“Até no inferno!”

Contribuição de leitora do Blog da KikaCastro

O texto abaixo foi enviado pela leitora Sue Amado, professora de inglês de 49 anos de idade. Ela é nascida na Guiné-Bissau, país da África Ocidental, e hoje mora em Tomar, cidade do distrito de Santarém, em Portugal (Fiquei muito feliz ao saber que este blog é lido de tão longe!). Ela já tem quatro livros publicados e, neste ano, vai publicar mais um, já em fase de revisão. Quem gostar de seu estilo pode ler outros contos dela em seu blog.

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Agora, vamos ao conto da Sue:

Quadro “Der Kuss” (O Beijo), de Gustav Klimt, feito entre 1907-1908.

Quadro “Der Kuss” (O Beijo), de Gustav Klimt, feito entre 1907-1908.

“Sempre disse que daria tudo para ter quem me seguisse, quem não soubesse viver se eu não estivesse por perto, alguém que sentisse as minhas palavras, tão fundo, que todas as outras fossem apenas o que se precisa de usar para nos juntarmos ao resto do mundo. Daria tudo para saber de quem pousasse um olhar fixo em mim, e que conseguisse auscultar-me por dentro. Um corpo no qual me encostasse para que todas as dores do mundo se subtraíssem, ter quem planeasse ver-me, nos mesmos lugares, até que os nossos corpos se recusassem obedecer-nos, mas que deixasse de importar, porque estaríamos a envelhecer juntos.

Gostava de poder mostrar, sentir e viver, um amor que me fizesse mergulhar nos mesmos mares dos quais tenho medo de morte, talvez por já ter morrido em algum, um amor que me levasse a perdoar cada falha, com receio de falhar também eu, e a ponto de perder quem realmente importasse.

Gostava de te poder dizer, todos os dias, tal como o sinto agora, que por ti me superaria, iria até onde fosse preciso para ser a pessoa que visualizasses em cada pedaço do teu futuro. Eu sei que da forma como te amo me faria ser amada de volta, e que se te perdesse procurar-te-ia, iria até no inferno, ao lugar de onde dizem nenhuma alma ter jamais saído, e te traria de volta, para que estivesses do lado de quem te respira e sabe como se te entrar dentro.

Nada, nem ninguém, nos roubaria um segundo que fosse, a mais do que aqueles que já teriam que nos arrastar para longe um do outro, porque viver tem, infelizmente, outras nuances e estar contigo e em ti, nunca poderá ser sempre e para sempre, mas seria intenso, sentido e desejado, tanto que não precisaria de te dizer o que escrevo agora, porque já o saberias, já me teria encarregado eu de te o provar.

Vou aprendendo a tranquilizar-me, a saber esperar, porque agora, mais do que ontem, sei que te terei outra vez, que te reconhecerei em qualquer outra vida, mesmo que o duvides, mas acredita que se te tiraria até do inferno, então também te conseguiria encontrar, em qualquer rua de um novo destino, na hora certa, naquela em que passarias tu para que te visse realmente!”

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Reencontro com Berilo

por Woden Madruga

 

Berilo Wanderley

Berilo Wanderley

Manhã de hoje, um sábado promissor, é para se bater o ponto na calçada do Sebo Vermelho. Abimael Silva abre o cerimonial a partir das 9 horas para o lançamento de “Literatura RN – Livros Selecionados”, de Anchieta Fernandes. Trata-se, gente, do quatro centésimo livro publicado pelo Sebo Vermelho, um recorde nacional! Integra a Coleção João Nicodemos (primeiro sebista natalense) e que foi iniciada, 25 anos atrás, exatamente com um outro livro do mesmo Anchieta Fernandes, “Ecran Natalense”. Mais outro motivo para que, na calçada famosa da avenida Rio Branco, Abimael solte todos os foguetões caracaxás e espoque as garrafas de champanhe de sua adega.

Anchieta Fernandes reuniu neste seu livro 33 crônicas que foram publicadas no “Jornalzinho do Sebo Vermelho” aí pelo final dos anos 90 fazendo crítica literária em torno de obras de autores do Rio Grande do Norte. Crítica leve, palatável, sotaque jornalístico, sem preocupação com as teorias literárias acadêmicas. Pelo seu crivo passam alguns dos mais importantes escritores potiguares, começando por Luís da Câmara Cascudo. Ao lado do historiador e antropólogo, por exemplo, o poeta Jorge Fernandes, com o seu “O livro de poemas”, José Bezerra Gomes (“Os Brutos”), Homero Homem (“Cabra das Rocas”), Nei Leandro de Castro (“O Dia das Moscas”), Eulício Farias de Lacerda (“As Filhas do Arco-Íris”), Newton Navarro (“Os Mortos são Estrangeiros”), Zila Mamede (“Navegos”), Raimundo Nonato da Silva (“Quarteirão da Fome”), Américo de Oliveira Costa (“A Biblioteca e seus Habitantes”), Moacy Cirne (A Poesia e o Poema do Rio Grande do Norte”).

