GEOPOLÍTICA

por Talis Andrade

 

indignados polícia livro

 

De quarentena os poetas

que dedilham as cordas do lirismo

poetas amarelados doentios

chorando nos bares

as pobres rimas

chorando e gemendo as dores

de sifilíticos amores

 

Degrada de tua porta

os poetas os profetas

semeadores dos vírus

subversivos

 

Queima os livros

que te desagradam

e degradam a pureza

o idealismo dos jovens

Fecha os jornais

nanicos e derrotistas

 

Leva à execração pública

todos os artistas

efeminadas criaturas

incuráveis parasitas

incapazes de ações guerreiras

incapazes de atos heróicos

indignos de vislumbrarem

mil anos de Reich

 

Cerca o gado

nos guetos

cerca o gado

nos campos de concentração

 

Que nenhuma voz

se escute

a não ser

para a louvação

da augusta beleza

do amado Führer

 

Alavê alavê

mil anos de Reich

para o amado Führer

Um novo tipo de agente literário

Alfredo Martirena

Alfredo Martirena

Sobre o texto publicado na Folha pela Luciana Villas-Boas, condenando a política de tradução do autor brasileiro, achei grosseiro inclusive no modo como se dirige aos escritores. O que é até certo ponto explicável pelo fato de ter sido empregada durante tanto tempo de casa ligada ao comércio editorial, quem sabe os patrões falavam assim com ela o tempo todo.
Estamos precisando no Brasil de um novo tipo de agente, sem subserviência mercantilista às empresas e com um desenho literário sustentado em qualidade estética e identidade singular.
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A submissão operosa desse tipo de agentes às editoras não adianta de nada porque afinal terminam levando o mesmo pontapé (veja-se a mais recente das ex-Record) e o que os escritores desejam na verdade é serem respeitados e levados mais em conta no sentido que a Villas-Boas e suas colegas fossem mais altivas e ao menos desenhassem um perfil de qualidade literária em suas gestões profissionais.
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Outro dia mesmo fiquei pasma ao saber que uma outra ex- empregada de editora deu um estranho mini-curso no Rio pretendendo ensinar aos escritores os passos necessários como agradar a esses estabelecimentos comerciais para ter seus livros aceitos à publicação: o nome disso é mediocridade capitalista mesmo. É banalização vazia da arte e nada tem a ver com a verdadeira literatura.
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BRA^GO_DDM literatura escondida escritor livro

Escritores potiguares boicotados

Estamos sob a ameaça da Lei Azeredo do apagão na intenert. E agora temos o boicote das livrarias Siciliano. Coisa de máfia. De monopólio

Informa Daniel Dantas: as lojas da livraria Siciliano, em Natal, estão proibidas, por tempo indeterminado, de vender livros de autores e editores do Rio Grande do Norte.

Isso acontece em vários estados. Nas livrarias que dominam o mercado. Só vendem livros traduzidos. De vampiros e outros assombros.

Isso tem nome. Colonialismo. Morte da Cultura brasileira. Empurração de autores e costumes estranhos. Faz parte da dominação do Brasil, país do nióbio e das montadoras e oficinas estrangeiras.