Doze finalistas participam hoje do Festival de Música Nacional

Que sejam premiadas músicas brasileiras.

Que o Brasil está empestado de festivais de música estrangeira. Para a degradação da Cultura nacional. Para consolidar o colonialismo e o imperialismo.

Os doze músicos finalistas do Festival de Música Nacional FM Brasília 2015 vão se apresentar hoje, às 20 horas, no Teatro da Caixa, no Setor Bancário Sul, em Brasília, para disputar prêmios em oito categorias. O evento, já tradicional na cidade, contará também com um pocket show com as vozes de Salomão di Pádua e Célia Rabelo, em uma homenagem aos 50 anos dos saudosos festivais.

Mais de 291 músicas inscritas, contemplando os mais diversos ritmos, das quais 50 foram classificadas e 12 escolhidas por voto popular na internet, para concorrerem na final. Durante o espetáculo será conhecida a música que levará o título de “Música Mais Votada pela Internet”, escolhida pelo público através do site do Festival.

Também serão anunciados os vencedores em outras sete categorias: Melhor Música com Letra, Melhor Música Instrumental, Melhor Intérprete Vocal, Melhor Intérprete Instrumental (banda), Melhor Letra, Melhor Arranjo e Torcida Mais Animada no Show da Final.

Acompanhe mais informações sobre o festival no site das rádios e na página do festival. O evento será transmitido, ao vivo, pela Rádio Nacional FM.

Os prêmios: Melhor Canção para Mario Vivas e Stephanie Mascaro por “Quero Ver Amar Assim em Madureira”; Melhor Música Instrumental para Alexandre Gismonti por “Na pressão”; Melhor Música Clássica e Música mais votada pela internet para “Agnus Dei” de João Isaac; Melhor Intérprete Vocal para Valéria Lobão na composição “Chamada”, de Ricardo Szpilmann e Raphael Gemal, que receberam o prêmio no lugar da cantora.

A cura para a dor da tristeza feminina

Amor no campo

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A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.

Quando te sintas triste menina – dizia a minha avó – entrança o cabelo, prende a dor na madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força. O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do cipreste e suave como a espuma do atole.

Que não te apanhe desprevenida a melancolia minha neta, ainda que tenhas o coração despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre a tua tristeza.

E na manhã ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos…

Registo da antropóloga Paola Klug.
Fotografia tirada na Nicarágua por Candelaria Rivera, do ensaio fotográfico: “Amor de Campo”.
Seleta de Rosa Maria Ribeiro e Mariana Gouveia

Obá – deusa do amor e da paixão incontrolável

por Hellen Reis Mourão

 

 

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Obá é uma divindade do rio de mesmo nome, foi a terceira mulher de Xangô, junto com Oxum e Oyá, e também mulher de Ogum segundo uma lenda de Ifá.

Orixá feminino muito forte e enérgico. É extremamente temida, sendo considerada mais forte que muitos Orixás masculinos como, Oxalá, Xangô e Orumilá, os quais venceram em lutas.

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Sua lenda mais famosa é a da disputa entre ela e Oxum pelo amor de Xangô.

Oxum era jovem e elegante; Obá era mais velha e usava roupas fora de moda, fato que nem chegava a se dar conta. Obá pretendia monopolizar o amor de Xangô e sabendo o quanto ele era guloso, procurava sempre surpreender os segredos das receitas de cozinha utilizadas por Oxum, a fim de preparar as comidas de Xangô. Oxum, irritada, decidiu pregar-lhe uma peça e, um belo dia, pediu-lhe que viesse assistir, um pouco mais tarde, à preparação de terminado prato que, segundo lhe disse Oxum maliciosamente, realizava maravilhas junto a Xangô. Obá apareceu na hora indicada.

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Oxum, tendo a cabeça atada por um pano que lhe escondia as orelhas, cozinhava uma sopa na qual boiavam dois cogumelos. Oxum mostrou-os à sua rival, dizendo-lhe que havia cortado as próprias orelhas, colocando-as para ferver na panela, a fim de preparar o prato predileto de Xangô. Este, chegando logo, tomou a sopa com apetite e deleite e retirou-se, gentil e apressando, em companhia de Oxum, Na semana seguinte, era a vez de Obá cuidar de Xangô. Ela decidiu pôr em pratica a receita maravilhosa: cortou uma de suas orelhas e cozinhou-a numa sopa destinada a seu marido. Este não demonstrou nenhum prazer em vê-la com a orelha decepada e achou repugnante o prato que ela lhe serviu.

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Oxum apareceu, neste momento, retirou seu lenço e mostrou que suas que suas orelhas jamais haviam sido cortadas nem devoradas por Xangô. Começou, então, a caçoar da pobre Obá, que furiosa, precipitou-se sobre sua rival. Segui-se uma luta corporal entre elas. Xangô, irritado, fez explodir o seu furor. Oxum e Obá, apavoradas, fugiram e se transformaram nos rios que levam seus nomes. No local de confluência dos dois cursos de água, as ondas tornam-se muito agitado em conseqüência da disputa entre as duas divindades.

Por isso quando se manifesta em seus filhos, esconde seu defeito na orelha com a mão. Seus símbolos são uma espada e um escudo. Sua cor é o vermelho, seu dia é a quarta-feira e sua saudação é Obá Xirê.

Obá é o Orixá do vigor e da coragem, e se distingue das outras Iabás pela falta de charme e feminilidade. Entretanto ela não teme nada nem ninguém no mundo. Seu maior prazer está na luta. Obá venceu todas as disputas que foram organizadas entre ela entre diversos orixás, com exceção de Ogum, que aconselhado por um babalaô, preparou uma oferenda de espigas de milho e quiabo, amassando-os em um pilão, obtendo uma pasta escorregadia, a qual espalhou pelo chão, no lugar onde aconteceria a luta. Chegado o momento, Obá, que fora atraída até o lugar previsto, escorregou sobre a mistura, aproveitando-se Ogum para derrubá-la e possuí-la no ato. Assim tornou-se esposa de Ogum.

