Sindicatos alemães lançam manifesto de apoio à Grécia

“A rejeição nas urnas daqueles que foram responsáveis pela política aplicada na Grécia até então é uma decisão democrática que deve ser respeitada a nível europeu”, defendem os representantes dos maiores e mais representativos sindicatos alemães, repudiando “qualquer tentativa de chantagem” sobre o povo grego.

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No documento, os dirigentes sindicais defendem que “a viragem política na Grécia é uma oportunidade, não só para esse país em crise, mas também para uma reavaliação e revisão fundamentais da política económica e social da UE”.

“Voltamos a sublinhar a crítica já expressa noutras ocasiões pelos sindicatos: desde o início, as condições exigidas à Grécia no âmbito do programa de assistência financeira não mereceram a etiqueta ‘reforma’. Os milhares de milhões de euros que têm sido canalizados para a Grécia têm sido utilizados principalmente para estabilizar o setor financeiro. Ao mesmo tempo, o país tem sido mergulhado numa recessão profunda por cortes brutais nas despesas do governo que, ao mesmo tempo, transformaram a Grécia no país mais endividado de toda a UE”, referem os signatários.

Segundo os representantes dos maiores e mais representativos sindicatos alemães, as consequências estão à vista, estando o país mergulhado numa “crise social e humanitária sem precedentes na Europa”.

A vitória do Syriza é “um veredicto devastador sobre esta política fracassada”

No documento, é assinalado que “o novo governo grego está a ser desafiado a elaborar os seus próprios planos de reconstrução e desenvolvimento, que têm de tornar-se parte de um ‘Plano Europeu de Investimento’, tal como tem sido exigido pelos sindicatos, e de criar as condições em que esses planos podem dar frutos”.

Os sindicalistas defendem ainda que devem ser promovidas “negociações sérias com o novo governo grego”, repudiando “qualquer tentativa de chantagem”.

“A rejeição nas urnas daqueles que foram responsáveis pela política aplicada na Grécia até então é uma decisão democrática que deve ser respeitada a nível europeu”, frisam, adiantando que quem defende que a mudança de política só é possível se a Grécia sair da união monetária europeia está a dizer que “as instituições europeias são incompatíveis com as decisões democráticas tomadas nos Estados membros”.

“O défice democrático a nível europeu, várias vezes lamentado, mas ainda não superado, não deve ser ainda mais firmemente entrincheirado, restringindo a democracia nos Estados membros”, afirmam, salientando que “a agitação política na Grécia deve ser transformada numa oportunidade para estabelecer uma Europa democrática e social”.

“A agitação política na Grécia deve ser transformada numa oportunidade para estabelecer uma Europa democrática e social”.

Entre os primeiros subscritores do manifesto de apoio ao povo grego constam, por exemplo, Reiner Hoffmann, secretário geral da DGB – a maior central sindical alemã -, Frank Bsirske, secretário geral do ver.di – sindicato nacional dos trabalhadores dos serviços, Robert Feiger, presidente do IG-BAU, Alexander Kirchner, Presidente do Sindicato dos Ferroviários, Michaela Rosenberger, secretária geral do NGG, Marlis Tepe, secretária geral da GEW, Michael Vassiliadis, secretário geral do IG BCE e Detlef Wetzel, secretário geral do IG Metall.

O documento é ainda subscrito por vários secretários gerais de sindicatos de outros países, entre os quais Erich Foglar, da Federação Austríaca de Sindicatos, Joan Carles Gallego, da CCOO de Catalunha, Ulrich Eckelmann, da industiAll – European Trade Union, e Paul Rechsteiner, da Federação Suíça de Sindicatos.

 

Bélgica faz greve geral. O Brasil nunca fez isso

Para ter greve geral é preciso centrais sindicais livres, sem pelegos, sem ONGs de ladrões.

Para ter greve geral é preciso movimento estudantil livre, sem diretórios acadêmicos a serviço de partidos políticos e de uma UNE sem dinheiro estatal como acontece no Chile.

Greve geral acontece em todos os países democráticos da Europa. Principalmente contra a perda de direitos trabalhistas.

No Brasil, os trabalhadores perderam todos os direitos. O ditador Castelo Branco cassou a estabilidade no emprego, e Fernando Henrique e Lula rasgaram a CLT.

Todo emprego  passou a ser temporário, pra lá de precário. E ninguém reclama. Uns chamam esse comportamento de apatia; outros, louvam o mito do Brasil cordial.

Uma greve geral marcada pelas três confederações sindicais belgas ameaça mergulhar a Bélgica no caos, na segunda-feira, com efeitos mais abrangentes do que a de dezembro último, quando a função pública parou por um dia.

No mesmo dia, está marcado um Conselho Europeu para discutir a crise na zona euro, com o foco nas medidas de luta contra o desemprego.

A data cimeira esteve para ser alterada por causa da greve, mas acabou por ser mantida para dia 30.

A greve tem como objectivo lutar contra as medidas de austeridade previstas no orçamento para este ano e contestar as alterações às políticas de desemprego e de reforma decididas pelo governo liderado pelo socialista francófono Elio Di Rupo.

No que respeita ao regime das reformas, os anos de trabalho vão aumentar de 35 para 40, em 2015, com um período transitório para as mulheres.

Dentro de três anos, a maior parte dos planos de pré-reforma terão como idade de referência os 60 anos, com uma carreira de 40 anos (a entrada em vigor para as mulheres é 2017).

A partir do próximo ano, a reforma antecipada só será possível com 38 anos de descontos (40, em 2015) e a idade mínima passará dos 60 para os 62 anos em 2016.

Já no que respeita ao subsídio de desemprego, este será reduzido após dois anos e suprimido ao fim de quatro.

O complemento para desempregados com mais de 50 anos e com 20 anos de descontos passa, em julho, a ser atribuído a partir dos 55 anos.

Também as condições para um desempregado rejeitar uma oferta que considere inadequada são alteradas: a distância entre a residência e o local de trabalho sobe dos 25 para os 60 quilómetros e o período é reduzido para três ou cinco meses (em vez de seis), conforme a idade.

 Mais dura que seja a reforma belga, ela seria um bem jamais sonhado pelo brasileiro.