Bailarinas corporificam desafios da dança marginal e refletem o cotidiano de muitas brasileiras

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Dançar aquilo que se propõe a dizer. Reprimidas em praticamente tudo, mulheres entram em cena para uma mensagem sem diálogos relatando a censura sobre seus corpos, o julgamento sobre o que vestem, a culpa que a sociedade lhes impõe. Em cartaz no Teatro Elis Regina, em São Bernardo (ABC paulista), o espetáculo Turbante chega como um manifesto pela igualdade e terá apresentação única na noite desta quinta (18), às 19h30.

Em cena, duas bailarinas encarnam duas jovens negras e mães. Estas mulheres, de acordo com Rosi de Barros, bailarina e educadora do Nudanba – Núcleo de Danças Brasileiras, ‘corporificam os desafios da dança marginal e refletem o cotidiano de muitas brasileiras, provocando o espectador com movimentos repletos de significados, intrigantes simbologias que poderão causar sérios incômodos.’ Rosi também atua em Turbante, ao lado de Miriam Sena.

A bailarina conta que a ideia inicial, depois de o projeto ter sido contemplado num programa da prefeitura daquela cidade, era montar um espetáculo sobre as culturas populares brasileiras, objetivo que foi se transformando à medida que a produção avançava. “A obra transformou-se numa ‘biografia’ de tudo que vivíamos, do que ouvíamos das histórias de amigas, mães, cunhadas, irmãs. E assim foi. A ideia se lapidou em nossos corpos”

Primeira intervenção artística do grupo, Turbante enfrentou obstáculos no início de sua realização. “É um grande desafio criar um espetáculo que não tem absolutamente nenhum interesse comercial”, afirma Rosi. “No atual formato da Lei Rouanet ou do Proac (Programa de Ação Cultural), nenhum patrocinador vincula sua marca a uma arte polêmica como é a nossa produção. Durante a montagem ouvimos propostas do tipo: ‘este tema é muito pesado, só patrocinamos se vocês o mudarem.'”

Ainda segundo a artista, “a obra serve como instrumento de denúncia social e também para mostrar para o espectador como a dança contemporânea pode mudar positivamente a realidade de jovens, como é o caso do nosso elenco, formado por jovens negras e mães”, contou Rosi.

Rosi, que foi descoberta pelo consagrado Ivaldo Bertazzo, afirma ainda que o “espetáculo transita entre a delicadeza e a brutalidade, convidando o público para dialogar com as danças e brincadeiras populares, numa performance contemporânea que sensibiliza o olhar para o corpo feminino e suas diversas formas de opressão.”

Teatro Elis Regina na avenida João Firmino, 900, em São Bernardo do Campo. Telefone 11-4109-6262

Teatro Elis Regina na avenida João Firmino, 900, em São Bernardo do Campo. Telefone 11-4109-6262

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Adultização da criança e a sexualidade precoce

Nas favelas são comuns os casamentos de meninas de doze e treze anos. E há décadas que as principais televisões brasileiros promovem programas de calouros infantis. Acrescente os concursos de miss infantil, o recrutamento de crianças para desfile de moda e elenco de telenovela. O trabalho infantil existe nos mais insuspeitos lugares da classe média.

Quando as coisas acontecem nas classes baixas, aparecem as repentinas e fugazes investigações. Quando este Brasil imenso jamais evitou o recrutamento da criança soldado, e nada se faz para recuperar as 250 mil prostitutas infantis, para a Unesco e Polícia Federal, ou 500 mil para diferentes ONGs.

As manchetes para combater o tráfico sexual de crianças aparecem por motivos mais políticos e partidários e sensacionalistas. Falta uma campanha que vise a integração familiar, que começa com uma moradia digna, em um espaço urbano com os ser√iços essenciais funcionando, como uma escola que preste, que o estado pode oferecer um ensino melhor do que qualquer empresa privada. E nas escolas, as presenças de assistentes sociais, psicólogos, assistência médica etc.

A onda funk de crianças e adolescentes constitui apenas um reflexo da degeneração da música brasileira, que pontua as audiências de nossas televisões. Que música se toca em programas como BBBrazil, para um único exemplo?

MC Melody, oito anos, funkeira

MC Melody, oito anos, funkeira

Destaque no R7: A maior polêmica da semana foi, sem dúvida, o caso da funkeira mirim Mc Melody. O pai de Melody sofreu com críticas e foi acusado de exploração infantil por alguns internautas. Depois, o caso foi para no Ministério Público, que deve investigar a acusação de sexualização da garota de 8 anos de idade. No entanto, em entrevista ao R7, os empresários de Melody, Mc Brinquedo e outros funkeiros mirins disseram não ter medo dessa investigação

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

MC Belinha e o pai MC Belinho. Mais fotos do Facebook

O pai de MC Melody também explica que são mentirosas as informações de que a cantora lucra cerca de R$ 40 mil por mês com shows.