Cascudo se faz presente com três livros: “Dicionário Folclórico do Rio Grande do Norte”, “História da Cidade do Natal” e “Canto do Muro”. Djalma Maranhão também foi selecionado por Anchieta. O jornalista e o ex-prefeito de Natal está lá com “Cartas de um Exilado” que foram escritas em Montevideo, Uruguai, entre os anos de 1964 e 1971. Sobre o livro de Djalma Maranhão, Anchieta Fernandes anotou:

“Eu falei que podem existir cartas de beleza literária. Pois bem, em Djalma Maranhão, além de numa das vezes assumir a forma poética numa das cartas (inclusive com versos devidamente rimados – como foi o caso da carta destinada a Jacyra, esposa do desembargador João Maria Furtado, a datada de 12-01-70), o tom poético aparece desde o início, adoçando a sua tragédia política: ‘como um peregrino, continuo andando, sendo levado como as folhas que o vento arranca das árvores e voam sem destino’”

Outro livro acolhido por Anchieta Fernandes foi “O Menino e o seu Pai Caçador”, de Berilo Wanderley, publicado em 1980 pela Fundação José Augusto em parceria com a editora Clima. Anchieta abre o seu comentário, assim:

“Um dos melhores cronistas de jornal do nosso Estado foi Berilo Wanderley. Somada à sua participação como crítico de cinema competente, deu no que deu: páginas das mais inteligentes com que o leitor foi premiado. Escreveu principalmente em três jornais natalenses – Tribuna do Norte, Diário de Natal e A República, fazendo parte da época de ouro em que pontificaram outros cronistas de peso, um Newton Navarro, um Sanderson Negreiros, um Afrânio Pires Lemos (…) O que define a presença do cronista Berilo Wanderley no jornalismo natalense (desde aquele dia 13/09/1956, quando começou na Tribuna do Norte) é a sina da consciência social ao lirismo boêmio que acredita no amor e na bondade humana, testemunhando madrugadas e luares, se solidarizando com bêbados e namorados, contestando as matreirices dos políticos.”

O Canto do Cisne

Vou à estante e pego o “O Menino e seu Pai Caçador”. Passo as páginas, vou lendo devagar repassando na memória uma amizade de quase trinta anos, que começou nas esquinas do Grande Ponto e se consolidou no dia a dia das redações dos jornais, na Faculdade de Direito da velha Ribeira, nas conversas dos bares, a doce boemia, incluindo nesse meio tempo a temporada de ano e um dia como recrutas do Exército, os planos e os sonhos da província. Berilo morreu moço, aos45 anos de idade. Lá se vão 35 anos.

O menino

Releio agora sua crônica, “O Canto do Cisne”, com a qual brindo os leitores desta coluna e transcrevo-a numa homenagem ao poeta que gostava de assobiar os chorinhos de Pixinguinha e os sambas de Noel:

O Bar e Confeitaria Cisne, uma tradição e uma legenda na vida boêmia e na paisagem humana de Natal, fechou suas portas. Definitivamente. Apagaram-se as suas luzes foscas, como um palco que desce a cortina ao fim do último ato. Só faltou virem ao proscênio os irmãos Miranda – Múcio, Ademar e Rossini – para receber as palmas dos últimos boêmios, remanescentes de uma confraria fraterna que povoou, durante trinta anos, aquele espaço, proseando e tomando cerveja, alegrando o coração, esquecendo mágoas, que, como as águas passadas, não movem moinho de ninguém.

A confeitaria enfeitava a fachada. Os três Miranda se desmanchando em cortesia e frase bonitas, no atendimento às senhoras e às crianças que chegavam à procura de doces, caramelos e salames. No segundo estágio do estabelecimento, vinha o bar, em contraponto. Onde se movimentaram as figuras joviais de Luizinho Doublecheque, Albimar Marinho, maestro Alcides Cicco, Newton Navarro ainda o artista quando jovem, o poeta Evaristo de Souza. Quase todos são fantasmas a sobrevoar a solidão do espaço vazio, neste final de abril, cantando um réquiem para o Bar Cisne.