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Ela também é um orixá das águas, entretanto representa as águas revoltas e fortes dos rios, assim como as pororocas. O lugar das quedas também são considerados domínios de Obá. Ela representa também a transformação dos alimentos de crus em cozidos. Obá, enquanto orixá do elemento água, representa as emoções. Mas emoções fortes e avassaladoras, como o amargor de não ser amado, o ciúmes e a vingança.

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Nesse aspecto vingativo e ciumento Obá se assemelha a grega Hera ou Juno para os romanos. Deusa do casamento e da fidelidade conjugal era constantemente traída Zeus e se vingava de todas as investidas românticas dele.

Obá é orixá do amor não correspondido, das dores de amor, assim como a vingança e o rancor decorrentes disso. Ela é capaz de sacrifícios extremos pelo ser amado, a ponto de se mutilar. De perder uma parte de si mesmo.

Representa o aquele que foi enganado e rejeitado, e que por isso tornou-se amargo, passando assim a rejeitar uma nova experiência afetiva e a se voltar à realização profissional. Mesmo sendo extremamente forte fisicamente perde a sua personalidade em função do outro.

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Obá pode representar a mulher masculinizada, onde a força bruta e a disputa com os homens imperam no lugar da sedução e vaidade (Oxum), e da alegria e sensualidade (Oyá). Entretanto, ela é mais que isso. Ela é uma mulher muito forte e que foi ferida, abandonada. Ela é considerada a representante suprema da ancestralidade feminina.

Obá é saudada como o Orixá do ciúme, mas não se pode esquecer que o ciúme é o coronário inevitável do amor. Portanto, Obá é a deusa do Amor e da Paixão incontrolável, com todos os dissabores e sofrimentos que o sentimento pode acarretar.

 

Referências:

BARCELLOS, M. C. Os orixás e a personalidade humana. Rio de Janeiro: Pallas, 2010.

JUNG, C. Os Arquétipos e o inconsciente coletivo. 2 ed. Petrópolis, RJ, Vozes 2002.

VERGER, P. F. Orixás. Círculo do Livro.

Hellen Reis Mourão
Psicanalista Clínica com pós-graduação em Psicologia Analítica pela FACIS-RIBEHE, São Paulo. Especialista em Mitologia e Contos de Fada. Colaboradora do (En)Cena.

Leia mais artigos da série Mitologia Africana 

 

 

Mário Gomes: “Encontrei-me com Deus. E saímos abraçados”

No dia 29 de dezembro de 2014, publicou o jornal O Povo de Fortaleza:

Debilitado, poeta Mário Gomes é levado para hospital

O famoso andarilho cearense permaneceu durante dois dias seguidos em frente a bares do Dragão do Mar, onde não estava bebendo e nem se alimentando. No fim da tarde desta segunda, ele foi encaminhado para o IJF

 

Mika Holanda

Mika Holanda

O poeta andarilho Mário Ferreira Gomes, de 67 anos, foi encontrado desacordado, por dois dias seguidos, nos arredores do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Praia de Iracema), no mesmo lugar, sem se alimentar e sem beber e, aparentemente, inconsciente.

Em entrevista ao O POVO Online, um amigo do poeta, o artista visual Tota, informou que Mário Gomes está com um problema na costela, sentindo muitas dores e se alimentando mal. “Eu estava alimentando ele, desde ontem, com água de coco, suco. Fiz até uma canja, mas ele não comeu quase nada”.

O Centro Dragão do Mar informou que acionou três vezes, desde o último sábado, 27, a ambulância que atende o equipamento para socorrer o poeta, mas em todas as tentativas ele se recusou a sair de lá e os socorristas não puderam retirá-lo sem a presença da família, com a qual não conseguiram entrar em contato.

Na quarta tentativa, Gomes cedeu e foi encaminhado, sem resistência, para o Instituto Doutor José Frota (IJF), onde está sendo atendido. “Ele não gosta de hospital, mas comigo e com a minha filha ele veio”, afirmou o amigo do poeta, que o acompanha na unidade de saúde. “Ele vai bater uma radiografia da costela e talvez vá para outro hospital. Isso afetou até a cabeça dele”, complementou o amigo.
Mobilização na rede

Algumas pessoas utilizaram o Facebook para alertar os demais usuários sobre o problema que Mário Gomes vinha enfrentando e para tentar encaminhar o poeta para algum hospital. Foi compartilhada, entre os usuários da rede social, uma imagem seguida da legenda: “Poeta Mário Gomes encontra-se caído em frente aos bares do Dragão do Mar. Não está se alimentando, nem bebendo. Compartilhem para que seja levado a um hospital”.

 

No dia 31, último dia do ano:

Poeta Mário Gomes morre aos 67 anos

 

O IJF divulgou, em nota, o estado de saúde do poeta.”O paciente chegou ao hospital em estado grave, desorientado, extremamente debilitado, com um quadro profundo de anemia”.

Mário Gomes foi encaminhado ao hospital somente na quarta tentativa de socorro, como explicou o artista visual Tota, amigo do poeta.

De acordo com a família do poeta, amigos e familiares tentam a liberação do corpo do poeta. Como Mário não portava nenhum documento, nem a família possuía, o corpo ainda não foi liberado.

 

Uma trajetória dedicada à poesia e à liberdade

 

De Lucas Mota – A trajetória de uma “vida dentro dos sapatos”, como a jornalista Ethel de Paula descreveu o modo de viver de Mário Gomes, em perfil publicado no O POVO, se encerrou. Mas, a lembrança e a memória vão guardar essa figura desalinhada, boêmia e poética no coração de admiradores do poeta da Praça do Ferreira. Por opção, ele preferiu largar qualquer apego pela ambição para viver livre em seu “escritório”: o Centro de Fortaleza.