— Embora haja procura, ela não faz shows. Se apresentou uma vez em uma matinê e outra vez em uma festinha. Se ela fizesse shows, não estaria ganhando apenas R$ 40 mil. Com o tanto de convite que ela tem, daria para tirar uns R$ 100 mil ou mais. Porém, até hoje, ela não lucrou um centavo.

Belinho desafia as pessoas que dizem que ele sustenta a família às custas do sucesso de Melody a postar alguma imagem de show da cantora.

— Por que você acha que todo mundo só pública aquele vídeo dela dançando Quadradinho de Oito? Porque não existe outra imagem dela em show. Simplesmente porque ela não faz.

Funkeiros mirins: sexualização precoce ou reflexo do cotidiano?

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

MC Brinquedo, 13 anos, funkeiro

Publica Zero Hora, reportagem assinada por Gustavo Foster

No clipe de Quarteto Diferenciado, os MCs Brinquedo e Pikachu são mostrados como celebridades ao lado de Bin Laden e 2K. Os quatro causam histeria e têm suas músicas cantadas pela legião de fãs que os espera em frente a uma casa. Porém, dentro da limusine branca em que são transportados, a coisa muda: enquanto os dois últimos têm à disposição garrafas de vodka, os primeiros tomam suco em caixinha e Toddynho, respectivamente. Isso porque Brinquedo tem 13 anos, e Pikachu, 15 – não é à toa que os nomes artísticos remetem elementos da vida infantil.

“Roça, roça, roça o peru nela, que ela gosta” (Roça Roça – MC Brinquedo)

Brinquedo e Pikachu são dois dos pivôs de uma polêmica nem tão recente que chegou ao Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira. Um inquérito aberto pelo promotor Eduardo Dias de Souza Ferreira pede que se investigue possível “violação ao direito ao respeito e à dignidade de crianças/adolescentes” nas músicas e apresentações de MC Melody (alvo principal do inquérito), de oito anos, além de MC Princesa, MC Plebeia e dos quatro membros do quarteto diferenciado. Para a promotoria, haveria “impacto nocivo no desenvolvimento do público infantil e de adolescentes, tanto de quem se exibe quanto daqueles que o acessam”.

Mais famoso entre os sete, MC Brinquedo é celebridade na internet. Sua frase “meça suas palavras, parça” virou meme. Em suas letras, sempre bem-humoradas, ele não se furta de falar sobre sexo: Roça Roça fala sobre um caipira que não faz sucesso com as mulheres (“a novinha não me quer só porque eu vim da roça, roça o peru nela que ela gosta”), Vice-Versa é quase ingênua (“no pique do vice-versa: pepeca no pau, pau na pepeca“) e Boquinha de Aparelho é explícita (“tu vai lamber, tu vai dar beijo, tu vai mamar com essa boquinha de aparelho“). Curiosamente, o piá disse em entrevista recente ao CQC que era virgem, vejam só.

– Crianças cantando funk não é novidade. Eles são sociabilizados dentro de um padrão sociocultural em que é comum falar sobre isso. Só causa estranhamento porque o poder público não tem consciência desse contexto. Não é o sujeito cantar algo que é o problema, isso só é negativo dependendo de como ela é assessorada pelos pais. A música influencia as pessoas? Sim, mas a vida cotidiana influencia a música. O problema não é o produto final – avalia Hilaine Yaccoub, doutora em antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), que morou quatro anos na favela da Barreira do Vasco para escrever sua tese.

E te confesso que um beijo já me desperta o desejo” (Eu Não Quero Mais – MC Melody)

Hilaine ressalta ainda que é necessário haver cuidado quando o teor das letras está “fora do contexto da idade da criança”, mas lembra que muito da repercussão se dá por causa do gênero musical. E quem dá eco ao discurso de que o funk é mais visado é Emerson José da Silva, um dos fundadores da KL Produtora, responsável pela carreira do quarteto supracitado. Segundo ele, a “picuinha” feita pelo Ministério Público deveria começar com “quem tá matando e roubando”:

– Não vejo problema algum. O Brinquedo canta o que ele vive. Querem fazer com o funk o que já fizeram com o rap, que é discriminar. O Brasil com o maior índice de prostituição infantil do mundo, e o problema é a Melody? Sabe qual é o meu medo? É eles acharem que estão fazendo algo errado, agora, com toda essa exposição. O Brinquedo acabou de dar um carro para a mãe, o Pikachu deu um para o pai. Eles estudam em escola particular, fazem aula de canto, de violão, aprendem a dançar, jogam videogame, brincam para caramba. Mas são eles os errados?

