Aboio e a pega do boi por Ascenso Ferreira

A PEGA DO BOI
por Ascenso Ferreira

 

A rês tresmalhada
ouviu na quebrada,
soar a toada,
de alguém que aboiou:

— Hô — hô — hô — hô — hô,
Váá!
Meu boi Surubim!
Boi!
Boiato!

E, logo espantada,
sentindo a laçada,
no mato embocou…

Atrás, o vaqueiro,
montando o “Veleiro”
também mergulhou…

Os cascos nas pedras
davam cada risco
que só o corisco
de noite no céu…

Saltaram valados,
subiram oiteiros,
pisaram faxeiros
e mandacarus…

Até que enfim…
No Jatobá
do Catolé,
bem junto a um pé
de oiticoró,
já do Exu
na direção…

— O rabo da bicha reteve na mão!

(Poeiriço danado e dois vultos no chão)

…………………………………

Mas, baixa a poeira,
a res mandingueira
por terra ficou…

E um grito de glória
no espaço vibrou:

— Hô — hô — hô — hô — hô,
Váá!
Meu boi Surubim!
Boi!
Boiato!

 

Ascenso

Ascenso

 

ABOIO DE ASCENSO
por Talis Andrade

.

Delicioso ouvir
Ascenso recitando
Na poesia de Ascenso
o cheiro da terra no cio
a música o ritmo a ginga
o cantar o dançar do povo
o cantochão a poesia em transe
nos improvisos da embolada
do fandango
do coco de roda
e dos maracatus

O vozeirão de Ascenso
agitava as redações
localizadas em local propício
junto às fontes de notícias
Todos os poderes reunidos
em uma promíscua proximidade
Assembléia Legislativa Câmara Municipal
palácios das Princesas e da Justiça
igrejas e casas de meretrício

Deitado em uma imensa rede invisível
armada em uma varanda de ventos alísios
rodeado de mucamas
Ascenso que não era feito de ferro
descansava a malandragem
de jogador de baralho
de tirador de conversa
destilando aguardentia
todos os dias
– Carnavá meu carnavá
tua alegria me consome
chegou o tempo de muié largá os home
chegou o tempo de muié largá os home