O teatrólogo Oswald Barroso pode conviver com o “Poeta Descomunal” durante o tempo que morou próximo ao Dragão do Mar, local que foi bastante frequentado por Mário Gomes. “Ele gostava quando as pessoas o ajudavam daquele modo. Mário não abria mão do seu modo de viver. Ele queria que o ajudassem, mas para continuar daquela forma. Era uma opção de vida. Mário é um homem da rua, da vida e da poesia, largado de qualquer ambição. Botá-lo dentro de uma casa, seria prendê-lo”, relata Oswald, que ficou surpreso com o contato da reportagem ao informar sobre a morte do poeta.

Mesmo vivendo em situação de rua e miséria, Mário não abria mão da vaidade. Era comum avistar o andarilho poético pelas ruas do Centro, vestindo paletó sem gravata, sua marca registrada, e sapatos de bico-fino. “Para mim, ele é uma lenda urbana, um personagem da cidade imprescindível. Ainda vamos ver Mário Gomes perambulando por muito tempo. Está na lembrança. Ele é uma pessoa que viveu de uma maneira mais radical à poesia. Mário era consciente desse modo de vida e enveredou por esse caminho da maneira mais consequente. Embora vivesse na rua, ele tinha vaidades, principalmente, a poesia como motivo maior da existência”, completa o teatrólogo.

O vereador e futuro secretário da Cultura do Estado, Guilherme Santana (PT), lamentou a morte de Mário e enalteceu a figura do poeta para a cultura cearense. “A morte de Mário Gomes fecha um ano de muitas perdas na literatura e nas artes. Gabriel García Marquez, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves, Ariano Suassuna e tantos outros que partiram e dedicaram, em vida, seu pensar a todos nós. Mas a arte é imortal. A nós cearenses cabe a devida reverência, cultivo e preservação da obra do Poeta Descomunal. Salve, Mário Gomes!”, disse Guilherme.

O “escritório” de Mário também sentiu o jeito andarilho do poeta. Em entrevista a jornalista Ethel de Paula, ele afirmou ter feito “17 viagens a pé ou de carona”. Filho de costureira e motorista, ele colecionou amigos em sua trajetória de sapatos, através da poesia, da boemia e da liberdade que nunca abriu mão.

“Como é gostoso esse Mário Gomes!”, dizia um de seus poemas. O boêmio de versos poéticos chegou a publicar oito livros de poemas publicados com a ajuda de “amigos endinheirados”, como relata Ethel de Paula. “A partir mesmo da estranheza e da dificuldade do ato de equilíbrio intrínseco à deriva de quem realizou seu destino praticamente sem apoio, nas franjas da cidade, como um declarado vagabundo, do tipo chapliniano. O errante, em Mário Gomes, diz sobre a falta de lugar no mundo de quem ousa andar na contramão, ou melhor, no “entre”, dentro, mas fora, em ziguezague existencial, persistindo em colar o que, no humano, se separou do animal – ou da ânima -, na colisão dos tempos”, descreve a jornalista sobre o poeta.

 

Enterrado na Parangaba

Ainda do jornal O Povo transcrevo: 

O velório foi realizado por volta das 12h desta quinta, na Biblioteca Municipal Dolor Barreira, localizada na Avenida da Universidade, e teve a presença de artistas, poetas e autoridades, como o novo secretário de Cultura do Estado, Guilherme Sampaio (PT). Durante a cerimônia, amigos e familiares discursaram sobre o poeta, e poemas de Mário Gomes foram lidos.

O corpo do poeta Mário Gomes foi enterrado às 16h desta quinta-feira, 1º, no cemitério da Parangaba.

 

Vai com Deus, Poeta 

Escrevi no Facebook, dia 31:

Cadê os secretários e funcionários das secretarias estadual (Ceará) e municipal (Fortaleza) de Cultura?

Onde eles gastam o dinheiro da Cultura?

Aqui no Recife, a Fundação de Cultura queima um milhão com fogos. Muita gente neste Brasil lava notas frias de gastos fantasmas com a Cultura para descontar no imposto de renda.

O poeta Mário Gomes morreu de fome. Para viver talvez tivesse uma aposentadoria por idade, no valor de um mínimo salário mínimo.

No Brasil ninguém se aposenta por velhice aos 60 anos, só quando idoso, depois dos 65 anos. Mário Gomes morreu aos 67 anos.

Sobram f.d.p. – marajás do executivo, Marias Candelária do legislativo e divindades do judiciário – que pretendem aumentar o tempo da aposentadoria por idade para os 70 anos, quando se é ancião.

Constitui dever do Estado conceder aposentadoria especial para cidadãos que prestaram relevantes serviços ao povo e ao Brasil. Principalmente para pessoas que se tornaram um mito, uma lenda, como artistas, poetas, jornalistas e educadores.

Aposentadoria especial continua um direito exclusivo dos lá de cima. Das castas, que no Brasil existem até pensões herdadas pelas filhas maiores em vagabundagem e safadeza nos três poderes da República.

Basta de lavar as mãos na bacia de Pilatos. Que o Poeta do Povo receba depois de morto as homenagens que não teve em vida.

François Villon, ladrão, ébrio e boêmio, morreu em 1463, antes da conquista do Brasil, e continua lembrado.

Quem no Ceará pode repetir Mário Gomes: “Numa esquina encontrei-me com Deus. E saímos abraçados: rindo e cantando”?

 

 

 

Governadores e prefeitos festejam hoje o Dia Nacional da Poesia

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Como acontece com os shows de artistas bregas, governadores e prefeitos promoverão, hoje, recitais de poesia nas ruas do povo.

Os governos estaduais e municipais, através das secretarias de Cultura, realizarão outros  e-ventos que se estenderão até o dia 21, Dia Internacional da Poesia. Destaques para noites de autógrafos e lançamentos de livros.