“Essa novinha é profissional, ela senta gostoso demais” (Novinha Profissional – MC Pikachu)

Para o Ministério Público, talvez. Para 24,7 mil pessoas que assinaram uma petição pela “intervenção e investigação da tutela de MC Melody”, com certeza. No texto, publicado em 20 de abril no site Avaaz, o autor considera que os pais da MC Melody incorrem nos crimes de trabalho infantil e corrupção de menores, além de exporem a menor a “situações que ameacem seu presente / futuro”. Para o consultor de criação Filipe Techera, um dos roteiristas do programa Esquenta, o tabu e o preconceito contaminam a discussão:

– Nós, adultos, temos uma visão sexual sobre aquilo, mas a criança não necessariamente tem a mesma visão. Eu era criança quando o É o Tchan fazia sucesso, e em todo esse tempo de terapia, nunca apareceu nada sobre isso (risos). E, pensando um pouco mais sobre isso, podemos questionar: por que os caras só falam sobre pegar mulher, cerveja, traição, bandidagem, drogas? Porque essa é a rotina deles. É difícil falar sobre “o barquinho vai”, quando ela vive o couro comendo.

Por enquanto, Brinquedo não dá entrevistas sem um advogado, Melody está sendo investigada pelo MP e Emerson tem medo de ser preso. Nada que tenha impedido MC Bin Laden de lançar É os Mlks do FOX, mais nova aposta da KL Produtora.

Veja aqui as entrevistas da MCs Princesa e Plebéia, MC Pikachu, MC Brinquedo, e MC Melody no programa do Super Pop. Veja vídeos

Pernambuco para inglês ver

Veja, pelos olhos de uma estudante de Universidade de Oxford, blogueira da BBC Brasil, um Pernambuco que uma inglesa ama, e os pernambucanos não amam. E quanto erradas as políticas adotadas para o turismo. E, notadamente, para preservar nossas tradições artísticas e culturais.

O Pernambuco de Lily Green não é o Pernambuco das autoridades, nem da imprensa e de uma pretensa elite, que sonha com Miami e, se pudesse, iria ao trabalho e ao shopping de helicóptero.

Lily Green, 21 anos

Lily Green, 21 anos

 

Brasil: amor e perplexidade!

por Lily Green

Com o fim da minha estadia no Brasil, encerro também minha participação aqui no blog.

Queria que meu último post levasse aos leitores algo que fosse fruto de minhas próprias experiências, com minha própria opinião e ponto de vista, como fiz durante o tempo em que fui blogueira do Para Inglês Ver.

Não tenho a pretensão de ser especialista em Brasil, portanto, ao invés de tentar fazer um resumo do que é o país, resolvi fazer uma pequena lista com três coisas que aprendi durante esse curto tempo que passei no Brasil.

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1.Quanto mais colorido, melhor

Lily Green admira o colorido das casas, como nesta rua

Lily Green admira o colorido das casas, como nesta rua

Nunca me cansei de andar pelas ruas com as casas pintadas com diferentes cores. Admiro também o fato das pessoas no Brasil não terem receio de se vestir com roupas de colorido forte e estampados exuberantes. Isso ajuda a espalhar alegria, e foi ótimo passar a conviver com cores vibrantes depois de anos vendo apenas o cinza e preto que predominam na Inglaterra.

 

2. Ser eficiente não é divertido

Torcedores aguardam em fila para comprar ingressos para jogo de futebol

Torcedores aguardam em fila para comprar ingressos para jogo de futebol

Garanto que não digo isso por sarcasmo. Admiro muito a paciência das pessoas que conheci no Brasil. Acho incrível que elas aguentem tantas horas de espera em longas filas, seja por burocracia, ou apenas paradas no trânsito engarrafado. Eu também adquiri essa mentalidade. No final, já não me incomodava em esperar o terceiro ônibus pois os dois primeiros passavam cheios.

Não quero dizer que os brasileiros são passivos, que não se queixam do que pode ser melhorado ou que não se importam com as inconveniências. Mas com eles aprendi que bom humor e tranquilidade ajudam muito a suportar as adversidades.

Acho, entretanto, que por vezes a tolerância é excessiva e acaba fazendo com que problemas graves como a segurança pública não sejam resolvidos, se perpetuem e se agravem. Afinal, ter medo de ser assaltado não pode e não deve ser uma preocupação cotidiana. Existem coisas que não se deve tolerar com tanta paciência.