Zé Américo, o garçom bojudo e cordial, se desmanchando para a clientela que era como que sua família, sentando, vez em quando, na mesa, de um ou de outro, para tomar um solidário copo de cerveja. O maestro Cicco chegava, voz de tenor, pedia uma champanha, e esnobava, triunfalmente. Albimar Marinho repetia um trecho de fandango, que sabia de cor, como os passos que encenava através das mesas. E havia o freguês que, vez em quando, rompia de dentro do jipe de aluguel (era o início dos anos 50), pagava adiantado a “corrida” até a sua casa ao chofer conhecido, entrava no bar e embriagava-se de frisante.

Depois que se foram, vai agora o Bar Cisne. Vai ceder lugar ao que chamam de progresso, isto é, um bloco de cimento armado com vigas de ferro que dará muito dinheiro ao dono do chão. Os irmãos Miranda não vão abrir outro bar em parte alguma, para que o Cisne, cheio de saudade, nunca mais cante, nem sozinho nade, nem nade nunca ao lado de outro cisne.

O velho Bar Savoy

por Murilo Guerra

 

Juarez Machado

Juarez Machado

São trinta copos de chope, são trinta homens sentados, trezentos desejos presos, trinta mil sonhos frustados, poetava Carlos Pena Filho descrevendo o Bar Savoy, antigo ponto de encontro da boêmia pernambucana, frequentado por poetas, jornalistas, radialistas, cantores, mulheres e homens da noite e desocupados de todo gênero!

Pois é, neste final se semana lembrei do velho Savoy. Conduzido, por uma amiga, conheci o Bar Terraço. Um grande salão coberto de mesas, com decoração de mau gosto. Ao fundo um palco improvisado com um microfone e duas caixas de som. Os frequentadores, em sua maioria profissionais liberais, exibiam certa intimidade com o ambiente, e a mesma cúmplice intimidade entre eles. Todos aparentavam mais de sessenta anos, pareciam frequentar com hábito os sábados cantantes do Terraço. Se não estou enganado, as mulheres eram em maior número do que os homens, uns e outros animados, cantavam, dançavam, bebiam sem cuidado!

Os cantores, boêmios frequentadores do Terraço, se revezavam no palco, cantando canções que iam do frevo pernambucano aos boleros americanos da década de oitenta, invariavelmente acompanhados pelo público desafinado.

Alguém por perto, me chama atenção, para o salão cantante. Prato cheio para o imaginário estético realista de Nelson Rodrigues. Creio que ali não havia casal, todos solteiros ou quase, todos haviam vivido mais da metade de suas vidas!

Alguns exibiam no palco suas frustrações amorosas, outros tantos seus desenganos profissionais. Em grande medida tinham boa voz, eram afinados, faziam pose e trejeitos de domínio de palco.

Não faltava no salão coreografia sensual, com direto a olhos nos olhos. Os mais ousados, se conduziam com certa libertinagem juvenil, ainda que respeitando o ambiente .

Todos pareciam carregar na alegria daquelas horas, as marcas de suas vidas tristes, a solidão , as frustrações, o abandono, sonhos desfeitos, desencontros, enfim, suas vidas gastas.

Sabem que não encontrarão ali mas do que a alegria daqueles momentos, a insanidade lúcida. E isso era tudo !

Não sei, embora os frequentadores não guardem tantas semelhanças, penso que o Terraço cabe nos versos de Carlos Pena Filho, recitados em homenagem tão bem dita, tão definitiva, tão eterna, ao velho Bar Savoy …

 

 