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Há uma grande disputa por um convite nos camarotes dos governadores e prefeitos. A elite pretende assistir as declamações dos poetas, a teatralização de poemas por atores das televisões, e os versos cantados pelos artistas – que faturam milhões nas noites natalinas, réveillon, carnaval, festas juninas e  de santos padroeiros, e mundanas inaugurações de obras super faturadas e comícios – na mordomia das bebidas importadas e comendo do bão e melhor.

Os burocratas adidos culturais abrirão as embaixadas brasileiras, nas principais capitais do mundo, para apresentar a desconhecida Poesia Brasileira, recitada por participantes do programa BBBrazil e a mulata Globeleza 2014, eleita em concorrido concurso de bundas.

Os jornalões brasileiros não beneficiados pelo esquema de distribuição de verbas, estão criticando a exclusividade da  Globo, e exigindo que deveriam ter sido convidados os principais poetas, e sugeriram os nomes de Adélia Prado, Ferreira Gullar, Claudia Roquette-Pinto, Talis Andrade e Olga Savary.

Nota: Para tudo que existe dia internacional, o Brasil cria um dia nacional.

Dias e Semanas Internacionais

  • 1 a 7 de fevereiro – Semana Mundial da Harmonia Inter-religiosa
  • 6 de fevereiro – Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina
  • 13 de fevereiro – Dia Mundial do Rádio
  • 20 de fevereiro – Dia Mundial da Justiça Social
  • 21 de fevereiro – Dia Internacional da Língua Materna
  • 8 de março – Dia Internacional da Mulher
  • 20 de março – Dia lnternacional da Felicidade
  • 21 de março – Dia lnternacional para a Eliminação da Discriminação Racial
  • 21 de março – Dia Mundial da Síndrome de Down
  • 21 de março – Dia Internacional das Florestas e da Árvore
  • 21 de março – Dia Mundial da Poesia
  • 22 de março – Dia Mundial da Água
  • 21 a 28 de março – Semana de Solidariedade corn os Povos em Luta contra o Racismo e a Discriminação Racial
  • 24 de março – Dia Internacional para o Direito à Verdade para as Vítimas de Graves Violações dos Direitos Humanos
  • 25 de março – Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos
  • 2 de abril – Dia Mundial de Sensibilização para o Autismo
  • 4 de abril – Dia Internacional de Sensibilização sobre Minas e Assistência à Desminagem
  • 6 de abril – Dia Internacional do Esporte para Desenvolvimento e Paz
  • 7 de abril – Dia Mundial da Saúde
  • 7 de abril – Dia Internacional para Reflexão do Genocídio de 1994 em Ruanda
  • 22 de abril – Dia Internacional da Mãe Terra
  • 23 de abril – Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor
  • 29 de abril – Dia em Memória de todas as Vítimas de Armas Químicas
  • 3 de maio – Dia Mundial da Liberdade de lmprensa
  • 15 de maio – Dia lnternacional das Famílias
  • 17 de maio – Dia Mundial das Telecomunicações
  • 17 de maio – Dia Mundial da Sociedade da Informação
  • 21 de maio – Dia Mundial para a Diversidade Cultural e para o Diálogo e o Desenvolvimento
  • 22 de maio – Dia Internacional para a Diversidade Biológica
  • 25 de maio – Semana de Solidariedade com os Povos sem Governo Próprio
  • 29 de maio – Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz
  • 4 de junho – Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão
  • 5 de junho – Dia Mundial do Meio Ambiente
  • 8 de junho – Dia Mundial dos Oceanos
  • 12 de junho – Dia Mundial contra o Trabalho Infantil
  • 15 de junho – Dia Mundial da Conscientização Contra o Abuso de Idosos
  • 17 de junho – Dia Mundial de Combate à Desertifição e à Seca
  • 20 de junho – Dia Mundial dos Refugiados
  • 26 de junho – Dia Internacional em Apoio às Vítimas de Tortura
  • 11 de julho – Dia Mundial da População
  • 30 de julho – Dia Internacional da Amizade
  • 9 de agosto – Dia Internacional dos Povos Indígenas
  • 12 de agosto – Dia Internacional da Juventude
  • 19 de agosto – Dia Mundial da Ação Humanitária
  • 23 de agosto – Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e sua Abolição
  • 29 de agosto – Dia Internacional contra Testes Nucleares
  • 30 de agosto – Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados
  • 5 de setembro – Dia Internacional da Caridade
  • 8 de setembro – Dia Internacional da Alfabetização
  • 15 de setembro – Dia Internacional da Democracia
  • 16 de setembro – Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio
  • 21 de setembro – Dia lnternacional da Paz
  • 23 de setembro – Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças
  • 1º de outubro – Dia Internacional das Pessoas Idosas
  • 2 de outubro – Dia Internacional da Não Violência
  • 1ª segunda-feira de outubro – Dia Mundial do Habitat
  • 4 a 10 de outubro – Semana Mundial do Espaço Sideral
  • 5 de outubro – Dia Mundial dos Professores
  • 10 de outubro – Dia Mundial da Saúde Mental
  • 11 de outubro – Dia Internacional das Meninas
  • 13 de outubro – Dia Internacional para a Redução de Desastre
  • 13 de outubro – Dia Mundial da Visão
  • 15 de outubro – Dia Internacional das Mulheres Rurais
  • 16 de outubro – Dia Mundial da Alimentação
  • 17 de outubro – Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza
  • 20 de outubro – Dia Mundial da Estatística
  • 24 de outubro – Dia Mundial do Desenvolvimento da Informação
  • 24 a 31 de outubro – Semana do Desarmamento/Semana Mundial da Paz
  • 6 de novembro – Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de Guerra e Conflito Armado
  • Semana de 11 de novembro – Semana Internacional da Ciência e da Paz
  • 14 de novembro – Dia Mundial da Diabetes
  • 16 de novembro – Dia Internacional para a Tolerância
  • 17 de novembro – Dia Mundial da Filosofia
  • 20 de novembro – Dia em Memória das Vítimas de Acidentes de Trânsito e seus Familiares
  • 20 de novembro – Dia da Industrialização da África
  • 20 de novembro – Dia Universal da Criança
  • 21 de novembro – Dia Mundial da Televisão
  • 25 de novembro – Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher
  • 29 de novembro – Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina
  • 1º de dezembro – Dia Mundial da Aids
  • 2 de dezembro – Dia Internacional para a Abolição da Escravatura
  • 3 de dezembro – Dia lnternacional das Pessoas com Deficiência
  • 5 de dezembro – Dia Internacional do Voluntário
  • 9 de dezembro – Dia Internacional contra a Corrupção
  • 10 de dezembro – Dia dos Direitos Humanos
  • 11 de dezembro – Dia Internacional das Montanhas
  • 18 de dezembro – Dia Internacional dos Migrantes
  • 19 de dezembro – Dia Mundial do Banheiro
  • 20 de dezembro – Dia Internacional da Solidariedade Humana

