2 poemas de Leo Lobos, o poeta chileno mais querido dos brasileiros

Leo Lobos

Leo Lobos

 

 

Jazz no Parque
lemos o jornal no Jazz no Parque (o hotel de onde nos mudamos), me sinto
aprisionado.
Nos convidaram ao concerto de Peter Salett, e é sem dúvida uma boa ideia
para sair daqui e sair ao passo do estado no qual nos encontramos. Um táxi
móvel nos leva ao Clube que está praticamente tomado, entramos sem
dificuldade com a ajuda dos anjos custódios em meio às luzes cegantes,
tomamos bebidas brancas, escutamos com atenção enquanto mulheres ruivas
são agitadas pela música.

 

Vida noturna na cidade

Saímos daí disparados a seguir rodando
pelo lado escuro da cidade
um grupo de rastas fumam pelas beiras
de um lugar noturno onde esta noite toca um demônio,
quero ir embora, ainda que o cheiro de tranquilidade que aqui se respira
me retenha, comemos verduras que vendem baixo do pórtico de um arranha-céu
onde nos refugiamos da chuva. Um deles recorta fotografias de revistas e pinta
os marcos onde as expõe sobre um pedestal – caixa, outro desenha em um enorme
bloco com grandes traços
inumeráveis imagens difusas.
Queimamos as antigas imagens que tínhamos deles e em pouco
as nossas se fazem cinzas
que o vento
leva.
Tradução Leonardo de Magalhaens

JAZZ ON THE PARK

leemos el diario en Jazz on the Park (el hotel donde nos hemos mudado ), me siento encerrado.

Nos han invitado al concierto de Peter Salett, y es sin duda una buena idea para salir de aquí y salir al paso del estado en el que nos encontramos. Un taxi móvil nos lleva al Club que está prácticamente copado, entramos sin dificultad con la ayuda de los ángeles custodios en medio de luces cegadoras, tomamos bebidas blancas, escuchamos con atención mientras hermosas mujeres rubias son
mecidas por la música.

URBAN NIGHT LIFE

Salimos de ahí disparados a seguir girando
por el lado oscuro de la ciudad
un grupo de rastas fuma en las afueras
de un local nocturno donde esta noche toca un demonio,
quiero irme, aunque el aroma de tranquilidad que aquí se respira me retiene, comemos verduras que ellos venden bajo el pórtico de un rascacielos donde nos refugiamos de la lluvia. Uno de ellos recorta fotografías de revistas y pinta los marcos donde las expone sobre un pedestal – maleta, otro, dibuja en un enorme block a grandes trazos innumerables imágenes difusas.
Quemamos la antigua imagen que teníamos de ellos y de paso
las nuestras se hacen cenizas
que el viento
lleva.

 

Leo Lobos visto pela poetisa Cristiane Grando aqui