vice-presidente da Casa.
Ela era mais do que isso, uma mulher forte, de principios e valores raros, era a matriarca da familia e mulher agregadora .
Se realizava com a casa sempre cheia , onde a idade não era fronteira para um bom papo: três geracoes conviviam intimamente sem barreiras . Seis  filhos, netos e um bisneto , ela interagia com todos e, ainda, com os amigos de todos eles.
Católica , frequentava a missa todos os domingos , deixou os filhos Luis Fausto (Lula ) , Frederico (Cuca) , Francisco Fausto (Nino) , Themis , Carla e Djalma .
Tania recebeu o carinho de familiares e amigos até seu último momento , e todos os seus desejos foram atendidos até a hora da partida.
Aos 72 anos partiu mais uma grande dama da nossa sociedade. Arilda Tania Marinho de Medeiros
De Doutor Djalma seu pai , ainda ficam seus irmãos Valério Marinho, Hebe e Celina.

Nina Rizzi e Zila Mamede

Nina Rizzi

Zila Mamede
Zila Mamede

Que Mossoró faça festa para receber a Poesia.
Que Mossoró faça festa para receber Nina Rizzi.

Estive em Mossoró algumas vezes. Passagens que marcaram a minha vida.
Fui para me encontrar com uma menina linda, e namorar a cidade.

Fui a Mossoró com Djalma Marinho. Para fazer comício. Djalma, a alma mais pura, a inteligência mais lúcida da política do Rio Grande do Norte.
Fui com Jorge Amado. Noutra viagem de carro, me deliciando com as histórias deste romancista que inventou mulheres que o Brasil ama: Dona Flor, Tereza Batista e Gabriela.

Bem que gostaria de neste domingo pegar a estrada, e ir para Mossoró. Para receber Nina Rizzi na 7a Feira de Livros.

Que bela oportunidade para conhecer Nina pessoalmente. Ver Nina. Ouvir Nina.
Que Nina recite do poema O Queres este trecho:

“eu vi a foto do poeta recifense
as mãos em sépia, zila sorria
em minhas, cecília

eu os via, eu os lia
eu lhes sorria e era poema de amor derramado
eu era toda rima pobre, tango de gerúndios

amando, gozando, chorando e rindo e partindo
até o vinte’agosto”.

Saudades de Zila Mamede.
Ai, Nina, os teus Quereres também são meus.
Assim sendo, saudades de Zila e Nina, irmãs na Poesia.

Este era o meu pai, Djalma Aranha Marinho

por Celina Marinho

Deputado Djalma Marinho

Falar sobre Djalma Marinho, meu pai, é sempre uma emoção grandiosa que toma conta de mim. Cada dia que passa, sinto um privilégio imenso de ter convivido e conhecido tão de perto uma criatura única!

A história política brasileira foi marcada por esse homem sensível e corajoso. Não se pode negar sua passagem ímpar. Djalma, mesmo sendo grande, era simples e suas atitudes, em momentos tão delicados, mostravam que ele era um liberal democrata, que amava a justiça e acreditava em um parlamento forte.

Para mim, sua filha caçula, o momento mais marcante foi na ocasião da renúncia à presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados – que hoje tem seu nome -, quando citou a frase de Pedro Calderón de La Barca, dramaturgo espanhol, “ao rei tudo, menos a honra”, em discurso realizado ao plenário da Câmara relacionado ao pedido de licença para cassação do mandato do Deputado Márcio Moreira Alves. Logo após esse corajoso discurso, o líder do então MDB, Deputado Martins Rodrigues exclamou: “de pé, para aplaudir um homem!”, no que foi prontamente atendido pelas galerias da Câmara, entoando o Hino Nacional. Mesmo muito jovem, fui tomada por um sentimento de orgulho e felicidade com essa manifestação única, de tamanha comoção. Percebi, então, que meu pai – sim, esse era o meu pai! -, fazia a diferença na política do Brasil e sua perda continua, ainda, sendo sentida.

Como pai, ele foi a primeira pessoa que me falou sobre a força do perdão e olhar o próximo com compaixão. Ele dizia ser preciso respeitar as diferenças, lembrando que o homem é apenas um ser vulnerável. Cresci dentro desse contexto, o que me fez e faz sempre buscar ser uma pessoa melhor.
Márcio Marinho, meu irmão, se vivo estivesse diria: “ele é grande e nas suas mãos eu me seguro”.

Minha irmã Hebe sempre diz: “Meu pai era sábio, amoroso, amigo, presente, sempre com a palavra certa no momento que dela precisávamos. Valorizava a amizade, a fé e a crença em Deus e nas pessoas. Com a voz mansa falava com serenidade sobre a ética, amor, vida, igualdade e solidariedade. Nosso pai era humano e humanitário.”
Minha irmã Tânia costuma lembrar que, todas as vezes que nosso pai a visitava, ela sentia uma “enorme vontade de jogar um tapete vermelho com pétalas de rosa e depois se jogar em seus braços protetores”.

Valério, também meu irmão, diz: “falar sobre meu pai é como falar de um rio de águas azuis e transparentes, onde sempre procuramos dessedentar nosso sofrimento, buscando a proteção contra todos os males”.

Minha filha Daniela diz que seu avô era simplesmente “tudo para ela, pois agia como avô, herói, confidente, parceiro de peraltices e brincadeiras. Enfim, sua total referência de família e um amigo com quem sempre podia contar”. Ela afirma que sua convivência com ele, conquanto tenha sido breve, porque a morte do avô tenha ocorrido aos seus oito anos, foi de tal maneira tão especial que se tornou eterna, não havendo um dia sequer em todos esses anos que não o tenha lembrado com um enorme carinho no coração.

Ilce, sua neta e minha sobrinha, diz que “”embora não tenha convivido muito com vovô Djalma, já que morávamos em cidades diferentes, ele em Brasília e eu em Natal, tinha por ele um sentimento especial, misto de amor, admiração, carinho e respeito. Sua riqueza cultural me fascinava.

A nação brasileira reconhece que seus padrões morais e intelectuais eram elevados. Sua nobreza também refulgia na família. Ele foi um exemplo de esposo, pai e avô. Sua lembrança enternece-me o coração, reaviva a consciência de minha identidade familiar e impulsiona-me a honrar o privilégio de ser sua descendente.”

Meu pai tinha um coração sempre aberto para nos acolher. Compreendia, como ninguém, a natureza humana e sua fragilidade, sempre com uma palavra para desculpar desvios ou ingratidões. Era, sem dúvida, um homem que se reinventava com os netos e tudo fazia para concretizar ou, ao menos, não destruir os sonhos daquela geração. Não fazia distinção para com seu amor. Quando em momentos de vitórias delas compartilhava, valorizando a todos indistintamente e naqueles de infortúnio procurava assumir a dor para suavizar a dos outros.

Este era o meu pai, Djalma Aranha Marinho.


Transcrito da página de Themis Marinho, no Facebook