O Brasil festeja: Fernando Tordo está residindo no Recife

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Está no Brasil Fernando Tordo, que escolheu a cidade do Recife para residir. Que seja bem-vindo. É uma presença que enobrece Pernambuco.

In Wikipédia: Fernando Travassos Tordo é um cantor e compositor português. Compôs algumas das músicas mais emblemáticas do cancioneiro da língua portuguesa com o poeta José Carlos Ary dos Santos entre elas “Tourada”, “Estrela da Tarde”, “Lisboa Menina e Moça”, “Cavalo à Solta”, “Balada para os Nossos Filhos” e “O Amigo que eu canto”. Os seus temas são cantados por intérpretes como Carlos do Carmo, Mariza, Carminho, Amor Electro, Simone de Oliveira entre outros. Venceu também o Festival RTP da Canção em 1973 com “Tourada” e em 1977 com “Portugal no Coração”. É considerado uma figura tutelar da música Portuguesa pela extensão e originalidade da sua obra.

Tordo começou a cantar aos 16 anos, passou pelos Deltons e pelos Sheiks, em 1968, na sua parte final. onde substituiu Carlos Mendes. Participou no Festival RTP da Canção de 1969 onde interpretou o tema “Cantiga”. Nesse mesmo festival conheceu o poeta Ary dos Santos. Foi um dos vencedores do Prémio Casa da Imprensa como cançonetista e compositor (“pela riqueza harmónica, melódica e rítmica dos trabalhos gravados em disco”).

Em cerca de 38 anos de carreira, Tordo editou 28 discos, fez milhares de espectáculos, manteve-se fiel a um estilo e conseguiu sucessos que perduram.

Alguns dos seus temas mais conhecidos são “O café” (Tordo/Ary dos Santos), “Tourada” (Tordo/Ary dos Santos), “Cavalo à solta” (Tordo/Ary dos Santos), “Balada para nossos filhos” (Tordo/Ary dos Santos), “Estrela da tarde” (Tordo/Ary dos Santos), “Novo fado alegre” (Tordo/Ary dos Santos), “Adeus Tristeza” (Tordo), “O rato roeu a rolha” (Tordo), “Açores a cores” ” (Tordo), “O dia do mar” (Tordo), “O meu bairro” (Tordo), “Cinema Paraíso” (Tordo), “Chegam palavras” (Tordo), O homem do jazz” (Tordo) e “Em Timor” (Tordo/João Balula Cid). Leia mais

 

“Dios no murió. Se transformó en dinero”

Entrevista a Giorgio Agamben

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Traducido para Rebelión por Susana Merino
Piero Guccioni

Piero Guccioni

Giorgio Agamben es uno de los más grandes filósofos vivos. Amigo de Pasolini y de Heidegger, es según el Times y Le Monde uno de los diez cerebros más importantes del mundo. Por segundo año consecutivo ha permanecido en Sicilia durante un largo período de vacaciones.

El gobierno de Monti invoca la crisis y el estado de necesidad y parece ser el único camino de salida tanto de la catástrofe financiera como de las indecentes formas que ha tomado el poder en Italia, ¿el enfoque de Monti sería la única salida o podría convertirse contrariamente en un pretexto para imponer serias limitaciones a las libertades democráticas?

“Crisis” y “economía” no se usan hoy en día como conceptos sino como palabras de orden que sirven para imponer y obligar a aceptar medidas y restricciones que la gente no tendría porqué aceptar. “Crisis” significa hoy ¡debes obedecer!” Creo que es muy evidente para todos que la llamada “crisis” viene durando decenios y no es otra cosa que la normalidad con que funciona el capitalismo de nuestro tiempo. Un funcionamiento que no tiene nada de racional.

Para comprender lo que está sucediendo, hay que interpretar al pié de la letra la idea de Walter Benjamin según la cual el capitalismo es ciertamente una religión, es la más feroz, implacable e irracional religión que haya existido jamás porque no conoce ni tregua ni redención. En su nombre se celebra un culto permanente cuya liturgia es el trabajo y su objeto el dinero. Dios no ha muerto, se ha convertido en dinero. La Banca con sus grises funcionarios y sus expertos – ha ocupado el lugar de la iglesia y de sus curas y gobernando el crédito (incluso los créditos estatales, que han abdicado fácilmente su soberanía) manipula y administra la fe – la escasa e incierta fe – que aún le queda a nuestro tiempo. Por otra parte que el capitalismo sea hoy en día una religión, nada lo muestra mejor que el título aparecido en un gran diario nacional hace pocos días: “salvar al Euro a cualquier precio” Ya “salvar” es un concepto religioso pero ¿qué significa “a cualquier precio”? ¿Aún al costo de sacrificar vidas humanas? Solo en una perspectiva religiosa (o mejor dicho seudoreligiosa) se pueden hacer afirmaciones tan paletamente absurdas e inhumanas.