 

3. O prazer de dançar

O maracatu no interior de Pernambuco, com seu colorido exuberante

O maracatu no interior de Pernambuco, com seu colorido exuberante

Aprendi a dançar maracatu, cavalo-marinho e côco. Adorei todos!

Minhas aulas não se restringiram a aprender somente os passos dessas danças populares. Aprendi que até dentro do mesmo Estado há grandes diferenças culturais e geográficas.

No fértil litoral de Pernambuco, por exemplo, a cana-de-açúcar cresce abundante, se come peixe e macaxeira frita. Em Recife, vi ruas lotadas e ouvi o enorme barulho das buzinas dos carros.

Lily Green (à direita, de camiseta cinza) em uma aula de dança no Recife

Lily Green (à direita, de camiseta cinza) em uma aula de dança no Recife

No interior do Estado andei no meio da rua sem me preocupar. Vi a terra seca pela falta de chuva e o gado no pasto marrom ao lado de estradas com suas retas intermináveis, repletas de caminhões.

Enfim, nesse pouco tempo que passei no país deu para ver que o Brasil é tão diverso que saio com a sensação de que à medida que mais conhecia o lugar mais difícil ficava para mim poder defini-lo.

E acho que é exatamente essa dicotomia o que melhor representa o Brasil para mim.

Eu amo o Brasil, mas, “oxente”, o país me deixa perplexa! (In Público, Portugal)

AMANHÃ É OUTRO DIA

por Talis Andrade

danzamacabra

Do jornalista
o trabalho cotidiano
da colheita
De tarde a notícia
De noite o trevo

O jornalista vive
como em tempo de peste
Beber divertir-se
na dança macabra
da madrugada
a dança de São Vito
É tudo aqui-e-agora
que no meio da vida
seremos surpreendidos
pela morte

O jornalista vive
o presente finito
Tudo que escreve
tem a louvação
de um dia

O jornalista vive
o instante
a emoção
do amor
de uma noite

O jornalista vive
o pressentimento
Amanhã pode ser dia de desemprego
Amanhã pode ser dia de enterro

NIERIKA, danza, música, poesía, visiones producidas a través de la ingestión del cactus sagrado (vídeo)

NIERIKA. Esta obra, ha sido inspirada en lo que para los wixaritari de México, significa “nierika”:

“Entre los Wixaritari, las visiones que se obtienen a través de los sueños son llamadas “NIERIKA” ya que junto con las visiones producidas a través de la ingestión del cactus sagrado, son una fuente de visiones del mundo sobrenatural donde se encuentran los antepasados.

Nierika significa la habilidad para mirar el mundo espiritual, el ojo de su alma” (Mariana Fresan Jiménez).

En medio de un ambiente onírico ELLA, el espacio y Él, el tiempo, ofician, para develar la memoria, por medio de las máscaras, la música, el canto, la danza y las palabras.
A través del acto ensoñado, que convoca al NIERIKA (El don de ver), esta obra es un homenaje al maíz, y a los cuatro elementos que conforman la vida: la tierra, el fuego, el agua, el aire.

Vídeo. Teatro Itinerante del Sol, Colombia. Dirige Beatrice Camargo.

Primer encuentro latinoamericano de danza butoh en Quito (vídeo Tania Galindo, Serpiente)

La danza, una necesidad de

provocación al sistema

Danza butoh. La mexicana Tania Galindo habla sobre la necesidad de rescatar sus orígenes a través del biodrama

 Conocí al maestro Diego Piñol, él me incentivó.

 Lo encontré cuando estaba abriendo su centro de butoh ritual mexicano  y cuando conocí este tipo de danza me quedé sorprendida, y desde el primer momento supe que eso era lo que quería hacer. Con el butoh encontré un espacio que estaba ahí para que pueda expresarme, yo no había podido expresar este tipo de danza antes, y se terminó convirtiendo en una búsqueda y una investigación también de nuestros orígenes; para mí el butoh siempre será una cosa movible, una cosa de búsqueda, que ayuda a un espíritu libre, y me llamó la atención esa conexión con los orígenes; por ejemplo soy una persona urbana y siempre he tenido ganas de volver, de retornar y aprender más de nuestras culturas indígenas. La pregunta era cómo encontrar esa relación, cómo empezar a trabajar y partí del butoh.

¿Qué significa para ti la danza?