Te pego na curva, com teu vestido. Toda de versos tecida

SIGA O VERSO

por Nei Duclós

nei

Siga o verso que te atinge. Nascido em qualquer fonte, em qualquer dia.
Não são versos nem frases. É só o amor aprendendo a falar.
Navego em teu arrepio a distância. É como se fôssemos grude num barco em movimento.
Olhando em torno, não vejo mais ninguém. A não ser o encontro que ainda não marcamos.
Venho a campo com bandeira. Nela escrevi teu poema.
Ponho na janela os versos que são para ti. Depois mostro a origem, teu rosto em meu espírito.
Me deixas só, depois da leitura. Volto à origem, minha fantasia
Te vejo no colo de alguém. Não consigo te perdoar, abraço de nenhum lugar.
Estavas de tocaia na paisagem deserta. Pisei na flor por acaso. Mas ela grudou na roupa com seu poder de perfume. Agora durmo ouvindo o arrulho que me sopras, ferida.
Toda essa boniteza mela o poema
Leitura muda que vibra. Mexes em redemoinho sobre o poema.
Cama dividida entre acordos precários. Gritas quando atinjo o alvo.
Teu perfil de horizonte exibe colinas de glória. Percorro cada milímetro do que teces no mistério.
Sentes que estamos no mesmo barco, algodão doce em mar sem memória. Juntos agora, na eternidade.
Nada faz sentido, mas que importa? Ouço teus guizos, por pura sorte.
Corpo é o que adivinhas quando me jogo nas nuvens. Sentes o impacto do granizo produzido pelo destino.
Nasci no fim do inverno, quando florescias a distância. Te encontrei tardia, estrela Dalva.
Nada importa, apenas nossa sintonia. O carinho e tua graça.Lindaça.

ESTUDEI VOCÊ

Extraí a crua beleza de grutas ocultas além das montanhas. Quis te mostrar, mas me vi em andrajos, com o corpo entregue entre espinhos. Me enviaste a chuva, flor inverossímel, porque me viste pelo espelho que tens entre as palavras.
Fiz canções desarrumadas, que canto nos intervalos do silêncio cultivado em jardins suspensos Seio que me escutas, fada.
Cruzei muitas vidas sem encontrar água. Me transformei nas pedras da paisagem. Mas vieste de trem, em plena alvorada.
Comecei uma nova série de trabalhos no ateliê de barro. Faltou alma para algumas esculturas, pássaros que te acompanham e ainda não abriram as asas. Mas teu rosto está pronto, marcado em meu coração de palha.
Estudei você. Mas não me sinto preparado. Acho que repito de ano, matéria de sonho.

ESTROFES

Não precisas de amor
porque tens de sobra
Mas assim mesmo te amo
porque esta é a obra

Pareces de trança, em foto antiga.
Mas são só sardas, em imagens vivas.
Te pego na curva, com teu vestido.
Toda de versos tecida

FRIEZA

Tua frieza não me incomoda mais. Estou livre desse compromisso. Que alívio.
Acumulei tempo, desperdicei vida. Deixei rastro, a poesia.
Digo o que os espíritos me sopram. Qualquer coisa, cobre deles.
Ser marginalizado é um status. É uma maneira cult de ser incluído. Mas ser marginalizado mesmo, sem essa pose, é não dispor de espaço nenhum
Ser ignorado é quando não te incluem nem entre os ignorados.
Impiedade é teu passatempo. Ignoras por esporte. Jogas pesado, sorrindo.

Poesia é liberdade. Inclui a liberdade de não ser poesia?

a amada

FOTOGRAFIAS:

Nei Duclós

+ imagem enviada por Marga Cendon

 

A menina Jasmim perfumando a casa

-flor_de_jasmim

No vôo da Gol, no dia 10 de novembro, com destino para Porto Alegre, conheci Jasmin Amaral, uma menina de 3 ou 4 anos. Viajava com o avô para um transplante de rim, num hospital de Porto Alegre (Santa Casa?). Jasmim não entendia das demoras que existem nessas ocasiões (espera para embarcar, para descer do avião, para esperar as malas, as caixas com os medicamentos, o aparelho de hemodiálise, nada disso) O avô entendia disso tudo e segurava o coração e as ideias em cada mão.

.

Peguei minha pequena bagagem antes e fui ao encontro do meu rumo. Prometi ao avô que rezaria pela Jasmim e que pediria a Deus pela saúde dela, como se eu tivesse alguma autoridade e intimidade com Deus.
_ Jasmim Amaral, Jasmim Amaral. O avô repetiu duas vezes e ficou aliviado.
Quem pensa que eu estive sozinha na Feira do Livro de Porto Alegre, não sabe que entre foto e foto, stand e stand de livros, abraços de amigos e leitores, esse nome virou prece para mim.

.

Hoje, domingo, uma pausa para as perguntas que fazem fila na minha cabeça. O que será da Jasmim e do seu avô? O que será de toda a família de Jasmim? Essas perguntas chamam outras perguntas, o que também é um qualidade de prece. Este domingo tem nome de flor e sobrenome que deriva do amor. E lá vou eu perfumando a casa e renovando o valor de cada coisa que me toca. Tudo é jasmim e tudo é amaral.