La crisis económica que amenaza con convulsionar a buena parte de los estados europeos ¿se puede generalizar como una crisis de toda la modernidad?

La crisis que está atravesando Europa no tiene que ver tanto con un problema económico como se quiere hacer creer sino ante todo una crisis de la relación con el pasado. El conocimiento del pasado es el único camino de acceso al presente. Es buscando entender el presente que los hombres – por lo menos los europeos – se sienten obligados a interrogar al pasado. He precisado “nosotros los europeos” porque me parece, admitiendo que la palabra Europa tenga sentido, como parece hoy en día evidente, ese sentido no puede ser ni político, ni religioso y tanto menos económico pero consiste en que el hombre europeo – a diferencia por ejemplo de los asiáticos y de los americanos, para quienes la historia y el pasado tienen un significado totalmente diferente – puede acceder a su verdad solamente a través de una confrontación con el pasado, solo haciendo cuentas con su historia. El pasado no es tan solo un patrimonio de bienes y de tradiciones, de recuerdos y saberes sino sobre todo un componente antropológico esencial del hombre europeo, que puede acceder al presente solo mirando lo que le ha ido sucediendo. De la especial relación que tienen los países europeos (Italia y desde luego Sicilia son desde este punto de vista ejemplares) con sus ciudades, con sus obras de arte, con su paisaje: no se trata de conservar bienes más o menos valiosos, pero exteriores y accesibles: esta es en cuestión la verdadera realidad europea, su indiscutible supervivencia. Por eso destruyendo el paisaje italiano con el hormigón de las autopistas y la alta velocidad, los especuladores no se privan de ganar pero destruyen nuestra propia identidad. La misma expresión “bienes culturales” es engañosa, porque sugiere que se trata de unos bienes entre otros, que pueden ser aprovechados económicamente y hasta vendidos, como si se pudiera liquidar y poner en venta la propia identidad.

Hace muchos años un filósofo que era además un alto funcionario de la naciente Europa, Alexandre Kojève sostenía que el homo sapiens había llegado al final de su historia y que no tenía ante sí más que dos posibilidades: el acceso a una animalidad posthistórica (encarnado en la american way of life) o el esnobismo (encarnado de los japoneses) que continuan celebrando su ceremonia del té, vacías pero con un significado histórico. Entre unos EEUU integralmente reanimalizados y un Japón que se mantiene humano solo a través de renunciar a todo contenido histórico, Europa podría ofrecer la alternativa de una cultura que se mantiene humana y vital aún después del fin de la historia, porque es capaz de enfrentarse a su propia historia en su totalidad para desde allí alcanzar una nueva vida.

Su obra más destacada Homo Sacer investiga sobre la relación del poder político y la nuda vida y pone en evidencia las dificultades presentes en ambos términos, ¿Cuál es el punto de posible intermediación entre ambos polos?

Lo que me han demostrado mis investigaciones es que el poder soberano se fundamenta desde sus comienzos en la separación entre nuda vida (la vida biológica que en Grecia tenía lugar en la casa) y la vida políticamente calificada (que se desarrollaba en la ciudad). La nuda vida se halla excluida de la política y al mismo tiempo incluida y capturada por la propia exclusión: en este sentido la nuda vida es el fundamento negativo del poder. Esta separación alcanza su forma extrema en la biopolítica moderna. Lo que sucedió en los estados totalitarios del novecientos y que es el poder (ya sea a través de la ciencia) que decide en última instancia qué es una vida humana y qué no lo es. Por el contrario sucede que se piensa en una política de las formas vitales, es decir en una vida que no pueda separarse de su forma, es decir que nunca más sea nuda vida.

El fastidio, por usar un eufemismo, con que el hombre común enfrenta a la política ¿está vinculado a las específicas condiciones italianas o es de algún modo inevitable?

Creo que hoy estamos frente a un fenómeno nuevo que va más allá del desencanto y de la recíproca desconfianza entre los ciudadanos y el poder y que abarca todo el planeta. Lo que se está produciendo es una transformación radical de las categorías con las que estábamos acostumbrados a pensar la política. El nuevo orden del poder mundial se basa en un modelo de gobernabilidad que se define democrático, pero que nada tiene que ver con lo que este término significaba en Atenas. Que este modelo sea, desde el punto de vista del poder, más económico y funcional lo prueba el que haya sido adoptado hasta por los regímenes que hasta no hace muchos años eran dictaduras. Es mucho más fácil manipular la opinión de la gente a través de los medios y la televisión que tener que imponer permanentemente cada decisión por medio de la violencia. Las formas políticas que conocíamos – el estado nacional, la soberanía, la participación democrática, los partidos políticos, el derecho internacional – han llegado al final de su historia. Permanecen en la vida como formas vacuas, pero la política actual tiene la forma de una “economía” es decir un gobierno de las cosas y de los hombres. Lo que nos resta es pensar integramente, desde el principio lo que hasta ahora hemos definido con la expresión, por otra parte poco clara, de “vida política”

El estado de excepción que usted ha vinculado al concepto de soberanía parece asumir hoy en día el carácter de normalidad, pero los ciudadanos permanecen perdidos ante la incertidumbre en la que viven cotidianamente ¿es posible atenuar esta sensación?

Vivimos desde hace décadas en un estado de excepción, que se ha convertido en regla, como sucede en la economía, la crisis es la condición normal. El estado de excepción que debería hallarse limitado en el tiempo – es en cambio hoy el modelo normal de gobierno y esto en los mismos estados que se llaman democráticos. Pocos saben que las normas de seguridad introducidas luego del 11 de setiembre (en Italia ya habían sido establecidas durante los años de plomo) son peores que las vigentes durante el fascismo. Y los crímenes contra la humanidad cometidos durante el nazismo fueron posibles debido al hecho de que Hitler había asumido el poder y proclamado un estado de excepción que nunca fue revocado. Y él sin embargo no tenía las mismas posibilidades de control (datos biométricos, telecámaras, celulares, tarjetas de crédito) propias de los estados contemporáneos. Se diría que hoy el Estado considera que cada ciudadano es un terrorista virtual. Esto no hace otra cosa que deteriorar y volver imposible la participación en la política que debe definir a la democracia, Una ciudad cuyas plazas y cuyas calles están controladas mediante telecámaras no puede ser un lugar público: es una cárcel.