Para mí lo es todo, es un universo que tiene que ver con un espacio sagrado, de reflexión, una búsqueda, un momento a solas para vaciarse. Si bien cuando yo voy a hacer una obra me inspiro a partir de cierto tema que yo quiera trabajar, investigo, leo mucho, veo pinturas, todo lo que me pueda llenar respecto a un tema y sobre eso creo una cierta telaraña, me pongo en medio de esa telaraña que está formada por partes; y la literatura es parte de esa telaraña, otro punto es el trabajo a nivel corporal, otro los elementos que uso, y cuando estoy en el escenario estoy en el momento cero.

¿Qué es lo que se representa en tu muestra artística “Serpiente”?

Es una metáfora de la muerte, la vida y la regeneración; esta forma de cambiar de piel, pero también esta inspiración latinoamericana de que hay muchos mitos con la serpiente y está profundamente conectada a la tierra. Y esta serpiente es de plástico, ya que cuando empecé a hacer butoh se expresaba esa necesidad de conectarse con el árbol, con la montaña, entonces cuando volví a la ciudad de México lo que veía era basura y hay un motivo ahí muy importante para mí, que fue tomar lo inorgánico de lo que es la basura, el plástico que parecía que no era usable sino que corresponde a cualquier desecho.

Todos esos recursos permitieron que me preguntara cómo usarlos, cómo integrarlos a la tierra y he sentido siempre que no podemos sacarle más a la tierra, que todo lo que le hemos sacado es lo que tendríamos que estar utilizando, ya que el plástico se vuelve basura cuando ya no le damos ningún uso y por tanto es como una metáfora del estilo de vida que tenemos ahora, como de pronto las cosas no sirven, las desechamos, es como cambiar ese sentido que se tiene de las relaciones con la naturaleza, con nuestra parte originaria. Eso muestro con Serpiente. (Vídeo) 

yo propondría que en las escuelas y colegios se priorizara la expresión corporal en vez de la educación física o a la par porque siento que la educación del cuerpo es una forma de dotar libertad para este tipo de expresiones.

Por ejemplo en Colombia hay un maestro, Álvaro Restrepo, quien a partir de su proyecto “Mi casa es mi cuerpo” ha enseñado a los niños de las favelas, de los sectores pobres, a través del cuerpo sobre los derechos humanos, por ejemplo nadie te toca si tú no quieres o alimentarte bien para que tu cuerpo sea un conjunto, un templo de sanación.

Y hay algo muy importante, y es que la danza podría abordar otros aspectos de la vida cotidiana: la liberación, el encuentro como un desarrollo social.

Tengo entendido que eres una investigadora del biodrama, ¿qué significa eso, qué tratas con este proyecto?

El biodrama es un arte que inventó Beatriz Camargo, una artista colombiana que lleva 40 años en las artes escénicas, es una investigadora que ha sacrificado su vida para este proyecto. El biodrama quiere decir la trama que se expresa a través del -bios- con  lo que vivo, es decir, es cómo volver a relacionarnos con un árbol, con la montaña, con el agua y en donde llegamos a aprender de nosotros mismos y como también la convivencia del grupo hace posible el tejido.

Entonces el biodrama también recopila varios de los procesos que son diseños de medicinas de culturas Mayas, Maguas, Taoístas. Y partir de eso y de la dramaturgia y de una actuación teatral muy importante se hace esto. Ya en el pasado estuve trabajando seis meses con Beatriz y ahora yo estoy implementándolo y relacionándolo con butoh porque para mí es muy importante conocer las bases latinoamericanas para trabajar a través de esto.

Has hecho ya biodrama, ¿cómo ha reaccionado el público?

El año pasado me gané una beca artística México-Colombia e hicimos una obra que se llama “Con la Lengua en el Cuerpo”. Es una pieza escénica, creada a través del tejido entre el butoh y el biodrama en un intento de reconstrucción de la propia memoria corporal y de la recuperación de la integridad de la mujer.

Inspirados en La Malinche, una mujer indígena, y el español Hernán Cortés, que tuvieron un hijo y esta obra era para mí primero hablar del tema de los feminicidios y reconstruir el cuerpo de lo femenino y el cuerpo de la tierra a través de este personaje, y todo esto a través del biodrama.

En este biodrama está mi representación mestiza; yo como mujer que defiende lo que se le hace al cuerpo de la mujer; es como lo que le haces a la tierra por ejemplo y lo que trato es de poner el tema a debatir.

Nunca he hecho obras para que le guste a la gente, puede ser que les guste o no, pero la necesidad ha sido como una  provocación directa a este sistema con el que en lo personal no estoy de acuerdo, porque siento que se hace una serie de saqueos a la tierra, porque siento que estamos en deuda con las culturas originarias, porque siento que no está bien, así como vemos la vida con unas diferencias económicas gigantescas.