De amor

 

Por Evelyne Furtado

 

Amar o próximo como a nós mesmos. Amar a humanidade, afinal somos irmãos. Amar o outro é amar a Deus. Eis a divina sabedoria, que nos falta. Nem sempre alcançamos Deus. Nem todos os dias nos amamos.

Não é qualquer um que desperta nossa simpatia. Quanto mais o nosso amor. Contudo, o exercício é salutar. Amemos, ao menos, quem nos está mais próximo, com nossas limitações. Pratiquemos o perdão, a paciência e a compaixão.

Um sorriso espontâneo pode ser o lenitivo para uma alma doente e custa muito pouco. Mas, se mesmo um sorriso for difícil, olhemos com humildade para quem nos estende a mão. Alguém está nos vendo. Quando ao meio dia, em tempo feio, reina a escuridão.

Carta, A Quem Interessar Possa!

por Márcia Cristina Lio Magalhães

  

Dia desses estava conversando com um amigo, Escritor renomado, mas de outro tipo de Literatura, em verdade, Livros Para-Didáticos, e o mesmo me questionou sobre divulgação…

Confesso que eu pensava, estar sozinha com relação à minha opinião sobre divulgação de Poesia no âmbito geral.

Em minha infância mesmo, nunca tive de nenhum professor em sala de aula, incentivo à leitura de nada relativo à isto! O que líamos era tão somente livros de história do Brasil, Geografia, e história geral, mundial. As poucas vezes que fomos incentivados a ler outro tipo de livro, lembro-me já na época do 2º grau, a obrigatoriedade em leitura de José Lins do Rego, José de Alencar, mas tudo por obrigação, não podia ter bons fluidos…
A sorte que eu, sendo filha de pai Professor e mãe Contabilista, fui incentivada desde tenra idade, bem como, todos os meus irmãos, a ler todo o tipo de livro que se possa imaginar…
Comecei com O Meu Pé de Laranja Lima, que meu pai insistia para que eu terminasse logo, para começar outros, como os Romances de Victor Hugo, as Peças de Shakespeare, a filosofia de Platão, Sêneca, Sócrates, e tantos outros que na época, eu bem para falar a verdade, não entendia muito, já que não havia completado nem os 13 anos, e já havia lido, livros de gente grande.
Passados mais de 20 anos, continuo a notar a pouca boa vontade de quem deveria e tem poder para isso, incentivar a leitura de poesia na infância… Nem nas escolas estaduais, tão pouco nas particulares vejo isso acontecer…
Em verdade, sei que há raras exceções, pois tem Professor Super Herói que sozinho e isoladamente, em sala de aula, brinda os pequeninos com a boa literatura poética…
Ainda assim, nesta mesma prosa com meu amigo Escritor, falamos da Mídia atual, que propaga tanta coisa inútil, seja na televisão, no rádio, ou no cinema…
Não se vê por exemplo, uma TV comparecer num Evento de Lançamento de um Novo Escritor de Poemas, tão pouco faz-se propaganda para divulgar, ainda que timidamente o Evento…
Incrível é que o pouco que se ouve falar em poesia, dão mais crédito ao Poeta morto, do que quando o mesmo era vivo… Sei de tantos ótimos Poetas (que não mencionarei o nome) em respeito à sua memória e a sua família, que em vida, não teve os louros do sucesso, nem o aplauso dos ditos “Críticos Literários”… Mas basta-se o morto ser enterrado para virar Mito!
Em verdade meus amigos, minha voz é pequena, diante da grandeza do poder alheio.
Esta carta é só um desabafo, de uma Escritora solitária, que escreve desde os 09 anos, mas que nunca teve incentivo financeiro de nenhum tipo, nem de Editoras, nem de Agentes Literários, nem da poderosa e fria Mídia!
O que gostaria, é que todos tivessem bom senso, e que em posse de nossa VOZ, essa íntima e poderosa, não nos calemos, quando somos bombardeados por tantas notícias deploráveis e por tantas mídias descartáveis, que muitas vezes são o lixo do lixo e que de fato, podemos trocar de canal, não comprar a Revista ou o Jornal, mas lembremos que as crianças, essas formadoras de opinião do futuro, tem olhos e ouvidos muito abertos, e lêem e assistem coisas, sem o discernimento da maturidade, mas com a inteligência e perspicácia únicas, que lhes formarão a síntese de suas escolhas e de seu caráter na posteridade…
Um brinde à poesia, ainda que em goles mínimos, insisto em beber deste néctar… E vos ofereço sempre, através de meus livros… Tim Tim mundo! Eu vivo!