¿Podemos plantearle una pregunta sobre la conferencia que pronunció en Sicilia? Algunos han llegado a la conclusión de que ha sido un homenaje a Piero Guccioni, a una amistad de tanto tiempo, otros han visto una orientación de cómo huir del jaque mate al que se halla encadenado el arte contemporáneo

Piero Guccioni

Piero Guccioni

Es verdad se trataba de un homenaje a Piero Guccioni y a Scicli, una pequeña ciudad en la que residen algunos de los más importantes pintores vivos. La situación del arte es actual y posiblemente el mejor lugar para comprender la crisis de la relación con el pasado del que hemos hablado. El único lugar en donde puede vivir el pasado es el presente y si el presente deja de sentir vivo al propio pasado, el museo y el arte, que son las figuras eminentes de aquel pasado se convierten en lugares problemáticos. En una sociedad que ya no sabe qué hacer con su pasado, el arte se encuentra atrapado entre el Escila del museo y el Caribdis de la mercantilización (1) Y a menudo como en los templos del absurdo como lo son los museos de arte contemporáneo, ambas cosas coinciden. Duchamp ha sido probablemente el primero en darse cuenta del callejón sin salida en que se había encerrado el arte. ¿Qué es lo que inventa Duchamp con el ready-made? Toma cualquier objeto usual por ejemplo un urinario e introduciéndolo en un museo lo obliga a presentarse como una obra de arte. Naturalmente – luego del breve instante en que dura el efecto de la extrañeza y de la sorpresa – en realidad nada agrega a su presencia: no la obra porque se trata de un objeto usual, cualquier objeto producido industrialmente, ni la obra artística por no existe en modo alguno “poiesis”, producción – y menos aún artista, sino que como filósofo o crítico o como amaba decir Duchamp, “uno que respira” un simple ser vivo. En todo caso es cierto que él no pretendía producir una obra de arte sino desbloquear el camino del arte, encerrado entre el museo y la mercantilización. Como sabéis lo que sucedió en cambio es que una clase, aún activa, de hábiles especuladores transformó el ready-made en obra de arte. Y el llamado arte contemporáneo no hace sino repetir el gesto de Duchamp llenando de no-obras y de performances a los museos que no son otra cosa que órganos del mercado destinados a acelerar la circulación de mercaderías que como el dinero, han llegado a un estado de liquidez y quieren seguir valiendo como obras. Esta es la contradicción del arte contemporáneo: abolir la obra y además pretender un precio.

1) N.de T. Escila y Caribdis son dos monstruos marinos de la mitología griega situados en orillas opuestas de un estrecho canal de agua, tan cerca que los marineros intentando evitar a Caribdis pasarían muy cerca de Escila y viceversa.

NIERIKA, danza, música, poesía, visiones producidas a través de la ingestión del cactus sagrado (vídeo)

NIERIKA. Esta obra, ha sido inspirada en lo que para los wixaritari de México, significa “nierika”:

“Entre los Wixaritari, las visiones que se obtienen a través de los sueños son llamadas “NIERIKA” ya que junto con las visiones producidas a través de la ingestión del cactus sagrado, son una fuente de visiones del mundo sobrenatural donde se encuentran los antepasados.

Nierika significa la habilidad para mirar el mundo espiritual, el ojo de su alma” (Mariana Fresan Jiménez).

En medio de un ambiente onírico ELLA, el espacio y Él, el tiempo, ofician, para develar la memoria, por medio de las máscaras, la música, el canto, la danza y las palabras.
A través del acto ensoñado, que convoca al NIERIKA (El don de ver), esta obra es un homenaje al maíz, y a los cuatro elementos que conforman la vida: la tierra, el fuego, el agua, el aire.

Vídeo. Teatro Itinerante del Sol, Colombia. Dirige Beatrice Camargo.

Primer encuentro latinoamericano de danza butoh en Quito (vídeo Tania Galindo, Serpiente)

La danza, una necesidad de

provocación al sistema

Danza butoh. La mexicana Tania Galindo habla sobre la necesidad de rescatar sus orígenes a través del biodrama

 Conocí al maestro Diego Piñol, él me incentivó.

 Lo encontré cuando estaba abriendo su centro de butoh ritual mexicano  y cuando conocí este tipo de danza me quedé sorprendida, y desde el primer momento supe que eso era lo que quería hacer. Con el butoh encontré un espacio que estaba ahí para que pueda expresarme, yo no había podido expresar este tipo de danza antes, y se terminó convirtiendo en una búsqueda y una investigación también de nuestros orígenes; para mí el butoh siempre será una cosa movible, una cosa de búsqueda, que ayuda a un espíritu libre, y me llamó la atención esa conexión con los orígenes; por ejemplo soy una persona urbana y siempre he tenido ganas de volver, de retornar y aprender más de nuestras culturas indígenas. La pregunta era cómo encontrar esa relación, cómo empezar a trabajar y partí del butoh.

¿Qué significa para ti la danza?

Para mí lo es todo, es un universo que tiene que ver con un espacio sagrado, de reflexión, una búsqueda, un momento a solas para vaciarse. Si bien cuando yo voy a hacer una obra me inspiro a partir de cierto tema que yo quiera trabajar, investigo, leo mucho, veo pinturas, todo lo que me pueda llenar respecto a un tema y sobre eso creo una cierta telaraña, me pongo en medio de esa telaraña que está formada por partes; y la literatura es parte de esa telaraña, otro punto es el trabajo a nivel corporal, otro los elementos que uso, y cuando estoy en el escenario estoy en el momento cero.

¿Qué es lo que se representa en tu muestra artística “Serpiente”?

Es una metáfora de la muerte, la vida y la regeneración; esta forma de cambiar de piel, pero también esta inspiración latinoamericana de que hay muchos mitos con la serpiente y está profundamente conectada a la tierra. Y esta serpiente es de plástico, ya que cuando empecé a hacer butoh se expresaba esa necesidad de conectarse con el árbol, con la montaña, entonces cuando volví a la ciudad de México lo que veía era basura y hay un motivo ahí muy importante para mí, que fue tomar lo inorgánico de lo que es la basura, el plástico que parecía que no era usable sino que corresponde a cualquier desecho.

Todos esos recursos permitieron que me preguntara cómo usarlos, cómo integrarlos a la tierra y he sentido siempre que no podemos sacarle más a la tierra, que todo lo que le hemos sacado es lo que tendríamos que estar utilizando, ya que el plástico se vuelve basura cuando ya no le damos ningún uso y por tanto es como una metáfora del estilo de vida que tenemos ahora, como de pronto las cosas no sirven, las desechamos, es como cambiar ese sentido que se tiene de las relaciones con la naturaleza, con nuestra parte originaria. Eso muestro con Serpiente. (Vídeo) 

yo propondría que en las escuelas y colegios se priorizara la expresión corporal en vez de la educación física o a la par porque siento que la educación del cuerpo es una forma de dotar libertad para este tipo de expresiones.

Por ejemplo en Colombia hay un maestro, Álvaro Restrepo, quien a partir de su proyecto “Mi casa es mi cuerpo” ha enseñado a los niños de las favelas, de los sectores pobres, a través del cuerpo sobre los derechos humanos, por ejemplo nadie te toca si tú no quieres o alimentarte bien para que tu cuerpo sea un conjunto, un templo de sanación.

Y hay algo muy importante, y es que la danza podría abordar otros aspectos de la vida cotidiana: la liberación, el encuentro como un desarrollo social.

Tengo entendido que eres una investigadora del biodrama, ¿qué significa eso, qué tratas con este proyecto?

El biodrama es un arte que inventó Beatriz Camargo, una artista colombiana que lleva 40 años en las artes escénicas, es una investigadora que ha sacrificado su vida para este proyecto. El biodrama quiere decir la trama que se expresa a través del -bios- con  lo que vivo, es decir, es cómo volver a relacionarnos con un árbol, con la montaña, con el agua y en donde llegamos a aprender de nosotros mismos y como también la convivencia del grupo hace posible el tejido.

Entonces el biodrama también recopila varios de los procesos que son diseños de medicinas de culturas Mayas, Maguas, Taoístas. Y partir de eso y de la dramaturgia y de una actuación teatral muy importante se hace esto. Ya en el pasado estuve trabajando seis meses con Beatriz y ahora yo estoy implementándolo y relacionándolo con butoh porque para mí es muy importante conocer las bases latinoamericanas para trabajar a través de esto.

Has hecho ya biodrama, ¿cómo ha reaccionado el público?

El año pasado me gané una beca artística México-Colombia e hicimos una obra que se llama “Con la Lengua en el Cuerpo”. Es una pieza escénica, creada a través del tejido entre el butoh y el biodrama en un intento de reconstrucción de la propia memoria corporal y de la recuperación de la integridad de la mujer.

Inspirados en La Malinche, una mujer indígena, y el español Hernán Cortés, que tuvieron un hijo y esta obra era para mí primero hablar del tema de los feminicidios y reconstruir el cuerpo de lo femenino y el cuerpo de la tierra a través de este personaje, y todo esto a través del biodrama.

En este biodrama está mi representación mestiza; yo como mujer que defiende lo que se le hace al cuerpo de la mujer; es como lo que le haces a la tierra por ejemplo y lo que trato es de poner el tema a debatir.

Nunca he hecho obras para que le guste a la gente, puede ser que les guste o no, pero la necesidad ha sido como una  provocación directa a este sistema con el que en lo personal no estoy de acuerdo, porque siento que se hace una serie de saqueos a la tierra, porque siento que estamos en deuda con las culturas originarias, porque siento que no está bien, así como vemos la vida con unas diferencias económicas gigantescas.

Naufrágio da cultura

Réplica da nau de Cabral

O Ministério da Cultura começou a morrer nos governos militares. E foi enterrado com os presidentes civis, sendo o ministro cantante de excelência Gil o principal coveiro.

Cada estado ceva uma secretaria de Cultura. Idem as grandes e médias cidades. Existem verbas dirigidas nos orçamentos federal, estaduais e municipais. Bem dirigidas para ignorados destinos. E uma máquina cara e lubrificada, que gasta um dinheiro adoidado, e não se sabe bem em quê.

Sei, a cultura oficial investe em mega eventos, quanto mais mega (e brega) mais facilitadas as verbas, com os desvios da grandeza.

Super espetáculos. Um show da dupla Sandy e Júnior custou meio milhão à Prefeitura do Recife.

Grandiosas produções de filmes jamais exibidos. Luxuosos stands em festivais internacionais de música e tv e cine, e feiras de livros.

Tudo na moita. Uma cultura Titanic, igual à réplica do navio de Pedro Álvares Cabral, nas comemorações da conquista portuguesa, festança realizada em Porto Seguro, no ano 2000. Um navio fantasma. Um fantasma que não flutua.

Um navio que os mágicos fizeram desaparecer com toda a dinheirama que havia nele. Dinheiro jogado no mar. No fundo do mar. E o ladrão, o pirata da façanha tem nome desconhecido.

Mágica com dinheiro faz parte da cultura brasileira do eu sozinho, apesar de centenas de promotores culturais mamando nas tetas das burras. O Brasil de um único romancista, de um único compositor, de um único arquiteto, de um único pintor…